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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Multishow anuncia transmissão de 'U2: iNNOCENCE + eXPERIENCE Live In Paris'


No dia 13 de Março, o canal à cabo Multishow exibe a apresentação do U2 em Paris, realizada menos de um mês após os ataques extremistas que atingiram a cidade em novembro de 2015. A turnê 'iNNOCENCE + eXPERIENCE' passou por vários países da Europa e sua parada em Paris precisou ser cancelada por conta do atentado, que deixou 130 mortos.
Nos dias 6 e 7 de dezembro, a banda irlandesa voltou à cidade e se apresentou para 16 mil pessoas. O registro se tornou um tributo e ainda contou com a participação especial da banda Eagles of Death Metal, que tocava no Bataclan no momento em que a casa de shows sofreu os ataques.

Provavelmente é o show na íntegra, na versão editada que foi transmitida na TV Holandesa anteriormente, com diferentes ângulos, já que foi à partir desta versão que a Rede Globo editou em 45 minutos sua versão exibida em Dezembro de 2015, com as canções fora de ordem, e com o título de 'U2 Em Paris'.
O grande problema da transmissão do Multishow (se realmente for o show completo), é que na hora prevista para a exibição do show, ele pode ser cortado para transmissão ao vivo de 20 minutos do programa Big Brother Brasil.

ESPECIAL
U2: iNNOCENCE + eXPERIENCE
Live in Paris
Domingo (13/03), às 22 horas
Após a transmissão do Lollapalooza Brasil

1979: A Grande História Da Inocência - Parte 07


No início de 1980, o U2 encontrou a salvação de uma fonte improvável. A Island Records de Chris Blackwell era uma gravadora indie independente com uma reputação mundial, em grande parte graças a seu sucesso com Bob Marley. Com uma reputação em botar fé a longo prazo em bandas do campo de esquerda, a Island tinha muito poucas bandas britânicas no início dos anos 80. Em um movimento politicamente astuto, Paul McGuinness tinha começado a perseguir um acordo de publicação para o U2 com a empresa Blue Mountain Music do próprio Blackwell, apostando que poderia conseguir um contrato de gravação completo.
Rob Partridge, que fazia parte da assessoria de imprensa da Island, conhecera McGuinness durante uma noite em Dublin com Bill Graham em 1977. A noite foi puramente social e ele não pensou em nada mais sobre isso até dois anos mais tarde, quando McGuinness começou a telefonar para ele, e enviar fitas demo. Em pouco tempo, Partridge e seu parceiro assessor da Island, Neil Storey, estavam atraídos pelo U2.
"Eu achei eles soavam extraordinariamente promissores e com frescor", diz Partridge. "A coisa mais impressionante para mim era o guitarrista, que soava como se eu estivesse ouvindo Tom Verlaine. Essa foi a coisa que me vendeu o grupo. Então eu bati na porta da A&R e da editora – evangelizando sobre isso naquele momento. Lembro-me de tocar a demo para o cabeça de uma grande editora que rejeitou porque não parecia ser o 'The Boomtown Rats', que eram provavelmente o número um na época com "I Don’t Like Mondays"."
Mas Partridge conseguiu encontrar dois companheiros U2 no departamento da A&R, que se converteram ao U2 – Annie Roseberry e seu chefe, Nick Stewart. Acompanhados de dois executivos de publicação da Island, Roseberry testemunhou um turbulento show na Queen’s University em Belfast em Janeiro.
"Eles tinham feito seus shows em Londres, mas todo mundo tinha deixado passar", recorda Roseberry. "Então tínhamos a impressão que eles tinham voltado para a Irlanda muito deprimidos. Acho que as outras gravadoras tinham deixado passar porque eles não tinham necessariamente ouvido os singles de sucesso, e Paul McGuinness estava pedindo um acordo muito pesado para uma banda que não tinha os necessários hit singles em seu set naquela fase."
Em Belfast, o moralismo espontâneo de Bono irritou um público já mergulhado na retórica política e religião do Norte. Um desordeiro gritou "pare com essa porra de pregação e toquem". Annie Roseberry ficou impressionada com a reação indiferente do cantor.
"Ele provavelmente só ignorava as coisas por completo, ou se juntava à elas. Ele sempre tinha uma arrogância, uma audácia que era muito atraente. Não acho que ele realmente tenha sido um símbolo sexual, mas há aquela presença, um magnetismo. Ele tem a habilidade para desenhar você em suas músicas. Fizeram um grande show. Eles tocavam juntos por muito tempo, mas não eram grandes músicos em nenhum momento de sua imaginação. O timing era terrível, mas isso não importava. Eles só tinham algo único. Bono já era uma estrela. Ele estava correndo e escalando a pilha de alto-falantes, mesmo assim, como se ele estivesse tocando em um estádio. Não havia absolutamente nenhuma dúvida que ele tinha algo especial. Eles tinham a energia do punk, mas com uma abordagem mais melódica, e acho que bandas irlandesas e escocesas ainda tem isso agora. Travis é um bom exemplo disso."

Revista Uncut - Dezembro de 1999

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Bono explica sobre "o fogo inesquecível" de 'The Unforgettable Fire'


Em 1985, a Revista Record entrevistou Bono e começou dizendo que havia lido que 'The Unforgettable Fire' era o título de uma coleção de poesias dos sobreviventes de Hiroshima, querendo saber de onde o vocalista tirou a ideia para usar como título do disco.
Bono deu uma explicação trazendo detalhes a mais, interessante:

"É isso mesmo - na verdade, é mais do que isso. Quero falar mais sobre. 'The Unforgettable Fire' é uma exposição de pinturas, desenhos e escritas feitos por sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki. Eles foram feitos por pessoas de todas as faixas etárias, de 7 a 70 anos de idade, por amadores e profissionais, e eles são um tesouro de arte no Japão.
Tivemos contato com eles através do Museu da Paz de Chicago, porque fazíamos parte de uma exposição no Museu em 1983, com a exposição 'Give Peace A Chance'. E as imagens de pinturas e algumas das escritas ficaram em mim, eu não conseguia me livrar delas. Sua influência sobre o álbum era algo subliminar, mas eu percebi que o álbum estava em movimento, que esta imagem de "fogo inesquecível" se aplicaria não somente aquela coisa nuclear de "A Sort Of Homecoming", mas também o fogo inesquecível de um homem como Martin Luther King, ou o fogo devorador que é a heroína. Então tornou-se uma imagem de múltiplos propósitos para mim, mas derivado daquela exposição."

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Dossiê "One" - Parte 2


"One" é uma música sobre relacionamentos. A implicação de culpa, sentida por alguém que acabou de sair de um amor a longo prazo, está lá quando Bono pergunta, “Have you come here for forgiveness/Have you come to raise the dead/Have you come here to play Jesus/To the lepers in your head?”. Mas a música é também a meditação sobre o quanto que sua permanência em Berlim estava testando o próprio sentido de unidade da banda. “Que é uma coisa extraordinária sobre as composições”, Bono relata. O que uma coisa é em essência, você não pode jogar. Na verdade, se você jogar contra, muitas vezes você obterá muito mais.
“ "One", claro, é sobre a banda”, ele acrescenta. “Você viu a gravação do show Live In Sydney? Foi depois que Adam pirou em Sydney, e nós tivemos que fazer um show sem ele.
Nós tínhamos apenas duas noites pra filmar, e a primeira foi perdida porque ele não estava lá. Por isso nós tivemos uma noite para fazê-lo e nós sabíamos que ele estava num mau momento. Mas ele parece incrível no filme e há uma verdadeira ousadia ao tocar, contra todas as probabilidades. Eu não sei como ele conseguiu se juntar.
“Pensávamos que ia ser o fim, para ser honesto com você. Nós não sabíamos se queríamos continuar, se alguém estava infeliz e não se divertindo. E o desempenho de "One" de repente torna-se o que é sobre aquela noite. Ela tem essa qualidade como uma canção. Viajando ao redor da Europa, quando o material estava indo para a Bósnia, às vezes a 200 milhas de onde estávamos tocando, você tinha um tipo semelhante de sentimento.
Três vídeos foram feitos para "One", cada um com uma interpretação diferente para a música. Um, dirigido por Mark Pellington e construído em torno de imagens de búfalos sendo lançados sobre a encosta de um penhasco, foi baseado no trabalho do artista David Wojnarowicz, que tinha morrido de AIDS em 1992. Isso levou a uma especulação de que "One" seria uma canção sobre AIDS e que a letra representava a conversa entre um pai e seu filho gay soro positivo. Essa sempre pareceu uma interpretação um tanto liberal.
“Era parte de uma das camadas da história”, Bono argumenta. “Se uma canção fala com qualquer tipo de exploração sexual ou erótica, então o espectro da AIDS tem que estar presente. Mas não é a única ameaça às relações. Tudo lá fora, é contra a ideia de casais. O conceito de fidelidade é constantemente posto em cheque em cada anúncio, cada programa de TV, cada filme, cada novela que você lê. Sexo é usado para vender mercadorias. Tornou-se uma mercadoria em si.
“Se sexo está ao menos próximo do centro de nossas vidas, como nós poderíamos ter colocado de lado o assunto que é propriedade das mentes mais entediadas, seria para pornografia ou algo do tipo? Acho que ainda é território virgem, porque você estava propenso a juvenília, as 23 posições num tipo de ostentação de uma noite só. Há muito mais além disso”.
Com as sessões de Berlim na mala, o tape de "One" foi levado para Dublin. O que eles tinham era uma boa base, mas ainda precisava do que The Edge costuma chamar de “primeiro plano”. Eles colocaram muitos overdubs, mas ainda não tinham conseguido uma combinação com a qual ficassem felizes. Que foi quando Eno chegou e, com seu instinto afiado, fez um mix baseado em seus preconceitos pessoais, implacavelmente jogando fora o que ele não gostou. Foi a descoberta de que precisavam. Eles tinham uma imagem de um acordo que fosse funcionar.
Flood não se convenceu. ”Eu era o cético ranzinza”, ele relembra. “Eu sempre senti que era um pouco direta, até que nós fizemos a mixagem final. Era todas as mãos no convés. Bono não gostou do vocal num verso e nós basicamente gastamos um dia inteiro refazendo isso. A partir daí, nós fomos para o mix mode e fomos eu, Eno, Lanois e Bono sentados na parte de trás, todos fazendo diferentes movimentos, deixando o mix bastante emocional.
Há um ponto no processo quando a tecnologia se perde e você pode realmente usar a mesa como um instrumento. Começou a acontecer naquela mixagem. Temos logo após ‘Love is a temple’ e no final The Edge disse: ‘Eu tive uma grande ideia pra um riff de guitarra’. Assim foi a mixagem, havia três de nós na mesa, o resto da banda vibrando ao redor e The Edge na parte de trás do estúdio, tocando a parte da guitarra ao vivo.
“Pessoalmente, sinto que a música tem um conteúdo de tão forte carga emocional - e nós conseguimos honrá-la completamente e melhorar isso, do jeito como a mixamos”.

