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sábado, 17 de outubro de 2026

Bono e The Edge falam ao The New York Times sobre sua longa relação de trabalho, amizade e o que o U2 ainda significa - 3° Parte


Sempre tive curiosidade em saber o que seu antigo empresário, Paul McGuinness, disse a você depois de toda aquela confusão com o iTunes, quando você colocou o então novo álbum no iTunes das pessoas sem pedir permissão. Paul deve ter dito algo sobre isso.

Bono: Ele disse praticamente a mesma coisa que Tim Cook disse quando apresentei a ideia a ele: Você passou a vida inteira fazendo as pessoas pagarem por música. Por que você iria querer dar algo de graça? Quer dizer, estávamos experimentando. Queríamos ver se conseguiríamos que a Apple ou outra empresa pagasse pela nossa música e a distribuísse. E olha, vai ser preciso muita experimentação para consertar o mercado da música. É impressionante o quanto outros músicos recebem pouco, e isso é assustador. Mas sim, a culpa foi toda minha.

Foi um erro que prejudicou sua reputação?

Bono: Eu exagerei nessa.

The Edge: A gente corre riscos. Tem que correr. Então a gente falha, a gente cai de cara no chão às vezes. Faz parte do trabalho.

Edge, você mencionou tocar ao vivo. Há planos para uma turnê no ano que vem?

The Edge: Há sim.

Suas turnês são sempre conceituais de alguma forma. Qual é o novo conceito?

Bono: Bem, o título do álbum já dá uma pista.

The Edge: Não podemos entrar em muitos detalhes porque os planos ainda estão se formando, mas estamos interessados nessa interseção entre xamanismo e show business. Todos os grandes artistas, em certa medida, precisam realizar um truque de mágica, o que os leva a um lugar misterioso. E funciona nos dois sentidos: os grandes políticos da atualidade, que infelizmente, em muitos casos, são extremamente perigosos, são muito xamânicos. Eles deslumbram as pessoas com uma atuação. É o lado do vendedor de óleo de cobra. E estamos vivendo em uma era pós-verdade porque, infelizmente, existem muitas oportunidades para disseminar narrativas falsas, e isso está sendo explorado. Nossos pontos fracos podem ser facilmente manipulados, principalmente quando o medo é a arma utilizada. Então, estamos explorando esses temas de uma forma positiva e negativa. A letra da música "Silencio" resume esses dois extremos. Os dois tipos de silêncio. O silêncio contemplativo, meditativo, reflexivo é algo belo. Mas o outro tipo de silêncio é aquele em que você se sente intimidado e tem medo de falar porque, se disser algo errado, será punido, poderá ir para a cadeia, será ostracizado, e isso é extremamente perigoso.

Bono: Tem um poema do Michael Leunig. "Só existem dois sentimentos, amor e medo. Só existem duas linguagens, amor e medo. Só existem duas atividades, amor e medo. Só existem dois motivos, dois procedimentos, duas estruturas, dois resultados, amor e medo. Amor e medo". Há muito amor nos nossos shows, e não é aquele amor do tipo "vamos lá, pessoal", "vamos todos nos abraçar". Acho que existe uma profundidade num show do U2 onde pessoas que normalmente não concordam politicamente umas com as outras se sentem seguras. Tenho muito orgulho disso. Se elas estão nos Estados Unidos, queremos que se sintam muito bem com a escolha de provavelmente pagar caro demais para nos ver. Mas vamos desafiá-las.

Imagino que você tenha alguma influência sobre os preços dos ingressos.

Bono: Bem, o grande problema do mercado de shows ao vivo é justamente essa: pouca influência. Mas o que fazemos na nossa banda é reservar os melhores lugares da casa e garantir que sejam, muitas vezes, os mais acessíveis. Também não temos problema nenhum em separar as pessoas ricas de seu dinheiro.

Para finalizar, gostaria de fazer uma pergunta mais abrangente. Mesmo durante esta conversa, fica claro que o U2 reflete sobre a história que todos estamos vivendo e sobre o que a banda pode oferecer a essa história. Mas vocês estão na ativa há 50 anos. Isso não dura para sempre. Eu sei em que ponto da história o U2 se encontra agora, e vocês têm alguma ideia de como gostariam que essa história terminasse?

The Edge: Ainda estamos extremamente inspirados e ativos criativamente, e há muitas músicas que ainda não foram lançadas, que ainda precisam ser finalizadas. Então, não consigo imaginar isso terminando tão cedo.

Bono: Edge, acho que ele pode se interessar pelo seu discurso para a banda outro dia, sobre o que aconteceria se você tivesse que encontrar outra banda.

The Edge: Esse é outro motivo pelo qual ainda estou no U2. Às vezes, no início, eu pensava: "Isso é muito difícil, eu realmente deveria sair desta banda", e começava o diálogo interno. "Então, o que você quer fazer da sua vida?" E eu diria: "Bem, eu sou uma pessoa criativa, e a música é meio que a minha principal atividade, então eu continuaria na música". "OK, você quer cantar?" E eu responderia: "Eu realmente não quero ser o vocalista. Estou feliz sendo guitarrista". "Então, qual é o vocalista com quem você mais gosta de trabalhar?" E eu diria: "Bem, claramente o Bono". Então, OK, eu farei um projeto solo, mas o Bono será o vocalista. Aí, "Qual é a melhor seção rítmica para vocês?" Eu diria: "São o Adam e o Larry, não é?" OK, então será uma banda solo com o Bono nos vocais, eu serei o guitarrista e o Adam e o Larry serão a seção rítmica. Basicamente, eu redesenharia o U2. Então, sim, não há dúvida. É aqui que eu pertenço.

Bono: Acho que o mais provável é que as pessoas se cansem de nós e que nós nos cansemos de viajar para encontrá-las, o que faz com que elas também se cansem de nós. Acho que se continuarmos tocando ao vivo até cairmos mortos, sempre haverá público. Mas temos um problema nesse sentido: fizemos uma promessa um ao outro quando tínhamos 18, 17, 16 anos, de que jamais subiríamos a um palco sem dar tudo de nós. E ainda não quebramos essa promessa. Já tivemos brigas no palco, nos bastidores, loucuras, mas nunca a quebramos.

The Edge: É, nunca foi apenas entretenimento para nós, nunca. Sempre foi algo com muito mais importância e significado. Alguns dos primeiros shows que vimos foram do The Clash em sua primeira turnê, Buzzcocks, The Jam e Talking Heads. Então, quando você está cercado por esse tipo de senso de urgência e aspecto ideológico, você não pode levar essas coisas na brincadeira. É muito mais do que apenas entretenimento. Bono: É o que dizem sobre o futebol: não é uma questão de vida ou morte. É algo muito mais sério do que isso.

Bono e The Edge falam ao The New York Times sobre sua longa relação de trabalho, amizade e o que o U2 ainda significa - 2° Parte


Quase se poderia pensar em 'Carnaval De Luz' como um álbum de protesto, mas é um álbum de protesto sem nomes próprios. Você não diz contra quem está protestando nem nomeia ninguém explicitamente. E estou pensando nisso no contexto de alguns dos seus pares no topo da pirâmide do rock 'n' roll. Bruce Springsteen estava em turnê este ano fazendo discursos criticando Trump, seu governo e suas políticas. Por outro lado, conversei com Mick Jagger no início deste ano e lhe fiz uma pergunta sobre a função das estrelas do rock, e ele basicamente disse: "Ei, estou aqui para ajudar vocês a se divertirem. Ninguém quer sermões". E eu me perguntei se fazer um álbum, como você fez, de música de protesto politicamente mobilizadora e desafiadoramente alegre, sem mencionar política de fato, era sua maneira de tentar trilhar um caminho intermediário.

