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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Áudio: Bono & Elliott Wheeler - "American David"


Bono na trilha sonora de 'EPiC: Elvis Presley In Concert', com uma performance de spoken word de "American David".
A faixa de 48 segundos apresenta Bono recitando um poema que ele escreveu originalmente em 1995, musicado pelo compositor Elliott Wheeler. Nele, ele reflete sobre o impacto cultural de Elvis, descrevendo como o Rei "mudou o centro da gravidade, tornando-a instável".
"American David" é a faixa final da trilha sonora, lançada como parte de um projeto que reconstrói as lendárias performances de Elvis da década de 1970 para o público moderno. O álbum mescla gravações restauradas de Elvis com remixes contemporâneos e novas contribuições.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Imprensa escreve que 'Days Of Ash' reafirma o U2 como uma força política vital


Na Quarta-feira de Cinzas, 'Days Of Ash' do U2 foi lançado como uma coleção completa de cinco novas canções e um poema selecionado.
Este novo EP é uma resposta aos acontecimentos recentes, inspirado pelas muitas pessoas extraordinárias e corajosas que lutam na linha de frente da liberdade. Quatro das cinco faixas são sobre indivíduos – uma mãe, um pai, uma adolescente cujas vidas foram brutalmente interrompidas – e um soldado que preferiria estar cantando, mas está pronto para morrer pela liberdade de seu país.
Em uma crítica de quatro estrelas, Alexis Petridis, do The Guardian, considerou as músicas um retorno à boa forma do U2, afirmando que elas "reafirmaram a banda como uma força política vital" e que "o zelo, o propósito e a crença foram recuperados". 
As músicas foram comparadas ao álbum 'War', de 1983, do U2, e igualmente notadas por sua combinação de imagens bíblicas e mensagens políticas.
Una Mullally, do The Irish Times, descreveu a banda como "revigorada", com as músicas tendo uma "urgência surpreendente com poder e ternura". "The Tears Of Things" recebeu atenção especial, sendo descrita como "melodicamente e estruturalmente impressionante". A música "Yours Eternally" foi elogiada como "um sucesso imediato e vibrante".
A Billboard chamou 'Days Of Ash' de "uma coleção emocionante e clássica do U2" e sentiu que o U2 "encontrou o momento" com o material em sintonia com o clima político e social atual.
Escrevendo no The Daily Telegraph, o crítico Neil McCormick deu quatro de cinco estrelas para 'Days Of Ash' e o descreveu como o lançamento mais abertamente político e urgente do U2 em anos, comparando seus temas e intensidade ao trabalho da banda na era de protesto dos anos 1980. Ele destacou o foco do EP em conflitos globais contemporâneos e agitação social, observando uma mistura de agressividade punk e material mais reflexivo e melódico. McCormick destacou "The Tears Of Things" como uma faixa excepcional com um caráter poético, meditativo e atmosférico, com qualidades de hino. 
Pat Carty, no The Irish Independent, escreveu que 'Days Of Ash' foi o melhor lançamento deles em décadas e que "American Obituary", em particular, "soa como um navio de guerra se equilibrando em uma garrafa de leite".

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Rolling Stone Brasil: U2 soa frustrante no EP ‘Days Of Ash’ e tentativa de comentar sobre acontecimentos nos Estados Unidos, Palestina e Ucrânia peca pela superficialidade das músicas


Rolling Stone Brasil

O problema inerente de fazer músicas de protesto é a necessidade do timing certo. Algumas situações demandam tempo para o público compreender a dimensão do ocorrido. Às vezes, uma canção composta logo após o fato funciona pelo imediatismo; outras, não. O U2 é veterano nesse sentido, logo, deveria saber.
No entanto, não funcionou a tentativa da banda de comentar sobre os acontecimentos recentes nos Estados Unidos, em especial os sequestros de imigrantes conduzidos pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA) e a morte de Renee Good nas mãos de agentes do órgão. O EP 'Days Of Ash', lançado pouco mais de um mês após a tragédia, peca em diversos aspectos – nenhum tão grande quanto o timing.
A música "American Obituary" abre o material com guitarras punk – cortesia de The Edge – que remetem a canções antigas do U2 como "Vertigo" e o clima do álbum 'War' (1983). No entanto, o trecho de letra sobre Renee Good parece inserido de qualquer jeito na música. Como se a banda já tivesse essa faixa – em si já um rock de protesto um tanto vago – e resolveu adicionar uma parte superficial sobre a morte da americana.
Em seguida, há "The Tears Of Things", uma balada com subtexto religioso na qual Bono se imagina como a estátua de Davi, que fica no Vaticano. O eu lírico canta sobre ser libertado da sua prisão de mármore por seu criador, Michelangelo, e uma visita de Benito Mussolini enquanto o Holocausto ocorre.
A imagem da obra de arte usada como símbolo da superioridade cultural do Ocidente horrorizada com as ações à sua volta é forte, mas o vocalista parece desinteressado em se aprofundar no tema. Tanto que o refrão só repete o título da canção. Vago a ponto de ser frustrante.
O EP continua com talvez sua melhor canção, "Song Of The Future". Um rock com ecos de "While My Guitar Gently Weeps", dos Beatles, a letra não tem muita profundidade (a exemplo da passagem "O futuro, como todos sabem, e onde passaremos o resto de nossas vidas; Quem disse que o futuro está fechado? Nunca vi a promessa em seus olhos… liberdade"), mas ao menos não contém momentos nos quais Bono tenta ser específico sobre temas atuais.
O momento mais emocionalmente desconectado da realidade é talvez "Wildpeace". A banda recrutou a cantora Adeola Soyemi para recitar um poema de Yehuda Avishai. Apesar dos versos abordarem um ciclo infinito de guerra e barbárie, especificamente no Oriente Médio, a escolha de usar um autor israelense representa uma falta de noção por parte da banda.
As duas canções que fecham o EP, "One Life At A Time" e "Your Eternally" (a segunda com participação de Ed Sheeran e o cantor ucraniano Taras Topolia), continuam a exploração rasa de questões políticas atuais. Chega ao ponto de Bono soar condescendente. Na primeira citada, dispara a obviedade:

"O que você vê depende de onde você está
Como você cai depende de onde você aterrissa
O que você sabe é mais do que te disseram
O que você sente molda tudo o que você vê
Encontrar o mapa e perder o território
Essa é a nossa história"

A questão ao longo da carreira do U2 é: apesar de ser conhecida como uma banda politizada, quando Bono e companhia tentam fazer uma canção explicitamente sobre um acontecimento, os erros são mais frequentes que os acertos. 'Days Of Ash' infelizmente continua essa tendência.

Nadejda Tolokonnikova do Pussy Riot faz backing vocal em canção de 'Days Of Ash' do U2


"Yours Eternally", faixa que encerra o novo EP do U2, 'Days Of Ash', tem vocais de Ed Sheeran e Taras Topolia, que faz parte da banda ucraniana Antytila e lutou na linha de frente da guerra com a Rússia.
A ideia é servir como um hino de resistência para a Ucrânia, gravado com um coro internacional que ainda tem nomes como Bob Geldof e sua esposa Jeanne Marine.
Nadejda Tolokonnikova do Pussy Riot também gravou seu vocal no coro da canção.


A Justiça russa anunciou que o grupo punk Pussy Riot, formado por Maria Alyokhina, Nadejda Tolokonnikova e Ekaterina Samoutsevitch, é considerado uma "organização extremista", e proibiu suas atividades no país.
A informação foi divulgada por um tribunal de Moscou. O grupo integra agora a lista russa de "terroristas e extremistas", que inclui a Fundação Anticorrupção do opositor Alexei Navalny, morto em 2024, a empresa Meta e o "movimento internacional LGBT". A classificação permite mobilizar recursos jurídicos para silenciar qualquer crítica ao poder na Rússia. 
Em 29 de fevereiro de 2008, como integrante do grupo Voiná (Guerra), Tolokonnikova participou de uma performance realizada no Museu de Biologia sob o lema "Foda Para O Ursinho Herdeiro", um protesto pela transferência da presidência das mãos de Putin a Dmitri Medvedev, cuja tradução do sobrenome é justamente "urso". Vários casais, incluindo Tolokonnikova, que estava em gravidez avançada (daria à luz uma menina, Guera, em março) tiraram as roupas e começaram a praticar sexo (ou a simular) diante do público e das câmeras. 
Em 2010 esteve entre os que desenharam um enorme pênis na ponte basculante de Liteini, em São Petesburgo, que, ao se levantar à noite para a passagem dos barcos, ficou diante da Casa Grande, a sede do Serviço de Segurança da cidade.
O coletivo feminista se opõe há anos ao presidente Vladimir Putin e ficou conhecido em 2012 com uma "oração punk" pedindo à Virgem Maria para "expulsar" o presidente russo, cantada na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou. A ação foi uma crítica ao apoio da Igreja Ortodoxa Russa à campanha de Putin. 
Milhões de pessoas se sentiram profundamente afetadas. Além disso, até mesmo entre os liberais, praticamente ninguém apoiou de fato tal ação.
A decisão do tribunal era esperada pelos membros do grupo. "Esses idiotas trabalham nisso há anos, pelo menos desde 2012", escreveu Nadejda Tolokonnikova em mensagem publicada na conta do grupo na rede social X. A postagem veio acompanhada do trecho de uma entrevista concedida por Nadya em 2012, quando ela estava detida em uma colônia penal após participar da "oração punk".
"Essa lei foi criada para apagar Pussy Riot da mente dos cidadãos russos", declarou o grupo em sua conta no Facebook, antes da decisão judicial. "Há anos estamos no radar, mas ser designadas como organização extremista dá ao Estado mais meios jurídicos para punir qualquer pessoa que tenha algum tipo de conexão conosco", afirmou o grupo.
As integrantes da banda se dizem preocupadas com "a segurança dos apoiadores do Pussy Riot que não podem deixar a Rússia ou que escolhem permanecer lá". 
Em 2018, a Corte Europeia de Direitos Humanos condenou o governo de Putin a pagar indenização de € 32 mil às três ativistas, poucos dias após invadirem o campo durante a final da Copa do Mundo, em Moscou, entre França e Croácia.
As três integrantes da banda e um homem, vestindo uniformes de polícia, interromperam por alguns instantes a partida antes de serem detidos. O objetivo da ação foi pedir a libertação de todos os prisioneiros políticos no país.
As integrantes da banda foram condenadas por seu ativismo a penas de prisão e hoje vivem no exílio. Em 2021, Maria Aliokhina conseguiu sair clandestinamente da Rússia disfarçada de entregadora de comida.
Depois da condenação das Pussy Riot à prisão, o U2 assinou a carta da Anistia Internacional que pedia sua libertação da prisão.

