Em março de 2009 o U2 lançou seu décimo segundo álbum de estúdio e, embora as críticas tenham sido geralmente positivas, alguns argumentaram que o papel duplo de Bono como astro do rock e ativista "salvador" poderia estar interferindo na música.
'No Line On The Horizon' chegou às lojas como um dos maiores lançamentos de discos de 2009, sendo acompanhado de perto por uma indústria que buscava reverter a queda acentuada nas vendas de álbuns.
Ninguém acreditava que o U2 sozinho pudesse salvar a indústria da música, assim como ninguém acreditava que Bono sozinho pudesse aliviar a pobreza global. Mas havia muita expectativa em torno do primeiro álbum do grupo em mais de quatro anos.
Considerado um dos maiores candidatos a álbum do ano antes mesmo de chegar às lojas, 'No Line On The Horizon' foi descrito como o álbum mais experimental da banda desde 1991 e possivelmente o melhor desde então.
"Simplificando, tudo isso resulta no melhor álbum do U2 desde 'Achtung Baby'", escreveu a revista Q ao final de uma resenha de cinco estrelas. "Com o tempo, pode se provar ainda melhor".
A revista Rolling Stone também concedeu cinco estrelas, e a revista Mojo, quatro.
A banda passou por uma agitada campanha promocional, concedendo entrevistas para rádios, tocando para um pequeno grupo de fãs nos escritórios da BBC no centro de Londres e se apresentando no telhado para milhares de fãs, alguns deles vindos do exterior.
O álbum de onze faixas foi gravado no Marrocos, Dublin, Londres e Nova York, e as canções abordam temas familiares como amor, guerra, esperança e, talvez mais do que nunca, ser Bono. O vocalista há muito tempo conciliava uma carreira dupla como superestrela do rock e ativista de alto perfil, pressionando líderes mundiais e empresários a combater tudo, da AIDS à pobreza.
Há quem tenha sentido que sua missão estava começando a prejudicar a harmonia, alienando fãs em potencial e influenciando tudo o que o U2 faz.
"Está se tornando cada vez mais difícil ouvir a música do U2 sem filtrá-la através dos seus sentimentos sobre o outro Bono, aquele turbilhão estridente e santimonioso de idealismo, agenda e ego", escreveu J. Freedom du Lac no The Washington Post.
Ele, no entanto, afirmou que 'No Line On The Horizon' era "por vezes magnífico".
Em uma crítica mista, Pete Paphides, do The Times, chega a dizer: "Da próxima vez... Bono talvez devesse usar seus poderes diplomáticos em benefício de sua banda".
O cantor estavca ciente das críticas e relatou que seus próprios companheiros de banda consideravam seu incansável ativismo irritante.
Em "Stand Up Comedy", ele parece fazer uma piada consigo mesmo na letra: "Enfrente estrelas do rock / Napoleão está de salto alto / Josefina, cuidado com homens pequenos com grandes ideias".
"É irritante", disse ele em uma entrevista de rádio, quando questionado sobre seu apoio público ao ex-presidente dos EUA, George W. Bush, após este ter prometido dinheiro para o combate à AIDS.
"Não fica bem, né? Posso aguentar as garrafas, as pedras e o constrangimento para meus companheiros de banda, mas continuo sendo aquela coisa irritante: um protagonista de uma única causa".
