PARA VOCÊ ENCONTRAR O QUE ESTÁ PROCURANDO

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Fãs iam atrás do single de "Discothèque" do U2 nas lojas, e saiam irritados


The Associated Press - Janeiro de 1997

O som eletrônico e vibrante da tão aguardada nova música do U2, "Discothèque", tem dominado as ondas do rádio e dos canais de vídeo desde sua estreia, há três semanas.
Mas os fãs que querem comprar o single estão sem sorte — até 11 de fevereiro.
É uma técnica de marketing peculiar — imagine anunciar uma bebida refrescante, mas não tê-la nas prateleiras das lojas em um dia quente de verão — mas não incomum no mundo da música pop, tão movido a hype.
"O objetivo é criar uma grande expectativa, tentar gerar uma espécie de evento", diz Stephen Dessau, presidente da Track Marketing Partners, uma empresa de marketing musical.
Na loja de discos HMV, no centro de Manhattan, porém, o gerente Mohamed Fazel não está muito animado. Ele estima que cerca de 150 clientes perguntaram sobre o single e ele teve que dizer que não tinha nenhum à venda.
Alguns clientes saem irritados e outros não acreditam nele, conta.
"Eu gostaria de ter tido", diz Fazel, "Seria um grande impulso para as vendas. U2 vende discos".
A Island Records, e a indústria como um todo, espera que isso seja verdade. Depois que as vendas de música permaneceram praticamente estagnadas em 1996, a indústria deposita suas esperanças na popular banda de rock irlandesa para ajudar a tirar o mercado da crise.
O U2 não é apenas uma das poucas megaestrelas com um público fiel, mas o próximo álbum, 'POP', promete experimentar alguns dos sons dançantes e hipnóticos que alguns na indústria acreditam que podem ser o próximo grande gênero popular.
'POP' tem lançamento previsto para 4 de março.
O período de quatro semanas de antecedência para "Discothèque" se deve em parte à logística. É necessário tempo para garantir que o disco esteja disponível em lojas do mundo todo. A Island queria evitar vazamentos e não queria que algumas estações de rádio começassem a tocar a música antes de outras, irritando seus concorrentes, diz Hooman Majd, vice-presidente executivo da Island.
Mas a Island também quer criar expectativa, para que, quando o disco finalmente for lançado, se esgote rapidamente — e faça uma estreia estrondosa no topo das paradas.
O efeito manada, então, pode gerar ainda mais vendas.
"Se estiverem tocando, preferimos ter o disco em mãos", diz John Wheat, chefe de marketing da Virgin Megastore em Manhattan. "Mas isso cria expectativa, então ele esgota rapidinho quando chega às lojas".
A Mercury Records tentou a mesma coisa com 'Key West Intermezzo (I Saw You First)', de John Mellencamp, no outono passado. E Fazel lembra de ter recebido reclamações sobre o último single de George Michael ter tocado no rádio antes de chegar às lojas.
As prévias podem funcionar para artistas consagrados com fãs fiéis, mas não para músicos jovens. As gravadoras não querem correr o risco de afastar clientes interessados quando se trata de um artista novo tentando construir um público.
O prazo de lançamento do U2 parece um pouco maior do que o normal, especialmente porque a maioria dos fãs provavelmente vai querer o álbum, e não um single, disse Dessau.
Mas tem havido muita conversa sobre 'POP' e algum atraso: a Island Records inicialmente queria que o álbum estivesse nas lojas a tempo para as festas de fim de ano.
Majd afirma que a Island Records não recebeu nenhuma reclamação sobre a indisponibilidade de "Discothèque". Muitos varejistas aceitam isso como parte do negócio, diz John Sullivan, porta-voz da rede Trans World, com 482 lojas, que também desconhece reclamações.
"Os fãs mais dedicados costumam saber com bastante antecedência a data de lançamento", diz Majd.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Daniel Lanois fala de suas gravações com o U2 e sobre sua participação no novo disco da banda


Daniel Lanois - Rolling Stone Music Now

Sobre as muitas das músicas mais calmas que tiveram que ser cortadas de 'No Line On The Horizon', porque eles estavam procurando por material que pudesse ser apresentado no palco:

"Já tive essa conversa com muitos artistas com quem trabalhei. "Estamos sendo responsáveis com o palco?" Porque, obviamente, em um show, se você é uma big band, não vai tocar um monte de material calmo, porque as pessoas querem se soltar e se animar. Então, sempre existe essa responsabilidade de: o que vamos levar para o estádio? Mas eu sou um produtor musical, sabe? Eu não penso tanto no palco. Eu penso em como vamos transportar nossos ouvintes e o que pode haver nisso que realmente toque alguém e faça com que essa pessoa pense um pouco diferente ou se assuste em sua própria casa. Não precisa ser no estádio".

Sobre se apresentar com o U2 no Sphere:

"Tocar no Sphere foi muito especial para mim porque foi o último show que eles fizeram. Sugeri ao Edge que, se ele precisasse de um parceiro para tocar guitarra, eu me juntaria a ele em "One". E ele disse: "Bem, Danny, deixe-me ver isso", porque eles estavam filmando na época, e acrescentou: "Precisaremos de alguma consistência noite após noite". Mas, no fim das contas, o Edge me convidou para participar. Há uma linha, um mantra, que se repete ao longo da música. Ele foi tocado na guitarra com o Eno no sintetizador. Então, essa linha foi o que decidi tocar com o Edge. A sensação foi a mesma que tive no estúdio. Eu estava perto dos meus amigos. E o Bono disse: "Só preste atenção em mim e podemos cantar "One" juntos", e foi o que fizemos. Então, o que posso dizer? Um grande momento de celebração por uma ótima música e alguns ótimos amigos".

