"Song For Someone" 360 Version

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sexta-feira, 24 de março de 2017

O produtor Flood fala sobre as gravações de uma das suas canções prediletas (senão a favorita) do U2: "Stay (Faraway, So Close!)"


O produtor Flood, falou em entrevista para o site @U2 (atu2.com), sobre sua canção favorita do U2 (ou uma das), e que ele produziu:

"A canção "Stay (Faraway, So Close!)" começa com aquela humildade, anseio, melancolia, bastante obscura em algumas partes. The Edge tinha feito uma demo da música antes mesmo de começarmos o processo de gravação de 'Zooropa', e por um tempo havia esta espécie de versão demo que a banda e todos tentaram finalizar para se tornar uma canção. E então fizemos um novo corte para uma nova versão dela, e acho que nem houve uma terceira versão. Tentamos transformar todas as versões em uma, e isso aconteceu mesmo nos últimos dias da mixagem da música, quando a faixa já tinha forma e a experimentação estava acontecendo, e que eu senti que finalmente havia descoberto o que era que a canção precisava.
A maneira que ela se inicia, com apenas um pequeno som de bateria e guitarra, que tinha sido mascarado em todas as versões, então todas as versões tinham tido uma sonoridade muito maior. Foi quando eu decidi: 'vamos tirar todas essas coisas'. Então de repente, foi como: 'ah! Aqui está esta humilde coisa que você pode se relacionar'. Então, quando entra o pré-refrão, onde há aquela grande onda das guitarras, ali tem uma enorme quantidade de guitarras que nós sobrepusemos todas, e eu tinha apenas um fader, eu estava no limite e a reação de Bono era: 'isto é o que eu quero fazer!', e então Bono entra na letra e há aquela reviravolta toda dentro da letra.
É uma música fantástica e foi uma luta para conseguirmos alcançá-la, e falando por mim, na minha opinião... eu amo essa música. Toca uma parte de mim. Acho que "Stay (Faraway, So Close!)", se não é minha favorita, está muito perto de ser uma de minhas faixas favoritas do U2 de todas elas.
Posso sentar e escutar essa música e pensar "isto é uma fantástica peça de música", E, é muito difícil quando você está fazendo discos e realmente ser capaz de ouvi-los novamente sem lembrar de tudo que aconteceu. Às vezes pode demorar três ou quatro anos antes de poder ouvir um disco, quando todos os outros estão ouvindo eles."

Os primeiros materiais apresentados de 'The Joshua Tree'


Em 30 de janeiro de 1986, trabalhando no álbum 'The Joshua Tree', o U2 apareceu no programa de televisão 'TV Gaga' na RTÉ na Irlanda com Paddy Talbot apresentando em um estúdio de Dublin. No programa, a banda tocou três músicas, sendo duas faixas inéditas:

"Womanfish"
"Trip Through Your Wires"
"Knockin’ On Heaven’s Door"



"Womanfish" foi uma canção desenvolvida para o álbum, que nunca apareceu em qualquer formato, mas foi tocada ao vivo no estúdio naquela noite. A canção "Trip Through Your Wires" ainda era um trabalho em andamento, mais lenta do que a versão lançada mais tarde.

The Edge falou sobre esta apresentação:

"Havia algumas versões muito brutas de uma música do Bono chamada "Trip Through Your Wires" e uma canção chamada "WomanFish" que, felizmente, nunca viu a luz do dia, exceto em um programa de TV irlandês, do qual concordamos em participar em um momento de loucura. Tinha algum tempo que nós não aparecíamos em público, então, com duas músicas escritas pela metade, decidimos que era a hora perfeita de mostrarmos para a nação a nossa ‘nova direção’. Foi horrível, a pior de uma longa fila de aparições televisivas arriscadas. A ideia, se é que havia alguma, era testar o novo material ao vivo, para uma platéia. Percebemos instantaneamente que ainda tínhamos um longo caminho para percorrer. Mais tarde tentamos subornar a equipe da RTE para que nos dessem as fitas, mas parece que eles compartilharam da nossa opinião sobre a performance e acharam que não valia a pena guardá-las."

As letras têm uma referência interessante, "One thin tin can man", que Bono pode ter pego de "Silver And Gold" onde ele faz referência "In this tin can town". Bono descreveu "Womanfish" como "uma canção sobre uma sereia que eu conheci uma vez na America!"
A impressão é que Bono nesta noite, bebeu muitos drinks!

"Trip Through Your Wires”" foi introduzida como "I Trip Through Your Wires”" e é uma versão bruta da canção. Apenas o refrão da letra está muito perto da versão final. Ali, Bono ainda não tinha acabado o trabalho sobre a letra. A canção é reconhecível, mas foi tocada de uma forma um pouco mais lenta.

Há 10 anos atrás, uma versão demo de "The Sweetest Thing" apareceu no YouTube com as primeiras letras escritas para a música. As informações fornecidas com o vídeo postado: "esta gravação foi feita como um teste do sistema de gravação antes da gravação de 'The Joshua Tree'. Eu tive a sorte de assistir e ouvir Bono fazer "The Sweetest Thing" pela primeira vez na história e ele determinou que eu fizesse esta gravação". Definitivamente é Bono cantando, e parece que há outras vozes no final da gravação. No final do vídeo há alguns créditos que dizem que Bono está nos vocais e Larry Mullen na bateria, mas que Adam e The Edge não fizeram parte da gravação e o restante dos envolvidos foram Steve Rainford, Pat McCarthy, Jeremy Wilson e Selene.



Steve Rainford foi um membro da equipe do U2, vindo de Liverpool, e trabalhou como roadie de guitarra de The Edge à partir de 1983 e ainda trabalhava com eles enquanto gravavam 'The Joshua Tree'. Steve teve um perfil divulgado na primeira edição da Revista Propaganda. Pat McCarthy foi o engenheiro assistente em 'The Joshua Tree'. Quanto a Jeremy Wilson, havia um site de um Jeremy Wilson que trabalhou para a AMEK, viajando e configurando sistemas em estúdios de gravação. Ele menciona: "levei um M2500 para uma casa em Rathfarnham, Dublin, onde para minha surpresa o equipamento foi utilizado pelo U2 na gravação de seu álbum mais vendido, 'The Joshua Tree'. (AMEK até mesmo recebeu uma menção nos créditos!)"

