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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

De "Hymn To Mr. Universe" para "The Playboy Mansion"


Roy Orbison era o mestre da forma. Ele nunca se sentia constrangido pela estrutura convencional da música, ao invés disso produzia mini-sinfonias em dois ou três movimentos que eram construídas por um clímax inesperado e muitas vezes brilhante. Qualquer um que ouviu a magnífica "Running Scared"- todos os 2 minutos e 30 segundos dela - ou "In Dream" vai saber.
Ser amigo de Orbison antes de sua morte, e ter escrito "She’s A Mystery To Me" para ele em 1989 no álbum de retorno 'Mystery Girl', Bono e Edge tinham aprendido alguma coisa com o mestre. “Ele sempre estava muito à frente da embalagem”, Bono reflete, reconhecendo a linhagem musical em que "The Playboy Mansion" se baseava.
Nasceu como "Hymn To Mr. Universe", começando com uma jam, de volta as fases iniciais de gravação. Ela saiu e todos se sentiam confiantes sobre isso - tanto assim que foi uma das últimas faixas concluídas. Howie B tinha a clara sensação de como queria o ritmo e Flood manuseando as atmosferas, empurrando os efeitos da guitarra de Edge para cima no final dos versos. Mais de um loop trip-hop e Bono está de volta em território familiar, tocando com clichês, truísmos e slogans publicitários. Sua voz é caminho para sair na frente, íntima e calorosa, como personagem central da canção é completamente desenvolta e desfila o melhor em inveja do consumidor, planejando o momento em que seus números aparecem na Loteria. É uma imagem poderosa do colapso espiritual de um mundo onde todos querem mais, e seu valor é finalmente mensurado de acordo com sua capacidade de gastar...com você mesmo.
Tendo sido brevemente mencionada em "Miami", a cirurgia plástica recebe outra menção aqui. Michael Jackson também está na lista de convidados em um verso de abertura que lembra "Even Better Than The Real Thing" antes de avançar: “If coke is a mystery/And Michael Jackson...history/If beauty is truth/And surgery the fountain of youth/What am I do to/Have I got the gifts to get me through/The gates of that mansion.”
“Essa é a coisa sobre a cirurgia plástica”, Adam responde. “Você começa com o nariz e daqui a pouco você está gastando um monte de dinheiro (risos). Ouvi uma história sobre uma senhora rica, recentemente, que decidiu que iria atrás de sua cabeleireira, que era uma jovem garota, pagando pra ela ter um novo nariz. Então, a menina sai e ela volta e diz a mulher: ‘Querida, acho que agora nós fizemos o nariz, nós podíamos fazer um pouco dos olhos’. A coisa sobre a cirurgia plástica é que uma vez que você começa, onde vai parar? Eu acho que foi o que aconteceu com Michael Jackson.” “Eu acho que a cirurgia com Michael Jackson pode ter algo a ver com a edição”, Bono teoriza. “Eu acho que Michael Jackson começou a fazer isso pra si mesmo, de alguma forma. É o olho crítico que faz dele um gênio ligado a si mesmo – a faca se virou”.
Seu humor irônico, não obstante, "The Playboy Mansion" não intenciona ser inteligente. Para todos os valores deformados em evidência, a música é infundida com uma verdadeira sensação de anseio espiritual, como se em algum nível profundo o protagonista avarento saiba que é tudo falso, que longe de ser ainda melhor que a coisa real, seus desejos não são senão uma pálida sombra da necessidade do coração para um tipo mais gratificante de verdade. Ou talvez isso é só a verdadeira voz de Bono que vem a tona quando ele confessa “And though I can’t say why/I’ve got to believe”.
“As pessoas na América dizem ‘se você não tem dinheiro é difícil acreditar em você mesmo’”, Bono explica. “É quase como prosperidade como religião”. Esse é o território em que estamos aqui. "The Playboy Mansion" é uma canção gospel para o lixo branco americano. É sobre como rebaixar a ideia de céu vendo-o como um relógio Rolex, ou uma foto na revista Hello, ou um dia na Mansão Playboy. Mas termina em uma sublime fatia de gospel-verité, a la Al Green, o que nos permite ver a graça que pode ser encontrada até mesmo nas coisas mais banais – se você olhar firme o suficiente.

AGRADECIMENTO: ROSA - U2 MOFO
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