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domingo, 27 de setembro de 2026

A participação de Bono, The Edge, Larry Mullen Jr. e Adam Clayton no podcast 'Drummer Seeks Musicans: The Making Of U2'


The Irish Times - Róisín Ingle

Todo mundo conhece a história de origem do U2. Ou pelo menos acha que conhece. Em setembro de 1976, Larry Mullen Jr., com 14 anos, colocou uma nota no mural da Mount Temple Comprehensive School procurando pessoas para tocar música. "Baterista procura músicos para formar banda. Contato: Larry Mullen, terceiro ano".
Ele não poderia saber na época, mas sua nota se tornaria um momento sísmico na cultura musical irlandesa e global, uma pequena borboleta de papel batendo suas asas no lado norte de Dublin e causando um furacão musical pelo mundo.
Cinquenta anos depois, a banda que se formou a partir do simples apelo de um adolescente quieto de cabelos loiros até os ombros ainda está junta, ainda fazendo música. Eles lançarão um novo álbum em breve.
É quase inédito no rock'n'roll, uma indústria repleta de separações conturbadas e mudanças de formação: o U2 como os conhecemos agora é o U2 como era naquela época. Quatro autoproclamados aventureiros que fizeram sucesso.
Nos últimos nove meses, tenho pesquisado essa história de origem para um podcast em três partes do Irish Times chamado 'Drummer Seeks Musicans: The Making Of U2' (Baterista Procura Músicos: A Criação Do U2). A ideia para a série surgiu na minha cabeça no ano passado, quando percebi que 25 de setembro marcaria 50 anos desde que Larry Mullen colocou aquela nota, e essa ideia não me abandonou.
Há décadas que sou fascinada por esse mito de criação. Eu era adolescente e estudava do outro lado da cidade quando isso despertou minha imaginação pela primeira vez. Era 1987, eu tinha 16 anos e o U2 estava explodindo nos Estados Unidos com o álbum 'The Joshua Tree'. A ideia de que uma banda de Dublin pudesse se tornar uma das maiores do mundo, e que tudo tivesse começado com uma nota em um mural da escola, parecia um milagre para mim.
Então, cinco anos atrás, me vi sentada em uma carteira no Mount Temple. Era um sonho realizado. O sonho não era exatamente como eu havia imaginado. No meu sonho original, eu era aluna de lá – um lugar que educava meninos e meninas juntos, uma escola não-denominacional onde a individualidade era incentivada e não era preciso usar uniforme. Agora eu estava lá como mãe. Mandei meus filhos para Mount Temple por causa da nota de Larry Mullen.
Ao visitar a escola ao longo dos anos para reuniões de pais e professores ou concertos de Natal, eu sempre me maravilhava com o fato de ela não divulgar o que aconteceu ali. Não há nenhuma placa no quadro de avisos celebrando o momento em que Larry Mullen colocou o bilhete.
Eu tinha ouvido dizer que fãs de todo o mundo ocasionalmente chegavam lá para caminhar pelo solo sagrado onde seus heróis musicais deram os primeiros passos para se tornarem o U2.
Em alguns meses, eles não poderão mais fazer isso. O prédio da escola onde o U2 foi formado, onde metade deles conheceu seus parceiros atuais e onde o propósito de suas vidas se tornou evidente, está sendo demolido. Uma nova escola já está sendo construída atrás da original.
Com o 50º aniversário da banda e os preparativos da escola para um novo capítulo, pareceu o momento perfeito para mergulhar na formação do U2. O podcast é a história de uma nota musical, mas também é a história de uma escola. Uma história de fé, amizade e quatro adolescentes que não faziam ideia do que os aguardava.
O podcast teve a bênção do U2, e Adam Clayton conversou comigo para ele, mas eu não tinha certeza até as últimas semanas de edição se a própria banda participaria.
No final, eles participaram. Aqui estão alguns destaques editados dessa conversa. Eles falam sobre professores da Mount Temple, como Jack Heaslip, Albert Bradshaw, Donald Moxham e Sophie Shirley, sua professora de educação religiosa. Eles compartilham suas memórias dessa história de origem agora lendária.
Comecei agradecendo à banda, em especial a Larry Mullen, porque se não fosse por ele, nada disso estaria acontecendo.

Larry: Todo mundo está aqui por minha causa.

Bono: Não o incentive.

O que todos acham daquela famosa nota 50 anos depois?

Edge: Muito grato pela nota. Na verdade, o mais estranho é que eu nunca vi a nota fisicamente. Foi meu professor de música, Albert Bradshaw, que me contou sobre ela, porque eu tinha deixado escapar que estava tocando guitarra elétrica.
E, por incrível que pareça, outro amigo meu da escola era baterista, David Barnett, e ele tocava em uma banda de garagem. Eu fui vê-lo tocar e pensei: "Isso é muito divertido. Eu adoraria estar em uma banda assim". Literalmente na semana seguinte, fiquei sabendo da nota do Larry. Então, fiquei muito feliz.

Bono: Bem, principalmente gratidão, e não apenas aos amigos que fiz no U2, mas também à amizade na forma de Reggie Manuel, o Cocker Spaniel, que me levou para o ensaio e me disse que eu podia fazer isso quando eu estava discutindo com ele que não era a coisa certa a se fazer. Ele me levou até lá na sua Yamaha 100 e, sim, esse tipo de amizade, a amizade mais ampla, a comunidade que temos ao nosso redor e ainda temos, é uma comunidade muito criativa.

Adam: Estou questionando a autenticidade desta nota, já que nenhum de nós a viu. Então, não tenho certeza se essa nota realmente existiu, mas se vocês precisarem dela para a narrativa, tudo bem.

Quais são as lembranças da banda sobre 25 de setembro de 1976, a cozinha do Larry, o dia em que tudo começou?

Larry: É algo em que tenho refletido nos últimos dias. Foram 50 anos de inferno. Se eu tivesse percebido na época que era nisso que eu estava embarcando, provavelmente teria feito outra coisa.
Outra coisa é que havia outras duas pessoas no ensaio na minha cozinha. Estavam lá Peter Martin, meu amigo da escola, e Ivan McCormick.
Parece que houve um pequeno engano sobre quem seria escolhido para a banda. Acabei ficando com Bono e Edge, mas na verdade deveriam ser Ivan e Peter.
Não consegui desfazer isso, mas ainda há tempo.

Bono: Não me lembro se foi na cozinha da primeira vez, mas lembro que a mãe do Larry era uma presença angelical em nossas vidas em geral, apoiando muito a banda. Edge e Larry sabiam tocar; Adam e eu estávamos blefando – e fizemos o que todos os blefadores fazem: entramos para a área de vendas. Ele se tornou manager e eu me tornei o vocalista.
Sophie Shirley estava em uma escola não religiosa nos ensinando a não religião, o que acabou se transformando, eu suponho, em uma fé profunda – e havia fé uns nos outros, fé em nós mesmos, fé em Deus, porque Deus, no fim das contas, adora pegar perdedores como nós e transformá-los em vencedores. A divina comédia do U2 é que somos as pessoas menos prováveis.

Larry: Aconteceram tantas coisas emocionais, físicas e complexas naquela cozinha, mas a mais profunda, provavelmente, é o fato de meus pais terem movido a mesa da cozinha para o jardim dos fundos e facilitado essa ideia maluca de pessoas aparecendo na cozinha, em um subúrbio de Dublin, tocando instrumentos em um volume relativamente alto. O fato de eles terem permitido isso é realmente o que mais me impressiona.

Como o U2 se sente agora, como adultos e pais, em relação ao espírito da Mount Temple Comprehensive School?

