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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A História Não Contada: produzindo discos do U2 no Brasil na década de 80


Produção Cultural no Brasil IV

Os depoimentos reunidos nestes livros são esclarecedores e tocantes. São testemunhos de como se realiza a arte e a cultura no Brasil, não apenas nos anos mais recentes, mas ao longo das últimas décadas. A escolha dos entrevistados reflete esse interesse comparativo e reflete a disposição de ouvir diferentes gerações, profissionais de múltiplas procedências, com variada formação, variadas trajetórias e experiências complementares.

Luiz Calanca - Proprietário da loja de discos Baratos Afins (Galeria Do Rock - São Paulo)

"O Arnaldo Baptista (dos Mutantes) é que acabou me infiltrando nessa coisa de produzir discos. Na época, tinha a censura federal, tinha que expor o disco ao departamento de censura, tinha que ter aquele cadastro de gravação. Era preciso ter uma empresa, não era qualquer um que ia lá e fazia o disco. Tinha que ter toda uma documentação para aquilo. A gente superou tudo isso para poder fazer o disco, aí não tinha mais sentido parar. Eu queria ser diferente das outras lojas, porque quando eu comecei na Galeria, logo veio a concorrência. E aí eu ficava incomodado com aquilo. Eu não queria ser mais um. Então pensei em fazer edições de coisas raras.
O Joy Division tinha uma música chamada "Love Will Tear Us Apart", que era a mais famosa, o hit. Todo mundo só queria aquela música, mas a gente queria lançar um álbum e não um single ou coisa assim. Então eu peguei o 'Closer', que na minha opinião é o disco mais legal deles, adicionei a "Love Will Tear Us Apart" e tirei trezentas cópias. Cheguei a vender bem, até. Então o pessoal do selo Stiletto pediu para que eu fizesse do Bauhaus também. Era assim: se desse certo, eles lançavam, se não desse, eles ignoravam, mas os caras eram meio picaretas, então me afastei. Eu me envolvi num outro caso assim com o U2. Fiz um disco pirata deles chamado 'Two Sides Live', mas nós tínhamos autorização do manager da banda. Na época, a polícia queria me extorquir e eu fiquei birrento, não queria dar dinheiro para a polícia. Eles diziam que nós éramos piratas, e eu dizia que não, que estávamos legais. Eu também era barômetro do Aluísio Motta, que era diretor da Warner. Barômetro não, quase um assessor. Eu ficava indicando que discos venderiam mais, se era legal lançar ou não. Indiquei 13 títulos e ele acabou estourando com um do U2 chamado 'The Unforgettable fire'. Até aí eu já tinha ido umas dez vezes para o fórum, para aquelas audiências, aquelas diligências acompanhando os advogados. Todo dia eu ia com uma camisa do U2 nova e o juiz me discriminava. Eu queria mostrar que a banda estava lançando disco e ganhando dinheiro por causa da gente, do disco que a gente tinha lançado, mas ninguém queria saber disso. Até que o Aluísio me mandou uma carta agradecendo, dizendo que graças a mim tinha achado um novo nicho de mercado, tinha vendido oitenta mil cópias do 'The Unforgettable Fire'. Eu mostrei a carta ao meu advogado, que anexou nos autos do processo e fez o juiz encerrar o caso. Eu acabei virando amigo do Aluísio, até auxiliando em alguns títulos da Warner depois. Só que eu nunca ganhei nada com isso."

Nas gravações do videoclipe de "City Of Blinding Lights"


Do diário de Willie Williams:

Vancouver - Abril de 2005

"Os diretores do vídeo são Alex e Martin, o duo francês que gravou o brilhante vídeo de "Vertigo" com a banda tocando nos anéis ondulantes. O vídeo teve uma pequena influência no palco da turnê.
Eles estão aqui para filmar um vídeo promocional para "City Of Blinding Lights" e a ideia geral era registrar vários takes da banda tocando a música em um ambiente pseudo-ao vivo. Nós conseguimos isso através de cerca de meia dúzia de tomadas em quatro ou cinco horas. Entre um e outro tinha que reconfigurar iluminação, cenário, etc. É um processo maçante, mas eu podia ver que o que estava entrando na lente da câmera, e o que eu estava vendo era muito bom de fato, por isso não havia do que me queixar.
Durante estes takes o local estava vazio, mas obviamente para alguns registros seria necessário, pelo menos, a aparição de um público, por isso foi convocada uma pequena multidão de pessoas locais para dar uma atmosfera. Um anúncio na Internet e na rádio local facilmente reuniu 4.000 pessoas que precisávamos e quando eles entraram para um take teve aquela energia de boas vindas. Eles podem ter sido "extras" nos olhos dos cineastas, mas na mente do público isto era claramente um show. Eles fizeram muito bem, conseguindo projetar uma emoção claramente genuína, mesmo quando eu assistia "City Of Blinding Lights" sendo tocada ali pela décima vez.
Por volta da meia-noite, Alex e Martin tinham tudo o que precisavam, então o U2 tocou outras quatro ou cinco canções como uma recompensa simbólica para a paciência do público. Foi caótico, mas acabou por ser divertido."