Sobre trabalhar com o U2 em novas gravações:

"Tive um pequeno envolvimento com o novo trabalho deles. Mas ainda não ouvi o álbum. Acabei de ver que lançaram um vídeo com a faixa principal. Mas também trabalhei em outras coisas, então vamos ver se consegui terminar a tempo. Tanto eu quanto o Eno demos nossa contribuição em algum lugar ali. Umas duas ou três músicas. O Jacknife Lee produziu o álbum, ele é um músico incrível. Talvez eu e o Eno façamos participações especiais em alguma faixa".

Sobre "Where The Streets Have No Name" falada em seu livro, com ele regendo a banda com acordes escritos em um quadro-negro:

"As pessoas se empolgam com a performance e podem ainda estar aprendendo a música, então não é ruim ser como um professor de ciências com uma caneta apontadora. É só apontar para o quadro-negro e depois apontar para o próximo acorde, assim elas só precisam olhar e não precisam pensar em seguir uma cifra. 
O Edge fez uma introdução sinfônica muito bonita para essa música. Mesmo BPM, mas uma fórmula de compasso diferente. Acho que era 5/4. E veja bem, nós usamos a gravação caseira dele e transferimos para a multitrack, e basicamente a banda fez overdubs no que o Edge tinha preparado em casa. Nós apenas nos certificamos de criar um componente rítmico de transição para Larry seguir. E assim, com um pouco de tecnologia, conseguimos criar uma gravação multitrack para a banda fazer overdubs. E em certo ponto, a música passou de 5/4 para 4/4".

Sobre 'The Joshua Tree':

"Depois de terminar 'The Unforgettable Fire' com os rapazes, eu disse ao Edge que achava que ainda tínhamos algo a dizer juntos. Não me estendi muito sobre isso. Não estava pedindo trabalho. Disse isso porque os amo e queria que a música deles fosse a melhor possível. E eu falei sério.
Padrões são estabelecidos, e isso é o que é ótimo na produção de discos. Mas o mais significativo é que, conforme o processo avança, algo se torna a sonoridade do disco. E é por isso que os álbuns têm uma certa atmosfera. Quando começamos a trabalhar em 'The Joshua Tree', logo no início encontramos algo. Encontramos uma sonoridade para aquele disco e ela se tornou o nosso guia. Então, isso não é algo que você possa controlar antecipadamente por meio de planilhas, listas de músicas ou qualquer coisa do tipo. É quando você entra no meio do processo que descobre com o que está lidando.
E depois de 'The Joshua Tree', obviamente, aquele foi um disco de muito sucesso, mas tínhamos uma equipe incrível e decidimos continuar".

Sobre 'Achtung Baby':

"Foi ideia do Bono que fizéssemos um disco de rock europeu, e por que não ir para o Hansa, em Berlim, para isso? O muro tinha acabado de cair. Eno havia trabalhado lá com Bowie e Iggy Pop antigamente, então havia a ideia de que era longe o suficiente de casa, mas ainda assim na Europa. Foi isso que nos levou até lá.
Mantivemos a equipe unida. O Flood gentilmente assumiu todas as funções de engenharia, o que me liberou para ficar na sala de ensaio com o Eno. Agora, em relação à criatividade, vamos lá. Tínhamos o Eno, eu, o Flood, e tudo o que nos importava era alma e originalidade. O que poderíamos fazer que nunca tivesse sido ouvido antes? E então o Edge, claro, é um mestre da guitarra, e eu fiquei muito feliz em trabalhar de perto com ele. Nós experimentamos alguns acordes para a música "One". Tentamos este arranjo, aquele, e o invertemos. E, felizmente, tínhamos o Bono, e se ele ouvia algo que o inspirava, ele pegava o microfone e mandava um verso, e assim partíamos para o que interessava. Uma época muito criativa na Alemanha".

Sobre "Ultraviolet (Light My Way)":

"Que título fantástico, "Ultraviolet". Uma música realmente empolgante, se bem me lembro. O início é... eu adoro começos assim porque geralmente são construídos a partir de pequenos improvisos espontâneos antes da música, e as pessoas vão criando sons, e é emocionante, e as coisas vão se desenrolando. E então Bono entra com uma tonalidade marcante e, de repente, quase decolamos. Tive uma sensação de voo com essa música. Levitação. É puro rock and roll. Pertencia àquela época. Feita por aquelas pessoas naquela sala. O que dizer? Uau".

Sobre "Beautiful Day":

"É uma música na qual trabalhamos por alguns dias, e significava muito para a banda. E naquela época, Eno e eu chegávamos ao estúdio um pouco mais cedo do que todos os outros pela manhã, só para começar a trabalhar em algo. E foi ideia do Eno dar um toque mais eletrônico à música, e nos afastarmos da sonoridade tradicional da banda. E ele criou uma batida. Tipo uma batida de rock and roll antiga. E então eu criei uma linha sobre a linha do Edge. O Bernard Herrmann para o Edge, digamos assim. E Eno e eu construímos essa pequena faixa, essa pequena introdução para a banda. É na guitarra. Eu a toquei na guitarra, e o Edge está tocando a melodia. Eu me esqueci de qual foi o processamento, mas a guitarra é a base. Quero dizer, tudo o que o Edge faz é processado. Você deveria ver o rack dele".

Sobre o riff de abertura de "Mysterious Ways":

"Um acorde de Si com pestana básico nas mãos de um dos maiores guitarristas rítmicos do planeta chamado Edge, vamos lá. Qualquer coisa que você adicione a isso será um elogio. "Mysterious Ways". Dá uma olhada na parte do breakdown disso. É de altíssimo nível. Poderia muito bem ser James Brown. Obrigado, Edge".

sábado, 1 de agosto de 2026

"Percebi que o U2 não era necessariamente a maior coisa do mundo"


