"Song For Someone" 360 Version

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terça-feira, 16 de maio de 2017

Um olhar através da 'The Joshua Tree Tour 2017' - Parte II


Tour Review: 'The Joshua Tree Tour 2017' - Por Sherry Lawrence, do site @U2 (www.atu2.com)

"Running To Stand Still" é um forte contraste da explosão de "Bullet The Blue Sky". A performance foi suave e pareceu um abraço de compaixão de alguém que entendia. A qualidade quase sussurrada dos vocais evoca um sentimento de graça oferecida para aqueles que ainda sofrem pelo vício.
Terminou ali o Lado A das canções de 'The Joshua Tree'. A multidão estava quase muda, com aplausos educados. Parecia que todos estavam esperando todas as canções do disco serem apresentadas ao vivo, para então poderem aplaudir calorosamente. Foi surreal.
"Red Hill Mining Town" não ia fazer o público levantar de seus assentos, e a Salvation Army Brass Band no telão acompanhando a canção, não era o que se esperava de imagens.

Se esperava imagens das famílias afetadas pelas greves dos mineiros, com cenas atuais em toda a América de fábricas fechadas e minas de carvão sendo fechadas, longas filas de desemprego. Também, o timing do vídeo parecia fora de sincronia com a performance do U2. Boa parte do público pode ter se perdido.
As próximas duas músicas foram um pouco mais divertidas. "In God's Country" teve uma divertida melodia onde a Joshua Tree era a estrela. A resolução na tela aparece quase 3-D, e as cores que iluminam a árvore vão mudando. O espírito comunal fluiu através da música, como se fosse o U2 de volta ao deserto para tocar a canção ao lado da árvore solitária, como muitos que fizeram a peregrinação até o deserto para encontrarem o local exato onde ficava a árvore original da arte do álbum.
"Trip Through Your Wires" trouxe algumas imagens familiares para a tela.

Primeiro foi o retorno do velho abrigo fechado em preto e branco de "Bullet The Blue Sky". Agora, no entanto, o abrigo é colorido, sendo consertado e repintado por uma mulher no lado direito da tela, enquanto que do lado esquerdo (lado do Edge no palco), encontramos a esposa do guitarrista, Morleigh, girando um laço, vestida com a parte de cima do biquíni com uma bandeira americana, jeans rasgados e um chapéu de cowboy, cobrindo parte do rosto dela. Isso foi um aceno para os shows da ZooTV Outside Broadcast, onde ela aparecia projetada na tela atrás de Edge, enquanto fazia sua dança do ventre no Palco B, também com a barriga de fora e parte do rosto coberto. O laço simboliza o arame que faz o viajante cansado tropeçar ("Eu estava com sede, e você molhou meus lábios").
Também pode servir como uma prévia para o foco na mulher no bis do show, já que no vídeo uma mulher está consertando o abrigo danificado.

A maioria sabe que "One Tree Hill" é uma homenagem de Bono para seu amigo Greg Carroll. Quando a canção começa, aparece uma lua vermelha, que desaparece para uma imagem de um membro de uma tribo de índios nativos americano. Carroll foi um membro da tribo Maori na sua nativa Nova Zelândia. O filme capta muito bem a essência da música. A canção era geralmente reservada para ser apresentada ao vivo quando a banda viajava para a Nova Zelândia. Esta é outra faixa com simbolismo que pode ter sido perdido para muitos na plateia.