Bono: Não. É como escolher brigar com o autor de toda essa confusão. Descobri que acreditar em Deus — ou que Deus é amor — foi excepcionalmente fácil na minha vida. Mas o conceito de mal era complicado para mim. Não era tão fácil de digerir. Então, na nova música "If The World Is At War We Better Not Be", o verso diz:

Eu quero falar com o espírito
Você pode senti-lo, mas não pode temê-lo
Sejam reis, rainhas ou imperadores do desespero
Não estamos discutindo o jogo da velha
Temos algumas palavras para o seu chefe
Estamos falando com quem fala através de você
Com o príncipe do poder do ar
Todos esses brilhos e cintilações, espelhos que devem se quebrar, todos os flashes de neon, somos gratos por parte disso
A ficção de uma nação, as histórias que não contamos
Precisamos da luz da iluminação para que você possa voltar direto para o inferno
Se o mundo está em guerra, é melhor que não estejamos.

É sobre isso que este álbum trata. Devemos ser gratos por o mal estar exposto. E em 'Days Of Ash', citamos nomes. Sabe, eu falei com a família de Renee Good.

A mulher morta pelo ICE em Minnesota.

Bono: Uma semana depois, compusemos uma música sobre isso, e tínhamos esse verso: "A América se levantará contra o povo da mentira". O Edge tinha me dado um livro há 30 anos, do M. Scott Peck, chamado 'People Of The Lie' (Pessoas Da Mentira). É sobre a natureza do mal e um estudo sobre o narcisismo maligno. Enfim, eu estava explicando para a família, antes de usarmos a letra, pedindo permissão. Eles estavam no Zoom, e quando cheguei na parte do "A América se levantará contra o povo da mentira", o pai disse: "Eu tenho o livro aqui". Eu disse: "O livro que o Edge me deu há 30 anos?". Ele respondeu: "Sim, está aqui. Há apenas um mês, peguei para explicar algumas coisas que estão acontecendo para o meu filho". Então, com essas músicas do 'Days Of Ash', nós mencionamos nomes. Mas para 'Carnaval De Luz', não quisemos. Há um verso na música "Midnight Sunshine" que diz: "Catastrofizar é glamourizar a dor do mundo. Se você não quer tornar o demônio maior, pare de repetir o nome dele". Posso continuar aqui só por um segundo?

Você nunca parou antes.

Bono: Eu sei. Sinto muito por isso. Mas se pudermos separar a discussão sobre este governo da discussão sobre esquerda e direita, conservadores e liberais, então não vejo problema em prosseguirmos. Porque acho que este é o momento mais extraordinário. Quero dizer, este é o maior roubo da história do mundo: roubar a América. E não é um filme de assalto. É real e está acontecendo. Não quero afastar as pessoas boas que votam nos conservadores, que votam nos republicanos. O partido delas foi sequestrado, e é uma tomada de poder agressiva. Quero convidá-las a voltar. Quero que elas retornem. As pessoas votam nos conservadores por vários motivos válidos. Então, se pudermos conversar sobre isso sem cair nas discussões de sempre — mas este é um problema sério e eu tenho uma relação pessoal séria com isso por causa dos meus 25 anos de trabalho na área de desenvolvimento.

Esse trabalho de desenvolvimento foi dizimado pelo DOGE e, por extensão, por Elon Musk e pelo governo Trump. Você vê maldade nisso?

Bono: Para pistas gerais sobre o mal, observe o abuso infantil. Isso sempre é uma pista. Não sei quantas mortes serão atribuídas aos cortes no DOGE. Existem muitas estimativas diferentes. Se você consultar, por exemplo, a revista The Lancet, eles sugerem, creio eu, que até 2030, talvez cinco milhões de crianças menores de 5 anos. E digamos que estejam parcialmente errados. Que família cristã, que família católica, que família judaica, qualquer pessoa de fé, aliás, qualquer pessoa de consciência, permitiria a hemorragia de vidas humanas que ocorrerá como resultado desses cortes no DOGE? É inconcebível.

Bem, aqui está a questão da fé. Eu estava ouvindo "Glorify" esta manhã, e tem um verso que diz: "Você cospe no meu olho, você é uma mentira descarada, e não há nada que você possa fazer para me impedir de te amar". É a ideia de amar seus inimigos. Você ama as pessoas que fazem coisas que você considera inconcebíveis?

Bono: Sim, eu amo essas pessoas porque acredito que Deus as ama, e o cristianismo nos chama não apenas a amar o nosso próximo, mas também os nossos inimigos. Mas o que está acontecendo com o homem cujo nome não deve ser mencionado é algo muito maior do que ele. Está acontecendo no mundo todo. O maior roubo da história? São as joias da coroa. É a liberdade. É a democracia. É como o Iluminismo. Enfim, é isso. O Edge está aqui sentado me olhando.

Edge, você já teve a experiência de estar em situações como essa muitas vezes, com o Bono respondendo a perguntas do tipo que estou fazendo. Como é isso para você?

The Edge: Olha, não nos importamos de sermos profundos e sérios, mas também é importante manter um certo equilíbrio. Foi por isso que o U2 mudou tanto depois de 'The Joshua Tree' e 'Rattle And Hum' para 'Achtung Baby', porque percebemos que estávamos sendo privados de aspectos de quem éramos. Isso simplesmente não se refletia no nosso trabalho e, portanto, na compreensão e na percepção que as pessoas tinham de nós. Então, o que vocês precisam lembrar sobre nós é que, sim, podemos ser muito densos e profundos, mas na verdade nos divertimos muito, e quando estamos trabalhando juntos, rimos muito, erramos muito e ficamos felizes por nos sentirmos confortáveis com o fracasso. Então, sim, compartilho muitas das opiniões do Bono sobre esses assuntos e sentimos uma responsabilidade, eu acho, de abordar o que vemos de errado no mundo, mas não dá para fazer isso incessantemente. Então, em nosso álbum, abordamos isso de forma leve e, como você disse, não mencionamos nomes porque não queremos apontar o dedo. O que queremos é chamar a atenção para algo que seja uma espécie de antídoto, algo melhor. E acho que é assim que as pessoas funcionam. Se você diz a alguém que não deve fazer algo, será uma luta. Se você mostrar a alguém um caminho melhor, essa pessoa irá por ele.

Então, quando você está no estúdio com Adam e Larry — vocês se conhecem há 50 anos — deve haver coisas que fazem a seção rítmica olhar para os caras da linha de frente e pensar: "Isso me deixa louco!". Quais são elas?

The Edge: Bandas são coisas estranhas, sejamos honestos. Somos irmãos de armas, com certeza, mas não concordamos em tudo, de jeito nenhum. Acabamos tomando decisões por consenso porque aprendemos ao longo dos anos que, se estamos discutindo sobre alguma coisa, é porque há um problema. Quando todo mundo simplesmente diz: "Chega!", sabemos que estamos no caminho certo. Então, discutimos, sim, mas, de modo geral, é quando algo não está exatamente certo. E aí é só uma diferença de opinião, como qual caminho seguir. Então, sim, tenho certeza de que sou muito irritante às vezes.