The Irish Sun crava a data de lançamento do single de "You’re The Best Thing About Me" e do álbum 'Songs Of Experience'


O The Irish Sun revela que 'Songs Of Experience', o próximo disco do U2, estará sendo lançado no Dia Mundial Da AIDS, 1° de Dezembro, em conjunto com o Projeto RED, uma iniciativa criada por Bono para angariar fundos para combater a doença.
Mas os fãs não terão que esperar tanto tempo para ouvir uma música nova, com o primeiro single "You’re The Best Thing About Me" estreando no rádio na sexta-feira, 8 de Setembro, dias após a banda retomar a 'The Joshua Tree Tour 2017' nos EUA.
O amigo de longa data da banda, o DJ da 2FM, Dave Fanning, apoia este lançamento no Natal. Ele ouviu o disco novo na casa de Bono em Killiney no início deste ano, e diz que a espera vale muito a pena. Dave disse ao The Irish Sun: "Novas coisas do U2 sempre me empolgam porque é ótimo ouvir coisas novas de uma banda que você ama. Será definitivamente lançado este ano. Eu ouvi o disco na casa de Bono e não é diferente de 'Songs Of Innocence' ou 'The Joshua Tree'. O que é ótimo é que novas músicas significam algo para o U2. Eles levam o seu novo material a sério, de uma forma que os Rolling Stones não."
E Dave diz que o novo álbum virá de um novo lugar na vida da banda. O último disco lidou com a criação de Bono na Cedarwood Road em Dublin, mas Dave diz que 'Songs Of Experience' foi escrito a partir de uma perspectiva de um Bono mais velho.
Ele disse: "As músicas que ouvi foram mais pessoais de Bono, cantando sobre anos depois que ele deixou a Cedarwood Road. Refletindo sobre a sua vida. Gosto da maneira como Bono coloca as coisas com clareza e com o coração. Isso é muito, muito pessoal."
Adam Clayton anteriormente descreveu 'Songs Of Experience' como mostrando o U2 "onde ele tinha estado e onde estão agora". Ele acrescentou: "O disco 'Songs Of Experience' vai pegar tudo o que aprendemos nos últimos 40 anos e consolidá-los em uma peça que dispensaremos em algum momento."
E Dave, que tradicionalmente recebe a primeira cópia do material do U2 para seu programa, tem apoiado ""You’re The Best Thing About Me" para ser o primeiro single.
Ele disse: "É uma grande melodia e muito mais leve do que qualquer coisa em 'Songs Of Innocence'. É o single perfeito."
O U2 gravou imagens para um videoclipe da música em um show em Amsterdã em julho passado. Um remix da faixa pelo norueguês DJ Kygo foi tocada no Festival Cloud Nine da Noruega no ano passado.
A banda deixou Steve Lillywhite encarregado de produzir o single que será lançado no mês que vem.
O U2 está tomando todo o cuidado para que o álbum não vaze antes de seu lançamento em dezembro. O pessoal da gravadora já foi avisado para se prepararem para um novo álbum do U2 que sai no quarto trimestre de 2017.
E o plano da banda é promover o lançamento do disco, tocando de quatro a oito músicas para jornalistas que cobrirão seus próximos show na 'The Joshua Tree Tour 2017'.

Um review das músicas ouvidas pela equipe do The Irish Sun:

"You’re The Best Thing About Me"

Soa como se The Edge tivesse sido substituído pelo gênio do Chic, Nile Rogers. Uma melodia pulsante para o final do verão.

"The Little Things That Give You Away"

Milhares de pessoas deixaram o Croke Park quando o U2 tocou esta faixa desconhecida no encore. Deveriam ter ficado para esta melodia conduzida pelo piano. A guitarra do Edge faz desta um clássico do U2.

"Much More Better"

Bono volta para sua bicicleta. Faixa acústica profundamente pessoal sobre a recuperação de Bono de seu acidente de bicicleta no Central Park em Nova York em 2014.

"The Showman"

Soa como os Beatles na fase de 'Rubber Soul' em uma canção em que Bono enfatiza sobre outros cantores. A letra: "The showman give you front row to his heart / The shaman prays that his heartache will chart / Making a spectacle of falling apart is the heart of the show."

"Summer Of Love"

O U2 sempre teve músicas de verdade. Bono descreveu isso como "dolorosamente bela e vazia". Verdade.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Quando os EUA usaram o rock 'n roll para 'torturar musicalmente' líder panamenho Noriega, havia uma canção do U2


