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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Quando Bono teve que enfrentar momentos em que ele se sentiu perto de sucumbir emocionalmente


No ano de 2001, durante a turnê 'Elevation' do U2, Bono teve que enfrentar momentos em que ele se sentiu perto de sucumbir emocionalmente. Ele mesmo conta:

"Nós estávamos em turnê no Reino Unido e eu estava pegando um pequeno avião após cada show - saia do palco, direto para Dublin, até a cabeceira da cama do meu pai no hospital, e para um completo silêncio, com a multidão do show ainda zumbindo nos meus ouvidos.
Estes foram períodos muito difíceis para ele e eu queria estar lá. O meu irmão Norman me dava um apoio incrível, e eu me lembrei que ele era mesmo o meu irmão mais velho. Ele estava no controle, sabia o que fazer, e eu era seu passageiro. Mas eu fiz os turnos da noite. E também alguns dos irmãos do meu pai e esta família chamada Lloyds, com os quais ele morava. Foi muito bizarro.
Eu estava desapontado pela maneira que eu não poderia ter as conversas com ele que eu gostaria de ter. Ele estava muito doente. Ele tinha a doença de Parkinson, então ele estava sussurrando a maior parte do tempo. Ocasionalmente, tão claro como um sino, ele saia disto. Eu me lembro das enfermeiras dizendo: "Grande, Bob. Visitas, Bob. Ele dizia: "Sim, ótimo, ótimo quando eles vão embora". Toda a sua energia foi direcionada para o humor. Foi assim que ele manteve a sua dignidade. Minha única oração era que ele mantivesse sua dignidade. Ele era um homem muito digno, um homem encantador. Mas eu não recebi essa oração. Porque o câncer é um processo cruel e lento que, finalmente, apenas tira toda a dignidade, nos últimos estágios, apesar dos avanços na medicina, e da enfermagem paliativa. Foi uma pequena epifania. Você sabe que o nascimento é um negócio bagunçado também, para mãe e filho, e eu comecei a me perguntar se talvez dignidade não fosse tão importante, no final das contas. Talvez seja uma construção humana - as pessoas colocam ao lado de coisas como justiça e coragem, mas eu não acho que seja. Eu acho que a humildade pode ser muito mais importante para enfrentar o seu criador, e dignidade pode ser um vizinho da porta ao lado do orgulho, ou pior, a vaidade.
Ele ficou irritado em um determinado ponto. Suas últimas palavras foram: "Você está tudo louco?", o que é pesado. Ele me acordou no meio da noite. Eu fui até ele e ele estava sussurrando. Chamei a enfermeira. Nós dois levamos nossos ouvidos até sua boca. E então tão claro quanto um sino ele disse: "Você está louco?". Eu saltei. Estive à procura de um sorriso, mas ele não sorriu. Ele disse: "Olha, aqui é uma prisão, eu quero ir para casa". E ele foi.....
Eu o desenhei. Tenho muitos desenhos, dos quais eu estou feliz. Eu fiz todo o tipo de coisa que ele não me deixaria fazer quando as suas defesas estavam erguidas. Eu li Shakespeare para ele, Shelley, esta nova tradução que eu tenho da Bíblia, Eugene Peterson. Ele o expulsaria da sala por isso. Ele mesmo era um autodidata e, em uma idade mais avançada, em seus vinte anos, ele lia todos os clássicos e era um grande tenor, um grande músico e a ópera encheu nossa casa. Na Irlanda, os jornais escreveram essa coisa que eu estava muito bravo com ele, por ele não ter me encorajado a fazer as coisas que ele lamentava profundamente que ele não tivesse feito a si mesmo. A raiva a que me referi naquele artigo foi a fúria que senti como músico, no comprometimento com as melodias com as quais acordei. Com estruturas de acordes que eu acho que poderiam ser muito melhores, eu tinha uma educação em música. Eu tenho uma certa frustração em mim, e há raiva em mim, mas não é com ele, é comigo, e que não consegui superar isso.
Eu tinha um verso de uma letra, "Kite", sobre levar as crianças em Killiney Hill para empinar uma pipa. Então eu lembrei, retornou à minha mente, e eu me lembrei de estar em Rush ou Skerries, um incidente onde exatamente a mesma coisa aconteceu. Nós costumávamos ter uma Caravan, e senti que o adeus da música não era de mim para ele, mas dele para mim. Essa é a questão da composição de músicas - você é o último a saber sobre o que você está fazendo."
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