Bono: Eu não acho que o Edge seja — e isso é irritante, aliás — porque ele é uma pessoa muito racional. Eu é que teria o gene da irritação. Mas é uma questão de artistas. O mesmo portal que você abre para acomodar um estádio inteiro talvez não seja um portal que você consiga fechar a tempo de se proteger do mundo exterior. Você pensa em egos do tamanho de estádios, como o meu, e pensa em autoengrandecimento e coisas muito piores, mas o que acontece é o oposto. É o colapso do ego. Cantar em si já é uma vulnerabilidade, se você for bom nisso.

Eu estava lendo as publicações especializadas, como sempre faço, e vi uma notícia não faz muito tempo sobre vocês terem contratado uma mulher chamada Sulinna Ong para fazer parte da equipe de gerenciamento. Ela trabalhava anteriormente no Spotify, cuidando da curadoria global. E Jeff Azoff, que gerencia o Harry Styles, também é um dos seus empresários agora. Quando o U2 começa a trabalhar com uma nova equipe de gerenciamento, presumo que essas pessoas apresentem seus argumentos sobre o valor que agregam à banda. Então, o que eles disseram que vocês já não sabiam sobre como o U2 pode encontrar novos ouvintes ou seguir em frente neste momento da carreira da banda?

Bono: Vocês devem ter nos vigiado, porque nas últimas semanas ficamos sentados ouvindo pessoas nos dizendo para fazer coisas que não tínhamos imaginado. A Sulinna disse que é quase impossível, com a forma como as pessoas vivem e ouvem música hoje em dia, cada uma em sua comunidade, fazer algo que agrade a todos. A quantidade de publicidade que teríamos que gastar, a quantidade de shows que faríamos em todas as cidades universitárias ou ao redor do mundo — as pessoas ainda poderiam não saber que lançamos um novo álbum. Então, deveríamos aparecer em lugares inesperados. E eles estavam sugerindo alguns. Algumas coisas que não teríamos considerado. E nós quatro estávamos rindo e pensando: "Ainda vamos ter que entrar nas paradas de sucesso? Nada mudou desde que éramos garotos". Estávamos sentados com o Larry, que normalmente não gosta desse tipo de coisa, e eu disse: "Estamos prontos para sair e conhecer pessoas que talvez não saibam quem somos? Estou acostumado com isso como ativista, mas e como banda?" Fiquei surpreso que nós quatro concordamos: "OK, nos deem outra sugestão". Inclusive o Larry, que disse: "Estou ouvindo. Estou desconfiado, mas estou ouvindo". Achei isso bom. Para nós, ainda é algo que precisamos provar.

Talvez pareça deselegante entrar em detalhes, mas eles estão sugerindo licenciar uma música para um show que você não tinha pensado? Estão sugerindo que você faça um show surpresa em um restaurante Raising Cane's?

The Edge: Ótima ideia! Vou anotar.

Bono: Você vai se dar muito bem na empresa. Você teve algumas ideias muito boas durante a entrevista. 

The Edge: Acho que este álbum, e os rumos que vamos tomar na turnê, oferecem oportunidades quase dadaístas para brincar com o absurdo, para fazer coisas malucas que ninguém esperava. Estou ansioso por isso. É difícil surpreender a si mesmo tanto quanto o público, depois de já ter feito isso tantas vezes.

Bono e The Edge falam ao The New York Times sobre sua longa relação de trabalho, amizade e o que o U2 ainda significa - 1° Parte


The New York Times - David Marchese

Eu penso no U2 como uma banda que quer ser a melhor e maior do mundo. Mas provavelmente não deveria ser o caso de a melhor e maior banda de rock 'n' roll do mundo ser uma banda que existe há 50 anos, composta por caras na casa dos 60.

Bono: Isso é muito, muito doloroso, David.

The Edge: Mas justo.

Então, qual você acha que é o propósito do U2 agora? O que o U2 deveria estar tentando ser?

The Edge: Nós realmente achamos que podemos compor a melhor música que já escrevemos, ou fazer o melhor show que já fizemos na próxima turnê. Quando falamos sobre o melhor, não estamos pensando em rock 'n' roll. Estamos pensando em nossas bandas favoritas e no que, se eu estivesse na plateia de um show, gostaria de ver e ouvir. Então, é onde o rock 'n' roll se encontra com o ativismo, onde o rock 'n' roll se encontra com ideias das belas artes. E eu suponho que também haja um aspecto transcendental. Nunca achamos necessário reprimir nossas próprias buscas e questionamentos espirituais em nosso trabalho. Todos eles estão expressos. E quando criamos uma música com uma qualidade transcendental, esse é o ápice para mim. Acredito sinceramente que ainda estamos entre as melhores músicas que já escrevemos, as melhores turnês que já fizemos. É por isso que continuo nessa banda.

Bono: E, portanto, o clamor pelas melhores músicas que alguém já escreveu. É aí que o U2 fica realmente irritante. Essa grandiosidade, que, aliás, está presente em todos os artistas que querem seguir esse caminho — os Beatles, o Nirvana. Eu fico com inveja quando ficamos de fora das paradas pop. É uma falha de personalidade, mas, no fundo, é porque eu não quero que essas ideias fiquem de fora do mainstream. Meus artistas favoritos invadiram o mainstream. David Bowie, eu acho que seu melhor trabalho é experimental e inovador, mas mesmo aos 40, 50 anos, ele conseguia lançar uma música pop perfeita.

Quando você diz que existem ideias que você quer que estejam no mainstream, quais são elas?

Bono: A coisa metafísica, o lado gospel do U2 — isso só era permitido no rock 'n' roll se você fosse negro. Não se pode ser branco falando sobre Deus, porque geralmente brancos que falam sobre Deus deixam nosso público muito nervoso, sabe? Mas não na igreja negra na América. Ao chegarmos aos Estados Unidos, tínhamos acabado de ver aqueles tele-evangelistas e pensamos: "Nossa, essas pessoas estão em maus lençóis". Aí você entra numa igreja negra e ouve o abandono do canto e aquela sensação — é fervor, mas não um fervor doentio. Então, poder cantar canções de fé e devoção e canções de dúvida, misturar o gospel com o blues, que é o rock 'n' roll... Não há limites para onde você pode ir, incluindo as paradas de sucesso. Meu argumento constante é: não entreguem as paradas apenas para esses mecanismos pop. O hip-hop conseguiu e levou ideias revolucionárias para o rádio. Mas muita gente do cenário independente simplesmente desistiu. Nem se deram ao trabalho.

Você disse que falar sobre Deus na sua música pode ser um pouco desconfortável para o público, mas eu diria que o impulso religioso do U2 é extremamente importante para eles. É uma grande parte do motivo pelo qual as pessoas se sentem tão conectadas à banda.