No Natal de 1989, o general panamenho Manuel Noriega tornou-se um alvo famoso da técnica chamada "tortura musical" - técnica que, ainda que alguns de seus praticantes argumentem que não deva ser considerada tortura, costuma funcionar como tal.
O líder militar havia se escondido na embaixada do Vaticano na Cidade do Panamá depois de o presidente americano George Bush ter invadido o país centro-americano.
Noriega era acusado pelos EUA de tráfico de drogas e de manipulação das eleições de 1989. A embaixada estava cercada por tropas americanas, mas ele se recusava a se entregar.
O exército dos EUA decidiu então usar a guerra psicológica - erguendo uma parede de som e colocando-a para funcionar sem parar do lado de fora. Uma frota de Humvees (veículos militares) com alto-falantes começou a tocar rock.
A playlist das tropas foi escolhida pela Rede do Comando do Sul, a rádio militar dos EUA na América Central. Ela incluiu hits escolhidos a dedo por seu conteúdo irônico, incluindo "I Fought The Law", do The Clash, "Panama", do Van Halen, "All I Want Is You", do U2, e "If I Had A Rocket Launcher", de Bruce Cockburn.
Guns N' Roses e The Doors também estavam na lista. A lista completa foi guardada posteriormente no Arquivo de Segurança Nacional da Universidade George Washington, enquanto partes dela estão disponíveis no YouTube.
Talvez inevitavelmente, a Santa Sé fez na época uma queixa a Bush e a guerra musical foi interrompida após três dias.
Em 3 de janeiro de 1990, o general, que se diz amante de ópera, concordou em render-se.

Do site: BBC Brasil

"Estou chateado com a repercussão. Sou fã de carteirinha do U2 e a última coisa que queria fazer era magoá-los"


Janeiro de 1998, a primeira vez do U2 no Brasil. Paul McGuinness, o empresário, estava muito irritado com todos os problemas acontecendo em relação à apresentação no Rio de Janeiro. "É necessário ter um grande senso de humor frente a esses problemas", afirmou ele.
Uma das maiores irritações do empresário foi com a Skol, um dos cinco patrocinadores da turnê no país. Ele ficou irritado ao assistir ao comercial da empresa sobre os shows no Brasil.
Nele, um grupo formado por artistas parecidos com os integrantes do U2 tocam uma canção que lembra "With Or Without You". "Foi uma coisa muito cínica", acrescentou o empresário, que disse que não havia definido se iria processar a empresa.
"Certamente, eu preciso de todo meu senso de humor para assistir o anúncio da Skol na televisão. Espero que este anúncio seja visto pelos fãs como uma sátira. Foi uma atitude cínica desta cerveja e não fomos consultados".
Fábio Fernandes, presidente da F/Nazca, empresa que realizou o comercial, disse que a Skol naquele momento havia retirado a peça de veiculação.
"Estou chateado com a repercussão. Sou fã de carteirinha do U2 e a última coisa que queria fazer era magoá-los", disse Fernandes.
Ele afirmou que havia recebido autorização da TNA. "Resolvemos contratar os artistas depois de não termos recebido as imagens autorizadas para os anúncios."
Foi primeira vez que o U2 aceitou uma cerveja como patrocinador. Sem a Skol, seria impossível trazer a PopMart à América do Sul. "Acho que todos na banda estão sentindo um desconforto, mas foi a única maneira de vir aqui", disse McGuinness.

Larry Mullen tocou com o tornozelo quebrado na gravação da primeira demo do U2


Larry Mullen revelou em entrevista para a Modern Drummer na década de 80:

"Dois dias antes do nosso último show no colégio, tive uma briga com alguém. Ele me deu um chute no braço e quebrou minha mão, então eu toquei meu primeiro show com minha mão engessada. E antes da minha primeira gravação de uma demo, caí da moto e quebrei meu tornozelo, por isso não consegui abrir e fechar o meu Hi-Hat. Mas depois disso não quebrei mais nada.
Eu faço karatê. Ajuda a ganhar músculos, especialmente no estômago e nas costas. Eu gosto como um esporte, embora eu não seja interessado, obviamente, na violência dele. Eu não faço isso quando estamos em turnê. Preciso ter cuidado.
Eu tenho tendinite. Torci os ligamentos e tendões na área do polegar. Tom, meu técnico de bateria, acha que pode ser de algumas baquetas que eu tinha. A distribuição de peso não estava boa, e o choque nas batidas não era absorvido pelas baquetas. Eu uso algumas novas baquetas da pro-Mark, e elas são obras-primas.
Elas são projetadas especificamente para mim, não estão à venda. Eles são construídas com peso extra nas pontas. Quando eu bato com elas, elas absorvem o choque e permanecem solidamente em minhas mãos. No momento, eles são feitos de Hickory, mas a Pro-Mark está experimentando com diferentes tipos de madeira para nós, incluindo algumas madeiras japonesas.
Nosso setup da bateria é basicamente o mesmo no estúdio e na turnê, e nós não fazemos qualquer ajuste especial para a gravação do álbum.
Um tempo atrás, nós tocávamos com algumas bandas de grande nome, e eu via o baterista lá fora ajustando o seu som - você sabe, obtendo todas as "notas corretas". Eu me senti um pouco intimidado por isso, então eu tentei fazê-lo. Eu consegui este tipo de um torque e minha bateria soou tão ruim, então eu voltei a ajustar de ouvido. Não há mais ninguém que consiga o som como você. Tom é um roadie com muito conhecimento, e mesmo ele não pode fazer isto direito. Se fosse sintonizado com uma nota, haveria uma maneira, mas é para um som.
Eu não gosto muito de baterias eletrônicas, embora eu não queira me limitar e dizer que nunca as usarei. Para shows de arenas, começamos a usar um Simmons SDS7 ativado pela bateria acústica, apenas para o reforço do som."