"Chatice Panfletária" e "Onde Foi Parar O Rock?": O Globo e Folha De São Paulo escrevem sobre o lançamento de 'Days Of Ash' do U2


O Globo

O U2 bateu ponto na sua cruzada pelos direitos humanos ao lançar de surpresa o EP 'Days Of Ash', sua primeira coletânea de músicas autorais desde 2017. São seis faixas que versam sobre guerra e paz, homenageando vítimas de conflitos violentos mundo afora. Embora o trabalho tenha chegado sem aviso, o teor de protesto das canções não é surpresa para ninguém. Desde 'War' (1983), um dos melhores discos da banda irlandesa, a caneta de Bono sempre foi uma espécie de megafone em prol dos fracos e oprimidos, e é ótimo que assim seja. A arte sempre esteve mesmo a serviço da manifestação sociopolítica. Tudo certo. Mas canções de protesto sempre podem soar piegas, é um risco que se corre, ainda que seja marca registrada de seus autores a luta sincera por um mundo melhor. Quando não acompanhadas de melodias criativas, boas sacadas sonoras, quando priorizam o discurso deixando a inventividade musical de lado, viram chatice panfletária. É o que acontece aqui, em alguma medida, com 'Days Of Ash'.
Ninguém duvida das boas intenções de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. O mundo agradece. É louvável, aliás, a coerência do grupo que sempre se posicionou do lado certo da História — ainda que certo, muitas vezes, seja um conceito relativo. Papo para outra hora. Fato é que, depois de quase uma década sem músicas novas, vá lá, talvez os fãs merecessem mais do ponto de vista melódico. 'Days Of Ash' não empolga. A boa notícia é que a própria banda avisou, paralelamente ao lançamento do EP, que um novo álbum está por vir, ainda este ano. Mas os protestos "não podiam esperar", disse Bono em comunicado no site oficial do U2. "São músicas que tinham pressa para chegar ao mundo, canções de desafio e consternação", escreveu.
A coisa até começa muito bem com a ótima "American Obituary", primeira faixa do EP. Foi dedicada a Renee Good, americana mãe de três filhos morta por agentes do ICE, a truculenta Agência de Imigração dos Estados Unidos no governo Trump. Está lá o DNA daquele U2 pós-punk, enérgico, das guitarradas expansivas com o selo The Edge de preenchimento sonoro, lance fino para ouvir com um bom fone.
Mas tudo já desanda em "The Tears Of Things", uma crítica ao fundamentalismo religioso inspirada em um livro do frei franciscano Richard Rohr, onde Bono imagina um diálogo entre "Davi", de Michelangelo, e o próprio artista. É lenta, melada, morosa, e tem recursos cafonas, como, lá pelas tantas, as vozes duplicadas que soam como robôs. "Song Of The Future", a terceira do álbum, é um tributo a Sarina Esmailzadeh, adolescente de 16 anos que foi morta a pauladas pelas forças de segurança iranianas, em 2022. É chicletinho de rádio, à la Coldplay, não faz feio, mas passa batida.
Pausa para "Wildpeace", um poema do poeta israelense Yehuda Amichai (1924-2000) que, lido pela cantora Adeola, se comporta como um interlúdio para o ouvinte respirar. Respiramos, e chegamos em "One Life At A Time", quinta faixa do EP, feita em homenagem ao ativista e professor palestino Awdah Hathaleen, morto por um colono israelense na Cisjordânia em 2025. Ninguém vai poder julgar aquele que disser que é a música mais chata já lançada pelo U2.
Aí vem "Yours Eternally", última faixa do EP, com participação do músico britânico Ed Sheeran e de Taras Topolia, soldado ucraniano que serviu na guerra contra a Rússia e que é músico na banda Antytila. Miraram num hino de resistência da Ucrânia contra os russos, acertaram num jingle tosco de propaganda de paz entre os povos, todos de mãos dadas, camisas brancas, flores e algum QR code no canto da tela da TV. Outra chatice previsível que não pede repeat.
Bono e companhia podem estar dormindo com a consciência limpa, mas os fãs mereciam mais.

Folha De São Paulo

Quem já foi messias nunca deixa de carregar esse fardo. Nas duas últimas décadas do século passado, os irlandeses do U2 criaram um rock politizado tão amplamente aceito que credenciou a banda a tentar se tornar a maior do planeta.
Nunca conseguiu atingir essa condição, mas, apesar da produção mais recente de discos genéricos, manteve a aura de ativismo, sempre se posicionando diante do xadrez geopolítico global. Durante um bom tempo, o vocalista Bono não desgrudava dos líderes mundiais que pareciam estar do lado certo do jogo.
Assim, estava causando estranheza o silêncio do U2 diante de um mundo em desalento com Donald Trump, Ucrânia, Gaza e outras desgraças. Chega então 'Days Of Ash', um EP com seis faixas inéditas no qual o U2 parece querer apagar a fase de inércia com canções explicitamente políticas.
O lançamento enlouquece milhões de fãs, mas quem deixar de lado a alegria pelo retorno para escutar o EP com um mínimo de senso crítico pode acabar concordando — o disquinho tem apenas uma música boa, "The Tears Of Things". É pouco para a quase maior banda do planeta.
O conjunto de canções traz uma certa "rebeldia burocrática", dois conceitos que não funcionam bem juntos. Citando em várias faixas personagens reais como os soldados ucranianos enfrentando a invasão russa, os palestinos massacrados em Gaza e mártires na opressão feminina em lugares como Sudão e Irã, a banda fica presa na panfletagem cantada sobre músicas comportadas. E onde foi parar o rock?
Na teoria, a carga roqueira deveria vir forte na faixa de abertura, "American Obituary", cuja pretensa vocação para hino contra Trump se perde em jogos de palavras de Bono. "Eu amo você mais do que o ódio ama a guerra" é de um nível ginasiano.
Falando sobre a morte da americana Renée Nicole Good, assassinada no mês passado, em Minneapolis, pela polícia de imigração de Trump, a canção pode funcionar bem ao vivo. Mas é clichê, seguindo uma irritante cartilha de hits para grandes arenas que o U2 ajudou a criar.
O lançamento do EP se dá com seis videoclipes "Lyric Video", que exibem na tela a transcrição dos versos enquanto são cantados. A banda nunca aparece, então quem assiste é martelado por imagens conceituais. E o visual pode até piorar as coisas. No caso de "American Obituary", é constrangedor mostrar uma pomba branca presa em uma pequena gaiola. O público do U2 merece mais do que uma simbologia barata.
Exceção no EP, "The Tears Of Things" parte de uma ideia bem original e sabe desenvolvê-la de um jeito esperto. A letra é narrada por David de Michelangelo. A famosa estátua do início do século 16 se define como um menino que Michelangelo extraiu de um bloco de mármore e fica amedrontado diante do mundo. Uma balada singela, a única música do pacote que poderia estar em um bom álbum da banda sem fazer feio.
"Song Of The Future" e "One Life At A Time" são dois rocks frouxos, típicos da fase mais recente da banda, e seus videoclipes destacam ativistas assassinados por governos opressores. Já "Wildpeace" é fora da curva — uma curta faixa de "spoken word". A letra é um poema do israelense Yehuda Amichai, lido pela nigeriana Adeola. Belos versos, numa pausa das guitarras no EP.
Para fechar o disco, uma música de apelo pop e emocional. "Your Eternally" fala de soldados separados das famílias na guerra da Ucrânia. É perfeita para grandes arenas, com boa parte do vocal a cargo de Taras Topolia, cantor da banda ucraniana Antytila, que também participa do clipe. E tem mais um convidado na faixa: Ed Sheeran, para escancarar a vontade de soar pop.
As canções do EP fazem uma bagunça na proposta musical. O que une todas é a panfletagem política. Bono já deu entrevistas dizendo que o próximo álbum do grupo, talvez para o final do ano, será muito diferente, musicalmente falando.
Fica assim a sensação de que o U2 lançou 'Days Of Ash' para justificar a fama de ativismo da banda que andava um pouco na geladeira. Para quem não é fã de carteirinha, é mais uma curiosidade do que um disco arrebatador.

