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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

1979: A Grande História Da Inocência - Parte 01


É Dezembro de 1979, o último mês chuvoso da década de 70, e um obscuro quarteto pós punk da Irlanda realizou seus primeiros shows britânicos para meia dúzia de pessoas, em grande parte plateias indiferentes nos clubs de Londres.
Eles são chamados de U2, embora tenham sido anunciados como "V2" no Hope & Anchor em Islington, onde eles conseguiram atrair uma audiência impressionante no total de nove pessoas.
Abrindo para lendas como The Dolly Mixtures e Secret Affair, estes adolescentes inexperientes de Dublin foram vistos por poucos e apreciados por um número ainda menor.
Concebida como o último grande empurrão do U2 por um contrato de gravação no Reino Unido, essa mini-turnê de Dezembro tem sido amaldiçoada desde o início. Um acordo com uma editora, firmado por seu empresário, Paul McGuinness, para subsidiar a viagem, caiu no último minuto, e a banda foi obrigada a recorrer para familiares e amigos para levantarem os fundos.
Enquanto isso, o guitarrista Dave "Edge" Evans foi ferido num pequeno acidente de carro na véspera das datas em Londres, deixando-o com uma mão enfaixada, tocando com dor.
Após o show, os aspirantes pós-punk de Dublin tem uma briga furiosa com o cara da mesa de som, sobre suas crenças cristãs, a primeira de muitos conflitos entre fé celestial e tentação terrena.
Finalmente, um dia antes de retornarem para a Irlanda e com nenhum contrato à vista, o U2 sem dinheiro algum, grava um single nos estúdios da CBS em Whitfield Street como um último suspiro de um acordo à curto prazo com a parte Irlandesa da empresa, que já está morta na água. Como um último prego no caixão, a voz de Paul "Bono" Hewson está rouca e destruída desde os shows ao vivo.
No dia seguinte, com a van deles em direção do terminal Fishguard em West Wales, a banda que tinha deixado Dublin como heróis com uma conquista, vão para casa com nada.

A Irlanda da juventude do U2 foi, em termos de rock, um atrasado Terceiro Mundo. Com poucas alternativas profissionais ou estúdios de ensaio, sem imprensa e sem rádios de música pop na maior parte dos anos 70, uma nação mundialmente famosa por sua alma musical teve pouco acesso às novidades musicais.
A cena minúscula de rock de Dublin tinha dado ao mundo Thin Lizzy e The Boomtown Rats, ambos os quais se mudaram para Londres para fazer suas grandes descobertas. Algumas bandas como The Radiators pareciam que poderiam mudar isso, mas nunca fizeram. Em um país com menos da metade da população da grande Londres, não havia um impulso local suficiente, que pudesse parecer possível quebrar esta barreira.
Mas no verão de 1977, as regras do jogo mudaram de repente com a chegada simultânea do primeiro artigo de punk rock da Irlanda, Hot Press, e o lançamento com longo atraso da estação de rádio pop RTE 2. Com fome de heróis em seu próprio quintal, jornalistas como Bill Graham e o nacionalmente respeitado DJ Dave Fanning vasculharam Dublin por bandas jovens subitamente libertadas pela amadorismo intencional do punk.
Em outras palavras, o recém-formado U2 tinha tudo a seu favor. Adolescentes sem raízes de influências multiculturais. Eles aproveitaram a energia do punk para forjar uma reescrita mais positiva, espiritualmente inclinada, do rock. Bill Graham observou mais tarde: "Se o punk britânico gritou 'Sem futuro', a juventude irlandesa teve mais um motivo para gritar 'Sem passado'."
No final de 1977, eles eram estudantes na Mount Temple School, tocando covers do Moody Blues nos pubs, para um público indiferente. Primeiro eles foram chamados de Feedback, então The Hype. E, de todos os lados, eles eram ruins.
Mas eles persistiram e evoluíram. Primeiro eles perderam Dick Evans, o guitarrista adicional e irmão mais velho de Dave Evans. O cantor Paul Hewson rebatizou si mesmo de "Bono Vox", um nome cunhado por seu companheiro na gangue Lypton Village, Gavin Friday. Mesmo assim, Bono era naturalmente um palhaço e frontman, que alegadamente gostava de mostrar sua bunda para a população de Dublin.
Foi Bono que rebatizou Evans de "The Edge", outro apelido de aldeia roubado de uma loja de ferragens. O baixista Adam Clayton, nominal empresário da banda e o baterista Larry Mullen Jr mantiveram seus nomes naturais. Mas o grupo trocou seu nome para U2, algo mais agitado.
Mais importante ainda, reforçaram sua música. Eles trocaram as covers de Moody Blues por canções do Wire e Television, os queridinhos da cena pós-punk, bem como cruas e toscas composições originais em uma veia similar.

Revista Uncut - Dezembro de 1999
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