1992. Stuart Bailie para a NME Magazine conversou com Adam Clayton sobre o lado sombrio da experiência de 'Achtung Baby', sobre as letras tristes e as formas intrincadas e claustrofóbicas. 
Adam contou sobre alguns dos títulos provisórios do disco: 'Fear Of Women', 'Adam' e até 'Man'. Mas todos foram rejeitados porque as pessoas diriam que era mais uma grande declaração do U2.
"Havia muita infelicidade por vários motivos", ele pondera. "Um deles, eu acho, era que tínhamos passado pelos nossos 20 e poucos anos em um turbilhão, e era o primeiro período em que realmente passávamos um tempo em casa, sendo, digamos, os chefes de nossas respectivas famílias. Além disso, uma espécie de revolução musical tinha acontecido, e estávamos empolgados com isso. Tentar conciliar o fato de que tínhamos responsabilidades e depois ir para Berlim e tentar fazer um ótimo disco de rock 'n' roll — alguma coisa tinha que ceder em algum momento. Algumas pessoas sofreram mais pressão do que outras, então houve um pouco de lamentação e ranger de dentes. Espero que nunca mais seja tão ruim, mas se for, não ficaria nada surpreso, e tenho certeza de que superaríamos isso".
Larry Mullen Jr. falou sobre os velhos tempos e, embora todos estivessem muito otimistas com a nova era, havia uma tendência a desconsiderar o passado, dizendo que tudo se tornou redundante. "Não gosto da ideia de ignorar o passado e dizer que não foi importante, porque foi importante sim — foi lá que aprendemos".
Eles mencionaram Nine Inch Nails, Jesus And Mary Chain, Happy Mondays e Curve como bandas que ouviram como prelúdio para a gravação de 'Achtung Baby', o que incluiu visitas a Londres para comprar discos raros e conhecer algumas casas noturnas da zona oeste da cidade. Adam passou muito tempo em Nova York no verão de 1990, aproveitando o anonimato. "Percebi que o U2 não era necessariamente a maior coisa do mundo".

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Acidente de moto que vitimou Glen Hansard aos 56 anos em julho de 2026, aconteceu 40 anos depois da morte de Greg Carroll aos 26 anos também em Dublin, e também em um acidente de moto, em julho de 1986


O músico irlandês Glen Hansard, vencedor do Oscar de Melhor Canção Original em 2008 pelo filme independente 'Once' e vocalista da banda de rock The Frames, morreu em um acidente de moto aos 56 anos de idade.
A polícia da Irlanda informou que Hansard morreu após um acidente envolvendo apenas uma motocicleta no oeste de Dublin. Os serviços de emergência foram acionados, e a vítima foi declarada morta pouco depois de receber atendimento no local.
Bono prestou homenagem a Glen Hansard nas redes sociais do U2.


O acidente de moto que vitimou Glen Hansard em julho de 2026, aconteceu 40 anos depois da morte de Greg Carroll também em Dublin, e também em um acidente de moto, em julho de 1986.
O U2 visitou a Austrália e a Nova Zelândia pela primeira vez em 1984 para dar início à turnê 'The Unforgettable Fire'. Após um voo de 24 horas para Auckland, Bono não conseguiu se adaptar ao fuso horário entre a Nova Zelândia e a Europa. Ele saiu do quarto do hotel durante a noite e encontrou algumas pessoas que o levaram para conhecer a cidade. Greg Carroll fazia parte desse grupo: ele havia conhecido o gerente de produção do U2, Steve Iredale, e recebeu uma oferta de emprego para ajudar a banda em seu próximo show, devido à experiência de Greg com bandas de rock locais. Eles acabaram levando Bono até One Tree Hill (Maungakiekie), um dos vulcões mais altos – e de maior significado espiritual para o povo Māori – dos maiores vulcões de Auckland. Greg trabalhou como assistente de palco, gentilmente impedindo que as pessoas subissem ao palco, e foi descrito como "um cara muito prestativo correndo por todo o lugar". O empresário do U2, Paul McGuinness, achou Carroll tão prestativo que decidiu que ele acompanhasse a banda pelo restante da turnê. O grupo o ajudou a obter um passaporte e, posteriormente, ele se juntou a eles na estrada na Austrália e nos Estados Unidos como assistente. Ele se tornou muito amigo de Bono e de sua esposa Ali Hewson e, após a conclusão da turnê, trabalhou para o U2 em Dublin.
Em 3 de julho de 1986, pouco antes do início das sessões de gravação de 'The Joshua Tree', Carroll, com 26 anos de idade, morreu em um acidente de moto. Um carro entrou na frente dele e, sem conseguir parar na chuva, Carroll bateu na lateral do carro e morreu instantaneamente. O evento chocou toda a banda. Larry Mullen Jr. disse: "Sua morte realmente nos abalou – foi a primeira vez que alguém do nosso círculo de trabalho foi morto". The Edge disse: "Greg era como um membro da família, mas o fato de ele ter se acolhido e viajado tão longe de casa para estar em Dublin trabalhando conosco tornou tudo ainda mais difícil de lidar". Adam Clayton descreveu o ocorrido como "um momento muito impactante", dizendo: "Isso nos fez perceber que existem coisas mais importantes do que o rock 'n' roll. Que sua família, seus amigos e, de fato, os outros membros da banda – você não sabe quanto tempo lhe resta com eles". Bono disse: "Foi um golpe devastador. Ele estava levando minha moto para casa." Mais tarde, ele comentou: "Isso trouxe seriedade à gravação de 'The Joshua Tree'. Tínhamos que preencher o vazio em nossos corações com algo muito, muito grande, nós o amávamos muito". Acompanhado por Bono, Ali, Larry e outros membros da organização U2, o corpo de Carroll foi levado de volta para a Nova Zelândia e enterrado de acordo com a tradição Māori em Kai-iwi Marae, perto de Whanganui, cidade natal de Carroll. Bono cantou "Let It Be" e "Knockin' On Heaven's Door" para ele no funeral.
Pouco depois de retornar a Dublin, Bono escreveu a letra de uma música sobre o funeral, que intitulou "One Tree Hill", em referência à colina que se lembrava de sua visita a Auckland em 1984.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

