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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

U2 compila as primeiras reações da imprensa e da crítica sobre 'Days Of Ash'


U2.COM

'Cheio de fervor político'

'De volta e mais forte do que nunca'… 'Urgente'… 'Para as barricadas'…

As seis faixas de 'Days Of Ash' estavam 'ansiosas para serem lançadas ao mundo', disse Bono, e as primeiras reações da imprensa e da crítica na última semana parecem concordar.

'Days Of Ash' soa como se o mundo estivesse esperando exatamente por esse tipo de raiva'. Spiegel, Alemanha.

'U2 em uma luta (pela liberdade)' Il Corriere della Sera, Itália.

'Nada é normal nesta era louca': U2 lança de surpresa um miniálbum poderoso e politicamente carregado'. Le Parisien, França.

'… um álbum contra o ICE: "Acreditamos em um mundo onde a dignidade das pessoas é inegociável".' ElDiario.Es, Espanha.

Aqui está um resumo de mais resenhas da Irlanda, Reino Unido e Estados Unidos.

IRLANDA

'U2 está de volta': 'Com tudo — alvo atingido, sem prisioneiros. Bono está focado, apaixonado, determinado, a guitarra de The Edge está arrasando, o baixo de Adam pulsando implacavelmente, e Larry Mullen Jr. voltou a fazer o que faz de melhor — dar partida no ônibus…' Essa energia, esse senso de urgência, a necessidade de dizer o que simplesmente precisa ser dito permeia cada faixa'. — por Tom Dunne no The Irish Examiner

"O som do U2 está revigorado em suas canções de protesto": "É um EP de canções que exigem paz em um mundo mergulhado em guerra… há poder e ternura" — por Una Mullally no The Irish Times

"Uma banda revitalizada e cheia de fervor político: o novo EP do U2 é o melhor trabalho deles em décadas"… "De levantes estudantis no Irã à guerra na Ucrânia, seis novas faixas provam que Bono e os rapazes ainda têm muito a dizer" — The Irish Independent

"Sua oferta musical mais dramática e incisiva em anos… O U2 EXIGE sua atenção em nome da paz, da liberdade e da esperança". — por Simon Cosyns no The Irish Sun

"O U2 voltou a compor canções sobre Grandes Temas" — TheJournal.ie

Sobre 'Days Of Ash': "O U2 encontrou uma unidade coletiva e um senso de propósito aqui… "Há muita coisa brilhante neste disco... É o U2 no seu melhor estilo rock" — Niall Stokes na Hot Press

'Que semana para ser fã do U2': 'A ideia de um artista usar sua plataforma para denunciar as injustiças que vê parece ainda mais importante no mundo de hoje. Para fazer isso e obter qualquer tipo de reação que possa potencialmente gerar uma mudança para melhor, as músicas precisam ser boas, até mesmo ótimas. Então, as músicas de 'Days Of Ash' são boas? São boas como as do U2? A resposta é simplesmente sim e sim'. — Dan Hegarty para RTE.ie

'As canções de desafio do U2 mostram que Bono ainda está empolgado': 'Faz décadas que o U2 não soava tão empolgado quanto aqui... redescobriram um senso de propósito' — por Adrian Thrills no The Irish Daily Mail

Reino Unido

"Seis novas faixas reafirmam a banda como uma voz política vital": "O U2 soa mais indignado do que em anos, tanto nas letras, que têm um tom confrontador e incisivo raramente ouvido no trabalho do U2 desde a fase de 'War'… quanto musicalmente: uma mistura de guitarra distorcida, baixo estrondoso e elementos eletrônicos que evocam sirenes" — por Alexis Petridis no The Guardian

"A fúria política impulsiona um conjunto emocionante de canções de retorno" — The London Standard

"Bono e companhia realocam sua ira inesquecível em novo EP": "'Days Of Ash' prova que o U2 está em plena forma criativa, o que é um bom presságio para um álbum completo a ser lançado ainda em 2026" — Revista MOJO

"A canção de protesto está viva mais uma vez" — por Will Hodgkinson no The Times

"O U2 está de volta às barricadas com seu trabalho mais político em anos" — por Neil McCormick no The Telegraph

EUA

'U2 responde às expectativas com 'Days Of Ash'': 'O U2 sempre se posicionou corajosamente para compartilhar suas opiniões sobre o estado do planeta. E, em um mundo que muitas vezes parece ter enlouquecido ultimamente, a banda veterana fez isso novamente' — Billboard

'U2 lança de surpresa o EP 'Days Of Ash' para 'confrontar com estes tempos insanos': 'O EP surpresa do U2 reforça o compromisso da banda com a justiça social… um quinteto de canções que estão entre as mais impactantes de seu vasto catálogo'. — USA Today

'O U2 lançou de surpresa um novo EP que abre com uma crítica contundente à repressão do governo à imigração…'
All Songs Considered na NPR Music.

'U2 lança EP de seis faixas 'Days Of Ash' para a Quarta-feira de Cinzas, com uma faixa em homenagem a Renée Good e músicas sobre a Ucrânia e a turbulência no Oriente Médio' — Variety

'U2 surpreende com o lançamento do EP politicamente carregado 'Days Of Ash', com seis novas músicas' — Rolling Stone

'U2 está de volta e mais impactante do que nunca com o EP 'Days Of Ash': ''Days Of Ash' prova que a banda ainda é capaz de abordar temas atuais com a mesma força e angústia de seus trabalhos anteriores... Eles estão tão contemporâneos como sempre'. — ClutchPoints

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Para manter o segredo, U2 não prensou o EP 'Days Of Ash' e lançamento físico permanece desconhecido


O site U2 Songs escreve que foram informados por diversas fontes confiáveis que o U2 ainda não tomou uma decisão sobre um lançamento físico de 'Days Of Ash'. 
Quando a banda decidiu por um lançamento surpresa digital para este EP, qualquer planejamento para um lançamento físico foi suspenso para manter o segredo.
Não acontecerá um lançamento para o Record Store Day em abril. A lista foi fechada em novembro de 2025 e, mesmo que o U2 conseguisse uma inclusão tardia, não há tempo para uma prensagem física de um disco.
Como o lançamento foi surpresa, muitos não perceberam que Dave Fanning, mais uma vez, teve a oportunidade de tocar as músicas em primeira mão. Ele fez uma participação especial na rádio 2FM para tocar canções do EP, começando com "American Obituary", poucos minutos antes do lançamento nas plataformas de streaming. Durante a transmissão, ele tocou cinco músicas (todas, exceto "Wildpeace") e falou sobre a origem das canções.

Alguns pontos que Fanning mencionou:

Sobre o EP: "Não tem nada a ver com o álbum que eles vão lançar no final do ano. Eles estão quase se livrando dessas músicas no caminho. Queriam que elas fossem realmente importantes, porque o que eles fazem é observar os acontecimentos mundiais atuais e não estão nada satisfeitos".
Sobre o lançamento de um novo álbum, Fanning comentou: "Definitivamente um álbum completo de músicas novas antes do final do ano. Eu diria outubro/novembro, mas não tenho 100% de certeza".
Sobre uma turnê, Fanning comentou: "Meu palpite, e isso é apenas um palpite, um bom palpite, é que eles farão shows em locais abertos em 2027".
Questionado sobre a promoção do EP, Dave comentou: "Talvez eles estejam muito ocupados tentando organizar o próximo passo, porque eles definitivamente querem lançar um álbum antes do final do ano. Aquelas outras 20 faixas. Se você for começar a dar entrevistas, talvez isso tome muito tempo. Imagino que eles provavelmente não queiram dar entrevistas sobre isso". 
Ele sugeriu que a revista Propaganda foi uma maneira de divulgar as informações sobre as músicas e a gravação sem gastar muito tempo com a promoção.
Adam Clayton compartilhou no Facebook, através do CraicFest, que não poderia comparecer à inauguração do Ballroom Boom em Nova York, dizendo: "Sinto muito por não poder estar lá. Mas tenho uma gravação marcada com um pequeno grupo com o qual trabalho. Espero que vocês curtam essa história singular da cena musical irlandesa".

