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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Bono diz que 'Carnaval De Luz' não é uma despedida do U2


O U2 sempre considerou a gravação de discos um "desafio", e seu próximo LP, 'Carnaval De Luz', não foi diferente.
Por exemplo, o produtor Jacknife Lee revelou que a faixa "The Mirror Maker (Rosalía)" — uma homenagem à cantora espanhola — precisou de quase 200 takes.
Em uma entrevista à BBC, The Edge confessou: "As primeiras sessões para este álbum foram, às vezes, super inspiradoras, e outras vezes, realmente não tão boas".
Mas eles não desistiriam sem lutar.
Bono disse: "Esta banda é absolutamente implacável. É uma luta de revanche".
Larry Mullen disse: "É a coisa mais frustrante. Sempre me lembro de como sou incapaz de fazer todas aquelas coisas que outras pessoas acham fáceis. Sempre foi um desafio para nós, e é isso que torna os momentos em que dá certo tão especiais. É por isso que você continua buscando e por isso que você permanece em uma banda".
Eles brincaram com Larry Mullen Jr. por ter jogado água com uma mangueira nos fãs que escalaram o muro da casa de seus pais em 1976; e conversam animadamente sobre suas obsessões musicais ("todo quarteto quer ser os Beatles", confessa Bono).
Em uma entrevista separada no programa The Chris Evans Breakfast Show, da Virgin Radio UK, o apresentador afirmou que eles haviam dito que o novo álbum poderia ser o "começo da despedida do U2?", mas o vocalista Bono o corrigiu imediatamente.
Ele disse: "Como assim? Não".
Adam Clayton disse: "Acho que isso é um pouco prematuro. Quer dizer, vamos sair em turnê e tudo mais".
Bono acrescentou sobre a turnê mundial 'The Greatest Show On Earth', de 2027: "Acho que deveríamos tocar cada show como se fosse o último. Que tal essa resposta?"
A etapa americana da turnê os levará a se apresentar em alguns dos mesmos locais que seu amigo, Ed Sheeran. Então, o que eles acharam da polêmica em torno da recente turnê americana de Sheeran – na qual alguns donos de casas de shows pressionaram Sheeran a dispensar seu artista de abertura, Macklemore, por comentários pró-Palestina?
"Apoiamos totalmente o direito de Macklemore, como artista, de dizer o que quiser", disse The Edge. "Não acho que Ed deva ser vilipendiado. Ele estava numa situação muito difícil. Mas elogio os outros jovens artistas que decidiram abandonar a turnê. Eles estavam defendendo o direito à liberdade de expressão dos artistas, e acho que essa é a questão mais importante de todas".
Ele relembra diversas ocasiões em que o próprio U2 fez declarações políticas arriscadas no palco.
Em 1987, depois que o governador do Arizona proibiu o Dia de Martin Luther King, Bono recebeu ameaças de morte caso ousasse tocar "Pride (In The Name Of Love)" — que aborda o assassinato de King — no estado.
Ele prosseguiu e tocou mesmo assim, fechando os olhos na expectativa de um tiro.
"Olhei para cima no final do verso e vi que claramente não estava morto", contou ele mais tarde à revista Mojo. "Mas não só isso... Adam Clayton estava na minha frente".
De forma semelhante, em 1998, a banda provocou o ditador chileno Augusto Pinochet durante um show televisionado em Santiago. Ao final da noite, eles convidaram ao palco as mães das vítimas do golpe de Estado de Pinochet em 1973, que se revezaram para dizer os nomes de seus filhos ao microfone.
"Teria sido muito mais inteligente e melhor para nós ficarmos calados", diz The Edge. "Mas era artisticamente necessário, e simplesmente dissemos: 'Não podemos deixar de fazer isso'."
Refletindo ainda mais sobre a controvérsia envolvendo Macklemore, ele acrescenta: "Podemos discordar de alguns membros do movimento pró-Palestina, mas concordamos plenamente com os princípios fundamentais. Concordamos plenamente que o que está acontecendo em Gaza é inconcebível e que a vida de uma criança tem o mesmo valor, independentemente de sua origem".
O exército israelense lançou uma campanha em Gaza em resposta a um ataque sem precedentes liderado pelo Hamas contra o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 foram feitas reféns.
Durante a campanha militar de Israel em Gaza, mais de 73.780 pessoas foram mortas, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas no território, cujos números são considerados confiáveis pela ONU.
Larry Mullen Jr. é igualmente franco sobre a liberdade de expressão.
"Nós, como banda, lutaremos pelo direito de expressar nossas opiniões, desde que isso não incite violência", diz ele.
"Mesmo que discordemos ou não gostemos, ninguém — nenhum bilionário, nenhum produtor, nenhum dono de banda — tem o direito de censurar ninguém. E com certeza não nos censurarão, nunca".
O álbum 'Carnaval De Luz', com lançamento previsto para 13 de novembro, inclui a última música de Dolly Parton, "Torn".
Bono disse a Chris: "Ela é a única coisa em todo o universo em que todos podemos concordar. Gays, héteros, republicanos, democratas, de direita, de esquerda, de esquerda. Todo mundo simplesmente amava Dolly Parton".
Outra presença feminina brilha na quarta faixa, "The Mirror Maker", dedicada à superestrela catalã Rosalía. Escrita após testemunhar sua fascinante turnê 'Lux', Bono descreve os "céus girando" para revelar "o reencantamento do mundo".
"Normalmente, você precisa estar morta ou na prisão para que escrevamos uma música sobre você", ele ri, "mas ela é uma força feminina poderosa. Uma espécie de musicista transcendente e extática".
Ele escreveu a música sem o conhecimento dela, telefonando para a cantora depois para, timidamente, pedir sua aprovação.
"Poderia ter sido insuportável se ela realmente odiasse", ele faz uma careta. "Eu teria que fingir que era sobre Santa Rosália, uma santa que viveu em uma caverna na Itália no século XVII".
No início de 2026, a banda lançou às pressas dois EPs de músicas inéditas, inspiradas nos acontecimentos de um mundo em turbulência.
O primeiro, 'Days Of Ash', era urgente e furioso – abordando o assassinato da cidadã americana Renee Good por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE); e a morte da ativista palestina Odeh Hathaleenm, supostamente morta por um colono israelense. Yinon Levy foi acusado de homicídio culposo e afirmou que lutará por sua inocência no tribunal.
O EP seguinte do U2, 'Easter Lily', foi mais reflexivo, questionando se a fé e a amizade são suficientes para nos sustentar em tempos difíceis.
Juntos, eles representaram o material mais forte da banda em anos, combinando a energia explosiva de sua primeira fase pós-punk com a sofisticação melódica que desenvolveram no final da década de 1980.
"Lançamos esses EPs sem avisar ninguém", disse Bono.
"Nossa equipe de gestão, nossa gravadora, todos disseram: 'Vocês não podem fazer isso, ninguém vai notar'. E nós respondemos: 'Não nos importamos. Não tem problema não ter toda essa propaganda em torno de tudo'. E foi realmente lindo. As pessoas que queríamos que notassem, notaram".
Para quem acompanha o U2 há muito tempo, essa é uma grande mudança.
O álbum 'Carnaval De Luz' é uma obra complementar e um contraponto a 'Days Of Ash' e 'Easter Lily'. Inspirado por noites extasiantes em festivais de música, ele rejeita a ansiedade em favor do que Bono chama de "alegria desafiadora".
Há uma balada emocionante intitulada "If The World Is At War, We Better Not Be"; enquanto as guitarras cristalinas de "Superficiality" trazem um otimismo à afirmação de Bono de que "as notícias não podem nos destruir".
"Não queríamos ser arrastados por nuvens escuras ou melancolia", explica Adam Clayton.
"Nossa jornada desde meados da década de 1970 foi sobre expandir a liberdade e as oportunidades para todos: faça suas próprias regras, derrube o que não fosse útil. Agora parece que estamos em um período em que isso está ameaçado e sob ataque. Queríamos deixar claro que não queríamos que nossa alegria fosse roubada".
A batida eletrônica da faixa de abertura, "Go (Carnaval De Luz)", ecoa a fase experimental da banda nos anos 90.

The Guardian: Depois de alguns álbuns medianos, será que o novo do U2, 'Carnaval De Luz', conseguirá restaurar a glória da banda?


The Guardian

Depois de alguns álbuns medianos, será que o novo do U2, 'Carnaval De Luz', conseguirá restaurar a glória da banda? Eles discutem egos masculinos, a experiência de trabalhar com Dolly Parton e explicam por que, apesar de Trump, ainda acreditam na democracia – pelo menos em sua banda.

