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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Reviews irlandeses sobre o documentário 'Bad – The Song That Saved My Life'


Irish News

Seria incrível poder dizer às pessoas que uma das músicas mais famosas do U2 foi escrita sobre você. Mas "Bad", escrita sobre um amigo de infância de Bono, fala sobre a decadência de um homem no desespero causado pelo vício em drogas.
Andy "Guck" Rowen teve a sorte de sobreviver a décadas de abuso de heroína e crack, e conseguiu contar sua história neste documentário de longa-metragem da RTE, 'Bad: The Song That Saved My Life'.
Ao todo, Bono escreveu três músicas sobre Guck: "Bad", do álbum 'The Unforgettable Fire' de 1984, e "Running to Stand Still", do álbum 'The Joshua Tree' de 1987.
Menos conhecida é "Raised By Wolves", que apareceu no álbum 'Songs Of Innocence' em 2014, quando a maioria das pessoas já havia parado de ouvir U2.
Guck era um dos filhos da família Rowen, que morava ao lado de Bono, então conhecido simplesmente como Paul Hewson.
Um de seus irmãos, Derek "Guggi" Rowen, é considerado um dos amigos mais próximos de Bono e, após a morte da mãe de Bono aos 14 anos, ele passou muito tempo na casa dos Rowen.
Bono viu o melhor e o pior de seu pai naquela época. Ele diz que Robert Rowen influenciou muito sua fé católica, mas também testemunhou sua extrema violência contra os filhos.
Guck, um aluno muito promissor, parece ter sido o que mais sofreu com isso, além de ter testemunhado a destruição causada pela bomba da UVF na Rua Parnell, em maio de 1974.
Ele e seu pai saíram ilesos, mas Guck, então com 11 anos, descreve comoventemente o medo e a necessidade de conforto que sentiu quando seu pai saiu da van para ajudar os mortos e feridos.
Ele tentou correr atrás dele, desesperado pela proteção do pai, mas foi mandado de volta para a van.
Guck descreve a situação em que se encontrava parado, no meio da rua, congelado, sem conseguir decidir o que era melhor ou pior: voltar sozinho e assustado para a van ou arriscar a ira de seu pai violento desobedecendo à sua ordem.
Enquanto ele estava ali parado, ouviu-se o estrondo aterrador de outras duas bombas explodindo em ruas próximas.
Após a detonação de uma quarta bomba em Monaghan Town, 33 pessoas morreram.
Amigos estabelecem uma ligação direta entre esse trauma e o posterior mergulho de Guck no vício, que começou aos 16 anos.
Não há nada de bom nisso tudo.
Ele teve oito filhos com sete mulheres diferentes, mas não foi pai de nenhum deles. "Eu não conseguia cuidar de mim mesmo naquela época", diz ele.
Ele causou tantos danos ao seu corpo que ainda sofre as consequências, apesar de estar sóbrio há cerca de 15 anos.
Os cineastas o acompanharam por três anos e, na fase final do documentário, Guck havia perdido a visão.
Há outras coisas horríveis. Ele descreve como suas costas estão cobertas de tatuagens feitas quando ele tinha lapsos de memória induzidos por drogas.
"Eu era como uma parede de banheiro onde as pessoas escreviam coisas", diz ele.
Bono fala com carinho de Guck. "Minhas pessoas favoritas são sobreviventes", diz ele.
E apesar de não manterem contato regular, Bono foi pelo menos parte do catalisador para que Guck finalmente se livrasse do vício.
Guggi providenciou para que ele fosse a Cleveland, nos EUA, para tentar uma clínica de reabilitação longe da vida de drogas que conhecia em Dublin e Londres.
Em seu primeiro dia, ele fez um tour pela cidade e visitou o Rock And Roll Hall Of Fame.
Guck diz que estava entediado e prestes a ir embora quando se deparou com uma prateleira cheio de itens do U2, e lá, na vitrine, estava a letra manuscrita de Bono para "Bad".
Foi uma epifania para Guck, que completou o curso de seis meses para dependentes químicos e nunca mais olhou para trás.
Mas antes de voltar para Dublin, ele foi assistir a um dos últimos shows da turnê 360° do U2.
Para sua surpresa, Bono percebeu sua presença e cantou "Bad" em sua homenagem.
Sua vida quase completou um ciclo.