Bono comenta as críticas que recebeu na Irlanda sobre suas declarações públicas a respeito do massacre em Gaza


The Journal (Irlanda)

Em entrevista à revista oficial do U2, Bono falou sobre as críticas que recebeu na Irlanda sobre suas declarações públicas a respeito do massacre em Gaza.
A conversa surge no momento em que o vocalista e letrista do U2 fala sobre "One Life At A Time", uma nova canção inspirada em Awdah Hathaleen, o ativista palestino assassinado a tiros por um colono israelense na Cisjordânia no ano passado.
Bono descreve Hathaleen como "um palestino extraordinário" que foi "assassinado na Cisjordânia por um colono israelense fundamentalista e violento".
O U2 lançou um EP de seis músicas com forte teor político, intitulado 'Days Of Ash'. As canções abordam situações violentas da nossa época, incluindo a violência letal de agentes do ICE em Minneapolis, o assassinato de manifestantes no Irã e a guerra na Ucrânia.
A banda também presta homenagem a Hathaleen, e Bono deu mais detalhes sobre a inspiração para a revista do U2, Propaganda.
Hathaleen, um professor de 31 anos, pai de três filhos e líder comunitário local, estava parado junto a uma cerca na cidade de Umm al-Khair quando foi atingido no peito por um tiro disparado por um colono israelense.
Um vídeo gravado da cena caótica parece mostrar Yinon Levi, que já havia sido sancionado pelos EUA e pelo Reino Unido por incitar a violência, atirando em Hathaleen. Testemunhas também afirmaram que Levi foi quem disparou o tiro fatal.
Umm al-Khair é uma das muitas comunidades palestinas na Cisjordânia ocupada por Israel, onde cerca de três milhões de palestinos vivem ao lado de aproximadamente 500 mil colonos israelenses.
Todos os assentamentos no território, ocupado desde 1967, são considerados ilegais sob o direito internacional.
O motivo pelo qual o assassinato de Hathaleen provocou uma onda de condenação internacional se deve ao documentário vencedor do Oscar, 'No Other Land', que narra a história da vida sob ocupação na Cisjordânia.
Em uma conversa sobre o tom das músicas do novo EP, Bono as descreve como "desafiadoras", acrescentando que se tratam "do momento em que gostaríamos de não estar, mas estamos".
"Outra faixa, "One Life At A Time", é nossa tentativa de oferecer uma bela melodia como, espero, uma espécie de bálsamo, inspirada por um palestino extraordinário", diz Bono.
"Awdah era pai de três filhos pequenos, professor, ativista comunitário e cineasta. Ele foi assassinado na Cisjordânia por um colono israelense fundamentalista e violento... esse colono era conhecido por aterrorizar comunidades palestinas e, até onde sei, não foi levado à justiça".
Ele acrescenta: "É horrível. Uma vida de cada vez é uma espécie de sugestão existencial: podemos mudar o mundo para melhor ou para pior... uma vida de cada vez".
A letra da música em si não menciona Hathaleen pelo nome, mas o videoclipe que a acompanha apresenta sua imagem em destaque.
As legendas na tela dizem que ele era um "ativista da não violência" e que "não houve justiça ou punição para seu assassino".
O videoclipe também apresenta os muros e torres de vigia que se tornaram símbolos da Cisjordânia, com um tanque de fabricação americana aparecendo perto do final.
As palavras Israel ou Palestina também não aparecem na música, o que a torna mais sutil para o ouvinte do que, por exemplo, a faixa principal do EP, "American Obituary".
Alguns críticos podem observar que a música opta por abordar a violência dos colonos na Cisjordânia e não o genocídio em Gaza.
Em uma declaração conjunta da banda em agosto passado, o U2 condenou o governo israelense por suas ações em Gaza, com Bono admitindo também ter "discutido o assunto".
Na entrevista à Propaganda, Bono é questionado diretamente sobre isso e sobre o que o entrevistador chama de "dificuldades" que tem enfrentado, "especialmente na Irlanda, por parte daqueles que acham que você não tem se manifestado o suficiente sobre o que está acontecendo em Gaza".
Em resposta, Bono disse: "Os irlandeses, em geral, não gostam de valentões... embora, é claro, em nossos esforços para combatê-los, às vezes possamos nos tornar valentões rapidamente... enquanto nos achamos superiores, podemos atropelar qualquer um que trilhe um caminho diferente para o mesmo lugar".
Ele acrescentou: "Eu nunca vi dessa forma. Quando se trata de direitos humanos e injustiça, se as pessoas estão trabalhando em causas diferentes das minhas, isso é bom, na minha opinião. Escrevi sobre Israel e Gaza, mas em termos de ações, tenho me concentrado nas coisas que conheço melhor. Como a destruição da USAID, as ameaças ao trabalho que fazemos na ONE e na (RED)".
ONE e (RED) são organizações criadas por Bono para combater a pobreza extrema e a AIDS, principalmente na África.
Mais adiante na entrevista, Bono volta a falar sobre Gaza, dizendo: "O estupro, o assassinato e o sequestro de israelenses em 7 de outubro foram atos malignos… Mas a autodefesa não justifica a brutalidade desenfreada da resposta de Netanyahu, comprovada pela morte de dezenas de milhares de palestinos inocentes".
Como Bono mencionou, até o momento ninguém foi acusado pelo assassinato de Hathaleen, mas o jornal israelense Haaretz noticiou na semana passada que um indiciamento contra Yinon Levi está sendo planejado.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

'Days Of Ash', o novo EP do U2, com sua forte ênfase política, funciona?


Hot Press

O editor da Hot Press, Niall Stokes, deu sua primeira impressão sobre o lançamento do novo EP politicamente carregado do U2, 'Days Of Ash'.
"Sempre existe uma certa apreensão quando se ouve um novo disco lançado às pressas assim", disse ele a Gavin Jennings no programa Morning Ireland, da RTÉ. "É o primeiro trabalho inédito do U2 desde 'Songs Of Experience', em 2017 – faz muito tempo".
A sensação de apreensão foi intensificada pelas dificuldades que o baterista Larry Mullen enfrentou nos últimos anos.
"Eles passaram, nesse meio tempo, pela experiência de ir a Las Vegas e tocar no The Sphere sem o Larry", acrescentou Stokes. "Havia uma sensação de que as pessoas não sabiam se Larry conseguiria voltar ao U2, porque ele estava sofrendo com problemas sérios nas costas e com sua capacidade de tocar. Então é maravilhoso ver os quatro juntos novamente – e, claro, a ótima foto de Anton Corbijn que acompanha o EP. Os quatro juntos, a banda de volta à sua formação original – e arrasando com este novo disco".
E será que o novo EP, com sua forte ênfase política, funciona?
"Quando Bruce Springsteen lançou "Streets Of Minneapolis", houve uma verdadeira onda de emoção, em um determinado momento da música, pelo fato de que se tratava de um grande artista abordando uma das maiores tragédias da nossa época, que é a forma como Donald Trump permitiu a ascensão do fascismo nos EUA – e esse sentimento também é muito forte em "American Obituary", que é uma ótima canção".
A faixa principal do EP 'Days Of Ash', "American Obituary", é uma poderosa homenagem a Renee Good, uma mulher que Bono descreve como "comprometida com a desobediência civil não violenta" e que foi assassinada por agentes do ICE nas ruas de Minneapolis. Há um verso que diz: 'O poder do povo é muito maior do que o poder daqueles que estão no poder'", disse Niall Stokes a Gavin Jennings. "Há um senso de otimismo nisso, que me lembra Patti Smith e sua ótima canção "People Have The Power", de 1988".
Se esse senso de otimismo prevalecerá ou não, ainda está por se ver, diz Stokes. Mas o importante é que a resistência da banda às crescentes injustiças em todo o mundo – que lembra o U2 nos anos entre 'War' e 'The Joshua Tree', e evoca canções como "Sunday Bloody Sunday" e "Bullet The Blue Sky" – está de volta.
“Há um forte senso", disse Stokes ao programa Morning Ireland, "de que o U2 está voltando às suas raízes – suas raízes políticas – e ao seu envolvimento com o Greenpeace e a Anistia Internacional nos anos 80, e se reconectando com o mundo nesse sentido político muito forte e direto".
Gavin Jennings destacou que o U2 tem sido criticado por não ser suficientemente político nos últimos anos.
"Acho que há algo muito importante a dizer sobre isso", observou Stokes. "É absolutamente errado esperar que um artista escreva a música que eles acham que deveriam escrever. As músicas vêm de dentro e falam de obsessão – e você pode ouvir e sentir isso nessas canções. Certamente, o U2 foi muito forte em todas as etapas de sua reação ao que aconteceu na Ucrânia e à invasão de Putin. Eles foram tocar nas ruas com o músico que se tornou soldado, Taras Topolia – que é o centro de "Yours, Eternally", que é imaginada como uma carta escrita por um soldado na linha de frente. Isso é muito impactante".
"Yours Eternally" conta com a participação de Ed Sheeran e do próprio Taras Topolia. "Não durma", diz o refrão, "Nem pense nisso/ Não precisa/ Talvez só um pouquinho/ Ainda sonhe/ Em acordar livre/ Como podemos ser".
"É a música mais 'pop' do EP e acho que vai tocar bastante nas rádios", disse Stokes ao programa Morning Ireland.
Mais uma vez, há um sentimento de otimismo implícito, com Bono especulando esperançosamente que "No caos da Terra/ Encontraremos beleza".
"One Life At A Time" foi escrita para Awdah Hathaleen, um professor que vivia na Cisjordânia e participou da produção do aclamado documentário vencedor do Oscar 'No Other Land' – no qual palestinos e israelenses trabalharam juntos. Awdah Hathaleen foi assassinado a tiros pelo "colono" israelense – um eufemismo para ladrão de terras – Yinon Levi. Até o momento, ninguém foi levado à justiça pelo crime. 93,6% dos casos de terrorismo de "colonos" contra palestinos terminam sem qualquer processo.
"Bono está em ótima forma com seus aforismos e versos que nos fazem refletir", disse Stokes, referindo-se a uma pergunta feita em "One Life At A Time": "Se não há lei, não há crime?" Há outro verso que adoro nessa música. Diz o seguinte: 'Olhe ao redor/ O que você vê depende de onde você está/ Como você cai depende de onde você aterrissa'. Bono sempre foi um criador de frases marcantes, e essa é uma das características mais impressionantes deste lançamento".
"Song Of The Future" fala sobre Sarina Eshmail Zadeh, de 16 anos, vítima da polícia moral no Irã, quando se juntou aos protestos do movimento Mulheres, Vida e Liberdade.
"O refrão é lindo", acrescenta Stokes, "encontrando a musicalidade no nome Sarina. Mas há outro verso que expressa algo que pode parecer óbvio, de uma forma brilhantemente original, quando Bono declara: 'O futuro, como todos sabem/ É onde você vai passar o resto da sua vida'. Ele tem um talento fantástico para salpicar as músicas do U2 com essas pérolas de sabedoria indiretas. Há outro exemplo em "The Tears Of Things", quando ele observa: 'Quando as pessoas saem por aí falando com Deus/ Sempre termina em lágrimas'. Tenho revisitado uma entrevista que fiz com Bono no final de 2001 para o nosso próximo livro, 'History In The Making: The Book Of Hot Press Interviews'. A conversa ocorreu no final do ano em que o pai de Bono, Bob, faleceu, o U2 se apresentou duas vezes no Castelo de Slane – e após os eventos que marcaram época, o 11 de setembro, que aconteceu pouco depois do segundo show em Slane. A discussão sobre as três religiões de Abraão e o que Bono tinha a dizer sobre elas foi realmente fascinante. E continua sendo, porque tudo isso é extremamente relevante agora, num momento em que atrocidades terríveis estão sendo cometidas em nome das três religiões – pelo governo e exército de Israel em Gaza; pelo governo iraniano reprimindo protestos com o assassinato de seus próprios cidadãos; e com o movimento supremacista cristão branco criando um novo clima de racismo, erosão dos direitos civis e opressão violenta que levou ao assassinato de pessoas nas ruas dos Estados Unidos pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA).
A consciência da profundidade e da escala dos desafios que enfrentamos atualmente permeia o EP 'Days Of Ash'. Portanto, é um disco que – assim como "Streets Of Minneapolis", de Bruce Springsteen – foi feito para um lançamento imediato e rápido. Há algumas arestas a serem aparadas musicalmente – mas isso é bom. Com o som de guitarra característico de Edge, Larry encontrando o ritmo na bateria, o baixo flexível de Adam e Bono à frente tecendo um feitiço narrativo, há uma sensação realmente revigorante de que o U2 encontrou uma unidade coletiva e um senso de propósito aqui".
Leva tempo para saber com certeza o quanto você ama um disco, reflete Stokes agora. Mas sua conclusão no programa Morning Ireland foi otimista.
"Há muita coisa brilhante neste disco", disse ele. "É o U2 em sua melhor forma no rock".