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Compositor de "Everlasting Love" diz que passou a gostar da versão do U2 para a canção


Buzz Cason é um cantor americano, compositor e produtor. Ele foi o membro fundador da banda The Casuals. O seu grande hit como compositor, foi "Everlasting Love", escrita juntamente com Mac Gayden e gravada pela primeira vez em 1967 por Robert Knight.
Em 1989, o U2 lançou sua versão da música no lado b do single de "All I Want Is You", do disco 'Rattle And Hum'. Após isso, a canção ainda foi incluída na coletânea 'The Best Of U2 1980-1990/The B-Sides' e fez parte da trilha sonora do filme 'Forças Da Natureza', com Sandra Bullock.
Buzz disse que a versão do U2 não era boa, que ele não entendeu o motivo da banda ter gravado a canção. Questionado sobre isso em uma entrevista, Buzz disse:

"Bem, eles me perguntaram, quando eu estava em Birmingham no backstage de um show deles, o que eu achei da gravação e eu lhes disse a verdade. Mais tarde eu aprendi a gostar porque eles estavam apenas tentando fazer uma versão folk/rock. Bono também inventou suas próprias palavras para a letra.
O que aconteceu foi que ela passou a ser um hit (maior do que um A Side deles) em L.A. e Nova York, e a Island Records acabou tirando ela fora dos playlists. Então, quando eu estava nos bastidores eles disseram: "nós vamos compensar você." Eu pensei que eles estavam apenas tentando suavizar as coisas, mas eles realmente acabaram lançando ela em uma coletânea deles. Tudo bem, Bono, tudo bem, basta enviar os cheques!"

The Edge fala sobre ter assistido um show da banda que tem sua canção na abertura dos shows da 'The Joshua Tree Tour 2017'


A canção "The Whole Of The Moon", do The Waterboys, foi utilizada para abrir shows do U2 na 'The Joshua Tree Tour 2017'.
The Waterboys é uma banda do Reino Unido, fundada pelo vocalista e guitarrista escocês Mike Scott, que fez sucesso na década de 80.
A canção "The Whole Of The Moon" é de 1985, tirada do álbum 'This Is The Sea', e é um clássico do repertório do grupo.



The Edge em entrevista disse: "Eu já assisti bandas em locais pequenos e eles não podiam se comunicar e eu assisti shows em estádios onde todo mundo estava completamente juntos, por isso não é realmente sobre o tamanho do local. É em grande parte sobre as músicas.
Eu vi os Waterboys no Top Hat, em Dun Laoghaire, em torno da época de "The Whole Of The Moon", uma dessas noites incríveis - a intenção, a vontade, o desejo de se comunicar, para atravessar uma multidão. Mike Scott era um grande talento. Não se trata de performance interna, não se trata de tentar manter a calma. Tudo o que me deixou com um instinto sobre o que é exigido para fazer um grande show, onde nunca há um momento maçante na noite.
Muito disso é teatro puro. O Springsteen tem teatro. Jimi Hendrix tinha teatro. The Clash tinha teatro. Mas se isso é tudo o que é, então ele perde. Você tem que ter um aspecto de espontaneidade onde você realmente não sabe o que vai acontecer. Um perigo. Uma interação entre o artista e o público."

As canções que foram trabalhadas e que poderiam ter sido utilizadas na abertura de shows da turnê 360°


Do diário de Willie Williams:

2010 - Ensaios em Turim

Temos de atualizar o show. Certamente, precisamos de uma nova abertura.
Para o restante, eu tenho vontade de colocar "Mercy", para o valor da novidade de tocar algo inédito, ou então "Trying To Throw Your Arms Around The World" que será uma vitória se pudermos fazer os elementos de produção acontecerem. Talvez inspirado pela abertura desta nova fase da turnê na Itália, Bono sugeriu "Miss Sarajevo". Olhando através do setlist, então ele colocou o dedo em "Ultraviolet (Light My Way)" e perguntou se havia outra música que poderia colocar lá que ainda funcionaria com o microfone pendurado e a jaqueta laser. Depois de um minuto ou dois, ele sugeriu "Hold Me Thrill Me Kiss Me Kill Me", que não vê a luz do dia desde a Popmart. Em muitos aspectos, "Ultraviolet (Light My Way)" foi a grande surpresa da turnê no ano passado - uma faixa pouco conhecida no álbum, que voltou e roubou o show (como "Bad" nos dias de hoje). Para nos dar uma noção de como poderia ser, nós assistimos a performance de "Ultraviolet (Light My Way)" do DVD Rosebowl, enquanto escutamos também "Hold Me Thrill Me Kiss Me Kill Me". Foi muito mais promissor do que eu pensava. Eu amo essa música também - uma coisa grande, glam, bombástica. Costumava soar muito bem na turnê Popmart.
Passei a manhã trabalhando em sequências sonoras com o Declan. Nós ainda estamos trabalhando em seqüências de abertura e no passado descobrimos que é útil ter três ou quatro opções para olharmos. Houve uma sugestão na noite passada que "Hold Me Thrill Me Kiss Me Kill Me" pudesse ser uma concorrente para uma nova abertura radical para o show, então Declan pegou a gravação original multi-track da faixa. Há muitos sons loucos de violinos escondidos na gravação que me lembrou de uma composição de George Crumb chamada "Black Angels", escrito (eu acho) em resposta à guerra do Vietnã. Eu tenho uma gravação disto sendo tocada pelo Kronos Quartet, então peguei isso e entreguei pro Declan.



