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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

1979: A Grande História Da Inocência - Parte 07


No início de 1980, o U2 encontrou a salvação de uma fonte improvável. A Island Records de Chris Blackwell era uma gravadora indie independente com uma reputação mundial, em grande parte graças a seu sucesso com Bob Marley. Com uma reputação em botar fé a longo prazo em bandas do campo de esquerda, a Island tinha muito poucas bandas britânicas no início dos anos 80. Em um movimento politicamente astuto, Paul McGuinness tinha começado a perseguir um acordo de publicação para o U2 com a empresa Blue Mountain Music do próprio Blackwell, apostando que poderia conseguir um contrato de gravação completo.
Rob Partridge, que fazia parte da assessoria de imprensa da Island, conhecera McGuinness durante uma noite em Dublin com Bill Graham em 1977. A noite foi puramente social e ele não pensou em nada mais sobre isso até dois anos mais tarde, quando McGuinness começou a telefonar para ele, e enviar fitas demo. Em pouco tempo, Partridge e seu parceiro assessor da Island, Neil Storey, estavam atraídos pelo U2.
"Eu achei eles soavam extraordinariamente promissores e com frescor", diz Partridge. "A coisa mais impressionante para mim era o guitarrista, que soava como se eu estivesse ouvindo Tom Verlaine. Essa foi a coisa que me vendeu o grupo. Então eu bati na porta da A&R e da editora – evangelizando sobre isso naquele momento. Lembro-me de tocar a demo para o cabeça de uma grande editora que rejeitou porque não parecia ser o 'The Boomtown Rats', que eram provavelmente o número um na época com "I Don’t Like Mondays"."
Mas Partridge conseguiu encontrar dois companheiros U2 no departamento da A&R, que se converteram ao U2 – Annie Roseberry e seu chefe, Nick Stewart. Acompanhados de dois executivos de publicação da Island, Roseberry testemunhou um turbulento show na Queen’s University em Belfast em Janeiro.
"Eles tinham feito seus shows em Londres, mas todo mundo tinha deixado passar", recorda Roseberry. "Então tínhamos a impressão que eles tinham voltado para a Irlanda muito deprimidos. Acho que as outras gravadoras tinham deixado passar porque eles não tinham necessariamente ouvido os singles de sucesso, e Paul McGuinness estava pedindo um acordo muito pesado para uma banda que não tinha os necessários hit singles em seu set naquela fase."
Em Belfast, o moralismo espontâneo de Bono irritou um público já mergulhado na retórica política e religião do Norte. Um desordeiro gritou "pare com essa porra de pregação e toquem". Annie Roseberry ficou impressionada com a reação indiferente do cantor.
"Ele provavelmente só ignorava as coisas por completo, ou se juntava à elas. Ele sempre tinha uma arrogância, uma audácia que era muito atraente. Não acho que ele realmente tenha sido um símbolo sexual, mas há aquela presença, um magnetismo. Ele tem a habilidade para desenhar você em suas músicas. Fizeram um grande show. Eles tocavam juntos por muito tempo, mas não eram grandes músicos em nenhum momento de sua imaginação. O timing era terrível, mas isso não importava. Eles só tinham algo único. Bono já era uma estrela. Ele estava correndo e escalando a pilha de alto-falantes, mesmo assim, como se ele estivesse tocando em um estádio. Não havia absolutamente nenhuma dúvida que ele tinha algo especial. Eles tinham a energia do punk, mas com uma abordagem mais melódica, e acho que bandas irlandesas e escocesas ainda tem isso agora. Travis é um bom exemplo disso."

Revista Uncut - Dezembro de 1999
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