Por alguns motivos, "One Tree Hill" é concluída com uma pausa brusca. Primeiro, há uma mudança definitiva no conteúdo desta faixa para "Exit". Em segundo lugar, Bono tem que entrar no personagem. Para aqueles que procuraram o discurso retórico em "Bullet The Blue Sky", irão encontrar aqui em porções. Há no início um vídeo montado com voice-overs, de uma série de TV da década de 50 chamado 'Trackdown', trazendo um charlatão chamado Walter Trump. Ironicamente, o nome do episódio é 'End Of The World'. Isto dá tempo para Bono se caracterizar no seu mais novo personagem: um negociante de óleo de cobra transformado em um showman Televangelista (que faz uso da televisão para transmitir a fé cristã para muitas pessoas). Nesta encarnação, Bono tira seus óculos e veste seu chapéu Stetson. Ele é tudo o que há de errado com o que está acontecendo neste período sócio-político. Ele está tentando vender sua ideia usando um monte de mentiras, encorajando você a colocar sua mão na tela em fidelidade. Pessoas que acreditaram que estavam livres após "Bullet The Blue Sky" pensando que Bono não iria por esse caminho, foram surpreendidas com certeza. Este novo tratamento de "Exit" redefine a canção e oferece à Bono a capacidade de fazer a declaração, que alguns fãs estavam esperando que ele faria. Foi a performance da noite!
Depois de "Exit", "Mothers Of The Disappeared" traz um sentimento de dois lados da mesma moeda tendo em conta as questões de deportação na América no momento. "Mothers Of The Disappeared" também foi destaque em uma parte do Tour Book. Mais uma vez, a resolução da tela trouxe em sua totalidade as mulheres segurando velas por trás da banda, como se estivessem fisicamente lá. A vela de cada mulher representava a vida de seu filho, e quando a música foi terminando, as velas saíam uma a uma. Cada vela que se apagava, se desligava um canal de som na mesa de mixagem. A canção terminou quando a última vela foi apagada. Essa música assustadoramente pode ser redefinida na América de 2017, onde agentes da ICE (Agência de Imigração e Aduanas) tem separado famílias para deportação. Como "One Tree Hill", é raramente tocada e geralmente reservada para shows na América do Sul.

A conclusão de "Mothers Of The Disappeared" recebeu muitos aplausos, enquanto a banda se preparava para o bis. Infelizmente, funcionários do BC Place em Vancouver ligaram o telão interno do local com promoções do estádio, fazendo com que as pessoas achassem que o show tinha terminado. As pessoas começaram a pegar suas coisas e se movimentarem para irem embora. Algumas pessoas na pista começaram a fazer seu caminho para as saídas. Não havia nada no telão do U2 para servir como uma transição de uma seção do show para outro.
O encore foi para longe da paisagem da América, para uma visão mais global do mundo.

Logo, uma bola espelhada desceu do teto, para entregar um visual bem Technicolor para "Beautiful Day", o que foi estímulo para a "congregação". Pessoas finalmente se levantaram de seus assentos para dançar e participar na canção. Cabeças flutuantes dos integrantes foram digitalizadas e cantaram na tela, um retrocesso para a festa dance de "I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight" na turnê 360°.

A festa continuou com "Elevation", com Bono estimulando o progresso que tem sido feito e o que ele deve fazer para nos elevar. Mais uma vez, o tratamento de vídeo para "Elevation" remete à turnê de 2001, com todos os quatro membros apresentados em quatro imagens separadas.

Completando a trindade de músicas up-tempo teve "Ultraviolet (Light My Way)", redefinida como uma celebração das mulheres que tiveram um impacto significativo no mundo: Sojourner Truth, Malala Yousafzai, Angela Merkel, Ellen DeGeneres, os membros do Pussy Riot, Rosa Parks, Alice Walker, Maya Angelou, Emily Wilding Davidson e muitas outras. Assim como na PopMart, o rosto de cada pessoa tinha uma cor vibrante para dar a cada uma, uma individualidade. A luz ultravioleta não pode ser vista pelo olho humano, mas é fundamental para a própria vida. A redefinição de "Ultraviolet (Light My Way)" faz uma afirmação poderosa sobre os direitos das mulheres, seu papel na história e continua a iniciativa da campanha "Poverty Is Sexist".