AGRADECIMENTO: ROSA - U2 MOFO

Dossiê "One" - Parte 1


Às vezes pode parecer como se estivesse cavando um buraco. Outro dia, outra sessão de gravações. Nada parece estar dando certo. Você se debate por cerca de seis horas, e no final você sabe que a inspiração se foi em um feriado prolongado. Mas agora você está dentro do processo, não há opção se não a de continuar. E assim você fica meio no ar um pouco mais.
E de repente: BANG!
O U2 estava em Berlim há três meses e eles tinham entregado duas canções. Isso era ruim. E uma delas aconteceu completamente por acidente. Eles estavam no auge do trabalho com "Mysterious Ways" e procurando por um meio oitavo. The Edge veio com duas alternativas.
Bono ouviu uma delas e pensou “pesada canção nova”! Ele improvisou uma melodia sobre os acordes e soou bem.
“The Edge pôs o outro meio oitavo no final e se tornou uma canção. A melodia, a estrutura, a coisa toda foi feita em 15 minutos”, Bono relembra.
Naturalmente, a banda estava animada. Aquele era um dos felizes acidentes, aqueles momentos quando aparece um congestionamento de ideias e de quebra uma música vem. Fitas do trabalho em curso estavam sendo entregues para Brian Eno, que mandava de volta com comentários e respostas; no devido tempo ele recebeu essa primeira, inspirado projeto de "One". Na próxima vez que ele apareceu no estúdio Hansa, ele estava em clima de festa.
“Brian chegou e disse que tinha gostado de todo o material que nós tínhamos”, Bono relembra. “Nós estávamos surpresos porque todo mundo estava assustado com isso. Então ele disse: ‘Há apenas uma canção que eu desprezo, e é "One"."
Bono ri. “Ele sentiu que precisava de séria desconstrução. E lá fomos nós em cima disso. E é por isso que funciona. Porque você pode tocar uma guitarra acústica agora e funcionar, mas se você tiver ouvido a guitarra acústica primeiro, não terá tido o mesmo sentimento”.
Flood relembra bem a sessão. Era uma daquelas ocasiões especiais. “Foi muito, muito rápido”, ele diz. “Bono cantou 90% da melodia e havia um monte de idéias líricas em sua cabeça. Só veio junto. Houve um momento é nós o agarramos”.
É extraordinário pensar o quão perto "One" teve de não acontecer. Dada a forma aleatória e caótica, muitas vezes em que o U2 opera em estúdio, há sempre uma sentimento de que as músicas são escritas por acidente, mas esse era particularmente um caso extremo. E ainda surge como uma de suas melhores criações, uma balada de grande profundidade e beleza que abre para múltiplas interpretações.
“Acho que foi vagamente baseado na posição em que eu estava em relação a minha última namorada e minha esposa”, reflete Guggi, o velho amigo de Bono do Lypton Village, oferecendo uma interpretação. “Trata-se de tudo o que acontece com o colapso de um relacionamento e o início de um outro. Eu estava com minha última namorada, Linda, por 14 anos. E então eu tinha um pequeno estúdio no City Arts Centre. Eu estava trabalhando lá e então eu ouvi que essa pintora alemã estava vindo morar aqui por seis meses, para trabalhar, e acabou por ser Sybil. Foi como eu a conheci. Nós começamos a pintar juntos. E eu estava muito perto, fisicamente perto, para Bono, na época, porque ele estava por perto, estávamos passando muito tempo juntos. E eu acho que muito disso foi capturado na música”.

AGRADECIMENTO: ROSA - U2 MOFO

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Quando Bono anunciou uma nova canção do U2 chamada "Blue Room"


Em 1995, após dois anos de silêncio, Bono e Adam Clayton deram uma entrevista em Dublin para o XPress, falando sobre um novo trabalho do U2. Na verdade, dois. A banda ali gravava material visando dois álbuns: 'Original Soundtracks 1' e 'POP'.
Enquanto falavam com a XPress, The Edge estava sentado na mesa de mixagem, ouvindo atentamente uma canção com problemas e tentando achar a melhor forma de corrigir aquilo. E disse: "Isso vai exigir um triplo by-pass, no mínimo."
Larry Mullen também estava concentrado nas canções, sentado em sua bateria dentro da cabine à prova de som, gravando suas partes.
Bono na entrevista revelou o título de duas canções inéditas em que trabalhavam: "Há uma canção chamada "Blue Room" e outra que escrevemos para um documentário que produzi, chamada de "Miss Sarajevo"."
A canção "Blue Room" foi rebatizada e entrou no álbum como "Your Blue Room".


Quase Famoso: o Engenheiro que deixou o U2


Em 25 de setembro de 1976, um grupo irlandês heterogêneo de colegiais se reuniram na cozinha de Larry Mullen Jr. na Avenida Rosemont 60, no lado norte de Dublin.
Larry Mullen com quatorze anos de idade, com um sonho e um kit de bateria amador, tinha publicado uma nota em um folheto no quadro de avisos da Mount Temple Comprehensive School, procurando formar uma banda de rock.
Respondendo ao convite naquele dia na cozinha de Larry estavam três adolescentes que se tornariam nomes conhecidos na indústria da música: Paul Hewson (o "Bono", que tocava guitarra e cantava), o guitarrista Dave Evans (o "The Edge") e o baixista Adam Clayton.
Também na cozinha e juntando-se ao quarteto que se tornaram uma das maiores e mais duradouras bandas do planeta, estava um quinto integrante— Richard "Dik" Evans, irmão mais velho de Dave, que tocou guitarra durante os primeiros 18 meses do grupo e saiu assim que a banda estava se reinventando como U2 e começando sua rápida ascensão ao estrelato do rock'n'roll.
Antes que ele se tornasse um dos mais famosos guitarristas do mundo, David Howell Evans teve de afastar seu irmão Richard, dois anos mais velho, da guitarra de brinquedo que lhe tinha sido dada para seu aniversário de 9 anos de idade. Como John Jobling narra em 'U2: The Definitive Biography', os irmãos Evans nasceram em uma família galesa-inglesa protestante e altamente musical: seu pai, Garvin, tocava piano e fundou a Dublin Welsh Male Voice Choir (Coral de Vozes Masculinas Galesas de Dublin), e sua mãe, Gwenda, cantava no coro. Dave mais tarde adquiriu uma guitarra acústica em um bazar por 1 libra, diz Jobling, enquanto Richard, "um entusiasta de eletrônica propenso a realizar experiências selvagens no galpão do jardim da família", tentou montar uma guitarra elétrica do zero.
O resultado, Jobling conta, foi "uma prancha bruta de madeira em V, amarela, com cordas", um instrumento que Dave e Dik se revezaram em tocar, junto com a guitarra de 1 libra, naquela fatídica noite na cozinha de Larry enquanto a banda recém-formada "tentou rabiscar seu caminho através de "Brown Sugar" e "Satisfaction" do Rolling Stones."
Na verdade, os primeiros ensaios do novato grupo eram tão grosseiros, que inicialmente chamavam-se 'Feedback', por causa do som estridente que saia do surrado amplificador em que eles todos estavam plugados. "Foi como o primeiro dia no exército", disse The Edge para uma revista em 1982. "Todo mundo tentando tocar algo e todos os outros dizendo o que fazer."
E havia mais obstáculos no caminho da banda, que mudaram de nome, agora para 'The Hype'. Bono estava indo para a University College em Dublin para estudar artes, Adam foi expulso da Mount Temple por andar sem roupa nos corredores, e Dik — que pouco se parecia como uma estrela do rock e sim mais como o grande mago de computadores que tornou-se — tinha sido atribuído um subsídio do governo para estudar no Trinity College. Felizmente para a história da música, Bono foi forçado a deixar a Universidade depois de algumas semanas, quando a escola percebeu que ele tinha falhado no exame da língua irlandesa, e portanto, não atendia aos requisitos para ingressar. Isso deu ao vocalista do The Hype uma chance de redobrar os seus esforços musicais, e em 1978, a banda estava melhorando lentamente e foi substituindo as versões covers por seu material original, em grande parte escrito por Bono, que havia deixado a guitarra para os irmãos Evans.
Depois de uma aparição na televisão irlandesa, tiveram algumas novas oportunidades em 1978, e a banda foi rebatizada novamente e definitivamente, de U2 — um nome que os membros consideraram mais misterioso e aberto a múltiplas interpretações — e participaram de um concurso de música em Limerick no St. Patrick’s Day, e, para o espanto de muitos, incluindo eles mesmos, a banda venceu, tendo direito à uma sessão de gravação com a CBS da Irlanda.
Um membro da banda, no entanto, não estava no evento em Limerick. Dik Evans foi perdendo o interesse e faltando aos ensaios, e então não foi nenhuma surpresa quando ele se demitiu do grupo dois dias depois que eles venceram o concurso. "Eles se tornaram muito intensos sobre isso e eu não estava na mesma sintonia. Era quase um tipo de conflito de gerações e havia um abismo entre nós", Dik disse para Jobling. "Eu só não me adaptei."
Mas a saída de Dik não significava que ele estava desistindo da música. Em vez disso, ele rapidamente formou uma nova banda gótica chamada The Virgin Prunes, com dois amigos de Dublin. Não havia qualquer sentimento de mágoa. Os antigos companheiros de banda de Dik ainda fizeram um show de despedida com ele na Igreja Presbiteriana em Howth, onde o Virgin Prunes, que eventualmente iria se dissolver em 1986, fez sua estréia oficial ao lado de U2.
No período em que o U2 realmente decolou, Dik estava profundamente comprometido em seu grau de Ciência de Computação, e ele seguiu com um Doutorado em Engenharia no Imperial College, em Londres. Garvin Evans, pai dos guitarristas, deu uma entrevista em 2013, em que ele disse: "Eu nunca falei com Richard sobre seus sentimentos sobre ter deixado o U2... parece pouco provável que ele entre neste ponto de 'o que poderia ter sido.'"
Especialmente quando o 'o que poderia ter sido' nunca poderia ter sido. Como explicou Dik, "nunca, em qualquer momento pensei: 'sim, eu quero estar numa banda e isso é tudo.'"
Sem dúvida, um sentimento compartilhado pela banda de artistas quase famosos que por pouco não perderam sua grande chance com a sorte. Mas, como diz a canção, "está tudo bem, está tudo bem, está tudo bem. Ele se move por caminhos misteriosos......"