A combinação de ambas, destes instrumentos loucos de corda foi absolutamente surpreendente, particularmente quando tocado sobre o sistema de som gigante da 360° ​​e configurou uma atmosfera maravilhosamente desenfreada para "Hold Me Thrill Me Kiss Me Kill Me".
Isso nos deu nossa terceira opção, sendo as outras duas "Beautiful Day" vindo direto de "One Day Like This" do Elbow e uma abertura com "Moment Of Surrender" vindo através de "Soon", a faixa anteriormente conhecida como "Kingdom Of Your Love" que abriu os shows no primeiro ano da turnê.

sábado, 12 de agosto de 2017

A Entrevista: Larry Mullen na Modern Drummer em 1985 - Parte III


Larry Mullen em 1985 em entrevista para a Modern Drummer:

"Entrei no estúdio de gravação com toda a inocência. Você sabe: primeiro álbum, "eu posso fazer o que eu quero". À medida que você obtém um, você começa a relaxar. Você não quer ser muito experimental, você quer "manter o backbeat" ou seja o que for. No meio disso, adquiri um estilo. Eu gosto de 'October' e 'War', mas eu construí minhas próprias pequenas paredes nesses álbuns. Era uma coisa de segurança, porque não tinha certeza da minha posição de baterista. Mas agora estou saindo disso, e espero ficar com a coisa experimental. Sou livre, e a banda também é muito livre.
Windmill Lane não é como outros estúdios de gravação. Não há sinais de dólar por toda parte. Há apenas uma boa vibração no lugar. Há estúdios em Nova York ou Londres que são melhores do ponto de vista técnico, mas isso é secundário. E agora que vimos outros estúdios, levamos algumas ideias de volta ao Windmill Lane. Nós não temos medo de fazer algumas mudanças.
Haviam pessoas pagando dinheiro para entrar e ver uma banda, mas eles não estavam vendo uma banda. Eles estavam vendo três membros e um baterista nas sombras. Quando tocávamos em teatros, as luzes estavam colocadas muito baixas e me queimavam. Eu disse: "esqueça isso. Eu não preciso de holofotes apontados para mim".
O que temos é um ego de banda, não é uma coisa individual, e nunca foi. Se alguém em nossa banda recebe mais entrevistas e fotos no jornal, não é uma questão de seu ego ser maior. É que ele é o melhor nesse trabalho. Todos fazemos o que podemos. Eu sei que, em muitas bandas, há muitas reclamações acontecendo. Eu conversei com alguns músicos de rock e ouvi-los discutir com colegas da banda é algo triste. Nós somos realmente bons amigos. No que diz respeito a entrevistas, eu vou ficar no fundo, mas na medida em que a música for a causa, eu pretendo ter um maior interesse. É muito fácil se tornar apenas o baterista. Eu estava caindo naquela armadilha. O resto dos caras estavam se movendo, e eu estava meio que ficando para trás. Quero seguir em frente. Não é como se me pagassem um salário. Eu sou um membro da banda, eu tenho que carregar meu próprio peso. Se eu não fizer isso, o resto dos caras começam a gritar, e isso é justo o suficiente.
Eu quero ser uma força contínua no U2. Por isso, graças a Deus, finalmente tenho um lugar para mim, que nunca tive antes. Assim que esta turnê terminar, vou para casa onde terei tempo para mim. Eu vou conseguir um sistema de gravação de quatro faixas, trazer instrumentos, e tocar para o conteúdo do meu coração. Quero aprender a tocar guitarra. Eu quero fazer composições. Eu vou aprender coisas - aprender a tocar com outras pessoas - não necessariamente outras bandas, mas apenas pessoas que conhecem a música. Estou aberto a qualquer coisa. Eu realmente quero trabalhar com outros músicos, porque eu nunca fiz isso antes. Eu adoraria entrar em um estúdio, resolver as coisas de uma nova maneira, e ser um baterista de sessão. Eu acharia incrivelmente desafiador.
Eu prefiro ir como um convidado e trabalhar com as pessoas sobre a escrita das músicas. Eu não quero trabalhar com pessoas que chegam e dizem: "toque isso". Se eles só querem dizer o que fazer, eles podem muito bem usar uma bateria eletrônica. Outra coisa que eu gostaria de fazer um dia é construir o meu próprio estúdio para as minhas especificações. Eu teria uma sala grande. Tudo seria grande e ambiente - madeira e concreto. Embora eu não seja um grande fã do Led Zeppelin, sou um fã do John Bonham, e sei que todos os discos do Zeppelin foram feitos em salas grandes. Muitos dos primeiros discos Stones - sons excelentes, ótimos sons do ambiente."