O restaurante La Petite Maison, em Nice, tem uma certa reputação de ser um ponto de encontro de celebridades cinco estrelas. 
É um ponto de encontro de celebridades tão grande que a chegada do U2 – ainda inegavelmente uma das maiores bandas do mundo 40 anos depois de poderem se autodenominar como tal – mal causa um murmúrio de interesse entre os outros clientes do almoço. Por outro lado, Bono é um frequentador assíduo. Ele estava jantando no terraço ao ar livre na noite do atentado terrorista em Nice, no Dia da Bastilha, em 2016, no qual 86 pessoas foram mortas. "Eu entrei por aquela janela e me escondi ali embaixo", ele acena com a cabeça, apontando para uma mesa no fundo do restaurante. "Nicole", acrescenta, "não se escondeu".
É um lugar muito chique para um almoço durante um ensaio, que é o que encontro com o U2 representa. Todos os membros da banda têm casas por perto e a entrevista foi encaixada entre os preparativos para um show secreto na Tate Modern, em Londres, incluindo músicas que gravaram em colaboração com Brian Eno – "para celebrar o grande homem e nossa história de colaboração", como disse The Edge. O show foi o evento mais recente em um ano que se mostra bastante agitado. Houve os EPs 'Days Of Ash' e 'Easter Lily', este último repleto de canções com uma inclinação espiritual, o primeiro com justa indignação e invectivas inspiradas pela guerra na Ucrânia, pelo genocídio na Palestina – Bono recentemente causou alvoroço em Israel ao comparar comentários feitos pelo ministro da segurança nacional do país a Heinrich Himmler – e pelo governo Trump. (O EP foi lançado um mês após o assassinato de Renee Good pela ICE, tema da faixa de abertura, "American Obituary").
Há também o primeiro álbum de material inédito em quase nove anos, 'Carnaval De Luz' e uma turnê mundial que o acompanhou. E houve uma apresentação na Mount Temple Comprehensive School, em Dublin, para comemorar o 50º aniversário da nota que Larry Mullen colocou no mural da escola ("baterista procura músicos para formar banda"). O U2 foi recebido com entusiasmo por uma plateia de alunos atuais que agitavam cartazes feitos à mão. Alguns eram aparentemente reverentes: "Bem-vindos de volta"; "É um dia realmente lindo". Outros, talvez, nem tanto: "Qual de vocês é o pai do Inhaler?"; "Quando é que o Oasis toca?"
Apesar dos apelos impertinentes para que cedessem o palco aos irmãos Gallagher, o show em sua antiga escola fez os membros do U2 refletirem sobre seus primeiros dias. Não era tão estranho que eles tivessem formado uma banda, pondera Adam Clayton – afinal, era a era punk, e muitos outros adolescentes tiveram a mesma ideia. A questão é que, desde o início, os objetivos do U2 pareciam um pouco diferentes. "Achávamos que a longevidade da nossa banda era um objetivo importante", diz ele, "o que era o oposto absoluto da coisa punk. Na escola, nos anos 70, tínhamos enfrentado a crise do petróleo, a crise econômica, nos preocupando com o que faríamos da vida. Acho que pensávamos: se temos isso, vamos continuar fazendo o máximo que pudermos".
"Lembro-me daquele período em que começamos a procurar um contrato com uma gravadora", diz The Edge. "Éramos impacientes; tínhamos grandes expectativas. Não nos ocorria que isso fosse absurdo. Tínhamos 16, 17, 18 anos e esperávamos conseguir um contrato com uma gravadora. Acho que a resposta está no título do primeiro álbum, 'Boy'. Era uma espécie de exame da inocência e da ingenuidade, e essas coisas são muito importantes: elas nos dão a sensação de que tudo é possível, que a mudança pode acontecer, que você pode ser uma banda enorme. Isso nos permitiu pensar em sucesso global, quando quase não havia evidências de que isso fosse possível".
O que parece quase impossível é que o U2 ainda esteja aqui, meio século depois, com os mesmos quatro membros: sem dúvida, existem outras bandas que podem afirmar o mesmo, mas é difícil pensar em alguma. O fato de terem sobrevivido intactos se deve ao que Bono chama de "o soviético" – uma democracia em que os créditos de composição são sempre divididos igualmente e tudo é decidido por um comitê.
Observando a interação entre eles enquanto saboreiam os camarões empanados e a salada de ervilhas da Madame Nicole, você tem uma vaga ideia de como "o soviético" poderia funcionar – ocasionalmente, depois que Bono oferece uma resposta longa que divaga em citações de livros, músicas e da Bíblia, outro membro da banda intervém e, de forma eficaz, contextualiza a questão, resumindo o que ele acabou de dizer em termos mais diretos. Mas, mesmo assim, não há como negar que uma divisão equitativa de poder é considerada uma maneira desastrosa de administrar uma banda. Como disse Bruce Springsteen quando apresentou o U2 ao Hall da Fama do Rock and Roll em 2005: "Acredito que eles realmente praticam alguma forma de democracia – um veneno tóxico na cabeça de uma banda!"
"Acho que se realmente entendêssemos como funciona, teríamos saído do ramo do rock and roll e ido para a assessoria política", diz Larry Mullen. "Você precisa ser capaz de entrar em uma sala, compartilhar e estar aberto à maioria das circunstâncias".
"Ficou mais difícil com o passar do tempo", diz Bono. "Porque, como diria Marianne Faithfull em situações como esta: 'Nunca subestime o ego masculino, querida'. Estudantes de psicologia masculina dirão que, à medida que os homens perdem poder, seja físico, sexual ou mental, eles compensam isso demonstrando força". Ele ri, dizendo que quando seu próprio pai chegou a esse ponto, "começou a dormir com uma barra de ferro debaixo do travesseiro", e ilustra isso com uma história sobre os colegas do U2 na cena do rock irlandês do final dos anos 70, os Virgin Prunes. "Como uma brincadeira artística, eles apareceram uma noite e embrulharam nosso carro em lenços e talco, depois jogaram ovos quando fui até a janela. Pensei que estávamos sendo atacados e a maldita barra de ferro apareceu e ele saiu correndo atrás deles. Mas nossos ensaios raramente chegam a esse nível. Muito raramente".
Com o sucesso ou não da democracia, a onda de atividades deste ano chega ao fim de um longo período turbulento para o U2. O fracasso do musical da Broadway de Bono e The Edge sobre o Homem-Aranha, em 2011; o lançamento equivocado de 'Songs Of Innocence', em 2014, que invadiu as bibliotecas do iTunes de todos; a recepção fria dada a esse álbum e ao seu sucessor, 'Songs Of Experience'; Bono sofreu um acidente de bicicleta em 2014 que o deixou com inúmeras fraturas e trauma facial, e uma cirurgia de coração aberto dois anos depois. Houve triunfos ao longo do caminho, principalmente as turnês de 'Innocence and Experience' e 'The Joshua Tree', que arrecadaram juntas US$ 543 milhões. Mas, quando o U2 realizou sua residência de 2023-24 no Sphere, em Las Vegas, sem Mullen – que se recuperava de uma cirurgia no pescoço que parecia que poderia encerrar sua carreira como baterista –, surgiram rumores sobre o futuro da banda, principalmente dentro do próprio U2.
"U2 são os quatro membros da banda", afirma The Edge, com convicção. "Acho que isso não significa que pararíamos de fazer música se alguém saísse, mas acho que seria um grupo muito diferente. Com certeza reconheceríamos que seria um U2 parte dois, e não a mesma coisa. Não tenho certeza se estaríamos aqui se Larry não estivesse pronto para tocar".
E, no entanto, Mullen está aqui, com uma aparência impressionantemente saudável, e o novo álbum do U2 soa visivelmente mais confiante e, bem, mais U2 do que 'Songs Of Innocence' ou 'Songs Of Experience', ambos com uma leve sensação de uma banda lutando para encontrar seu lugar no cenário do século XXI. Havia investidas desajeitadas em direção à contemporaneidade pop – vocais com Auto-Tune, o compositor contratado Ryan Tedder nos créditos – e momentos que soavam menos como U2 e mais como Coldplay. "A coerência coletiva sobrepujou o transcendente", afirma Bono, com cautela: em contraste, em 'Carnaval De Luz', The Edge diz que um de seus objetivos era "fazer música que só o U2 poderia fazer".
O álbum inclui um dueto com Dolly Parton, que agora é a última música que a estrela country, já debilitada pela doença – ou, como Bono a chama, "a última coisa em que todos os americanos concordaram" – gravou. "Cantar ao lado dela é um pouco constrangedor, e isso não é falsa modéstia", diz ele sobre a experiência de fazer um dueto com uma vocalista cujas habilidades ele compara às do mestre paquistanês do qawwali, Nusrat Fateh Ali Khan. E há também "The Mirror Maker (Rosalía)", uma canção em homenagem à cantora espanhola que dá nome à música, repleta de um falsete que imita seus floreios operísticos, cuja produção aparentemente exigiu uma reunião com o já mencionado soviético antes de ser concretizada.
"Só para lançar a ideia e perguntar: será que podemos mesmo fazer isso?", diz Bono. "Sou fã dela há anos. Ela está na mesma vibe que a gente estava – catolicismo, santos, amor a Deus – mas foi um pouco constrangedor ela ter ficado tão famosa: tipo, ótimo, o U2 se deu conta da Rosalía justo quando ela estava se tornando a maior estrela do planeta". Ele acabou mandando uma mensagem para a cantora para contar o que tinham feito. "Tive que explicar para uma amiga dela que eu sabia que não éramos, de fato, perseguidores. Mas ela levou na esportiva. Ela disse: 'Eu não preciso cantar nessa música, preciso?' E eu disse: 'Não, não, como é que a gente ia pedir para você cantar uma música sobre você?' Dito isso, conseguimos que o Johnny Cash cantasse "The Wanderer", e essa música era sobre ele".
"Mas na verdade não tinha o nome dele no título", Adam Clayton franze a testa. "Não se chamava "Johnny Cash: The Wanderer"."
O tom emocional de 'Carnaval De Luz' é notavelmente diferente dos dois EPs que o precederam, com a raiva de 'Days Of Ash' substituída por apelos à comunidade e uma espécie de alegria desafiadora. "As notícias não podem nos destruir", como diz a música "Superficiality".
"Não se trata de tocar violino enquanto Roma queima, mas sim de tirar o violino de Nero e tocar uma música melhor", observa Bono, tipicamente Bono. "Esses demônios não devem controlar nosso humor".
Bono afirma que estes são "tempos excepcionais". Ele é um ativista que nunca se furtou a dialogar com políticos americanos cujas opiniões, evidentemente, não se alinham às suas. No início dos anos 2000, ele convenceu o senador republicano Jesse Helms, um homofóbico declarado, a apoiar o financiamento para o combate à AIDS. Ele fez lobby junto a George W. Bush para o alívio da dívida de países em desenvolvimento e reuniu diversos executivos de grandes empresas para apoiar a iniciativa beneficente Product Red. Mas sua ausência na Casa Branca durante o segundo mandato de Trump tem sido notável: uma administração que, em 2025, interrompeu o próprio programa de combate à AIDS que Bono ajudou a iniciar.
"É preciso sentir uma permissão para realizar uma determinada tarefa", diz ele, "e se você a sente espiritualmente, você pensa: 'Acho que posso ajudar aqui'". Com o governo Trump, "fui convidado, mas sei que não estou à altura, não tenho capacidade para negociar, é demais". Bono diz que não tem "um plano, uma estratégia para uma ação bem-sucedida, uma ideia original específica que eu possa apresentar a eles. Talvez seja melhor deixar isso para outra pessoa. Não sinto... a liderança, é essa a palavra? Aquela sensação de saber o que fazer".
Mullen continua a conversa. "Quando o dinheiro foi retirado do combate à AIDS, das pessoas na África, acho que, para ser honesto, ficamos em estado de choque e consternação com o que vimos. E essas coisas exigem uma quantidade enorme de tempo e energia, e você não pode fazer tudo, só pode fazer uma certa quantidade".
Ele está dizendo que considera esta situação fundamentalmente diferente daquela que enfrentou com políticos de direita em governos anteriores?
"Sim, considero", diz Bono. "É um mundo novo. É diferente. Há um cheiro, um alarme, e todos nós estamos tentando discernir o que é. Há uma dança completamente nova e sabemos o seu nome", diz ele, parafraseando a música "Fashion", de David Bowie. "É um pouco... fascista. E exige uma resposta diferente".
Ele menciona um encontro que teve com Demis Hassabis, um pesquisador de inteligência artificial ganhador do Prêmio Nobel. "Talvez uma das pessoas mais inteligentes do planeta", que sugeriu que "a menos que haja uma mudança exponencial no comportamento humano e na forma como nos relacionamos uns com os outros, como cooperamos e nos reorganizamos para enfrentar os desafios do mundo, como a crise climática ou qualquer outra coisa... estamos em apuros". Ele afirma que ainda acredita genuinamente que a música rock tem um papel a desempenhar na união das pessoas, chamando sua próxima turnê de "uma luta sem limites por uma ótima noite de diversão".
Isso apesar de uma música em 'Carnaval De Luz' chamada "The Greatest Show On Earth", que você poderia interpretar como uma homenagem à fase imperial do U2 nos anos 80 e 90, ou ao papel outrora central, agora diminuído, da música pop na cultura. "Nós já fomos o maior espetáculo da Terra", ele canta, um verso que aparentemente causou certa consternação entre os membros do U2.
"Todo mundo dizia: 'Você não vai cantar isso, vai?'", ele ri. "Edge sugeria: 'Que tal: nós ainda podemos ser o maior espetáculo da Terra?' Adam disse: 'E se fosse: eu acho que somos o maior espetáculo da Terra?' Mas eu sei como me sinto quando canto essa música. A sensação de enfrentar esse desafio – de olhar o que poderia ter sido – te dá esperança".
Naquela época, ele conta, ignorou as objeções do soviético e conseguiu o que queria. Mas isso acontece muito menos do que se imagina, e talvez seja melhor assim. "Eu realmente sonho que um dia esses caras vão simplesmente fazer o que lhes mandam, mas, neste momento, estou desistindo dessa fantasia", sorri Edge, enquanto o U2 se dirige para a sala de ensaio. "Acho que isso não vai acontecer. E graças a Deus, porque se eles começassem a fazer o que lhes mandam, teríamos um álbum absolutamente horrível".