Do site: www.ozy.com

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A história por trás da apresentação de "Please" no MTV Music Awards 1997


Em 1997, aconteceria o MTV Music Awards, e o U2 estava no meio de sua turnê mundial Popmart, mas enfrentava alguns problemas com seu álbum 'POP', e em alguns shows realizados nos EUA, sobraram ingressos e os estádios tiveram grandes espaços vazios.
Nas rádios tocava muito Puff Daddy, No Doubt, Spice Girls e Hanson, e parecia que o U2 estava perdendo cada vez mais espaço.
A banda estava fazendo a parte europeia da turnê, mas voaram para Nova York durante uma pausa de quatro dias, para se apresentarem ao vivo na premiação, na esperança de que uma performance na TV da canção "Please", finalmente colocaria um dos singles do novo disco nas paradas americanas. O U2 foi escalado junto com Beck, Marilyn Manson, Jewel e Spice Girls, todos no auge comercial.
Houve parcerias nos shows, como Puff Daddy se juntando à Sting para uma mistura entre "I’ll Be Missing You" e "Every Breath You Take", e o The Wallflowers se juntaram à Bruce Springsteen para a execução de "One Headlight".
O U2 foi chamado para tocarem sem nenhuma parceria, e seriam os únicos à não tocar um enorme hit na premiação. Sem toda a parafernália da turnê PopMart, tocaram em um cenário quase vazio. Bono vestia um capuz cobrindo parte da face, o que levou o apresentador Chris Rock brincar que ele se parecia com o Unabomber.



A apresentação de "Please" durou 6 minutos, trazendo muito mais potência que a versão original de 'POP', e mais uma evidência para a banda e para o público, de que teria sido um disco muito melhor se eles tivessem tempo de trabalhar mais e finalizar as faixas como queriam.
Apesar da performance, "Please" não conseguiu destaque nas paradas americanas.

No diário de turnê de Willie Williams, ele falou sobre o dia da apresentação da banda no VMA:

04.09.1997

Acordando em Nova York, no dia do MTV Music Awards. O U2 irá tocar "Please" ao vivo na premiação. A banda nunca tocou em uma premiação como esta antes, então foi uma espécie de novo desafio. A estética 'game show' da preparação e a falta de tempo devido ao grande número de bandas tocando mais que uma música, é muito mais corrido do que que gostaríamos, mas nós fomos tratados muito bem.
O que nos ajudou é que muitos dos técnicos envolvidos são velhos amigos (a projetista de iluminação para o espetáculo é Allen Branton que trabalhou na gravação de ZOOTV Live From Sydney) então eles já tinham uma boa noção do que iria funcionar ou não para o U2. Tivemos apenas algumas horas para tentar transformar um game show em um desempenho devidamente atmosférico definido para "Please", então colocamos todas as mãos no convés. No final do ensaio, tudo era visto como promissor, mas vem a hora marcada, e ao vivo é ao vivo, então você nunca pode ter certeza.
Câmera, ação, e lá vamos nós. U2 tocando, parece ter corrido bem, o público da Radio City são surpreendidos, a música termina e... sim... cabeça para os carros, cabeça para o aeroporto e de volta para o avião, com destino a França. Não podemos parar para conversar, nós temos um show para fazer em Paris."

'U2 In The Americas' seria o título original do filme 'Rattle And Hum'


Já foi contado em um post anterior, sobre a possibilidade que havia do U2 passar pela América Do Sul com a turnê 'The Joshua Tree', em dezembro de 1987. No entanto, com problemas de produção e custos estimados de US$ 1,2 milhões, o U2 cancelou os planos.
Com sugestões do promotor de concertos Barry Fey, em vez de vir para a América do Sul, a banda agendou shows no Sun Devil Stadium no Arizona.
Quando a banda resolveu fazer um registro sobre a turnê, o filme foi intitulado originalmente de 'U2 In The Americas', e a banda planejava as filmagens em Chicago e em Buenos Aires.
Mais tarde eles decidiram que em Chicago não era um local adequado para as filmagens, e optaram pela McNichols Sports Arena em Denver.
Após o sucesso de 'Live At Red Rocks: Under A Blood Red Sky', que tinha sido filmado em Denver quatro anos antes, a banda esperava que o "raio pudesse cair duas vezes no mesmo lugar".
Como os planos para a turnê na América do Sul foram cancelados, shows foram marcados no Sun Devil Stadium no Arizona, substituindo também as gravações planejadas para Buenos Aires. E é claro, o título do filme também foi modificado, e a escolha foi por 'Rattle And Hum'.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Áudio Disco 09: U2 - Sam Boyd Stadium, Las Vegas, Popmart Tour Rehearsals, 16-25 April 1997


Após 4 anos sem fazer um show ao vivo, o que havia acontecido pela última vez na turnê ZOOTV em 1993, o U2 voltaria aos palcos em 25 de Abril de 1997, para a noite de estréia da turnê mundial Popmart.
Entre 16 de abril e 25 de abril de 1997, a banda, depois de longas férias, se juntou para ensaiarem novas e antigas canções no Sam Boyd Stadium, local onde aconteceria o show.
Estes ensaios que duraram 10 dias, foram registrados em áudio IEM estéreo de The Edge, e estas várias horas foram disponibilizadas em uma coleção de bootlegs contendo 23 CDS!
Além de diversos takes para uma mesma canção, são ouvidas jams, efeitos inéditos não utilizados na turnê, solos de bateria, testes de guitarras e efeitos, canções instrumentais inéditas, improvisações e o ensaio completo final para a estréia.

Abaixo o áudio do Disco 09:

São 68 minutos de áudio. Começa com o teste do playback de "Pop Muzik" para ser utilizado nos concertos da turnê. 
Na sequência, a banda toca "Mofo", uma versão mais longa, mais pesada. Bono no vocal.
Os técnicos testam uma base playback de "Mofo". Ouvimos diversos ajustes, e a banda reinicia o ensaio da canção algumas vezes. The Edge assume o vocal principal.
The Edge prepara a guitarra para o ensaio de "Pride (In The Name Of Love)", e neste momento eles já planejavam ela na sequência de "Do You Feel Loved". Assim, The Edge pede para que a banda ensaie esta transição. Eles tocam um trecho instrumental de "Do You Feel Loved", e então partem para a introdução de "Pride (In The Name Of Love)". Sem a presença de Bono, The Edge faz os vocais da canção.
A próxima a ser ensaiada é "Mysterious Ways". The Edge ajusta a guitarra e efeitos.
A banda inicia a canção, em uma versão diferente, com um teclado adicional. Novamente sem Bono, é The Edge quem faz os vocais.
Ouvimos algo muito interessante na sequência: o teste de uma base eletrônica da canção, e os ajustes do teclado. A banda reinicia o ensaio da faixa mais algumas vezes.
O áudio termina com alguns testes de bateria, com trechos de "Please" e "Bullet The Blue Sky". E no final, um teste de guitarra com os efeitos utilizados em "Discothèque" e "If You Wear That Velvet Dress".


01. Pop Muzik / Mofo 0:00:00
02. Mofo (Aborted) 0:08:21
03. Mofo 0:14:28
04. Do You Feel Loved / Pride (In The Name Of Love) 0:23:15
05. Pride (In The Name Of Love) [The Edge] 0:28:05
06. Mysterious Ways 0:34:00
07. Mysterious Ways 0:36:23
08. Mysterious Ways / Joe Talk 0:45:30
09. Mysterious Ways 0:52:05
10. Dead Air 0:58:41
11. Discothéque Riff 1:05:01

1979: A Grande História Da Inocência - Parte 06


Tendo mais uma vez não conseguido garantir um acordo satisfatório com uma gravadora inglesa em sua terra natal, Paul McGuinness então decidiu levar a luta para sua porta. Alguns show em clubes de Londres foram marcados para Dezembro de 1979. Ninguém em volta do U2 queria admitir, mas havia um certo desespero no ar durante este período. Estava terminando uma década, a era new age foi diminuindo e o interesse das gravadoras foi desaparecendo rapidamente. Além de tudo isso, Paul McGuinness foi ficando sem fundos e o pacto de The Edge com seus pais para abandonar a música e ir para o ensino superior, estava estourando o prazo.
Algumas pessoas acompanharam a estreia do U2 em Londres, nos shows no Hope & Anchor, Moonlight Club, Dingwalls, Rock Garden, Lyceum e Nashville. Essa estreia só se tornou grandiosa para uma retrospectiva, por causa de quão grande a banda se tornou mais tarde.
"Lembro-me do show no Nashville", diz Paul Slattery. "Eles estavam como banda de suporte do Secret Affair, ou algum outro, e quando o U2 chegou lá não tinha quase ninguém dentro. Só um monte de mods no bar. Eles tocaram para 20 pessoas, eu acho. Mas o show no Dingwalls foi grandioso, e estava bastante cheio."
Durante a sua estadia, Slattery ficou com pena daqueles adolescentes irlandeses abatidos, bajulando-os em outra sessão de fotos com ofertas de uma refeição decente.
"Eles estavam sem dinheiro", recorda Slattery. "Eles estavam hospedados neste apartamento que McGuinness conhecia em South Kensington, e eu disse 'Foda-se'. Peguei-os no dia depois do show no Dingwalls, eu tinha uma velha van Mini no momento. Eu fiz algumas fotos no apartamento, então levei eles até a margem do Rio em Chiswick e fizemos outra sessão. E eu estava morando nesta casa no Sunbury On Thames, então levei eles até lá e dei à eles chá e sanduíches de bacon. Alimentei eles um pouco. Ninguém me pediu para fazer as fotos, eu pensei: que se foda, quero fazer – Bono tem carisma e eu gosto dele."
Chas De Whalley também renovou seus laços com a banda durante sua permanência em Londres. A CBS tinha concordado em um segundo single para a Irlanda, "Another Day", que foi gravado no estúdio da gravadora na Whitfield Street, um dia antes do U2 voltar para Dublin. Ele encontrou o jovem quarteto mais confiante do que antes, mas também um pouco esgotado.
"A voz do Bono estava completamente prejudicada, por causa dos shows", recorda De Whalley. "Ele tinha dificuldades, e ele estava no mel e limão. Lembro-me de sugerir-lhe que, no segundo ou no terceiro verso, ele devia sussurrar a letra além de cantar, aquela coisa clássica de David Bowie – que era minha característica de produzir, tentando obter o vocal com um grau de textura. Nós gravamos isso em oito horas, então eles voltaram para Dublin e eu e o engenheiro, Walter Samuel, agendamos para mixar ela na manhã seguinte de quarta-feira. Então eu peguei instruções por telefone com Bono sobre o que fazer. Lembro-me que tinham uma parte de guitarra que aparecia quatro vezes antes dos vocais, e eles queriam apenas três – que é novamente uma indicação de que eles eram cientes de não serem convencionais, de não concordarem com qualquer coisa."
Infelizmente, a banda provou também que era incompatível para a CBS. "Another Day" finalmente foi lançado na Irlanda, em fevereiro de 1980, quando o selo tinha esfriado totalmente com o U2.
"Eles assinaram somente com a parte na Irlanda, e essa parte não ia gastar um dinheiro valioso em uma banda que não queriam em Londres", explica De Whalley. "Foi o caso, naqueles dias, e provavelmente ainda é verdade até hoje, porque o mercado irlandês é muito pequeno. Eu ainda tenho um projeto de lei nas mãos para a gravação, com um bilhete escrito Paul McGuinness dizendo: 'Desculpe, eu só poderia conseguir para você uma cópia, é muito complicado com a gravadora....'"
De fato foi. Na verdade, enquanto morria os anos 70 e nascia os anos 80, as coisas pareciam complicadas mesmo para o futuro do U2.