O desejo de Bono de renascer


Grunge

O U2 é uma banda marcada por contradições, assim como pela sua interação entre política e música. Um sucesso estrondoso como "I Still Haven't Found What I'm Looking For", de 1987 — uma canção que definiu a história do rock nos anos 80 — contém letras explicitamente cristãs e utópicas, como "Eu acredito no Reino dos Céus / Então todas as cores se fundirão em uma só". Mas as letras de Bono sempre foram suficientemente interpretáveis, e a imagem da banda é de "estrelas do rock" (especialmente em 'Achtung Baby' e 'PPO'), para que se especule sobre a origem cristã do U2 há décadas.
O desejo de Bono de renascer não precisa se limitar à religiosidade, no entanto. Crescendo na Irlanda em meio aos Conflitos na segunda metade do século XX, período que inspirou a canção "Sunday Bloody Sunday", Bono vivenciou uma época extremamente turbulenta na história recente do país. Bono viu política e religião se misturarem em sangue; isso explica praticamente tudo sobre sua visão de mundo. 
"Desejo recomeçar todos os dias. Renascer a cada dia é algo que tento fazer", disse Bono no livro 'Bono: In Conversation with Michka Assayas'.
Assayas levou dois anos para compilar a biografia de 2006, escrita como uma série de entrevistas reunidas em partes ao longo do tempo e em vários locais. Nessa época, o U2 já havia superado a fase eletrônica dos anos 90, que alguns críticos e fãs detestaram, e reconquistado a simpatia do público com "Beautiful Day", de 2000. Eles até fizeram uma apresentação bem recebida no Super Bowl em 2002, onde Bono abriu a jaqueta para revelar uma bandeira americana em solidariedade ao público traumatizado pelo 11 de setembro. É esse último ponto sobre os EUA que se conecta à citação de Bono.
A declaração de Bono surgiu ao final de uma longa conversa sobre figuras musicais como Bruce Springsteen e Bob Dylan, este último por quem Bono nutria uma admiração especial. Quando Assayas redirecionou a conversa para o próprio Bono, perguntando qual seria sua identidade central à luz de figuras musicais como Springsteen e Dylan, Bono respondeu: "A coisa mais difícil... é ser você mesmo". Bono continuou: "Essa é a grande vantagem da América. É a terra da reinvenção".
Daí a citação de Bono sobre começos e renascimento. Para o público em geral, Bono (e o U2, por extensão) sempre pareceu estar envolvido em uma crise de identidade constante. Há a fase pré 'The Joshua Tree', a explosão da fama, a decadência rumo ao estrelato pop nos anos 90, a ascensão posterior, etc., como uma narrativa contínua. Mas, em vez de indicar inconsistência, a declaração de Bono demonstra que ele simplesmente está disposto a ser honesto sobre a autoexploração, seja pessoal, religiosa, artística ou de qualquer outra forma.
A constante mudança na imagem pública de Bono ilustra precisamente o que ele quer dizer com "Desejo recomeçar todos os dias". Em outras palavras, Bono está preso em um ciclo de autoavaliação de sua vida e escolhas. Qualquer banda, incluindo o U2, leva anos para compor, gravar e promover um novo álbum. Às vezes é rápido, como a diferença entre 'Achtung Baby' e 'Zooropa' (dois anos), e às vezes é mais longo. Enquanto isso, cada pessoa forma uma visão particular do que é o U2, como uma figura estática que supostamente não muda. Mas, na realidade, o quanto muda na vida de uma pessoa ao longo dos anos? Certamente, podemos esperar que os artistas também mudem e que essa mudança se reflita em sua arte.
Há também a perspectiva religiosa, evidente na alusão bíblica na segunda parte da citação de Bono: "Renascer todos os dias é algo que tento fazer". Podemos interpretar essa alusão como indicativa de devoção religiosa, sem dúvida. Para deixar claro, Bono já abandonou o cristianismo há muito tempo, apesar de toda a confusão persistente sobre o assunto. Em uma entrevista de 2013 citada pelo Huffpost, ele esclareceu: "Oramos com todos os nossos filhos, lemos as Escrituras, oramos". Mas se Bono se refere a nascer de novo no sentido de Jesus, não podemos afirmar. Dado o contexto em que ele cresceu, em uma Irlanda dividida religiosa e politicamente, essas preocupações são, no mínimo, compreensíveis.
Quanto à aplicação disso para o resto de nós, a resposta deveria ser simples: nunca presuma que você chegou às suas conclusões definitivas. Sempre presuma que há espaço para crescer, se renovar, se aprimorar e tente ativamente fazer isso, sem ressentimento, todos os dias.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Bono escreve sobre o músico irlandês Glen Hansard, que morreu em um acidente de moto em Dublin


O músico irlandês Glen Hansard, vencedor do Oscar de Melhor Canção Original em 2008 pelo filme independente 'Once' e vocalista da banda de rock The Frames, morreu em um acidente de moto aos 56 anos, segundo informou a imprensa irlandesa.
A polícia da Irlanda informou que um homem na faixa dos 50 anos morreu após um acidente envolvendo apenas uma motocicleta no oeste de Dublin. Os serviços de emergência foram acionados, e a vítima foi declarada morta pouco depois de receber atendimento no local.
Bono escreveu nas redes sociais do U2:

"Às vezes eu me perguntava se Glen Hansard realmente existiu…

Sério, ele era uma presença angelical… não de outro mundo… na verdade, uma presença muito presente…
Um travesso sorridente, se você precisasse que ele fosse… este arcanjo musical e travesso de Ballymun… sem frescuras, cheio de graça…
É claro que Glen era a estrela brilhante da apresentação de rua na véspera de Natal… às vezes o único que nos lembrava que o Natal começou com um refugiado nascido em uma manjedoura, o que não é muito diferente de viver na rua.

