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quarta-feira, 12 de abril de 2017

A história de Bill Carter e U2 - 3° Parte


Bill Carter - fotógrafo, cineasta, jornalista, escritor, professor. Bill se tornou amigo – amigo íntimo – de Bono e do U2, em 1993, quando ele conseguiu ficar nos bastidores no show do U2 na Itália e convencer a banda a espalhar a palavra sobre as atrocidades da Guerra da Bósnia, que estava sendo largamente ignorada pela imprensa europeia e americana. Bill, que nasceu na Califórnia, era trabalhador voluntário na ajuda em Sarajevo. Depois de alguns dias de um monte de ideias colocadas na cabeça da banda e uma festa muito luxuosa com a presença de top models e estrelas de rock, o U2 concordou em fazer uma série de transmissões via satélite de Sarajevo para centenas de milhares de membros da plateia que assistiam a perna europeia da inovadora turnê Zoo TV. Os links ao vivo frequentemente abafavam o zum zum zum do concerto, mas eles também tinham a palavra ao mundo sobre o que estava acontecendo na Europa Oriental.
Carter relatou sua experiência em Sarajevo em um aclamado documentário chamado 'Miss Sarajevo', e também um livro chamado 'Fools Rush In: A True Story of Love, War and Redemption'.
Carter, como a maioria dos saravejos, sentiu que o mundo estava ignorando a situação da cidade. (Como The Edge disse em uma entrevista de rádio em agosto de 1993, naquela época, Sarajevo não estava na primeira página de qualquer jornal internacional. Estava sempre tipo na página 7, e você realmente tinha que procurar por ela). Carter procurou uma maneira de chamar a atenção do mundo.
Enquanto trabalhava em um dia de verão em 1993 em uma filmagem para a estação de televisão de Sarajevo, um raro dia com eletricidade, viu o U2 na TV sendo entrevistado, falando sobre sua nova turnê futurista.
A resposta de um dos membros da banda, Carter escreve no 'Fools Rush In', foi algo como, uma grande quantidade do que está por trás desta turnê é a ideia de abordar a ideia de uma Europa unida. De qual Europa eles estavam falando? A Europa estava ignorando a Bósnia.
A turnê do U2 chegaria às proximidades, em Verona, Itália, em poucas semanas. Então Carter pegou emprestado algum papel timbrado do Presidente da TV Sarajevo e enviou um fax a banda com um pedido de entrevista, como se ele realmente trabalhasse para a rede. Ele não esperava nada, mas semanas depois uma resposta ao fax chegou. Bono adoraria conversar com ele antes do show.
Carter escapou de Sarajevo em um avião de carga para Verona, onde ele sentou-se com Bono durante 20 minutos. As filmagens de bastidores da entrevista está incluída no DVD do seu filme 'Miss Sarajevo'. "Parece que não aprendem com a história", diz Carter. "Isso é o tema de muitas de nossas músicas", diz Bono.
Horas depois, Carter foi numa vila com a banda, ensinando-lhes as complexidades do conflito sérvio-bósnio e o custo humano que estava sendo exigido. Com vários dias antes do próximo show do U2, Bono estava pronta para pular no carro com Carter e ir até Sarajevo, ver por si mesmo, em talvez fazer um concerto improvisado. Carter o dissuadiu de qualquer coisa que pudesse juntar um grande número de pessoas em Sarajevo, pois seria um alvo fácil para as baterias de mísseis sérvios.
Mas a banda queria fazer alguma coisa, e foi estabelecida uma relação que resultou em uma ideia.
"Acho que funcionou, porque eu não pedi nada para mim", disse Carter. "Eu disse: 'Bono, não quero dinheiro. Isso não vai resolver merda nenhuma. Temos que chegar a consciência dos povos. É nossa única esperança'. Isso atraiu o U2. Então eu fiquei como: 'a maior banda do mundo quer vir a Sarajevo, o que eu faço'? E se nós pudéssemos levar Sarajevo até eles em vez disso? E se pudéssemos telefonar para seus concertos via satélite e apenas dizer às pessoas o que estava acontecendo?"
Em 17 de julho de 1993, foi o que aconteceu. Em uma experiência repleta de desafios técnicos (a eletricidade de Sarajevo não era confiável), logística (para Carter chegar à estação de TV em Sarajevo significava passar em um beco de franco-atiradores), Carter e dois amigos ficaram na frente de uma câmera em Sarajevo e apareceram em um telão gigante do U2 no concerto em Bolonha.
Eles falaram sobre os refugiados sob ataque, a necessidade de água e comida, e Carter contou uma história sobre um amigo atingido por uma granada. Em 10 concertos durante o próximo mês, o último no Estádio de Wembley de Londres para 100.000 pessoas, eles fizeram a mesma coisa, transmitindo as notícias de Sarajevo, no meio de um show do U2.
"Artisticamente, foi estranho", The Edge confessou mais tarde. "Sabíamos que era um risco no sentido de colocar algo tão potente e tão chocante no meio de um show de rock and roll, que é basicamente, sobre ter um tempo agradável e ver uma banda tocar algumas músicas, e aquilo poderia afundar o show completamente. Em algumas noites, quase aconteceu. Mas o que nós também, suponho, pretendíamos alcançar com isso era talvez gerar um pouco mais de cobertura da mídia do que estava acontecendo lá. E, claro, agora os eventos que nos envolveram e Sarajevo estão na primeira página novamente."
Após a guerra, o U2 chegou a Sarajevo, finalmente, para um concerto em 1997 com a presença de membros das várias facções que estavam atirando uns nos outros, alguns anos antes. Bono chamou o concerto de "um dos mais difíceis e uma das noites mais doce da minha vida". Carter acha que foi o concerto mais importante já tocaram, junto com o de Belfast.
Toda a experiência foi sem dúvida importante para Carter. Se não tivesse acontecido, se ele não tivesse ficado na frente de Bono, teria sido ruim. "Aquele verão de 93 foi o pior. A guerra, o calor e não havia água. Eu estava vendo as pessoas morrerem. Teria acabado mal para mim."
Bono não só produziu o documentário de Carter, como ele escreveu também uma música, "Miss Sarajevo", gravada com o famoso tenor Luciano Pavarotti que o U2 tocou na turnê 360° utilizando imagens do filme de Carters, que ele finalizou utilizando os estúdios do U2 em Dublin.
"Eu não tenho certeza o por que eles escolheram a música para aquela turnê", disse Carter. "Eles escolhem músicas extremamente com cuidado. É uma canção única em seu repertório. Não parece com qualquer outra coisa que eles fizeram. Mas também há alguma ressonância novamente. Com as imagens, as pessoas estão fazendo perguntas novamente. O que é isso? O que aconteceu na Bósnia? Se perguntarem, eles obtém respostas e eles aprendem, e talvez ajudem de alguma maneira estranha para que algo assim nunca aconteça de novo."
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