A letra de “The Sweetest Thing” (Demo Version)

See you slip and slide don’t slip away.
Oh oh slip away.
I’m on your side don’t get to see
oh oh sweetest thing
ooooh hold on tight
ooooh hold on tight tonight

See you slip see you slip away
oh oh sweetest thing
This time won’t let me in again
Yeah sweetest thing
oooh hold on tight
oooh hold on tight tonight
Simple little thing
you’re the sweetest thing
you’re the sweetest thing
you’re the sweetest thing

I look on your window, your window box
oh oh sweetest thing
put me in your spell, a woman stop
oh oh sweetest thing
yeah i want the time
oh oh sweetest thing
oh oh sweetest thing

a body gets broken, shattered and torn
oh oh sweetest thing
but a blue sky is more
oh oh sweetest thing
hold on tight
oooh hold on tight tonight
you’re the sweetest thing
yeah the sweetest thing
you’re the sweetest thing
you’re the sweetest thing

Outside in the rain is a roman star
oh oh sweetest thing
Inside, inside the sun is born
oh oh sweetest thing
hold on tight
going to shut out the night and day
Light, long time
oh oh sweetest thing
oh oh oh oh oh…
sweetest thing
sweetest thing

Do site: U2 Songs (antigo U2 Wanderer)

quinta-feira, 23 de março de 2017

Mais Perguntas, Mais Respostas: as novas revelações do U2 nos 30 anos de 'The Joshua Tree'


Em vídeo divulgado no U2.COM, a banda respondeu mais algumas questões sobre os 30 anos de 'The Joshua Tree', gravadas no dia daquela transmissão do Facebook que teve 11 perguntas de fãs e celebridades, com The Edge como moderador. A câmera continuou filmando e o vídeo foi liberado só para assinantes do site oficial.

A primeira experiência de Larry com o foxtrot, como Adam uma vez 'sentia o cheiro do perfume de Betty Dalton em um corredor'!

The Daltons Brothers farão uma aparição neste 30° aniversário? Por que a turnê de 1987 abria com uma canção cover? Qual era ela?

Confira uma parte das respostas da banda:

The Edge: Primeira pergunta de uma fã: Os Dalton Brothers farão uma aparição nesta nova turnê? E Duke Dalton adquiriu um pouco da raiva ainda de sua fase punk?

Bono: "Eu realmente adoro os Daltons, eu assistia seus filmes, sempre tive eles, mas no que diz respeito à sua aparição na turnê 'The Joshua Tree', eu nunca os vi, eu nunca os conheci, eu nunca mais ouvi falar deles depois disso, por isso é difícil falar sobre Duke, as pessoas depois de tanto tempo acham que éramos próximos. Mas nós nunca nos encontramos."

Adam Clayton: "Eu costumava sentir o cheiro do perfume de Betty Dalton nos corredores."

Bono: "Ela era chique! Eu vi fotos! Ela era extravagante!"

The Edge: "Uma coisa que poucas pessoas sabem é que eu e Larry na verdade fomos pagos para tocar em uma banda."

Bono: "No Dalton Brothers?"

The Edge: "Era uma banda country. A música country era muito grande na Irlanda, e ainda é. Há uma grande conexão entre o país e os artistas americanos. Eu comprei uma guitarra de um cara chamado Eric Stone, ele era ligado à uma banda chamada Drifting Cowboys. Ele se aproximou de mim e perguntou: 'você e seu baterista gostariam de vir fazer alguns shows conosco? Nós estamos com um problema, os integrantes da banda estão de férias, mas nosso agente marcou alguns shows'. Então, Larry e eu fomos pagos de verdade pela primeira vez para subirmos ao palco e tocar."

Bono: "Em que ano foi isso?"

The Edge: "Isso foi por volta de 1977."

Bono: "Vocês eram crianças."

The Edge: "Sim, recebemos uma pequena quantia, o que foi muito."

Bono: "Vocês não mencionaram a experiência com o foxtrot."

Larry Mullen: "Sim, foi minha primeira experiência com o foxtrot. Eu nunca tinha feito isto antes."

Bono: "Você recomenda?"

Larry Mullen: "Sim, eu peguei no sono em um dos momentos finais do show com aquele foxtrot."

The Edge: "Foi ficando cada vez mais lentas as batidas, de fazer tipo Larry ir caindo para trás no sono."

The Edge: Outra pergunta vinda de um fã: Qual a memória mais significativa que vocês tem individualmente ou como uma banda, sobre a turnê 'The Joshua Tree'?

Larry Mullen:"Uma coisa interessante é a discussão da transição de shows de arenas para estádios e como nós gerenciamos isto, como lidamos quando passamos de teatros para arenas."

Bono: "Eu vou confessar uma coisa para você. Eu realmente não gostava da ideia de ir para estádios, não por causa de toda aquela excitação, porque eu queria sim estar lá. Mas porque eu simplesmente não me sentia um performer. Até aquele momento eu achava que poderia fazer aquilo apenas nas arenas. Então eu me lembro de telefonar para Gavin Friday em Dublin e pedir para ele vir até mim pra conversarmos, pois ele era um grande performer, e ele me dizer como eu poderia ser um performer de verdade, e não prejudicar a banda. Como você sabe, depois disso eu acabei caindo no palco e deslocando meu ombro. Então foi uma bagunça isso. Mas as maiores lembranças que tenho são das gravações de 'The Joshua Tree', um dos melhores momentos da minha vida, eu me lembro tão bem de nossas amizades, de voltarmos para Dublin e trabalharmos lá com Brian Eno, Daniel Lanois, estes dois gênios, e então você tinha Flood, era incrível, e Steve Lillywhite que chegou depois e deu sentido à tudo, então eu tenho essas lembranças maravilhosas, e veio a turnê, e eu tenho algumas lembranças dela, quando houve aquele enorme avanço, quando fomos para a estrada e tocamos em estádios, e não queríamos estragar as coisas."

The Edge: "Levou um tempo para as coisas se acertarem. Eu me lembro que não conseguimos tocar "Where The Streets Have No Name" no primeiro mês, porque não tínhamos nenhum tempo para ensaiar e era uma canção muito complicada tecnicamente, e então para abrir os shows escolhemos uma canção cover, muito antiga, que era "C'Mon Everybody"."

Bono: "O que? Pare com isso!"

The Edge: "Sim, é sério, nos primeiros, primeiros shows da turnê 'The Joshua Tree' abríamos com uma cover."

Bono: "Uau!"

Vai ter uma turnê neste verão! Como Bono diz: "Será emocionante. Eu nunca cantei 'The Joshua Tree' antes na sequência, até quatro semanas atrás quando começamos a ensaiar. Será uma espécie de viagem para mim. Eu não tinha ouvido o álbum nos últimos 30 anos, para ser honesto. Mal posso esperar por estes shows."