'Days Of Ash' do U2 estreia em 1° lugar na parada oficial de downloads de álbuns no Reino Unido


Forbes

A maioria dos músicos lança músicas e álbuns às sextas-feiras, pois esse dia marca o início de uma nova semana de contagem. 
Globalmente, a maioria dos artistas musicais deseja que seus lançamentos mais recentes tenham um período de contagem completo de sete dias para acumular streams e vendas e, com sorte, alcançar o sucesso nas paradas musicais. 
Ocasionalmente, nomes consagrados da indústria musical decidem quebrar essa tendência e lançar um novo single ou projeto completo em outro dia. Isso pode prejudicar o desempenho nas paradas semanais, mas geralmente oferece um momento menos movimentado para a mídia cobrir um novo lançamento empolgante.
O U2 escolheu a quarta-feira para lançar um novo EP intitulado 'Days Of Ash'. O set de seis músicas foi lançado na Quarta-feira de Cinzas e marca o retorno do grupo às suas composições com temática política. 
Os fãs do U2 esperavam há anos por novas músicas e, meses antes do lançamento do álbum completo da banda vencedora do Grammy, previsto para o final de 2026, 'Days Of Ash' se torna rapidamente um sucesso de vendas no Reino Unido.
Apesar de estar disponível por apenas cerca de metade de uma semana, 'Days Of Ash' consegue estrear em 1º lugar em uma parada no Reino Unido. O mais recente EP do U2 inicia sua trajetória na parada oficial de downloads de álbuns em primeiro lugar.
O U2 conseguiu superar vários lançamentos recentes na parada Official Albums Downloads, que classifica os álbuns e EPs mais vendidos no Reino Unido, comprados exclusivamente em lojas como iTunes, Amazon e outras. Charli XCX lançou a trilha sonora de 'Weathering Heights' na segunda posição, enquanto 'To Whom This May Concern', de Jill Scott, estreou em terceiro lugar.
O U2 alcançou o nº 1 na parada oficial de downloads de álbuns com três projetos. Anteriormente, 'No Line On The Horizon' e 'Songs Of Surrender' lideraram a lista. Outros lançamentos populares, como 'Songs Of Experience', 'U218 Singles' e os dois lançamentos mais recentes do grupo, 'Zoo TV – Live In Dublin' e How To Re-Assemble An Atomic Bomb', também figuraram no top 10.
'Days Of Ash' pode ser o álbum mais baixado no Reino Unido, mas não conseguiu liderar a parada oficial de vendas de álbuns. O novo trabalho de estúdio do U2 estreia na lista em 8º lugar. Charli XCX, Kylie Minogue e Cardinals estrearam em posições mais altas desta vez.
Ao longo dos anos, o U2 emplacou cinco álbuns diferentes no Top 10 da parada oficial de vendas de álbuns. Até o momento, apenas 'Songs Of Surrender' se destacou como o álbum mais vendido no Reino Unido.
Aqui estão todos os álbuns do U2 que chegaram ao Top 10 da parada oficial de vendas de álbuns do Reino Unido:

Days Of Ash
Songs Of Experience
Songs Of Surrender
The Joshua Tree
Zoo TV – Live In Dublin

Os fãs do U2 não esperavam por novas músicas, então 'Days Of Ash' demorou um pouco para subir nas paradas do iTunes em todo o mundo. Desde então, o EP se manteve em primeiro lugar na principal plataforma de vendas em muitos países ocidentais, e 'Days Of Ash' pode ter uma estreia promissora em paradas ainda mais competitivas em cerca de uma semana.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

G1 sobre 'Days Of Ash' do U2: O EP vai mudar o mundo? Dificilmente. É um disco de outro mundo? Não. Tem altos e baixos



G1

No que depende das grandes bandas do planeta, em 2026, o rock ainda respira. Pode não estar no auge, mas pelo menos tem músicas novas. 
O U2 apareceu de surpresa com 'Days Of Ash', primeiro disco de inéditas em quase uma década, com pegada política e participação até de Ed Sheeran.

Nota: 6,5/10

O U2 decidiu seguir a fórmula que o consagrou. Após quase uma década sem material inédito, a banda surpreendeu o público com o EP 'Days Of Ash'.
Fiel ao seu histórico ativista, o grupo aborda temas como o ICE (serviço de imigração americano), Vladimir Putin e o conflito em Gaza.
O EP vai mudar o mundo? Dificilmente. São cada vez mais raras as músicas de protesto que têm efeito real, viram hino nas ruas e mobilizam as pessoas.
Mas o U2 não está necessariamente preocupado em lançar a próxima "Imagine". Parece que eles só não querem ficar calados em um momento tão delicado — se a tensão política ao redor do mundo não conseguisse que o U2 fizesse novas músicas, nada mais conseguiria.
Musicalmente, o EP passeia por sonoridades familiares. Um exemplo é "American Obituary", a faixa mais rock e um dos destaques do projeto. A música tem riffs de guitarra que lembram o U2 de 'How To Dismantle An Atomic Bomb' e 'All That You Can't Leave Behind'.
"Renee Good nasceu para morrer livre (...) / O que você matar não pode morrer / A América irá se levantar", diz a música.
Já para quem curte as baladas e canções de protesto do grupo, "The Tears Of Things" pode emocionar. No mínimo, a canção prova que a voz de Bono segue em ótima forma.
É um disco de outro mundo? Não. O EP tem altos e baixos, e uma fraca é "Yours Eternally", parceria com o ucraniano Taras Topolia e... Ed Sheeran. É uma faixa comercial e Coldplay demais para o estilo do U2.
Mas o projeto mostra que o U2 ainda tem fôlego para 2026. A banda diz que vem aí um álbum completo, ainda neste ano. E nesse caso, o EP é um bom pontapé.

Curta-metragem documental inspirado em "Yours Eternally" do U2 é lançado


"... o pulsar do coração humano daqueles homens e mulheres incríveis, as lutas e os sacrifícios que fazem diariamente pela coisa mais sagrada deste planeta: a liberdade".