The Edge ao Estadão: "O que sempre perguntamos é: 'o que nunca foi feito antes?'. Não será diferente nesta turnê, estamos tentando fazer coisas novas e bastante ambiciosas"



Estadão

São 50 anos de U2. Com o mesmo ímpeto de quando fizeram seu primeiro show, em 1976, na escola Mount Temple, em Dublin, onde se conheceram, Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. seguem fazendo um rock operístico, carregado de ativismo, fé e sustentado por um sólido ego coletivo.
"Nós crescemos juntos e somos amigos de verdade. Conhecemos nossos pontos fortes e nossas fraquezas. Muitos anos atrás, decidimos que, se trabalhássemos juntos e apoiássemos uns aos outros, teríamos boas chances de criar algo em que todos saíssem ganhando", diz The Edge ao Estadão, em entrevista por videoconferência.
"Somos o melhor exemplo de cooperação genuína dentro de um grupo. Abrimos mão dos nossos egos individuais para assumir um ego coletivo da banda, no qual queremos que o conjunto tenha sucesso em todos os aspectos", complementa.
Em 2026, o grupo voltou com tudo. Após nove anos sem soltar um álbum de músicas inéditas, lançou dois EPs em feriados cristãos, 'Days Of Ash', na Quarta-Feira de Cinzas, e 'Easter Lily', na Sexta-Feira Santa. Os registros antecederam o disco 'Carnaval De Luz', batizado em português e que será lançado em mídia física e nas principais plataformas de streaming em 13 de novembro.
O título com referência ao Brasil nasceu inspirado por uma viagem feita pelos roqueiros ao carnaval da Bahia, em 2006, acompanhados por Gilberto Gil e o produtor Quincy Jones.
"Sempre sentimos que fomos privados de alguma coisa, porque, na Irlanda, apesar de ser um país muito católico, nossa versão do carnaval era a terça-feira de carnaval, quando ganhávamos panquecas no café da manhã. Essa era a nossa versão da festa", lamenta Edge.
"À medida que passamos a conhecer melhor a expressão latina dessa celebração, começamos a compreender essa liberdade e capacidade de celebrar a humanidade e o corpo".
O U2 sempre foi movido pela fé – e não necessariamente pela religião. Seguidores de Cristo, mas carregando alguma dose de agnosticismo, os músicos se inspiraram em salmos para faixas como "Gloria" e "40".
A tendência também é notada em 'Carnaval De Luz'. Nos videoclipes já divulgados, é possível encontrar referências bíblicas. No single "Silencio", há uma menção ao Cristo Redentor e ao Pai, o Filho e o Espírito Santo. Em "Streets Of Dreams", o eu lírico pede para Deus ouvir seu clamor. Já na contemplativa "The Greatest Show On Earth", uma mulher atravessa o deserto carregando uma cruz.
Da nova safra, destacam-se "American Obituary", uma homenagem a Renée Good, morta por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em Minneapolis, nos EUA, e "If The World Is At War We Better Not Be", cujo título antiguerra faz alusão aos conflitos recentes envolvendo Ucrânia, Irã, Estados Unidos, Israel e Palestina.
"As pessoas sabem das nossas origens e sabem que, quando nos posicionamos, é algo que foi muito bem pensado. Posicionamentos binários e simplistas raramente ajudam a resolver um problema complexo. Queremos ser úteis; não queremos parecer cool", afirma Edge sobre como o público recebe o posicionamento da banda acerca de determinados assuntos.
"Hoje estamos atravessando uma cultura incessantemente negativa, em grande parte devido à maneira como as redes sociais afetaram a comunicação. As pessoas estão vivendo um período de muita ansiedade, depressão, desesperança e desânimo. Se queremos que as pessoas se interessem pelo que está acontecendo no mundo, elas precisam sentir que seus esforços podem fazer a diferença".
The Edge conta que o U2 possui um processo de composição incomum. "Costumamos dizer que construímos a casa começando pelo telhado. Meu trabalho, suponho, é dar o pontapé inicial com a música, para que exista um ponto de partida. A letra, na maioria das vezes, é a última parte da equação, nascendo do sentimento evocado pela música".
Aos 50 anos, o grupo parece continuar movido pela mesma inquietação que o levou a subir aos palcos pela primeira vez: a de fazer da música algo que ultrapasse os limites do entretenimento, algo que Edge define como "transcendência".
"Acordo todas as manhãs sentindo que hoje pode ser o dia em que vamos fazer a melhor canção que já escrevemos", confessa. "Sinto que tenho o melhor trabalho do mundo".
Para 2027, está programada a turnê mundial 'The Greatest Show On Earth', que já tem quatro datas agendadas no Estádio do MorumBis, em São Paulo, no mês de março. Será a primeira vinda ao País em uma década e Edge evita dar detalhes do evento musical que promete ser o mais cobiçado do próximo ano.
"Trabalhamos há anos com alguns dos melhores profissionais do mundo, que fazem grandes turnês para os maiores artistas do planeta. O que sempre perguntamos a eles é: 'o que nunca foi feito antes?'. Não será diferente nesta turnê: estamos tentando fazer coisas novas e bastante ambiciosas", adianta.

Folha De São Paulo: U2 lança 'Carnaval de Luz' e emociona sem inovar


Folha De São Paulo

O U2 lançar seu décimo sexto álbum de estúdio no ano em que comemora cinco décadas de carreira, sem interrupção, não surpreende apenas pela longevidade da banda nem pela formação que permanece a mesma desde o começo. O que impressiona é a disposição do quarteto, gravando com vigor adolescente.
Em toda a sua trajetória, o U2 nunca tinha lançado tantas músicas numa única temporada como fez em 2026. 'Carnaval De Luz', o novo álbum, traz 12 faixas. Somadas aos dois EPs do início do ano, 'Days Of Ash', em fevereiro, e 'Easter Lily', em abril, fecham uma safra de 24 músicas inéditas.
Nem o fã mais otimista esperava tanto. São os primeiros trabalhos de material inédito desde 'Songs Of Experience', álbum de 2017. Produzido por Jacknife Lee, parceiro que cuidou do recente projeto solo de Bono com show e gravação em vídeo, traz nas letras temas como espiritualidade, amizade, liberdade e resistência. Puro suco de U2.
Como sempre, há canções grandiosas, épicas. A impressão de ser um projeto ambicioso da banda pode até ser indicada pela capa do álbum. Ela remete à clássica imagem dos Beatles atravessando Abbey Road. Os integrantes do U2 caminham em uma linha semelhante. O cenário apresenta um céu claro, uma praia amarela e ondas do mar.
Porém, a audição das novas canções trava um pouco tanta pretensão. A intenção do grupo parece ser equilibrar no álbum dois lados do U2 que foram separados nos EPs anteriores. 'Days Of Ash' traz um punhado de canções políticas, com um ativismo explícito que o U2 cansou de fazer nos anos 1980. Já 'Easter Lily' é um disco com canções acolhedoras e derivativas.
Os dois lados se juntam no álbum. Enquanto nos EPs é possível pinçar duas ou três que poderiam ser incluídas numa galeria de melhores da banda, 'Carnaval De Luz' é meio frouxo. Em alguns momentos, as músicas simplesmente não têm uma conexão forte com o ouvinte. E, quando a banda acerta um pouco mais a mão, o resultado é mais do mesmo.
Claro que os fãs do U2 vão receber esse repertório com toda a empolgação construída por tanta espera por um material inédito. Mas é um pouco difícil imaginar essas canções com a força arrebatadora que, por exemplo, "Pride" ou "With Or Without You" provocam nas grandes arenas.
Mesmo "The Greatest Show On Earth", uma das faixas mais épicas do álbum, coescrita por U2 e Brian Eno, não é comparável aos hinos clássicos. A canção narra a história de amantes lutando para manter a fé um no outro. Em entrevista, Bono descreveu a faixa como uma das melhores da banda em muito tempo.
Certamente um exagero do frontman, mas é um dos bons momentos de um álbum que abre com "Go (Carnaval De Luz)", uma faixa furiosa e um pouco errática, que serve como uma declaração de intenções da banda. "La Reina" e "Street Of Dreams" mudam a jornada sonora, explorando diferentes nuances do estilo envolvente característico do U2.
Estranha mesmo é "The Mirror Maker (Rosalía)", uma homenagem à artista espanhola Rosalía, "reconhecendo sua contribuição significativa à música contemporânea". À revista britânica NME, Bono comentou sobre a inspiração por trás da canção, destacando a admiração pela artista.
Para quem estava com saudade do U2 panfletário, "Superficiality" e "If The World Is At War We Better Not Be" abordam questões sociais e políticas, refletindo sobre a superficialidade das interações modernas e a necessidade de unidade em tempos de conflito. "Silencio" é uma faixa quase punk, furiosa, que destaca a guitarra distorcida e Bono cantando em um estilo mais agressivo.
"Glorify" e "Midnight Sunshine" continuam a exploração sonora do álbum, com harmonias quebradas e reatadas em passagens criativas, enquanto "Can't Stop Us Now" transmite uma mensagem de perseverança e determinação. Poderia estar num disco da banda nos anos 1980.
O álbum encerra com "Torn", uma colaboração com Dolly Parton, que coescreveu a canção e fez dueto com Bono. Esta faixa se tornou a última gravação da cantora country, que morreu em agosto, de câncer.
O U2 parece ter se preparado bastante para turbinar o lançamento do álbum, numa época em que a avalanche de músicas que surgem diariamente na internet cria uma concorrência difícil de ser enfrentada. A banda anunciou uma edição limitada em vinil de 'Carnaval De Luz', em colaboração com a Third Man Records, a gravadora do cantor e guitarrista Jack White. Esta versão apresenta um design em amarelo e preto, criado especificamente para lojas de música independentes.
O U2 vai além nessa colaboração com o comércio indie. O álbum chega às plataformas no dia 13 de novembro. Na véspera, várias lojas cadastradas pela banda vão oferecer aos frequentadores uma audição antecipada.
Em 'Carnaval De Luz', o U2 não traz uma inovação exuberante. Não é uma adição significativa ao legado da banda. Mas, com 50 anos de estrada, o quarteto ainda consegue emocionar os fãs, oferecendo acolhimento numa zona de conforto sonora. Agora é esperar a passagem da nova turnê por São Paulo, em março.