Daniel Lanois fala sobre a fase de mixagem de 'No Line On The Horizon'


Durante as gravações de 'No Line On The Horizon', The Edge foi inspirado à uma nova abordagem em sua guitarra após usar o pedal da Death By Audio, chamado Supersonic Fuzz Gun.
O produtor Daniel Lanois comentou:

"Aquele pedal de guitarra? Tenho certeza que ele está certo sobre isso. Mas ele tem tantos pedais que perdi o controle deles. O cantinho do Edge é um campo minado de pedais e você sente medo de ir para aquele canto e nunca mais sair de lá. Meu único pedal? É uma pequena caixa de loop chamada de Boomerang. Existem muitos sons estranhos em repetição naquele disco, e alguns deles vêm do Boomerang.
A fase de mixagem ocorreu no Platinum Sound em Nova York. Eu esqueci todas as razões por que fomos a Nova York, mas acho que uma delas foi que a gente podia usar três salas ao mesmo tempo no mesmo prédio. Brian Eno, dois engenheiros de mixagem, e eu, tínhamos a música se formando em cada sala e fomos capazes de fazer uma espécie de valsa de uma sala para outra. Há algo agradável sobre ter três músicas sendo trabalhadas ao mesmo tempo. Fizemos o mesmo no Olympic Studios em Londres, onde fizemos a mixagem final das sessões, durante o qual Steve Lillywhite ajudou com a produção e mixagem. Acho que as coisas funcionavam muito bem e que o álbum contém alguns dos melhores trabalhos da banda."

Suzanne Doyle e a vida na estrada com o U2


Quando um fenômeno como o U2 acontece, tende a levar outros junto com ele assim que passa como um rolo compressor em seu caminho ao redor do globo. Em 1987, Suzanne Doyle foi arrancada do anonimato e levada em turnê com a banda, um papel onde iniciou uma vida trabalhando na indústria da música, muitas vezes na órbita de uma das maiores bandas do mundo. Como ela chegou lá em primeiro lugar? Foi sorte, chance e um professor de Geografia.
"Um dia cheguei em casa da escola e minha irmã disse 'Senhor Scully quer que você telefone para ele'. Então liguei e ele disse 'Eu ouvi falar de um emprego temporário e pensei em você. Não posso te dizer o que é, você tem que dizer sim ou não.'"
Doyle disse que sim e logo encontrou-se indo para uma entrevista vestindo a roupa da mãe para um trabalho como assistente de Ann Louise Kelly, que estava fazendo o serviço do dia a dia no escritório de gestão do U2 e Paul McGuinness, o Principle Management.
"Eu não era realmente um fã", lembra-se Doyle. "Eu estava mais para Doris Day e Jessica Lange. Eu queria ir para Hollywood e ser uma atriz."

O U2 estava prestes a embarcar na turnê de 'The Joshua Tree' e "With Or Without You" tinha sido lançada como um single.
"Foi me oferecido um caderno e uma caneta. Eu atendi o telefone, fiz o café, fiz as coisas de sempre. Depois de uma semana, eu adorava aquele lugar e senti que eu pertencia ali."
O que se seguiu foram alguns anos de turnês após ser oferecido à Doyle um cargo de assistente de turnê. Começou em um estádio em Roma e percorreu diversos territórios, Austrália, Nova Zelândia, Japão, EUA.
Ela guardou dinheiro suficiente para comprar uma casa em Dalkey, mas não houve outro telefonema que mudaria sua vida. Aos 21 anos, ela se demitiu do confortável emprego com o U2, que terminou com uma grande despedida para ela, e saiu para prosseguir atuando.
Doyle fez um curso no Gaiety e logo se tornou aparente que ela não ia chegar a Hollywood.
"Eu estava nervosa, roendo as unhas, não queria que ninguém olhasse para mim. Eu não estava indo para ser a Jessica Lange de olhos azuis."
Ela fugiu para a Austrália com o namorado, mas o país estava em recessão e emprego foi difícil de encontrar. Ela entrou em contato com duas bandas que conhecia: Crowded House e INXS. Chris Murphy, empresário do INXS, tinha uma gravadora, a RooArt, para ajudar artistas indígenas australianos e Doyle começou como estagiária. Não muito tempo depois ela tinha trocado o escritório pela estrada mais uma vez, só que desta vez, a vida na estrada não era muito confortável.
"Kim Frankovich foi trazido para dirigir a gravadora e continuou me mandando em turnê com essas bandas em pequenas vans", lembra Doyle. "Havia uma banda que eu trabalhei, chamada Screaming Jets e seu lema era "fazer rock por aí com o pau para fora". Eu entrei em um telefone público e telefonei para Kim e pedi para ir para casa. Ela diria que não e desliguei o telefone."
Doyle reconhece que ela tinha sido estragada com a experiência de turnês do U2 "elegantes e agradáveis", mas ela não se arrepende de ter dado um passo para trás em turnês que se assemelhavam mais de perto da realidade para a maioria das bandas.
"Eu era muito mimada na Principle. Eu teria sido uma pessoa muito segura e monótona. A Austrália abriu minha cabeça, me deu novas experiências. Eu amo a variedade."
Sydney à fez sentir longe de casa. Com isso, Paul McGuinness telefonou novamente e Doyle teve de considerar sua posição.
"Você tinha que assistir o noticiário para saber o que estava acontecendo, não havia e-mails, cartas. Meu melhor amigo, meu pai, havia morrido e aquilo me nocauteou, na verdade eu perdi um pouco aquela coisa de lar."
Com isso, ela estava na turnê Zoo TV do como uma assistente de gerenciamento de banda e assistente pessoal da banda.
"Juntar estes dois trabalhos – eu era a última a ir para a cama e a primeira a estar em pé pela manhã. Foi o tempo em que havia muitas Supermodelos, havia todos aqueles links por satélite de Sarajevo. Foi loucura, loucura, brilhante, mas foi hardcore alguns anos. Em um ponto fora da turnê, minha mãe me encontrou tendo um sonambulismo, segurando no corrimão com um walkie-talkie imaginário orientando as pessoas, e assim era o meu estado mental naquele período."
Ainda na casa de seus 20 anos, Doyle foi procurada pela MTV Europe para trabalhar em seu departamento de relações e se mudou para Londres.
Em 1998, foi oferecido para ela ser promovida e cuidar também do departamento do Reino Unido e Irlanda, mas Paul McGuinness veio procurá-la mais uma vez. Tudo mudou mais uma vez.
"Eu escolhi voltar para a Irlanda e trabalhei para o U2 novamente por mais dois anos. Conheci um cara, descobri que estava grávida e tive meu filho (Ned agora tem 19 anos). Seis semanas depois, eu fui demitida e fiquei em Dublin. Eu não acho que a Popmart Tour foi tão rentável para eles. Foi uma produção muito grande."