Edge: Nós só queríamos passar um tempo juntos e tocar música. Mas o fato de serem as mesmas pessoas é absolutamente surpreendente para mim. E isso diz muito sobre a cultura da Mount Temple, e sobre o momento da vida cultural irlandesa em que nos encontramos, e sobre o fato de nossa escola ter sido uma das primeiras escolas multiconfessionais e mistas, então estávamos todos sendo educados juntos, convivendo com crianças de origens completamente diferentes.
Por mais que tenha sido um pouco experimental, da nossa perspectiva foi uma verdadeira dádiva, o enorme benefício dessa abertura e permissividade que ainda desfrutamos. Gostaria que isso fosse visto com mais frequência, principalmente na Irlanda do Norte. Acho que precisamos de uma educação muito mais integrada no Norte, porque foi isso que deu início à revolução no Sul em todos os aspectos da vida.

Larry: É só olhando para trás que você realmente percebe o que aquela escola representava, a cultura dentro da escola, permitindo que as pessoas se expressassem.
Eu me lembro – eu devia ter uns 14 anos na época – havia um rapaz na escola que se assumiu gay, e para os alunos houve um pouco de divertimento, porque era algo tão incomum, mas entre os professores e funcionários era perfeitamente normal ser quem você quisesse ser.
Essa tolerância particular à cultura e às pessoas permeava todos os aspectos daquela escola. Nós éramos os beneficiários do apoio que ela oferecia – não que todos adorassem o que fazíamos; eles achavam engraçado, mas permitiam mesmo assim.

E quanto à influência de seus professores, o diretor fundador da Mount Temple, Sean Brooks, e o professor de história Donald Moxham, que foi entrevistado para o podcast pouco antes de sua morte?

Bono: Sim, é muito difícil perder o Donald. Eu era muito próximo do Donald. Todos nós éramos. Todo mundo consegue apontar aquele professor que realmente os ajudou a chegar onde chegaram. Jack Heaslip. Nossa, é difícil imaginar nossa vida sem ele.
Mas você tem razão em falar sobre Sean Brooks, porque ele era o diretor. Foi ideia dele. E me lembro de Ken Robinson: ele falou sobre uma revolução na educação, dizendo que os recursos humanos são como recursos naturais: muitas vezes são muito profundos. Você precisa criar as circunstâncias para que eles se revelem.
Era essa a perspectiva de Brooks. Com toda essa coisa de IA, se formos apenas a informação que continhamos, podemos ser substituídos. Somos muito mais interessantes do que isso como seres humanos, não apenas cérebros em um palito, como disse outro Brooks – David Brooks.
Somos multidimensionais, e essa criatividade pode se manifestar em algumas pessoas na academia, em outras simplesmente na forma como criaram seus filhos. Ele acreditava que existe genialidade em todos, a ser descoberta e revelada.
Eu sempre distorço a citação de Patrick Kavanagh, quando ele diz: "Deus faz todos os homens" – e mulheres – "gênios, mas a maioria dos homens não gosta da obra de Deus". Precisamos enxergar isso uns nos outros.
Também somos babacas, difíceis, irritantes e narcisistas na adolescência, e alguns de nós não superam isso, mas ainda é ótimo quando você usa aquilo que lhe falta a seu favor.
O que provavelmente aconteceu com o U2 é que nossas próprias fraquezas se tornaram nossas forças, no sentido de que certamente sinto que não sou um artista completo sem Edge, Adam e Larry. Precisávamos uns dos outros para sermos completos.

Como o U2 conseguiu ficar junto por tanto tempo?

Bono: Higiene pessoal. Férias. Distância. Ah, não, nós viajamos juntos sim.

Edge: Tem a ver com o espírito de cooperação e perceber que somos melhores trabalhando juntos do que jamais seríamos sozinhos. E empatia, que vem de ter que pedir perdão, tanto quanto perdoar os amigos. Então, amigos, amizade, essa é a essência da banda.

Adam: Para ser honesto, é a tolerância das outras pessoas comigo. Ficamos na Irlanda, ficamos perto, criamos nossas famílias. Era tipo, por que nos separaríamos? Por que iríamos embora? É muito mais interessante levantar todo dia, sair e ver os amigos e fazer música.

Bono: É sempre aquela ideia de que logo ali na esquina está aquela música – a música perfeita ou a performance perfeita. Você pode acabar conseguindo. É loucura dizer isso, mas essa ainda é a droga da nossa banda.
É aquela sensação quando estamos na sala e algo acontece que não poderia acontecer em nenhuma outra sala. Existem outros músicos, existem outras bandas, todos eles têm seus talentos, mas há algo que podemos fazer que só nós podemos fazer.
Se conseguirmos superar isso, há uma espécie de humilhação que às vezes é necessária para a grande arte, se você quiser criar algo. E à medida que envelhecemos, fica cada vez mais difícil sublimar o ego, certamente para mim e certamente para Adam – quero dizer, é enorme. Particularmente os homens, à medida que envelhecem, seus egos se tornam muito frágeis.
Mas a música, aquela gravação e este álbum que fizemos, nós capturamos isso novamente.
E é algo forte. Como as pessoas que ouviram 'Days Of Ash' ou 'Easter Lily' ouvirão, este é realmente o prelúdio de ambos.

sábado, 26 de setembro de 2026

Ivan McCormick, que esteve na cozinha de Larry Mullen Jr. no primeiro encontro, fala nos 50 anos do U2


