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quinta-feira, 11 de maio de 2017

A história não contada da gravação em Los Angeles do videoclipe de "Where The Streets Have No Name" - Parte 1


Algo maravilhoso acontece nas ruas do centro de Vancouver (ou então irritante, dependendo de onde você está em relação ao U2). Pessoas têm caminhado no lado de fora do Estádio BC Place, sentados nas encostas ou varandas do condomínio acima, ouvindo a banda ensaiar antes da estreia de sua turnê mundial, marcando o 30º aniversário de 'The Joshua Tree'. Baseado no som que sai para fora do estádio, parece que os fãs ouvirão todas as faixas do álbum seminal de 1987 da banda, bem como outros sucessos dos primeiros anos, incluindo "New Year's Day" e "Sunday Bloody Sunday".
Trinta anos atrás em Los Angeles, o diretor de videoclipes Meiert Avis também teve uma visão de levar os fãs do U2 para as ruas. As ruas tinham nomes – 7º e Principal – se não a maior reputação, naquela época. O centro de Los Angeles, era considerado um pouco barra pesada. Para o vídeo de "Where The Streets Have No Name", Avis queria o U2 tocando em um telhado do prédio, em uma homenagem à última apresentação pública dos Beatles. A manobra era também para anunciar a chegada do U2 ao seu grande, grande momento. U2, uma banda que Avis tinha trabalhado desde o início – já eram estrelas de rock, mas com o lançamento de 'The Joshua Tree', eles estavam à beira de ser tornarem gigantes.
A intenção "era perturbar, a verdade seja dita. Era só algo rock' n'roll", Avis conta de Los Angeles, onde ele vive agora. "Foi o álbum que iria colocá-los aos olhos do público, então [estávamos] usando um cenário de flash-mob (aglomerações instantâneas de pessoas em certo lugar para realizar determinada ação inusitada previamente combinada) para criar um evento de mídia espontâneo que não poderia deixar de ser notado."
O vídeo tornou-se um ponto alto de um andar em um ano em que a banda estava alcançando vários outros andares altos.
"Definitivamente foi um dos eventos que fez a banda estourar, apenas a partir de um ponto de vista da mídia. De qualquer forma, era inevitável, dada as pessoas por trás da banda e os esforços da gravadora atrás da banda – e a música", diz Avis.
O vídeo começa com trechos de DJs de rádio, informando a seus ouvintes que o U2 estaria fazendo uma filmagem naquela tarde, na 7 e Principal, no centro de Los Angeles – uma dica e um aviso.
"[Os proprietários da estação de rádio] foram muito específicos sobre nós mencionarmos que não era a parte mais segura da cidade para se ir, e então nós não éramos responsáveis por nada que acontecesse", diz a radialista Rita Wilde, cuja voz você ouve nos primeiros segundos do videoclipe.
(No vídeo original antes da reedição estendida, Rita explica que a única voz ali era a dela) "Eles realmente queriam enfatizar esse fato."


Com algumas brincadeiras no ar de Wilde, e em seguida, o co-apresentador do programa da manhã para a 95,5 KLOS – e outros DJs, vemos imagens da banda e a equipe de filmagem para a apresentação no topo de um prédio de um andar, uma loja de bebidas (agora um restaurante mexicano chamado Margarita’s Place).


Equipes anteriormente tinham reforçado o telhado, no caso de fãs de alguma forma conseguirem subir na estrutura.
"Havia todos os tipos de questões de segurança e questões logísticas e questões jurídicas que não nos incomodavam porque éramos muito ingênuos e de fora da cidade", diz Avis, que, como a banda, é da Irlanda. "Você precisa de uma dose de estupidez e ignorância para fazer esse tipo de coisa... mas eu fui abençoado para fazer isso naquele momento. Não tenho certeza de que muitas pessoas que estavam ao redor tinham a mesma ingenuidade destemida."
Avis é um veterano diretor de vídeos musicais, que foi pioneiro na forma de arte e triunfou com ela, com artistas como Bruce Springsteen e Bob Dylan. Ele se refere à gravações de vídeos musicais de "uma forma muito, muito estressante de cinema", porque muito é da cabeça do diretor e muito é imprevisível. E num caso como "Where The Streets Have No Name", se não funcionasse da primeira vez, você não poderia retornar para uma re-gravação.
"Então você só tem uma desagradável sensação de medo em seu estômago. É meio excitante e emocionante, mas a outra metade faz você querer vomitar."
O entendimento, enquanto tudo foi acontecendo, foi de que o vídeo iria ser parado pelas autoridades, que foi o produziu a narrativa para o vídeo. Há imagens da polícia avisando a equipe de produção sobre o potencial de perigo em meio a imagens da multidão chegando.
"Foi um caos, mas foi tudo muito cuidadosamente planejado", Avis diz. "Mas ainda assim foi caótico."
"Foi uma loucura", diz Wilde, que foi para lá depois do turno dela, onde pelo menos mais 1.000 pessoas apareceram. "Havia muita energia. Você sabia que era algo especial."
Ronny Bensimon, que trabalha na loja de móveis Dearden's do outro lado da rua, deixou seu posto para assistir da calçada.
"Eu estava torcendo para que o telhado não cedesse; é um edifício bastante frágil, eles estavam lá em cima", diz Bensimon, que então passou para vice-presidente da loja e agora é o CEO.
Ele viu pessoas subirem em árvores e escadas de incêndio em seu próprio prédio, ou correrem para a rua, bloquearem o trânsito – e agitarem!
"Nós estávamos preocupados pois temos janelas de vidro em todos os lugares e estávamos torcendo para que ninguém atravessasse uma destas janelas."
Ninguém o fez. Pode ter sido um dia ruim para a venda de mobiliário doméstico, mas Bensimon diz que não houve problemas. "Foi uma multidão bem comportada", ele diz. "Barulhentos, mas bem comportados."

Do site: The Globe And Mail
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