The Edge: Sim, mas não víamos isso como um argumento de venda. Víamos como algo sobre o qual tínhamos que falar, porque é de onde viemos. Mas as pessoas dizem que somos a banda que agrada até mesmo quem não sabe se acredita em Deus. Está presente no nosso trabalho de uma forma tão natural. Não há controvérsia nisso. É apenas a nossa busca, a nossa investigação. E envolve muita dúvida. Tem que envolver, eu acho. Porque se não for dogma, então está em constante transformação. Eu diria que sou agnóstico metade da semana, e no resto da semana tenho uma fé incrivelmente forte. Mas está sempre mudando, pronta para ser aprimorada.

Quero perguntar sobre fracasso e sucesso. Obviamente, o U2 teve enormes sucessos. Mas também houve fracassos.

The Edge: Muitos que você nem teria visto ou ouvido falar.

Então, como você define sucesso ou fracasso para o novo álbum?

The Edge: Eu o considero um sucesso, devido ao tempo, esforço e dedicação investidos no trabalho. Não me importo muito com o que aconteça agora, porque sei que é realmente ótimo.

Bono: Eu poderia dizer isso, mas não acreditaria. É como ser um comediante: você tem uma rotina, a piada final chega, e se ninguém ri, não é a mesma coisa. Algumas das músicas, eu adoraria ver outro artista interpretando-as. Estávamos falando sobre música gospel agora há pouco. Há uma música chamada "Glorify" no álbum. Acabamos colocando o que é como uma demo no álbum. É bem minimalista, a expressão da música. Mas essa é uma música que bomba nas pistas de dança. É assim que eu a imagino. Uma parte de mim pensa: "Caramba, eu quero fazer essa versão". Não sei se conseguiremos. Alguém deveria fazer isso para ajudar a música a alcançar um público maior.

Estamos falando de quase exatamente 50 anos atrás, no mesmo dia em que vocês ensaiaram pela primeira vez na cozinha do baterista Larry Mullen Jr. O Edge, na autobiografia de Bono, 'Surrender', escreve que, quando vocês eram adolescentes, você e seu irmão, Dik, tinham a reputação de serem esquisitos — esquisitos simpáticos, mas esquisitos mesmo assim. Isso se referia ao episódio em que você e seu irmão explodiram o galpão do jardim da família?

The Edge: Muito provavelmente.

Você se lembra de ter tido alguma noção da reputação do Bono antes de vocês começarem a tocar juntos?

The Edge: Primeiro de tudo, esse foi um comentário absolutamente válido do Bono. Eu e meu irmão temos algum tipo de neurodivergência. Não sei exatamente qual. TDAH, autismo, sei lá. Então, socialmente falando, sempre fomos um pouco à margem. Mas, sim, éramos fascinados por explosivos. Eu sei muito mais sobre como explodir coisas do que deveria. Mas a reputação do Bono o precedia porque um dos meus melhores amigos de infância, Shane Fogarty, estudou no Mount Temple um ano antes de mim, então eu o questionei sobre a escola, e ele disse: "É legal, você não precisa usar uniforme, as pessoas são muito legais e tem uns caras divertidos lá". Eu perguntei: "Tipo quem?" Ele respondeu: "Um maluco chamado Paul Hewson. Ele é doido, mas é muito divertido". Então, mesmo antes de ir, eu já tinha ouvido falar desse personagem. Acho que o Bono sempre foi esse artista extrovertido e exibicionista, e ele já tinha isso aos 13 anos.

Vocês documentaram a carreira de vocês juntos de várias maneiras diferentes: em documentários, no livro 'U2 By U2', em inúmeras entrevistas. Mas será que as suas memórias e a compreensão de como vocês se uniram foram superadas pela lenda e pelo folclore?

Bono: Você está sugerindo que não somos super-heróis? Para ser sincero, eu sempre nos vi em um sentido meio mitológico. Os nomes — pense bem. Nós queríamos escapar da vida suburbana e descobrir esses outros eus, e demos nomes a esses outros eus. Os Ramones foram essenciais para nós, e eles são personagens muito bem construídos.

O que você acabou de dizer sobre a criação dos nomes fictícios — isso sempre me fez rir muito na banda. Ótimo! Edge! E então… Adam e Larry. Houve alguma discussão sobre eles também terem nomes?

The Edge: Precisamos explicar essa coisa toda dos nomes. A gente ria muito naquela época. Ríamos uns dos outros e de nós mesmos, e era assim que as coisas funcionavam. Então, os nomes não foram necessariamente pensados para o lado heroico deles. O primeiro nome do Bono, na verdade, foi Steinrich Van Haitian Bang Bang Bang, e eu fui Inchicore por um tempo antes de me tornar o Edge. O Adam foi conhecido por um tempo como Sra. Byrnes, e o Larry, por algum motivo, era o Jam Jar. A gente se inspirava bastante no Monty Python.

Bono: Trata-se de inventar quem você quer ser, em vez de quem você recebeu ao nascer em um determinado ponto, lugar e tempo.

Bono, quando conversamos pela última vez, por volta da época do seu livro, você me disse que o U2 estava trabalhando no álbum 'Songs Of Ascent', mas depois achou que precisava de um álbum de música de guitarra "irracional". Depois, vi em algum lugar você, Edge, dizendo que a banda estava trabalhando em um álbum de "folk irlandês de ficção científica" com Brian Eno. E, no entanto, chegamos a 'Carnaval De Luz'. Então, de forma prática, você pode descrever quando o conceito para uma nova música muda? O Bono aparece um dia e diz: "Pessoal, vamos descartar o folk irlandês de ficção científica. Vamos fazer 'Carnaval'!"? Como isso funciona na prática?

The Edge: Na verdade, a música te conta tudo. Enquanto trabalhávamos nesses projetos, era pura experimentação e exploração criativa. Não havia prazo, nada agendado ou comprometido. Eu também passei todo o período de confinamento da pandemia trabalhando apenas em música. Então, tivemos essa bela oportunidade de criar sem nenhuma agenda e simplesmente ver aonde isso nos levaria. Mas o que decidimos foi que o álbum deveria ser um contraponto ao clima da época. Os tempos são de ansiedade, de reações impulsivas. As pessoas estão realmente um pouco perdidas, e nós pensamos: "Com o que podemos ajudar nisso?". E achamos que um álbum que fosse uma festa, uma celebração, algo que unisse as pessoas, um encontro em torno de nossas aspirações em comum, seria o ideal.

Bono: Há também um certo desafio nisso. Tem uma citação do Dan Savage sobre quando ele era ativista da AIDS em São Francisco, no auge da crise. Ele disse: "De manhã, enterrávamos nossos amigos. À tarde, saíamos para protestar para termos menos gente para enterrar. Depois, à noite, saíamos para dançar, porque era pela dança que estávamos lutando". Eu amei isso. Isso não é se render à melancolia. Isso é desafio. Desculpem-me por falar isso como irlandês, mas, de novo, se você for a uma igreja negra durante o movimento pelos direitos civis, eles estão lá, em festa. Sly And The Family Stone, sem acordes menores. É tipo, uau, "Dance To The Music". É "Carnaval". Alegria desafiadora é o que estávamos procurando.

Onde está a linha divisória entre a rebeldia que você descreve e ficar de braços cruzados enquanto Roma queima?

Bono: O que você acha, Nero?