The Irish Times - Ivan McCormick

Paul salta do canto da mesa onde estava ouvindo os esforços desajeitados de Dave para tocar um solo. A bateria e o baixo ainda mantêm um ritmo, por pouco, e seu vocal estridente parou por enquanto.
Ajoelhado diante de Dave, ele implora para que sua guitarra toque algo. Algo que não pode ser expresso em palavras, alguma música que ele tem dentro da cabeça e que só Dave pode tocar.
"Vamos lá", diz Paul. "Vamos lá... está aí dentro, eu consigo sentir, aí... em algum lugar... logo abaixo da superfície, Dave, vamos lá, me dê isso".
Dave se esforça mais, seus dedos se enroscando no braço de sua guitarra feita em casa.
"Diminua o ritmo", diz Paul. "Menos notas, mais... mais sentimento".
A mão esquerda de Dave responde, ele faz um acorde de formato estranho, um que nem ele nem nenhum de nós na sala jamais havíamos imaginado. Ele dedilha as cordas em uma ordem não especificada, uma das notas recebe feedback, ela sobe lentamente.
"Não se mexa, não mexa um dedo, mantenha essa nota".
EEEEEEEOOOOOWWWWWAAAAAAAiiiiiioooooooouuuuuummmmmmmm..................
Estamos na sala de música, última porta à esquerda no topo do corredor verde, na Mount Temple Comprehensive School, Malahide Road, na zona norte da cidade de Dublin. É uma tarde de quinta-feira em novembro de 1976, por volta das 16h30, e se eu tivesse que chutar, diria que está chovendo lá fora.
Larry e Adam continuam a martelar a batida, o riff de baixo reduzido a apenas duas notas, alternadas entre si, sobre o crescente zumbido do feedback vindo do amplificador Vox AC30 surrado de Dave.
E como é que estamos todos aqui?
Larry Mullen, no terceiro ano, queria formar uma banda, então afixou uma nota no corredor principal da escola. Uma mensagem para todos os aspirantes e futuros astros do rock, um grito de guerra para todos verem: "Baterista procura músicos para formar uma banda".
Todos nós vimos.
Respondemos.
Nos encontramos na cozinha da casa dele em Artane, Dublin 5, na tarde de sábado, 25 de setembro de 1976. Há 50 anos.
Dave Evans, seu irmão Dick, Paul Hewson, Adam Clayton e um amigo de Larry chamado Peter Martin, que na verdade não toca, mas me levou junto. Sou o orgulhoso dono da guitarra mais avançada da sala. Uma réplica da Stratocaster da Teisco, por £55 na loja de música McCullough Pigott's na Grafton Street, é a inveja de todos que contemplam seu belo acabamento sunburst, escudo branco e braço longo e fino de maple. Sem dúvida, é uma beleza.
É claro que eu estava completamente perdido. Eu tinha 13 anos, estava vestido como um membro da família Partridge e não conseguia tocar muito mais do que "How Much Is That Doggy In The Window", mas estava transbordando de alegria e com uma gratidão indescritível por estar ali.
De alguma forma, ao longo da tarde, tocamos alguns clássicos do rock'n'roll: "Jonny B Goode", "Jumping Jack Flash". Ou talvez tenhamos apenas improvisado juntos, repetindo alguns acordes sem parar. Larry detonou na bateria, Dave fez alguns barulhos, eu entrei na brincadeira com os acordes que reconheci, Adam fez a sua parte, Dick... nem me lembro, talvez tenha ido embora cedo. Ele era mais velho e muito mais legal, até tinha barba, se bem me lembro. Paul também cantou e tocou guitarra, eu acho. Enfim, é uma lembrança vaga, embora eu me lembre vividamente da cozinha em si. Para o que vale, era um lugar apertado, com uma porta nos fundos que dava para um barracão improvisado feito de ripas de madeira e plástico ondulado. Tínhamos que deixar a porta aberta para acomodar a bateria.
Havia chá e biscoitos oferecidos pela mãe do Larry, um bate papo que eu não entendi nada, e eis que nasceu uma banda.
Próxima parada: o professor de música, Sr. McKenzie. Precisávamos de uma sala decente onde pudéssemos nos mexer e fazer barulho.
Este foi provavelmente o nosso terceiro encontro. As coisas começaram a tomar forma. Paul estava assumindo a liderança, havia se apropriado do microfone e, como resultado, tinha a voz mais alta da sala. Ninguém estava discutindo. Acho que Dick se juntou a nós novamente para uma sessão, mas como ele já tinha saído da escola, não estava mais presente nesses encontros da tarde.
De volta ao momento presente, a bateria e o baixo continuam a martelar, a nota de feedback da guitarra de Dave ainda se propaga pelo ar, surgindo e desaparecendo como se pudesse falhar e morrer a qualquer segundo, mas de alguma forma, quase por pura força de vontade, ele a mantém tocando.
Paul continua a encarar o captador da guitarra, suas mãos imitando o movimento de puxar um fio delicado que poderia se romper ao menor puxão; parece que ele está extraindo o som diretamente do corpo do instrumento. Há uma atmosfera tensa, nervosa, como se estivéssemos acendendo uma fogueira, mas o papel não pega fogo; queima apenas em um estreito arco laranja, que se alarga cada vez mais, escurecendo e se desfazendo em lascas. Mas, de alguma forma, um brilho fraco persiste, consumindo o papel, a sala, o ar carregado com as esperanças de cinco garotos.
Eu estava completamente hipnotizado por Paul, seu foco, sua concentração inabalável. Todos nós vimos o crescente brilhante, mas tenho quase certeza de que ele viu toda a conflagração. Se ao menos ele pudesse fazê-la pegar fogo, se ao menos ele pudesse... se ao menos ele pudesse o quê? Éramos todos tão jovens, tão inexperientes, não sabíamos o que estávamos fazendo, mas parecia que algo estava ali, alguma energia latente esperando para explodir. Mas primeiro era preciso criar as circunstâncias certas, e isso não seria fácil. Tentativa e erro, trabalho árduo, paciência, prática, suor e frustração. Tudo isso estava por vir. Tenho certeza de que ele conseguia ver isso.
Será que eu conseguia ver? Provavelmente não, mas eu vi algo naquele dia. Eu não fazia ideia do que era, mas era uma entidade e estava ali mesmo na sala conosco, algo mágico, algo que me empolgava além do mundo que eu já conhecia. Era grande e ousado, e não estava apenas no próximo nível, mas muitos níveis acima, muito acima de todas as nossas cabeças.
É o que costuma ser chamado em bandas, onde os resultados dependem de mais de uma pessoa, de "sinergia", e certamente era isso. A força arcana sendo invocada ali mesmo, naquele instante, forjada diante de nossos olhos, era sinergia, uma espécie de magia na criação. Paul não conseguia dizer o que precisava dizer, Dave não conseguia tocar o que precisava ser tocado, juntos eles chegaram perto e tudo foi sustentado pelas constantes presenças de Adam e Larry. Retire um desses tijolos e toda a estrutura desmoronaria, o resultado nessa equação misteriosamente maior que a soma das partes. A imaginação de uma pessoa, a habilidade técnica de outra, o suor de mais uma.
São momentos como este que sempre guardarei com carinho da minha breve passagem pelo U2. Eu estava lá no nascimento. Testemunhei a primeira faísca. A faísca que se transformou em chama, a chama que acendeu um fogo que se espalhou e se espalhou até que seu calor pudesse ser sentido no mundo inteiro. Em uma única, clara e direta linha, da sala de música de Colin McKenzie aos maiores estádios do mundo, o U2 havia começado.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Larry Mullen Jr. tocou com um bumbo da Premier Olympic (Red) no retorno à Mount Temple, como há 50 anos


O U2 considera o sábado, 25 de setembro de 1976, como seu nascimento.
A banda fez uma apresentação especial em sua antiga escola, Mount Temple Comprehensive, em Clontarf, na zona norte de Dublin, para comemorar meio século desde a formação da banda.
Entre 1976 e 1980, Larry Mullen tocava em uma bateria Premier Olympic (Red). 



Na apresentação de hoje na Mount Temple, como há 50 anos, ele utilizou um bumbo Premier Olympic (Red).

Em comemoração aos seus 50 anos, o U2 fez um show surpresa na Grafton Street


O U2 fez um show surpresa na varanda do Bewley's, na Grafton Street, em Dublin, para comemorar seus 50 anos de carreira. Uma multidão lotou o local para assistir à apresentação, com um set de músicas de toda a sua trajetória de cinco décadas.
Bono mencionou o "aniversário" da banda.
A banda ainda prestou homenagem ao falecido Glen Hansard com uma apresentação de "Falling Slowly", música que Hansard coescreveu com Markéta Irglová para o filme 'Once'.
Hansard, que faleceu em julho, tinha uma longa ligação com a Grafton Street e era muito associado ao evento beneficente anual de música de rua na véspera de Natal, no centro de Dublin.

"I Will Follow"

"Out Of Control"

"One"

"I Still Haven't Found What I'm Looking For"

"With Or Without You"
(Novo Arranjo)

"Silencio"

"All I Want Is You"

"Falling Slowly"
(The Swell Season cover) (Edge no vocal)

"Beautiful Day"
(Novo Arranjo)

"Vertigo"

"40"
(Pedida pelos fãs presentes; Edge no baixo; Adam Clayton na guitarra)

Antes, jornalistas tiveram uma prévia do próximo álbum, incluindo as músicas "Silencio", "Can't Stop Us Now" e "The Greatest Show On Earth", em uma festa de audição na casa de shows Twenty-Two – que havia sido completamente reformada com memorabilia do U2 e renomeada de volta para seu antigo nome, McGonagles, onde a banda fez mais shows do que em qualquer outro lugar.
Entre as faixas selecionadas esteve também "Torn", um dueto com a falecida estrela da música country Dolly Parton.