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Bono aparece em vídeo para 'An Inconvenient Sequel: Truth To Power', próximo documentário de Al Gore


Paul McCartney, Bono, Pharrell Williams e muitos outros músicos falam sobre como é necessário que a sociedade preste atenção nos efeitos do aquecimento global em um vídeo lançado, intitulado 'Why Are You Inconvenient?' (Por Que Você É Inconveniente?) que antecipa o lançamento de 'An Inconvenient Sequel: Truth to Power', próximo filme de Al Gore. O documentário chega aos cinemas brasileiros em 9 de novembro.
"Eu sou inconveniente pelo futuro do planeta", diz McCartney. "Os mais pobres estão furiosos porque eles são os primeiros atingidos pelas mudanças climáticas", continua Bono. "Nós temos apenas um planeta para viver – ainda não chegamos em Marte", comenta Williams. "Até chegarmos lá, eu vou ser inconveniente."
Sentimentos similares são transmitidos na fala de Adam Levine, do Maroon 5, Camila Cabello, Jennifer Hudson, Steve Aoki, Randy Jackson e Ryan Tedder, do OneRepublic, que também estão no vídeo. Tedder coescreveu a música "Truth to Power", que aparece em An Inconvenient Sequel e nos segundos finais de 'Why Are You Inconvenient?'.
'An Inconvenient Sequel: Truth to Power' chega mais de dez anos após 'Uma Verdade Inconveniente' (2006), o primeiro documentário de Gore sobre os perigos do aquecimento global. O filme ganhou dois Oscars – por Melhor Documentário e por Melhor Música Original – e rendeu um Nobel da Paz ao diretor.



Do site: Rolling Stone

O que teria realmente causado a mudança de local do show do U2 no Rio de Janeiro em 1998 pela Popmart Tour?


Faltando 17 dias para a primeira apresentação do U2 no Brasil pela turnê Popmart em janeiro de 1998, os organizadores Franco Bruni e Fran Tomasi, anunciaram que o show do grupo no Rio, marcado para 27 de Janeiro, havia sido transferido do Estádio do Maracanã para o Autódromo Municipal Nelson Piquet, em Jacarepaguá.

Segundo Bruni, o motivo da mudança foi técnico: o túnel de acesso à pista do Maracanã não dava passagem ao guindaste utilizado na montagem do palco. Era impossível rebaixar um dos túneis.
A indefinição de local estava ameaçando a realização do show do U2 no Rio de Janeiro. O diretor de produção da turnê PopMart, Jake Kennedy, soltou comunicado dizendo que a banda tocaria no Estádio do Maracanã no dia 27, contrariando as declarações do empresário carioca Franco Bruni.
"Nenhum engenheiro assume o risco do rebaixamento do túnel comigo. Agora, a produção do U2 que trabalhe direito. Se eles têm uma solução, porque não tinham há cinco meses, quando já sabiam dos problemas?", disse.
No comunicado enviado diretamente à imprensa brasileira, o empresário da banda, Paul McGuinness, afirmou: "Todos os problemas logísticos foram resolvidos".
Bruni, por sua vez, disse que o comunicado o pegou de surpresa e que era praticamente impossível, por problemas técnicos, que o show se realizasse no estádio.
"O comunicado não é real. Se alguma coisa for imposta, aí realmente tem muita coisa que vai pegar... Isso é um capricho da banda", afirmou Bruni.
No entanto, a Suderj (Superintendência de Desportos do Rio de Janeiro) não havia sido comunicada oficialmente de nada.
Segundo informações da produção brasileira, para que o guindaste entrasse no estádio era preciso de uma escavação de 85 metros de comprimento por 1 metro de profundidade.
Um complicador foi que as plantas do Estádio do Maracanã foram perdidas e não se sabia se havia tubulações ou encanamentos no local. Além dos riscos, a obra foi orçada em cerca de R$ 500 mil.
"Quando o Tom Armstrong veio vistoriar o Maracanã, ele me disse 'sem guindaste, não há show'. Agora eles estão mandando a solução de reduzir a tonelagem dos guindastes. Querem que desmontemos as máquinas do lado de fora para remontar lá dentro, mas não cogitaram essa hipótese antes", afirmou Bruni.
A assessoria de imprensa do U2 em Londres apenas confirmava o teor do comunicado.
A Suderj, que era administradora do estádio, quando foi comunicada, apresentou outra versão. O presidente da Suderj, Raul Raposo, disse que recebeu fax de Bruni pedindo desconto de R$ 40 mil para alugar o estádio.
No fax, segundo Raposo, Bruni justificava o pedido afirmando que as vendas estavam ruins e só 7% dos 120 mil ingressos tinham sido vendidos.
Segundo os próprios produtores, até aquela data do anúncio da troca, haviam sido vendidos 20 mil ingressos.
Os produtores já haviam pago à Suderj R$ 125 mil pela reserva do estádio. Segundo Raposo, a quantia seria abatida do total do aluguel do estádio (aproximadamente R$ 280 mil, que seriam pagos naquele mês). Com a transferência do show, os R$ 125 mil não foram devolvidos aos organizadores.
Na entrevista realizada, os produtores negaram qualquer problema com o aluguel e atribuíram a mudança ao guindaste.
Mais uma coisa estranha: Franco Bruni disse ter sido informado pelo presidente da Suderj de que o Maracanã não estaria disponível no dia 27, data prevista para o show.
Bruni disse ter sido informado por Raposo de que, entre os dias 21 e 31 de janeiro, seriam realizados no estádio sete jogos do Torneio Rio-São Paulo de futebol.
Raposo não quis falar com os jornalistas, mas informou, por meio de sua assessoria de imprensa, ter decidido ceder o estádio para o torneio após ter recebido um fax dos produtores da turnê, no dia 7 de janeiro, informando que o show no Maracanã estava cancelado.
O show foi transferido, mas um fax enviado pelos produtores da banda insistia na apresentação no estádio. "Com o cancelamento, o Maracanã foi reservado para os jogos do torneio Rio-São Paulo. A insistência dos produtores mostra que Franco Bruni está desesperado e o quanto ele é antiprofissional", disse Raposo.
Raposo disse que o problema do guindaste poderia ter sido resolvido com a desmontagem da peça e que não havia recebido dos produtores a planta do palco, o laudo de segurança dos bombeiros e o alvará.
No meio disso tudo, o Corpo de Bombeiros informou que ainda não havia recebido o pedido de expedição de laudo técnico de segurança e cálculo de público para a realização do show do U2 no Rio.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o laudo deveria ser pedido num prazo entre 15 e 30 dias antes, para que houvesse tempo de avaliação.