Canção de Bob Dylan inspirou faixa em 'Days Of Ash' do U2


O U2 retornou com um EP surpresa de seis músicas, 'Days Of Ash', no qual abordam pontos críticos políticos ao redor do mundo, incluindo as batidas do ICE nos EUA, os levantes iranianos, a guerra na Ucrânia e os assentamentos israelenses na Cisjordânia.
O EP começa com "American Obituary", dedicada a Renee Good, morta por agentes do ICE em Minneapolis durante um protesto. 
Em uma nova entrevista para a revista Propaganda, do U2 — que está sendo relançada como uma edição digital única e também estará disponível impressa em lojas selecionadas — Bono fala sobre a música. "O ritmo da letra é uma referência a uma das minhas músicas favoritas do Bob Dylan, "It's Alright Ma (I'm Only Bleeding)"", diz ele. "Na música dele, a criança canta para a mãe, e na nossa, a mãe canta para os filhos: 'Eu amo vocês mais do que o ódio ama a guerra'."
"It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding)" é uma canção escrita e interpretada por Bob Dylan, lançada originalmente em seu álbum de 1965, 'Bringing It All Back Home'. 
A letra expressa a raiva de Dylan em relação à hipocrisia, ao comercialismo, ao consumismo e à mentalidade bélica percebidos na cultura americana da época. As preocupações de Dylan nas letras, no entanto, vão além do sociopolítico, expressando questões existenciais e abordando assuntos urgentes da experiência pessoal.

U2 fala do EP politicamente carregado 'Days Of Ash'


The Guardian

O U2 lançou sua primeira coleção de músicas inéditas desde 2017 – um EP politicamente carregado intitulado 'Days Of Ash', que aborda uma série de mortes de grande repercussão global, incluindo o assassinato de Renee Good por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos).
Good, mãe de três filhos, morta em 7 de janeiro enquanto protestava contra a atuação do ICE em Minneapolis, é o tema da faixa de abertura, "American Obituary".
"Renee Good, nascida para morrer livre / Mãe americana de três filhos / sétimo dia de janeiro / uma bala para cada filho, como você pode ver", canta Bono na música hard rock, após um riff direto e impactante de The Edge. "Renee, a 'terrorista doméstica'? / O que você não pode matar não pode morrer / A América se levantará contra o povo da mentira".
Em uma extensa entrevista publicada em um fanzine que acompanhou o lançamento do EP de seis músicas, uma continuação dos fanzines Propaganda que a banda começou a enviar aos fãs na década de 1980, Bono descreveu Good como "uma mulher comprometida com a desobediência civil não violenta".
Ele disse estar profundamente perturbado por ela ter sido rotulada de terrorista doméstica por Kristi Noem, chefe do Departamento de Segurança Interna dos EUA. "Isso foi uma tentativa de assassinar o próprio significado, o significado das palavras, o significado da verdade", disse Bono. "Se você deixar as pessoas saírem impunes disso, pode dar adeus à sua democracia". Ele pediu uma investigação independente sobre a morte de Good.
Em "Song Of The Future", a banda se concentra no movimento de protesto 'Mulheres, Vida, Liberdade' no Irã, que lutava pelos direitos das mulheres. Eles mencionam Sarina Esmailzadeh, que morreu em setembro de 2022, aos 16 anos, após ser espancada pelas forças de segurança iranianas durante os protestos, segundo uma investigação da Anistia Internacional. Autoridades iranianas alegaram que ela cometeu suicídio.
Bono canta: "Sarina, Sarina, ela é a canção do futuro que toca na minha mente". Em sua entrevista, ele caracteriza a classe dominante do Irã como "uma classe sacerdotal de homens cuja interpretação subjetiva do texto sagrado se torna um porrete para esmagar a cabeça de qualquer um que discorde".
A canção "One Life At A Time" é sobre Awdah Hathaleen, um ativista palestino que foi morto na Cisjordânia em julho de 2025 por um colono israelense. Hathaleen havia trabalhado no filme vencedor do Oscar 'No Other Land". Bono chamou o assassinato de "hediondo" e disse que esperava que a música fosse "um bálsamo".
"The Tears Of Things" leva o nome do livro de Richard Rohr, que aplica a sabedoria dos profetas judeus para abordar a violência e a raiva nos dias de hoje. A letra imagina uma conversa entre o Davi de Michelangelo e seu escultor. 
O EP também inclui a recitação de um poema do poeta israelense Yehuda Amichai, intitulado "Wildpeace", lido pelo músico nigeriano Adeola com música do U2.
Bono disse: "É a força moral do judaísmo que ajudou a moldar a civilização ocidental" e celebrou os "matemáticos, cientistas, escritores judeus, sem mencionar os compositores". Ele acrescentou: "Assim como a islamofobia, o antissemitismo deve ser combatido sempre que o presenciamos. O estupro, o assassinato e o sequestro de israelenses em 7 de outubro foram atos malignos, mas a autodefesa não justifica a brutalidade generalizada da resposta de Netanyahu".
Bono também reconheceu as vidas perdidas e os deslocados durante o conflito no Sudão e criticou o governo Trump pelo corte na ajuda externa dos EUA. Ed Sheeran participa da faixa de encerramento, "Yours Eternally", ao lado do músico ucraniano e ex-soldado Taras Topolia, que inspirou a canção, cantada como uma carta de um soldado em serviço no conflito com a Rússia. Sheeran havia intermediado um encontro entre Topolia, Bono e The Edge, que acabou acontecendo quando os três tocaram em uma estação de metrô de Kiev transformada em abrigo antibombas, em maio de 2022.
"Pergunte a qualquer pessoa na Alemanha Oriental, na Polônia ou na Letônia se eles acham que Putin vai parar na Ucrânia se puder?", disse Bono. "Ele encontraria uma desculpa para invadir a Irlanda se isso lhe conviesse". Ele elogiou Sheeran como um "turbilhão de talento" e Topolia como alguém que tem "esse senso de humor sombrio e espírito desafiador que amamos na melhor música rock’n’roll".
Um curta-documentário que acompanha "Yours Eternally", dirigido pelo cineasta ucraniano Ilya Mikhaylus, que acompanhou soldados ucranianos na linha de frente, será lançado em 24 de fevereiro para marcar o quarto aniversário da invasão russa.
No fanzine que acompanhou o lançamento, The Edge escreveu: "Acreditamos em um mundo onde as fronteiras não são apagadas pela força. Onde a cultura, a língua e a memória não são silenciadas pelo medo. Onde a dignidade de um povo não é negociável. Essa crença não é temporária. Não é uma moda política. É o alicerce em que nos apoiamos. E estamos juntos nessa posição".
Larry Mullen Jr. acrescentou em uma entrevista: "Desde os nossos primórdios, trabalhando com a Anistia Internacional ou o Greenpeace, nunca nos esquivamos de tomar uma posição e, às vezes, isso pode gerar algumas complicações, sempre há algum tipo de reação negativa, mas é uma parte importante de quem somos e do porquê de ainda existirmos".
Em outra parte da revista, o baixista Adam Clayton compartilhou suas escolhas culturais (incluindo a banda Geese e a escritora Deborah Levy) e destacou a importância da "tolerância, da liberdade e da escolha de não julgar precipitadamente".
Bono também delineou sua visão para um "centro radical" na política.
"A morte da verdade é o nascimento do mal", disse ele. "Tenho confiança de que os justos se levantarão contra essa aberração. Tenho muitos amigos conservadores queridos que estão tão preocupados com a extrema direita quanto meus amigos democratas estão preocupados com a extrema esquerda. Certamente o mundo precisa de um 'centro radical' que se inspire em ambas as tradições".
Apesar do conteúdo político do EP e da composição e ativismo do U2 em geral ao longo dos anos, ele reconheceu que "temos que ser parcimoniosos com a nossa amplificação de mensagens políticas… Sugiro racionar as más notícias, pois há um limite para o que uma alma pode suportar".