Hoje, no 4º aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia, o cineasta ucraniano Ilya Mikhaylus, também membro do Corpo de Khartiya, lançou um curta-metragem documental de 4 minutos e meio inspirado em "Yours Eternally" do U2 (com participação de Ed Sheeran e do cantor ucraniano Taras Topolia), do EP 'Days Of Ash'.
Produzido por Pyotr Verzilov e filmado durante o inverno de 2025, enquanto Mikhaylus e sua equipe acompanhavam o Corpo de Khartiya, o filme captura o extraordinário cotidiano de Alina e seus companheiros soldados do Corpo de Khartiya, que lutavam na linha de frente da guerra na região de Kharkiv. O curta faz parte de um documentário completo que será lançado por Mikhaylus e sua equipe no final de 2026.
O diretor do documentário, Ilya Mikhaylus, disse: "Durante quatro anos, a Ucrânia resistiu à invasão russa em grande escala, e os soldados do Corpo de Khartiya estão entre as centenas de milhares de ucranianos que defendem sua pátria. Neste curta-metragem, e no documentário de longa-metragem que está por vir, tentamos mostrar o coração pulsante desses homens e mulheres incríveis, as lutas e os sacrifícios que fazem diariamente pela coisa mais sagrada deste planeta: a liberdade".
A história completa por trás da produção do novo curta-metragem está em Propaganda, uma revista digital de 52 páginas publicada para coincidir com os 'Days Of Ash'. Inclui entrevistas com o diretor Ilya Mikhaylus e o produtor Pyotr Verzilov, bem como com a atleta Alina Shukh, que aparece no filme, e com o músico Taras Topolia, que inspirou a canção.
Este filme não seria possível sem os soldados do 2º Corpo "Khartiya" da Guarda Nacional da Ucrânia, o comandante do Corpo, Coronel Ihor Obolensky, e Vsevolod Kozhemyako.

Yours Eternally, Documentary Short Film.
Director: Ilya Mikhaylus / Producer: Pyotr Verzilov / Executive Producers (Original Documentary Production): Maksym Serdiuk, Artem Hryhorian (KNIFE! Films) / Editors: Ilya Mikhaylus, Yaroslav Korotkov, Kyrylo Postnikov
Cinematographers: Ilya Mikhaylus, Yaroslav Korotkov, Pavlo Itkin, Stepan Pavlyuk, Sasha Tuz, Alla Savytska, Kyrylo Postnikov, Katya Gimro / Special Thanks to Art Action Foundation - John Caldwell & Nadya Tolokonnikova.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Na esteira de 'Days Of Ash', Adam Clayton diz ser fã das raízes políticas radicais de Fela Kuti


Adam Clayton elogiou o novo álbum do Geese, 'Getting Killed'. Ele fez o comentário em uma nova edição de 54 páginas do fanzine do U2, Propaganda, publicada para coincidir com o lançamento surpresa do novo EP da banda, 'Days Of Ash'.
Além de abordarem em detalhes as crises humanitárias globais que inspiraram as seis músicas do EP, os membros do U2 também compartilharam alguns aspectos de suas vidas, dando a Adam a oportunidade de falar com entusiasmo sobre o Geese.
Ao ser questionado sobre os artistas que tem ouvido ultimamente, Adam citou o aclamado álbum de 2025 do Geese, 'Getting Killed', afirmando: "Respeito a atitude radical e livre deles, de não seguir o jogo comercial".
O baixista continuou: "Uma reação à programação e à superprodução, trazendo a música de volta à química especial de uma banda tocando junta".
Adam também mencionou dois álbuns históricos que ouve com frequência, sendo o primeiro deles 'Shakara', de Fela Kuti, observando: "Sou fã de longa data de Fela e de sua notável fusão musical de influências africanas e suas raízes políticas radicais. Tenho me pegado ouvindo-o cada vez mais". 
A menção a Fela Kuti ocorre em um momento em que o U2 lança um EP focado em temas de protesto (guerra, imigração, direitos humanos), alinhando-se com a postura política histórica de Kuti.
Por fim, Adam elogiou a coletânea de material inédito de Mike Scott, vocalista do The Waterboys, intitulada 'Extras 1991-1996'. Ele comentou sobre o álbum: "Material inacabado que não entrou nos álbuns mais conhecidos. Sempre acompanhei a música do Mike e ainda ouço os discos dele dos anos 80 e 90".
Sobre o EP do U2 , Adam disse: "Eu vejo quão significativo tolerância e liberdade é nos temas em questão em 'Days Of Ash'. Estou empolgado com essas novas canções, parece que estão chegando na hora certa".

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Áudio: Bono & Elliott Wheeler - "American David"


Bono na trilha sonora de 'EPiC: Elvis Presley In Concert', com uma performance de spoken word de "American David".
A faixa de 48 segundos apresenta Bono recitando um poema que ele escreveu originalmente em 1995, musicado pelo compositor Elliott Wheeler. Nele, ele reflete sobre o impacto cultural de Elvis, descrevendo como o Rei "mudou o centro da gravidade, tornando-a instável".
"American David" é a faixa final da trilha sonora, lançada como parte de um projeto que reconstrói as lendárias performances de Elvis da década de 1970 para o público moderno. O álbum mescla gravações restauradas de Elvis com remixes contemporâneos e novas contribuições.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Imprensa escreve que 'Days Of Ash' reafirma o U2 como uma força política vital


Na Quarta-feira de Cinzas, 'Days Of Ash' do U2 foi lançado como uma coleção completa de cinco novas canções e um poema selecionado.
Este novo EP é uma resposta aos acontecimentos recentes, inspirado pelas muitas pessoas extraordinárias e corajosas que lutam na linha de frente da liberdade. Quatro das cinco faixas são sobre indivíduos – uma mãe, um pai, uma adolescente cujas vidas foram brutalmente interrompidas – e um soldado que preferiria estar cantando, mas está pronto para morrer pela liberdade de seu país.
Em uma crítica de quatro estrelas, Alexis Petridis, do The Guardian, considerou as músicas um retorno à boa forma do U2, afirmando que elas "reafirmaram a banda como uma força política vital" e que "o zelo, o propósito e a crença foram recuperados". 
As músicas foram comparadas ao álbum 'War', de 1983, do U2, e igualmente notadas por sua combinação de imagens bíblicas e mensagens políticas.
Una Mullally, do The Irish Times, descreveu a banda como "revigorada", com as músicas tendo uma "urgência surpreendente com poder e ternura". "The Tears Of Things" recebeu atenção especial, sendo descrita como "melodicamente e estruturalmente impressionante". A música "Yours Eternally" foi elogiada como "um sucesso imediato e vibrante".
A Billboard chamou 'Days Of Ash' de "uma coleção emocionante e clássica do U2" e sentiu que o U2 "encontrou o momento" com o material em sintonia com o clima político e social atual.
Escrevendo no The Daily Telegraph, o crítico Neil McCormick deu quatro de cinco estrelas para 'Days Of Ash' e o descreveu como o lançamento mais abertamente político e urgente do U2 em anos, comparando seus temas e intensidade ao trabalho da banda na era de protesto dos anos 1980. Ele destacou o foco do EP em conflitos globais contemporâneos e agitação social, observando uma mistura de agressividade punk e material mais reflexivo e melódico. McCormick destacou "The Tears Of Things" como uma faixa excepcional com um caráter poético, meditativo e atmosférico, com qualidades de hino. 
Pat Carty, no The Irish Independent, escreveu que 'Days Of Ash' foi o melhor lançamento deles em décadas e que "American Obituary", em particular, "soa como um navio de guerra se equilibrando em uma garrafa de leite".