U2 retorna à Mount Temple Comprehensive para uma apresentação especial em comemoração aos 50 anos de sua formação


O U2 considera o sábado, 25 de setembro de 1976, como seu nascimento.
A banda fez uma apresentação especial em sua antiga escola, Mount Temple Comprehensive, em Clontarf, na zona norte de Dublin, para comemorar meio século desde a formação da banda.
Como faziam há 50 anos atrás em apresentações na hora do almoço na escola, Bono, Edge, Larry Mullen e Adam Clayton mais ou menos no mesmo horário subiram ao palco diante de alunos e funcionários.
Enquanto isso, fãs se reúnem na Grafton Street após rumores se espalharem online de que a banda tocará lá na parte da tarde.
Hoje marca cinquenta anos desde que cerca de meia dúzia de adolescentes carregando uma variedade de instrumentos musicais se aglomeraram em uma cozinha em Artane, na zona norte de Dublin, em resposta a um anúncio postado pelo baterista Mullen no quadro de avisos da Mount Temple, procurando músicos para formar uma banda.
Esse encontro deu origem a um grupo conhecido primeiro como Feedback, depois como The Hype e finalmente como U2.
'Drummer Seeks Musicians', a série de podcasts do Irish Times publicada esta semana, evoca vividamente a época e o lugar que os moldaram.
Para os padrões da Dublin dos anos 1970, eles eram um grupo incomumente heterogêneo em termos de origem familiar e religiosa, enquanto sua escola se destacava por seu espírito liberal, coeducacional e multidenominacional.
Meio século depois, os quatro integrantes retornaram à familiar entrada da Mount Temple para se apresentar para uma nova geração de estudantes.
Antes de subirem ao palco, "School's Out", de Alice Cooper, tocou alto nos alto-falantes, recebendo aplausos estrondosos.
O U2 abriu o show com "I Will Follow" e também tocou "Vertigo", "Beautiful Day" e "Out Of Control".
Eles foram acompanhados no pequeno palco do pátio da escola por jovens músicos do projeto Music Generation em "One".
Eles também fizeram a primeira apresentação ao vivo de seu novo single, "Silencio". 
Ao ser questionado sobre como foi tocar a música ao vivo pela primeira vez, Bono disse: "Acho que soou muito bem. Devo dizer que se saiu muito bem".
"Um pouco de punk rock. Acho que está na hora de resgatar o espírito punk", acrescentou.
"Então, estamos muito orgulhosos dela. Parece que está sendo bem recebida".
A banda encerrou o show surpresa com uma releitura de "With Or Without You".
Ao apresentar a banda no meio do show, Bono apresentou Larry Mullen como "o homem que fixou a nota no quadro de avisos" e o baixista Adam Clayton como "o peladão do corredor verde".
Dirigindo-se aos alunos do palco, Bono refletiu sobre os primórdios da banda em Mount Temple e a comunidade ao redor da escola.
"Essa sensação de que talvez tudo o que precisávamos estivesse ao nosso redor, bem debaixo dos nossos pés, se conseguíssemos enxergar isso em nossos colegas, em nossos companheiros de escola, em nossa comunidade", disse ele.
Ele também prestou homenagem ao falecido Jack Heaslip, o pastor do U2 na estrada. Heaslip foi um orientador da escola Mount Temple Comprehensive na década de 70. 
Bono mencionou outro ex-aluno da Mount Temple, o falecido escritor irlandês Christopher Nolan, cujo livro de memórias se intitula "Under The Eye Of The Clock" (Sob o Olhar do Relógio).
Ele contou que estava lendo a obra de Nolan enquanto o U2 fazia a passagem de som na escola na noite anterior, descrevendo a história do escritor como "muito mais extraordinária" do que a da banda. "Ele era um escritor incrível", disse Bono.
De pé sob o relógio da escola, ele acrescentou: "Agora estamos sob o olhar do mesmo relógio sobre o qual ele escreveu".
Bono também refletiu sobre a influência da escola e a importância da educação. "A educação é tão importante, e nós nunca a teríamos conhecido", disse ele.
Bono então agradeceu a todos os envolvidos no projeto Music Generation.
"Esta ilha é repleta de canções, música e travessuras, e temos muito orgulho de sermos irlandeses", disse Bono à plateia.
Adam Clayton disse que voltar à escola em Dublin o fez lembrar de como se sentia na adolescência. "Olhando para o público, me lembrei de como me sentia perdido e vulnerável quando criança", disse ele. "E fiquei muito feliz por, 50 anos depois, me sentir muito melhor".
Questionado sobre o programa Music Generation, Adam Clayton disse: "Acho que é o que mais nos orgulha, e ficamos muito felizes em ter os alunos do Music Generation conosco".
Ele relembrou como tudo começou como "uma pequena ideia que cresceu e cresceu", acrescentando: "Acho que agora estamos dando 115 mil aulas de música por semana".
"A música mudou nossas vidas, e o fato de outras pessoas terem a oportunidade de fazer o mesmo, independentemente de conseguirem ou não ganhar a vida com isso, é algo de que nos orgulhamos muito", disse ele.
The Edge descreveu o retorno à escola cinco décadas depois como "extraordinário" e "muito emocionante". "Acho que nos saímos bem", brincou. "Acho que o som estava melhor desta vez, pelo menos na minha opinião, e eu estava mais afinado. Então, fiquei muito feliz. Demos 110% no palco, como sempre fazemos. Foi ótimo estar de volta".
Bono também brincou sobre se a atual geração de alunos do Mount Temple gostaria da banda. "Mas eles não podem pedir o dinheiro de volta", disse ele. "Isso é de graça".
Questionado se ele se lembrava de ter escrito o aviso, o baterista Larry Mullen disse que se lembrava do momento e dos futuros membros do U2 aparecendo em sua casa.
"A maior surpresa foi esses caras aparecerem e que ainda estamos aqui", disse ele.
Larry disse que foi "muito incrível" tocar para a atual geração de estudantes do Mount Temple. "Havia um entendimento entre a banda e o público, ou melhor, os estudantes, de que compartilhávamos algo que eles não entendiam completamente, mas que nós sentíamos que sim", disse ele. "Eles faziam parte de algo que é uma parte muito importante de quem somos. Então, foi absolutamente muito divertido. Gostei muito".
Ele então brincou: "Gostaria de anunciar que faremos uma residência aqui todas as quintas-feiras à noite".
Cerca de mil estudantes assistiram à apresentação, alguns acenando para as câmeras e segurando pedaços de papel e cartazes feitos à mão.
"Obrigado por virem", disse Bono aos estudantes. "Imagino que vocês não tinham para onde ir".

Nome dado à bootleg de show do U2 em Dublin em 1993, vira título oficial de canção em 'Carnaval De Luz'


A Island Records anunciou o lançamento de 'Carnaval De Luz', o 16º álbum de estúdio do U2 e o primeiro álbum com material inédito da banda em nove anos, com lançamento previsto para 13 de novembro de 2026.
Uma das faixas tem o título de "The Greatest Show On Earth". 
'The Greatest Show On Earth' é um título já conhecido pelos fãs do U2 por ter sido utilizado em uma famosa gravação em vinil não oficial (bootleg) do lendário show do U2 no RDS Arena (Royal Dublin Showgrounds) em Dublin, Irlanda, realizado em 28 de agosto de 1993, durante a icônica turnê Zoo TV.


O show foi transmitido ao vivo por rádio para cerca de 700 milhões de pessoas no mundo todo com o convite "Watch More Radio".
'The Greatest Show On Earth' circulou amplamente como um lançamento não oficial extraído dessa transmissão FM. 
Em 2024, parte dessa performance histórica inspirou o lançamento oficial do EP de 5 faixas 'ZOO TV – Live In Dublin 1993'.

Em entrevista no ano de 2025, Bono afirmou que novo álbum do U2 abriria com "Go"


A Island Records anunciou o lançamento de 'Carnaval De Luz', o 16º álbum de estúdio do U2 e o primeiro álbum com material inédito da banda em nove anos, com lançamento previsto para 13 de novembro de 2026.
A faixa de abertura, "Go (Carnaval De Luz)" influenciada pelo Suicide, é a gravação mais ousada do U2 em anos. "É uma declaração de intenções", diz The Edge. "Independentemente do que você esperava ouvir ao colocar o novo álbum do U2 para tocar, você não esperava isso".
Bono falou com Brendan O'Connor da RTÉ Radio 1 em 2025, e revelou: "Mal posso esperar pelo próximo álbum do U2. E já conheço algumas das músicas. Estou muito animado. Estou animado com o futuro. Talvez lidar com o passado nos leve ao presente. Precisamos voltar ao agora para pensar nas músicas do futuro. Às vezes, soa como nós quatro em uma sala. E em outros momentos, soa como algo que eu nunca ouvi antes. A música de abertura, se continuar sendo a música de abertura, se chama "Go". É uma introdução extraordinária. Eu gostaria de estar naquele show, com certeza gostaria de estar naquela banda".