Revista Uncut - Dezembro de 1999

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Em 1987, U2 teve que cancelar os planos de trazer a turnê The Joshua Tree para a América Do Sul


Se sabe que a Pinus Promoções - uma agência de eventos de São Paulo que existia na década de 80, estava tentando trazer o U2 para um show em 1987 (The Joshua Tree no Brasil). E quase isso aconteceu, de verdade!
A banda realmente queria passar pela América Do Sul com a turnê, em dezembro de 1987. No entanto, com problemas de produção e custos estimados de US$ 1,2 milhões, o U2 cancelou os planos.
Com sugestões do promotor de concertos Barry Fey, em vez de vir para a América do Sul, a banda agendou shows no Sun Devil Stadium no Arizona.

A canção que Bono desejou gravar, mas teve o pedido recusado pois a escolha foi por David Bowie


Um dos projetos relacionados à AIDS ao longo da década de 90 foi a série de álbuns Red Hot +. O U2 participou no primeiro, Red Hot + Blue, um tributo às canções de Cole Porter. Para esse álbum, o U2 gravou uma versão de "Night And Day", com uma sonoridade que mostrava o que estava por vir no próximo disco da banda.
Em 1998, a série anunciou Red Hot + Rhapsody, que foi uma homenagem às canções de George Gershwin. Foi o 12º lançamento desta série de álbuns. A mudança foi que cada canção em vez de ser retrabalhada por um artista, acabou sendo por dois. O álbum foi lançado em outubro de 1998, para marcar o aniversário de Gershwin.
O compositor Angelo Badalamenti foi escolhido para participar do álbum. Badalamenti é bem conhecido por seu trabalho em filmes e séries de televisão, muitas vezes em parceria com o diretor David Lynch. O tema de Twin Peaks? É trabalho de Badalamenti. Badalamenti conta a história de se envolver no projeto: "no conceito daquele ano eles disseram 'será canções de George Gershwin, mas tem que ser uma colaboração entre dois artistas. Adoraríamos que você seja uma dessas pessoas e então que tenha um outro parceiro nela', e eu disse 'tudo bem – mas eu gostaria de escolher eu mesmo minha música de Gershwin'. Assim eu escolhi “A Foggy Day In London Town”, porque sabia que eu poderia pegar essa música com seu verso e torná-la algo lento e obscuro, no estilo mesmo de Angelo Badalamenti."
Badalamenti originalmente cortou a faixa, usando seu próprio vocal, mas a gravadora queria continuar com o conceito de colaborações para o álbum. A gravadora disse para Badalamenti que queriam pegar sua gravação e mostrar para vários vocalistas para ver quem estaria interessado. Mais tarde naquela mesma noite com Badalamenti trabalhando no estúdio, o engenheiro recebeu uma ligação e era David Bowie. Bowie disse: "Por favor, por favor, deixe-me ser o cantor nela." Badalamenti concordou, e disse a David Bowie que era dele.
Apenas algumas horas mais tarde, às 07:00 da manhã, Badalamenti recebeu outro telefonema. Desta vez era Bono.
"Eu estava em casa e o telefone tocou. Ouvi a voz. "Angelo, Angelo!" "Quem é?" "Aqui é o Bono. Estou no carro, estou na Irlanda. Ouvi esta faixa. Eu estou tão ocupado. Estou em turnê. Estou trabalhando em um álbum com minha banda, e eu tenho dez mil coisas para fazer. A última coisa que eu queria ouvir é uma faixa como essa. Mas, me deixe ser o cantor nesta faixa?"
Eu disse: "Bono, cara, seria ótimo, mas ontem eu prometi ela para Bowie." E Bono disse: "Certo, ele canta bem também!"
Então, se Bono tivesse sido um pouco mais rápido, ele poderia ter cantado na canção de 1998 presente no álbum Red, Hot + Rhapsody, mas em vez disso ela foi gravada com Bowie nos vocais.
Badalamenti, originalmente, contou a história na East Village Radio em março de 2014, e as citações são tiradas daquela entrevista. Também recentemente, ele contou a história na BBC Radio.


Por Aaron J. Sams, do site U2 Songs (antigo U2 Wanderer)

domingo, 21 de fevereiro de 2016

"Vertigo" em passagem de som em Brisbane no ano de 2006 pela Vertigo Tour


Em Novembro de 2006, o U2 fez um show em Brisbane, Australia, pela Vertigo Tour.
A banda realizou diversas passagens de som para testar instrumentos e também o telão, e uma das performances de "Vertigo", foi registrada de forma amadora e disponibilizada:

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Video: Bono no VH1 Vogue Fashion Awards em 1997


Em 24 de Outubro de 1997, aconteceu no Madison Square Garden em Nova York, o VH1 Vogue Fashion Awards.
Bono esteve na premiação, apresentando a vencedora na categoria 'Best Personal Style', entregue para Courtney Love!

Abaixo, um vídeo com legendas em português de Portugal, da transmissão da SIC TV:

Canções de Inocência e de Experiência no disco de 2000 do U2?


Em 2014, após o lançamento de 'Songs Of Innocence', o site oficial do U2 divulgou uma carta aberta escrita por Bono aos fãs, e o que mais chamou atenção nela foi uma revelação do vocalista, informando uma continuação do álbum: "Se você gostou de 'Songs Of Innocence', fique conosco para 'Songs Of Experience'. Deve estar pronto logo...."
Os títulos dos discos foram inspirados em Canções de Inocência e de Experiência (Songs of Innocence and of Experience), o trabalho mais conhecido do poeta William Blake.
Agora uma curiosidade: confira as palavras de Bono em 2004 ao se referir à coleção de canções do disco 'All That You Can't Leave Behind' lançado em 2000: "São canções de inocência, canções de experiências. O tema central de todo o álbum é que a ingenuidade é poderosa, no sentido em que às vezes temos mais força se não sabemos o que enfrentamos nessa vida."

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A marcante performance de "New Year's Day" na Polônia em 2005 na turnê Vertigo


Em julho de 2005, o U2 fez um show em Chorzow, Polônia, pela turnê Vertigo.
Na performance de "New Years Day", um hino inspirado em parte pela luta do Solidariedade da Polônia contra o comunismo, 70.000 fãs acenaram camisas, cachecóis e lenços para compor uma enorme bandeira polonesa nas cores vermelho e branca.
Fãs na pista do estádio levantavam peças na cor vermelha, enquanto aqueles que estavam sentados na arquibancada, levantavam peças na cor branca, durante a música que fala da era da Guerra Fria.
Bono também ressaltou a inspiração polonesa para a letra da canção, mostrando o forro vermelho de sua jaqueta e curvando-se ao público enquanto cantava.
De acordo com Bono, a letra da canção foi inspirada, em parte, pela repressão brutal do regime comunista polonês em dezembro de 1981.
A ideia para ressaltar a inspiração polonesa para o clássico do U2 surgiu e foi organizada entre os fãs poloneses da banda na Internet e depois foi retransmitida pelos meios de comunicação poloneses antes do concerto.

1979: A Grande História Da Inocência - Parte 05


No dia seguinte, a dupla da Sounds viu o U2 tocar em um show no Baggot Inn. "Eles foram muito bem", lembra Slattery. "Quero dizer, eu já estava no pub até que eles vieram, e depois de algumas cervejas qualquer um pode parecer bom. Mas naquela época eu usei dois rolos de filme com eles, que era como se fosse um lote para mim naquela época."
O perfil deles por McCullough foi publicado em setembro, descrevendo o som do U2 como "espaçoso e afiado... atingindo o vasto, um clímax de tirar o fôlego." Elogiando o "desavergonhadamente didático" vocalista da banda, cujas tendências cristãs eram desconhecidas para McCullough na época, o profile terminou com uma profecia: "se o Boomtown Rats foram o João Batista do rock and roll irlandês, então o U2 deverá ser também...”
A peça da Sounds causou série interesse da A & R no U2, especialmente depois que o single de "Out Of Control" foi lançado no mesmo mês na Irlanda pela CBS, no topo das paradas nacionais.
"O disco saiu em setembro, e naquela altura toda a imprensa já estava por dentro", diz Chas De Whalley. "Especialmente Dave McCullough na Sounds e Chris Westwood no Record Mirror. Paul McGuinness usou a gravação para expandir o perfil da banda na Irlanda. Todos os 1.000 exemplares do disco se esgotaram no primeiro dia e eles foram depois uma grande notícia na Irlanda. Gostei mais ainda do que eu tinha visto, e só porque eu não tinha conseguido uma fita de gravação boa, não significava que eles eram uma banda porcaria. Lembro-me de ficar em cima de Muff Winwood que realmente deveríamos fazer algo sobre isso, e ele obviamente estava pressionado pelo escritório irlandês também. Então o zumbido era realmente grande e Muff decidiu ter um último racha na CBS."
Desta vez, Winwood acompanhou De Whalley e um punhado de caras rivais da A & R para um showcase em Dublin, no Baggot Inn. McGuinness, certificou-se de que todos os seus visitantes tivessem assentos de primeira e o que se dizia pela cidade era que grande oportunidade para o U2 praticamente estava assinada, selada, entregue. Os rumores estavam quase confirmados.
"Não foi um show fantástico, mas foi bom", recorda De Whalley, "e depois Muff e McGuinness e eu fomos para um bar-adega de vinho em algum lugar em Dublin, só nós três. Acho que Muff estava pronto para lhes oferecer um acordo sobre a força do meu entusiasmo e o ímpeto crescente na Irlanda. Isso iria colocá-los em uma lista, incluindo o The Clash e The Only Ones – eram as duas únicas bandas new wave no selo naquele momento".
Mais impressionante, talvez, o acordo da CBS também poderia ter o U2 como labelmates de Dylan e Springsteen. Mas não era para ser.
"Paul McGuinness disse que queria um acordo igual o do Boomtown Rats", diz De Whalley, "o que significava que a gravadora tinha que comprar para a banda uma casa para que eles pudessem morar em Londres. Naqueles dias teria sido como um negócio extra de £ 100,000."
Dada a determinação do U2 para permanecer com base na Irlanda, um fator crucial para seu sucesso global, é possível que De Whalley tenha interpretado errado este plano aparente de se mudarem para Londres. Mas um acordo com a CBS certamente foi discutido enquanto outros rótulos perderam o barco totalmente.
A EMI, por exemplo, enviou os olheiros Chris Briggs e Ben Edmunds para o show no Baggot sobre a recomendação de Tom Nolan. Mas o duo desistiu do U2 depois de apenas alguns minutos, retornando ao seu hotel para pegar o The Specials no The Old Grey Whistle Test - isto foi nos dias antes dos gravadores de vídeo se tornarem comuns. Paul McGuinness mais tarde seguiu os fugitivos do show e causou um inferno.
"McGuinness ficou realmente bravo com isso", conta Nolan. "Mas eu fui chamado no dia seguinte que eles voltaram e Brian Shepherd, o chefe da EMI, enlouqueceu: 'porque estamos perdendo nosso tempo com isto, meus dois principais caras tinham que passar por isso....' Acho que 'lixo' foi a palavra que ele usou sobre a banda. Tivemos uma grande briga. Fato é que, três ou quatro meses depois, eu fui demitido."

