Daniel Lanois, co-produtor de 'The Joshua Tree' do U2, em entrevista com Danny Eccleston.
O que mudou desde 'The Unforgettable Fire'?
"Eu tinha trabalhado com Peter Gabriel na trilha sonora de 'Birdy' e no álbum 'So' - acho que no dia em que começamos 'The Joshua Tree', "Sledgehammer" estava em primeiro lugar nos Estados Unidos. Lembro-me de entrar com uma bandeja de chá, Edge olhou para mim e disse: 'É o Dan! Vamos ficar ricos!'"
Como a abordagem foi diferente desta vez?
"Começamos com beatboxes. Antes, improvisávamos tudo na sala de ensaio, então essa foi uma abordagem nova. Para "With Or Without You", tínhamos o ritmo e os acordes, e então estávamos testando a invenção Infinite Guitar de Michael Brook. Pedi para o Edge tocar um pouquinho com ela. Ele gravou duas versões, e essas são as que estão na mixagem final de "With Or Without You". Sons belíssimos, estratosféricos".
Você percebeu a crescente influência da música americana de raízes no U2?
"Acho que historicamente Bono tem um fascínio pela América. Obviamente, a América significa muito na cultura irlandesa. Mas "I Still Haven't Found What I'm Looking For" é uma canção gospel. Bono é uma espécie de religioso e entende o poder de cantar no limite da sua extensão vocal. É um exorcismo".
"Where The Streets Have No Name" teve um nascimento complicado.
"Foi um pouco como um trava-línguas para a seção rítmica, com compassos de duração estranha que deixaram todo mundo de mau humor. Lembro-me de apontar para um quadro-negro, explicando as mudanças de acordes para todos como um professor de ciências. Há uma parte de Brian Eno que gosta de gratificação instantânea. Ele prefere descartar algo difícil e começar algo novo".
Ele mencionou seu plano de apagar a fita...
"Sim, houve algumas instruções assim que os assistentes nunca seguiram, graças a Deus. Colecionei alguns bons momentos dos Troggs ao longo dos anos, muitas reclamações sobre viradas de bateria do nosso baterista aspirante, o Sr. Hewson".
Qual o papel de 'The Joshua Tree' na discografia deles?
"Acho que tocou muitos corações. É um monumento e certamente um monumento à dedicação de todos os membros do U2. Havia uma certa sincronia em jogo. Os caras ficaram bons em seus instrumentos. Eno e eu estávamos inspirados. Todos eram adultos, mas não sufocados por isso".
Este é o melhor disco deles?
"Eu não diria isso. Alguns aspectos de 'Achtung Baby' são tão fortes, algumas coisas em 'The Unforgettable Fire' são tão tocantes. É tudo meio confuso para mim - talvez sejam as drogas!"