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

'Carnaval De Luz', novo álbum do U2, terá três versões diferentes de capas


A Island Records anunciou hoje o lançamento de 'Carnaval De Luz', o 16º álbum de estúdio do U2 e o primeiro álbum com material inédito da banda em nove anos, com lançamento previsto para 13 de novembro de 2026. 
Além da capa padrão, que é a mesma que apareceu dias antes do anúncio oficial, há uma capa alternativa do álbum em vinil dourado em uma edição limitada da loja HMV e no CD para o fã clube do U2.COM, e também uma outra capa diferente em CD para a Amazon Music.


A última gravação vocal da carreira de sete décadas de Dolly Parton aparece no novo álbum do U2


A última gravação vocal da carreira de sete décadas de Dolly Parton aparece no novo álbum do U2, 'Carnaval De Luz', com lançamento previsto para 13 de novembro, anunciou a banda hoje. 
Parton, que faleceu em agosto aos 80 anos, gravou seu dueto com Bono na faixa que encerra o álbum, "Torn", em junho. Ela divide os créditos de composição da música com a banda e Johnny McDaid, do Snow Patrol. "Quando ela ficou doente", disse Bono à Rolling Stone em entrevistas para uma matéria futura, "ela saiu da cama para cantar essa música. E você pode ouvir isso. E eu nem consigo ouvi-la agora".
Bono inicialmente procurou Parton como colaboradora para um projeto paralelo ainda não lançado, inspirado na música folk irlandesa, e mostrou a ela alguns esboços por telefone. "Ela disse: 'Isso é um pouco irlandês demais para mim'", lembra Bono. "Mas ela disse: 'Eu tenho essa música. Chama-se "Torn", e você quer ver para onde pode levá-la, talvez?'"
Bono e McDaid reescreveram a letra em torno de uma mãe vendo sua família se separar, e Parton concordou em cantar essa versão. "Ela cantou com toda a sua alma", diz Bono, "e eu não consigo acreditar que seja uma mulher de 80 anos". 
O colaborador de longa data do U2, Daniel Lanois, toca pedal steel na faixa, e Larry Mullen Jr. adicionou uma parte de bateria inspirada em uma produção de Lanois, "Most Of The Time", de Bob Dylan.
Parton pôde aprovar a mixagem final. "Dolly adorou", diz o produtor do álbum, Garret Jacknife Lee. "Ela estava muito orgulhosa de sua voz e da gravação. Ela ficou encantada. Estávamos muito nervosos de que ela pudesse não aprovar ou se sentir desconfortável com isso, mas ela adorou".
Para Bono, a perda ainda está sendo assimilada. "É muito comovente ter tido essa intimidade com uma figura como ela", diz ele. "O fato de que ela não está mais presente, de nenhuma forma que possamos evocar, a não ser através de suas canções, é muito triste".
A faixa lançada hoje como segundo single do álbum foi "Silencio".

   
'Silencio" faz menção em inglês ao "Jesus Do Rio", e a inclusão, no vídeo da música, de uma imagem da estátua do Cristo Redentor.


"The Mirror Maker (Rosalía)" é inspirada em Rosalía, cantora, compositora e produtora musical espanhola. Ela foi descrita como uma "estrela pop atípica" devido aos seus estilos musicais que misturam múltiplos gêneros.
Em 'U2:UV Achtung Baby Live At Sphere', quando o U2 saia do palco e a multidão ia deixando o Sphere, era tocado no sistema de som um áudio pré-gravado de uma música com as letras "glorify, glorify", "let your heart be full", "expect a miracle". 
Era uma canção inédita do U2 chamada "Glorify" e que agora estará no álbum.
A versão da música que encerrava cada show da residência no Sphere foi gravada com vocais de Brittany Howard do Alabama Shakes.

U2 anuncia seu novo álbum 'Carnaval De Luz'


A Island Records anunciou hoje o lançamento de 'Carnaval De Luz', o 16º álbum de estúdio do U2 e o primeiro álbum com material inédito da banda em nove anos, com lançamento previsto para 13 de novembro de 2026.
Na semana que marca o 50º aniversário da nota manuscrita que Larry Mullen Jr. afixou no mural da Mount Temple Comprehensive School, na zona norte de Dublin, em setembro de 1976, com a inscrição "Baterista procura músicos para formar banda", chega um trabalho que mostra Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. ainda descobrindo novas dimensões e possibilidades em seu processo criativo.
Gravado em diversos locais e produzido por Jacknife Lee, 'Carnaval De Luz' é uma coleção de 12 canções que exploram temas como espiritualidade, amizade, liberdade e resistência diante de forças obscuras e ameaçadoras. Sonoramente, há ecos dos trabalhos mais experimentais da banda, combinados com composições mais rigorosas em faixas como "The Greatest Show On Earth", "Glorify" e "Midnight Sunshine", além da homenagem de 2 minutos e 35 segundos à insolência do surf punk inicial que é "Silencio".
"É uma coleção extraordinária de canções", disse o baixista Adam Clayton à Rolling Stone em entrevistas para uma matéria futura, "e é o ápice do trabalho que todos vêm fazendo há 50 anos".
A faixa de abertura, influenciada pelo Suicide, é a gravação mais ousada do U2 em anos. "É uma declaração de intenções", diz The Edge. "Independentemente do que você esperava ouvir ao colocar o novo álbum do U2 para tocar, você não esperava isso".
As raízes de 'Carnaval De Luz' remontam diretamente aos dois EPs de seis faixas lançados de surpresa pelo U2 no início de 2026, aclamados pela crítica e gravados durante o mesmo período criativo do novo álbum.
Esses lançamentos, 'Days Of Ash' e 'Easter Lily', seguiram o calendário litúrgico, e assim 'Carnaval De Luz' se encaixa, se mantém e dança antes deles na linha do tempo.
Os três projetos somam 24 novas canções. "Em todo o meu tempo trabalhando com bandas ou artistas, nunca vi ninguém trabalhar tão arduamente, com tanta intensidade e alegria", diz Jacknife Lee, que também produziu os EPs. "Eles estão se divertindo muito. Estão realmente curtindo a companhia um do outro. É o máximo que já gravaram em qualquer período da carreira, e é um trabalho realmente bom. Eu diria até que está entre os melhores. É algo sem precedentes".
O Carnaval, uma celebração da carne, antes da negação que é a Quaresma, um período de reflexão, e o renascimento da Páscoa. A música que conecta o álbum e os dois EPs é a faixa final do novo álbum, "Torn", um dueto entre Bono e a saudosa Dolly Parton, naquela que infelizmente acabou sendo sua última gravação vocal. Coescrita por U2, Parton e Johnny McDaid, é uma terna canção country que detalha laços familiares rompidos e que possui ressonâncias mais amplas.
'Carnaval De Luz' será lançado no 50º ano da banda, 2026, ano em que o U2 terá lançado 24 novas músicas. O álbum também conta com colaborações de Brian Eno (composição e sintetizadores em "Go (Carnaval De Luz)", "The Greatest Show On Earth" e "Can't Stop Us Now"), Martin Garrix (composição em "Glorify") e Daniel Lanois (pedal steel em "Torn"); com produção adicional de Ryan Tedder em "Silencio".
The Edge disse: "É uma coleção de músicas caótica, provocativa e sagrada — e apresenta o primeiro uso de cordas flat-wound em uma gravação do U2. Só para constar".
Bono disse: "Venham, venham, venham! Tragam suas meias roxas, seus corações partidos, sua ingenuidade cor-de-rosa... oh, se maravilhem no salão dos espelhos. Haverá guitarras estridentes, graves profundos, ritmos extáticos e, sim, algumas lágrimas prateadas darão o ar da graça!
Porque, bem perto, fora do nosso carnaval de luzes, existem todos os tipos de criaturas... a mesma imaginação que nos traz a criatividade também pode nos trazer monstros. Então, aumentamos o volume da bateria. Acendemos uma fogueira maior. Tornamos nossas histórias mais selvagens e divertidas. Adoçamos as melodias e fazemos as canções brilharem mais, porque se o mundo está na escuridão, é melhor que nós não estejamos".
O videoclipe de "Silencio" foi gravado na Cidade do México no início deste ano e dirigido pela Cliqua, a dupla de diretores mexicano-americanos Pasqual Gutiérrez e Raúl "RJ" Sanchez.