Do site: The Irish Times

quarta-feira, 22 de março de 2017

U2 confirma: não haverá novos shows marcados para a 'The Joshua Tree Tour 2017'


Em vídeo para os assinantes do U2.COM, a banda respondeu mais algumas questões sobre os 30 anos de 'The Joshua Tree', gravadas no dia da transmissão do Facebook do grupo, e Bono afirmou: NÃO haverá mais datas marcadas da turnê 'The Joshua Tree 2017', então o resto do mundo assistirá a continuação da turnê iNNOCENCE + eXPERIENCE quando o disco 'Songs Of Experience' for lançado!

"Eu mal posso esperar por esses shows. Gostaria que houvessem mais deles. Originalmente, havia 10, então foi para 20 porque tínhamos que ir para a Europa. Mas há tantos lugares no mundo que não chegamos e isso é uma merda. Mas, vamos chegar nestes lugares quando 'Songs Of Experience' for lançado, o que não irá demorar muito. Estamos no estúdio em Nova York tentando finalizar o disco, e estamos empolgados com o material novo."

Outra revelação: The Joshua Tree será tocado em sua sequência original na turnê 2017 do disco!

Agradecimento: @U2

Segredos Revelados: Daniel Lanois e as gravações em Fez do material para 'No Line On The Horizon' do U2


A associação do artista e produtor Daniel Lanois com o U2 começou em 1984, quando Brian Eno e ele ajudaram a reinventar o som da banda em 'The Unforgettable Fire'. Desde então, Lanois e Eno já trabalharam em álbuns clássicos do U2 como 'The Joshua Tree' (1987), 'Achtung Baby' (1991) e 'All That You Can't Leave Behind' (2000). Em 'No Line On The Horizon' de 2009, uma de suas contribuições foi incentivar a banda a trabalhar em Fez, Marrocos, em maio e junho de 2007.

"Nós fomos para lá porque queríamos estar em uma encruzilhada espiritual e nós sentimos que Fez tinha isto a oferecer, musicalmente. Pensamos nisto como uma espécie de Meca. Queríamos estar em uma localização geográfica que foi preenchido com muita música, e que não têm as presas habituais do negócio da música e expectativas. O que isto tem a ver em ir para um país muçulmano? Não falamos sobre isso. Falamos sobre terreno de reciprocidade. Acho que há algo de antigo naquele local que fica em seus ossos. E acho que é uma boa inspiração para a música se basear em fontes históricas. Sim, você pode ouvir música a partir dos anos 80, os anos 70 e talvez nos anos 60 e acho que algum tipo de mimetismo irá atendê-lo. Mas por que não olhar para trás em mil anos e ver o que vem a caminho?
Alugamos um Riad, que é um grande edifício com um pátio aberto, levando um caminhão de 18‑rodas cheio de aparelhagem do U2 de Dublin e montamos no pátio. O caminhão tinha cerca de oito racks de aparelhagem para Edge, um pedal de um guitarra para mim, um microfone para Bono, bateria para Larry e um monte de material para gravação. Nós gravamos com o Radar. Eu recomendo, é uma grande máquina. O Riad tinha uma espécie de telhado automático que pode ser aberto, então pudemos tocar à céu aberto, que é altamente recomendável. O pátio funcionava como um sistema de ventilação antigo; as fugas de ar quente e as paredes fornecem sombra. O convite da banda para eu co-escrever as músicas foi muito amável e muito doce. O fato é, nós tocamos bem juntos, Eno, U2 e eu, e o começo dos trabalhos em Fez foram muito produtivos. Apenas algumas semanas de gravação nos forneceu muitos começos de músicas fascinantes, belas paisagens, momentos isolados e poesia. Estava tudo lá. Era como uma colheita."

Produtor conta detalhes das gravações em Red Rocks para 'Under A Blood Red Sky'


Malcolm Gerrie é o produtor do vídeo de 'Under A Blood Red Sky', e conta com detalhes como aconteceram as filmagens e tudo o que se passou nos bastidores. Na época ele era produtor do programa da TV britânica The Tube, onde o U2 se apresentou várias vezes, e onde o vídeo a princípio o vídeo seria mostrado.

"Inicialmente era pra ser uma vídeo de 15 minutos dentro do programa normal (The Tube), e então, como o vídeo se transformou em algo histórico, tivemos que mostrá-lo completo. Foi histórico por causa do que aconteceu naquela noite. O tempo estava muito ruim, como se os céus se partissem. Os raios formavam um arco de uma coluna de caixas de som para a outra. Se isso os atingisse, eles estariam mortos. Barry Fey, o promotor dos shows, olhou aquilo e disse "Não dá. Esqueça. Vou mandar o público embora." E então a banda estaria ferrada, basicamente, porque eles haviam colocado todo seu dinheiro nisso. Eu não teria um show para a TV, então também estaria ferrado. Nós todos estaríamos. Era um desastre. Paul estava ao telefone, tentando conseguir outro local para o show, e me pediu se nós podíamos manter toda a equipe. Nós tínhamos um helicóptero com um ex-piloto do Vietnã completamente pirado, voando, com nosso cinegrafista a bordo, através das chamas. No fim foi assim: esqueça o clima. Então o que aconteceu foi a atmosfera especial de tudo isso: aquela bruma desceu e nós conseguimos segurar metade do público, e a luz...algo realmente muito estranho aconteceu com a luz e o fogo, você sabe, e a coisa toda simplesmente assumiu uma qualidade etérea, mágica, que você não conseguiria reproduzir com efeitos especiais ou filtros.
Existem duas coisas extraordinárias a respeito do U2. Número um, eles foram provavelmente a mais inteligente, articulada e determinada banda que eu já conheci. Número dois, eles tinham um dos mais inteligentes e investigativos empresários de qualquer banda que eu já conheci, e a essas alturas eu já conheci vários. Não há nenhuma diferença entre eles naquela época e agora. Paul dirige a banda de uma forma inteiramente profissional, mas com um toque humano. Isso quebra todas as regras, porque, enquanto eles são dirigidos como uma máquina bem azeitada, no coração dessa máquina existe um coração de verdade. Eu já fiquei na casa de Bono, já frequentamos juntos os mesmos aviões e clubes, e quando ele me encontra em um show deles ele corre até mim e me abraça e roda comigo como um filho perdido há muito tempo. Eu sei que ele faz isso com um monte de gente. Isso é lealdade com um L maiúsculo, e o resultado disso é que eles conseguem tudo e qualquer coisa das pessoas. Eu farei qualquer coisa pelo U2, porque, além do nível profissional, eu os considero como amigos. Eles são pessoas fantásticas, e a música deles é simplesmente brilhante.
O número de vezes que eles já se reinventaram! Meu trabalho é juntar música e imagens, e ninguém desde o Pink Floyd fez o que eles fizeram em termos de produção de palco. Não há ninguém que os alcance. Ninguém chega perto deles no que se refere aos seus shows, em termos de ambição, risco, perigo e estar adiante do seu tempo. A televisão é 100% histórias: novelas, dramas, corações partidos, tragédias, histórias de amor, e o U2 representa tudo isso, porque a música deles e suas crenças e a forma como eles as apresentam são histórias fantásticas. Então, egoistamente, do ponto de vista de um produtor de TV, isso é o maná do paraíso, porque você sempre, sempre, sempre - 100% das vezes - vai conseguir alguma mensagem fantástica de Bono. Você vai conseguir do Paul McGuinness um ponto de vista extremamente lúcido e inteligente e frequentemente controvertido. Você vai ter uma percepção sincera do Edge. Você vai ter uma declaração totalmente pé-no-chão, direta e corajosa do Adam e do Larry. E sempre vai haver alguma história.
Se você pudesse criar um modelo/check list de banda ideal para um produtor de TV, em que se marcaria todas as opções nos quadrinhos - controvérsia, política, música fantástica, espetáculo, dominação mundial - você chegaria ao U2. Há certos indivíduos que chegam perto, mas você tem que pensar muito em quais seriam eles. Como banda, eu acho, eles são únicos a esse respeito."