The Irish Times

Quando Bono crescia na zona norte de Dublin, a pessoa mais inteligente que ele conhecia era seu vizinho, Andy "Guck" Rowen. "Ele provavelmente tinha o QI mais alto de qualquer criança da nossa rua, e às vezes parecia que ele tinha memorizado a Enciclopédia Britânica", relembra o vocalista do U2 no envolvente, embora muitas vezes sombrio, documentário de Maurice Sweeney, 'Bad: The Song That Saved My Life'.
Os dois se aproximavam e se afastavam da vida um do outro enquanto Bono lidava com a morte da mãe, formava o U2 e se tornava um astro do rock mundial. Enquanto Bono ascendia à fama internacional, Rowen entrava em espiral descendente – recorrendo à heroína para lidar com uma criação abusiva, agravada pelo trauma de ter presenciado de perto o atentado a bomba em Dublin em 1974 (ele e seu pai tiveram sorte de não morrer na explosão na Rua Parnell).
Bono jamais se esqueceu de seu amigo de infância. Ele explorou seus sentimentos complexos em relação a Rowen em dois dos primeiros hinos mais marcantes do U2. Rowen foi a inspiração para "Bad", de 1984, escrita da perspectiva de alguém que tenta lidar com o vício de um amigo. "Me veio um pensamento... essa sensação que todo mundo tem quando está perto de alguém... 'Estou totalmente acordado, não estou dormindo'..."
Esses pensamentos voltariam a Rowen em 'The Joshua Tree', de 1987, onde "Running To Stand Still" evoca o purgatório ballardiano dos apartamentos de Ballymun – lar de Rowen por vários anos. Como Bono coloca de forma tão sinistra: "Vejo sete torres / mas só vejo uma saída".
Mas Rowen tinha mais de uma saída, e de alguma forma sobreviveu, embora não ileso. Perdeu a visão e esteve praticamente ausente da vida de seus sete filhos. Mas ele reconhece que poderia ser pior. Talvez nem estivesse mais aqui.
Bono fala com sensibilidade e profundidade sobre Rowen e a infância que compartilharam em Dublin. Ele também fala sobre suas crenças religiosas e como a fé inabalável do pai protestante de Rowen o ajudou a esclarecer seus próprios sentimentos sobre o divino – algo complexo de se assimilar, visto que o pai de Rowen era fisicamente abusivo com a família. "Ele me apresentou a essa ideia de um Deus pessoal, o que eu sei que soa absurdo. Mas ainda acredito que Deus se interessa pelos detalhes de nossas vidas".
Uma peculiaridade dessa história é que tanto Rowen quanto Bono encontraram uma espécie de redenção nos Estados Unidos. Como uma banda irlandesa tentando fazer sucesso no Reino Unido no início da carreira, o U2 era desprezado e ridicularizado como um bando de bobões sinceros. É possível perceber ecos disso na forma como o U2 é lembrado até hoje na Grã-Bretanha e também na Irlanda, onde o popular hábito de criticar Bono é mais uma coisa que importamos instintivamente do outro lado do Mar da Irlanda.
Mas nos EUA, o U2 é adorado. Foi também nos EUA que Rowen deu a volta por cima, depois que o ator irlandês-americano Declan Joyce o internou em uma clínica de reabilitação em Cleveland, Ohio. Rowen soube que tinha tomado a decisão certa quando Joyce o levou ao Rock & Roll Hall Of Fame em Cleveland e ele se deparou com a letra original de "Bad", composta por Bono. Se isso não é procedência, o que é?
Assim como aconteceu com o U2, sair da Irlanda provavelmente foi o que o salvou. "Dublin pode ser um lugar muito difícil. Pode haver uma mentalidade crítica na cultura. Uma dureza que dificulta encontrar compaixão", diz Joyce. "Os Estados Unidos tendem a ser mais compreensivos – tendem a ser mais positivos, otimistas, do tipo 'você consegue'".
A compaixão foi o que Rowen encontrou – e ele a carrega consigo até hoje. "Minhas pessoas favoritas são sobreviventes", é como Bono define. "Pessoas que atravessam o vale da sombra da morte e chegam ao outro lado".