Faixas

1. Go (Carnaval De Luz) 
2. La Reina 
3. Street Of Dreams 
4. The Mirror Maker (Rosalía) 
5. Superficiality 
6. If The World Is At War We Better Not Be 
7. Silencio 
8. The Greatest Show On Earth 
9. Glorify 
10. Midnight Sunshine 
11. Can't Stop Us Now 
12. Torn (Feat. Dolly Parton)

'Carnaval De Luz' estará disponível nos seguintes formatos: Boxsets de luxo em vinil e CD de edição limitada, diversas variantes de vinil coloridas e personalizadas de edição limitada, CD padrão, Blu Ray Audio, fita cassete, vinil padrão e download digital.

"Silencio", o novo videoclipe do U2 de 'Carnaval De Luz'


U2 estreou o videoclipe de "Silencio", o segundo single do álbum 'Carnaval De Luz'.

 

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Bono confirma título do novo álbum e integrantes do U2 falam de seus 50 anos juntos


Róisín Ingle

Quando o U2 aparece no episódio final do novo podcast do Irish Times, 'Drummer Seeks Musicians: The Making Of U2', não há expectativas de uma exclusiva mundial. A entrevista é uma oportunidade para eles refletirem sobre sua história de origem na semana que marca o 50º aniversário da formação da banda. Mas, perto do final da entrevista, o falante vocalista Bono deixa escapar algo:
"Então, posso dizer o nome do álbum ou não?", pergunta ele, enquanto seus companheiros de banda Larry Mullen, Adam Clayton e The Edge observam.
"Por favor, diga", imploro.
"Não posso dizer isso. Mas vou dizer", diz Bono, com um floreio beckettiano.
"O novo álbum chama-se 'Carnaval De Luz'. A música, aquela gravação e este álbum que fizemos, nós capturamos a essência novamente. E é algo forte", diz Bono, ao anunciar o nome do álbum. Com "isso", ele se refere àquela magia peculiar do U2 que os levou a vender mais de 170 milhões de discos e ganhar 22 prêmios Grammy ao longo do último meio século. "Como quem ouviu 'Days Of Ash' e 'Easter Lily' vai perceber, este é realmente o prelúdio de ambos".
Os quatro membros da banda estão conversando por Zoom para o Episódio 3: Sing A New Song, o final do podcast em três partes Drummer Seeks Musicians. Adam está à esquerda, perto da câmera, com uma camisa rosa pêssego; Bono está mais ao fundo, com óculos escuros azuis e um iPad no colo; Larry está sentado ao lado dele, de preto; e The Edge, de boné, está perto da câmera e à sua direita. Estou no estúdio de podcast do The Irish Times. Comecei a trabalhar neste podcast há nove meses e tenho tentado conseguir uma entrevista com eles desde então. Eu já tinha perdido a esperança, mas agora eles estão aqui. É um dia lindo.
Esta é uma semana importantíssima para a banda de Dublin. Nesta sexta-feira, dia 25 de setembro, fará exatamente 50 anos desde que os quatro integrantes, junto com mais alguns aspirantes a músicos, se amontoaram na cozinha de Larry Mullen, no número 60 da Rosemount Avenue, no subúrbio de Artane, em Dublin, para o primeiro ensaio da banda.
Algumas semanas antes, Larry Mullen, então com 14 anos, havia afixado uma nota no mural de sua escola, a Mount Temple Comprehensive, na zona norte da cidade: "Baterista procura músicos para formar banda, contatar Larry Mullen no terceiro ano". O resto é história do rock. Naquele dia, eles se tornaram Feedback, depois The Hype, antes de se tornarem U2, uma banda que se tornaria uma das maiores do mundo.
A nota é mística por um motivo. Poucos dos colegas ou professores com quem conversei para o podcast se lembram de ter visto a nota, com exceção da professora de educação religiosa, Sophie Shirley, agora com 80 anos. Ela sabia que tudo o que Larry queria era ser baterista em uma banda, porque ele lhe disse isso um dia na sala de aula. "Quando vi o bilhete, pensei: 'O Larry está fazendo alguma coisa a respeito'", ela me conta no Episódio 1. Larry Mullen certamente se lembra da nota. Foi uma espécie de tábua de salvação para ele na época.
"Eu era difícil de educar", diz ele agora, refletindo sobre si mesmo aos 14 anos. "Eu não entendia muito bem a parte acadêmica... então, quando coloquei a nota... não era como se eu estivesse querendo me divertir. Eu estava fazendo isso porque era a única coisa que eu podia fazer".
Nesse momento, Bono se inclina e pergunta a Larry o que ele teria feito se não estivesse no U2. Sugiro que ele teria sido um bom segurança. Todos caem na gargalhada. "Com certeza, segurança do trabalho", diz Bono. "Eu gosto de me imaginar mais como um bombeiro", responde Larry.
Edge, que tinha 15 anos na época, diz que é muito grato pela nota. "Na verdade, o mais estranho é que eu nunca vi a nota fisicamente, porque foi meu professor de música, Albert Bradshaw, quem me contou... Deixei escapar que eu tocava guitarra elétrica. E, por incrível que pareça, um outro amigo meu da escola era baterista, David Barnett, ele tocava em uma banda de garagem. E eu fui vê-lo tocar e pensei: 'Isso é muito divertido. Eu adoraria estar em uma banda assim...' Na semana seguinte, fiquei sabendo da nota do Larry".
E quanto a Adam? "Bem, estou questionando a autenticidade desta nota, já que nenhum de nós a viu. Então, não tenho certeza se essa nota realmente existiu, mas se vocês precisam dela para a narrativa, tudo bem". (Eu preciso dela para a narrativa. O primeiro episódio do podcast Drummer Seeks Musicians se chama literalmente "A Nota".)
O podcast também fala sobre a escola, Mount Temple Comprehensive, o lugar onde todos se conheceram. Depois de meses mergulhando na história do U2, tenho uma teoria. Não acho que o U2 poderia ter surgido em nenhum outro lugar além dessa escola radical, liberal e experimental na zona norte de Dublin. Edge parece concordar.
"É o fato de que nossa escola foi uma das primeiras escolas mistas e multiconfessionais", diz ele. "Estávamos todos estudando juntos, convivendo com crianças de origens completamente diferentes e, por mais que tenha sido um pouco experimental… da nossa perspectiva, foi uma verdadeira dádiva".
Outra coisa que tenho tentado entender com o podcast é por que eles ainda estão juntos, como amigos e colaboradores musicais, depois de 50 anos.
Larry atribui isso a uma espécie de energia de "forasteiros" – eles eram quatro desajustados, explica, que tinham um ao outro e nenhum outro lugar para ir. "Sempre sentimos como se fôssemos atraídos por isso... de certa forma, fomos jogados juntos, não estávamos nas mesmas salas de aula. Estávamos em anos diferentes, tínhamos experiências muito diferentes e motivos muito diferentes para estar na escola. Todos nós fomos para lá por razões diferentes. Então, somos um grupo heterogêneo de indivíduos. Éramos naquela época e somos agora".
Pergunto a Adam Clayton qual é o elo que os manteve unidos todos esses anos. "Bem, acho que é a tolerância das outras pessoas comigo, para ser honesto", ele sorri. "Sabe, ficamos na Irlanda, ficamos perto, criamos nossas famílias. Era como se perguntássemos: por que nos separaríamos? Por que faríamos isso? É muito mais interessante levantar todos os dias, sair, ver os amigos e fazer música".
Tudo sempre acaba voltando à música. "Acho que sempre existe aquela sensação de que a música perfeita ou a performance perfeita estão logo ali na esquina… parece loucura dizer isso, mas ainda é o que nos motiva na banda", disse Bono. "É aquela sensação quando estamos juntos… algo acontece que não aconteceria em nenhum outro lugar. Acho que tem a ver com o espírito de cooperação e a percepção de que somos melhores trabalhando juntos do que jamais seríamos sozinhos… Eu não sou um artista completo sem Edge, Adam e Larry. Precisávamos uns dos outros para sermos completos".