The Edge: Bem, uma coisa é negar a realidade, e a outra é estar plenamente consciente, encarar a escuridão de frente e ainda assim escolher a alegria. Essa é a diferença. Acho que a tecnologia é um grande problema agora. Redes sociais — as pessoas estão muito presas em seus próprios pensamentos. Estão em sua própria bolha, dentro de seus algoritmos. O que é realmente importante é a reinicialização. Somos muito mais capazes do que nos fazem acreditar, e ao nos isolarmos e permitirmos que a onda de negatividade continue sem contestação, as pessoas se sentem impotentes e rejeitadas. Elas não entendem que podem fazer parte de algo grandioso. É isso que é realmente positivo nos shows e festivais de rock. Devolve às pessoas essa sensação de poder.

Bono: Posso dizer que a raiva faz parte disso? A raiva é parte da resposta certa. Sentir raiva é normal. Ceder à melancolia é o que estamos tentando evitar.

Modelo e atriz mostra fotos Behind The Scenes de sua participação no videoclipe de "The Greatest Show On Earth" do U2


Feba Alex é uma modelo, atriz e diretora que participou dos bastidores (BTS - Behind The Scenes) do videoclipe da música "The Greatest Show On Earth" do U2, o terceiro single de 'Carnaval De Luz'.










O vídeo apresenta uma sátira da própria banda como uma seita religiosa na qual as mulheres assumem todo o trabalho pesado. Essa inversão visual ironiza a ideia de espetáculo e dialoga com a letra da música, que questiona as estruturas de fé e o mercado da música.
Em uma publicação em seu perfil no Instagram, ela celebrou o trabalho compartilhando registros visuais e agradecendo ao diretor do clipe, Anton Corbijn.

Guitarrista, compositor e produtor inglês Leo Abrahams toca em "The Greatest Show On Earth" do U2


"The Greatest Show On Earth", o terceiro single lançado pelo U2 do álbum 'Caranaval De Luz', apresenta o renomado guitarrista, compositor e produtor inglês Leo Abrahams creditado oficialmente na faixa tocando guitarra adicional ao lado de The Edge.
A participação faz parte de uma colaboração mais ampla conduzida por Brian Eno, de quem Leo Abrahams é um parceiro musical de longa data. 
Os dois se conheceram de forma inusitada em uma loja de instrumentos musicais em Londres. Eno notou Abrahams testando uma guitarra e comentou que ele era o primeiro guitarrista que via em uma loja do tipo que não estava tocando "Stairway To Heaven", o que lhe fez pensar que ele devia ser bom.
Leo Abrahams é amplamente conhecido por ser um dos principais parceiros musicais e o "braço direito" de Brian Eno em seus trabalhos com guitarras e texturas ambientais. 
Brian Eno co-escreveu a letra de "The Greatest Show On Earth" com o U2, e toca teclado na faixa. A presença de Leo na música adiciona sua característica assinatura textural à faixa.
Bono disse à Rolling Stone sobre a música: "Talvez seja nossa melhor música em muito tempo. Esse foi um dos motivos para eu continuar na banda".

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Pôster da turnê 'The Greatest Show On Earth' traz easter eggs e referências à história de 50 anos do U2


O U2 está prestes a embarcar em uma turnê mundial, e o pôster e os materiais de divulgação de 'Carnaval De Luz Presents: The Greatest Show On Earth' trazem easter eggs e referências à história de 50 anos do U2.
Há uma árvore de neon escondida no pôster, fazendo referência direta a 'The Joshua Tree'.
Há referências visuais ou conceituais ligadas a fases marcantes da banda: o bebê astronauta das fases de 'Achtung Baby' e 'Zooropa', o limão da 'Popmart', a maleta com o coração de 'All That You Can't Leave Behind' e a lâmpada e cartola com chifres de Mr. Macphisto das turnês de 'Innocence' e 'Experience'.
O design e o conceito geral do projeto visual marcam o aniversário de 50 anos do grupo comemorado em 2026.
O videoclipe dirigido por Anton Corbijn para "The Greatest Show On Earth" foi gravado no deserto da Califórnia e satiriza a banda como um culto religioso, remetendo a imagens e estéticas clássicas do grupo, como a era de 'The Joshua Tree', e com muitas semelhanças com o videoclipe de "All I Want Is You" de 'Rattle And Hum'.
A letra da canção diz: "nós já fomos o maior espetáculo da terra".

U2 anuncia 'The Greatest Show On Earth World Tour 2027' com dois shows no Brasil


CARNAVAL DE LUZ PRESENTS: THE GREATEST SHOW ON EARTH

   

O U2 está prestes a embarcar em uma turnê mundial, que começa em fevereiro com datas anunciadas hoje para a Cidade do México, São Paulo e Buenos Aires, com participação especial de Beck.

A pré-venda de ingressos no U2.COM começa nesta segunda-feira, 19 de outubro.

Outras datas para 2027 na Europa e América do Norte serão anunciadas nas próximas semanas, e os planos para o tão aguardado retorno da banda à Irlanda estão em andamento.

A venda para os shows no Brasil será realizada pela Ticketmaster Brasil, com etapas de pré-venda e venda geral:

19 de outubro de 2026, às 10h: pré-venda para assinantes do U2.COM

21 de outubro, às 10h: pré-venda online para clientes elegíveis do Santander. Nas bilheterias oficiais, começa às 11h, sem taxa de serviço.

22 de outubro, às 10h: venda geral pela internet. Nas bilheterias oficiais, começa às 11h.


A turnê mundial 'The Greatest Show On Earth' - em apoio ao lançamento do 16º álbum de estúdio da banda, 'Carnaval De Luz' - começará na Cidade do México em 23 de fevereiro de 2027, com participação especial de Beck. Shows também foram anunciados para São Paulo e Buenos Aires, as únicas três cidades latino-americanas que a turnê visitará no próximo ano.

"O Maior Espetáculo Da Terra"? Isso sim é um desafio. É um desafio, tanto para nós mesmos quanto para qualquer outra pessoa, para tentar proporcionar a melhor noite da vida de qualquer um.

Um pouco de showman, um pouco de xamã, uma explosão de cores, guitarras, baixo e bateria insanos, e músicas que você vai querer guardar na memória.

Porque se as pessoas vão aparecer, nós com certeza vamos.

Bono, Edge, Adam e Larry

CARNAVAL DE LUZ PRESENTS: THE GREATEST SHOW ON EARTH marca o retorno do U2 aos estádios para um espetáculo grandioso que celebra a conexão humana e a intimidade, com um repertório que abrange toda a discografia da banda. São os primeiros shows em estádios desde o encerramento da aclamada 'The Joshua Tree Tour', no Estádio DY Patil, em Mumbai, no dia 15 de dezembro de 2019, a última parada de uma turnê que levou o U2 a tocar para quase 3 milhões de fãs ao redor do mundo.
O anúncio da turnê vem acompanhado do lançamento de uma nova música intitulada "The Greatest Show On Earth". 

