"Song For Someone" 360 Version

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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Na Estrada Com O U2: Revelações e Contos da 'The Joshua Tree Tour 2017' - Parte I


Antes do show com ingressos esgotados em Seattle em sua 'The Joshua Tree Tour 2017', o U2 sentou-se com a Hot Press para refletir sobre a criação de sua icônica obra-prima, o clima político atual nos EUA, o show no Croke Park e seu tão aguardado novo álbum. Além disso, um relatório sobre o espetacular concerto em si e um mergulho na reedição deluxe do álbum.

14 de maio de 2017: quatro horas da tarde, uma Seattle gelada e, no palco do moderno CenturyLink Field. Bono está em cima de Edge. O guitarrista está aparentemente atrasado com a introdução distintiva de "Bad", e o cantor vestido preto não está deixando isso passar longe dele.
De fato, sem nenhuma tensão, ele não vai deixar ninguém escapar com nada hoje. Adam Clayton e Larry Mullen se juntam à eles, passeando pela passarela que liga o palco principal ao menor, em forma de árvore, um satélite, e o baterista senta-se embaixo de um telhado de plástico abrigando sua bateria. "Larry tem uma casa!" Bono ri zombando, sua voz ecoando em torno do estádio quase vazio. "Não se deve jogar pedras naqueles em casas de plástico!"
A Hot Press está ao lado de Gavin Friday junto à enorme mesa de som no centro do estádio. Um amigo de Bono desde a infância, ele é o seu "conselheiro artístico" nesta turnê (como ele tem sido por muitos anos). Ocupado com seus próprios projetos criativos, ele não estará à disposição em todos os assuntos. "Eu costumo fazer apenas os primeiros shows das turnês", explica. "Apenas para solucionar quaisquer inconvenientes e fazer tudo correr bem. Mas vou aparecer para conferir de vez em quando."
No palco, a passagem de som está concluída. Ou talvez não. 'Devemos ensaiar "Little Things"?', pergunta Adam, referindo-se a uma nova balada chamada "The Little Things That Give You Away", de seu próximo disco 'Songs Of Experience'. "Porra, quase me esqueci desta", diz Bono, rindo novamente. "Sim, eu acho que é melhor darmos uma chance a ela."
Trinta minutos depois, a Hot Press e vários outros representantes da mídia irlandesa são escoltados para o restaurante da equipe no fundo do estádio.
Há talvez 100 pessoas na sala, todos dando rápidas mordidas antes que os portões se abrem e a loucura tenha início, mas nós somos levados para uma grande mesa redonda em um canto relativamente tranquilo. Assim que todos nós tomamos nossos lugares, Edge é trazido pelas publicitárias Regine Moylett e Lindsey Holmes. O tempo é apertado, nos informam, mas o guitarrista pode nos reservar 15 minutos se tivermos alguma dúvida.

Como você está, Edge?

Eu estou muito bem. Melhor do que a equipe (risos). O palco e a tela foram colocados juntos em 36 horas, então toda a equipe está exausta. Você pode ver que houve alguns momentos difíceis. É erguido e parece estar funcionando. Nós vamos descobrir hoje à noite se funciona quando eles ligarem a tela, mas até agora tudo bem.
É por isso que nós estávamos fazendo a passagem de som. Você sabe, nós tentamos encontrar o set perfeito e nesse processo, sempre há ajustes sendo feitos no decorrer e depois novas ideias sendo testadas. Então nosso show nunca é estático, está sempre evoluindo e mudando. Mas nós não fazemos aquela coisa de "vamos mudá-lo completamente todas as noites." Na verdade, não achamos que seja o melhor show e não sentimos que estamos dando aos nossos fãs a melhor noite possível se fizermos isso, então é uma coisa mais evolutiva. Até agora, na segunda noite, mudamos acho que uma canção, e vemos como ela se sai. Mais mudanças podem acontecer à medida que avançamos.

Quantas de 'Songs Of Experience' você estará tocando? Já existe uma no setlist.

Bem, até agora a única que estamos tocando é "The Little Things That Give You Away", mas vamos ver. Você realmente não sabe até que você começa a ouvir novamente o seu novo disco do ponto de vista de um fã, porque quando você fez da primeira vez, você está muito próximo disto. Lembro-me de sentar com os caras seriamente com o 'The Unforgettable Fire' e dizer que o primeiro single claramente seria "Indian Summer Sky". Claramente! 'E o que você diz de "Pride (In The Name Of Love)"?' 'Essa é ridícula!' (risos).
Então a perspectiva volta lentamente quando você termina um disco. Quem sabe, em outras palavras, se essa música é uma das grandes canções no disco ou realmente algo que vai ser lançado como um single.

Era uma canção antiga que você voltou nela, ou foi escrita nos últimos 18 meses?