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Rolling Stone Brasil: U2 soa frustrante no EP ‘Days Of Ash’ e tentativa de comentar sobre acontecimentos nos Estados Unidos, Palestina e Ucrânia peca pela superficialidade das músicas


Rolling Stone Brasil

O problema inerente de fazer músicas de protesto é a necessidade do timing certo. Algumas situações demandam tempo para o público compreender a dimensão do ocorrido. Às vezes, uma canção composta logo após o fato funciona pelo imediatismo; outras, não. O U2 é veterano nesse sentido, logo, deveria saber.
No entanto, não funcionou a tentativa da banda de comentar sobre os acontecimentos recentes nos Estados Unidos, em especial os sequestros de imigrantes conduzidos pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA) e a morte de Renee Good nas mãos de agentes do órgão. O EP 'Days Of Ash', lançado pouco mais de um mês após a tragédia, peca em diversos aspectos – nenhum tão grande quanto o timing.
A música "American Obituary" abre o material com guitarras punk – cortesia de The Edge – que remetem a canções antigas do U2 como "Vertigo" e o clima do álbum 'War' (1983). No entanto, o trecho de letra sobre Renee Good parece inserido de qualquer jeito na música. Como se a banda já tivesse essa faixa – em si já um rock de protesto um tanto vago – e resolveu adicionar uma parte superficial sobre a morte da americana.
Em seguida, há "The Tears Of Things", uma balada com subtexto religioso na qual Bono se imagina como a estátua de Davi, que fica no Vaticano. O eu lírico canta sobre ser libertado da sua prisão de mármore por seu criador, Michelangelo, e uma visita de Benito Mussolini enquanto o Holocausto ocorre.
A imagem da obra de arte usada como símbolo da superioridade cultural do Ocidente horrorizada com as ações à sua volta é forte, mas o vocalista parece desinteressado em se aprofundar no tema. Tanto que o refrão só repete o título da canção. Vago a ponto de ser frustrante.
O EP continua com talvez sua melhor canção, "Song Of The Future". Um rock com ecos de "While My Guitar Gently Weeps", dos Beatles, a letra não tem muita profundidade (a exemplo da passagem "O futuro, como todos sabem, e onde passaremos o resto de nossas vidas; Quem disse que o futuro está fechado? Nunca vi a promessa em seus olhos… liberdade"), mas ao menos não contém momentos nos quais Bono tenta ser específico sobre temas atuais.
O momento mais emocionalmente desconectado da realidade é talvez "Wildpeace". A banda recrutou a cantora Adeola Soyemi para recitar um poema de Yehuda Avishai. Apesar dos versos abordarem um ciclo infinito de guerra e barbárie, especificamente no Oriente Médio, a escolha de usar um autor israelense representa uma falta de noção por parte da banda.
As duas canções que fecham o EP, "One Life At A Time" e "Your Eternally" (a segunda com participação de Ed Sheeran e o cantor ucraniano Taras Topolia), continuam a exploração rasa de questões políticas atuais. Chega ao ponto de Bono soar condescendente. Na primeira citada, dispara a obviedade:

"O que você vê depende de onde você está
Como você cai depende de onde você aterrissa
O que você sabe é mais do que te disseram
O que você sente molda tudo o que você vê
Encontrar o mapa e perder o território
Essa é a nossa história"

A questão ao longo da carreira do U2 é: apesar de ser conhecida como uma banda politizada, quando Bono e companhia tentam fazer uma canção explicitamente sobre um acontecimento, os erros são mais frequentes que os acertos. 'Days Of Ash' infelizmente continua essa tendência.

Nadejda Tolokonnikova do Pussy Riot faz backing vocal em canção de 'Days Of Ash' do U2


"Yours Eternally", faixa que encerra o novo EP do U2, 'Days Of Ash', tem vocais de Ed Sheeran e Taras Topolia, que faz parte da banda ucraniana Antytila e lutou na linha de frente da guerra com a Rússia.
A ideia é servir como um hino de resistência para a Ucrânia, gravado com um coro internacional que ainda tem nomes como Bob Geldof e sua esposa Jeanne Marine.
Nadejda Tolokonnikova do Pussy Riot também gravou seu vocal no coro da canção.


A Justiça russa anunciou que o grupo punk Pussy Riot, formado por Maria Alyokhina, Nadejda Tolokonnikova e Ekaterina Samoutsevitch, é considerado uma "organização extremista", e proibiu suas atividades no país.
A informação foi divulgada por um tribunal de Moscou. O grupo integra agora a lista russa de "terroristas e extremistas", que inclui a Fundação Anticorrupção do opositor Alexei Navalny, morto em 2024, a empresa Meta e o "movimento internacional LGBT". A classificação permite mobilizar recursos jurídicos para silenciar qualquer crítica ao poder na Rússia. 
Em 29 de fevereiro de 2008, como integrante do grupo Voiná (Guerra), Tolokonnikova participou de uma performance realizada no Museu de Biologia sob o lema "Foda Para O Ursinho Herdeiro", um protesto pela transferência da presidência das mãos de Putin a Dmitri Medvedev, cuja tradução do sobrenome é justamente "urso". Vários casais, incluindo Tolokonnikova, que estava em gravidez avançada (daria à luz uma menina, Guera, em março) tiraram as roupas e começaram a praticar sexo (ou a simular) diante do público e das câmeras. 
Em 2010 esteve entre os que desenharam um enorme pênis na ponte basculante de Liteini, em São Petesburgo, que, ao se levantar à noite para a passagem dos barcos, ficou diante da Casa Grande, a sede do Serviço de Segurança da cidade.
O coletivo feminista se opõe há anos ao presidente Vladimir Putin e ficou conhecido em 2012 com uma "oração punk" pedindo à Virgem Maria para "expulsar" o presidente russo, cantada na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou. A ação foi uma crítica ao apoio da Igreja Ortodoxa Russa à campanha de Putin. 
Milhões de pessoas se sentiram profundamente afetadas. Além disso, até mesmo entre os liberais, praticamente ninguém apoiou de fato tal ação.
A decisão do tribunal era esperada pelos membros do grupo. "Esses idiotas trabalham nisso há anos, pelo menos desde 2012", escreveu Nadejda Tolokonnikova em mensagem publicada na conta do grupo na rede social X. A postagem veio acompanhada do trecho de uma entrevista concedida por Nadya em 2012, quando ela estava detida em uma colônia penal após participar da "oração punk".
"Essa lei foi criada para apagar Pussy Riot da mente dos cidadãos russos", declarou o grupo em sua conta no Facebook, antes da decisão judicial. "Há anos estamos no radar, mas ser designadas como organização extremista dá ao Estado mais meios jurídicos para punir qualquer pessoa que tenha algum tipo de conexão conosco", afirmou o grupo.
As integrantes da banda se dizem preocupadas com "a segurança dos apoiadores do Pussy Riot que não podem deixar a Rússia ou que escolhem permanecer lá". 
Em 2018, a Corte Europeia de Direitos Humanos condenou o governo de Putin a pagar indenização de € 32 mil às três ativistas, poucos dias após invadirem o campo durante a final da Copa do Mundo, em Moscou, entre França e Croácia.
As três integrantes da banda e um homem, vestindo uniformes de polícia, interromperam por alguns instantes a partida antes de serem detidos. O objetivo da ação foi pedir a libertação de todos os prisioneiros políticos no país.
As integrantes da banda foram condenadas por seu ativismo a penas de prisão e hoje vivem no exílio. Em 2021, Maria Aliokhina conseguiu sair clandestinamente da Rússia disfarçada de entregadora de comida.
Depois da condenação das Pussy Riot à prisão, o U2 assinou a carta da Anistia Internacional que pedia sua libertação da prisão.