Revista Uncut - Dezembro de 1999

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A imagem de Bono e The Edge recriada em estúdio para 'Rattle And Hum'


O disco 'Rattle And Hum' do U2, lançado em 1988, traz gravações inéditas e ao vivo da banda, registradas durante a turnê 'The Joshua Tree' em 1987.
Na turnê, quando a banda tocava "Bullet The Blue Sky", durante o solo de guitarra de The Edge, as luzes do palco se apagavam, e Bono pegava um holofote de luz e iluminava o guitarrista e seu instrumento.

Assim, esta foi a inspiração para a capa do álbum e também para o poster do filme.

Muitas pessoas ao verem a capa do disco, acham que a foto foi registrada ao vivo, em um dos shows da turnê. Mas isto não aconteceu.
A icônica imagem foi recriada em um estúdio fotográfico, e a sessão foi feita pelo fotógrafo de longa data da banda, Anton Corbijn.


'Rattle And Hum' é o único álbum que Steve Averill e sua equipe da AMP Visual não trabalharam na arte, que ficou aos cuidados da Paramount Pictures.

Chris Milk dá mais detalhes sobre o videoclipe em Realidade Virtual para "Song For Someone" do U2


Quando U2 excursionou pelo Reino Unido em outubro de 2015, eles trouxeram com eles uma nova dimensão na realidade virtual.
Abrigados em um ônibus de dois andares na parte fora de cada local, os fãs foram convidados para colocarem um acessório apropriado e imergirem em um vídeo 3D, 360°, da banda tocando "Song For Someone".
Literalmente, parecia que estavam sentados em um banquinho no meio da O2 Arena enquanto a banda estava tocando ao redor. Se você olhasse diretamente para frente, The Edge estava dedilhando seu violão para os acordes de abertura. Se você se virasse para a esquerda, Bono estava cantando e se você girasse em torno deles, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. estavam tocando baixo e bateria.
Enquanto o vídeo era executado, você era apresentado à um conjunto de músicos tocando a canção em vários locais em todo o mundo. Novamente, parecia que você estava sentado com eles em suas casas e cabanas.
Isso poderia ser o futuro dos vídeos musicais.
O diretor e pioneiro em VR Chris Milk, que já trabalhou com Arcade Fire, Kanye West e Beck, gravou o vídeo com a sua equipe da VRSE.works em parceria com a Apple Music, simultaneamente em três continentes.
"The Edge foi quem originalmente estendeu a mão para mim nesta ideia", ele disse para a NME. "Depois que todos nós ficamos felizes com o conceito, minha equipe e eu começamos a prospecção pelo mundo, à procura de grandes e interessantes cantores. Eu estava procurando por pessoas nas extremidades opostas de questões sociais ou culturais, pessoas em lados diferentes da mesma parede. Eu queria o vídeo para ser uma unificação das pessoas, uma espécie de pela 'todos somos um'.
"Tivemos equipes de produção despachadas para diferentes locais distantes, e então foi viável para realmente chegarmos as montanhas de Israel e nas salas de estar da Índia enquanto estávamos filmando a banda também.
Ele continuou: "as experiências ao vivo do U2 estão sempre tentando tocar na mão do público, aproximar-se à base de fãs. Eu acho que eles viram a experiência em VR como mais um meio para alcançar esse desejo."

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

1,2,3,14: A matemática correta para uma banda de rock n roll


A canção "Vertigo" do U2, presente no disco 'How To Dismantle An Atomic Bomb' de 2004, abre com uma contagem: 'Uno, dos, tres, catorce.'
Bruce Springsteen no 'Rock and Roll Hall of Fame 2005' disse: "Se traduz como um, dois, três, quatorze, que é a matemática correta para uma banda de rock n roll. Na arte, no amor e no rock n roll, o todo tem uma equação bem melhor do que a soma das suas partes, ou então você está apenas esfregando dois gravetos juntos tentando fazer pegar fogo."
Basicamente, significa que no rock n roll não existe rima ou razão. Pular a contagem do 3 para 14, é apenas rock n roll. Não há nenhuma linha reta, nenhum padrão que te leva ao seu destino. As coisas são aleatórias, não existe A B C D ou 1 2 3 4 para isso.

Bono dormiu em show dos Rolling Stones em 1981


A primeira vez que o U2 fez um show no lendário Madison Square Garden foi em 1985, na turnê de 'The Unforgettable Fire', e é um lugar muito especial para Bono: "Fizemos um show pela primeira vez no Madison Square Garden, em New York, e sentimos que foi uma espécie de marco. Ouvíamos falar do Led Zeppelin e do The Who apresentando lá. Nos sentimos em casa pela primeira vez que nos apresentamos lá e continuamos nos sentindo. É o lugar mais caro para fazer show, mas não há mais nenhum lugar assim."
Já The Edge, se lembra de uma história de um cochilo de Bono no local, quando ainda eram espectadores: "A primeira apresentação no Garden foi algo especial. Todos os grandes nomes da música se apresentam lá, por isso, se nos apresentássemos lá e não fôssemos como a Barbra Streisand, o pessoal logo começaria: “Mas quem são vocês?” Por essa razão era bastante assustador, mas ao mesmo tempo uma sensação fantástica nos apresentar naquele que deve ter sido um dos grandes espetáculos de rock ‘n’roll, certamente em termos da sua história. Lembro de assistirmos os Rolling Stones lá em 1981, mas o som estava péssimo. Não sei se era por causa da localização dos nossos lugares, mas não dava para distinguir nada. Quase que desistimos de tocar lá. Tínhamos acabado de chegar de Dublin e estávamos sentindo a diferença do fuso horário, e o Bono dormiu no meio do show deles. Ele estava sentado ao meu lado e uns 20 minutos depois eles começaram a tocar "Jumpin Jack Flash". Dei uma cotovelada nele para acordar. Ele acordou ouviu cerca de 1 minuto a música. Depois olhou para mim e disse: “Já tocaram Jumpin Jack Flash”?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

"Ultraviolet (Light My Way)"


"Ultraviolet (Light My Way)" começou com duas demos diferentes que o U2 trabalhou nas sessões de 'Achtung Baby'. Uma foi chamada de "Ultraviolet" e outra de "69" (que evoluiu para se tornar o Lado B "Lady With The Spinning Head").
Uma terceira demo com um arranjo alternativo foi chamada de "Light My Way".

Ouça um dos registros demos em estúdio que acabou dando origem à "Ultraviolet (Light My Way)":



Ao longo das sessões de gravação, o U2 adicionou vários overdubs para a canção, mas produtor Brian Eno acreditava que estas adições estavam impactando negativamente a faixa. Brian ajudou o grupo na edição da música e despiu ela, e ele explicou a sua assistência: "Eu entrei e disse 'a música se foi, seja o que for que vocês gostaram nesta canção, não está mais lá'. A canção teria desaparecido sob camadas de overdubs."
Ostensivamente sobre o amor e dependência, a letra da canção também se presta a interpretações religiosas, com os ouvintes encontrando alusões ao Livro de Jó e escritores encontrando um significado espiritual em sua invocação do espectro de luz.

O momento com seu pai que Bono esperou toda a vida para acontecer


Bono estava ao lado da sua cama quando seu pai Bob Hewson faleceu às 04:00 em 21 de agosto de 2001, e horas antes naquela mesma noite, o vocalista estava no palco no Earls Court com o U2, abrindo seu coração para 17.000 estranhos. Foi um dos concertos mais intensos e emocionais do U2. "Se você fosse mentalmente sadio, não precisaria de milhares de pessoas por noite, dizendo que eles amam você apenas para você se sentir normal", reconheceu Bono. "É triste, de verdade."
"Tive um momento incrível com meu pai a primeira vez que ele foi para a América", recorda Bono. "Foi no Texas, e na passagem de som, combinei com o pessoal da iluminação para colocarem um holofote de luz sobre ele durante o bis. Eu disse: 'Este é o homem que me deu a minha voz. Este é Bob Hewson!' A luz acendeu-se, 20.000 Texanos se viraram para ele e ele se levantou e ele apenas levantou o punho para mim! Depois do show, ouvi uns passos atrás de mim e eu olhei em volta e era meu pai. Seus olhos lacrimejaram, e pensei: 'Então é agora. Aquele foi o momento que eu esperei toda a minha vida para acontecer. Meu pai ia me dizer que me amava. E ele caminhou até mim, ele esticou a mão, tremendo um pouco, um pouco instável, ele tinha bebido um pouco, olhou-me nos olhos e disse: 'Filho, você é muito profissional'."

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Enigma utilizou um sampler de "Ultraviolet (Light My Way)" do U2 em um de seus singles


"The Eyes Of Truth" é uma canção de 1994 da banda new age alemã Enigma. A canção faz parte do 2° álbum da banda, 'The Cross Of Changes', e acabou ficando muito popular em 1999 ao aparecer em um dos trailers do filme Matrix.
O vídeo para esta música foi gravado em áreas rurais do Nepal.
A canção traz um sampler em sua introdução, dos segundos iniciais de "Ultraviolet (Light My Way)" do U2.