Não surpreendentemente, "One" vêm na sequência no setlist. Bono queria o Canadá para enviar uma mensagem para os Estados Unidos, tentando levar as pessoas no estádio para cantar "o poder do povo é maior do que o povo no poder". Isso é do livro 'Revolution 2.0: The Power Of People Is Greater Than The People In Power' de Wael Ghonim, um executivo do Google creditado por desencadear a Primavera Árabe em seu país, o Egito. Em sua palestra TED 2011, ele entra em detalhes sobre sua influência sobre a Primavera Árabe. No TED 2015, ele falou sobre fazer o bem com meios de comunicação sociais, em vez de usá-lo para selfies e trolagem de pessoas. A esperança é que esta parte do show seja bem recebida na América. Muitos que vão para um show do U2 podem ter participado de uma marcha de protesto nos últimos meses, com outros sentindo que eles têm de tomar o país de volta. "O poder do povo é maior do que o povo no poder" terá um impacto com certeza.
Com corações e mentes preparadas com uma mensagem de justiça social, conhecemos uma garota de 15 anos de idade chamada Omaima Thaer Hoshan, uma menina da Síria que vive no Campo de Refugiados de Zaatari, na Jordânia. Ela se apresenta, e compartilha seus sonhos e visão para seu futuro. Testemunhamos, então, as condições de vida no Campo de Refugiados de Zaatari, bem como a devastação em toda a Síria. Este é o pano de fundo para "Miss Sarajevo", uma canção sobre a Guerra da Bósnia de 1992-1996. A enormidade do telão não pôde conter a enormidade da devastação e desespero. Durante a canção, um banner gigante com o rosto da garota começa a se mover entre as pessoas das cadeiras do estádio. Um holofote de luz acompanha o banner enquanto ele passa pelas pessoas. Mais uma vez, o U2 quebra a quarta parede através deste exemplo tangível de segurá-la e apoiá-la. Ela moveu algo em você, agora você a move. É um momento emocionalmente poderoso no final do show. O banner não está em todos os lugares do estádio, e nem todo mundo podia ver o banner em movimento. Tomara que eles expandam isto conforme for aumentando os tamanhos dos estádios.
Terminar com "Miss Sarajevo" seria muito emocional, então o U2 forneceu um tratamento especial como a canção de encerramento para o show: uma nova música que estará em 'Songs Of Experience', chamada "The Little Things That Give You Away". Uma vez que você cava mais fundo em seu significado, é fim digno para um show sobre interconectividade e ser parte de algo maior do que você. A letra diz:

Eu te vi na escada
Você não percebeu que eu estava lá
Isso é porque você estava ocupada falando comigo
Não para mim
Você estava muito acima da tempestade
Um furacão nascendo
Mas essa liberdade, poderia lhe custar sua liberdade

É profundamente pessoal. Pode representar a virada na carreira do U2 que 'The Joshua Tree' criou, onde o estrelato teve um preço alto para todos os envolvidos. Vindo da inocência de 1987 para a experiência de 2017, "The Little Things That Give You Away" é o portal que conecta as três décadas, mas também serve como uma conexão entre a turnê iNNOCENCE + eXPERIENCE 2015 e o seu potencial reinicio no futuro quando 'Songs Of Experience' for lançado.
Como com qualquer projeto do U2, há muitas camadas para serem descobertas e esta turnê não é exceção. As pessoas vão tirar do concerto o que desejam, e U2 criou algo digno do público da banda. De poesia rolando da tela durante a transição entre atos cronológicos, para nostálgicos momentos escondidos na produção, o desejo de ser UM com o público e todas as coisas no meio, é um show digno do termo "especial". Não é um típico concerto, porque cada canção é sua própria história. A trindade do fluxo do show (as primeiras cinco canções entre o público, as canções do álbum, o encore) começa no nível pessoal, constrói-se ao nível da comunidade imediata e depois se expande para uma visão global. É inteligente dessa forma. Este é um show profundo que vai fazer você pensar, com certeza. A jornada pessoal que isso vai levá-lo, pode surpreendê-lo, e muito como as árvores Joshua, irá lembrá-lo de quão importante você é no ecossistema. Estamos todos interligados, e esta turnê irá ajudá-lo a "sonhar novos sonhos esta noite."
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