"Chatice Panfletária" e "Onde Foi Parar O Rock?": O Globo e Folha De São Paulo escrevem sobre o lançamento de 'Days Of Ash' do U2


O Globo

O U2 bateu ponto na sua cruzada pelos direitos humanos ao lançar de surpresa o EP 'Days Of Ash', sua primeira coletânea de músicas autorais desde 2017. São seis faixas que versam sobre guerra e paz, homenageando vítimas de conflitos violentos mundo afora. Embora o trabalho tenha chegado sem aviso, o teor de protesto das canções não é surpresa para ninguém. Desde 'War' (1983), um dos melhores discos da banda irlandesa, a caneta de Bono sempre foi uma espécie de megafone em prol dos fracos e oprimidos, e é ótimo que assim seja. A arte sempre esteve mesmo a serviço da manifestação sociopolítica. Tudo certo. Mas canções de protesto sempre podem soar piegas, é um risco que se corre, ainda que seja marca registrada de seus autores a luta sincera por um mundo melhor. Quando não acompanhadas de melodias criativas, boas sacadas sonoras, quando priorizam o discurso deixando a inventividade musical de lado, viram chatice panfletária. É o que acontece aqui, em alguma medida, com 'Days Of Ash'.
Ninguém duvida das boas intenções de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. O mundo agradece. É louvável, aliás, a coerência do grupo que sempre se posicionou do lado certo da História — ainda que certo, muitas vezes, seja um conceito relativo. Papo para outra hora. Fato é que, depois de quase uma década sem músicas novas, vá lá, talvez os fãs merecessem mais do ponto de vista melódico. 'Days Of Ash' não empolga. A boa notícia é que a própria banda avisou, paralelamente ao lançamento do EP, que um novo álbum está por vir, ainda este ano. Mas os protestos "não podiam esperar", disse Bono em comunicado no site oficial do U2. "São músicas que tinham pressa para chegar ao mundo, canções de desafio e consternação", escreveu.
A coisa até começa muito bem com a ótima "American Obituary", primeira faixa do EP. Foi dedicada a Renee Good, americana mãe de três filhos morta por agentes do ICE, a truculenta Agência de Imigração dos Estados Unidos no governo Trump. Está lá o DNA daquele U2 pós-punk, enérgico, das guitarradas expansivas com o selo The Edge de preenchimento sonoro, lance fino para ouvir com um bom fone.
Mas tudo já desanda em "The Tears Of Things", uma crítica ao fundamentalismo religioso inspirada em um livro do frei franciscano Richard Rohr, onde Bono imagina um diálogo entre "Davi", de Michelangelo, e o próprio artista. É lenta, melada, morosa, e tem recursos cafonas, como, lá pelas tantas, as vozes duplicadas que soam como robôs. "Song Of The Future", a terceira do álbum, é um tributo a Sarina Esmailzadeh, adolescente de 16 anos que foi morta a pauladas pelas forças de segurança iranianas, em 2022. É chicletinho de rádio, à la Coldplay, não faz feio, mas passa batida.
Pausa para "Wildpeace", um poema do poeta israelense Yehuda Amichai (1924-2000) que, lido pela cantora Adeola, se comporta como um interlúdio para o ouvinte respirar. Respiramos, e chegamos em "One Life At A Time", quinta faixa do EP, feita em homenagem ao ativista e professor palestino Awdah Hathaleen, morto por um colono israelense na Cisjordânia em 2025. Ninguém vai poder julgar aquele que disser que é a música mais chata já lançada pelo U2.
Aí vem "Yours Eternally", última faixa do EP, com participação do músico britânico Ed Sheeran e de Taras Topolia, soldado ucraniano que serviu na guerra contra a Rússia e que é músico na banda Antytila. Miraram num hino de resistência da Ucrânia contra os russos, acertaram num jingle tosco de propaganda de paz entre os povos, todos de mãos dadas, camisas brancas, flores e algum QR code no canto da tela da TV. Outra chatice previsível que não pede repeat.
Bono e companhia podem estar dormindo com a consciência limpa, mas os fãs mereciam mais.

Folha De São Paulo

Quem já foi messias nunca deixa de carregar esse fardo. Nas duas últimas décadas do século passado, os irlandeses do U2 criaram um rock politizado tão amplamente aceito que credenciou a banda a tentar se tornar a maior do planeta.
Nunca conseguiu atingir essa condição, mas, apesar da produção mais recente de discos genéricos, manteve a aura de ativismo, sempre se posicionando diante do xadrez geopolítico global. Durante um bom tempo, o vocalista Bono não desgrudava dos líderes mundiais que pareciam estar do lado certo do jogo.
Assim, estava causando estranheza o silêncio do U2 diante de um mundo em desalento com Donald Trump, Ucrânia, Gaza e outras desgraças. Chega então 'Days Of Ash', um EP com seis faixas inéditas no qual o U2 parece querer apagar a fase de inércia com canções explicitamente políticas.
O lançamento enlouquece milhões de fãs, mas quem deixar de lado a alegria pelo retorno para escutar o EP com um mínimo de senso crítico pode acabar concordando — o disquinho tem apenas uma música boa, "The Tears Of Things". É pouco para a quase maior banda do planeta.
O conjunto de canções traz uma certa "rebeldia burocrática", dois conceitos que não funcionam bem juntos. Citando em várias faixas personagens reais como os soldados ucranianos enfrentando a invasão russa, os palestinos massacrados em Gaza e mártires na opressão feminina em lugares como Sudão e Irã, a banda fica presa na panfletagem cantada sobre músicas comportadas. E onde foi parar o rock?
Na teoria, a carga roqueira deveria vir forte na faixa de abertura, "American Obituary", cuja pretensa vocação para hino contra Trump se perde em jogos de palavras de Bono. "Eu amo você mais do que o ódio ama a guerra" é de um nível ginasiano.
Falando sobre a morte da americana Renée Nicole Good, assassinada no mês passado, em Minneapolis, pela polícia de imigração de Trump, a canção pode funcionar bem ao vivo. Mas é clichê, seguindo uma irritante cartilha de hits para grandes arenas que o U2 ajudou a criar.
O lançamento do EP se dá com seis videoclipes "Lyric Video", que exibem na tela a transcrição dos versos enquanto são cantados. A banda nunca aparece, então quem assiste é martelado por imagens conceituais. E o visual pode até piorar as coisas. No caso de "American Obituary", é constrangedor mostrar uma pomba branca presa em uma pequena gaiola. O público do U2 merece mais do que uma simbologia barata.
Exceção no EP, "The Tears Of Things" parte de uma ideia bem original e sabe desenvolvê-la de um jeito esperto. A letra é narrada por David de Michelangelo. A famosa estátua do início do século 16 se define como um menino que Michelangelo extraiu de um bloco de mármore e fica amedrontado diante do mundo. Uma balada singela, a única música do pacote que poderia estar em um bom álbum da banda sem fazer feio.
"Song Of The Future" e "One Life At A Time" são dois rocks frouxos, típicos da fase mais recente da banda, e seus videoclipes destacam ativistas assassinados por governos opressores. Já "Wildpeace" é fora da curva — uma curta faixa de "spoken word". A letra é um poema do israelense Yehuda Amichai, lido pela nigeriana Adeola. Belos versos, numa pausa das guitarras no EP.
Para fechar o disco, uma música de apelo pop e emocional. "Your Eternally" fala de soldados separados das famílias na guerra da Ucrânia. É perfeita para grandes arenas, com boa parte do vocal a cargo de Taras Topolia, cantor da banda ucraniana Antytila, que também participa do clipe. E tem mais um convidado na faixa: Ed Sheeran, para escancarar a vontade de soar pop.
As canções do EP fazem uma bagunça na proposta musical. O que une todas é a panfletagem política. Bono já deu entrevistas dizendo que o próximo álbum do grupo, talvez para o final do ano, será muito diferente, musicalmente falando.
Fica assim a sensação de que o U2 lançou 'Days Of Ash' para justificar a fama de ativismo da banda que andava um pouco na geladeira. Para quem não é fã de carteirinha, é mais uma curiosidade do que um disco arrebatador.