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Em clima de carnaval, U2 tem mais de 25 canções sendo produzidas para o novo álbum e projetos nos próximos anos


O U2 surpreendeu seus fãs na tarde de quarta-feira com o lançamento do EP de seis músicas, 'Days Of Ash', que aborda temas complexos como Israel, Ucrânia e a repressão do governo americano contra imigrantes por meio do ICE. 
Ele continuou: "'American Obituary' é uma canção de fúria... mas, mais do que isso, uma canção de luto. Não apenas por Renee, mas pela morte de uma América que, no mínimo, deveria ter uma investigação sobre seu assassinato."
Bono falou na revista sobre como começou a trabalhar com Ed Sheeran: "Só nos últimos anos é que conhecemos Ed e sua esposa, Cherry – ela é uma pessoa muito séria... divertida... mas uma ativista climática séria, que realmente pratica o que prega. Ed é um turbilhão de talento. Muita energia, que ele consegue ligar com mais facilidade do que desligar. Vejo muito de mim mesmo mais jovem em Ed, embora ele se leve um pouco menos a sério do que eu me levava na idade dele".
Ele continuou dizendo que, quando Sheeran foi a Dublin para gravar, percebeu que eles tinham "outras coisas em comum". Elaborou: "Ele é ainda mais impaciente no estúdio do que eu..." Disse que, quando trabalhavam juntos, "compunham músicas até altas horas da madrugada" e que "talvez tenha havido uma certa dose de Guinness envolvida".
"Yours Eternally", que conta com a colaboração de Ed Sheeran e do músico ucraniano que se tornou soldado, Taras Topolia, foi escrita em forma de carta por uma soldado em serviço ativo e acompanha um curta-metragem documental dirigido pelo cineasta ucraniano Ilya Mikhaylus.
O filme retrata o cotidiano de Alina e seus companheiros soldados que lutam na linha de frente da guerra e será lançado na terça-feira, 24 de fevereiro – quatro anos após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Ele continuou: "'American Obituary' é uma canção de fúria... mas, mais do que isso, uma canção de luto. Não apenas por Renee, mas pela morte de uma América que, no mínimo, deveria ter uma investigação sobre seu assassinato."
A banda também deu aos fãs uma atualização sobre o tão aguardado segundo álbum, sucessor de 'Songs Of Experience', de 2017.
"Há muito mais do que 25 músicas em produção", disse Bono em uma nova entrevista para a revista oficial do U2, Propaganda. "Mas eu diria que umas 25 valem a pena serem consideradas para projetos do U2 nos próximos anos. As candidatas a álbum têm um clima e tema bem diferentes das que escolhemos para o EP 'Days Of Ash'. Mais músicas de celebração do que de lamentação... uma sensação de alegria desafiadora para enfrentar esses tempos de ansiedade... quase uma vibe de carnaval".
"Só podemos lutar contra a escuridão até certo ponto", disse ele mais tarde na entrevista. "Vamos tentar fazer a luz brilhar mais forte em breve… Vamos tentar encontrá-la uns nos outros e nos nossos fãs. Vamos tentar encontrar aquela atmosfera de carnaval no nosso público, onde, com sorte, possamos mostrar uns aos outros não só onde estamos, mas onde queremos chegar… É preciso muita diversão. Não podemos deixar que as más notícias atrapalhem sempre as boas".
O trabalho começou após o término da residência de 40 shows no Sphere, em março de 2024. Eles tocaram esses shows com o baterista substituto Bram van den Berg enquanto Larry Mullen Jr. se recuperava de uma cirurgia no pescoço. Mas ele voltou à bateria para todas essas sessões de gravação. Em entrevista à Propaganda, Bono disse que Larry está "reconstruído". "Seu jeito de tocar está tão inovador como sempre", disse ele. "Não consigo descrever a sensação no estúdio quando finalmente conseguimos tocar juntos".
Em outra entrevista, Larry falou sobre o tempo que passou longe da banda. "Não vou mentir, não foi fácil perder a residência no Sphere por causa da lesão", disse ele. "Mas ignorei meus sintomas por alguns anos e simplesmente segui em frente. Acontece que não sou invencível, e quando você não ouve seu corpo, as consequências são inevitáveis".
"Sendo honesto", continuou ele, "eu não tinha certeza se conseguiria voltar a tocar, então foi muito importante estar na mesma sala que Edge, Adam e Bono novamente. Dito isso, precisei fazer algumas mudanças, como a forma como me sento na bateria e a altura das peças. Outras mudanças exigem mais prática e têm mais a ver com minha abordagem e intenção. Sempre fui um baterista intenso, mas estou tentando uma abordagem mais relaxada e estou curtindo a experiência. Isso pode estar relacionado ao fato de que não estou me machucando como antes".
Não há previsão para o lançamento do novo álbum, mas a Propaganda observa que ele "não está muito longe".
Em outro trecho da Propaganda, Bono falou abertamente sobre "cantar sobre a América novamente". Em resposta, Bono disse: "O U2 vem falando sobre a América durante a maior parte de nossa trajetória artística... este é um país que amamos e que nos amou de volta. Incrivelmente. Os americanos, em sua maioria, deram ao U2 e a mim em particular permissão para falar o que quiserem. "American Obituary' é uma canção de fúria... mas, mais do que isso, uma canção de luto. Não apenas por Renee, mas pela morte de uma América que, no mínimo, deveria ter uma investigação sobre seu assassinato".

Novas revelações sobre as letras de 'Days Of Ash', o novo EP do U2


Rolling Stone

O U2 retornou de um longo hiato com um EP surpresa de seis músicas, 'Days Of Ash', no qual abordam pontos críticos políticos ao redor do mundo, incluindo as batidas do ICE nos EUA, os levantes iranianos, a guerra na Ucrânia e os assentamentos israelenses na Cisjordânia.
O EP começa com "American Obituary", dedicada a Renee Good, morta por agentes do ICE em Minneapolis durante um protesto. "Renee Good nasceu para morrer livre", canta Bono. "Mãe americana de três filhos/Sétimo dia de janeiro/Uma bala para cada filho, entende?"
Em uma nova entrevista para a revista Propaganda, do U2 — que está sendo relançada como uma edição digital única e também estará disponível impressa em lojas selecionadas — Bono fala sobre a música. "O ritmo da letra é uma referência a uma das minhas músicas favoritas do Bob Dylan, "It's Alright Ma (I'm Only Bleeding)"", diz ele. "Na música dele, a criança canta para a mãe, e na nossa, a mãe canta para os filhos: 'Eu amo vocês mais do que o ódio ama a guerra'."
"The Tears Of Things" tem seu título inspirado no livro de Richard Rohr de 2025, 'The Tears Of Things: Prophetic Wisdom For An Age Of Outrage (As Lágrimas das Coisas: Sabedoria Profética Para Uma Era de Indignação). É uma conversa imaginária entre Michelangelo e sua estátua, Davi, refletindo o conflito em curso entre Israel e Gaza. "Se você colocar um homem em uma gaiola e sacudi-la por tempo suficiente", canta Bono, "um homem se transforma em uma fúria que não pode ser aprisionada... As lágrimas das coisas/Deixem o deserto descongelar".
Na entrevista para a Propaganda, Bono afirma que a banda se aproximou de Richard Rohr e encontra profundo significado em seus escritos. "Ele é um místico, um pensador profundo", diz Bono. "Seu livro sugere que os maiores profetas judeus encontraram uma maneira de superar sua raiva e indignação diante das injustiças da época, até que acabaram em lágrimas".
"Song Of The Future" é uma homenagem a Sarina Esmailzadeh, uma iraniana de 16 anos que foi espancada até a morte pelas forças de segurança iranianas após participar do movimento Mulheres, Vida e Liberdade de 2022. "Mais uma vez, temos uma classe sacerdotal de homens cuja interpretação subjetiva do texto sagrado se torna um instrumento para esmagar a cabeça de qualquer um que discorde", diz Bono. "Todos nós recriamos Deus à nossa própria imagem até certo ponto, mas, infelizmente, é muito mais provável que criemos um Deus de fogo e enxofre do que um Deus de 'amor e misericórdia', para citar Brian Wilson".
"Wildpeace" é um poema do poeta israelense Yehuda Amichai, lido pela artista nigeriana Adeola Fayehun, com música composta e arranjada pelo produtor Jacknife Lee. "Mal consigo ouvir a voz dela", diz Bono. "Ela me atravessa e, de alguma forma, evoca outros conflitos no continente africano apenas com a doçura de sua voz dolorosamente bela… Sudão, Deus morto".
"One Life At A Time" foi inspirada no documentário vencedor do Oscar de 2025, 'No Other Land'. A música foi escrita para o palestino Awdah Hathaleen, consultor do filme, que foi assassinado em sua aldeia na Cisjordânia por um colono israelense. O título da canção vem de uma frase dita por Basel Adra, cineasta de No Other Land, em seu funeral. "Uma vida de cada vez é uma espécie de reflexão existencial", diz Bono. "Podemos mudar o mundo para melhor ou para pior… uma vida de cada vez".
'Days Of Ash' termina com "Yours Eternally", que conta com participações especiais de Ed Sheeran e do cantor ucraniano Taras Topolia, que Edge e Bono conheceram quando viajaram para a Ucrânia logo após a invasão russa. A letra começou como uma carta para ele. "Quando contamos a Ed Sheeran sobre essa música em forma de carta, perguntando se ele poderia ser a voz respondendo à carta, ele topou na hora, mas com uma ressalva", diz Bono. "Ele disse: 'Adoro a música, adoro a Ucrânia. Mas prefiro não me envolver em nenhuma controvérsia política agora... Vocês não vão me envolver em política, vão?' 'Não, claro que não, Ed.' Talvez eu estivesse blefando".
As músicas foram produzidas por Jacknife Lee, colaborador de longa data da banda. "Quem precisa ouvir um novo disco nosso?", pergunta Larry Mullen Jr, em um comunicado. "Depende apenas se estamos fazendo música que achamos que merece ser ouvida. Acredito que essas novas músicas estão à altura dos nossos melhores trabalhos. Conversamos muito sobre quando lançar novas faixas. Nem sempre sabemos... do jeito que o mundo está agora, parece ser o momento certo. Desde os nossos primórdios, trabalhando com a Anistia Internacional ou o Greenpeace, nunca nos esquivamos de tomar uma posição, e às vezes isso pode gerar algumas complicações, sempre há algum tipo de reação negativa, mas é uma parte importante de quem somos e do porquê de ainda existirmos".
"Foi emocionante ter nós quatro juntos novamente no estúdio durante o último ano", disse Bono. "As músicas de 'Days Of Ash' têm um clima e tema muito diferentes das que vamos lançar no nosso álbum mais tarde. Essas faixas do EP não podiam esperar; essas músicas estavam impacientes para serem lançadas. São canções de desafio e consternação, de lamento. As músicas apresentadas aqui são todas reações às ansiedades atuais… algumas impulsivas… outras mais ponderadas. Todas provavelmente vão ofender ou irritar algumas pessoas, mas esse é o nosso trabalho! Também faz parte do trabalho do U2 descrever o mundo ao nosso redor… o que vocês poderiam chamar de nossa vida exterior, bem como a interior que eu – nós – temos documentado em projetos mais recentes… Então aqui estão elas – elas ganham seu próprio EP. Canções de celebração virão depois, estamos trabalhando nelas agora... porque, apesar de toda a maldade que vemos normalizada diariamente em nossas telinhas, não há nada de normal nesses tempos loucos e enlouquecedores, e precisamos nos levantar contra eles antes de podermos voltar a ter fé no futuro e uns nos outros".