CARNAVAL DE LUZ PRESENTS: THE GREATEST SHOW ON EARTH - DATAS 2027
*com abertura de Beck

23 de fevereiro          CIDADE DO MÉXICO, México - Estádio GNP Seguros*
26 de fevereiro         CIDADE DO MÉXICO, México - Estádio GNP Seguros*
10 de março           SÃO PAULO, Brasil - Estádio MorumBIS*
12 de março           SÃO PAULO, Brasil - Estádio MorumBIS*
23 de março          BUENOS AIRES, Argentina - Estádio River Plate*
25 de março          BUENOS AIRES, Argentina - Estádio River Plate*

Os ingressos para a turnê estarão disponíveis primeiro através de uma pré-venda exclusiva para assinantes do U2.COM, que começa na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, às 10h (horário local) e termina na quarta-feira, 21 de outubro, às 22h (horário local). O Grupo Feedback terá acesso na segunda-feira, às 10h (horário local), e o Grupo Hype, na terça-feira, às 10h (horário local).

Antes dessas pré-vendas, os assinantes receberão um e-mail com seu código exclusivo, que lhes permitirá participar.

O videoclipe de "The Greatest Show On Earth", o terceiro single de 'Carnaval De Luz' do U2


O U2 estreou o videoclipe de "The Greatest Show On Earth", o terceiro single de 'Carnaval De Luz'. 
O single digital da faixa está disponível.
Composta por U2 e Brian Eno,  é uma história de amantes lutando para manter a fé um no outro – e na própria fé. O videoclipe, dirigido por Anton Corbijn e filmado no deserto da Califórnia, satiriza a banda como um culto religioso onde as mulheres fazem todo o trabalho pesado.

 

Anton Corbijn disse: "Gravamos o vídeo no início deste ano, na Califórnia. Costumo dizer que parei de fazer vídeos, mas acho que às vezes me deixo convencer. De qualquer forma, foi incrível, com a banda em ótima forma".

Love is a business that works at night
I sold myself for less than was right
You taught me what I was worth
In the greatest show on earth
Made a profession out of breaking your heart
You call it lies, I call it art
I was some of your best work
We were once the greatest show on earth
The light scatters things can get worse
These dark matters of the universe
Could not compete with us
We were once the greatest show on earth
  
O amor é um negócio que funciona à noite
Me vendi por menos do que valia
Você me ensinou o meu valor
No maior espetáculo da Terra
Fiz do partir o seu coração uma profissão
Você chama isso de mentiras, eu chamo de arte
Eu era uma das suas melhores obras
Já fomos o maior espetáculo da Terra
A luz se dispersa, as coisas podem piorar
Essas trevas do universo
Não conseguiam competir conosco
Já fomos o maior espetáculo da Terra

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

U2 mostra teaser do videoclipe de "The Greatest Show On Earth", o terceiro single de 'Carnaval De Luz'


O U2 divulgou trechos do videoclipe de "The Greatest Show On Earth", com direção de Anton Corbijn e que foi gravado na Califórnia. A estreia acontece dia 15 de Outubro.
A faixa é o terceiro single do novo álbum 'Carnaval De Luz' e a versão do álbum contará conta com a participação especial de 60 músicos da Filarmônica de Los Angeles regidos pelo maestro Gustavo Dudamel. 
A faixa foi co-escrita com a dupla Brian Eno e Daniel Lanois e mixada por Steve Lillywhite para virar single de rádio.
Trechos deste vídeo já haviam aparecido em um teaser dos 50 anos da banda, e inicialmente se achava que eram imagens do videoclipe de "Silencio".

 


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Rigger's Arms, a festa tradicional e exclusiva dos bastidores que acontece durante as turnês mundiais do U2


Rigger's Arms é o nome de uma festa tradicional e exclusiva dos bastidores que acontece durante as turnês mundiais do U2.
Organizada especificamente pela equipe técnica de montagem de palco e iluminação (os chamados riggers), o evento funciona como um "pub itinerante" improvisado nos bastidores, geralmente agendado na noite de folga entre dois shows realizados na mesma cidade.
Dependendo do local da turnê, a equipe de montagem de estruturas de aço usa peças sobressalentes de andaimes, treliças e equipamentos de palco para erguer um "bar" físico exclusivo dentro do local ou nos bastidores.
Todos os envolvidos na turnê contribuem com um valor fixo (historicamente entre US$ 15 e £ 10) para cobrir os custos de bebida e comida — regra que se aplica inclusive aos próprios membros do U2.
É comum ver os integrantes da banda e técnicos renomados assumindo o balcão. Relatos de bastidores (como os diários de turnê do diretor de iluminação Willie Williams) mencionam ocasiões divertidas em que Larry Mullen Jr. servia canecas de chopp, Bono aparecia acompanhado de convidados especiais como Axl Rose, e a equipe celebrava ao som de DJs e pistas de dança improvisadas.
Essa celebração interna reflete o forte espírito de camaradagem entre o U2 e os seus profissionais de estrada, uma união tão marcante que a própria banda frequentemente exalta o trabalho de sua equipe de estrada como o coração de suas massivas apresentações ao vivo.

Q Magazine - 1993

Verona - Zooropa Tour

Esta noite haverá uma festa. Chamada de Rigger's Arms, um evento ocasional nas turnês do U2, onde, por dez libras por pessoa, os técnicos de iluminação organizam uma grande festa e, se precisarem construir um salão para realizá-la, que assim seja: é o que eles fazem para viver. 
A grande notícia da noite é que muitos barris de Guinness foram trazidos de avião de Dublin. Seu primeiro copo é servido pela dançarina do ventre, o segundo por Larry Mullen, o terceiro pelo técnico de guitarra do Edge. Depois disso, tudo fica um pouco confuso. 
Bono aparece com Axl Rose. Edge usa uma boina. Todo mundo dança ao som de "Is This Love?" de Bob Marley. Adam namora Naomi antes do casamento. Larry beija sua namorada Anne ao som de "Forever And Ever" de Demis Roussos. 
Um grupo de performance artística chamado Machnas aparece de repente usando enormes cabeças de plástico do U2. 
Há alguns momentos isolados de dança raggamuffin. Por algum motivo, há três tendas iglu individuais do lado de fora. Enquanto Colin Hudd toca uma música house, a dança fica mais animada. As medidas das bebidas alcoólicas se tornam decididamente não métricas. As conversas começam a tomar um rumo vanguardista. Alguém pede "Always Look On The Bright Side Of Life". A Guinness não dá sinais de acabar. O sol nasceu há horas. 
"Adormeci em uma daquelas tendas!", diz Bono, às 15:00 em ponto. "Aí acordei no meu quarto com uma sede insuportável e vim aqui procurar água. Fiquei 15 minutos pedindo água para um cara, mas ele não entendia". Ele levanta os óculos escuros da marca Fly, antes de contar a piada. "Acontece que ele era o funcionário da piscina. Água é a vida dele".
O que se ouve por aí, à beira da piscina, é que a festa terminou às 9:00 da manhã. Histórias terríveis de vômitos em jatos, membros da equipe destruídos e gente dormindo nas posições mais improváveis são comuns. Edge está deitado em uma espreguiçadeira. Ele tem uma entrevista para dar em instantes e está falando sobre a pouca energia que lhe resta.
"Todos se divertiram muito", ri Adam, cambaleando pelo gramado. Adam acabou de se levantar. Bem, são apenas 16:00. Ele se senta, reclamando daquela sensação desconfortável pós-bebedeira. Edge, que também se levantou, mantém sua habitual intensidade gentil. Mais cedo naquele dia, alguém da organização havia comentado que "Edge está lentamente se transformando em Brian Eno". Ele certamente compartilha a propensão de analisar secamente o que a maioria das mentes descarta. Pergunte a ele se tem ouvido muita música eletrônica ultimamente e ele responde: "Acho que é preciso ter muito cuidado ao falar de música eletrônica hoje em dia. Virou uma série de clichês. Claro, a música deve ter ritmo, e nesse sentido, acho que houve um aprendizado sobre ritmo nos últimos 10 anos, mas não acho que imaginaríamos que nossos discos fariam muito sentido ao lado de discos de música eletrônica feitos especificamente para esse fim".
Em contraste, completamente embriagado, Adam oscila entre a profundidade abstrata e o delírio babando. Enquanto Edge se esforça ao máximo para entender as perguntas, Adam se ocupa com um sanduíche, daqueles que matam ou curam a ressaca, fazendo comentários engraçados e desajeitados.

