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terça-feira, 20 de agosto de 2019

Quem mais teria prazer em relatar quão ousado e teimoso era, apenas para concluir que também estava completamente errado?


Quando Paul Hewson estava no equivalente irlandês do ensino médio, ele decidiu que o estudo compulsório do gaélico, a antiga língua irlandesa, era tolice. "Sendo o pequeno idiota rebelde que eu sou", ele disse em 1984, "eu recusei aprender isso. Eu traria livros alemães para a aula de irlandês apenas por pura rebeldia. Quando chegou o dia de um grande exame, eu não passei. Eu queimei meus papéis do lado de fora da sala de exame. Eu era muito teimoso e pensei: 'Esta língua está morta. Por que estou aprendendo algo que está morto?' Fui para a universidade depois disso e fui expulso por não falar irlandês".
Quando Paul se transformou no astro do rock mundialmente famoso Bono, passou a ter dúvidas sobre essa língua morta. "A razão pela qual está morta é porque muitas gerações de pessoas a mataram. E eu fui uma delas. Eu estava por aí. Era eu que estava perdendo. A poesia irlandesa me trouxe ao redor. Há sons na língua irlandesa que não existem tradução em inglês. Tendo se rebelado contra isto por tanto tempo, agora estou muito interessado na língua irlandesa".
A história de Bono é vintage, ao mesmo tempo auto-justificada e auto-depreciativa. Quem mais teria prazer em relatar quão ousado e teimoso ele era, apenas para concluir que ele também estava completamente errado?
"Estou interessado em alemão e espanhol", revelou ele durante a turnê de 'The Unforgettable Fire'. "Acho o espanhol uma das línguas mais fáceis. Se os ingleses guardam suas palavras como avarentos, os irlandeses as gastam como loucos. Eu tenho muitos versos africanos em casa, versos indianos, versos franceses. Quando uma melodia vem a mim, vem em sons. Eu tenho que classificar através dos sons para encontrar as palavras. Às vezes eu fico com um grande buraco onde não há palavras inglesas que se encaixem. Então tenho que encontrar outras palavras".
Bono fez isso em "Elvis Presley And America", onde no meio soa como sílabas indianas. E também usou o gaélico em "An Cat Dubh", o latim em "Gloria", o espanhol em "Vertigo".
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