Kendrick Lamar confirma que o sampler utilizado em seu disco é de uma canção inédita do U2


Kendrick Lamar colaborou com o U2 na faixa "XXX", presente em seu mais recente álbum 'Damn', em uma parceria que surpreendeu os fãs de ambos.
Lamar disse que "XXX" foi o resultado de uma ideia que ele tinha trabalhado antes com Bono e que não tinha sido terminada, e que foi então revisada para o seu álbum.
"Nós tínhamos gravações diferentes, que deveríamos estar fazendo juntos. Ele me enviou a parte que ele tinha, eu coloquei algumas ideias para ele, e nós não sabíamos onde estava indo", disse Lamar para a Rolling Stone.
"Eu tinha um álbum que seria lançado, então eu só perguntei a ele, tipo: 'Ei cara, você me faria essa honra de me deixar usar neste disco, usar essa ideia que eu quero juntar porque eu estou ouvindo um certo tipo de 808, uma certa bateria para ela'. E ele estava aberto à isso."
"Há um monte de grandes gravações e grandes parcerias que o mundo provavelmente nunca vai ouvir, porque simplesmente parece não soar legal, não importa o quão grande o nome que esteja envolvido", acrescentou.
Lamar elogiou Bono, dizendo que ele é inspirador "na música e na vida."
"Mas Bono tem tanta sabedoria e tanto conhecimento, na música e na vida. Sentado ao telefone com ele, eu poderia falar com ele por horas. As coisas que ele está fazendo em todo o mundo, de apenas ajudar as pessoas, é inspirador", disse ele.

As linhas que Bono cantou na canção "XXX" de Kendrick Lamar, que foi listada como sendo uma colaboração com o U2, na verdade foi um sampler usado por Lamar, porque as letras foram tiradas realmente de uma canção do U2, uma música que já foi ouvida em sessões de audições do próximo disco do U2, 'Songs Of Experience'. Relatos dizem que as letras estão um pouco mais lentas na versão de Kendrick Lamar do que na versão original do U2. Esta canção do U2 pode ter o título de "American Soul".

As duas versões da canção que Bono afirmou ter trabalhado com T-Bone Burnett


Bono trabalhou com T-Bone Burnett em duas canções, "Purple Heart" (do álbum 'The Talking Animals' de 1987) e "Having a Wonderful Time, Wish You Were Her" (do álbum 'Behind The Trap Door' de 1984). Os dois tinham sido apresentados em 1984, quando Ellen Darst estava trabalhando na gerência de T-Bone Burnett, e também na gerência em Nova York da Principle Management, que cuidava da carreira do U2.
No final da década em uma entrevista para a revista Propaganda, Bono revelou que ele e Burnett estavam trabalhando em uma terceira música juntos:

Propaganda: você escreveu uma música com T-Bone alguns anos atrás. "Having a Wonderful Time, Wish You Were Her"

Bono: Eu realmente gosto dessa música, mas eu não escrevi muito dela. T-Bone foi muito generoso me dando 50% da música. Eu escrevi outras com T-Bone como "Purple Heart" em seu último álbum, eu acho que nós começamos uma outra. Ele está trabalhando nela para seu próximo LP - é aquela para responder a todas as perguntas já feitas. Chama-se "I Can Explain Everything".