Em entrevista exclusiva à 89, The Edge relembra experiências no Carnaval brasileiro, explica o conceito do novo álbum do U2 e comenta o que esperar dos quatro show no Brasil


O U2 se prepara para lançar 'Carnaval De Luz', seu 16º álbum de estúdio, no dia 13 de novembro de 2026. O trabalho marca o retorno da banda irlandesa com um disco completo de inéditas após nove anos e faz parte das comemorações de seus 50 anos de carreira. Em entrevista exclusiva à 89 A Rádio Rock, o guitarrista The Edge revelou detalhes do processo criativo, das inspirações por trás das músicas e do conceito do álbum, que mistura espiritualidade, celebração e reflexões sobre o mundo atual.
Entre os destaques estão "The Mirror Maker", inspirada na cantora espanhola Rosalía, e "Torn", colaboração com Dolly Parton que ganhou um significado ainda mais especial após a morte da artista. The Edge também contou que utilizou uma guitarra com cordas que não troca há 20 anos e revelou que algumas composições começaram a ser desenvolvidas há cerca de uma década. O músico ainda explicou a relação do disco com os EPs 'Days Of Ash' e 'Easter Lily', lançados anteriormente, e como o U2 continua buscando novas sonoridades mesmo depois de cinco décadas de história.
Além do lançamento, o U2 prepara seu retorno ao Brasil em março de 2027, com quatro apresentações no Estádio MorumBIS, em São Paulo, nos dias 10, 12, 14 e 16. Durante a conversa, The Edge relembrou experiências marcantes no Carnaval brasileiro, incluindo a participação de Bono com Ivete Sangalo em 2006, e destacou a paixão dos fãs do país. Sobre a nova turnê, o guitarrista garantiu que a banda pretende encontrar um equilíbrio entre as músicas inéditas e os grandes sucessos que marcaram sua carreira, sem deixar os clássicos de fora do repertório.

The Edge deu uma entrevista a 89, feita pela Fernanda Soldateli:

Fernanda Soldateli: Gostaria de voltar a 2006, quando você e Bono estiveram no Carnaval da Bahia e Bono cantou "Vertigo" com Ivete Sangalo. Aquilo foi incrível! Quero saber quanto daquele Carnaval está presente em 'Carnaval De Luz'?

The Edge: Bom, nós estamos explorando e nos encantando com o Carnaval brasileiro há muito tempo. E, antes mesmo daquela ocasião, durante a turnê PopMart, colaboramos com uma das escolas de samba do Rio de Janeiro e a levamos ao palco para tocar conosco. Então, há muito tempo somos fascinados não apenas pela expressão do Carnaval, mas pelo próprio conceito da festa. Essa ideia de que, dentro de um contexto religioso, você pode celebrar e aproveitar os prazeres da vida e do corpo, por assim dizer. Na Irlanda, nós sempre nos sentimos meio injustiçados, porque, quando chegava o início da Quaresma, tudo o que recebíamos era um monte de panquecas. Aquela era a nossa versão do Carnaval! Não parecia muito justo. Por isso, o Carnaval nos fascina há bastante tempo. Naquela ocasião, foi realmente muito especial. Estávamos na Bahia com Quincy Jones e Gilberto Gil, e eles disseram: "Nós vamos mostrar o Carnaval para vocês". Então assistimos à festa de uma varanda, que era um lugar maravilhoso para ver todos os trios passando. A música era incrível. E então aconteceu aquele momento maravilhoso em que fomos convidados a participar. Bono disse: "Me dá o microfone!". Jogaram o microfone para ele, Bono pegou e começamos a cantar juntos. Foi muito divertido. Realmente uma experiência fantástica.

Fernanda Soldateli: Bono disse em uma entrevista que o título do álbum está em português. Isso é verdade? Porque espero que sim!

The Edge: Sim. Sinceramente, nossas experiências em Portugal foram muito importantes para nós. E, quando começamos a pensar nesta turnê, voltamos a uma ideia que já tínhamos há algum tempo. Acho que talvez essa ideia tenha surgido até mesmo na época de 'Achtung Baby', que era o Carnaval. Nós ficamos fascinados com a possibilidade de reunir esses dois lados diferentes da identidade do U2: essa busca espiritual e a celebração. E sentimos que este era um momento muito importante para lembrar às pessoas que existe muita coisa pela qual devemos ser gratos. Existe muita coisa para celebrar. Por mais que todos nós estejamos lidando diariamente com notícias muito difíceis, vindas de todos os cantos do mundo, é importante não sucumbir à tristeza, à depressão ou ao desânimo. É importante ter uma postura de resistência. E a melhor maneira de resistir, quando você recebe notícias ruins como essas, é reconhecê-las, mas depois celebrar as coisas boas. Então, essa é a nossa ambição para a turnê: que ela seja positiva diante de todas as coisas com as quais estamos lidando.

Fernanda Soldateli: Vocês estavam planejando fazer dois shows aqui em São Paulo, mas agora temos quatro datas, e os ingressos se esgotaram extremamente rápido. É verdade que o público brasileiro é diferente dos públicos de outros lugares do mundo?

The Edge: Sim, quero dizer, cada país é diferente, mas o Brasil é realmente muito especial. O público é muito apaixonado. As pessoas realmente vivem a música e a celebração. Isso é algo muito natural para vocês. Nós costumamos dizer que a Irlanda tem um espírito muito latino, mesmo estando no norte da Europa. Então, existe uma parte dos irlandeses que aspira a ser brasileira. Talvez nunca consigamos chegar lá. Certamente não vamos conseguir acompanhar vocês na dança, e não vamos conseguir acompanhar vocês em muitas outras coisas, mas vamos fazer o nosso melhor!

Fernanda Soldateli: Falando sobre os shows, li uma entrevista em que você disse que gostaria de tocar mais músicas do novo álbum, 'Carnaval De Luz', enquanto Bono prefere tocar mais sucessos antigos. Então, quem está ganhando essa briga? O que podemos esperar do setlist?

The Edge: Ah, eu queria que fosse simples assim! Estamos todos tentando encontrar aquele equilíbrio perfeito entre as músicas antigas e as novas. E, em diferentes momentos, eu penso: bom, nós acabamos de lançar dois trabalhos e, na verdade, até novembro, teremos lançado efetivamente 24 músicas nesse período de um ano. Então, temos uma quantidade enorme de material para escolher. Mas também sabemos que as pessoas vão aos shows para ouvir as grandes músicas do U2. Por isso, com certeza vamos garantir que nenhum daqueles clássicos fique de fora. Então, vai ser difícil encontrar esse equilíbrio. Mas, no fim das contas, as músicas é que mandam. São elas que nos dizem o que fazer. Vamos ouvir e sentir quais são as músicas certas para tocar.

Fernanda Soldateli: No calendário litúrgico, o Carnaval acontece antes da Quaresma e da Páscoa. Mas, no caso dos lançamentos de vocês, os EPs relacionados a esses períodos vieram antes do Carnaval. Então, essa ordem foi invertida de propósito?

The Edge: Sim. Foi quase como se o primeiro EP tivesse se apresentado como algo que precisávamos lançar imediatamente, porque as músicas eram muito atuais, estavam muito conectadas àquele momento. Então, nós pensamos se deveríamos lançar apenas uma música. Depois pensamos: não, vamos lançar todas essas músicas juntas. E então veio o segundo EP, que, no calendário eclesiástico, vem depois. Você tem a Quaresma e depois a Páscoa. Então simplesmente dissemos: "Vamos lançar esse segundo EP". E, dessa forma, vamos efetivamente começar a contar a nossa história pelo final e depois voltar ao começo. Então o álbum vai chegar no fim dessa sequência, culminando a história, mas, na nossa cabeça, esse é o começo.

Fernanda Soldateli: Você disse que este é o primeiro disco do U2 que utiliza cordas flatwound. O que essas cordas têm de diferente das cordas normais?

The Edge: Bom, para mim, esses pequenos detalhes são coisas sobre as quais raramente falo, porque acho que passam despercebidas pela maioria das pessoas. Não são tão interessantes para elas. Mas eu percebo que algumas guitarras antigas, assim como alguns amplificadores antigos e algumas cordas antigas, como essas cordas flatwound, têm algo realmente único e especial. Essa guitarra, por exemplo, está comigo há 20 anos e, durante todo esse tempo, eu nunca troquei as cordas. São cordas flatwound, que geralmente são utilizadas por músicos de jazz. Elas têm um timbre muito quente, muito diferente daquele que eu normalmente uso. Então, fui atraído por elas justamente porque eram diferentes. E estou sempre tentando encontrar alguma coisa nova para fazer com a guitarra elétrica. Eu fico nervoso quando as coisas começam a soar familiares demais. Mas, quando encontro um som novo para explorar, fico muito empolgado. Então, acho que essas cordas flatwound aparecem em "The Mirror Maker", que é uma das faixas do álbum.

Fernanda Soldateli: "The Mirror Maker" é incrível! Tive a oportunidade de ouvir o álbum antes da entrevista e sei que é uma música sobre Rosalía. Quero saber como é escrever uma música sobre uma pessoa que está viva e de que maneira ela inspirou vocês?