Do livro U2 Show - Tradução de Maria Teresa

Blog U2 Vision Over Visibility

Referência ao U2 no filme 'Esporte Sangrento' de 1993


Esta colaboração é do fã e seguidor do blog, Alex Martins‏ (@Alextarvos):

Sua observação é referente ao filme 'Esporte Sangrento' (Only The Strong) de 1993, dirigido por Sheldon Lettich, considerado o único filme de Hollywood a abordar do começo ao fim a arte marcial brasileira Capoeira.
O ex-boina verde Louis Stevens (Mark Dacascos), retorna para sua velha escola de artes marciais em Miami e recebe sua mais difícil missão: deixar em forma um grupo de adolescentes formado pelos delinquentes da região. Stevens, um mestre na Capoeira, a mortal arte marcial praticada no Brasil, resolve colocar os garotos em um rigoroso programa de treinamento. Através da disciplina do esporte e de muitos pulos e saltos, os jovens rebeldes aumentam seu respeito próprio, esperança e senso de poder. Usando suas novas e recém descobertas habilidades e com a ajuda de Stevens, eles resolvem enfrentar a terrível gangue que aterroriza a escola - porém, seu líder, um cruel traficante, também é um temido mestre, e hábil na Capoeira. Agora, Stevens precisa lutar para salvar sua própria vida e também a vida de seus discípulos.

O print enviado por Alex Martins nos mostra que a parte de trás da camiseta do personagem Donovan. é estampada com uma foto de 'War', disco do U2 lançado em 1983!

terça-feira, 21 de março de 2017

U2 divulga trecho de "Red Hill Mining Town (2017 Mix)" que será lançada em Picture Disc no Record Store Day


De forma oficial, o U2 anuncia que o Picture Disc de "Red Hill Mining Town (2017 Mix)" estará disponível nas lojas durante o Record Store Day em abril. Steve Lillywhite em seu Twitter semanas atrás já tinha mostrado uma foto do primeiro single impresso, mas acabou deletando logo em seguida.
O vinil 45 RPM é limitado em 7000 cópias numeradas, e tanto o Lado A quanto o Lado B, trazem a mesma versão 2017 da música.

A informação do release oficial do Record Store Day:

Para coincidir com o 30º aniversário do álbum icônico do U2, 'The Joshua Tree', a Island Records irá lançar uma mixagem de 2017 de "Red Hill Mining Town", em um Picture Disc de vinil 12' em edição limitada, apresentando as clássicas fotografias coloridas de Anton Corbijn. A mixagem inédita nunca antes lançada, é de Steve Lillywhite, que produziu o aclamado álbum de estreia da banda, 'Boy'. "Red Hill Mining Town" é famosa por ser "o single que nunca aconteceu", originalmente planejada para ser o segundo single de 'The Joshua Tree', mas em seguida, colocada de lado no último momento, sendo substituída por "I Still Haven’t Found What I’m Looking For". 'The Joshua Tree' foi N°1 no Reino Unido, EUA, Irlanda e em todo o mundo, vendendo mais de 25 milhões de álbuns e catapultou Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr "... de heróis para superstars" (Rolling Stone).

O U2 tinha feito o upload de um vídeo de 1 minuto e 10 segundos da nova versão da canção, e imagens do vinil sendo fabricado e prensado. Isso aconteceu cerca de 20 minutos antes do anúncio oficial dos lançamentos do Record Store Day 2017. Ele foi removido, e 1 hora depois apareceu no site oficial da banda novamente!



A nova versão traz a parte instrumental da versão original, com um novo vocal de Bono, e com a adição do backing track da banda de metais The Arklow Silver Band, que foi gravado na época para a faixa original, mas que acabou não sendo ouvido na mixagem final.

O número de catálogo do Picture Disc é 5739213.
O engenheiro de som Declan Gaffney trabalhou no vocal de Bono para esta nova versão. Estão também creditados os engenheiros Dave Meegan e Pat McCarthy, que trabalharam na versão original da canção em 1987. A faixa foi masterizada por Scott Sedillo no Bernie Grundman Mastering em Hollywood. Daniel Lanois e Brian Eno são os produtores originais, e a gravação ficou à cargo de Flood. Este novo remix é de Steve Lillywhite.
Creditada na versão original e agora além de creditada na nova, pode ser ouvida na gravação a The Arklow Silver Band, que teve seus arranjos feitos e conduzidos por Paul Barrett.
As fotos que estampam o vinil são de Anton Corbijn, com o design de Shaughn McGrath da AMP Visual.

Mike Scully, produtor-executivo de Os Simpsons, conta como o U2 apareceu no episódio comemorativo de número 200 da série


Mike Scully, produtor-executivo de Os Simpsons, contou como o U2 apareceu no episódio comemorativo de número 200 da série, chamado de 'Trash of the Titans':

"Temos uma lista de pessoas que já deixaram claro que eles gostariam de estar no show, se pudermos encontrar a peça certa. No caso do U2, eles estavam apenas iniciando a turnê Popmart, e já tínhamos ouvido deles que eles queriam participar do show um dia. Tínhamos uma história [do 'Homerpalooza'] que tinha uma ligação com um grande concerto de estádio e que tinha um grande tema político, Homer concorrendo a cargos políticos. Desde que o U2 é uma banda politicamente consciente, pareceu a oportunidade perfeita para colocar Homer no palco com Bono - você sabe, falando de política."