Os significados das canções de 'Days Of Ash', o novo EP do U2 carregado de letras políticas e sociais


"American Obituary" relata o chocante evento que o mundo testemunhou em Minneapolis, Minnesota, em 7 de janeiro de 2026, quando Renée Nicole Macklin Good, uma manifestante pacífica, foi baleada e morta à queima-roupa por agentes do ICE, um braço do próprio governo. Essa mãe desarmada de três filhos foi então descrita como uma "terrorista doméstica" por uma administração que se recusa a retirar essa classificação, mesmo sabendo que não é verdadeira, ou a realizar uma investigação adequada sobre o ocorrido, em benefício de todos os envolvidos.
A primeira faixa do EP, foi a última trabalhada pelo U2. Bono começou a escrever a letra um dia após a morte de Renée.

A música "The Tears Of Things" empresta seu título de um livro do frade franciscano Richard Rohr, que examina, através dos escritos dos profetas judeus, como se pode viver com compaixão em tempos de violência e desespero. A canção imagina uma conversa entre o Davi de Michelangelo e seu criador… onde o jovem com a funda e as cinco pedras lisas rejeita a ideia de que precisa se tornar Golias para derrotá-lo… e também é revelado que ele tinha pupilas em formato de coração meio milênio antes do emoji de coração, o que intriga os visitantes da Galleria dell'Accademia em Florença, Itália, até hoje.

"Song Of The Future" homenageia o levante estudantil no Irã e a vida de Sarina Esmailzadeh, de 16 anos, uma das milhares de estudantes iranianas que foram às ruas como parte do movimento "Mulher, Vida, Liberdade" em 2022. 
Esses protestos foram desencadeados pela morte de Jina Mahsa Amini, uma jovem curda-iraniana que faleceu em Teerã em 16 de setembro daquele ano, em decorrência dos ferimentos sofridos após ser presa pela chamada "polícia da moralidade" por não usar o hijab, conforme exigido pelo governo. 
Sete dias depois, Sarina foi espancada pelas forças de segurança iranianas e morreu em decorrência dos ferimentos; o regime alegou que ela havia cometido suicídio. A canção busca capturar o espírito livre de Sarina, a promessa e a esperança de sua curta vida.

"Wildpeace" - um poema do autor e poeta israelense Yehuda Amichai - narrado pela artista nigeriana Adeola, do grupo Les Amazones d'Afrique, com música de U2 e Jacknife Lee.

U2 disponibiliza Lyric Video para cada uma das faixas do novo EP 'Days Of Ash'


O U2 lançou hoje, nesta Quarta Feira de Cinzas, um novo EP independente com 6 faixas, 'Days Of Ash'.
Antecipando um novo álbum no final de 2026, o novo EP é uma coleção completa de cinco músicas inéditas e um poema - "American Obituary", "The Tears Of Things", "Song Of The Future", "Wildpeace", "One Life At A Time" e "Yours Eternally" (com Ed Sheeran e Taras Topolia). 
A banda disponibiliza Lyric Video para cada uma das faixas:  

 

 

 

   

   

Entendendo 'Days Of Ash', o novo EP do U2


O site U2 Songs escreve que o U2 lançou de surpresa uma coletânea de seis músicas inéditas intitulada 'Days Of Ash'. O EP foi produzido por Jacknife Lee. O lançamento ocorreu sem divulgação prévia e sem aviso prévio. Já está disponível em plataformas digitais e serviços de streaming. O EP está disponível digitalmente em diversos formatos, incluindo áudio de alta resolução. 
A data de lançamento é a Quarta-feira de Cinzas, tradicionalmente conhecida como o "Dia Das Cinzas". Este dia dá nome ao lançamento. A Quarta-feira de Cinzas é um dia sagrado de jejum e oração, e marca o início da Quaresma, um período de reflexão e introspecção. A Quarta-feira de Cinzas também inicia o período de 40 dias (excluindo os domingos) que antecede a Páscoa. A Bíblia menciona um período de 40 dias e 40 noites em que Jesus passou seu tempo no deserto, jejuando e sendo tentado pelo diabo, o que provavelmente deu origem ao conceito da Quaresma. O U2 também destaca que a Quarta-feira de Cinzas é o dia seguinte ao Carnaval.
O EP tem uma temática política e faz referência a eventos atuais nos Estados Unidos, na Palestina e na Ucrânia. Bono comenta: "Foi emocionante ter nós quatro juntos novamente no estúdio durante o último ano. As músicas de 'Days Of Ash' têm um clima e um tema muito diferentes das que vamos lançar no nosso álbum ainda este ano. Essas faixas do EP não podiam esperar; essas músicas estavam ansiosas para serem lançadas. São canções de desafio e consternação..." 
Quatro das cinco músicas são inspiradas em indivíduos: "uma mãe, um pai, uma adolescente cujas vidas foram brutalmente interrompidas – e um soldado que preferiria estar cantando, mas está pronto para morrer pela liberdade do seu país". 
No site U2.com, uma série de capas, uma para cada música, foram disponibilizadas. Muitas incluem um rosto. "One Life At A Time" apresenta uma foto de Awdah Hathaleen, a ativista palestina assassinada por um colono israelense, cuja história inspirou a canção. 
"American Obituary" inclui uma foto de Renee Good, a jovem recentemente morta pelo ICE em Minnesota. 
"Yours Eternally" apresenta o rosto de Taras Topolia em seu uniforme do exército ucraniano. Topolia também participa da música. 
"Wildpeace" apresenta o logotipo da pomba usado no recente moletom 'Love And Peace Or Else' do fã-clube. 
"The Tears Of Things" apresenta uma imagem do rosto da estátua de Davi com suas pupilas em formato de coração. 
"Song Of The Future" apresenta uma imagem de Sarina Esmailzadeh, uma influenciadora digital adolescente iraniana e ativista dos direitos das mulheres, espancada e morta pelas forças de segurança iranianas.
O EP conta com a participação de diversos convidados. A terceira faixa é "Wildpeace", um poema escrito por Yehuda Amichai e lido por Adeola no EP. A música da faixa é assinada por U2 e Jacknife Lee. 
"Yours Eternally", a última faixa do EP, conta com a participação de Ed Sheeran e Taras Topolia. Topolia é o vocalista da banda ucraniana Antytila. Sheeran e Topolia já gravaram juntos anteriormente, e Bono e The Edge se juntaram a Topolia e ao Antytila no palco em um show em Londres em 2023 para apresentar "Mothers Of The Disappeared". Eles também se apresentaram com a banda em 2022 na estação de metrô Khreshchatyk em Kiev, Ucrânia.
O U2 está trabalhando em um novo álbum, e as músicas deste lançamento vieram dessas sessões, que ainda estão em andamento. As gravações do álbum começaram de fato em agosto de 2023, quando Larry Mullen, se recuperando de uma série de cirurgias, pôde retornar ao U2 em tempo integral no estúdio. As sessões de gravação do novo álbum aconteceram em Dublin, Los Angeles e no sul da França. O material que compõe este EP parece ser composto por gravações mais recentes, com base no conteúdo lírico das músicas.
Uma nova edição da revista Propaganda do U2 estará disponível em formato digital para celebrar o lançamento de 'Days Of Ash'. A revista é o volume 3, número 1, e comemora o 40º aniversário de seu lançamento. A plataforma servirá como uma análise do EP, incluindo também artigos sobre cada membro da banda, como Bono falando sobre as pessoas que inspiraram as músicas do álbum e o retorno de Larry à bateria. Seis vídeos com letras das músicas também estão disponíveis para promover o EP, todos já disponíveis.
Bono insinuou a possibilidade desse lançamento em algumas ocasiões no ano passado, dizendo a Brendan O'Connor na RTÉ Radio 1 em maio: "Queremos lançar algumas músicas deste álbum. Pode ser que demore mais de uma semana para sair. Queremos tocar algumas delas ao vivo. Prometemos isso a nós mesmos desde o nosso primeiro álbum. Não seria incrível se pudéssemos tocar isso ao vivo? Talvez até tocar ao vivo primeiro e depois lançar o álbum. Essa é outra ideia que estamos considerando". 
Durante a cerimônia de agradecimento do Woody Guthrie Awards, Bono e The Edge conversaram com T-Bone Burnett, e Bono voltou a falar sobre a ideia. Falando sobre a nova música "One Life At A Time" (presente no EP), Bono comentou: "Achei que seria interessante e a escrevi naquela semana. Ficamos com inveja, porque, sabe, Neil Young, acho que ele escreveu 'Ohio' sobre a Universidade Estadual de Kent, lançou a música, Crosby e Stills eram grandes nomes e lançaram a música naquela mesma semana. Nós não conseguimos. Porque não a terminamos".
A capa mostra o U2 reunido em volta da câmera, que está apontada para cima. Atrás da banda, é possível ver os desenhos de Jean Cocteau dentro da Capela Saint Pierre em Villefranche-sur-Mer, no sul da França. As paredes da capela foram pintadas por Cocteau em 1957. A capa foi criada por Shaughn McGrath, artista gráfico de longa data do U2.

