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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Shows do U2 no Estádio do Morumbi pela 'The Joshua Tree Tour 2017' ajudaram a descobrir grande esquema de corrupção


Era para ser motivo de celebração: depois de um ano sem shows, o Estádio do Morumbi fechou quatro datas em outubro para receber o U2 na 'The Joshua Tree Tour 2017'. Três dos shows já estão com ingressos esgotados. Tida como uma das áreas mais eficientes desde o início do ano passado, o marketing do São Paulo Futebol Clube voltou a sofrer um baque causado por acusações de corrupção, que rendeu uma demissão e virou alvo de investigação por parte do Conselho de Administração do clube, órgão que ajuda o presidente Leco nas grandes decisões.
Alan Cimerman foi demitido na última quinta-feira do cargo de gerente de marketing. O ex-gerente, por meio de seu advogado, nega as denúncias, mas o episódio foi levado até a polícia. Embora não exista uma justificativa oficial, se apurou que o executivo acabou desligado também por causa do valor fechado com os organizadores pelo aluguel do estádio para os shows: R$ 1,9 milhão. O clube tem evitado expor o caso, mas comemora que tenha conseguido identificar o problema.
O antigo gerente, que era alvo de críticas de conselheiros pelos processos carregados por sua ex-empresa por acusações de calotes na organização de eventos para a Copa do Mundo, preferiu não falar muito sobre o ocorrido.
O clube terá direito a R$ 650 mil na primeira noite de apresentação e mais R$ 650 mil na segunda. A partir da terceira, o aluguel cai para R$ 300 mil, mesmo valor da quarta e última noite. "Essa quantia é ridícula. Alguns anos atrás, o preço por dia era de R$ 1,5 milhão", afirma um dirigente influente.
As polêmicas ligadas aos shows do U2 no Estádio do Morumbi não terminam por aí. Nas últimas semanas, os conselheiros do clube requisitaram ingressos gratuitos, como ocorre em todos os shows – em geral, há uma carga de duas mil entradas para tais solicitações. Foi quando surgiu a notícia de que não haveria cortesias desta vez, causando a fúria dos cartolas.
Iniciou-se então um levantamento para entender o por quê. Então, a própria diretoria descobriu que gente do clube havia bloqueado mais de 15 camarotes. E agora existe uma investigação para confirmar se empresas e pessoas físicas estavam adquirindo espaços nos camarotes pagando por ingressos que não entravam nos cofres do clube.
Normalmente, os proprietários dos camarotes têm direito a ingressos de pista e cadeiras nas apresentações musicais realizadas no estádio. Desta vez, porém, apenas os bilhetes para pistas foram repassados e Cimerman, segundo as acusações, alegava que os demais estavam retidos a pedido da produção do show. O ex-gerente, ainda pelos depoimentos colhidos, repassava para uma empresa que vendia os ingressos e recebia dinheiro.
"A gente imagina que o clube poderia ser lesado em aproximadamente R$ 8 milhões", afirma um membro da diretoria do presidente. "Felizmente, descobrimos essa situação com alguma antecedência. Mas temos notícia de que alguns camarotes já haviam sido comercializados".
Esse foi o resultado das investigações iniciadas após o Conselho de Administração (CA) do clube levantar dúvidas sobre o modelo de negócio feito para os shows do U2. Os membros do órgão questionaram primeiro as razões para o aluguel do estádio ter sido menor do que costumava ser praticado e ouviram de Cimerman que a diferença seria recuperada com um lucro variável na venda de água durante as apresentações. A justificativa não convenceu o CA, que começou a ouvir relatos de pessoas comercialmente envolvidas com a organização do show.
"Fui chamado pela diretoria e pelo Conselho de Administração para falar. Sempre tive direito a 600 cadeiras em shows, mas no do U2, misteriosamente, fiquei apenas com a pista. Fui muito prejudicado. Tem ainda uma série de outras coisas, mas tudo está sendo muito bem investigado", disse Marcelo Izar Neves, dono do camarote Espaço Unyco, ao UOL Esporte.
Quando há shows no local, o São Paulo comercializa seus camarotes a interessados e cada um é vendido por aproximadamente R$ 200 mil. Alan Cimerman, segundo a investigação feita pelo clube, vendeu todos a uma mesma empresa que, por sua vez, começou a revender a terceiros. Nessa comercialização, o clube pode ter tido prejuízo de R$ 1,4 milhão.
"Não é verdade, são fatos e condutas que não ocorreram. Há contratos de cessão de espaços e, ainda, os ingressos também seriam todos comprados do clube. O Alan tem documentos, e-mails e gravações evidenciando que não houve qualquer fraude, sendo que toda negociação foi transparente e correta. As locações de espaço faziam parte das funções dele, assim como encaminhar a compra de ingressos. O clube assinou todos os contratos de cessão de espaço. Tudo era transparente e os contratos elaborados pelo departamento jurídico do São Paulo", disse o advogado de Cimerman.

Dos sites: Yahoo - UOL
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