Essa entrevista para o Propaganda foi feita no final de 1988. O álbum 'The Criminal Under My Own Hat' de T-Bone Burnett foi lançado no verão de 1992. A canção "I Can Explain Everything" não aparece uma vez, mas sim duas vezes no álbum em duas versões muito diferentes.





O assunto é familiar para os fãs do U2. Políticos, pregadores. É uma ideia que se seguiu até a ZooTV com o personagem de Bono, Mirrorball Man.
O álbum não credita Bono nas letras. É possível que as contribuições de Bono sobre a música não tenha sido usada. Também vimos no passado que, por vezes, o U2 optou por não ser creditado em projetos paralelos, mesmo tendo contribuído. Mas a entrevista na revista Propaganda afirma claramente que Bono estava trabalhando na música com T-Bone Burnett.

Do site U2 Songs (antigo U2 Wanderer)

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Ex-empresário diz que o U2 cogitou cancelar o show no Rio de Janeiro em 1998 pela turnê Popmart


No dia 27 de Janeiro de 1998, o U2 fez seu primeiro show no Brasil, com o empresário da banda, Paul McGuinness, irritado com o produtor e uma das empresas patrocinadoras da turnê no país.
Em reportagem divulgada pela agência RMP naquele ano, o empresário do U2 disse que sempre quis se apresentar no "lendário" Estádio do Maracanã. "E é isso que faremos... é o gramado consagrado de Pelé", acrescentou.
Paul McGuinness não poupou críticas ao produtor dos shows da banda no país, Franco Bruni.
"O ponto negativo desta turnê na América Latina está sendo o conflito com os promotores do evento no país. Eles produziram muitos problemas", disse McGuinness, no Autódromo Nélson Piquet na época. "A mudança do show do Maracanã para cá ainda não foi explicada."
McGuinness disse que também não gostou da maneira como o show foi transferido. "Fizeram a mudança antes de falar com a banda. Nós só ficamos sabendo após o anúncio oficial para a imprensa."
Bruni, por sua vez, voltou a bater pé na sua opção. "Se não for no Autódromo, não vai ser em lugar nenhum", disse. "Na nossa interpretação, o que a banda fez foi uma declaração tentando ser simpática ao Rio", completou o secretário municipal de Esportes e Lazer, José Moraes, com quem a produção do show se reuniu e com quem ela assinou o contrato de aluguel do Autódromo.
Na ocasião, Bruni disse que o show seria transferido para o Autódromo porque o guindaste que faria a montagem do telão não passaria pelo túnel do Estádio do Maracanã.
Paul McGuinness disse: "Nesse ponto, não sei no que acreditar. Mas vários shows foram feitos lá e acho que o nosso também poderia ser feito."
Segundo ele, o show no Rio foi mantido por causa do público.
"O cancelamento foi estudado, mas sabíamos que já haviam sido vendidos muitos ingressos e mantivemos o show em respeito ao público", acrescentou.
O produtor da turnê no país, o empresário Franco Bruni, falou rapidamente com os jornalistas sobre as críticas de McGuinness.
"O contrato foi feito com a TNA, empresa produtora da turnê mundial, e só devo resposta a eles."
Ao desmentir Franco Bruni, que alegou razões técnicas - falta de segurança para abrir um túnel sem o qual os guindastes para a montagem do palco não iriam entrar no Maracanã - para a mudança de local, o diretor de produção da PopMart, Jake Kennedy, informa na reportagem: "Houve alguns problemas logísticos no estádio, porém todos foram resolvidos. Estamos em dia com a programação e esperamos avidamente apresentar um grande espetáculo no Maracanã." Em entrevista, Franco Bruni havia revelado que, quando da opção pelo Autódromo, as negociações com a Suderj, órgão público que administra o Maracanã, pelo preço a ser pago pelo estádio ainda não tinham sido encerradas. Contactado pela Agência JB, o presidente da Suderj, Raul Raposo, informou que não tinha nada a dizer sobre o caso.
José Moraes negou a existência de uma disputa entre a secretaria municipal de Esportes e Lazer e a Suderj pelo show do U2. "Não tenho nada contra o Raposo. A nossa briga é para manter o show no Rio de Janeiro", afirmou. Segundo ele, o Autódromo tinha uma estrutura para megaeventos (o último tinha sido uma micareta que reuniu 400 mil pessoas) que poderia ser acionada imediatamente. "No Autódromo, tenho um heliponto que pode receber 15 helicópteros ao mesmo tempo. No Maracanã, o pouso é complicado. E, se chover, pára tudo em volta", disse.
Os shows no continente foram os únicos da turnê Popmart patrocinados. Avesso a patrocínio, o U2 aceitou ceder para tocar pela primeira vez na América Latina.
"Não ter patrocinador é um princípio difícil. Nós vivemos em um mundo muito comercial. Acho que todos se sentem desconfortáveis com patrocínio. Mas, nesse caso, é praticamente impossível vir para a América do Sul".

Blog U2 Sombras e Árvores Altas

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