Ser completamente você mesmo, demonstrando mais interesse pelos outros – uma dica para qualquer um de nós que esteja experimentando diferentes personas. Ele realmente era quem você pensava que ele era. Ele nunca conseguia passar por uma pessoa em situação de rua sem verificar se ela estava bem… e mais do que isso, ele trabalhou muito para que menos pessoas tivessem que viver nas ruas.
Quando as multidões aumentavam e, por questões de segurança, Glen teve que concordar em transferir a apresentação de rua para um palco gentilmente disponibilizado do lado de fora do Teatro Gaiety, ele dizia: "Daremos o nosso melhor, mas não é uma apresentação de rua se não estivermos na rua!"... porque era isso que ele era - um artista que se apresentava ao nível do público em qualquer situação. O palco era uma separação que ele não reconheceria. De todos os grandes e gigantescos locais onde ele e The Frames tocaram, você sentia que a rua era o seu lugar preferido para se apresentar. E as pessoas da rua, seu público favorito.

A voz das ruas. Um coro de anjos em um só homem. Nós, os demais, abençoados por estarmos ali ao lado do nosso próprio e terreno Anjo Gabriel... Todos nós somos bem-vindos ao seu coro, seja qual for a forma.

...e estou dizendo a mim mesmo esta manhã que, se ele nunca existiu, então ele nunca poderá deixar de existir. Para mim, ele sempre estará em todo lugar onde eu vir uma moeda girando dentro de um estojo de guitarra aberto.

Que você permaneça na paz que deu a tantos".

Músico irlandês Glen Hansard, que participou de 'Bono & The Edge: A Sort of Homecoming with Dave Letterman' e da canção "The Ballad Of Ronnie Drew", morre em acidente de moto em Dublin


O músico irlandês Glen Hansard, vencedor do Oscar de Melhor Canção Original em 2008 pelo filme independente 'Once' e vocalista da banda de rock The Frames, morreu em um acidente de moto aos 56 anos, segundo informou a imprensa irlandesa.
A polícia da Irlanda informou que um homem na faixa dos 50 anos morreu após um acidente envolvendo apenas uma motocicleta no oeste de Dublin. Os serviços de emergência foram acionados, e a vítima foi declarada morta pouco depois de receber atendimento no local.
Glen Hansard apareceu ao lado de Bono e The Edge no documentário especial da Disney+ 'Bono & The Edge: A Sort of Homecoming with Dave Letterman', participando de uma apresentação ao vivo intimista no Ambassador Theatre, em Dublin, e de uma sessão musical no McDaid's Pub.
Hansard é visto na performance de"Invisible" no documentário.
Hansard disse à SPIN que o convite para participar veio do próprio Bono. "Ele teve uma boa ideia de ter um pouco de música em um bar, e ele me queria lá, e alguns outros músicos que conhecemos", disse ele, referindo-se à participação dele, Irglova, Imelda May, Saint Sister, Grian Chatten do Fontaines DC, e Dermot Kennedy durante duas noites de música no minúsculo McDaid's Pub em meados de dezembro. Entre as músicas tocadas estava "Desire" do U2, com Bono e Hansard.
Depois disso, Hansard pensou que seus deveres diante das câmeras estavam completos, mas então Bono perguntou se ele falaria com David Letterman. Hansard disse a Bono que ele estava dentro, mas que na verdade nunca havia falado com Letterman antes, apesar de se apresentar em seu programa noturno da CBS em várias ocasiões.
"Temos um trem local na Irlanda chamado DART, e ele queria que eu pegasse o trem de terminal a terminal, o que leva cerca de uma hora", lembrou Hansard. "Eu nunca encontrei esse cara e de repente estou sentado no trem com ele por uma hora. Ele foi de um amor absoluto. Nós conversamos sobre o U2, mas quase toda a conversa foi sobre nossos filhos, o que foi uma maneira adorável de conhecê-lo. A primeira coisa que eu disse foi: 'Eu fiz o seu programa, mas nunca falei com você'. Ele disse: 'provavelmente lhe disseram para não olhar nos meus olhos, certo?' 'Sim' eu disse, ele disse, "sim, é assim que eu gosto". Ele foi muito, muito doce. Andamos de trem por uma hora e depois fomos a um bar. David realmente me surpreendeu. Não que eu esperasse um cara frio, mas ele era um cavalheiro absoluto".
A canção "The Ballad Of Ronnie Drew" foi gravada no Windmill Lane Studios em 14 e 15 de janeiro de 2008, em Dublin, pelo U2, The Dubliners, Kíla e A Band Of Bowsies, essa trazendo Glen Hansard.
Os vocais de Glen Hansard para a faixa foram gravados por telefone, e não pessoalmente, já que ele estava nos Estados Unidos para o 80º Oscar.
Em uma entrevista sobre o álbum 'Songs Of Innocence' do U2, Bono disse: "Há algo sobre o som do disco que é um pouco organizado demais. Isso é o que acontece quando você fica muito tempo no estúdio. Mas se chama 'Songs Of Innocence' por uma razão. Esse é o desafio com esta banda, após todos estes anos — composição — não fogos de artifício sônicos ou experimentação sonora. Podemos escrever canções que verdadeiramente resistem? Conversando com nossos amigos Damien Rice e Glen Hansard, os trovadores, eles só têm um violão, então suas canções e palavras resistem melhor. Com uma banda, você pode ocultar o fato de que as músicas não estão lá. Mas neste álbum, sinto que podemos tocar 10 delas no show. Como artistas, temos este segundo sentido de quando uma música está se expressando. Nós sabemos o que está acontecendo em um local. Se funciona ou não. Temos uma ajuda extra com este aparelho (multimídia), no departamento de contar histórias. Mas eu sei que posso cantar essas músicas em um restaurante com uma guitarra e elas funcionarão".
Uma das canções irlandesas favoritas de Bono é de Glen Hansard & Marketa Irglova: "Falling Slowly".

