Billboard Magazine - 1983
A guerra pode ser um inferno, mas para o U2, da Irlanda, a resposta a 'War', seu terceiro álbum pela Island Records, tem sido motivo de comemoração. De longe o lançamento mais vendido da banda nos EUA, o álbum entrou para o top 20 das paradas, gerou dois singles de sucesso e impulsionou palpavelmente sua atual turnê pelo país, que tem lotado as maiores casas de shows onde eles já tocaram.
Tendências são uma grande bobagem, mas para o U2 esses marcos na carreira não são os únicos elementos irônicos para essa gravação, ou para os quatro músicos determinados que compõem a banda. Embora frequentemente rotulados como "música nova" em voga atualmente, o U2 resiste não apenas a esse rótulo, mas à maioria das características dessa categoria cada vez mais nebulosa.
"É algo contra o qual sempre lutamos", insiste o guitarrista The Edge, comentando sobre a estereotipagem do pós-punk. "A maior parte da 'música nova' que está sendo programada aqui é muito pop, muito descartável – tirando o estilo instrumental, não há muita mudança, na verdade". Embora ele elogie as rádios americanas por estarem "dispostas a correr mais riscos" do que com os álbuns anteriores da banda, ele permanece firme em sua convicção de que o U2 não faz parte do movimento da música nova.
"Algo que fazemos questão de salientar é que 'música nova' é uma expressão sem sentido", afirma ele. "Basicamente, o que tocamos é música do U2. Além disso, não queremos fazer parte de nenhum movimento".
Essa declaração se encaixa perfeitamente com a música do grupo, que continua na linha atmosférica e guiada pela guitarra dos álbuns anteriores. Embora o novo álbum amplie a formação do U2 — que também inclui o vocalista Bono Vox, o baixista Adam Clayton e o baterista Larry Mullen — com uma seleção eclética de músicos convidados, não há nenhuma referência externa às tendências atuais.
The Edge afirma: "Acho que, basicamente, a América finalmente descobriu o U2. Não acho que tenhamos mudado o estilo, ou nossa química musical, em nada. Talvez tenhamos conseguido condensar um pouco nosso estilo, como em "New Year's Day"..."
Essa música pode ser uma das poucas conexões da banda com o boom da música contemporânea, ou seja, a grande exposição que o videoclipe do single proporcionou na TV a cabo, paga e aberta. Mas o guitarrista sério da banda enfatiza a diferença do clipe em relação à maioria dos outros: filmado em uma floresta coberta de neve, ele mostra os membros da banda atravessando a paisagem congelada, intercalado com imagens de batalhas apocalípticas.
The Edge acredita que a proeminência do clipe deriva desse estilo visual austero, bem como da forte corrente subterrânea de temas anti-guerra da música. E é sobre a questão do conteúdo temático que ele e seus parceiros estão se mostrando mais eloquentes agora. "Na verdade, estamos muito otimistas em relação à nossa perspectiva, mas tentamos ir além das letras sobre relacionamentos amorosos que são tão comuns na música pop atual. Ainda escrevemos com base no sentimento. Não nos sentamos para intelectualizar nossas músicas. Se existe algum peso político no que fazemos, é por causa do nosso comprometimento emocional".
Ele compartilha da visão de que grande parte da cultura popular é essencialmente "escapista" em resposta a um elemento palpável de apatia. "Não é apenas um problema americano", sugere ele. "É universal. Acho que as pessoas estão genuinamente com muito medo de olhar além do próprio umbigo".
Contudo, embora reconheça essa necessidade de isolamento, o guitarrista da banda também acredita que a influência do U2 reside na sua disposição de ultrapassar essa fronteira. "Parece haver uma resposta muito empática do público nos shows — eles respondem a pessoas cantando sobre coisas com as quais realmente se importam, em vez de participarem de algum tipo de ritual pop onde a música é secundária".
Se essas questões profundas continuam no centro do trabalho da banda (assim como das conversas entre seus membros sobre o assunto), há uma satisfação mais leve e evidente com a ascensão meteórica que a banda vem alcançando. The Edge afirma, com certo espanto, que apesar da mudança de distribuição da Island para a Atlantic, antes de 'War', "a maioria do pessoal da Warner Bros. ainda trabalhou no disco e compareceu ao show".