Bono comenta as críticas que recebeu na Irlanda sobre suas declarações públicas a respeito do massacre em Gaza


The Journal (Irlanda)

Em entrevista à revista oficial do U2, Bono falou sobre as críticas que recebeu na Irlanda sobre suas declarações públicas a respeito do massacre em Gaza.
A conversa surge no momento em que o vocalista e letrista do U2 fala sobre "One Life At A Time", uma nova canção inspirada em Awdah Hathaleen, o ativista palestino assassinado a tiros por um colono israelense na Cisjordânia no ano passado.
Bono descreve Hathaleen como "um palestino extraordinário" que foi "assassinado na Cisjordânia por um colono israelense fundamentalista e violento".
O U2 lançou um EP de seis músicas com forte teor político, intitulado 'Days Of Ash'. As canções abordam situações violentas da nossa época, incluindo a violência letal de agentes do ICE em Minneapolis, o assassinato de manifestantes no Irã e a guerra na Ucrânia.
A banda também presta homenagem a Hathaleen, e Bono deu mais detalhes sobre a inspiração para a revista do U2, Propaganda.
Hathaleen, um professor de 31 anos, pai de três filhos e líder comunitário local, estava parado junto a uma cerca na cidade de Umm al-Khair quando foi atingido no peito por um tiro disparado por um colono israelense.
Um vídeo gravado da cena caótica parece mostrar Yinon Levi, que já havia sido sancionado pelos EUA e pelo Reino Unido por incitar a violência, atirando em Hathaleen. Testemunhas também afirmaram que Levi foi quem disparou o tiro fatal.
Umm al-Khair é uma das muitas comunidades palestinas na Cisjordânia ocupada por Israel, onde cerca de três milhões de palestinos vivem ao lado de aproximadamente 500 mil colonos israelenses.
Todos os assentamentos no território, ocupado desde 1967, são considerados ilegais sob o direito internacional.
O motivo pelo qual o assassinato de Hathaleen provocou uma onda de condenação internacional se deve ao documentário vencedor do Oscar, 'No Other Land', que narra a história da vida sob ocupação na Cisjordânia.
Em uma conversa sobre o tom das músicas do novo EP, Bono as descreve como "desafiadoras", acrescentando que se tratam "do momento em que gostaríamos de não estar, mas estamos".
"Outra faixa, "One Life At A Time", é nossa tentativa de oferecer uma bela melodia como, espero, uma espécie de bálsamo, inspirada por um palestino extraordinário", diz Bono.
"Awdah era pai de três filhos pequenos, professor, ativista comunitário e cineasta. Ele foi assassinado na Cisjordânia por um colono israelense fundamentalista e violento... esse colono era conhecido por aterrorizar comunidades palestinas e, até onde sei, não foi levado à justiça".
Ele acrescenta: "É horrível. Uma vida de cada vez é uma espécie de sugestão existencial: podemos mudar o mundo para melhor ou para pior... uma vida de cada vez".
A letra da música em si não menciona Hathaleen pelo nome, mas o videoclipe que a acompanha apresenta sua imagem em destaque.
As legendas na tela dizem que ele era um "ativista da não violência" e que "não houve justiça ou punição para seu assassino".
O videoclipe também apresenta os muros e torres de vigia que se tornaram símbolos da Cisjordânia, com um tanque de fabricação americana aparecendo perto do final.
As palavras Israel ou Palestina também não aparecem na música, o que a torna mais sutil para o ouvinte do que, por exemplo, a faixa principal do EP, "American Obituary".
Alguns críticos podem observar que a música opta por abordar a violência dos colonos na Cisjordânia e não o genocídio em Gaza.
Em uma declaração conjunta da banda em agosto passado, o U2 condenou o governo israelense por suas ações em Gaza, com Bono admitindo também ter "discutido o assunto".
Na entrevista à Propaganda, Bono é questionado diretamente sobre isso e sobre o que o entrevistador chama de "dificuldades" que tem enfrentado, "especialmente na Irlanda, por parte daqueles que acham que você não tem se manifestado o suficiente sobre o que está acontecendo em Gaza".
Em resposta, Bono disse: "Os irlandeses, em geral, não gostam de valentões... embora, é claro, em nossos esforços para combatê-los, às vezes possamos nos tornar valentões rapidamente... enquanto nos achamos superiores, podemos atropelar qualquer um que trilhe um caminho diferente para o mesmo lugar".
Ele acrescentou: "Eu nunca vi dessa forma. Quando se trata de direitos humanos e injustiça, se as pessoas estão trabalhando em causas diferentes das minhas, isso é bom, na minha opinião. Escrevi sobre Israel e Gaza, mas em termos de ações, tenho me concentrado nas coisas que conheço melhor. Como a destruição da USAID, as ameaças ao trabalho que fazemos na ONE e na (RED)".
ONE e (RED) são organizações criadas por Bono para combater a pobreza extrema e a AIDS, principalmente na África.
Mais adiante na entrevista, Bono volta a falar sobre Gaza, dizendo: "O estupro, o assassinato e o sequestro de israelenses em 7 de outubro foram atos malignos… Mas a autodefesa não justifica a brutalidade desenfreada da resposta de Netanyahu, comprovada pela morte de dezenas de milhares de palestinos inocentes".
Como Bono mencionou, até o momento ninguém foi acusado pelo assassinato de Hathaleen, mas o jornal israelense Haaretz noticiou na semana passada que um indiciamento contra Yinon Levi está sendo planejado.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

'Days Of Ash', o novo EP do U2, com sua forte ênfase política, funciona?