Bono falou sobre a sua caricatura no desenho, que aparece com dentes para frente e queixo grande: "Você sabe o que dizem: 'mantenha seus amigos por perto, mas o animador mais perto ainda."

The Edge brincou: "Nós sabemos onde os animadores estacionam seus carros, então nós estaremos por aí."

Vale lembrar que Bono, The Edge e Adam Clayton foram aos estúdios da FOX em Los Angeles gravar suas vozes para o episódio. Larry Mullen não gravou sua participação, e apesar de ter sua animação, não tem falas no episódio.

Spot de TV para o lançamento de 'U2 The Best Of 1990 - 2000'


Spot de TV de 30 segundos, para o lançamento em CD e DVD da coletânea 'U2 The Best Of 1990 - 2000', de novembro de 2002:

Trip Through Your Words: Bono e os livros que se tornaram as sementes para 'The Joshua Tree'


Tendo cantado uma vez a memorável linha "todo artista é um canibal, todo poeta é um ladrão", Bono nunca foi tímido quando se trata de reconhecer suas influências artísticas. Norman Mailer, Truman Capote, Flannery O'Connor, Sam Shepard e Raymond Carver estavam entre seus pontos de referência literária quando estava escrevendo as letras para 'The Joshua Tree'.
Em 2014, vinte e sete anos depois de seu lançamento sísmico, o quinto álbum de estúdio do U2, 'The Joshua Tree', foi considerado "culturalmente, historicamente, ou esteticamente significativo" pela biblioteca do Congresso dos EUA. O maior best-seller da banda de Dublin, revolucionários, (talvez) magnum opus (grande obra), foi selecionado para preservação no Registro Nacional de Gravações. Uma casa adequada para uma obra de arte musical que foi descrito por Bono na época como "nosso registro mais alfabetizado até agora".
O cantor estava falando tanto sobre a música, quanto a letra, mas as melodias e as palavras foram muito inspiradas por todas as coisas americanas. Na sequência do sofisticado, estilístico, de atmosfera européia 'The Unforgettable Fire' de 1984, o U2 decidiu mudar o visual se tornando mais sujo, vestindo chapéus de cowboy e imergindo-se profundamente no blues, folk, gospel e música americana de raiz.
À procura de insights sobre o vasto país que já tinha os abraçado um pouco (e os colocou com expressões sérias na capa da Time com o título 'Rock’s Hottest Ticket'), e com a ambição consciente de criar o equivalente aural do grande romance americano, Bono tinha ido ao oeste em sua leitura: passou a citar leituras de Flannery O'Connor, Truman Capote , Sam Shepard, Raymond Carver, Saul Bellow e Norman Mailer em entrevistas.
"Nós todos caímos sob o feitiço da América, não a realidade da TV, mas o sonho, a versão da América que Martin Luther King falou sobre", Edge explicou na autobiografia da banda, U2 BY U2. "Bono estava lendo Flannery O'Connor e Truman Capote. A língua dos escritores americanos, particularmente o atingiu, o tipo de imagem e qualidade cinematográfica da paisagem americana tornou-se um ponto de reforço".
No mesmo livro, Bono escreveu: "eu comecei a ver as duas Américas. A América mítica e a verdadeira América. Era uma época de ganância, Wall Street, apertar o botão, ganhar, ganhar, ganhar, não há tempo para os perdedores. Nova Iorque foi à falência. Havia uma dura realidade para a América, bem como o sonho. Então eu comecei a trabalhar em algo que, na minha cabeça, ia ser chamado As Duas Américas."
Aparentemente foi Bruce Springsteen que recomendou pessoalmente o trabalho do autor sulista Flannery O'Connor para seu amigo do rock. Como o cantor de Dublin, O'Connor era profundamente religioso, apesar de que sua própria marca de fé evitasse o fundamentalismo e fanatismo. Bono citou seu romance de estreia de 1952, 'Wise Blood' - descrito por seus editores em sua capa original como 'Um Romance em Busca do Pecado e Redenção' – como uma séria influência em 'The Joshua Tree'.
Em sua introdução para a edição de 10° aniversário de 'Wise Blood', O'Connor declarou que o livro é sobre "liberdade, livre arbítrio, vida e morte e a inevitabilidade da crença." Temas de redenção, racismo, sexismo e isolamento também aparecem através do romance. Como o U2 fez em todo o álbum.
O deleite de O'Connor em aforismos, sem dúvida também tiveram um apelo para Bono. Na verdade, algumas das coisas que ele disse soam como citações da boca dela em algum momento: "A verdade não muda de acordo com a nossa capacidade de tolerar isso." Ela também escreveu: "Onde não há nenhuma crença na alma, há muito pouco de drama. Ou se leva a sério a salvação ou não. E é fácil perceber que a quantidade máxima de seriedade admite a quantidade máxima de comédia. Somente se estamos seguros em nossas crenças veremos o lado cômico do universo."
Bono disse, mais tarde, para a Revista Propaganda: "eu nunca senti tal simpatia com um escritor na América antes."
O trabalho de O'Connor, juntamente com os contos de Sam Shepard e Raymond Carver, ajudou o compositor em sua busca para entender "primeiro as ações comuns e então os renegados, os troncos – aqueles à margem da Terra Prometida, isolados do sonho americano."
É interessante notar que, enquanto 'The Joshua Tree' é considerado o grande 'álbum americano' do U2, apenas três das canções lidam especificamente com o país (que também contém faixas sobre a epidemia de heroína de Dublin, a greve dos mineiros britânicos e os crimes da junta militar Argentina). Mas a influência de escritores americanos ainda é escrito amplamente em toda a letra.
O jornalismo também foi uma grande inspiração. Embora houvesse 30 canções na disputa para inclusão em 'The Joshua Tree', Bono queria uma canção "com sentido de violência, especialmente antes de "Mothers Of The Disappeared"."
Dois livros premiados sobre assassinatos americanos famosos, Truman Capote com seu 'In Cold Blood' (1966) e Norman Mailer com seu 'The Executioner’s Song' (1980), inspiraram a arrepiante penúltima faixa, "Exit" – que Bono descreve como "uma estória na mente de um assassino".
Capote e Mailer podem ter dado a ele a intenção assassina da letra, mas os contos esparsos e econômicos de Carver também presumivelmente foram uma inspiração. Bono, mais tarde, descreveu as letras como "só um conto mesmo, só que eu deixei de fora alguns dos versos porque eu gostei como uma esquete. É apenas sobre um cara que tem uma ideia na cabeça dele. Ele capta um pregador no rádio ou algo assim... e sai..."
A letra de um verso "as mãos no bolso / o dedo no aço / a pistola pesava / o coração dele, ele podia sentir / estava batendo, batendo / batendo, batendo, meu amor/Oh meu amor, oh meu amor / meu amor...",
"Eu nem mesmo sei qual é o ato nessa música" Bono disse mais tarde para a Hot Press. "Alguns acham que é um assassinato, outros um suicídio – e eu não me importo. Mas o ritmo das palavras é quase tão importante na transmissão do estado de espírito."
Infelizmente, "Exit" foi relatada por ter inspirado um assassinato real dois anos depois de 'The Joshua Tree' ser lançado. Em 1989, um esquizofrênico paranoico chamado Robert Bardo afirmou em um Tribunal de Los Angeles que "Exit" tinha inspirado ele a atirar e matar uma atriz de 21 anos de idade chamada Rebecca Schaeffer (cuja carreira se destaca em um ponto que fez uma breve aparição no Woody Allen Radio Days). Depois que ele a matou, tentou suicidar-se ao correr em uma estrada movimentada, mas foi capturado e preso.
A reivindicação de Bardo sobre o efeito de "Exit" no seu estado de espírito nunca foi devidamente levada a tribunal, já que ele alegou insanidade e rapidamente recebeu uma sentença de vida. Um resultado direto do assassinato de Rebecca Schaeffer, no entanto, foi a classificação depois de perseguição como sendo crime na Califórnia.
Na época, Bono disse que ele não se sentia responsável que sua canção tenha sido usada em uma defesa de assassinato, afirmando: "Eu ainda sinto que você tem que descer estas ruas em sua música. Se isso é onde o assunto te leva, você tem que seguir. Pelo menos na imaginação. Não sei se que quero ir morar lá embaixo. Vou dar uma volta de vez em quando e tomar uma bebida com o diabo, mas eu não vou morar com ele."
Claro, o U2 tem um longo histórico de tirar inspiração a partir de fontes literárias. No início dos anos 90, a sensação de cyberpunk em parte da Zoo TV levou a sugestão do romance cult de ficção científica de William Gibson, Neuromancer, com o autor até mesmo contribuindo para alguns projetos da banda em torno daquele período. Foi também a época em que Bono se tornou amigo de Salman Rushdie, autor britânico infame que teve o aiatolá Ruhollah Khomeini, então líder religioso do Irã, promulgando uma fatwa (édito religioso muçulmano) exigindo a sua morte, alegando que seu romance Os Versos Satânicos continha blasfêmias contra o profeta do islã, Maomé.
Embora eles não tenham tido uma amizade por muitos anos, o impacto de Rushdie sobre Bono na verdade data nos anos 80, quando o vocalista leu o livro do autor, The Jaguar Smile. O livro é endereçado a política externa de Estados Unidos na Nicarágua, um tema que também apareceu em 'The Joshua Tree'. Um momento muito famoso é o de Rushdie se juntando ao U2 no palco durante a turnê 'Zooropa' de 1993 enquanto ainda vivia na clandestinidade e era um visitante frequente na casa do vocalista em Dublin. Na verdade o autor observou uma vez que Bono irritou tanto sua segurança pessoal e o Gardaí, que acabou conseguido o levar para tomar uma cerveja!
Em 1991, entretanto, o U2 teve uma participação especial em longo capítulo no controverso romance de Bret Easton Ellis, 'American Psycho' (eles também são mencionados nos livros de Ellis 'Less Than Zero' e 'Glamorama'), em que Bono apareceu como o diabo para o assassino Patrick Bateman. Um ano mais tarde, na turnê Zoo TV em 'Achtung Baby', ele estava usando chifres como o personagem MacPhisto (e cumprimentando assim Rushdie no palco).