Mais detalhes sobre a frustração de Daniel Lanois com 'No Line On The Horizon' do U2


'No Line On The Horizon' do U2 foi lançado em 2009. A banda originalmente pretendia lançar as músicas em dois EP, mas depois combinou o material. 
A banda começou a trabalhar no álbum em 2006, com o produtor Rick Rubin, mas ignorou a maior parte do material das sessões. De maio de 2007 a dezembro de 2007, a banda colaborou com Brian Eno e Daniel Lanois, que produziu e co-escreveu muitas das novas canções. A escrita e gravação ocorreram nos Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda e Marrocos. 
Antes do lançamento, o U2 indicou que Brian Eno e Daniel Lanois estariam no envolvimento do álbum. 
O tempo da banda em Fez, Marrocos, resultou na gravação de músicas mais experimentais.
Daniel Lanois agora revelou no podcast All Access da Rolling Stone que o U2 já tinha um disco excelente gravado no sul da França antes de partirem para Fez, no Marrocos, para as sessões. No entanto, a viagem mudou os rumos criativos do álbum, e ele e Brian Eno demonstraram frustração com isso.
O produtor relatou que, durante um almoço no sul da França, sugeriu à banda finalizar dez faixas que ele havia recomendado. 
Ao irem para Fez, no Marrocos, o grupo ignorou parte daquele material prévio e focou em composições totalmente novas e experimentais. O resultado final gerou debates internos: Brian Eno e Daniel Lanois sentiram que o rumo tomado em Marrocos acabou deixando de lado as faixas mais suaves e introspectivas gravadas anteriormente.
Daniel Lanois: "Já tínhamos um ótimo álbum antes de irmos para o Marrocos. Em uma mesa de almoço no sul da França, sugeri à banda que terminássemos as dez faixas que eu recomendei, e claro, fomos para o Marrocos e não trabalhamos em nada disso e acabamos criando um monte de material novo, o que é mais divertido porque continuamos esperando que a grande faixa ainda viesse, e quem pode dizer algo de ruim sobre isso?
No Marrocos, todo mundo ficou doente, a maioria das pessoas ficou doente, então tornou esse processo de gravação muito, muito longo, e quando voltei - acho que acabamos voltando para Dublin - estava bem desgastado. Não sei o que dizer sobre isso, além de que no final, conseguimos o que conseguimos, mas havia um grande álbum antes de irmos para o Marrocos. Eu estava muito empolgado com isso na época, mas a aventura continuou rolando".

terça-feira, 28 de julho de 2026

Daniel Lanois confirma que trabalhou com Brian Eno em algumas faixas do novo álbum do U2 ainda sem título divulgado, e fala sobre sua frustração com 'No Line On The Horizon'


O produtor Daniel Lanois foi entrevistado no podcast da Rolling Stone esta semana.
Daniel Lanois e Brian Eno trabalharam em algumas faixas do novo álbum do U2 ainda sem título divulgado e Jacknife Lee é o principal produtor do álbum, "um grande homem da música", como Lanois o chama. Ele disse que ainda não ouviu o álbum. "Vamos torcer para que eles consigam", Lanois falou.
Sobre 'No Line On The Horizon', Daniel Lanois disse que o processo o frustrou e a Brian Eno e que a banda já tinha um ótimo álbum gravado na França antes de ir para Marrocos gravar todas as novas músicas, e que Brian Eno achou que o produto final estava diluído e que muitas das músicas mais calmas tiveram que ser cortadas porque eles estavam procurando por material que pudesse ser apresentado no palco

segunda-feira, 27 de julho de 2026

'U2 Rattle And Hum', o aguardado filme de US$ 5 milhões - Parte Final


Premiere Magazine - 1988

Phil Joanou se preocupa com o que tornará o filme diferente de outros do gênero. "Em certos momentos, gostaria de ter me preocupado menos em garantir que a banda estivesse realmente feliz com o que eu estava filmando e simplesmente ter filmado tudo". 
Ele está deprimido por não ter filmado a banda em Dublin. "Só um idiota não entenderia isso", diz ele. "Vou insistir muito para que eles façam isso quando chegarem no mês que vem. Vou lutar se for preciso". 
Joanou afasta uma mecha de cabelo encharcada de suor do rosto e toma um gole de refrigerante. "Às vezes, eu gostaria de poder simplesmente aparecer, bater de repente na porta do Bono, com a equipe. E as filmagens já estariam acontecendo. E ele diria: 'Phil, o que você está fazendo? Saia daqui'. E isso também estaria no filme".
No final de maio, o desejo de Joanou se tornou realidade: ele filmou mais 42.670 metros de película de 16mm, cobrindo o U2 gravando novas músicas em um estúdio remoto de 48 canais em uma enorme fábrica vazia — em Dublin. "Sugeri que voltássemos para lá em vez de fazer tudo nos Estados Unidos, e eles concordaram", diz ele, radiante.
Depois de passar um ano com o U2, ele considera o material mais recente a espinha dorsal do filme. "Não começamos a fazer o documentário sabendo qual era a história", admite. Mas depois de assistir a todas as melhores sequências do documentário e ouvir demos das novas músicas, ele finalmente encontrou o que procurava. "Percebi que a música que surgiu da turnê era muito, muito diferente de tudo o que estava em 'The Joshua Tree'. O U2 tinha feito turnês, experimentado diferentes vertentes da música americana, e disso surgiu essa nova música". Com um começo, meio e fim, Joanou tinha, se não uma narrativa, pelo menos o tom dominante do filme.
No fim, todos concordam que o processo de um ano teve suas recompensas e surpresas. "Existem pouquíssimas bandas que fazem o que fazemos agora: quatro pessoas tentando tocar o maior show de rock 'n' roll de suas vidas todas as noites", diz Bono. "Há muito em jogo para nós. É algo quase sagrado. É o que fazemos de melhor. Nunca fomos realmente capazes de gravar discos. Somos uma banda de palco, e isso é mais importante para mim do que os discos. Então, se estragarmos tudo..."
Isso significa que, embora os membros da banda estivessem inicialmente ambivalentes quanto às suas motivações, 'U2 Rattle And Hum' assumiu agora uma importância inesperada? "Eu disse a mim mesmo, enquanto fazia o filme, que não diria esse tipo de coisa", diz Bono, timidamente. "Mas sim. Já disse".

sábado, 25 de julho de 2026

Capa do single de "Fireflies" traz foto do U2 tirada em São Paulo por Kurt Iswarienko, e com Martin Garrix sendo adicionado digitalmente


Kurt Iswarienko tirou a foto original do U2 em São Paulo, durante a passagem no Brasil da 'The Joshua Tree Tour 2017', que agora serviu de capa para o single de "Fireflies" lançado em parceria com o DJ Martin Garrix.