1979: A Grande História Da Inocência - Parte 04


Próximos de Chas De Whalley na trilha do U2, estavam Tom Nolan da EMI e Charlie Eyre da A&M. Nolan voou para ver a banda tocar ao vivo em julho de 1979. Ele esteve no McGonagles e ficou impressionado o suficiente para estender sua estadia para um show no Gaiety Green no dia seguinte.
"O público era bem jovem, 13 a 18 anos, e Bono era muito confiante", recorda Nolan. "Ele desceu do palco e foi para junto da multidão como uma grande estrela do rock. Era um verdadeiro grupo com quatro pessoas, todos fazendo um trabalho específico, como os Beatles ou os Stones no início. Mas não era música rock e certamente não era punk, era outra coisa. Um tipo de atonal. Era um som estranho e misterioso, com um monte de eco da guitarra do Edge".
Nolan tinha raízes irlandesas e detectou algo Celta no som da banda. "Bono definitivamente tem essa coisa literária irlandesa, eu vi isso imediatamente. Conversei com ele por muito tempo após o show – nós caminhamos na Grafton Street falando sobre música. Eu pensei que ele era muito artístico de um jeito irlandês- ele tinha um interesse em arte genuína. Eu não acho que ele se via como uma estrela do rock."
Naquela noite, um inspirado Nolan esboçou um contrato de gravação rudimentar com Paul McGuinness durante uma longa noite em seu hotel em Dun Laoghaire. Infelizmente, no seu retorno para casa, seus chefes na EMI não estavam totalmente convencidos.
"Eu trabalhei este contrato com McGuinness, e pensei que seria um negócio adequado, porque eu os vi como uma banda séria em desenvolvimento", disse Nolan. "Então eu voltei para Londres e eu pensei que meu chefe Brian Shepherd, o chefe da A&R, diria 'Ok'. Porque ele sempre me disse iria chegar o momento, e isto era um ano de trabalho que eu estava envolvido, onde eles me dariam uma chance com uma banda. Mas ele nunca foi vê-los."
Em agosto, o U2 recebeu uma delegação inesperada da imprensa da música britânica. O escritor Dave McCullough da Northern Irish Sounds estava obcecado com a banda e convenceu seus editores que mereciam uma cobertura, mesmo sendo uma banda sem gravadora. Com a Sounds e McGuinness dividindo os custos, McCullough e o fotógrafo Paul Slattery seguiram para uma reunião em Dublin.
"Dave e eu saímos do avião no aeroporto de Dublin e fomos ao encontro da banda", diz Slattery. "Eles estavam em um carro velho, um Austin A40 de Adam, que tinha partes amarradas com pedaços de corda. Eu não estou brincando, eu pensei que este carro iria desmontar entre o aeroporto e o escritório de Paul McGuinness na cidade. Todos eles eram caras realmente agradáveis - realmente grandes caras engraçados. Bono estava sempre falando, ele era um cara com opiniões, e achei que foi maravilhoso."
A banda levou seus convidados até a Ringsend Power Station, no norte de Dublin, para uma sessão de fotos com muito frio e vento. Slattery usou apenas um rolo de filme. "Quantas fotos você precisava destes quatro caras?" ele pergunta em voz alta agora. "Além disso, era um mês de agosto muito frio."
Mais tarde, Bono disse à McCullough que tudo aquilo foi um teste para os visitantes. "Queríamos ver como vocês iriam reagir", disse Bono. 'Mas não se preocupem, vocês passaram no teste!"

Revista Uncut - Dezembro de 1999

domingo, 14 de fevereiro de 2016

"Numb"


A banda deu uma pausa no meio da turnê no início de 1993. Foi diferente desta vez. A ZooTV mostra que havia dado um novo estímulo ao conjunto criativo que eles queriam continuar surfando. Eles não se sentiam caindo. The Edge, em particular, precisava continuar. Seu casamento tinha acabado irrevogavelmente, e pela primeira vez ele sabia o que era acordar numa casa vazia em Dublin. Ele se dirigia para dentro do estúdio, onde começou um novo material demo.
Buscando nos cofres, ele se deparou com uma música chamada "Down All The Days" que era destinada ao 'Achtung Baby', mas não foi editada. Ele gostou da música de fundo, com seu loop retirado da passagem do filme de Leni Riefenstahl, 'Triumph Of The Will', onde um garoto de 11 anos, é mostrado tocando bateria/tambor nos Jogos Olímpicos de 1936. Havia um pesado, sujo, industrial sentimento de instrumentação, tornando-o um excelente candidato a um tipo de rap. Primeiro eles consideraram a possibilidade de Bono ler - ou fazer um rap – ‘In Cold Blood’, seu poema sobre o efeito desumanizador da cobertura midiática da violência e da guerra sobre ele.
“Um dia ele estava passando o tempo, e surgiu a ideia do estilo inexpressivo sobre ela”, Flood relembra. “Foi ótimo. Então havia apenas o processo de acabamento, com Bono fazendo o complemento depois, e Eno adicionando a arcada de sons no teclado. Foi uma das faixas mais fáceis de fazer”.
The Edge tornou-se mais envolvido na escrita das letras, agindo na época como um editor de Bono, sugerindo cortes. "Numb", no entanto era inteiramente sua, e provavelmente não seria injusto concluir que o refrão reflete sua fragilidade emocional no momento, com Bono adotando sua voz de fat lady para depor “I feel numb” em um falsete emotivo que contrasta estranhamente com a impessoalidade de The Edge no vocal principal. Mas também sugeria que ele estava no caminho da recuperação, pois, nada mais, "Numb" era um exercício de humor surreal, capturando a cansada estrela do rock congelado na imobilidade física e emocional pelas restrições auto-impostas da sua posição. “Too much is not enough”, Bono canta para quebrar a ladainha de que não inclui o verso de vocal principal, “gimme some more of that stuff...love.”.
“É uma música de galeria!”, Bono disse a Hot Press, “mas a base é uma espécie de energia escura que estamos tocando. Somos nós tentando entrar na cabeça de alguém. Assim que você ouvir uma torcida de futebol, uma série de ‘nãos’, alma kitsch cantando e Larry – que tinha vindo com a melodia no gancho – cantando pela primeira vez, nesse contexto. O que estamos tentando fazer é recriar a sensação de sobrecarga sensorial.”
O vídeo para "Numb", produzido por Kevin Godley, foi igualmente over-the-top, um absurdo jogo de escravidão com The Edge sendo subjugado por todo tipo de humilhações arbitrárias.
Mas a canção alcançou sua apoteose quando a banda tocou-a no Estádio Olímpico de Berlim, onde o filme de Riefenstahl tinha sido originalmente gravado. “Foi uma viagem”, Bono reflete. “Houve um alvoroço. Havia pessoas no show que poderiam ser – e provavelmente eram – os filhos e filhas das pessoas no filme. Mas nós queríamos salientar, antes que alguém fizesse, as semelhanças entre os shows de rock e comícios nazistas.

Agradecimento: ROSA - U2 MOFO

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Faixas que estão na trilha sonora de 'Million Dollar Hotel' foram trabalhadas pelo U2, mas não se tornaram músicas da banda


Bono, sobre a trilha sonora do filme 'O Hotel De Um Milhão De Dólares': "Eu não estava muitas vezes presente no cenário de 'Million Dollar Hotel', mas adorava fazer a trilha sonora do filme. Foi produzida pelo Hal Willner, que é um tesouro nacional americano e um amigo antigo do U2. É um arquivista e um ativista sonoro e preparou a MDH Band com talentos incríveis como Brad Mehldau, provavelmente o melhor pianista de jazz do mundo, Bill Frisel, o grande guitarrista vanguardista e John Hassell, um dos melhores trompetistas de jazz. Sinto sempre que só tenho uma perna quando não estou no estúdio com o U2 e me apoio sempre mais no Edge. Sem o Daniel Lanois, que eu convenci a escrever comigo, ia ter me metido num grande problema. E sem o Hal para pilotar a nave especial, acho que não teria embarcado nessa viagem."
A trilha sonora traz duas canções inéditas do U2, além da versão original e uma releitura de uma antiga canção, "The First Time".
The Edge e Adam Clayton conta como foi ceder canções do U2 para o filme, e revelam que há faixas na trilha que foram trabalhadas pela banda, mas que não se tornaram músicas.
Edge: "Algumas das nossas músicas extras acabaram por fazer parte do projeto, o que não era problema. Ninguém as entregou de má vontade ao Bono."
Adam: "Havia na trilha sonora algumas músicas do U2 e outras tantas que poderiam ter sido músicas do U2. Eram aqueles trabalhos atmosféricos, no meio-tempo que o U2 consegue criar com alguma facilidade. Conseguem ser até muito bonitas, mas são um tipo de música diferente dos discos de rock’n’roll que gostamos de fazer que conseguem conquistar a rádio e, talvez, mudar a nossa vida."

U2 leva prêmio no Pollstar Awards pela turnê iNNOCENCE + eXPERIENCE


Na 27° premiação anual do Pollstar Awards, que aconteceu em São Francisco para profissionais da indústria de shows, o U2 com a turnê iNNOCENCE + eXPERIENCE venceu na categoria Most Creative Stage Production (Produção de Palco Mais Criativa).


Do site: @U2

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Performance de "Mothers Of The Disappeared" fecharia o filme-concerto 'Rattle And Hum' do U2


O U2 estreou ao vivo "Mothers Of The Disappeared" em 14 de abril de 1987 em San Diego, Califórnia, na primeira perna da turnê Joshua Tree, onde ela fechou o concerto no lugar da canção "40", que vinha sendo há muito tempo a escolha da banda para finalizar um show.
A faixa de 'The Joshua Tree' foi tocada mais três vezes neste perna, duas vezes para abrir o encore e uma vez fechando o set principal. A canção então só voltou ao set sete meses mais tarde na terceira perna, tocada no encore em três dos quatro concertos finais da turnê.
As duas apresentações finais, em Tempe, Arizona, em 19 e 20 de dezembro de 1987, foram filmadas para o documentário de 1988, 'Rattle And Hum'.
O U2 cantou o refrão de "El Pueblo Vencerá", em espanhol, para finalizar a performance. Bono observou que as Madres usam a frase como motivação. Edge disse: "estamos tão perto de uma parte de língua espanhola do mundo, nós sentimos que talvez pessoas no concerto podem captar este poema lírico".
Bono acrescentou que fecharam cada concerto desde 1983, com a canção "40", e então eles estavam olhando para "Mothers Of The Disappeared" para esta substituição à partir deste ponto. Ele explicou: "se o povo do Arizona canta isso, e se isso vai para o filme ou para o disco, onde quer que vamos nos próximos anos, será retomado. Vai ser uma experiência muito interessante... ".
As filmagens foram consideradas para a seqüência de encerramento do filme, mas a banda eventualmente decidiu cortar ela.
"Pride (In The Name Of Love)" foi usada como a última música ao vivo, e "All I Want Is You" foi escolhida para tocar durante os créditos.

