2009
Adam Clayton: "Meu pensamento mudou ao longo dos anos, e agora acho que se você é uma entidade artística como o U2 e criou essas músicas, não existe nenhuma regra que diga que você nunca mais poderá apresentá-las em algum momento da sua vida.
Na minha opinião, se você escreveu uma música, é válido apresentá-la quantas vezes quiser, onde quiser. E se as pessoas quiserem aparecer e pagar para vivenciar isso com você, então, sabe, isso é muito legal. Música e composição são sobre comunicação. Então é algo que você faz com outras pessoas. Vocês se comunicam. Então eu realmente não acho que exista um momento em que você deva parar de fazer isso. Quer dizer, pode ser, pode ser supostamente constrangedor para algumas pessoas verem você lá no palco cantando músicas enquanto você está babando. Mas se são as suas músicas, você tem esse direito".
The Edge: "Todos nós estamos mudando. Estamos todos crescendo e passando por tudo o que se passa quando se tem família, casa grande e cachorro, enfim. Não é como se ainda morássemos todos no mesmo apartamento. Mas acho que todos sabemos que existe algo especial na forma como nós quatro interagimos musicalmente.
Passamos por tanta coisa ao longo dos anos que poderia muito bem ter acabado com a banda, e ainda estamos aqui. Acho que isso se deve a vários fatores. Primeiro, existe uma amizade genuína e respeito pessoal entre os quatro membros da banda. Saímos juntos. Gostamos da companhia uns dos outros. Nos vemos nas pausas e também quando estamos trabalhando. Não é como se eu estivesse correndo para sair do estúdio para ver meus amigos. Estou no estúdio com meus amigos. Isso é algo único. Acho que todos nós entendemos perfeitamente o quão especial e único é ainda estarmos fazendo boa música depois de tantos anos. Não queremos estragar tudo. É precioso demais.
Quando alguém tem um dia ruim e quer sair da banda ou expulsar alguém, isso não dura muito. De vez em quando, passo por isso, uma vez a cada dez anos, em que penso: "OK, chega, não aguento mais. Acabou. É demais". E aí começo a pensar: "OK, o que vou fazer da minha vida agora?" Então começo a refletir: eu ainda quero fazer música. Sou um artista solo? Para ser sincero, não sou. Preciso encontrar colaboradores. OK, quem eu quero como baterista? Caramba, não há ninguém melhor que Larry Mullen. E o baixo? Droga, tem que ser o Adam. OK, vocalistas? Nossa, não há ninguém melhor que o Bono. Então acabo reformulando a banda, para melhor ou para pior. É meio que o ideal. Isso não quer dizer que não seja desafiador.
Só sei que faço música melhor quando trabalho com o Bono. Eu faço muita música sozinho, mas ninguém nunca ouve. Fica melhor quando trabalho com Adam, Larry, Bono, Brian e Danny. Quem sabe, em algum momento eu faça mais colaborações fora da banda ou projetos solo. Mas não tenho pressa. Gosto do que faço.
Larry Mullen Jr.: "Nem sempre gostamos um do outro, mas nos respeitamos e nos amamos. Casamentos não duram tanto tempo. Será que vai parar de funcionar em algum momento? Tenho certeza que sim. Não é para sempre. Vai chegar a hora de dizer: "Chegou a hora de ir embora", e eu gostaria que esse momento fosse no auge, quando ainda estamos conquistando coisas, em vez de estarmos em declínio. Isso seria triste para mim. Acho que será um momento mais digno para dizer: "Sabe de uma coisa? Esse período chegou ao fim" e talvez voltemos daqui a cinco anos para fazer algo juntos, só para relembrar os velhos tempos, porque sabemos que vamos querer. E acho que seria um final lindo para uma carreira longa e maravilhosa.
Não conversamos muito sobre essas coisas. Estou apenas dizendo como imagino que seria, mas não sei. Claro que não pode durar para sempre. Simplesmente não pode. E se terminasse amanhã, seria triste? Claro. Mas não seria o fim do mundo. Imagino que ajude ter uma família, ter uma vida fora da banda. Se você fosse mais jovem, teria se sentido como se fosse o fim do mundo? Acho que teria sido mais difícil. Mas minha família é obviamente importante, assim como a de todos na banda. É uma parte importante da nossa vida".