Martin Garrix foi adicionado digitalmente à foto original do U2.


Kurt Iswarienko é um fotógrafo norte americano que já trabalhou com grandes estrelas e também filmou pequenos vídeos para empresas de cosméticos como Estée Lauder e Chanel, e trabalhou no set de filmes como Piratas Do Caribe: A Maldição Do Pérola Negra.
Iswarienko também fotografa pôsteres de filmes.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

U2 e Martin Garrix lançam oficialmente seu novo single colaborativo, "Fireflies", que traz Larry Mullen Jr. e Bram Van Den Berg na bateria


U2 e Martin Garrix lançaram oficialmente seu novo single colaborativo, "Fireflies".
Bono canta: "Porque você e eu somos vaga-lumes/ Mais para os céus de verão/ A luz que há nos olhos um do outro/ Vaga-lumes/ Você e eu somos vaga-lumes/ Esquecendo que o sol vai nascer/ Eu te encontrei no ar esta noite/ Vaga-lumes".
""Fireflies" tem uma atmosfera muito singular e é uma música especial na qual começamos a trabalhar há seis verões. Foi eletrizante e surreal finalmente apresentá-la no Tomorrowland com o The Edge", explicou Martin Garrix ao compartilhar a versão de estúdio.
"Já trabalhei com o Bono e o Edge antes, mas trabalhando com a banda toda, pude perceber a química entre eles e entender por que o U2 é quem é. Eles são amigos e colaboradores incríveis, e foi uma honra absoluta trabalhar com eles novamente".
The Edge acrescentou: "Conheço o Martin há muito tempo e sempre rola uma sensação de aventura quando nos reunimos. Tocar "Fireflies" pela primeira vez no Tomorrowland, para um dos públicos mais apaixonados de todos os festivais, foi uma experiência incrível… na verdade, talvez eu tenha curtido até demais. Me fez lembrar por que adoro tocar ao ar livre. Gosto mais quando não há limites".
A canção tem nos créditos Larry Mullen Jr. na bateria, e também Bram Van Den Berg, que tocou com o U2 na residência do Sphere entre 29 de setembro de 2023 e 2 de março de 2024, no lugar de Larry que se recuperava de cirurgia.
Nos créditos também aparecem Mark Otten e Manuel Gardner Fernandes nas guitarras.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Gibson Les Paul espelhada exclusiva de The Edge para o videoclipe de "Discothèque" do U2, reaparece em leilão


A Gibson Les Paul espelhada exclusiva de The Edge reapareceu em um leilão, 27 anos após sua última venda.
A Gibson reflexiva apareceu no videoclipe da música "Discothèque" do U2, lançada em 1997 e presente no álbum 'POP', que alcançou o status de platina e marcou uma mudança estilística experimental em relação aos trabalhos anteriores da banda.
Os quatro integrantes assinaram a parte de trás da guitarra antes de ela ser leiloada para caridade em 1999. Embora o valor alcançado há quase três décadas não tenha sido divulgado, a guitarra, em seu segundo leilão, foi vendida por US$ 187.500 na Gotta Have Rock And Roll Auction.


Uma análise mais detalhada da guitarra revela que as peças individuais são bastante espessas, o que significa que ela pesa bastante – é mais uma peça de decoração para parede do que um instrumento de trabalho em potencial.
O álbum 'POP' da banda, segundo a casa de leilões, "marcou uma fase significativa na evolução do grupo, incorporando elementos de música eletrônica e dance em sua música".
Essa não é a única Les Paul de Edge a ter sido leiloada. Seu modelo Alpine White de 1975 foi vendido por US$ 228.000 no início dos anos 2000. Logo depois, a Gibson o surpreendeu com uma réplica praticamente idêntica. A réplica seria posteriormente utilizada no álbum 'No Line On The Horizon'.
Guitarras excêntricas têm sido a marca registrada do The Edge ao longo de sua carreira, com uma Fender modificada ultra rara sendo a arma secreta por trás de alguns dos maiores sucessos da banda.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

The Edge: "Gosto do que Noel Gallagher, do Oasis, faz, é pura atitude, ele não tem medo de tocar alguns solos que beiram o brega"


The Edge - 1996

"Quando eu era mais jovem, queria ser o Rory Gallagher, porque ele era o guitarrista da Irlanda. Quando cheguei aos 16 ou 17 anos, era a vez de Tom Verlaine e Television, e eu adorava o que estava rolando no 'Horses' da Patti Smith – isso realmente me abriu os olhos.
John McGeogh, do Magazine, estava fazendo coisas muito interessantes. Stuart Adamson também. O primeiro álbum do Skids tinha alguns sons realmente novos.
Acho que simplesmente enjoei daquela coisa de blues rock branco; era um anátema para mim. Para mim, era só rock de pub, e toda aquela mentalidade parecia estúpida… no mau sentido. Rock and roll deveria ser um pouco estúpido, mas aquilo era… sei lá. Ser estúpido, mas não ser burro? É isso!
Sempre achei essa coisa de solo de guitarra de 15 minutos uma grande besteira. Eu me sentia atraído por pessoas que realmente tocavam as músicas. Mas é a coisa mais difícil – ter uma música realmente boa com um solo de guitarra interessante e único. Talvez um dia eu consiga.
Faz muito tempo que não surge um novo guitarrista que realmente me cative. É uma pena, porque por um tempo eu me senti muito mal por ser guitarrista. Com exceção de Neil Young, que continua incrível.
Para mim, é interessante que ele seja essencialmente um compositor e cantor que obviamente usa a guitarra de uma maneira diferente da maioria dos guitarristas 'tradicionais'. Também gosto de alguns dos jovens guitarristas ingleses.
Gosto do que Noel Gallagher, do Oasis, faz, é pura atitude, ele não tem medo de tocar alguns solos que beiram o brega. Mas não são. E não são, porque ele tem esse espírito. Muitos guitarristas têm tudo, menos isso!"