terça-feira, 22 de setembro de 2026

U2 / Carnaval De Luz / The Beatles / Carnival Of Light


Apareceu a capa e o título do novo álbum do U2. 'Carnaval De Luz' será anunciado oficialmente em 25 de setembro, quando a banda completa 50 anos de sua primeira reunião.
O site oficial do grupo já traz uma seção com o título do disco. A foto é de Viviane Sassen.
Além da comparação do U2 fotografado andando alinhados como na capa de 'Abbey Road' dos The Beatles, o título do novo disco do U2 é uma tradução do mesmo título dado à uma canção gravada pelo The Beatles em 1967 e nunca lançada.
"Carnival Of Light", originalmente conhecida como "Untitled", é uma gravação de vanguarda inédita do The Beatles. Foi encomendada para o Million Volt Light and Sound Rave, um evento realizado no Roundhouse, em Londres, nos dias 28 de janeiro e 4 de fevereiro de 1967. Gravada durante uma sessão para a música "Penny Lane", a faixa "Carnival Of Light" tem quase 14 minutos de duração e contém sons distorcidos e repletos de eco de percussão, teclados, guitarra e vocais. Sua criação foi iniciada pelo interesse de Paul McCartney na cena de vanguarda londrina e por sua ligação com o escritório de design Binder, Edwards & Vaughan (frequentemente chamado de BEV, e liderado pelos sócios Doug Binder, Dudley Edwards e David Vaughan).
Desde o evento, "Carnival Of Light" raramente foi ouvida e não circula em gravações piratas. Para McCartney, a música ganhou importância em seus esforços para ser reconhecido como o primeiro Beatle a se engajar completamente com a vanguarda, mais de um ano antes de John Lennon gravar "Revolution 9". Em 1996, McCartney tentou lançar a faixa na coletânea 'Anthology' 2 dos Beatles, mas sua inclusão foi vetada por seus ex-companheiros de banda. McCartney confirmou que ainda possuía a fita em 2008. Ele ainda considera lançá-la.
No ano de 2006, o U2 lançou sua coletânea '18 Singles'. Uma das faixas inéditas do álbum é uma parceria o Green Day.
Para promover o álbum, as duas bandas aproveitaram para posar em uma foto que homenageia 'Abbey Road', o disco dos Beatles em que Paul, John, George e Ringo atravessam a rua na faixa de pedestres. Os músicos do U2 e do Green Day foram para a mesma faixa, onde posaram cumprimentando-se, e foram clicados por Anton Corbjin, fotógrafo que costuma trabalhar com a banda irlandesa. De início, a foto seria usada na capa do single de "The Saints Are Coming".
Mas não foi o que aconteceu. Uma foto (minúscula) do U2 atravessando a Abbey Road foi utilizada no encarte da coletânea. E a foto juntamente com o Green Day não foi utilizada oficialmente.

Paul McGuinness, Gavin Friday, Willie Williams e Steve Lillywhite falam nos 50 anos do U2


U250 - The Times (Original) 