Do site: Hot Press

segunda-feira, 20 de março de 2017

Arquivo "Where The Streets Have No Name" (Alternate Version)


Este vídeo é muito parecido com a versão mais longa de Meiert Avis que muitos estão familiarizados, e é muitas vezes é confundido como sendo uma versão editada daquele vídeo longo. No entanto, este é um videoclipe alternativo, com cenas adicionais que não são vistas na outra versão do vídeo.
A introdução inclui o fim de "Bullet The Blue Sky" sendo tocada no rádio e um DJ anunciando que a filmagem em LA de um videoclipe do U2 estava ocorrendo. A música começa por volta de 2 minutos no vídeo. A versão longa traz em sua introdução estendida, cenas do U2 se preparando para as gravações, e nesta versão curta isso não está presente.
O vídeo abre com o som de helicópteros, e vemos imagens do sol sobre as nuvens, seguidas por algumas imagens aéreas de LA e algumas imagens ao redor da cidade. Essas cenas abrem o vídeo, antes dele ir para as filmagens mais familiares do videoclipe. Estas cenas não estão presentes na versão mais longa do vídeo de Avis. Uma destas imagens adicionais é da Fire Station No. 23, em Los Angeles, Califórnia, onde sua parte interna tem sido um local de filmagem para filmes populares como Os Caça-Fantasmas, O Máskara e Loucademia De Polícia 2. O vídeo também mostra filmagens extras da multidão na rua, que parecem estar em uma tela de televisão.
Esta versão alternativa do vídeo, com estas cenas extras na abertura, foi usado para a promoção da música quando o single foi lançado. Este vídeo foi usado para a promoção nos EUA e na Austrália. Esteve presente em vídeos promocionais que circularam pela Island Records e também pela Telegenics. Esta é a versão atualmente sendo vendida no iTunes no Reino Unido e em todo o mundo fora da América do Norte.
Esta edição alternativa do vídeo não aparece em qualquer lançamento comercial do U2 e a versão que aparece em coletâneas de vídeo foi a versão mais longa, sem essas imagens adicionais. Esta versão curta aparece no VHS da Island, U2 Compilation Reel, lançada nos EUA em dezembro de 1988.
A notícia na rádio da gravação para o videoclipe, levou muitas pessoas à aparecerem. No fundo da filmagem, você pode ver o letreiro para o "New Million Dollar Hotel Roslyn" que inspiraria Bono mais tarde em sua vida também.

