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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A crítica mais dura à Bono e ao U2 - Parte 1

Do livro 'U2 At The End Of The World', de Bill Flanagan:

“Vou fazer uma crítica severa a respeito dos shows em Londres, em particular, e da direção da Zoo TV e do U2 em geral”, diz Bob Hewson.
"Houve um incidente no show de Londres, onde uma menina subiu no palco", o Sr. Hewson diz com firmeza. "Paul se deita" (ele chama Bono de Paul). "Ela ficou em cima dele e houve uma simulação de sexo. Isso foi, creio eu, completamente desnecessário, desnecessário e objetável. Além do que na mesma ocasião, ele disse foda-se algumas vezes. Dizer foda-se uma vez ainda vai, mas quando você continua usando a palavra repedidas vezes não só não é permitido, mas perde seu impacto".
Sentado na sala de estar na casa do Sr. Hewson em Howth, Irlanda, Flanagan se sente como se estivesse de volta na faculdade, tentando convencer os pais de um dos seus amigos de que não o castigue.
"Você sabe, Sr. Hewson", Flanagan disse, "Bono mencionou que a menina da platéia subiu em cima dele durante "Babyface". Ele estava tão chocado quanto você!"
"Sim, bem" (Bob olha para ele com os olhos apertados) "a primeira vez foi algo inesperado, mas a segunda vez não foi".
Bill Flanagan lhe pergunta sobre sua reação ao espetáculo todo da Zoo TV.
"Você se refere a essa turnê em particular? Devo admitir que eu particularmente não gosto dessa coisa de óculos de sol e charutos. Na verdade eu o tenho várias vezes repreendido por apresentar uma imagem ruim. As crianças o imitam, e agora toda vez que eu o vejo tem um charuto na boca. Ele afirma que é uma imagem. Jura que não inala! Parei de fumar há vinte anos e nem Norman nem Paul fumaram até agora. Eu não concordo com nada disso. Sei que meu ponto de vista é estreito e nós somos de diferentes gerações, e eu sei que as pessoas no palco tem que adotar certas personas. Talvez seja necessário. Pessoalmente, eu não acredito que seja assim.
"No que diz respeito a "coisa Zooropa', eu acho que eles perderam..." Sr. Hewson hesita e depois explica por que ele está sendo tão contundente: "Quando ele pede minha opinião sobre alguma coisa, sempre lhe digo a verdade. Acho que eles têm suficientes pessoas complacentes em torno deles, alguém deveria dizer-lhes a verdade". (Bono disse uma vez de seu pai: "Ele acha que eu tenho muitas pessoas complacentes, porque ele é o não-condescendente".)
O Sr. Hewson dá a sua opinião do U2 pós-Zoo: "Eu acho que a coisa ficou fora de controle. Alguém estava dizendo: "O que vamos fazer para a próxima turnê? Não tem como ficar maior'. Minha opinião é que eles deveriam voltar a ser quatro rapazes com suas guitarras e esquecer todas essas coisas. Acho que algo se perdeu na transição do formato original que eles tinham. Talvez essas coisas são necessárias, até certo ponto, mas..." Ele ri e seu rosto se suaviza. "Eu só sou - para usar uma expressão irlandesa – um linguarudo, eu não sei do que eu estou falando".
"Bem, Sr. Hewson", sugere Bill, "eles sentem que a fama do U2 se tornou tão grande e com tanta falta de privacidade que a única maneira de manter qualquer semelhança com a vida privada é por construir um pouco dessa fachada".
"Bem, não me importo tanto com isso", diz Bob. "Isso é compreensível. Você não pode ser uma figura pública o tempo todo. Mas eles começaram desde lá debaixo e se converteram em uma exitosa, boa e uma banda de vida limpa que ainda está vigente. Nos Estados Unidos foi particularmente assim. Alguém em um dos jornais americanos escreveu: 'A maioria das bandas de rock & roll começam com bebidas e drogas e depois acabam se dando conta de como isso é prejudicial. O U2 tem feito o caminho inverso!’ Não estou de acordo com isso, eu não concordo com esta imagem de decadência em que eles entraram. Deus, vou me meter em problemas por dizer isso".
"Mas não existe muita decadência real", Bill protesta. "É mais como ‘Se eu vou ser uma estrela do rock, deixe-me realmente desempenhar o papel de uma estrela de rock’. Mas levando em consideração seu ponto de vista, um garoto de 14 anos pode não fazer essa distinção".
"E mudando dessa forma eles se tornaram como qualquer outra velha banda de rock & roll", Bobby diz com firmeza. "Posso estar errado nisso, mas acho que uma das razões de seu sucesso nos Estados Unidos, além de sua música, é que eles apresentaram uma nova imagem, uma imagem limpa, temente a Deus, cristã. Agora, eu não estou dizendo que podem ser assim o tempo todo, mas ao mesmo tempo eu acho que - Deus, vou levar um tiro por essas opiniões - a decisão deliberada de alterar essa imagem, isso eu não concordo". Ele sorri e levanta as mãos. "Provavelmente nunca vou ser convidado para um show de rock outra vez".
"Eu acho que uma versão desse mesmo argumento ocorreu dentro da banda", diz Flanagan, "antes de eles tomarem esta nova direção".
"Sim". Bobby concorda. "Eu não sei quem foi o responsável. Eu tenho a idéia de que foi meu caro jovem, como sempre. Isso não me surpreende em relação a ele".
"Acho que Bono e Edge estiveram pressionando a banda para mudar", diz Bill. "Larry pode ter dito..."
"'Por quê?' Um homem tão sólido, Larry. Um homem muito sólido. Lembro-me de falar com Larry no saguão de um hotel em Paris. Havia uma multidão lá fora. Paul estava comigo e não podia fugir. Eu disse a Larry: ‘Você não é o homem bonito agora!' Ele disse: 'Por quê?' Eu disse: ‘Você nunca tem de dar entrevistas!’ ‘Escute, amigo’, ele me disse, 'Eu fiz uma entrevista para a banda e foi a última entrevista que eu fiz!' Eu disse, 'Você é um homem sábio’. Larry é um cara muito prático. É um cara muito simpático também". Larry disse uma vez que ele se dá muito bem com o pai de Bono. Quando Bobby chegava de repente em um pós-show ele e Larry muitas vezes saiam e jogavam bilhar juntos.

Tradução do site: Ultraviolet Brasil
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