The Edge: Bom, ela é uma artista realmente fascinante. E, quando começamos a escrever essa música, ela ainda não era tão conhecida. Mas hoje ela é realmente muito conhecida e bem-sucedida. Isso foi algo que não imaginávamos que aconteceria. Mas acho que ela é interessante para nós porque sentimos que existe uma afinidade artística entre nós. Ela está sempre procurando alguma coisa nova para trazer à música contemporânea. Assim como ela, nós sempre tentamos incorporar influências das artes plásticas e de outras formas musicais ao nosso trabalho. Ela traz ideias do flamenco, ideias da ópera, traz a dança moderna. Todos os tipos de pensamentos e ideias diferentes, reunindo tudo isso para tornar a música pop contemporânea mais diversa, mais variada e dar a ela mais profundidade. E nós adoramos isso nela. E ela também não tem receio, eu diria, de fazer referências a elementos espirituais e históricos, algo que nós também fazemos. Existe o fascínio dela pelos santos e pelo catolicismo. Nós também estamos abertos a tudo isso.

Fernanda Soldateli: E existe alguma coisa em "The Mirror Maker" que vocês tenham pegado emprestada do universo artístico dela?

The Edge: Não exatamente. É mais uma questão de termos sido inspirados por ela. E a ideia da letra é que existem alguns artistas que ficam olhando para o espelho. Mas existem aqueles que atravessam o espelho, como se ele fosse um portal. E é assim que pensamos em Rosalía: como uma artista que está disposta a imaginar uma paisagem inteiramente nova. Ela não se contenta apenas com aquilo que está evidente, mas consegue imaginar alguma coisa além daquilo. E nós achamos isso fascinante.

Fernanda Soldateli: Essa música e outras quatro, se não me engano, foram compostas por você junto com Bono. Quero saber como funciona esse processo. Vocês trabalham juntos ou separadamente?

The Edge: Nós geralmente trabalhamos juntos, na mesma sala. E, na maior parte do tempo, sou o cara que fica ali incentivando Bono, talvez ajudando a editar alguma coisa e dizendo: "Essa frase é ótima, usa essa". Mas, de vez em quando, eu também contribuo diretamente. E, sabe, nós fazemos isso um pelo outro. Nós nos encorajamos. Estamos ali para ouvir e servir de referência uns para os outros. Bono faz o mesmo comigo nas minhas partes de guitarra. Eu faço o mesmo com Adam e Larry nas partes de baixo e bateria deles. E é isso que significa estar em uma banda de verdade.

Fernanda Soldateli: E essas cinco músicas que você compôs com Bono têm trechos em espanhol. Isso foi coincidência ou você também teve participação nessa escolha?

The Edge: Bom, a primeira música que teve uma referência em espanhol foi "Street Of Dreams", com "Calle De Sueños". E foi algo de que eu simplesmente gostei. Eu adorava a sonoridade daquelas palavras dentro da música. E, para mim, o espanhol e as línguas latinas são como as línguas da liberdade. E penso em todos os tipos de pessoas que vêm da cultura latina. Penso na teologia da libertação. Penso em alguns revolucionários que estavam dispostos a tentar apresentar um novo caminho, um conjunto de valores novo, melhor e mais desenvolvido. Então, para mim, é mais do que uma decoração. Na verdade, é uma associação com um espírito de liberdade e imaginação que nós simplesmente adoramos.

Fernanda Soldateli: Também temos a participação de Dolly Parton em "Torn", que é uma música linda. É uma canção que ela começou a fazer e, quando estava gravando, já estava doente. Depois que ela faleceu, em agosto, quero saber como é para vocês ouvir essa música agora?

The Edge: Sim, bom, isso coloca a música em um contexto completamente diferente. Porque ela deixou de ser apenas uma bela música de Dolly Parton e uma colaboração para se transformar em uma espécie de últimas palavras de Dolly Parton para o mundo. E nós não tínhamos ideia, naquele momento, de que as coisas acabariam dessa maneira. Foi um choque. Um choque muito grande para nós quando soubemos que ela havia falecido. Nós tínhamos ouvido que ela estava lidando com alguns problemas médicos, mas estávamos convencidos de que eram coisas que ela conseguiria superar. Mas, infelizmente, não foi o que aconteceu. Então, estamos tristes, completamente tomados pelo luto pela perda dela. E agora estamos tentando descobrir qual é a maneira certa de homenageá-la no lançamento dessa música. Não queremos deixar que isso passe despercebido como uma parte importante do trabalho dela. E acho que é uma ótima música para este momento. Sabe, é uma canção que tem uma espécie de súplica, quase um lamento, um lamento irlandês, pela coesão social e pela união que tínhamos e que parecemos ter perdido, em um mundo no qual tudo está tão dividido. E acho que, vindo de Dolly, que era tão amada por pessoas de todos os setores da sociedade, isso tem um significado especial. Você poderia ser um conservador religioso, alguém que frequenta a igreja, ou poderia ser um liberal progressista, talvez alguém da comunidade LGBT. Todo mundo amava Dolly Parton. Então, sentimos que essa música pode funcionar como uma mensagem de encorajamento e, esperamos, de união.

Fernanda Soldateli: É uma música linda. Acho que já é uma homenagem a ela, com certeza. E, para terminar, li que Jacknife Lee disse que vocês mantêm dois quadros brancos no estúdio. Um deles contém o álbum no qual estão trabalhando, e o outro tem mais cinco ideias de projetos, incluindo álbuns acústicos e não acústicos. Então, o que podemos esperar do U2 no futuro? 

The Edge: Bom, nós sempre dizemos que a música é quem manda, ou que as canções são quem mandam. Então, vamos ver. Sabe, algumas das músicas que acabaram entrando neste álbum... Eu comecei a fazer as primeiras demos de algumas dessas músicas há uns dez anos. E elas estavam ali, na minha coleção de pensamentos e ideias. Mas, de repente, agora elas conseguiram se concretizar. Então, eu diria que temos muito material, seja terminado ou pela metade, com o qual estamos empolgados. Quando vamos decidir que é o momento certo para lançar essas coisas, ainda não sabemos. Não temos nenhum plano definido. Então, vamos simplesmente ver aonde os próximos anos nos levam e, depois, tomar uma decisão.

Fernanda Soldateli: Muito obrigada pelo seu tempo! Foi um prazer conversar com você. Tenho certeza de que vocês farão um grande show aqui no Brasil. Estou muito animada para vê-los!

The Edge: Sim, estamos muito animados para voltar ao Brasil. É um dos nossos lugares favoritos no mundo para tocar. E muito obrigado. Foi um verdadeiro prazer conversar com você.

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Adam Clayton e Jeff Ament falam como o punk rock dos Ramones foram um catalisador para U2 e Pearl Jam


O site italiano pearljamonline escreve que o baixista do Pearl Jam, Jeff Ament, participou recentemente de um episódio especial de 'Don't Ask Me, I'm The Bass Player', programa de Adam Clayton na U2 X-Radio da SiriusXM, que foi ao ar em 30 de outubro de 2026.
Durante a entrevista, Ament relembrou como começou a tocar baixo, revelando que sua jornada musical, na verdade, começou com a guitarra.
No ensino médio, ele teve algumas aulas com seu amigo Reggie, mas o método de ensino não era exatamente do seu agrado. "Eu tocava um pouco de guitarra no ensino médio com meu amigo Reggie. O professor nos mostrava escalas, mais ou menos como um professor de piano faria. Depois de uns seis meses, eu pensei: 'Meu Deus, por que ainda estamos tocando Brilha, Brilha, Estrelinha?' Esses exercícios horríveis de escalas. Então, desistimos".
Foi só na faculdade que Ament finalmente pegou um baixo, graças a um cara que morava no mesmo andar do dormitório e curtia punk rock.
Seu novo amigo tinha um baixo, enquanto Jeff tinha uma guitarra. O disco preferido deles era 'It's Alive', o lendário álbum ao vivo dos Ramones. "A gente colocava o álbum 'It's Alive' dos Ramones e tocava junto, do começo ao fim. Tomávamos uns shots de tequila e essa era a nossa diversão. Mais ou menos um mês depois, nos ofereceram a oportunidade de abrir um show, mas a gente nem tinha uma banda ainda. Então, saímos em busca de um baterista e, provavelmente seis semanas depois de pegar o baixo pela primeira vez, eu já estava tocando em um show".
Ament brincou dizendo que a apresentação provavelmente foi terrível, mas Adam Clayton destacou como foi ótimo aprender a tocar baixo no estilo de Dee Dee Ramone, elogiando sua capacidade de se encaixar no ritmo.
Adam Clayton também refletiu sobre a influência dos Ramones nos primeiros dias do U2. A música deles mostrou a toda uma geração de jovens músicos que não era preciso arranjos complicados ou virtuosismo técnico para compor uma ótima música: três minutos, uma melodia forte, uma linha de baixo em compasso 4/4 e a energia para se entregar completamente.
"O punk rock foi obviamente o catalisador para você, porque foi exatamente o mesmo para mim e para os caras do U2. Os Ramones têm muito a explicar. Eles nos ensinaram que era possível compor uma música de três minutos com uma melodia forte, uma linha de baixo em 4/4 e simplesmente arrasar na execução. Isso nos deu a confiança para sair e formar nossa própria banda".
Ament também falou sobre o impacto que a música teve sobre ele na adolescência, quando a energia bruta, a raiva e a frustração do punk rock pareciam dialogar diretamente com tudo o que ele estava vivenciando.
"Quando esse tipo de energia te atinge nessa idade, é quase como se você se tornasse a pessoa que deveria ser ao ouvir essa música. Grande parte dela era puro entusiasmo e energia, raiva e frustração, todas essas coisas que realmente ressoam quando você é um jovem de 18 anos".
Como parte do programa, Ament também preparou uma playlist que oferece um vislumbre de seus gostos musicais e de alguns dos discos que o influenciaram ao longo dos anos.
A seleção começa com "My Father's Son", do Pearl Jam, seguida pela versão ao vivo de "Rockaway Beach", dos Ramones, do álbum 'It's Alive' — o mesmo disco que teve um papel tão importante nos primeiros anos de carreira de Ament como músico. Em seguida, vêm "Gonna Raise Hell", do Cheap Trick, e "Achilles Last Stand", do Led Zeppelin, seguidos por "I'll Be Creepin'", do Free.
A playlist então toma um rumo mais soul com dois clássicos: "Soul Man", de Sam & Dave, e "(Sittin' On) The Dock Of The Bay", de Otis Redding. Para finalizar, Ament volta ao Pearl Jam com "Quick Escape", antes de encerrar com "Bullet The Blue Sky", do U2.
É uma mistura bastante diversificada de punk, rock, hard rock e soul — um retrato das influências e sons que ajudaram a moldar um dos baixistas mais reconhecidos do rock americano.