De surpresa, U2 lança 'Days Of Ash', um EP com seis faixas inéditas


U2 - 'Days of Ash' 

Novo EP Já Disponível

'Seis cartões-postais do presente... gostaríamos de não estar aqui'

Nesta Quarta-feira de Cinzas (o dia seguinte ao carnaval), a banda lançou um novo EP independente com 6 faixas, 'Days Of Ash'.

Antecipando um novo álbum no final de 2026, o novo EP é uma coleção completa de cinco músicas inéditas e um poema - "American Obituary", "The Tears Of Things", "Song Of The Future", "Wildpeace", "One Life At A Time" e "Yours Eternally" (com Ed Sheeran e Taras Topolia) - uma resposta imediata aos eventos atuais e inspirada pelas muitas pessoas extraordinárias e corajosas que lutam na linha de frente da liberdade.
Quatro das cinco faixas são sobre indivíduos – uma mãe, um pai, uma adolescente cujas vidas foram brutalmente interrompidas – e um soldado que preferiria estar cantando, mas está pronto para morrer pela liberdade de seu país.
"Foi emocionante ter nós quatro juntos novamente no estúdio no último ano", explica Bono. "As músicas de 'Days Of Ash' são muito diferentes em clima e tema das que vamos colocar em nosso álbum mais tarde neste ano. Essas faixas do EP não podiam esperar; essas músicas estavam impacientes para serem lançadas. São canções de desafio e consternação..."
"Quem precisa ouvir um novo disco nosso?", pergunta Larry. "Depende apenas se estamos fazendo música que sentimos que merece ser ouvida. Acredito que essas novas músicas estão à altura do nosso melhor trabalho. Conversamos muito sobre quando lançar novas faixas. Você nem sempre sabe... do jeito que o mundo está agora, parece ser o momento certo".
Mais textos de Bono e Larry e também as opiniões de Edge e Adam estão em uma edição especial de 40º aniversário da revista da banda, Propaganda - publicada como uma revista digital de 52 páginas para marcar o lançamento do EP.







Adam Clayton diz que o U2 não tem uma relação extremamente íntima, e fala sobre o álbum que trouxe um incômodo


Chrissy Iley é uma jornalista premiada e reverenciada, além de uma palestrante cativante e fascinante. Ela é conhecida por suas entrevistas intimistas com personalidades ilustres.
Ela escreveu em 2004, em uma conversa com Adam Clayton: "Qual foi o seu maior fiasco? "Acho que o que mais me incomoda é como nos desviamos do caminho com o álbum ´POP'. Nos concentramos tanto em sair em turnê e criar o show, que foi incrível, que nos esquecemos de terminar o disco". 
Na época,'POP' foi massacrado pela crítica. Foi aclamado como a ruína da banda. Agora, em alguns círculos, é visto como um clássico peculiar. "Acho que simplesmente nos perdemos e agora faz parte da nossa história". 
Foi nessa época que você se perdeu? "Não, eu estava bem naquela época, isso aconteceu muito antes". O período anterior foi o noivado com Naomi Campbell. Sabe, o astro do rock precisa de uma supermodelo. Sempre achei uma pena que eles se conheceram quando ele estava fora de controle. Mas o verdadeiro Adam é carinhoso e educado, supersensível, e de muitas maneiras eles se davam bem. O caso com Campbell o transformou na celebridade que ele sempre tentou evitar, embora eu lembre que houve aquela época da arte da capa de 'Achtung Baby, onde ele apareceu nu para mostrar às garotas exatamente o que uma supermodelo recebe. 
"Sim, mas as pessoas ainda não reconheceram meu rosto. Tive sorte nesse sentido. Sempre fui um pouco tímido diante das câmeras". Então, obviamente, a maneira de lidar com isso é aparecer nu. Ele ri de suas próprias contradições. Muito mais confortável consigo mesmo hoje em dia. Ele quebra o chocolate que acompanha o café em quatro pedaços e saboreia cada pequena mordida. Muito controlado. Ele me diz: "Posso virar tudo de uma vez quando quiser". 
Cada um dos quatro conhece muito bem os pontos fortes, as fraquezas e os extremos dos outros. "De certa forma, não temos uma relação extremamente íntima, mas existe uma enorme tolerância, espaço, compreensão, amor e tudo o que dá suporte às pessoas. Há intimidade, sim, mas muitas vezes é algo relacionado ao trabalho, e depois cada um volta para sua família. É mais adulto. Não somos mais aqueles quatro caras que ficavam no fundo de uma van por dois anos e meio. Mas como posso resumir onde estamos agora? Não há nenhum sinal de que isso vá diminuir ou se diluir. De certa forma, estamos no auge da nossa capacidade"." 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Com 'No Line On The Horizon', se argumentou que o ativismo de Bono estava começando a prejudicar a harmonia, alienando fãs em potencial e influenciando tudo o que o U2 fazia


Em março de 2009 o U2 lançou seu décimo segundo álbum de estúdio e, embora as críticas tenham sido geralmente positivas, alguns argumentaram que o papel duplo de Bono como astro do rock e ativista "salvador" poderia estar interferindo na música.
'No Line On The Horizon' chegou às lojas como um dos maiores lançamentos de discos de 2009, sendo acompanhado de perto por uma indústria que buscava reverter a queda acentuada nas vendas de álbuns.
Ninguém acreditava que o U2 sozinho pudesse salvar a indústria da música, assim como ninguém acreditava que Bono sozinho pudesse aliviar a pobreza global. Mas havia muita expectativa em torno do primeiro álbum do grupo em mais de quatro anos.
Considerado um dos maiores candidatos a álbum do ano antes mesmo de chegar às lojas, 'No Line On The Horizon' foi descrito como o álbum mais experimental da banda desde 1991 e possivelmente o melhor desde então.
"Simplificando, tudo isso resulta no melhor álbum do U2 desde 'Achtung Baby'", escreveu a revista Q ao final de uma resenha de cinco estrelas. "Com o tempo, pode se provar ainda melhor".
A revista Rolling Stone também concedeu cinco estrelas, e a revista Mojo, quatro.
A banda passou por uma agitada campanha promocional, concedendo entrevistas para rádios, tocando para um pequeno grupo de fãs nos escritórios da BBC no centro de Londres e se apresentando no telhado para milhares de fãs, alguns deles vindos do exterior.
O álbum de onze faixas foi gravado no Marrocos, Dublin, Londres e Nova York, e as canções abordam temas familiares como amor, guerra, esperança e, talvez mais do que nunca, ser Bono. O vocalista há muito tempo conciliava uma carreira dupla como superestrela do rock e ativista de alto perfil, pressionando líderes mundiais e empresários a combater tudo, da AIDS à pobreza.
Há quem tenha sentido que sua missão estava começando a prejudicar a harmonia, alienando fãs em potencial e influenciando tudo o que o U2 faz.
"Está se tornando cada vez mais difícil ouvir a música do U2 sem filtrá-la através dos seus sentimentos sobre o outro Bono, aquele turbilhão estridente e santimonioso de idealismo, agenda e ego", escreveu J. Freedom du Lac no The Washington Post.
Ele, no entanto, afirmou que 'No Line On The Horizon' era "por vezes magnífico".
Em uma crítica mista, Pete Paphides, do The Times, chega a dizer: "Da próxima vez... Bono talvez devesse usar seus poderes diplomáticos em benefício de sua banda".
O cantor estavca ciente das críticas e relatou que seus próprios companheiros de banda consideravam seu incansável ativismo irritante.
Em "Stand Up Comedy", ele parece fazer uma piada consigo mesmo na letra: "Enfrente estrelas do rock / Napoleão está de salto alto / Josefina, cuidado com homens pequenos com grandes ideias".
"É irritante", disse ele em uma entrevista de rádio, quando questionado sobre seu apoio público ao ex-presidente dos EUA, George W. Bush, após este ter prometido dinheiro para o combate à AIDS.
"Não fica bem, né? Posso aguentar as garrafas, as pedras e o constrangimento para meus companheiros de banda, mas continuo sendo aquela coisa irritante: um protagonista de uma única causa".

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Brian Eno diz que o U2 quis recomeçar do zero por causa do fracasso de 'Rattle And Hum'