"Parece mesmo que já se passaram 50 anos", comenta o ex-empresário da banda Paul McGuinness. "Nós quatro, da banda, éramos apenas garotos quando começamos. Eles tinham 18 ou 19 anos, e eu, 25. Éramos muito jovens".
Paul McGuinness, que deixou a gestão em 2013, ajudou a guiar o quarteto ao sucesso global ao longo de 35 anos. Mas, como ele mesmo recorda, "havia muita concorrência". A resiliência é um fator fundamental.
"Naquela época, havia muitas outras bandas jovens em Dublin, e aos poucos, todas elas — ou praticamente todas — foram desaparecendo", diz ele. "E internacionalmente, quando começamos a fazer turnês pelo mundo, havia grandes grupos como The Clash, The Police, The Pretenders e Talking Heads; todos acabaram se separando ou seus membros seguiram carreira solo". Ele dá de ombros. "Sempre tivemos esperança de que essas bandas continuassem progredindo junto conosco, mas, no fim das contas, todas desapareceram".
No dia 25 de setembro, completam-se cinquenta anos desde que Bono, Larry Mullen, Adam Clayton e The Edge — juntamente com o irmão deste último, Dik Evans — se encontraram na cozinha da casa de infância de Larry Mullen, no número 60 da Rosemount Avenue (Artane), para o primeiro ensaio da banda que viria a ser o U2. Passariam-se mais dois anos até que McGuinness, o chamado "quinto membro", se juntasse a eles em um show no Project Arts Centre, em Dublin.
Gavin Friday, melhor amigo de Bono desde que eram vizinhos aos 14 anos na Cedarwood Road, se descreveu como o "parteiro estético" do U2. Ele trabalha atualmente com a banda e, curiosamente, dá a entender que "muita coisa" (no sentido de material poderoso e inovador) está a caminho.
Gavin Friday, que liderou a banda Virgin Prunes quando o U2 estava apenas começando, diz que ambos os grupos sempre foram francos em suas opiniões sobre o trabalho um do outro. "Sempre houve essa troca criativa, mesmo que fôssemos apenas garotos naquela época", diz ele rindo, lembrando como Bono o procurava como uma espécie de consultor de gosto quando o U2 estava em turnê pelos EUA no início dos anos 80; ele ligava e dizia: "Grave o John Peel e me mande uma cópia de qualquer música nova que você esteja realmente gostando".
Ao longo dos anos, Gavin Friday permaneceu uma figura fundamental quando se trata de oferecer uma opinião sincera. A confiança da banda em sua honestidade tornou-se especialmente evidente depois que 'The Joshua Tree' os catapultou para a fama mundial. Bono ligou para Gavin Friday para pedir que ele avaliasse o show ao vivo deles porque, em suas palavras, "Todo mundo está nos bajulando, todo mundo está dizendo que somos ótimos, e eu não confio neles".
"Ele me disse: 'Quero alguém que nos conheça por dentro e por fora para analisar o show: alguém na plateia, na mesa de som e circulando pelo local para realmente saber se está tudo bem ou se estamos apenas sendo bajulados'", lembra Gavin Friday. "Porque os americanos tendem a bajular; eles não sabem como dizer coisas negativas na cara de alguém". Durante os ensaios para a turnê de 'The Joshua Tree', Gavin deu um conselho imediato: "Não acendam um único fogo de artifício; foi isso que o Van Halen fez".
Steve Lillywhite, produtor dos três primeiros álbuns do U2 e de inúmeras faixas ao longo de sua carreira, relembra a primeira vez que trabalhou com eles no Windmill Lane Studios, em Dublin: "A primeira coisa que todos disseram foi: 'Meu Deus, isso parece Star Trek!'".
A música era "A Day Without Me", do álbum 'Boy', e a banda provavelmente passou no máximo 20 horas no estúdio, enquanto o produtor já tinha quase uma década de experiência.
"Então, em grande parte, eu era quem os guiava sobre como tudo deveria soar", lembra Lillywhite. "E alguns deles eram pouco mais do que adolescentes tímidos e inseguros. Eles ainda não tinham se destacado, então não faziam ideia do que o futuro lhes reservava".
Mais tarde, Bono descreveu Lillywhite — entusiasmado e otimista — como alguém "parecido com um apresentador de programa infantil" quando se conheceram. Lillywhite, no entanto, lembra-se do U2 como um grupo "muito sério" em seus primeiros anos. "Muitas outras bandas eram muito despreocupadas e só quando alcançaram o sucesso é que começaram a construir muros ao seu redor", comenta ele com um aceno de cabeça. "Mas com o U2, foi justamente o oposto: eles já tinham esses muros quando eram jovens e, à medida que alcançaram o sucesso, aprenderam a conviver com eles".
Não o surpreendeu que a banda com a qual trabalhou pela primeira vez em 1980 se tornasse uma das maiores do mundo. "Eles tinham algo especial naqueles primeiros dias, e eu não fui o único a perceber", diz ele. "É sabido que a gravadora ia dispensá-los depois do álbum 'October', mas o chefe da gravadora disse: 'Dêem a eles mais uma chance. Eles têm algo especial'. Eu pensei a mesma coisa".
"Além disso, eles tinham muita dedicação. Muitas bandas têm talento, mas se deixam levar e caem na complacência. O U2 nunca foi culpado de complacência. O talento te leva longe, mas a dedicação para continuar melhorando é tão importante quanto o próprio talento".
A banda nunca pareceu se contentar em ver a música como mero entretenimento. Essa é uma opinião compartilhada por Willie Williams, diretor criativo e designer de shows de longa data do U2.
"Eles nunca se acomodaram", diz ele. "Nunca deixaram de se esforçar, nunca pararam ou se mantiveram por um fio; é isso que torna o trabalho realmente interessante para mim, porque eles não são clientes fáceis", admite, rindo. "Mas são difíceis pelos melhores motivos possíveis. Tudo é examinado, questionado, analisado e minuciosamente conferido dentro do contexto mais amplo das artes cênicas".
Williams destaca que a compreensão da banda sobre a relação simbiótica entre música e espetáculo foi fundamental para o seu sucesso, sem sacrificar a conexão emocional com o público. 
Na Popmart, U2 financiou a criação do primeiro telão de LED em escala de estádio do mundo. 
"Literalmente, o U2 financiou a criação do primeiro telão de LED em escala de estádio do mundo", diz Willie Williams. "Parece loucura agora, mas eles fizeram isso e pagaram tudo do próprio bolso; não havia patrocinadores. Mas eles não pararam por aí. Como verdadeiros U2, eles disseram: 'Ok, essa é a tecnologia, mas qual é o sentido de tudo isso?' O álbum era 'POP', e eles estavam muito interessados em arte pop , então acabamos trabalhando com Roy Lichtenstein e pessoas como Allen Ginsberg e William Burroughs".
"É aí que reside verdadeiramente o seu génio. Não se trata simplesmente de dizer: 'Olha, aqui está uma ideia, vamos executá-la'; tudo se baseia numa visão criativa mais ampla, grande parte da qual nunca vem a público. Há sempre uma história por detrás destes espetáculos que muitas vezes nunca é explicada".
A colaboração criativa de Willie Williams com a banda continua a florescer, e ele diz que ainda é muito divertido estar com eles. No entanto, eles também estão cientes da realidade da passagem do tempo.
"Eles têm plena consciência de que existem coisas que você pode fazer aos 25 anos que seriam patéticas aos 65", diz ele, rindo. "Eles estão totalmente dispostos a fazer o que for preciso, mas sabem que — tanto por razões físicas quanto por terem consciência de quem são agora — há coisas que definitivamente não fariam de novo; e acho que aparecer dentro de um limão gigante de bolas de espelhos pode ser uma delas".
Paul McGuinness concorda que os shows ao vivo da banda acabarão se tornando um pilar fundamental de seu legado.
"Eles foram pioneiros e abriram caminho para toda uma geração de artistas", diz ele. "Antes do U2 começar a tocar em estádios, os shows nesses locais — se é que alguém conseguia organizá-los — geralmente eram muito, muito medíocres. O U2 tornou a ida a um show em um estádio de futebol algo emocionante. Eles tiveram a imaginação de transformar o estádio em um lugar onde você realmente queria estar".
A equipe criativa deles continua relativamente pequena e inclui Willie Williams, Gavin Friday, os designers Es Devlin e Ric Lipson, a coreógrafa — e esposa de The Edge — Morleigh Steinberg, a estilista Sharon Blankson e Joe O'Herlihy, engenheiro de som ao vivo que trabalha com a banda desde o final dos anos 1970. "Começamos nos reunindo pessoalmente e trocando ideias", diz Gavin Friday. "Depois, temos duas reuniões semanais pelo Zoom que duram quatro horas até chegarmos a uma ideia. E aí dizemos: 'Ok, é essa'."
O que permitiu ao U2 manter seu ímpeto por meio século, enquanto tantos de seus contemporâneos caíram no esquecimento? Seria sua disposição para inovar?
"Com certeza, mas eles também são muito bons", diz Willie Williams, sorrindo. "Eles são uma banda ao vivo verdadeiramente magnífica; eles realmente sabem tocar. O Edge é como um cientista: ele adora todos os equipamentos técnicos. Temos uma piada interna de que, depois de 50 anos, ele ainda está aperfeiçoando os sons de "I Will Follow". Mas eles não precisam de nada disso; eles poderiam subir ao palco com instrumentos acústicos e uma bateria e fazer o show mais hipnotizante que você já viu. E, honestamente, eu não sei como eles fazem isso. Quer dizer, ter um arsenal de músicas incríveis ajuda, obviamente, mas tudo se resume à química, sabe?"
Paul McGuinness, por sua vez, acredita que o profundo comprometimento entre os membros da banda foi fundamental, assim como sua capacidade de adaptação.
"Costuma-se dizer que todos os grandes artistas têm a capacidade de evoluir ao longo de suas carreiras; isso não é exclusivo do U2. Os Beatles e os Rolling Stones, por exemplo, também conseguiram fazer isso. No caso do U2, a adaptação aos tempos de mudança tem sido um de seus maiores trunfos. Além disso, eles eram amigos antes de formarem a banda, e essa amizade perdurou ao longo dos anos; eles são muito leais uns aos outros".
Então, o que, em última análise, manteve o U2 no auge da criatividade por meio século? "Acho que é a dinâmica entre os quatro", diz Gavin Friday. "É como se cada um deles viesse de um continente diferente; eles são muito diferentes uns dos outros".
Ele descreve Bono e Larry Mullen Jr. em tom de brincadeira como os dois caras "que podem te dar uma cabeçada, coisa do verdadeiro Northside", enquanto The Edge e Adam Clayton são "opostos polares": o primeiro é como "Sr. Spock", absorto nas possibilidades sonoras, e o segundo é "quase como Lord Fauntleroy".
"Muitas bandas se separam porque o guitarrista soa muito parecido com o vocalista ou tem um ego maior que o deles. Mas o U2 é puro yin e yang ; de uma forma um tanto maluca, a mistura funciona. E funciona ainda melhor quando eles estão no palco". Ele acrescenta: "Quer dizer, aconteça o que acontecer, quando eles estão no palco diante de uma plateia, é algo verdadeiramente especial".

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Vaza a capa e o título do novo disco do U2


Apareceu a capa e o título do novo álbum do U2. 'Carnaval De Luz' será anunciado oficialmente em 25 de setembro, quando a banda completa 50 anos de sua primeira reunião.
O site oficial do grupo já traz uma seção com o título do disco. A foto é de Viviane Sassen.
Bono disse meses atrás na Revista Propaganda: "As candidatas ao álbum têm um clima e tema bem diferentes das que escolhemos para o EP 'Days Of Ash'. Mais músicas de celebração do que de lamentação... uma sensação de alegria desafiadora para enfrentar esses tempos de ansiedade... quase uma vibe de carnaval. Só podemos lutar contra a escuridão até certo ponto. Vamos tentar fazer a luz brilhar mais forte em breve… Vamos tentar encontrá-la uns nos outros e nos nossos fãs. Vamos tentar encontrar aquela atmosfera de carnaval no nosso público, onde, com sorte, possamos mostrar uns aos outros não só onde estamos, mas onde queremos chegar… É preciso muita diversão. Não podemos deixar que as más notícias atrapalhem sempre as boas".

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