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

U2 e Ticketmaster são tachados de gananciosos após fãs se revoltarem com o preço abusivo para ingressos de pista em Londres


Daily Mail

O U2 e a Ticketmaster foram considerados gananciosos por fãs enfurecidos após a venda de ingressos para a turnê de 2027, que chegaram a custar mais de £400.
A banda se apresentará no Reino Unido pela primeira vez em nove anos, com três shows anunciados no Tottenham Hotspur Stadium, em Londres, em junho do ano que vem, com a banda indie Wolf Alice como banda de abertura.
No entanto, quando a pré-venda de ingressos começou, os fãs ficaram perplexos com os preços exorbitantes, com o ingresso para a pista custando £437 (mais de 3000 reais).
A banda possui um patrimônio líquido estimado em US$ 1,8 bilhão (£ 1,34 bilhão), com Bono sendo um dos astros do rock mais ricos do mundo, com um patrimônio líquido estimado em US$ 700 milhões (£ 520 milhões).
Um fã usou o Twitter para expressar sua indignação, criticando diretamente a banda e a Ticketmaster por sua "ganância".
Ele escreveu: "Desculpem, mas o U2, seu promotor e a Ticketmaster podem ir para o inferno com o preço de £ 437 para ingressos de pista (nem mesmo fica na frente do palco!!!) para o show em Londres".
"Seus gananciosos ladrões do caralho! Quem pagar isso precisa de um exame de consciência".
Parece que os ingressos para o show do U2 ultrapassaram até mesmo os preços da turnê de reunião do Oasis, que deixou os fãs revoltados devido ao uso de "preços dinâmicos" - quando o custo é baseado na demanda.
Fãs ansiosos do Oasis ficaram furiosos depois que o preço dos ingressos para a pista subiu de £150 (valor original) para £355 em poucas horas devido à enorme demanda após o anúncio da banda de que se reuniria em 2024.
Outros escreveram: "O ingresso mais barato para o show do U2 que consegui, bem no fundo do estádio, custou £400. Não tenho condições de pagar isso".
"Hoje, um ingresso para Londres custou £440 e nem era VIP".
"Muito obrigado Ticketmaster. Consegui entrar no site sem problemas para o show do U2 com meu código de membro, só para ver que os únicos ingressos disponíveis eram para a pista, mas custavam £437 CADA, e não os £170 (já caro) anunciado. Como é possível que esse golpe seja permitido?".
"£400 por um ingresso para a pista? Que vergonha!".
Outro usuário compartilhou uma captura de tela da página da Ticketmaster e escreveu: "Sem problemas, U2... estamos todos ricos nestes tempos de fartura".
O Daily Mail entrou em contato com representantes do U2 e da Ticketmaster para comentar o assunto.

U2 faz apresentação na BBC com setlist focado em 'The Unforgettable Fire' e na relação da banda com Brian Eno


Do site Rockol

O U2 se apresentou ontem, 3 de novembro, para a BBC no Tate Modern, em Londres, e focou na relação da banda com Brian Eno, que foi chamado ao palco ao final da apresentação.
11 músicas foram tocadas, todas de alguma forma conectadas ao produtor, um colaborador de longa data da banda há mais de 40 anos. 
O show começou com "The Unforgettable Fire", a faixa-título do álbum de 1984 que marcou o início da colaboração entre U2, Brian Eno e Daniel Lanois. Seguiram-se "Bad", "MLK", "Pride (In The Name Of Love)", do mesmo álbum, além de "One", "In A Little While", "Beautiful Day" e "With Or Without You". 
Entre elas, três músicas recentes, todas estreando ao vivo: a nova "Can't Stop Us Now", o novo single "The Greatest Show On Earth", ambas do novo álbum 'Carnaval De Luz' — as duas escritas com Brian Eno — e "COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times)", que encerrou o EP 'Easter Lily', também co-escrita com Eno.
O U2 não estava convencido de incluir "Bad" no álbum de 1984, mas Brian Eno insistiu, porque ele gostava de músicas consideradas inacabadas. 
Tate Modern é um dos principais museus de arte moderna e contemporânea do mundo, instalada na Bankside Power Station, uma antiga usina elétrica na margem sul do Tâmisa. Projetado por Giles Gilbert Scott, o mesmo arquiteto que contribuiu para a construção da Battersea Power Station, a outra famosa usina elétrica londrina imortalizada pelo Pink Floyd na capa do álbum 'Animals' em 1977, com o porco voador entre as quatro chaminés. 
A apresentação aconteceu nos Tanks, os antigos tanques de petróleo da usina, transformados em espaços dedicados a performances artísticas. Toda a sala foi preenchida com projeções de pinturas de Brian Eno, que também atuava como artista visual há décadas. 
Nenhuma gravação da plateia durante o show foi divulgada. Os espectadores foram orientados a guardar seus celulares em bolsas designadas durante a apresentação. Mas, segundo relatos que circulam, o final foi o momento mais marcante da homenagem: durante "With Or Without You", Brian Eno foi convidado ao palco, enquanto The Edge liderava o público em um coro de "Eno! Eno! Eno!", visivelmente constrangendo o produtor. A noite foi gravada para a BBC, que exibirá o show na BBC Two no final de novembro, durante uma noite dedicada ao U2.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

U2 lança edição especial e limitada de 'Carnaval De Luz' em vinil em parceria com a Guinness, com mais uma capa diferente


Nascidos na mesma cidade. Construídos sobre a mesma crença nessa cidade.

Para celebrar 50 anos de parceria, U2 e Guinness lançam uma edição especial e limitada de 'Carnaval De Luz', o 16º álbum de estúdio da banda, em LP 180g na cor Pearl White Marble (branco perolado marmorizado), exclusivo da loja oficial da Guinness.
Uma porcentagem das vendas será doada ao Fundo Comunitário Guinness Dublin 8.

A edição inclui:

O álbum com 12 faixas em vinil 12" de 180g, cor Pearl White Marble
Capa gatefold com arte alternativa em preto, branco e dourado, acabamento brilhante e título em relevo dourado
Print colecionável Guinness com arte de Bono, frente e verso, em papel encorpado com dourado metálico
Encarte de 16 páginas com letras, fotos e imagens exclusivas do álbum
Envelope interno impresso e selos coloridos no disco 

Stephen O’Kelly, Diretor Global da Marca Guinness, disse: "A Guinness sempre foi um catalisador para unir pessoas, impulsionada por uma profunda crença na comunhão. Quando olhamos para o legado do U2 nos últimos cinquenta anos, eles compartilham essa mesma crença – sabendo que os fãs não são apenas uma plateia, eles são o coração da banda. Estamos incrivelmente orgulhosos desta colaboração e honrados em criar esta peça única de história física para os fãs. Retribuir à comunidade local também é importante para nós dois, e temos o prazer de doar uma porcentagem de todas as vendas de vinil e camisetas para o Fundo Comunitário Guinness Dublin 8".





domingo, 1 de novembro de 2026

Com Bono afirmando que 'Carnaval De Luz' do U2 é definitivamente uma despedida, The Edge diz que irão terminar essa celebração encerrando a turnê na Irlanda


Em entrevista com Zane Lowe, da Apple Music, em um espisódio chamado 'U2: From The Halls Of Mount Temple/ Zane Lowe Interview'; os integrantes do U2 estiveram na Mount Temple, em Dublin.
Lowe sugere que o retorno da banda à sua antiga escola, que em breve será demolida e reconstruída, equivale a um "olá" e um "adeus" simultâneos.
Ele descreve isso como "simbólico... porque sinto que 'Carnaval De Luz' é quase um 'adeus' e um 'olá' de novo", e então pergunta: "Faz sentido para você?".
Bono responde: "Hum. 'Carnaval De Luz' é definitivamente mais um adeus. Com certeza".
Há uma breve pausa antes de Bono mudar de assunto sem dar mais detalhes.
Não é a primeira vez que Bono faz um comentário desse tipo, e pode estar simplesmente falando sobre os temas do próximo álbum, embora ele reconheça que o U2 têm um prazo de validade.
O comentário gerou debate entre os fãs, que se dividiram.
Larry Mullen Jr. passou por uma cirurgia de alto risco no pescoço após anos sofrendo com dores crônicas, perdeu os 40 shows da banda no Sphere e sugeriu em entrevista que não sabe se conseguirá tocar por duas horas e meia ou tocar por apenas uma hora por noite na nova turnê. 
Adam Clayton afirmou que ainda pensa sobre idade e limitações. "Sinto que fui abençoado com uma saúde extraordinária", diz ele. "Mas basta ver a morte recente de Dolly Parton aos 80 anos — e quando este ciclo terminar, provavelmente terei 70. Esse período de boa saúde é valioso. É provavelmente o período mais valioso da vida".
The Edge ao ser perguntado se a banda tem "alguma ideia de como querem que a história termine", respondeu: "Ainda estamos extremamente inspirados e ativos criativamente, e há muitas músicas que ainda não foram lançadas, que ainda precisam ser finalizadas. Então, não consigo imaginar isso terminando tão cedo".
A banda anunciou a sua turnê mundial 'The Greatest Show On Earth', com shows em estádios para a primeira etapa na América Latina, com início no começo da primavera de 2027, além de shows na Europa durante o verão.
Mais shows serão anunciados, incluindo outra etapa na Europa, mas, independentemente do que aconteça, a banda prometeu encerrar a turnê na Irlanda.
Um comunicado da banda informou que, com planos "já em andamento para 2028, a banda está ansiosa pelo seu importantíssimo retorno para casa, na Irlanda".
The Edge disse: "Não podemos falar muito sobre a próxima etapa da 'The Greatest Show On Earth' – ainda estamos definindo os detalhes – mas o que podemos dizer é que vamos encerrar a turnê na Irlanda. Não há outro lugar onde gostaríamos de estar para essa festa".
Em outro trecho da entrevista com Lowe na Mount Temple, The Edge afirma que o U2 "não se encaixa em um gênero musical específico" e é à prova de inteligência artificial.
"Descobri isso recentemente, de forma muito clara, quando estava testando alguns desses programas de IA para composição musical", disse ele.
Ele continuou: "Eu estava tentando ver se conseguia compor uma música do U2. Não conseguiu. E percebi que é possível fazê-la compor uma música country, porque esse gênero é muito bem definido. Mas nada do que fazemos... Quer dizer, minha guitarra provavelmente seria o elemento mais característico... Acho que exploro certos caminhos sonoros. Mas nossas composições nunca seguem uma fórmula. Não sabemos como fazer isso".
Uma revelação na entrevista veio de Larry Mullen Jr., que colocou a nota no mural. Ele diz que primeiro a colocou, depois a retirou e precisou da permissão de um professor para colocá-la de volta. Ele foi incentivado a agir por seu pai, que estava cansado de ouvi-lo tocar bateria sem parar. Pensou que formar uma banda poderia tirá-lo de casa.
The Edge diz que não viu a nota no mural, e que foi um amigo que falou para ele.
Bono disse que também não viu, foi avisado também por um amigo, mas não iria comparecer: "Eu não tinha certeza se queria sair com alguém dois anos mais novo que nós", diz Bono sobre Larry. 
Na época, o amigo dele Reggie Manuel lhe disse: "Não, isso é para você. Eu sinto que isso é para você". 
"Ele me conhecia e sabia que eu estava sofrendo de alguma forma. Ele disse: 'Isso é para você', e eu disse: 'Acho que não', e ele disse: 'Eu te levo lá'."
Bono chegou na garupa da Yamaha 100 de um amigo. "Ele me conhecia melhor do que eu mesmo", conclui Bono, "e tenho certeza de que, de alguma forma nada melodramática, ele salvou minha vida".

sábado, 31 de outubro de 2026

Revista Pato Donald 1986 + Matéria U2 + Poster





A edição nº 1761 da revista Pato Donald, publicada pela Editora Abril em 25 de março de 1986, é muito procurada por colecionadores por trazer uma matéria especial e um pôster do U2 nas páginas centrais.