Em uma carreira que abrange o estrelato no rock como membro fundador do Roxy Music, trabalhos de produção para alguns dos nomes mais respeitados da indústria (U2, Talking Heads, David Bowie) e uma série de discos solo que recontextualizam os elementos básicos do pop, confiar um artista de destaque a Brian Eno deve ser considerado um ato de coragem para qualquer gravadora que se preze. 
Embora suas incursões criativas sejam bem-sucedidas na maioria das vezes — como demonstra o álbum 'The Joshua Tree', do U2 —, sua missão é incentivar os artistas a correrem riscos, uma atitude que raramente agrada aos executivos das gravadoras.
"Sempre faço questão de me reunir com a gravadora no início de um projeto", explica ele, "e suponho que isso os assuste um pouco, porque sempre digo: 'Olha, já está na hora dessas pessoas mudarem de direção. Elas precisam fazer algo diferente. Não adianta continuarem fazendo o que vêm fazendo'. E, claro, as pessoas sempre ficam um pouco desconfortáveis com isso, porque o passado, mesmo que não tenha sido tão bem-sucedido, pelo menos é confiável. Mas não tenho inimizade com as gravadoras nem nada do tipo. Acho apenas que o processo sufoca as ideias criativas, porque ninguém realmente quer assumir a responsabilidade por um fracasso".
Eno está perfeitamente disposto a fazer isso, e em grande escala: "Se você vai fracassar", ele insiste, "é melhor fracassar feio, feio mesmo. Vou te dizer por quê: porque um fracasso de verdade recomeça do zero. Você está renovado. Pode começar de novo. Aliás, foi assim que o U2 se sentiu depois de 'Rattle And Hum'. Muitas vezes, é nesse ponto que as pessoas querem trabalhar comigo. Muitas vezes penso que meu trabalho como produtor é persuadir as pessoas a depositarem sua confiança em novos caminhos. Todos os outros — a gravadora, o público — vão incentivá-los a confiar nos caminhos já trilhados. Costumo adotar posições extremas no estúdio. Tento levar as opiniões ao extremo, até mesmo ao ponto de dizer: 'Esta é potencialmente a melhor música que já ouvi na vida! E aqui, ao lado, está possivelmente a pior'. Isso inflama as pessoas, as faz lutar para defender algo. Quero descobrir o que elas realmente querem daquilo, o que gostam, o que acreditam ser especial. Se você conseguir descobrir isso, talvez consiga se livrar de toda a bagagem que vem junto. Comecei a gostar da ideia de ter dois estúdios funcionando simultaneamente. Agora fazemos isso sempre com o U2. Dessa forma, alguém pode ficar sozinho para se concentrar em algo sem ter que se preocupar com outras pessoas esperando, e os outros não ficam entediados". 
Outro benefício é a oportunidade de mergulhar em uma nova música depois de horas trabalhando na mesma. "É como um mundo totalmente novo", ele se maravilha. "Você consegue perceber todo tipo de coisa que se torna óbvia depois de ter escutado atentamente outra coisa. 'Ah, esse baixo está errado. É óbvio!'"

sábado, 14 de fevereiro de 2026

U2 50 Anos: "Vamos ser maiores que os Beatles"


Chrissy Iley é uma jornalista premiada e reverenciada, além de uma palestrante cativante e fascinante. Ela é conhecida por suas entrevistas intimistas com personalidades ilustres.
Ela escreveu em 2004, enquanto o U2 estava em Cote d'Azur durante as gravações de 'How To Dismantle An Atomic Bomb': "Às vezes parece que Adam Clayton sempre foi um outsider, até mesmo dentro da banda. Mas no mundo do U2, os extremos sempre se encontram. De muitas maneiras, ele é a força motriz. 
Foi ele quem, movido por "fé cega e ignorância inegável", disse: "Vamos ser maiores que os Beatles". Isso aconteceu quando eles tinham feito apenas alguns shows e estavam no auge de sua rebeldia e singularidade. 
Nos encontramos em um café na cobertura de um prédio em Nice. Ele mora um pouco isolado dos outros membros, embora ache que isso possa mudar em breve. Ele pede um expresso duplo, mesmo tendo parado de consumir cafeína recentemente. Esse é o jeito dele. Preocupado em revelar demais, mas ansioso para que eu chegue ao âmago da sua essência. 
Eu lhe digo que todos os outros membros da banda se lembram claramente do momento em que se tornaram maiores que os Beatles. "Naquela época, eu realmente não sabia o que estava dizendo, mas sei que você precisa se dedicar com paixão, e essa era a minha paixão: fazer isso de verdade. O punk surgiu mais ou menos na mesma época e te dava a sensação de que você podia fazer a diferença através da música. Eu me deixei levar. Não se tratava de ser um sucesso passageiro de fim de semana. Tratava-se de ser um fenômeno mundial". Ele dá um sorriso devagar.
Ele tem o rosto praticamente sem rugas, mas os olhos parecem bem mais velhos. Não é mais o loiro platinado, mas chegou carregando sacolas de compras de grife. Está em busca da camiseta perfeita. Ele diz que este álbum "foi uma experiência muito diferente. Não foi como se estivéssemos correndo por aí como loucos, sem dormir". Embora Bono raramente durma mais de quatro horas por noite. Ele não acha que seu ritmo seja acelerado, apenas que o resto do mundo é lento. 
O tempo em que Clayton jogava o baixo no chão e dizia para Bono: "Então toca você", e saía furioso para algum paraíso ou inferno regado a drogas, já passou. Aconteceu algo que o tornou mais harmonioso agora? "Minha opinião pessoal é que todos nós fizemos 40 anos nos últimos dois ou três anos, e isso realmente faz diferença. Você pode olhar para trás e ver o quão bem a banda se saiu e que banda incrível ela é. É impossível não se sentir bem com isso", diz ele, inquieto. A garçonete esqueceu o pedido de café dele e ele já se sente culpado pelo expresso duplo. Ele diz que sentiu necessidade de estar em um estado alterado de consciência para a entrevista. O café chega. Ele parece mais calmo.
"Poucas pessoas chegam a 25 anos de casamento ou parceria comercial. Sabe, coletivamente, acho que tomamos algumas decisões ruins. Sobrevivemos a elas, e sobreviver é tanto lidar com as decisões ruins quanto com as boas"." 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

U2 50 Anos: "A banda sobreviveu a milhares de birras, a vários dramas dolorosos, e seguiu em frente unida graças ao amor e respeito que todos têm uns pelos outros"


Chrissy Iley é uma jornalista premiada e reverenciada, além de uma palestrante cativante e fascinante. Ela é conhecida por suas entrevistas intimistas com personalidades ilustres.
Ela escreveu em 2004: "É um daqueles restaurantes na praia, uma noite quente de verão em todos os sentidos da palavra. Estamos em Côte d'Azur. Sua energia especial era apreciada por artistas como Picasso e ditadores como Mobutu. 
Bono está conversando animadamente em outra mesa com um homem que gostaria de construir uma catedral para todas as religiões. 
Larry Mullen está se deliciando com tempurá e batatas fritas. Sua pele brilha dourada, mesmo sob o luar. Ele parece pelo menos 15 anos mais jovem do que seus 42 anos. Ele está sentado ao lado de uma mulher que tem fortes ligações com Tony Blair. Às vezes, ele se desespera com o apetite de Bono pela política, às vezes eles discutem sobre isso, mas na maioria das vezes Bono dá um jeito. Você fica se perguntando o tempo todo como ele conseguiu, transitar entre o palco do rock e a influência política. Mas, afinal, como ele conseguiu abraçar o fato de ser um deus do rock e, bem, Deus? Se você passar algum tempo na companhia dele, saberá que existe um motivo para Bono ser Bono e o U2 ser o U2 – a maior banda de rock de todos os tempos. 
Adam Clayton não está conosco esta noite. Em parte porque mora no lado errado de Nice e não gosta de dirigir no escuro depois da cirurgia a laser nos olhos. E em parte, suspeito, porque não se tortura bebendo álcool. Ele quase se perdeu num vórtice autodestrutivo. Agora, ele é cauteloso no extremo oposto. 
O que está claro agora é que a banda sobreviveu a milhares de birras, a vários dramas dolorosos, e seguiu em frente unida graças ao amor e respeito que todos têm uns pelos outros. É uma co-dependência muito elegante. 
Na manhã seguinte, a ressaca. Bono estava com uma angústia indefinida. Talvez estivesse muito preocupado que eu pensasse que tudo na vida dele era um mar de rosas. Talvez fosse porque o fotógrafo Greg Williams estava andando pelos jardins com algumas centenas de quilos de açúcar. 
Ele estava fotografando uma campanha publicitária para a Oxfam e Bono seria fotografado embaixo de uma montanha de açúcar. Acho que Chris Martin ficou com o leite. E houve uma breve discussão sobre se ele preferiria ficar coberto de leite, açúcar ou farinha. 
Mas é verdade que a vida do U2 nem sempre é uma aconchegante montanha de açúcar. Não foram exatamente anos de berço de ouro. 
Depois da luta inicial – lembrem-se que eles costumavam se preocupar se eram "muito religiosos" para serem descolados, depois a questão passou a ser se estavam "muito satisfeitos". Aquele período em torno de 'Achtung Baby' e 'POP', nos anos 90, foi o mais turbulento e difícil para eles. 
Foi quando Adam se perdeu com drogas e vários outros excessos. E foi então que Larry, depois de estar três anos em turnê (a turnê 'Zooropa' de 1993), acabou no Japão e, sem saber o que era um lar, tentou convencer Edge de que seria uma boa ideia comprar motocicletas e atravessar os Estados Unidos durante seis meses.
O que aconteceu quando você ficou meio maluco depois da longa agenda de turnês? "Foi há uns dez anos, e estávamos na estrada com o 'Achtung Baby' e a 'Zoo TV' por uns dois anos. Terminamos a turnê no Japão. Simplesmente sumimos na noite e nos metemos em encrencas terríveis. O último show aconteceu e o Edge disse que estava ansioso para voltar à vida normal, mas eu não aguentava mais. Eu disse: 'Que tal comprarmos motos e viajarmos pelos Estados Unidos por seis meses?' Por um breve instante, achei que era uma boa ideia". Você teve aquela síndrome em que seu torturador vai embora e você diz: "Pode voltar e me torturar mais um pouco?" Ele respondeu: "Sim, foi exatamente assim que me senti".
O que ele fez durante esse tempo foi ir para Nova York por seis meses, para um "médico de bateria". Uma espécie de quiroprático especializado em bateria de rock. Ele aprendeu a se manter em forma e a praticar artes marciais. Agora, o negócio dele é: "Sempre que fazemos turnê e vamos para uma cidade diferente, onde as mulheres gostam de fazer compras, eu vou para a academia local. É algo que aprendi a amar". Ele também gosta da ideia de fazer algo que vá contra sua personalidade. Ele é introvertido, mas gostou de ser o centro das atenções no vídeo de "Electrical Storm". "Eu gostaria de estar em uma banda que ainda faça ótimos álbuns porque não acho que a idade tenha algo a ver com isso, e gosto da ideia de encarar um novo desafio atuando. Gosto da ideia de começar mais tarde. Mas sabe, a banda é tudo o que eu sempre quis, e sou pago para isso. Não quero parecer arrogante porque seria horrível. Mas é como se eu tivesse o melhor emprego do mundo, sabe?""
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