domingo, 11 de outubro de 2026

Bono e The Edge tocam "Silencio" em versão acústica no evento beneficente The Albies 2026


Bono e The Edge subiram ao palco em uma uma aparição surpresa para um set acústico na cerimônia do The Albies 2026, apresentando as canções "Silencio" (dedicada ao Comitê para a Proteção dos Jornalistas) e "One". 
Bono também participou entregando um dos prêmios da noite à Lynsey Addario, a renomada fotojornalista americana homenageada por sua coragem e trabalho documental em zonas de conflito e direitos humanos
O evento anual beneficente é organizado por George e Amal Clooney por meio da Clooney Foundation For Justice.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Rosalía revela como Bono lhe contou que o U2 ia dedicar uma música para ela


Uma das novas músicas do próximo álbum do U2, 'Carnaval De Luz', é dedicada à Rosalía. O próprio Bono já tinha adiantado isso há algumas semanas, mas agora foi a própria Rosalía que revelou os detalhes desse encontro curioso entre ela e o vocalista, que não hesitou em pedir conselhos sobre algumas palavras em espanhol.
"The Mirror Maker (Rosalía)" é a música que faz parte do disco que será lançado no próximo dia 13 de novembro e que encontrou na cantora espanhola uma de suas principais inspirações. 
Como Rosalía revelou em sua participação no programa de Jimmy Fallon, foi o próprio Bono quem a escreveu e falou com ela para que ela o aconselhasse em uma determinada questão. "Não o conheço pessoalmente, mas ele me escreveu e me contou que tinha esse novo projeto e uma música, "The Mirror Maker", e depois me perguntou se algumas palavras faziam sentido", ela conta.
A cantora, que terminou há algumas semanas a turnê do seu último disco, 'LUX', está de passagem pelos Estados Unidos, onde também se apresentará no programa Saturday Night Live. Antes disso, a cantora tentava explicar para Fallon qual era a palavra que Bono tinha em mente e que nem sequer está no dicionário espanhol: "Uma palavra, na verdade, me veio à mente. Havia essa palavra, 'marmole'… Acho que, pelo que lembro, era 'mamole'. E não sei, pensei: 'Nunca ouvi essa palavra. Não sei o que significa'. Então eu procurei, pesquisei, e não existia no espanhol padrão. Então eu disse a Bono: 'Não sei, mas sinta-se à vontade para inventar seu próprio idioma'", detalhou Rosalía, que terminou mostrando sua admiração pelo cantor e pela banda.
"Bono é uma lenda. É incrível. É alucinante porque quando eu era criança, costumava ouvir suas músicas. "With Or Without You". É incrível", reconheceu Rosalía sobre o cantor, que já havia expressado anteriormente sua admiração pela artista espanhola. "Normalmente, só escrevemos músicas sobre gente na prisão ou gente morta. Isso é simplesmente celebrar alguém porque é uma artista extraordinária", explicou Bono, antes de admitir que ela "Chegou ao mesmo ponto antes de nós, o que é irritante e também realmente inspirador".

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Phil Collins relembra a frase sarcástica "Eu não penso no U2" ao falar sobre o Oasis


Phil Collins deixou claro que não reacenderá sua antiga rivalidade com Noel Gallagher quando ambos os músicos forem introduzidos no Hall da Fama do Rock and Roll ainda este ano – mas não suavizou sua opinião sobre o Oasis.
O músico de 75 anos, que se junta à turma de 2026 que também inclui Oasis, Billy Idol, Joy Division/New Order e Wu-Tang Clan, foi questionado no programa Piers Morgan Uncensored sobre como se sentia em relação a comparecer à mesma cerimônia que Noel Gallagher, que certa vez o chamou de "anticristo" e brincou sobre querer sua "cabeça decepada" durante o auge do Britpop.
Phil Collins descartou a ideia de qualquer confronto. Ele disse que sabe que comentários podem ser tirados de contexto, lembrando que, enquanto escrevia sua autobiografia 'Not Dead Yet', seu coautor entrevistou Noel Gallagher sobre as antigas declarações. Segundo Phil Collins, Noel Gallagher alegou que estava "fora de si" em um show do Genesis anos atrás e confundiu a iluminação dramática do palco de Phil Collins com algo sinistro. Phil Collins riu e disse que o brilho misterioso durante "Mama" "teria funcionado" se Noel Gallagher não estivesse sóbrio.
Questionado sobre como lidaria com o encontro com Noel Gallagher na cerimônia, Phil Collins manteve a leveza: "Serei bem-humorado, bem simpático com ele".
Mas quando perguntado diretamente se gosta da música do Oasis, Phil Collins não suavizou a resposta. Ele disse: "Não. Não particularmente". Ele acrescentou que prefere os Beatles - e que o Oasis o lembra muito deles. Em seguida, citou a famosa frase de Mick Jagger, lenda dos Rolling Stones, sobre o U2: "Eu não penso no U2". Phil Collins acrescentou: "É exatamente isso que eu penso sobre o Oasis".
Phil Collins usou essa fala de Mick Jagger de forma sarcástica para ilustrar que não presta atenção ou não se importa com certas bandas.

Peter Rowen nos 50 anos do U2 conta a real história de como tudo aconteceu - 2° Parte


Em 1981, nos mudamos da Cedarwood Road para um pequeno lugar no campo perto de Ashbourne, no Condado de Meath. 
Eu tinha 7 anos e aquele lugar era como o paraíso para mim. Tínhamos jardins enormes e éramos cercados por campos em todas as direções. Não demorou muito para que meu pai - que era um pouco excêntrico e extremamente impulsivo - acumulasse uma pequena fazenda composta por uma cabra, um cavalo, 2 burros, 2 cachorros, cerca de 10 gatos e 500 galinhas! Eu era uma criança que adorava o ar livre e amava a vida no campo, aprendendo a andar a cavalo, a ordenhar a cabra e a comer os ovos.
Um dia, depois da escola, o U2 e Anton Corbin apareceram para ver se podiam me "pegar emprestado" por uma ou duas horas para tirar algumas fotos. Acabamos fotografando na minha rua, em um campo à esquerda e em um pequeno pântano do outro lado, onde eu costumava brincar em uma jangada com meus amigos. Aqui estão algumas fotos daquela sessão.