Um pouco das duas coisas. Nós tivemos elementos dela que estiveram ao redor por um tempo, mas foi reescrita substancialmente. Quero dizer, é praticamente irreconhecível.

Como os fãs canadenses reagiram a ela na noite de estreia?

Bem, é interessante. Talvez por causa do título da turnê e por causa da maneira que nós anunciamos isso, eu senti que as pessoas estavam ouvindo de uma forma atenta que não havia acontecido em algumas turnês, talvez nunca tenha acontecido, pensando bem. Eu não diria que foi uma surpresa total, mas foi certamente notável: as pessoas estavam realmente ouvindo tudo o que estava acontecendo.

Então você pode fazer uma turnê de aniversário para cada álbum que foi lançado?

Bem, não sei nada sobre isso (risos)

No show de Vancouver você começou muito político, com um monte de grandes hinos como "Sunday Bloody Sunday" e "Pride (In The Name Of Love)". Foi quase como uma declaração política dos períodos.

Há essa interpretação, que eu acho que é uma parte dela, mas também há, eu acho, a história contada sobre como chegamos ao 'The Joshua Tree'. Em alguns aspectos, é uma cronologia do que estávamos fazendo e que nos levou até esse álbum e, você está certo, muita coisa é política, fala sobre os períodos e o que estava acontecendo na cultura de uma maneira que não é agora. Então, realmente se ergue como sendo bastante diferente para a cultura da música de hoje, para melhor ou para pior. Não estávamos operando no vácuo. Fomos inspirados por um monte de bandas que estavam por perto na época. Não estou dizendo que é tudo sobre nós e o que estávamos fazendo.
The Clash, todas aquelas bandas, foram os nossos heróis e definitivamente influenciaram a nossa música. Mas é surpreendente para mim que a resposta da música ainda é bastante silenciosa. Não vi muita coisa. Talvez no hip-hop há um pouco mais. Mas no rock and roll, é como, onde está o comentário? Onde está a resposta? Talvez venha, mas ainda não vi.

Você sente essa responsabilidade como uma banda, quando você olha em volta e vê que ninguém mais está fazendo isso?

De uma maneira estranha, eu não diria uma responsabilidade, mas... é provavelmente o fato de que já estivemos aqui antes, e talvez isso nos dê uma visão um pouco diferente. Só estou fascinado por ver de onde vem a voz de protesto. Quero dizer, nós vimos isso em um sentido físico com a marcha das mulheres e tudo isso. As pessoas estão nas ruas, mas em termos de cultura musical, ainda não muito. Mas eu acho que isso sempre acontece, e vai inspirar uma onda de respostas.

Você tocou "Red Hill Mining Town" em Vancouver, e foi a primeira vez que você tocou ela ao vivo. Como é que essa decisão surgiu?

Bem, eu quero dizer que ela está no álbum e nós chamamos de 'The Joshua Tree Tour', assim nós sentimos que tínhamos que tocá-la. A verdadeira razão pela qual nunca tínhamos tocado ela antes, foi simplesmente por aquela coisa de tempo. Para uma canção entrar no setlist do U2, tem que ganhar vida, precisa ter sentido, e "Red Hill Mining Town" apenas era muito lenta para nós.
Eu acho que nós permitimos que este show seja sobre a amplitude do nosso trabalho e nós estamos meio que bem em permitir que a energia vaze e flua um pouco mais, e isso acontece, e está tudo bem. Em um setlist normal do U2, estamos constantemente conscientes da energia que estamos colocando para fora e a resposta da multidão para nós. Músicas lentas, você realmente só coloca elas se são músicas realmente incríveis e que todo mundo conhece.

Será que este processo começou com o U2 fazendo 'Songs Of Innocence'? Quero dizer, naquele álbum, você estava olhando para trás em seus anos de formação, e então você chegou ao 'The Joshua Tree' em 1987, que foi o seu grande álbum que os levou para o mundo. Foi isso que inspirou a ideia de revisitar o trabalho mais antigo, você acha?

Talvez, quero dizer, não era um plano. Foi uma coisa muito espontânea. . Acabamos percebendo com o acontecimento das eleições e o nosso momento e a forma como as coisas pareciam estar a ponto de se desenrolar ... Não tínhamos a certeza se o álbum que tínhamos terminado era necessariamente o que queríamos lançar. Queríamos aproveitar esse momento para contemplar o trabalho e ter a certeza de que estávamos no caminho certo de onde nós estamos.

Onde você está com esse álbum agora?

Na verdade, o trabalho tem sobrevivido muito bem e eu não acho que nós vamos mudar tanto assim. E a colaboração de Kendrick se encaixa perfeitamente, de certa forma, na trajetória de lançamento do disco, porque, novamente, ele está chegando lá e fazendo alguns comentários sobre onde as coisas estão. O Hip-hop é, como eu disse anteriormente, mais ativamente engajado politicamente. Então eu não acho que nós vamos ter que mudar tanto assim.

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