Da nova seção do site: U2 Songs (antigo U2 Wanderer)

Entrevista com Bono e The Edge para o NPR Music nos 30 anos de 'The Joshua Tree'


Os membros do U2 estão preparando uma nova turnê para tocar algumas músicas antigas — de 30 anos atrás, para ser exato. Paul Hewson e David Evans, conhecidos no mundo como Bono e The Edge, serão os primeiros a dizer que sua banda normalmente não gosta de olhar para trás.
"Edge normalmente, quando temos uma coletânea sendo lançada, tem que lutar para conseguir que eu ouça, porque para mim é um sentimento morto", diz Bono. "Além disso, não gosto muito do som da voz do cantor, especialmente aquele com o cabelo mullet da década de 80".
Os penteados da época do U2 podem ser datados; a música, eles se sentem, não é. 'The Joshua Tree' apareceu nas lojas em 1987 e vendeu mais de 20 milhões de cópias, tornando-se um dos eventos principais da cultura pop da década. Nele, estes músicos irlandeses estavam escrevendo sobre a América do momento: um tempo de mudança social em casa e o clímax da Guerra Fria no exterior.
"Ronald Reagan estava no poder e a Maggie Thatcher na Grã-Bretanha. A greve de mineiros foi um grande problema na Grã-Bretanha, muita agitação", diz The Edge. "Acho que todos percebemos que as coisas tinham meio que completado um círculo — já que o ambiente em que foi escrito este álbum é muito mais parecido com o ambiente político que estamos hoje."

Bono e The Edge conversaram com Steve Inskeep do NPR Music, que pediu para o cantor e guitarrista explicarem o modo que 'The Joshua Tree' foi feito para capturar isso. Leia um pouco sobre esta conversa abaixo.

Steve Inskeep: É verdade que esse álbum em um ponto foi chamado de 'The Two Americas'?

Bono: Sim, foi. Há duas Américas: há a América mítica e a verdadeira América. Nós estávamos obcecados pela América naquele momento. A América é uma espécie de terra prometida para o povo irlandês — e então, uma espécie de terra prometida potencialmente quebrada.
Se a declaração de independência é como o encarte da América, nós somos como irritantes fãs que os políticos seguem para o banheiro e dizem: "Mas aqui diz: 'nós comprometemos nossa sagrada honra.' O que é isso?" E as pessoas sofrem nos falando sobre a América, porque nós amamos muito ela. Muito arrogante, não achamos que somos os donos dela. Achamos que a América é uma ideia que pertence a pessoas que mais necessitam.

Inskeep: Uma canção que realmente fica na minha cabeça de ouvi-la há anos é "Bullet The Blue Sky" O que está acontecendo na música? Há um acontecimento real por trás disso em algum lugar?

Bono: Assim como o Live Aid é uma viagem à Etiópia, para tentar descobrir como a pobreza pode existir em um mundo de fartura... eu fui para El Salvador, tentando entender o conflito lá.

Inkseep: Houve um conflito lá e na Nicarágua também. Foi durante a Guerra Fria, onde os EUA apoiaram as guerras para empurrar de volta contra o que era visto como a ameaça comunista à América Central.

Bono: E eu presenciei algumas coisas em Salvador, que eram realmente indescritíveis. Assistimos a um bombardeio em território apoiado pelos rebeldes, assistindo as formas de ganha pão do povo explodindo e sentindo o chão tremer, mesmo que estávamos a salvo o suficiente por nós mesmos. Foi algo que deixou, como você pode imaginar, uma impressão: ver corpos jogados de carros na estrada, coisas terríveis que estava acontecendo. Observando a política externa se resolver em um pequeno país. Foi de onde veio "Bullet The Blue Sky".

The Edge: É realmente um grande exemplo do U2 trabalhando como uma banda. Eu tinha uma parte de guitarra, e Adam e Larry começaram a tocar ao longo dela — e eles tocaram contra esta parte de guitarra em meio tempo. Lembro de estar bastante frustrado e um pouco irritado com eles: "Por que você está tocando meio tempo?" O engenheiro de som e Bono estavam na sala de controle, dizendo, "Uau, isso foi incrível!" E eu estava como, "não, vocês não entendem — isso está errado.Não era para ser assim." Mas foi uma grande lição para mim: nós rebobinamos, apertamos o play e ouvi esta parte do baixo que Adam tinha tocado em cima e era tão selvagem, tão brilhante, e algo que eu nunca iria colocar nessa parte de guitarra.

Bono: Foi em uma nota diferente!

The Edge: Daí, construímos o resto da música. E como Bono está descrevendo, ele tinha algumas palavras que ele tinha começado a trabalhar com base nestas experiências — e ficou claro que o estado de espírito desta música era adequada à experiência que ele teve.

Inskeep: Eu estou olhando para a letra de "Bullet The Blue Sky", e há um verso falado, que para mim, a sensação é como uma sequência de sonho. Começa: "eu vejo esses aviões de combate", e no final você está numa sala ouvindo um saxofone. Parece que você está se movendo de uma cena para outra. Você sabe o que está acontecendo lá?

Bono: "This guy comes up to me, his face red like a rose on a thorn bush, like all the colors of a royal flush. And he's peeling off those dollar bills, slapping them down — one hundred, two hundred — and I can see those fighter planes."

Na época era Ronald Reagan na minha cabeça, e a razão era que [vi um mural em El Salvador com Reagan nele]. Eu estava em pé nesta igreja: "uau, o que Ronald Reagan está fazendo lá naquela carruagem?" E eles disseram: "é Ronald Reagan como o Faraó, e nós somos os filhos de Israel fugindo." Realmente, a imagem naquela sequência de sonho é o que acontece atrás das portas de carvalho, corredores de mármore, que trabalha o seu caminho para a vida quotidiana das pessoas boas que se apanhadas em um conflito.

Inskeep: Agora que você está revisitando essas músicas, e vão estar tocando elas em turnê, você sente uma vontade de revisar ou reescrever qualquer uma delas?

Bono: Mudo as letras o tempo todo. Não só porque não me lembro das letras originais [risos], mas porque eu sinto que as primeiras letras são esboços muitas vezes. Me orgulho dos pensamentos por trás do material, mas às vezes não é a expressão da linguagem. Então eu mudo o tempo todo.

Inskeep: Estou curioso agora, você é como Ella Fitzgerald na famosa apresentação de "Mack The Knife" onde ela não tem ideia mais como são as palavras da letra, e ela só está inventando coisas?

Bono: É assim que escrevemos canções! Eu faço estas merdas no microfone desde os 17 anos de idade. Às vezes elas se transforma em palavras, às vezes é como pinturas de som. Eu só comecei a ser semi-alfabetizado recentemente. Mas então, há uma tradição antiquíssima, não é: "A-womp bop a-looma, a-womp bam boom". Quer dizer, é só... som é tudo.

Blog U2 Sombras e Árvores Altas

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