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terça-feira, 23 de junho de 2015

Experiência: A Entrevista de Bono no Chicago Tribune - Parte 1


Bono, em um restaurante francês em Quebec, concedeu uma entrevista ao Chicago Tribune, após o último de quatro shows do U2 no Bell Centre.

Ele fala sobre sua recuperação do acidente de bicicleta, sobre a narrativa pessoal da primeira parte do novo show apresentado, sobre a composição e o sentimento das novas canções, sobre como quase ele eliminou "Iris (Hold Me Close)" do disco, sobre a conversa do Bono mais jovem, com o mais velho.

Ele confessou que não estava se sentindo muito ágil. Tinha tido apenas algumas horas de sono e disse: "acordei esta manhã como se alguém tivesse usado um maçarico em minha garganta."
Sobre o acidente de bicicleta no Central Park de Nova York, do qual ele ainda se recupera, ele disse: "A recuperação da sensibilidade do braço, dedos, é de um milímetro por semana, e não sei quantos meses vai demorar isto". E ainda revela: "Posso precisar de mais uma cirurgia para finalmente poder palhetar" uma guitarra.
Mas ele continua sendo uma figura com energia, dentro e fora do palco.

A primeira metade do show é muito obscura. Houve alguma discussão dentro da banda que isso poderia não funcionar em um show de arena?

Sim, houve. Mas as pessoas (os fãs) nos permite ter esse nível de intensidade. O que eu fiquei surpreso, pois eles parecem ser capazes de seguirem uma narrativa que é tão pessoal e específica, lado norte de Dublin, um país imergido em uma guerra. Minhas tragédias são pequenas em comparação com tantas outras. The Edge me questionou sobre as letras – ajudou-me a escrevê-las. Ele disse: 'Nós não fazemos nostalgia'. 'Não fazemos sentimentalismo'. Mas nos permitimos fazer melancolia. Isso seria a Irlanda. É na chuva (risos). Pensei que se eu pudesse ser realmente sincero sobre uma situação que me trouxe para aqui e agora, de que nos trouxe, a banda, aqui e agora, através da minha visão, talvez outras pessoas poderiam se relacionarem. O primeiro amor, a primeira briga, a primeira tragédia — o álbum é sobre as primeiras experiências. Talvez as pessoas poderão se relacionar. Edge ainda diz: 'Ehh'. 'É arrogante pensar que as pessoas podem se relacionar'. É uma ideia extremamente arrogante desde o começo pensar que qualquer sentimento que você tem é importante ou relevante para qualquer outra pessoa. Então devemos eliminar todos os romances já escritos, cada poema? Isso é como nós fazemos isso, escrevendo e fazendo doer. Algo como "Iris", que eu mesmo me arrependi de última hora. Alguns dias antes do álbum ser lançado eu tentei tirar a canção do disco. Estamos fazendo esta homenagem a todas essas bandas punk que amávamos, e aqui está esta canção sobre a falta de minha mãe. Punk rock não é? Em pânico eu disse: 'Vamos tirar isso.' Ela morreu quando eu tinha 14 anos, era setembro, 40 anos atrás. Mas não me lembrava que dia. Perguntei ao meu irmão, ele não se lembrava. Mandei uma mensagem ao meu tio Jack e ele me fez perceber que o dia que eu estava tentando retirar a canção do álbum, foi o mesmo dia há 40 anos que ela caiu junto ao túmulo do seu pai. Ela teve ali um aneurisma e eu nunca mais a vi ou fui capaz de falar com ela novamente. Esse tipo de coincidência cósmica me deu o incentivo para confiar nos meus instintos. Você tem que ser corajoso o suficiente para ser emocionalmente direto. Isso é o que aprendi com John Lennon.

Há um monte de material novo no show e não existe nenhum hit no álbum. Havia preocupações que poderia não se conectar?

Nós saímos da primeira noite (14 de Maio em Vancouver) sem saber. Que acabou por ser uma experiência de êxtase. Na 'Zoo TV' (a turnê de 1992-93 que também enfatizou o novo material) as pessoas estavam envolvidas, mas esta foi mais direta. Meu amigo Gavin Friday, que cresceu na Cedarwood Road comigo, disse que você tem que explicar a narrativa. Explicar às pessoas como você se ergue no divisor: 'Venha comigo para a Cedarwood Road'. Como, realmente, uma brincadeira de criança?' Ele disse: 'Explique o que está acontecendo nas canções, e isso vai engrandecer.' Funcionou.

No show, seu eu mais novo tem uma conversa com a estrela de rock Bono e te desafia. Ele está te acusando de perder de vista o que você acreditava, como se ele estivesse de pé no lugar de alguns de seus fãs. O que é isso?

Eventualmente, através de tentativa e erro, você aprende que o compromisso não é um palavra suja. Digo ao meu eu mais novo: 'eu tento dizer a um jovem que ideias merecem um plano, eu tento fazer um mundo melhor para cada mulher e homem... Sinto-me como uma fraude, mas sei que não sou, eu tento fazer o melhor com tudo o que tenho, que não é muito, exceto que não seja pego com as calças na mão e minhas mãos para cima.' Eu gosto de pensar que eu ganho o argumento (risos). O meu eu mais novo ainda está balançando a cabeça. Não é 'nós e eles' mais, agora é só sobre 'nós'.

Quando você se refere a recentes tiroteios em violência racial, você diz: 'Eu não consigo respirar' e 'Eu tenho as minhas mãos para cima' – você parece estar falando da América, questionando seus valores. O que você quer chegando nisso?

É o meu eu mais jovem protestando contra a América militarista. Ele sai de "Bullet The Blue Sky", que era originalmente sobre os EUA se intrometendo na América Central. A descoberta para mim há vários anos foi que a América não era um país, mas uma ideia. Era para ser concluída. Historicamente é francês, que eu amei falar nos shows em Montreal. Não finalizou, ainda está sendo moldada, e eu sinto ser parte disso, e quero ser parte dela. Todos nós temos uma participação na América, sendo o que ela se estabeleceu a ser.
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