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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Dossiê "One" - Parte 1


Às vezes pode parecer como se estivesse cavando um buraco. Outro dia, outra sessão de gravações. Nada parece estar dando certo. Você se debate por cerca de seis horas, e no final você sabe que a inspiração se foi em um feriado prolongado. Mas agora você está dentro do processo, não há opção se não a de continuar. E assim você fica meio no ar um pouco mais.
E de repente: BANG!
O U2 estava em Berlim há três meses e eles tinham entregado duas canções. Isso era ruim. E uma delas aconteceu completamente por acidente. Eles estavam no auge do trabalho com "Mysterious Ways" e procurando por um meio oitavo. The Edge veio com duas alternativas.
Bono ouviu uma delas e pensou “pesada canção nova”! Ele improvisou uma melodia sobre os acordes e soou bem.
“The Edge pôs o outro meio oitavo no final e se tornou uma canção. A melodia, a estrutura, a coisa toda foi feita em 15 minutos”, Bono relembra.
Naturalmente, a banda estava animada. Aquele era um dos felizes acidentes, aqueles momentos quando aparece um congestionamento de ideias e de quebra uma música vem. Fitas do trabalho em curso estavam sendo entregues para Brian Eno, que mandava de volta com comentários e respostas; no devido tempo ele recebeu essa primeira, inspirado projeto de "One". Na próxima vez que ele apareceu no estúdio Hansa, ele estava em clima de festa.
“Brian chegou e disse que tinha gostado de todo o material que nós tínhamos”, Bono relembra. “Nós estávamos surpresos porque todo mundo estava assustado com isso. Então ele disse: ‘Há apenas uma canção que eu desprezo, e é "One"."
Bono ri. “Ele sentiu que precisava de séria desconstrução. E lá fomos nós em cima disso. E é por isso que funciona. Porque você pode tocar uma guitarra acústica agora e funcionar, mas se você tiver ouvido a guitarra acústica primeiro, não terá tido o mesmo sentimento”.
Flood relembra bem a sessão. Era uma daquelas ocasiões especiais. “Foi muito, muito rápido”, ele diz. “Bono cantou 90% da melodia e havia um monte de idéias líricas em sua cabeça. Só veio junto. Houve um momento é nós o agarramos”.
É extraordinário pensar o quão perto "One" teve de não acontecer. Dada a forma aleatória e caótica, muitas vezes em que o U2 opera em estúdio, há sempre uma sentimento de que as músicas são escritas por acidente, mas esse era particularmente um caso extremo. E ainda surge como uma de suas melhores criações, uma balada de grande profundidade e beleza que abre para múltiplas interpretações.
“Acho que foi vagamente baseado na posição em que eu estava em relação a minha última namorada e minha esposa”, reflete Guggi, o velho amigo de Bono do Lypton Village, oferecendo uma interpretação. “Trata-se de tudo o que acontece com o colapso de um relacionamento e o início de um outro. Eu estava com minha última namorada, Linda, por 14 anos. E então eu tinha um pequeno estúdio no City Arts Centre. Eu estava trabalhando lá e então eu ouvi que essa pintora alemã estava vindo morar aqui por seis meses, para trabalhar, e acabou por ser Sybil. Foi como eu a conheci. Nós começamos a pintar juntos. E eu estava muito perto, fisicamente perto, para Bono, na época, porque ele estava por perto, estávamos passando muito tempo juntos. E eu acho que muito disso foi capturado na música”.

AGRADECIMENTO: ROSA - U2 MOFO
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