Detalhes da Edição

• Data de publicação: 25 de março de 1986
• Editora: Abril
• Número de páginas: Aproximadamente 84 a 86 páginas
• Destaque: Pôster e conteúdo dedicados aoU2, além de histórias clássicas Disney (como Sem Confiança, Dança Donald, Zorro, O Justiceiro Panacão e Peninha).

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Bono afirma que 'Carnaval De Luz' do U2 soa mais como uma despedida


Bono declarou em entrevista à Apple Music com Zane Lowe que o 16º álbum do U2, 'Carnaval De Luz', soa "mais como uma despedida".
A entrevista com Zane Lowe aconteceu na Mount Temple Comprehensive School em Dublin, o colégio onde a banda foi fundada em 1976.
Quando Zane Lowe sugeriu que o álbum parecia uma dinâmica de "dar adeus para depois dizer olá novamente", Bono respondeu diretamente dizendo que o projeto caminha "mais para um adeus".
The Edge complementou a linha de raciocínio, explicando que um dos temas centrais de 'Carnaval De Luz' é o reconhecimento e a aceitação de que certas coisas inevitavelmente chegam ao fim, transformando o medo do encerramento em uma oportunidade para o novo. 
The Edge acrescentou que o álbum lida com o reconhecimento de uma jornada de cinco décadas de música, amizade e reinvenção.
Bono refletiu sobre a melancolia e e olhar para o U2 sabendo que eles já ocuparam o posto de "maior espetáculo da Terra", descrevendo o conceito de algumas canções como uma espécie de luto ou recapitulação.

Steve Lillywhite fala sobre sua contribuição para a carreira de meio século do U2, os primeiros anos de gravação da banda, o próximo álbum


Marios Mantzos

Uma conversa exclusiva com Steve Lillywhite, seis vezes vencedor do Grammy, sobre sua contribuição para a carreira de meio século do U2, os primeiros anos de gravação da banda, o próximo álbum e muito mais.

O sol brilhava sobre Bali. Em Atenas, na Grécia, a situação não era diferente. Eu tomava meu café da manhã depois de uma longa noite de preparação, quando uma chamada de WhatsApp quebrou o silêncio no meu escritório em casa.
"Curiosamente, pouco antes da nossa ligação, eu estava falando com o Adam", disse o homem do outro lado da linha.
"A banda está ensaiando agora e está indo muito bem".
Steve Lillywhite, o lendário produtor e um dos colaboradores mais antigos e confiáveis do U2, acabara de se sentar para conversar comigo. E o Adam com quem ele estava falando era, de fato, o baixista da banda, Adam Clayton.
Steve foi nomeado Comandante da Ordem do Império Britânico (CBE) em 2012 por suas significativas contribuições para a música e também é seis vezes vencedor do Grammy, algo sobre o qual ele adora brincar.
"Na verdade, estou olhando para cinco deles agora, porque o sexto quebrou e eu ainda não me dei ao trabalho de consertá-lo. Mas eu não ligo muito para as coisas físicas. Tenho muito orgulho de ter os Grammys, mas não preciso realmente possuí-los. Nem sequer possuo nenhum dos discos que já produzi. Eu poderia ser muito mais rico se tivesse guardado as letras manuscritas que pedi para o Bono escrever antes de ele cantar. Mas eu as jogava fora no final da sessão. Parabéns para mim, mas eu simplesmente não sou de guardar coisas".
O U2 está pronto para pegar a estrada pela primeira vez desde 2019 com a turnê 'The Greatest Show On Earth', planejada para promover o décimo sexto álbum de estúdio da banda, 'Carnaval De Luz', com lançamento previsto para 13 de novembro.
Steve Lillywhite, mais uma vez, participou de um álbum do U2, sendo chamado durante os estágios finais do processo de gravação para mixar algumas músicas inéditas.
Steve mixou a versão que entrou para o álbum de "The Greatest Show On Earth".
"Lembro-me de quando ouvi pela primeira vez e pensei: 'Ok, tem algo especial aqui'. É um vocal incrível, o Bono canta muito bem. Sim, é um pouco longa, tentamos fazer uma edição, mas não conseguimos. É uma música que cresce ao longo da execução. Também mixei "Silencio", que é uma ótima música de rock de dois minutos e meio".
Pessoalmente, achei que o segundo single, "Silencio", soou muito melhor ao vivo na Mount Temple durante a comemoração do 50º aniversário da banda. Isso faz sentido quando consideramos que o U2 é uma das bandas ao vivo mais completas de todos os tempos.
"Em um disco do U2, isso sempre foi assim. No primeiro álbum, 'Boy', eles tocaram essas músicas na estrada antes de gravá-las. Do segundo álbum em diante, eles nunca tocaram nada ao vivo antes de gravar. E sempre foi assim: quando eles saem em turnê, as músicas crescem e evoluem. Lembro-me de ter dito a eles muitas vezes: 'Vocês podem tentar tocar uma música ao vivo, fazer com que fique boa no palco e depois gravá-la para o álbum?'. Mas eles geralmente não fazem isso. Eles trabalham com o que têm, fazem bem feito e repetem o processo".
É difícil imaginar como teria sido a carreira do U2 sem Steve Lillywhite. Ele ajudou a banda a lançar as bases para sua ascensão ao estrelato, produzindo seus três primeiros álbuns: 'Boy', 'October' e 'War' (uma grande conquista, não é?).
Mas, antes de conhecer a banda pela primeira vez em 1979, quando eles tocaram para um grupo de crianças em Galway, na Irlanda, Steve já havia se consolidado na indústria musical, tendo trabalhado com diversas bandas e artistas, incluindo Siouxsie And The Banshees, Ultravox, The Psychedelic Furs e Peter Gabriel.
"Eu tinha 23 anos na época e eles 18. Nessa idade, provavelmente me viam como bem mais velho. Um tio. E eu estava no estúdio desde os 17 anos e já tinha feito minhas 10.000 horas, como diz Malcolm Gladwell. Então, eu estava mostrando a eles como o estúdio funcionava, porque eles não faziam ideia. Diziam coisas como 'Parece Jornada nas Estrelas'. Sabe, naquela época, não dava para gravar discos, não existiam computadores nem nada parecido. Então, eu os ajudei bastante naqueles primeiros tempos", relembra Steve sobre a época de "I Will Follow".
Após 1983, seu papel no U2 evoluiu ao longo dos anos. "Acho que sou a única pessoa que trabalhou em dez álbuns deles, então me sinto muito orgulhoso disso", ele conta.
Há alguns anos, Bono declarou à revista Record Collector que "se você estiver em apuros, Steve é o cara certo para chamar". E a história comprova isso. É por isso que ele é constantemente chamado pelos quatro irlandeses para dar seu toque de Midas a muitas de suas gravações, transformando-as em canções de verdade e grandes sucessos.
"Where The Streets Have No Name", "With Or Without You" e "Beautiful Day" – músicas que certamente vão agitar os céus do México, da América do Sul e da Europa no próximo ano – são algumas das melhores faixas que Lillywhite moldou por meio da edição e mixagem.
"Normalmente, eles me chamam quando o trabalho está quase terminando, como aconteceu com 'The Joshua Tree' e 'Achtung Baby'. Então, eu entro e ajudo. É como correr o último trecho de uma corrida de revezamento. Por exemplo, "With Or Without You" e "Where The Streets Have No Name" não eram músicas finalizadas e precisavam de um novo impulso. Então, eu fiz isso. O mesmo aconteceu com 'Carnaval de Luz'. Era basicamente mixagem e só me chamaram na última semana. Normalmente, eles me dão um mês para entrar e ajudá-los. Acho que eles pensaram que conseguiriam fazer tudo sozinhos. E aí é tipo 'Bom, vamos chamar o Steve'. Teria sido bom de qualquer jeito. Mas eles meio que me veem como uma garantia, sabe, porque estive presente no final de praticamente todos os grandes álbuns deles".
O U2 começou sua carreira no lado norte de Dublin em 1976, como quatro garotos irlandeses que queriam tocar música e pediram 500 libras cada aos pais para conseguirem seu primeiro contrato com uma gravadora.
Ao longo das cinco décadas seguintes, eles se tornaram muito mais famosos, muito mais ricos, entraram para o mundo das estrelas e celebridades e foram incluídos no Hall da Fama do Rock and Roll. Perguntei a Steve Lillywhite se esse sucesso havia mudado a maneira como eles trabalham e se comportam.
"O que realmente mudou foi que eles adquiriram muito mais conhecimento sobre estúdios de gravação, como todos os artistas. O Edge, por exemplo, tinha apenas uma guitarra em seu delay. Agora ele tem várias. Em 1979, ninguém sabia como eram os estúdios de gravação e qualquer pessoa com experiência em estúdio era como ouro. Então, eu tinha uma certa vantagem no começo. Eles mudaram nesse sentido. Mas a essência deles não mudou. Eles ainda se acham a pior banda do mundo. Então, eles precisam se esforçar muito. Não houve muitas vezes em que os vi complacentes com o trabalho. Às vezes, parece que estão complacentes, porque um disco não é tão brilhante quanto os anteriores, mas eles realmente se esforçam ao máximo".
Muitas vezes me perguntei o que exatamente torna um álbum de música realmente bom. Existem discos amados por alguns fãs, odiados por outros e ignorados pelo resto. Por exemplo, o álbum 'No Line On The Horizon'.
Com o U2, no entanto, as coisas são diferentes. A banda parece ter praticamente abandonado as músicas do álbum, parando de tocá-las ao vivo desde o fim da turnê 360° em 2011. Até mesmo a referência de Bono ao álbum em sua autobiografia de 564 páginas, 'Surrender', é bastante superficial.
Perguntei a Steve, que – claro – trabalhou neste álbum, para esclarecer a situação.
"Para o U2, trata-se de compreender o panorama geral. O tema de 'The Joshua Tree' era o deserto. Para 'Achtung Baby', era uma espécie de estética germânica. Em 'All That You Can't Leave Behind', a ideia era a retrospectiva e olhar para trás na própria vida. As ideias eram boas, eles as entenderam bem e funcionaram muito bem. Acho que a grande ideia por trás de 'No Line On The Horizon' era ser o Norte da África, porque eles foram para lá e gravaram por um longo tempo. Voltaram com muitos instrumentos interessantes de músicos locais. Mas não funcionou porque eles nunca conseguiram definir qual era o panorama geral".
Desta vez, ele acredita que 'Carnaval De Luz' é, sim, um bom álbum:
"Quando o ouvimos novamente, pensei: 'É, este é realmente muito bom'. Eles ainda estão fazendo isso nesta fase da carreira. É um retorno à boa forma. Não sei dizer exatamente como a grande ideia – por definição, o carnaval – funciona neste álbum, mas deixarei que Bono explique isso para vocês".
Durante nossa conversa, Steve Lillywhite pareceu momentaneamente surpreso com a rapidez com que o tempo voa, ao perceber que "Vertigo", o primeiro single do álbum 'How To Dismantle An Atomic Bomb' – também produzido por ele –, foi lançado há 22 anos.
Naquela época, o rock já estava perdendo espaço no mainstream, sem jamais recuperar seu antigo status de força musical dominante. Essa situação torna cada vez mais difícil para as bandas de rock alcançarem novos públicos e atraírem ouvintes mais jovens.
Há algumas semanas, Bono disse ao The New York Times que sente inveja quando o U2 fica de fora das paradas pop. Achei um pouco estranho para uma banda que se considerava de rock.
Steve Lillywhite, no entanto, entende o ponto de vista de Bono.
"Sinceramente, acho que o vocalista tem muita responsabilidade. É ele quem tem que ficar na frente do palco e cantar a música para o público. Se o público não canta junto, ele não se sente bem. E para o público cantar junto, a música precisa tocar no rádio. E que tipo de música toca nas rádios convencionais? Músicas pop. O U2 sempre teve a voz do Bono. Ele canta melodias pop. Como eu disse, eles são como Frank Sinatra com guitarras elétricas. Então, eu entendo por que ele disse isso. Porque ele tem que fazer todo o trabalho pesado. Ele não pode se esconder atrás de nada. Mick Jagger é igual. Os vocalistas sentem que querem ter um hit para outras pessoas mais do que qualquer outro membro da banda. Então, o que você precisa é encontrar o equilíbrio certo. E é aí que o U2 está no seu melhor: quando o equilíbrio entre ser uma ótima música e ser um hit funciona. Porque existem muitos hits que ninguém nunca ouve um ano depois".
Ele também reconhece que a indústria musical moderna representa um desafio para as bandas de rock que dominavam o cenário mainstream no passado:
"É difícil para qualquer banda mais antiga, mesmo que elas sempre consigam atrair público para seus shows. Veja o Coldplay. Eles lotam estádios, mas provavelmente 90% dos fãs nem sabem que eles lançaram um álbum no ano passado. Existem poucos artistas cujos novos álbuns são realmente aguardados com grande expectativa mundial. Adele e Taylor Swift são dois exemplos. Por outro lado, Paul McCartney lançou tantos álbuns que ninguém realmente... se importa muito. É um mundo diferente em que vivemos".
Antes de me despedir, perguntei a Steve se ele participaria da próxima turnê do U2. Ele admitiu:
"Não sei. Participei da produção do Sphere, mas foi porque eles estavam um pouco preocupados com o sistema de som, que era bem incomum. Eles queriam alguém que conhecesse tão bem o som deles para estar lá com eles. Mas acho que não precisarei estar lá desta vez".
Ele não descartou, no entanto, uma visita a Atenas, caso a banda esteja guardando algo para uma surpresa grega em 2027 ou 2028:
"Vou assistir a alguns shows. Faço parte da equipe, então sempre tem ingresso para mim. Bem, talvez eu faça uma viagem e vá para lá, porque nunca fui à Grécia. Acho que só fui uma vez, quando era adolescente. Então, eu deveria ir".