Abaixo, a performance cortada de "Mothers Of The Disappeared":

1979: A Grande História Da Inocência - Parte 03


Em maio de 1979, no fim de semana do feriado bancário, Chas De Whalley voou de volta para Dublin a tempo de pegar um dos shows da tarde do U2 para todas as idades, no estacionamento do mercado Gaiety Green. Agora faz parte do folclore da banda, mesmo que eles só tenham tocado meia dúzia de shows lá, que estes shows de baixo custo para adolescentes foram cruciais em ajudar o U2 à evitar as leis de licenciamento de Dublin.
"Fui na manhã de sábado", recorda De Whalley. "Eles fizeram um show na hora do almoço no Gaiety Green, que era o equivalente ao Camden Market, em Londres, e foi uma coisa fundamental tocar assim para um público mais jovem. E depois fomos para os estúdios Windmill Lane, acho que das seis da tarde à meia-noite e no mesmo horário no dia seguinte, para gravarmos três faixas. Eu nunca tinha produzido nada antes. Eu tinha participado de várias sessões de gravações e tentado construir coisas do zero no estúdio, mas ser um produtor? De maneira alguma."
O resultado das gravações de três faixas se tornaria o 'U2: Three', single de estreia da banda: "Out Of Control", "Stories For Boys" e "Boy/Girl". De Whalley lembra das sessões: "Tivemos um enorme problema em estabelecer uma faixa de bateria coerente para "Out Of Control" porque o tempo de Larry não era nada bom. Eles me diziam: 'ele tem aulas com o melhor baterista em Dublin, ele deve ser bom'... há uma parte da canção que ele não foi capaz de estabelecer oito compassos em tempo com o resto da pista, então a coisa toda se desfez. Assim, havia um grau de atrito no estúdio entre eu e o Larry. E não percebi isso no momento, mas Bono estava em pé no fundo à ponto de explodir por causa da minha atitude. Mas nós lutamos e finalmente chegamos em algo que funcionou parcialmente."
Edge tocando guitarra, porém, impressionou muito De Whalley. "A coisa grande, ampla, o eco, não estava lá naquele momento. Mas ele nunca tocou o acorde completo padrão que todos tocam. Desde o início ele estava fazendo acordes quebrados com cordas abertas, então essa parte de seu estilo estava lá desde o início."
Na noite de domingo, a equipe se reuniu novamente no Windmill Lane para a mixagem. "Estávamos tentando duramente, eu e o engenheiro Bill, fazê-los soar como o The Ruts, que estavam nas paradas na época fazendo registros pós-punk muito ritmicamente coerentes com um som de guitarra muito bem controlado. Isso é o que estávamos buscando. Mas o que eu não sabia era que o baixista, Adam, também opera em um sentido ligeiramente diferente do timing de praticamente qualquer outro músico. Assim, parte da confusão foi o fato de que Larry era ambicioso demais e Adam não tinha um senso de timing."
Só mais tarde, na madrugada, que Whalley viu que a confusão rítmica do U2 era realmente crucial para o seu som característico. Em uma entrevista com a banda 18 meses mais tarde na International Musician, Adam Clayton brincou com seu antigo produtor que "diferentes raças têm diferentes ritmos e a Irlanda sempre foi famosa por seu método de ritmo".
"Isso é parte do que os fez muito bem sucedidos e diferentes, porque em nenhum momento o U2 fez um registro estritamente ortodoxo", diz De Whalley. "Até os dias atuais, existem muito poucos de seus registros que soam como padrão AOR rock de estádio. Um dos motivos é este grau de incongruência entre os vários membros da banda."
As sessões do single foram decepcionantes para todos ao redor. "Eu me lembro de levar a fita master de volta para Londres, e mesmo quando eu entrei no avião eu estava pensando que a fita que eu tinha não era das melhores", lembra De Whalley. "A empresa não vai se empolgar com isso, eu sei que é ruim." A banda posteriormente remixou as três músicas para o lançamento. Elas foram tocadas no programa de rádio de Dave Fanning, que entrevistou os ouvintes a respeito de qual faixa deveria ser o Lado A. Foi algo inteligente, uma jogada populista, mas não conseguiu melhorar a estreia de vinil nitidamente abaixo do esperado.

Revista Uncut - Dezembro de 1999

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Após beber champanhe, Bono engasga e fica sem jeito ao cantar "Stand By Me" em 1987


U2 - Joshua Tree Tour Los Angeles, 18 de Novembro de 1987

Bono traz sua esposa Ali para o palco e toma champanhe com ela! Quando a banda inicia a performance de "Stand By Me", Bono acaba engasgando quando canta a linha "No I wont be afraid", e fica um pouco sem jeito, se abaixa rapidamente para se recompor e volta à cantar!

Por trás do lançamento nas rádios da canção "Discothèque" em 1996


No início de 1996, o mundo especulava sobre o novo álbum do U2.
Os rumores eram que a melhor banda de rock do mundo, estaria gravando um álbum hip hop, techno e trance. Afinal, eles tinham contratado nomes da cena dance como Nellee Hooper e Howie B. para trabalhar no álbum.
Em 26 de Outubro de 1996, 30 segundos de uma demo da nova música do U2, denominada de "Discothéque"; foi transmitida via Internet. Ela havia sido copiada de um EPK do disco 'POP'.
No dia 27 de Dezembro de 1996, após estrear em duas rádios, a MP3 completa da canção apareceu para download no fã-site Interference.

Um arquivo da Hot Press na época trouxe todos os detalhes:

O single "Discothèque" do U2 teve sua estréia oficial em todo o mundo, quando foi transmitido simultaneamente em duas das principais estações de rádio na América, KROQ Los Angeles e NY WXRK.
Sendo que é uma tecnologia moderna, a faixa quase que imediatamente encontrou seu caminho para a Internet com um site construído às pressas, Interference, que registrava 100 000 acessos em cinco dias.
Antes que a canção pudesse ser baixada, os visitantes eram apresentados à um aviso que dizia: "você assume completa responsabilidade para acessar este arquivo. Este arquivo é parte de uma coleção privada e não se destina a ser salvo em seu computador pessoal, ou qualquer outro dispositivo de armazenamento, uma vez que ele foi acessado. Este arquivo destina-se apenas à ouvir e deve ser usado estritamente para uso não-comercial, clicando neste download você concordou com estes termos e reconhece que este material é de oropriedade do U2 e Island/Polygram Records."
"Tenho certeza da que banda sabia exatamente o que estavam fazendo quando eles deram "Discothèque" para a transmissão da KROQ WXRK", observou um insider da indústria. "As pessoas que baixaram da internet ainda vão comprá-la quando ela sair em CD e aqueles que não estão online estarão dando um jeito de conseguir ela."
A canção via Interference demorava 35 minutos para ser baixada em uma velocidade de link 28.8

Susan Byrne foi quem tirou a foto da capa do single de "A Day Without Me" do U2


Uma matéria anterior no blog contou sobre quando o empresário Paul McGuinness do U2 processou e fechou um fanzine em Dublin em 1979, 'Heat', que o havia difamado. Um show beneficente organizado para o Heat foi realizado no National Ballroom em julho daquele ano, para cobrir os custos do processo.
Uma curiosidade: fotos deste show foram tiradas por Susan Byrne, que depois ficou conhecida por trabalhar na RTE da Irlanda. Susan Byrne foi a responsável pela fotografia da passarela na Estação Ferroviária Booterstown Dart no Sul de Dublin, que foi utilizada pelo U2 na capa do single de "A Day Without Me" em 1980.
Susan Byrne

A passarela de Booterstown Dart é muito similar à passarela através da Princess Road em Hulme, nos subúrbios ao sul do centro da cidade de Manchester, Reino Unido, que serviu para imagens icônicas do inglês Ian Curtis e o Joy Division, tiradas pelo fotógrafo Kevin Cummins em janeiro de 1979.
Isso causou muita confusão sobre o verdadeiro local da foto da capa do single do U2.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A história envolvendo o fanzine 'Heat' e Paul McGuinness


No verão de 1979, o empresário do U2 Paul McGuinness, acusou de difamação um fanzine de Dublin chamado 'Heat'. O Heat era muito bom, tinha uma forte estética e uma linha de partido que defendia ferozmente a banda punk original da Irlanda, Radiators From Space. Mas eles não eram nada mais que um fanzine.
"McGuinness é bom para U2" foi a manchete de uma das edições, com uma história que Paul se beneficiou de algum subterfúrgio para garantir que o U2 fosse a banda de abertura de um show de prestígio no Trinity, substituindo assim uma outra banda local rival do U2, o Modern Heirs.
McGuinness ameaçou processar o Heat, a menos que o artigo fosse retirado, mas um lote já tinha sido disponibilizado pela Easons. McGuinness posteriormente descobriu e processou a revista garantindo seu fechamento e seu lugar na história do folclore da música irlandesa, e um show beneficente organizado para o Heat foi realizado no National Ballroom em julho de 1979, para cobrir os custos. A banda foi chamada de The Defenders, com os ex-Horslips Charles O'Connor e Eamonn Carr, Gary Eglinton no baixo, Donal Broughan nos vocais com o icônico roadie Paul Verner, e Frankie Morgan do Sacre Bleu nos teclados, acompanhados no palco por convidados como Steve Rapid, do Radiators From Space, que viria a ter uma importância fundamental na carreira do U2.