terça-feira, 21 de julho de 2026

'U2 Rattle And Hum', o aguardado filme de US$ 5 milhões - Parte III


Premiere Magazine - 1988

Ao final da turnê, em meados de dezembro, a perseverança de Phil Joanou havia rendido 150 horas de filmagens documentais (além do filme do show) que precisariam ser reduzidas para cerca de 30 minutos, para serem condensadas em torno das últimas doze ou treze músicas e comprimidas em um pacote de 95 a 105 minutos. Os destaques das filmagens diárias incluíam o U2 cantando com o New Voices Of Freedom, um coral gospel do Harlem; gravando no Sun Studio em Memphis; trabalhando com B.B. King; e fazendo um tour privado por Graceland.
Na segunda noite em Tempe, a paixão pertencia primeiro ao público e depois ao show. Joanou também estava com as mãos cheias — mobilizando doze câmeras, um helicóptero e uma equipe de 120 pessoas. Ele precisava de cobertura completa e imagens inspiradoras. Era a reta final, e o filme estava em jogo.
Joanou conseguia ver a ação em nove de seus dez monitores. O último se recusava a funcionar, exibindo em vez disso um episódio de 'Assassinato Por Escrito'. Mas ele ignora a tela, absorto na emoção de assistir a cada música, da gloriosa "Pride (In The Name Of Love)" ao sussurro de "Mothers Of The Disappeared". Joanou dá ordens aos berros, conduz as filmagens com um sussurro apaixonado, bate palmas e pés com alegria, e às vezes simplesmente contempla, boquiaberto, o que espera serem seus sonhos cinematográficos realizados.
"Lindo, lindo", ele exclama quando, durante "Helter Skelter", uma câmera enquadra perfeitamente Bono deitado nos trilhos do dolly. Joanou estende a mão e toca o monitor, como se pudesse se tornar um com o cinegrafista por puro desejo. "Esse cara é um gênio", diz ele sobre Bono. Seus dedos permanecem na tela por um instante, depois deslizam lentamente para baixo.
No saguão do Arizona Biltmore, antes de uma festa que durará quase até as 7 da manhã, quando o voo leva a banda de volta a Dublin, Joanou está como sempre, exuberante. Empolgado. "É uma mistura de 'Touro Indomável' com 'pocalipse Now'", ele tagarela. "A noite de hoje rivaliza com a segunda noite em Denver! A primeira noite foi como o nervosismo da final. Hoje eles entraram em campo como um leão solto!"
Depois de Tempe, Joanou retorna a Los Angeles e inicia a tarefa monumental de selecionar as músicas. Isolado diariamente em sua sala de edição na Amblin Entertainment de Spielberg, nos estúdios da Universal, ele corre contra o tempo para cumprir o próximo prazo e chegar ao lançamento em outubro (exceto nos EUA). A banda lhe disse: "Corte. Confiamos em você. Nos vemos em abril". Em fevereiro, ele já estava adiantado, com 21 músicas montadas a partir de 137.000 metros de filme de 35mm. Seu segredo: trabalhar com seis monitores simultaneamente, editando tudo em vídeo. Em março, pouco antes da cerimônia do Grammy, Joanou voa para Nova York e exibe duas horas e meia de músicas para a banda.
Depois, Bono conta: "Saí da sala e fui lá fora pensando: 'Esse cara trabalhou muito, é melhor eu não dizer nada'." Mas Joanou o seguiu e pediu sua opinião. "Então eu disse: 'Acho uma porcaria'." E Philip disse: "Ótimo, porque eu também acho que é uma porcaria aqui e ali; é isso que está te incomodando".
A queixa de Bono: algumas músicas simplesmente não soam bem. Por exemplo, "Where The Streets Have No Name". Embora o trecho seja do excelente segundo show em Tempe, Bono insiste que "falta mistério".
De volta a Los Angeles, Joanou revisa as filmagens da noite de estreia que havia descartado anteriormente e decide que as supostas falhas do show de abertura em Tempe, inesperadamente, jogam a favor da música. Ele rapidamente monta uma nova versão da canção com apenas 15 cortes, em vez dos 50 da original, aumentando o mistério. A banda aprova. "Essa é a arte de fazer filmes", diz Joanou filosoficamente. "Vá a um set de filmagem e você perceberá que tudo é fabricado. No final, o que importa é o que está dentro do frame".
No final de março, Joanou está em sua sala de edição apertada e úmida, analisando 76.225 metros de material documental em 16mm. Ele seleciona um rolo no projetor Steenbeck para exibir alguns momentos clássicos. Em uma sala de discos no porão de Graceland, a banda observa a coleção de estátuas de macacos de Elvis. "Tem uma vibe meio Michael Jackson", sussurra Bono para The Edge, seja por não saber que está sendo gravado ou por finalmente se livrar da consciência da câmera. Joanou bate na mesa e solta um uivo. "É a minha parte favorita das filmagens da turnê", diz ele. "Claro que provavelmente não entrará no filme final".
Joanou também mostra Bono perseguindo esquilos durante um passeio pelos jardins da mansão, a banda no túmulo de Elvis e o U2 cambaleando pelo Salão dos Discos de Ouro de Graceland, boquiabertos com a profusão de discos brilhantes que cobrem as paredes. "Olha. Olha a cara do Bono", ele insiste. "Meu Deus! O U2 tem alguns álbuns de platina e é atualmente uma das maiores bandas do mundo. Mesmo assim, passar por lá deve ajudar a colocar as coisas em perspectiva".
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...