The Associated Press - Janeiro de 1997
O som eletrônico e vibrante da tão aguardada nova música do U2, "Discothèque", tem dominado as ondas do rádio e dos canais de vídeo desde sua estreia, há três semanas.
Mas os fãs que querem comprar o single estão sem sorte — até 11 de fevereiro.
É uma técnica de marketing peculiar — imagine anunciar uma bebida refrescante, mas não tê-la nas prateleiras das lojas em um dia quente de verão — mas não incomum no mundo da música pop, tão movido a hype.
"O objetivo é criar uma grande expectativa, tentar gerar uma espécie de evento", diz Stephen Dessau, presidente da Track Marketing Partners, uma empresa de marketing musical.
Na loja de discos HMV, no centro de Manhattan, porém, o gerente Mohamed Fazel não está muito animado. Ele estima que cerca de 150 clientes perguntaram sobre o single e ele teve que dizer que não tinha nenhum à venda.
Alguns clientes saem irritados e outros não acreditam nele, conta.
"Eu gostaria de ter tido", diz Fazel, "Seria um grande impulso para as vendas. U2 vende discos".
A Island Records, e a indústria como um todo, espera que isso seja verdade. Depois que as vendas de música permaneceram praticamente estagnadas em 1996, a indústria deposita suas esperanças na popular banda de rock irlandesa para ajudar a tirar o mercado da crise.
O U2 não é apenas uma das poucas megaestrelas com um público fiel, mas o próximo álbum, 'POP', promete experimentar alguns dos sons dançantes e hipnóticos que alguns na indústria acreditam que podem ser o próximo grande gênero popular.
'POP' tem lançamento previsto para 4 de março.
O período de quatro semanas de antecedência para "Discothèque" se deve em parte à logística. É necessário tempo para garantir que o disco esteja disponível em lojas do mundo todo. A Island queria evitar vazamentos e não queria que algumas estações de rádio começassem a tocar a música antes de outras, irritando seus concorrentes, diz Hooman Majd, vice-presidente executivo da Island.
Mas a Island também quer criar expectativa, para que, quando o disco finalmente for lançado, se esgote rapidamente — e faça uma estreia estrondosa no topo das paradas.
O efeito manada, então, pode gerar ainda mais vendas.
"Se estiverem tocando, preferimos ter o disco em mãos", diz John Wheat, chefe de marketing da Virgin Megastore em Manhattan. "Mas isso cria expectativa, então ele esgota rapidinho quando chega às lojas".
A Mercury Records tentou a mesma coisa com 'Key West Intermezzo (I Saw You First)', de John Mellencamp, no outono passado. E Fazel lembra de ter recebido reclamações sobre o último single de George Michael ter tocado no rádio antes de chegar às lojas.
As prévias podem funcionar para artistas consagrados com fãs fiéis, mas não para músicos jovens. As gravadoras não querem correr o risco de afastar clientes interessados quando se trata de um artista novo tentando construir um público.
O prazo de lançamento do U2 parece um pouco maior do que o normal, especialmente porque a maioria dos fãs provavelmente vai querer o álbum, e não um single, disse Dessau.
Mas tem havido muita conversa sobre 'POP' e algum atraso: a Island Records inicialmente queria que o álbum estivesse nas lojas a tempo para as festas de fim de ano.
Majd afirma que a Island Records não recebeu nenhuma reclamação sobre a indisponibilidade de "Discothèque". Muitos varejistas aceitam isso como parte do negócio, diz John Sullivan, porta-voz da rede Trans World, com 482 lojas, que também desconhece reclamações.
"Os fãs mais dedicados costumam saber com bastante antecedência a data de lançamento", diz Majd.
