1979: A Grande História Da Inocência - Parte 02


Em março de 1978, eles ganharam o Harp Lager Talent Contest, patrocinado pelo St Patrick’s Day em Limerick, saindo com £ 500 e uma chance de gravar para a CBS Irlanda. Dois meses depois, conseguiram um manager via recomendação mútua de Bill Graham. Paul McGuinness, educado em uma escola jesuíta e no Trinity College, era 10 anos mais velho que os integrantes do U2, com uma carreira construída em dirigir comerciais e gerenciando pequenos grupos de folk-rock. Os membros do The Lypton Village, que adoravam uma palhaçada, logo o batizaram de "The Goose (O Ganso)".
Com McGuinness a bordo, o U2 fez tantos inimigos como amigos em torno da Grafton Street. Bill Graham relata que muitos acreditavam que a banda agora tinha um cara sério por trás deles, com poder financeiro, e visto por alguns como "mimado, falso, de classe média". O manager processou e fechou um fanzine local, Heat, que o havia difamado.
Enquanto isso, nos shows da banda crescem as perturbações pelas gangues católicas organizadas, que viam o U2 como pregadores protestantes falastrões. Na verdade, eles cresceram com ambas as tradições religiosas e todos, exceto Adam, faziam parte do Shalom, grupo de oração e estudos bíblicos, que causaria conflitos internos na banda nos anos seguintes.
O católico praticante Bill Graham mais tarde especulou que Bono, Edge e Larry usaram sua fé mais como "um escudo precoce contra as corrupções potenciais da estrada, servindo para intensificar a sua vontade em seus anos de campanha fora da Irlanda".
O U2 inicialmente rejeitou o acordo com a CBS Irlanda, vendo-o como um desvio do verdadeiro prêmio: um contrato adequado com um selo de Londres. Mas McGuinness manteve ligações com os chefes da CBS irlandesa, David Duke e Jackie Hayden, eventualmente levando sua oferta de um tempo no estúdio para gravar uma fita demo.
Entra Chas De Whalley da CBS, o primeiro caçador de talentos de Londres a ter um sério interesse no U2. Estimulado pela conexão com a CBS Irlanda e as demos enviadas a ele por Paul McGuinness, De Whalley convenceu seu chefe, diretor assistente de A & R Graham Nicky, que a banda valia uma viagem especulativa para Dublin, na primavera de 1979.
"Ele mandou eu e outro cara do departamento de A & R, Howard Thompson, para ver um show", recorda De Whalley. "Chegamos no início de maio para uma coisa chamada Strawberry Time, ou então foi McGuinness que nos disse, que todas as empresas pouco chiques tem uma pequena festa em uma tarde de sexta-feira ou algo assim."
McGuinness levou seus convidados para ver o U2 no McGonagles, um pequeno pub local com um palco proscênio ornamentado. Agora a banda tinha um nome mais quente sobre o circuito de Dublin, mas De Whalley não estava totalmente impressionado.
"Eles eram uma banda de post-punk muito mediana. Eles não eram particularmente bons – um monte de som e fúria, não significando uma grande quantidade. Exceto que o vocalista era absolutamente hipnotizante, mesmo assim. Ele também foi extremamente energético e estava correndo ao redor do palco, e que mais tarde iria desenvolver em escalada para os amplificadores e balançando nas estruturas. Que é uma das razões pelas quais que eles realmente ficaram marcados nos EUA, porque ele usou o palco possivelmente mais do que qualquer outro artista que eles tinham visto desde Iggy, e nunca confiaram plenamente em Iggy em tudo até recentemente."
De Whalley não sabia na época, mas tanto Bono quanto Gavin Friday, tinham tido lições informais na técnica teatral com atores experientes de Dublin, Mannix Flynn e Kearney Conal. A sinceridade e espontaneidade que se tornou marca registrada no início da carreira do cantor foram fundamentados no estudo da dramaturgia.
"Eu lembro de pensar na época que ele me lembrou Ian McKellen, que eu tinha visto na Universidade, em uma produção da tragédia Jacobina, 'Tis Pity She’s A Whore'", diz De Whalley. "McKellen tinha este vocabulário inteiro de movimentos de palco, e Bono tinha todos eles! Ele tinha uma presença de palco ágil e hipnotizante, e lembro de dizer para minha colega que eu pensei que estava indo ver o sensacional Alex Harvey, ou ele seria tipo um David Bowie."
Nessa fase embrionária, porém, o U2 tinha uma simples e clara relação com uma sólida base de fãs de Dublin. "Eles não permitiam menores de 18 anos nos clubs" recorda De Whalley, "Então não enchiam de pessoas quanto McGuinness queria. A multidão se envolvia e a banda era alta e impetuosa, mas não eram tão bons."
Mesmo assim, De Whalley ainda sentia que U2 tinha potencial para assinar com a CBS.
"Depois do show eu estava suficientemente impressionado, e quando voltei para Londres, eu fui para ver Muff Winwood, que era chefe de A & R na CBS. Eu disse: 'o vocalista é ótimo, a banda não é realmente especial, mas eles significam muito lá fora. Sempre estamos realizando diversas sessões demos em nossos estúdios em Londres, antes de tomarmos qualquer decisão sobre se estamos interessados ou não, então por que não fazer uma demo com eles na Irlanda mesmo, onde Paul McGuinness diz que ele consegue algumas horas em um estúdio muito bom, e assinamos com eles para a Irlanda?' E Muff disse que sim, com a ressalva de que se for um desastre completo, podemos lançá-los na Irlanda e conseguir nosso dinheiro de volta."

Revista Uncut - Dezembro de 1999

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Kevin Seifert fala sobre a marcante apresentação do U2 no Superbowl de 2002


Super Bowl é um jogo do campeonato da NFL (National Football League), a principal liga de futebol americano dos Estados Unidos, que decide o campeão da temporada. Disputada desde 1967, a partir da junção das duas principais ligas do desporto no país (NFC e AFC), é o maior evento desportivo e a maior audiência televisiva do país, assistido anualmente por milhões de pessoas nos Estados Unidos e em todo o mundo. É também um evento que apresenta a publicidade mais cara da televisão; patrocinadores desembolsam pequenas fortunas para exibirem suas propagandas no intervalo. O Super Bowl também é o dia que tem o segundo maior consumo de comida nos Estados Unidos, só atrás do Dia de Ação de Graças.
O Super Bowl é o evento esportivo mais assistido dos Estados Unidos, e este ano chegou à sua 50° edição. Tradicionalmente antes do início da partida sempre algum artista dos Estados Unidos canta o Hino Nacional. Também entre o segundo e terceiro quartos há um show com algum outro artista.

O site Star Tribune trouxe uma matéria com Kevin Seifert, que cobre os jogos também para a ESPN, contando sobre um momento marcante para ele nas edições que ele trabalhou:

"Eu cobri sete Super Bowls, visitando algumas das melhores cidades do país para um dos maiores eventos esportivos do mundo. E se eu tenho algum arrependimento, é que eu gasto muito tempo fazendo o meu trabalho e não faço quase nenhum esforço para aproveitar e experimentar o mundo ao meu redor.
Houve uma ocasião, no entanto, quando eu não tive escolha.
Em 3 de fevereiro de 2002, em Nova Orleans, eu estava sentado ao lado do colega Kent Youngblood no espaço de imprensa no Superdome. O New England Patriots ganhava do St Louis Rams por 14-3 no intervalo, e comecei a escrever sobre a partida.
Não prestei nenhuma atenção que a banda do intervalo estava pronta e havia começado a tocar. Não sabia que o show estava acontecendo, na verdade, até que eu ouvi o Youngblood batendo no ritmo, na mesa de imprensa. Olhei para cima, e lá estava o U2 cantando "Beautiful Day".
Eu estava prestes a voltar a escrever quando uma bandeira começou a surgir por trás da banda. Eu li: "11 de Setembro de 2001", e conforme o U2 continuava com seu set, os nomes de cada pessoa morta nos ataques de 11/09 eram projetados sobre ela.
Foi o mais simples, mas mais comovente memorial às vítimas que eu já tinha visto. Por seis minutos, nome após nome apareceu no banner. A maneira como os nomes continuavam fluindo na bandeira naquela noite me tirou o fôlego. Impôs uma verdadeira sensação de perda da forma que um simples número não conseguia.
A oportunidade de assistir o show do intervalo pessoalmente, continua a ser um dos momentos mais evocativos que experimentei. Foi um lembrete que o Super Bowl é muito mais do que um jogo, e foi uma lição de vida verdadeira: de vez em quando, olhe para cima."

1979: A Grande História Da Inocência - Parte 01


É Dezembro de 1979, o último mês chuvoso da década de 70, e um obscuro quarteto pós punk da Irlanda realizou seus primeiros shows britânicos para meia dúzia de pessoas, em grande parte plateias indiferentes nos clubs de Londres.
Eles são chamados de U2, embora tenham sido anunciados como "V2" no Hope & Anchor em Islington, onde eles conseguiram atrair uma audiência impressionante no total de nove pessoas.
Abrindo para lendas como The Dolly Mixtures e Secret Affair, estes adolescentes inexperientes de Dublin foram vistos por poucos e apreciados por um número ainda menor.
Concebida como o último grande empurrão do U2 por um contrato de gravação no Reino Unido, essa mini-turnê de Dezembro tem sido amaldiçoada desde o início. Um acordo com uma editora, firmado por seu empresário, Paul McGuinness, para subsidiar a viagem, caiu no último minuto, e a banda foi obrigada a recorrer para familiares e amigos para levantarem os fundos.
Enquanto isso, o guitarrista Dave "Edge" Evans foi ferido num pequeno acidente de carro na véspera das datas em Londres, deixando-o com uma mão enfaixada, tocando com dor.
Após o show, os aspirantes pós-punk de Dublin tem uma briga furiosa com o cara da mesa de som, sobre suas crenças cristãs, a primeira de muitos conflitos entre fé celestial e tentação terrena.
Finalmente, um dia antes de retornarem para a Irlanda e com nenhum contrato à vista, o U2 sem dinheiro algum, grava um single nos estúdios da CBS em Whitfield Street como um último suspiro de um acordo à curto prazo com a parte Irlandesa da empresa, que já está morta na água. Como um último prego no caixão, a voz de Paul "Bono" Hewson está rouca e destruída desde os shows ao vivo.
No dia seguinte, com a van deles em direção do terminal Fishguard em West Wales, a banda que tinha deixado Dublin como heróis com uma conquista, vão para casa com nada.

A Irlanda da juventude do U2 foi, em termos de rock, um atrasado Terceiro Mundo. Com poucas alternativas profissionais ou estúdios de ensaio, sem imprensa e sem rádios de música pop na maior parte dos anos 70, uma nação mundialmente famosa por sua alma musical teve pouco acesso às novidades musicais.
A cena minúscula de rock de Dublin tinha dado ao mundo Thin Lizzy e The Boomtown Rats, ambos os quais se mudaram para Londres para fazer suas grandes descobertas. Algumas bandas como The Radiators pareciam que poderiam mudar isso, mas nunca fizeram. Em um país com menos da metade da população da grande Londres, não havia um impulso local suficiente, que pudesse parecer possível quebrar esta barreira.
Mas no verão de 1977, as regras do jogo mudaram de repente com a chegada simultânea do primeiro artigo de punk rock da Irlanda, Hot Press, e o lançamento com longo atraso da estação de rádio pop RTE 2. Com fome de heróis em seu próprio quintal, jornalistas como Bill Graham e o nacionalmente respeitado DJ Dave Fanning vasculharam Dublin por bandas jovens subitamente libertadas pela amadorismo intencional do punk.
Em outras palavras, o recém-formado U2 tinha tudo a seu favor. Adolescentes sem raízes de influências multiculturais. Eles aproveitaram a energia do punk para forjar uma reescrita mais positiva, espiritualmente inclinada, do rock. Bill Graham observou mais tarde: "Se o punk britânico gritou 'Sem futuro', a juventude irlandesa teve mais um motivo para gritar 'Sem passado'."
No final de 1977, eles eram estudantes na Mount Temple School, tocando covers do Moody Blues nos pubs, para um público indiferente. Primeiro eles foram chamados de Feedback, então The Hype. E, de todos os lados, eles eram ruins.
Mas eles persistiram e evoluíram. Primeiro eles perderam Dick Evans, o guitarrista adicional e irmão mais velho de Dave Evans. O cantor Paul Hewson rebatizou si mesmo de "Bono Vox", um nome cunhado por seu companheiro na gangue Lypton Village, Gavin Friday. Mesmo assim, Bono era naturalmente um palhaço e frontman, que alegadamente gostava de mostrar sua bunda para a população de Dublin.
Foi Bono que rebatizou Evans de "The Edge", outro apelido de aldeia roubado de uma loja de ferragens. O baixista Adam Clayton, nominal empresário da banda e o baterista Larry Mullen Jr mantiveram seus nomes naturais. Mas o grupo trocou seu nome para U2, algo mais agitado.
Mais importante ainda, reforçaram sua música. Eles trocaram as covers de Moody Blues por canções do Wire e Television, os queridinhos da cena pós-punk, bem como cruas e toscas composições originais em uma veia similar.

Revista Uncut - Dezembro de 1999

Blog U2 Sombras e Árvores Altas

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