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terça-feira, 18 de julho de 2017

Bono seria o recepcionista em 'O Hotel de Um Milhão De Dólares'


'O Hotel de Um Milhão De Dólares' é um projeto que o diretor Wim Wenders concebeu com Bono, o autor da ideia e do primeiro roteiro.
Os resultados desse "conto de fadas moderno", como o alemão define o filme, ganhador do Prêmio do Júri no Festival de Berlim, são discutíveis, para muitos, mas ninguém duvida de que nesse hotel residem todas as obsessões de um diretor entregue à paixão amorosa e à exploração dos mistérios da morte.
Lá vivem o protagonista, Tom Tom, interpretado por Jeremy Davis; uma prostituta nervosa encarnada por Milla Jovovich, que fez Joana D'Arc antes; um sujeito, Peter S. Muller, que acha que é ao mesmo tempo John Lennon e um índio sioux. Um poeta morre. É então que Skinner, um agente com pinta de androide do FBI, é designado para investigar o caso. Entra em cena Mel Gibson, para colocar as coisas em ordem.
Wenders explica: "O tesouro desse filme são os personagens e o lugar no qual vivem. Não consigo trabalhar em locais pelos quais não me apaixone", assegura.
"E esse hotel é real, existe, não teve de ser inventado. Fica em Los Angeles e possui o nome que possui no filme. Eu o conheci em 1990, em plena ressaca dos anos Reagan, como recurso para as pessoas que não têm mais nada. O último refúgio para alguém que saindo dali terminaria na rua", diz, e desmente que o filme seja uma promoção comercial para os donos do hotel.
"Não creio que depois de assistir o filme muita gente queira se hospedar ali. O tapete do saguão é horrendo. Nós não nos hospedamos lá. Quer dizer, eu não, porque Milla e Jeremy ficaram duas semanas lá, convivendo com os clientes", conta o diretor.
A filmagem dessas imagens preciosistas e atuações pouco convencionais e um tanto histriônicas demorou 35 dias. "O prazo era curto, e fizemos retoques digitalmente em algumas coisas para melhorá-las". É esse o caso do letreiro do hotel, que estava em estado lastimável.
"Pedimos uma verba para restaurá-lo, mas nos disseram que isso custaria US$ 200 mil e eu decidi recorrer aos efeitos especiais. Terminamos criando em Munique o letreiro usado no filme, por menos de US$ 2 mil", conta esse entusiasta das novas tecnologias - tanto que estreou o filme com uma cópia digital de alta definição, com imagem mais nítida.
O projeto chegou às mãos de Wenders em 1994. Bono, seu amigo, deu-lhe o roteiro original para que comentasse. "Li, discutimos o texto durante dois dias sem pensar em produzi-lo, e eu disse que só faltava um diretor. Aí ele me encarou e sorriu maliciosamente", conta, "e eu entendi, não consegui recusar. Não sabia que ele era tão esperto".
A amizade entre os dois data de quando Wenders dirigiu um vídeo para uma das canções de 'Zooropa'. Wenders é padrinho de um dos filhos de Bono, e eles são muito unidos.
A trilha sonora de 'O Hotel de Um Milhão De Dólares' é do próprio Bono e do U2, que contou com a ajuda de dois dos seus colaboradores, Brian Eno e Daniel Lanois, dupla que sempre esteve por trás do sucesso da banda.
"A música é a parte mais bonita da pós-produção de um filme", diz Wenders. "Não estranho que o filme tenha saído da cabeça de um músico, porque esse tipo de mente está aberta a tudo", diz o diretor, que não enfrentou muitos problemas para apor sua assinatura ao argumento de Bono.
Bono confiou plenamente em Wenders. Um artista como ele é difícil de encontrar porque, disse o cantor, "é daqueles que vão sempre contra a corrente". O músico respeitou ao máximo o trabalho do diretor.
"A música se enquadrou perfeitamente ao filme, e ele não participou da filmagem", conta Wenders, "ainda que eu quisesse vê-lo fazendo um papel, o de recepcionista, que em princípio era dele". Mas no final restou uma pequena aparição, com Bono saindo por um instante de uma festa que acontece no saguão.
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