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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Franco Bruni: A Entrevista


Bono e Larry Mullen terão que indenizar um produtor brasileiro em R$ 5 milhões (o valor original é de R$ 1,5 milhão, mas deve ser corrigido pelo tempo do processo). O empresário catarinense Franco Bruni alega ter sido difamado pelos músicos em uma entrevista concedida ao O GLOBO há 16 anos, após a turnê 'PopMart', que passou pelo país em 1998. Na época, os dois disseram que Bruni não havia pago a banda pelos shows.
Dias depois da entrevista, os músicos se retrataram e admitiram ter recebido os cachês, mas disseram ter havido inadimplência no recolhimento de direitos autorais. Bruni comprovou que pagou o valor do contrato, de US$ 8 milhões, antecipadamente.
Bruni entrou com um processo contra os integrantes da banda em 2003, e a ação pareceu que teria um desfecho em 2011, quando Larry Mullen assumiu a culpa sozinho pelo incidente. Mas Bruni acabou saindo vitorioso no processo por danos morais e materiais perante a Justiça brasileira.

Franco Bruni na época foi o pivô das confusões envolvendo o show do U2. Vilão para quem ficou horas preso no engarrafamento do show do Rio, caloteiro para quem não recebeu o pagamento por serviços prestados ou por impostos. Bruni se achou um injustiçado. Em uma entrevista para a Folha De São Paulo em março de 1998, ele disse que não tinha culpa do engarrafamento e que honraria suas dívidas.

Folha - Qual o saldo do evento?

Franco Bruni - Positivo. Colocamos 300 mil pessoas assistindo três shows. Só eu que fiquei tantos anos atrás disso sei o trabalho que deu.

Folha - Qual a imagem que o sr. acha que deixou para as pessoas?

Bruni - Várias. No Rio, fiquei como o culpado pelo caos. As pessoas do poder público que argumentam que souberam do show na última hora são mal informadas. A gente não teve nem Polícia Militar, criando o maior engarrafamento que o Rio já viu. Não tenho nenhuma responsabilidade sobre isso. Seria muita pretensão.

Folha - E sobre confusões pós-shows? A C&A diz que pessoas ligadas ao sr. pegaram 20 mil ingressos e não devolveram.

Bruni - Ai, ai... A C&A foi notificada para prestar contas. Ela tinha o compromisso de repassar o saldo dos ingressos nos dias seguintes aos shows. O que não fez. Depois, fez uma prestação de contas que eu contestei. Na prestação que ela julga definitiva apareceram mais US$ 300 mil. Isso em 48 horas. Eu contestei também. Em reunião com meus advogados, afirmaram que perderam o controle da venda dos ingressos.

Folha - Quem vai pagar o Ecad?

Bruni - A responsabilidade é minha, mas a dívida está pautada pelo acerto de contas com a C&A. Minha posição é delicada, tenho mais de R$ 1 milhão para receber.

Folha - Quem vai pagar o ISS?

Bruni - Todas as responsabilidades são minhas. Eu não sou o promotor?

Folha - Quanto falta?

Bruni - Não tenho a mínima ideia. Só sei que com o que tenho para receber eu pago e ainda sobra.

Folha - O sr. imagina ter quanto a receber? R$ 1 milhão?

Bruni - Até R$ 2 milhões.

Folha - Vários documentos e recibos relacionados a vinda do U2 foram assinados pelo Instituto Franco Bruni. Só que ele não tem CGC.

Bruni - Não concordo com o que querem pintar. Existem alegações, até do próprio Ecad, que a gente teria criado o instituto para fazer o show e depois fechá-lo (em conversa posterior, Bruni diz que o CGC está sendo providenciado).

Folha - A maior parte dos contratos e recibos foi assinada pela FB Promoções, Produções e Marketing. A Folha foi informada que ela deve cinco anos de Imposto de Renda e está com o CGC vencido.

Bruni - Ela não deve nada de IR e, ao que me consta, não tem o CGC vencido.

Folha - O contrato feito com a banda tinha quatro subcontratos. No Brasil, só chegaram dois. Os lucros da TNA e os custos de produção não vieram. Qual a explicação?

Bruni - Como não apareceram? Recolhemos aproximadamente R$ 1,4 milhão em IR e pagamos quase R$ 400 mil para sindicatos. Não vou entrar em detalhes sobre quantos contratos existem. Eu tenho cópias dos contratos.

Folha - Seu irmão, Lívio Bruni Júnior, foi preso na Itália em uma operação anti-Máfia e cumpre pena no Rio por homicídio, tráfico de drogas e formação de quadrilha. Incomoda as ilações que as pessoas possam fazer por conta disso?

Bruni - Existe muito folclore nessa ligação com a Máfia.
Se houver qualquer tipo de envolvimento com meu nome, em relação a esse show, ligado a boatos de Máfia e lavagem de dinheiro, vou tomar providências sérias.

Folha - E o que o sr. teria a dizer sobre as ameaças de morte feitas ao produtor do show do U2 em São Paulo (César Castanho)?

Bruni - Eu agora sou o maior vilão do país... Essas ameaças estão pautadas em boatos?

Folha - Estão pautadas em boletim de ocorrência e fitas gravadas.

Bruni - Desconheço. Isso não chegou a mim. Isso tudo é uma grande palhaçada. Daí dizerem que estou fazendo ameaças...

Folha - Eu não disse que o sr. fez ameaças. Perguntei se o sr. sabia.

Bruni - Não sou homem de ameaças. Meus antecedentes provam. Quem teria feito ameaças? Em meu nome? (pausa) A informação que tenho é que eu teria feito ameaças.

Folha - Então soube da ameaça.

Bruni - Essa informação eu tenho. Você liga para ele e pergunta se eu fiz.

Folha - O sr. se arrepende do U2?

Bruni - De jeito nenhum. Eu lutei para fazer uma coisa bonita. Acho que fiz. Quem trabalhou do meu lado sabe quem sou eu. Estão me pegando para Cristo. O tempo vai mostrar que não estou errado.
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