O papo com Zane Lowe na Apple Music: o retorno de Larry Mullen Jr. aos palcos, a colaboração com Dolly Parton em uma de suas últimas gravações, o processo de criação de 'Carnaval De Luz' e o orgulho de Adam Clayton com o disco


Enquanto o U2 se prepara para inaugurar um novo capítulo com seu 16º álbum de estúdio, 'Carnaval De Luz', Zane Lowe se junta à banda para um retorno profundamente pessoal à Mount Temple Comprehensive School em Dublin, o lugar onde tudo começou há 50 anos. 
Logo após uma apresentação especial que comemorou a formação da banda, Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. refazem seus primeiros passos pelos corredores, salas de aula, espaços de ensaio e pátio da escola onde se conheceram, formaram uma banda e forjaram amizades para a vida toda. 
Ao longo do caminho, eles refletem sobre os professores que os incentivaram, o famoso mural que deu início a tudo e os momentos improváveis que colocaram o U2 no caminho para se tornar uma das bandas mais influentes do mundo.
Intercalada com imagens exclusivas da apresentação na Mount Temple, a conversa explora a jornada pessoal e criativa por trás de 'Carnaval De Luz'. Eles discutem o retorno de Larry Mullen Jr. ao estúdio e aos palcos, a colaboração com Dolly Parton em uma de suas últimas gravações, a composição de uma música inspirada em Rosalía e por que essa coleção de canções soa ao mesmo tempo ousada e inconfundivelmente U2. Relembrando cinco décadas de música, amizade e reinvenção, a banda celebra o lugar que os uniu enquanto vislumbra o futuro.
Larry Mullen Jr. fala à Apple Music sobre seu retorno aos palcos com o U2 pela primeira vez desde 2019.
"Houve momentos de reflexão", compartilha Larry. "Como baterista, seu trabalho é tentar manter o ritmo, então são duas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Eu tive uma sensação, sabe, tocando para os estudantes, que foi incrível. Há algo entre nós. Há algo que compartilhamos que não entendemos muito bem, sabe? Eles estão aqui para ver esses caras que estiveram aqui muitos anos atrás, e estamos revivendo um momento que talvez seus pais tenham visto, mas eles estão envolvidos nessa relação que é meio inexplicável. Então, foi isso, e com certeza estará entre os meus 10 melhores shows, o que fizemos aqui".
The Edge conta à Apple Music sobre o processo de criação de 'Carnaval De Luz'.
"Temos sorte porque cada um de nós tem uma personalidade tão peculiar que, quando tocamos a mesma música, sempre somos nós mesmos", afirma Edge. "E isso nos dá muita liberdade para começar uma música a partir de algo muito estranho e incomum, sabendo que, à medida que ela for desenvolvida, arranjada e executada, acabará soando como nós. Então, o processo é fascinante. Tínhamos muito material para esta gravação porque eu e Bono estávamos experimentando compondo para outros projetos, talvez até para outros projetos especulativos. Eu estava trabalhando em muita coisa só para gerar música durante o lockdown da COVID. Então, tínhamos todo esse material, digamos, inacabado, quase pronto. Mas o processo de realmente dar vida a tudo isso foi muito divertido. E todos tiveram a chance de brilhar, eu acho, na forma como este disco se concretizou, e você realmente ouve o que somos como músicos e compositores neste álbum".
Adam Clayton conta à Apple Music do que mais se orgulha em relação ao novo álbum.
"Acho que o que mais gosto é que conseguimos fazer este disco da mesma forma que alguns dos meus discos favoritos, ou seja, com os quatro instrumentos e ótimas partes que se encaixam perfeitamente. E há algo... a ilusão de que é rápido. Seria ótimo se fosse rápido. Mas nunca é tão rápido quanto gostaríamos", comenta Adam. "E sabe, é disso que me orgulho. É isso que eu gosto: conseguimos trazer o que desenvolvemos ao longo de 50 anos tocando juntos. Seja lá o que for, e não dá para pensar muito nisso, mas nos dá a confiança para finalizar o material em vez de ficar mexendo nele o tempo todo".
Bono conversou com a Apple Music sobre sua colaboração com Dolly Parton em sua última música.
"Tínhamos algumas ideias para um projeto diferente, algo mais voltado para o folk celta irlandês, que estávamos explorando, como um projeto baseado em músicos tradicionais irlandeses e algumas experimentações com Brian Eno. E já tínhamos trabalhado com Johnny McDaid, Ed Sheeran, e foi assim que ele acabou no pub conosco. Então entrei em contato com ela e estávamos discutindo algumas músicas, só nós dois, por telefone. Uma das músicas se chamava "Lifelong". Acho que era uma espécie de música de casamento, tipo uma canção para uma cerimônia. E ela disse: 'Essa é um pouco irlandesa demais para mim, se você não se importar'", conta Bono.
Ele continua: "E eu disse: 'Vocês são dos Apalaches, não são todos escoceses-irlandeses?' Ela disse: 'Sim, mas estou falando da minha voz'. E ela disse: 'Comecei uma música chamada "Torn". Agora você pode levar isso para outro lugar, e eu gostaria de ver para onde você poderia levar ou algo assim'. E a música chegou, era bem tradicional, e nós realmente a levamos para outro lugar. Fiquei realmente surpreso que ela tenha se empolgado com ela. Isso porque não se tratava apenas de famílias americanas, mas também de discussões à mesa da cozinha e dois irmãos que não se falavam. Sabe, havia um certo atrito típico da época nela".
Ele acrescenta: "Voz incrível. E ela estava doente na época. Não sabíamos o quão doente, é claro. E ela saiu da cama para cantar essa música. E isso significou muito para nós na época, só de saber que ela estava doente, que ela sequer consideraria fazer algo conosco".
O Record Store Day realizará festas de audição do álbum em lojas de discos independentes do mundo todo durante o fim de semana de lançamento, de 12 a 15 de novembro. As lojas participantes tocarão o álbum na íntegra e distribuirão brindes especiais, incluindo um pôster dupla face, certificado do evento, sacola, bottons, marcador de livros e impressão em tela do álbum, enquanto durarem os estoques. Algumas lojas nos EUA também oferecerão uma versão em vinil rosa.
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