Hot Press

O editor da Hot Press, Niall Stokes, deu sua primeira impressão sobre o lançamento do novo EP politicamente carregado do U2, 'Days Of Ash'.
"Sempre existe uma certa apreensão quando se ouve um novo disco lançado às pressas assim", disse ele a Gavin Jennings no programa Morning Ireland, da RTÉ. "É o primeiro trabalho inédito do U2 desde 'Songs Of Experience', em 2017 – faz muito tempo".
A sensação de apreensão foi intensificada pelas dificuldades que o baterista Larry Mullen enfrentou nos últimos anos.
"Eles passaram, nesse meio tempo, pela experiência de ir a Las Vegas e tocar no The Sphere sem o Larry", acrescentou Stokes. "Havia uma sensação de que as pessoas não sabiam se Larry conseguiria voltar ao U2, porque ele estava sofrendo com problemas sérios nas costas e com sua capacidade de tocar. Então é maravilhoso ver os quatro juntos novamente – e, claro, a ótima foto de Anton Corbijn que acompanha o EP. Os quatro juntos, a banda de volta à sua formação original – e arrasando com este novo disco".
E será que o novo EP, com sua forte ênfase política, funciona?
"Quando Bruce Springsteen lançou "Streets Of Minneapolis", houve uma verdadeira onda de emoção, em um determinado momento da música, pelo fato de que se tratava de um grande artista abordando uma das maiores tragédias da nossa época, que é a forma como Donald Trump permitiu a ascensão do fascismo nos EUA – e esse sentimento também é muito forte em "American Obituary", que é uma ótima canção".
A faixa principal do EP 'Days Of Ash', "American Obituary", é uma poderosa homenagem a Renee Good, uma mulher que Bono descreve como "comprometida com a desobediência civil não violenta" e que foi assassinada por agentes do ICE nas ruas de Minneapolis. Há um verso que diz: 'O poder do povo é muito maior do que o poder daqueles que estão no poder'", disse Niall Stokes a Gavin Jennings. "Há um senso de otimismo nisso, que me lembra Patti Smith e sua ótima canção "People Have The Power", de 1988".
Se esse senso de otimismo prevalecerá ou não, ainda está por se ver, diz Stokes. Mas o importante é que a resistência da banda às crescentes injustiças em todo o mundo – que lembra o U2 nos anos entre 'War' e 'The Joshua Tree', e evoca canções como "Sunday Bloody Sunday" e "Bullet The Blue Sky" – está de volta.
“Há um forte senso", disse Stokes ao programa Morning Ireland, "de que o U2 está voltando às suas raízes – suas raízes políticas – e ao seu envolvimento com o Greenpeace e a Anistia Internacional nos anos 80, e se reconectando com o mundo nesse sentido político muito forte e direto".
Gavin Jennings destacou que o U2 tem sido criticado por não ser suficientemente político nos últimos anos.
"Acho que há algo muito importante a dizer sobre isso", observou Stokes. "É absolutamente errado esperar que um artista escreva a música que eles acham que deveriam escrever. As músicas vêm de dentro e falam de obsessão – e você pode ouvir e sentir isso nessas canções. Certamente, o U2 foi muito forte em todas as etapas de sua reação ao que aconteceu na Ucrânia e à invasão de Putin. Eles foram tocar nas ruas com o músico que se tornou soldado, Taras Topolia – que é o centro de "Yours, Eternally", que é imaginada como uma carta escrita por um soldado na linha de frente. Isso é muito impactante".
"Yours Eternally" conta com a participação de Ed Sheeran e do próprio Taras Topolia. "Não durma", diz o refrão, "Nem pense nisso/ Não precisa/ Talvez só um pouquinho/ Ainda sonhe/ Em acordar livre/ Como podemos ser".
"É a música mais 'pop' do EP e acho que vai tocar bastante nas rádios", disse Stokes ao programa Morning Ireland.
Mais uma vez, há um sentimento de otimismo implícito, com Bono especulando esperançosamente que "No caos da Terra/ Encontraremos beleza".
"One Life At A Time" foi escrita para Awdah Hathaleen, um professor que vivia na Cisjordânia e participou da produção do aclamado documentário vencedor do Oscar 'No Other Land' – no qual palestinos e israelenses trabalharam juntos. Awdah Hathaleen foi assassinado a tiros pelo "colono" israelense – um eufemismo para ladrão de terras – Yinon Levi. Até o momento, ninguém foi levado à justiça pelo crime. 93,6% dos casos de terrorismo de "colonos" contra palestinos terminam sem qualquer processo.
"Bono está em ótima forma com seus aforismos e versos que nos fazem refletir", disse Stokes, referindo-se a uma pergunta feita em "One Life At A Time": "Se não há lei, não há crime?" Há outro verso que adoro nessa música. Diz o seguinte: 'Olhe ao redor/ O que você vê depende de onde você está/ Como você cai depende de onde você aterrissa'. Bono sempre foi um criador de frases marcantes, e essa é uma das características mais impressionantes deste lançamento".
"Song Of The Future" fala sobre Sarina Eshmail Zadeh, de 16 anos, vítima da polícia moral no Irã, quando se juntou aos protestos do movimento Mulheres, Vida e Liberdade.
"O refrão é lindo", acrescenta Stokes, "encontrando a musicalidade no nome Sarina. Mas há outro verso que expressa algo que pode parecer óbvio, de uma forma brilhantemente original, quando Bono declara: 'O futuro, como todos sabem/ É onde você vai passar o resto da sua vida'. Ele tem um talento fantástico para salpicar as músicas do U2 com essas pérolas de sabedoria indiretas. Há outro exemplo em "The Tears Of Things", quando ele observa: 'Quando as pessoas saem por aí falando com Deus/ Sempre termina em lágrimas'. Tenho revisitado uma entrevista que fiz com Bono no final de 2001 para o nosso próximo livro, 'History In The Making: The Book Of Hot Press Interviews'. A conversa ocorreu no final do ano em que o pai de Bono, Bob, faleceu, o U2 se apresentou duas vezes no Castelo de Slane – e após os eventos que marcaram época, o 11 de setembro, que aconteceu pouco depois do segundo show em Slane. A discussão sobre as três religiões de Abraão e o que Bono tinha a dizer sobre elas foi realmente fascinante. E continua sendo, porque tudo isso é extremamente relevante agora, num momento em que atrocidades terríveis estão sendo cometidas em nome das três religiões – pelo governo e exército de Israel em Gaza; pelo governo iraniano reprimindo protestos com o assassinato de seus próprios cidadãos; e com o movimento supremacista cristão branco criando um novo clima de racismo, erosão dos direitos civis e opressão violenta que levou ao assassinato de pessoas nas ruas dos Estados Unidos pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA).
A consciência da profundidade e da escala dos desafios que enfrentamos atualmente permeia o EP 'Days Of Ash'. Portanto, é um disco que – assim como "Streets Of Minneapolis", de Bruce Springsteen – foi feito para um lançamento imediato e rápido. Há algumas arestas a serem aparadas musicalmente – mas isso é bom. Com o som de guitarra característico de Edge, Larry encontrando o ritmo na bateria, o baixo flexível de Adam e Bono à frente tecendo um feitiço narrativo, há uma sensação realmente revigorante de que o U2 encontrou uma unidade coletiva e um senso de propósito aqui".
Leva tempo para saber com certeza o quanto você ama um disco, reflete Stokes agora. Mas sua conclusão no programa Morning Ireland foi otimista.
"Há muita coisa brilhante neste disco", disse ele. "É o U2 em sua melhor forma no rock".