Por coincidência, estou morando novamente aqui na casa da minha infância, que ainda me parece um paraíso. Passo diariamente pelos locais onde essas fotos foram tiradas.
Março de 1983 - Pelo que sei, "Two Hearts Beat As One" estava subindo rapidamente nas paradas em 1983 e o U2 precisava gravar um videoclipe com urgência. Quem eles chamaram? Eu, é claro. 
Minhas lembranças das filmagens, que aconteceram em Paris, são bem vagas - acho que as histórias em quadrinhos de todos aqueles gênios devem ter mexido com a minha cabeça! Lembro que meus pais vieram cuidar de mim. Acho que ficamos uns dois dias. Lembro de ter ficado impressionado com a altura de Anton Corbijn. Eu sempre fui pequeno para a minha idade e esse cara era enorme! Acho que me lembro dele pulando por cima da bateria do Larry Mullen em algum momento das filmagens. Lembro de ter dito ao diretor, depois de ver um dos acrobatas dando uma cambalhota, que eu também sabia dar cambalhotas. Dois minutos depois, ele me fez dar cambalhotas pela rua com meu agora famoso casaquinho azul. Lembro que me deram o pequeno giroscópio que aparece no vídeo para guardar depois da filmagem... Imagino onde ele está agora, provavelmente enterrado em algum sótão. Enfim, foi uma experiência incrível. É engraçado olhar para trás... Agora tenho três filhos e consigo ver muito deles em tudo isso. 


As fotos em preto e branco são do livro do Anton chamado 'U2 & I'. Ele gentilmente me enviou um exemplar há muitos anos. Um livro maravilhoso!

sábado, 3 de outubro de 2026

Peter Rowen nos 50 anos do U2 conta a real história de como tudo aconteceu


Onde tudo começou. Esse sou eu, claro. 5 anos de idade. Primeiro ensaio fotográfico com o U2. Fui fotografado novamente aos 6 anos para o álbum de estreia deles, 'Boy', e aos 8 para o terceiro álbum de estúdio, 'War'. 
Aos 9, fui levado para Paris para estrelar o videoclipe de "Two Hearts Beat As One" e, em 1997, meu rosto foi usado novamente na capa da coletânea 'Best Of' de 1980-1990. 
Além disso, eles também usaram meu rosto na capa de, acho, 5 singles, bem como em todo tipo de produto, de canecas a mouse pads... Acho que posso dizer que eles aproveitaram bastante a minha imagem. 
Já me perguntaram tantas vezes sobre isso ao longo dos anos que achei que agora era uma boa hora para contar a história real de como tudo aconteceu... Não é bem a história que todos imaginam. É muito mais estranha do que a maioria pode pensar.
1980 - Cedarwood Road. Eu tinha 6 anos, o segundo mais novo de 10 irmãos. Como minha mãe, Winnie, costumava me chamar: Clive, Derek, Trevor, Andrew, Freddie, Jonny… Peter. Ela sempre acabava lembrando de todos. Também tínhamos Gwen, Ruth, Miriam e meu pai, Robbie. Morávamos no número 5. 
Paul Hewson, ou Bono, como ele gosta de ser chamado, morava do outro lado da rua, no número 10. Ele era amigo de alguns dos meus irmãos na época: Andy, Trevor e Derek, ou Guggi, como ele gosta de ser chamado. 
A ideia de colocar minha cabecinha na capa do álbum de estreia deles foi do Bono, pelo que sei. Guggi atuou como meu "empresário" para o trabalho e o valor final combinado foi de cem libras irlandesas, mais uma caixa grande de barras de chocolate Mars – não era exatamente algo que mudaria minha vida, mas eu tinha 6 anos, e as barras de chocolate Mars eram tudo o que me interessava.
Minhas lembranças de quando morava na Cedarwood Road são bem vagas. Lembro de alguns momentos isolados. Lembro que meus quatro irmãos mais velhos, Clive, Derek, Trevor e Andy, costumavam dormir em duas cabanas de madeira que meu pai tinha construído no quintal, porque não havia espaço suficiente para todos nós na casa geminada de três quartos! 
Meu pai, que na época tinha uma distribuidora de materiais elétricos, instalou um sistema de interfone para que pudéssemos nos comunicar entre as cabanas e a casa. A estrutura toda era extremamente impressionante para mim e meus amigos na época. Lembro de uma noite em que estava tão perto da lareira na sala de estar dos fundos que meu short de poliéster/plástico (muito antes de roupas de plástico serem moda) pegou fogo! Meu pai, muito rápido, o tirou de mim em segundos, evitando que eu sofresse ferimentos graves. 
Lembro que, no ano anterior à nossa mudança, eu comecei a ir escondido até as lojas locais para ficar com os "garotos da esquina", como meu pai os chamava. Isso não foi nada bem visto. Lembro-me de ter me metido em uma grande encrenca uma vez por gastar todos os meus 3 centavos de dólar de mesada em algumas caixas de fósforos e fazer uma "brincadeira de gênio" com todos eles de uma vez atrás do muro do gramado. Uma adrenalina enorme para uma criança de 6 anos.
Uma coisa de que não me lembro é da sessão de fotos do álbum 'Boy'. Não me lembro de nada sobre ela, mas aqui está uma citação engraçada dessa sessão que acabei de encontrar em um livro antigo escrito por Bill Graham que alguém me deu anos atrás... chama-se 'U2 The Early Days - Another Time, Another Place'.
"O conceito da capa do primeiro álbum do U2, 'Boy', foi bem pensado mesmo antes de eles conseguirem um contrato com uma gravadora. Peter já havia aparecido na capa do primeiro single deles - 'U23'. Quando Hugo estava fotografando a sessão para a capa do álbum, Peter ficou inquieto. 'Este é um grande disco para uma grande gravadora?', perguntou ele a Hugo. 'Sim', respondeu o fotógrafo. 'Então eu valho mais. Diga ao Bono que vou entrar em greve', retrucou Peter. Enquanto Bono negociava o pagamento extra por outra caixa de barras de chocolate Mars, Peter ficou completamente imóvel com as mãos atrás da cabeça, enquanto Hugo disparava a câmera. E assim a capa foi fotografada".
Em 1982, eu tinha 8 anos e, aparentemente, o U2 estava sem ideias para a capa do seu terceiro álbum. Não sei quem foi, mas algum gênio teve a ideia de me contratar novamente. Nessa época, Guggi trabalhava como meu empresário em tempo integral e principal negociador. Barras de chocolate Mars não eram mais aceitas como forma de pagamento. Só dinheiro vivo, por favor. Acredito que os integrantes do U2 ficaram surpresos ao saber que meu cachê diário havia aumentado dez vezes, mas eu estava no auge da minha carreira, então era uma situação de "pegar ou largar". O acordo foi fechado e começamos a trabalhar. 'WAR' acabaria por desbancar 'Thriller', do Michael Jackson, do primeiro lugar nas paradas do Reino Unido no ano seguinte, e me lembro de uma ou duas histórias da sessão de fotos.
Uma história engraçada que surgiu após o lançamento de 'War' foi o dia em que Michael Jackson fez uma enorme loja de discos em Nova York fechar as portas para que ele pudesse fazer compras com privacidade. Aparentemente, ele se encantou com um pôster promocional enorme do álbum, que, é claro, tinha o meu rostinho nele. Ele perguntou se podia ficar com o pôster, então eles prontamente o tiraram da parede e ele saiu da loja com ele enrolado debaixo do braço.
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