Canção de Bob Dylan inspirou faixa em 'Days Of Ash' do U2


O U2 retornou com um EP surpresa de seis músicas, 'Days Of Ash', no qual abordam pontos críticos políticos ao redor do mundo, incluindo as batidas do ICE nos EUA, os levantes iranianos, a guerra na Ucrânia e os assentamentos israelenses na Cisjordânia.
O EP começa com "American Obituary", dedicada a Renee Good, morta por agentes do ICE em Minneapolis durante um protesto. 
Em uma nova entrevista para a revista Propaganda, do U2 — que está sendo relançada como uma edição digital única e também estará disponível impressa em lojas selecionadas — Bono fala sobre a música. "O ritmo da letra é uma referência a uma das minhas músicas favoritas do Bob Dylan, "It's Alright Ma (I'm Only Bleeding)"", diz ele. "Na música dele, a criança canta para a mãe, e na nossa, a mãe canta para os filhos: 'Eu amo vocês mais do que o ódio ama a guerra'."
"It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding)" é uma canção escrita e interpretada por Bob Dylan, lançada originalmente em seu álbum de 1965, 'Bringing It All Back Home'. 
A letra expressa a raiva de Dylan em relação à hipocrisia, ao comercialismo, ao consumismo e à mentalidade bélica percebidos na cultura americana da época. As preocupações de Dylan nas letras, no entanto, vão além do sociopolítico, expressando questões existenciais e abordando assuntos urgentes da experiência pessoal.

U2 fala do EP politicamente carregado 'Days Of Ash'


The Guardian

O U2 lançou sua primeira coleção de músicas inéditas desde 2017 – um EP politicamente carregado intitulado 'Days Of Ash', que aborda uma série de mortes de grande repercussão global, incluindo o assassinato de Renee Good por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos).
Good, mãe de três filhos, morta em 7 de janeiro enquanto protestava contra a atuação do ICE em Minneapolis, é o tema da faixa de abertura, "American Obituary".
"Renee Good, nascida para morrer livre / Mãe americana de três filhos / sétimo dia de janeiro / uma bala para cada filho, como você pode ver", canta Bono na música hard rock, após um riff direto e impactante de The Edge. "Renee, a 'terrorista doméstica'? / O que você não pode matar não pode morrer / A América se levantará contra o povo da mentira".
Em uma extensa entrevista publicada em um fanzine que acompanhou o lançamento do EP de seis músicas, uma continuação dos fanzines Propaganda que a banda começou a enviar aos fãs na década de 1980, Bono descreveu Good como "uma mulher comprometida com a desobediência civil não violenta".
Ele disse estar profundamente perturbado por ela ter sido rotulada de terrorista doméstica por Kristi Noem, chefe do Departamento de Segurança Interna dos EUA. "Isso foi uma tentativa de assassinar o próprio significado, o significado das palavras, o significado da verdade", disse Bono. "Se você deixar as pessoas saírem impunes disso, pode dar adeus à sua democracia". Ele pediu uma investigação independente sobre a morte de Good.
Em "Song Of The Future", a banda se concentra no movimento de protesto 'Mulheres, Vida, Liberdade' no Irã, que lutava pelos direitos das mulheres. Eles mencionam Sarina Esmailzadeh, que morreu em setembro de 2022, aos 16 anos, após ser espancada pelas forças de segurança iranianas durante os protestos, segundo uma investigação da Anistia Internacional. Autoridades iranianas alegaram que ela cometeu suicídio.
Bono canta: "Sarina, Sarina, ela é a canção do futuro que toca na minha mente". Em sua entrevista, ele caracteriza a classe dominante do Irã como "uma classe sacerdotal de homens cuja interpretação subjetiva do texto sagrado se torna um porrete para esmagar a cabeça de qualquer um que discorde".
A canção "One Life At A Time" é sobre Awdah Hathaleen, um ativista palestino que foi morto na Cisjordânia em julho de 2025 por um colono israelense. Hathaleen havia trabalhado no filme vencedor do Oscar 'No Other Land". Bono chamou o assassinato de "hediondo" e disse que esperava que a música fosse "um bálsamo".
"The Tears Of Things" leva o nome do livro de Richard Rohr, que aplica a sabedoria dos profetas judeus para abordar a violência e a raiva nos dias de hoje. A letra imagina uma conversa entre o Davi de Michelangelo e seu escultor. 
O EP também inclui a recitação de um poema do poeta israelense Yehuda Amichai, intitulado "Wildpeace", lido pelo músico nigeriano Adeola com música do U2.
Bono disse: "É a força moral do judaísmo que ajudou a moldar a civilização ocidental" e celebrou os "matemáticos, cientistas, escritores judeus, sem mencionar os compositores". Ele acrescentou: "Assim como a islamofobia, o antissemitismo deve ser combatido sempre que o presenciamos. O estupro, o assassinato e o sequestro de israelenses em 7 de outubro foram atos malignos, mas a autodefesa não justifica a brutalidade generalizada da resposta de Netanyahu".
Bono também reconheceu as vidas perdidas e os deslocados durante o conflito no Sudão e criticou o governo Trump pelo corte na ajuda externa dos EUA. Ed Sheeran participa da faixa de encerramento, "Yours Eternally", ao lado do músico ucraniano e ex-soldado Taras Topolia, que inspirou a canção, cantada como uma carta de um soldado em serviço no conflito com a Rússia. Sheeran havia intermediado um encontro entre Topolia, Bono e The Edge, que acabou acontecendo quando os três tocaram em uma estação de metrô de Kiev transformada em abrigo antibombas, em maio de 2022.
"Pergunte a qualquer pessoa na Alemanha Oriental, na Polônia ou na Letônia se eles acham que Putin vai parar na Ucrânia se puder?", disse Bono. "Ele encontraria uma desculpa para invadir a Irlanda se isso lhe conviesse". Ele elogiou Sheeran como um "turbilhão de talento" e Topolia como alguém que tem "esse senso de humor sombrio e espírito desafiador que amamos na melhor música rock’n’roll".
Um curta-documentário que acompanha "Yours Eternally", dirigido pelo cineasta ucraniano Ilya Mikhaylus, que acompanhou soldados ucranianos na linha de frente, será lançado em 24 de fevereiro para marcar o quarto aniversário da invasão russa.
No fanzine que acompanhou o lançamento, The Edge escreveu: "Acreditamos em um mundo onde as fronteiras não são apagadas pela força. Onde a cultura, a língua e a memória não são silenciadas pelo medo. Onde a dignidade de um povo não é negociável. Essa crença não é temporária. Não é uma moda política. É o alicerce em que nos apoiamos. E estamos juntos nessa posição".
Larry Mullen Jr. acrescentou em uma entrevista: "Desde os nossos primórdios, trabalhando com a Anistia Internacional ou o Greenpeace, nunca nos esquivamos de tomar uma posição e, às vezes, isso pode gerar algumas complicações, sempre há algum tipo de reação negativa, mas é uma parte importante de quem somos e do porquê de ainda existirmos".
Em outra parte da revista, o baixista Adam Clayton compartilhou suas escolhas culturais (incluindo a banda Geese e a escritora Deborah Levy) e destacou a importância da "tolerância, da liberdade e da escolha de não julgar precipitadamente".
Bono também delineou sua visão para um "centro radical" na política.
"A morte da verdade é o nascimento do mal", disse ele. "Tenho confiança de que os justos se levantarão contra essa aberração. Tenho muitos amigos conservadores queridos que estão tão preocupados com a extrema direita quanto meus amigos democratas estão preocupados com a extrema esquerda. Certamente o mundo precisa de um 'centro radical' que se inspire em ambas as tradições".
Apesar do conteúdo político do EP e da composição e ativismo do U2 em geral ao longo dos anos, ele reconheceu que "temos que ser parcimoniosos com a nossa amplificação de mensagens políticas… Sugiro racionar as más notícias, pois há um limite para o que uma alma pode suportar".
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