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Daniel Lanois disse que com o álbum 'POP', o U2 havia cometido o erro de não dar o devido respeito às pessoas com quem trabalhava


Daniel Lanois disse que com o álbum 'POP', o U2 havia cometido o erro de não dar o devido respeito às pessoas com quem trabalhava e que precisava se cercar de pessoas capazes de fazer música com alma para 'All That You Can't Leave Behind'.
Bono em 2001 respondeu: "Mas ninguém tem mais alma do que Flood. Flood tem uma bateria eletrônica como pulso, um coração feito de música, e Howie é igual. 
'POP' poderia ter sido uma obra-prima. As músicas são extraordinárias. Nós simplesmente nos desgastamos e não conseguimos terminá-las. Mas ainda tenho muito orgulho do trabalho como um todo. 
Quando você grava um disco com Daniel Lanois, uma de duas coisas vai acontecer: ou você vai fazer um ótimo disco, ou alguém vai morrer. Ou ele, ou você. Então, é um compromisso real gravar um disco com ele. 
Se você grava um disco com Brian Eno, é gravar um disco em outro sentido da palavra. Não vai ser algo comum. Vai ter que estar cheio de ideias originais, ou alguém vai morrer, mas não vai ser ele. Ele vai sair pela porta dos fundos".

Bono e The Edge farão apresentação na cerimônia de inauguração oficial do Centro Presidencial Obama em Chicago


Bono e The Edge participarão da cerimônia de inauguração oficial do Centro Presidencial Obama em Chicago, que acontecerá no dia 18 de junho. Eles farão parte de um grande show com transmissão global.
A celebração em homenagem ao ex-presidente dos EUA terá um line-up estelar. Bono e The Edge se juntarão a Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Eddie Vedder e Christina Aguilera.
A cerimônia começa às 11:00 (horário local de Chicago) e será transmitida ao vivo.
A confirmação foi feita pelo próprio Barack Obama através de um vídeo no Instagram da Fundação Obama.
Obama usou a música "City Of Blinding Lights" pela primeira vez quando anunciou sua candidatura à presidência dos EUA em uma manhã gelada em Springfield, Illinois, em fevereiro de 2007. Ela continuaria a aparecer diversas vezes em eventos ao longo de sua campanha, e o U2 chegou a tocá-la ao vivo na posse do presidente em 2009, junto com "Pride (In The Name Of Love)".
O U2 alterou a letra inicial de "City Of Blinding Lights" para sua apresentação na posse presidencial de 2009, que aconteceu diante de uma multidão de milhares de pessoas no Lincoln Memorial: "América, deixe sua estrada se erguer / Sob o olhar atento de Lincoln" (America, let your road rise / Under Lincoln’s unblinking eyes).
Em 2008, Obama incluiu a música em sua lista das 10 favoritas.

terça-feira, 16 de junho de 2026

A provável capa de "Street Of Dreams", o novo single do U2


A provável capa do próximo single do U2, que deve ser anunciado e lançado nos próximos dias, apareceu em sites de fãs e fóruns sobre a banda. 
Bono está usando seus óculos Fly e sua bengala de Mr. Macphisto.
A arte deve ser do single digital que estará nas plataformas de streaming.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Mike McCready, guitarrista do Pearl Jam, cria uma playlist especial para a U2 X-Radio com suas canções favoritas do U2


O guitarrista do Pearl Jam, Mike McCready, assumiu o controle das ondas de rádio como DJ convidado na U2 X-Radio da SiriusXM, criando uma playlist especial que destaca sua admiração de longa data pelo U2.
Fã devoto do U2 há décadas, McCready selecionou músicas que abrangem toda a carreira do grupo.
Uma inclusão particularmente notável foi "Bullet The Blue Sky", música que há muito tempo serve de inspiração para o Pearl Jam, especialmente no que diz respeito às extensas improvisações de guitarra que frequentemente surgem durante as apresentações ao vivo. Durante o programa, Mike também relembrou o verão de 1993, quando o Pearl Jam abriu quatro shows da turnê italiana do U2.
A playlist também apresentou uma conexão direta entre as duas bandas: a inesquecível versão ao vivo de "Rockin' In The Free World" apresentada pelo U2 e Pearl Jam em Melbourne, uma das colaborações mais memoráveis da história de ambas as bandas.
As escolhas de McCready foram além dos hits óbvios, apresentando favoritas dos fãs, oferecendo aos ouvintes um olhar mais profundo sobre o catálogo do U2.
Abaixo a playlist, divulgada pelo fã clube italiano PearlJamOnline.it 

U2 – Sunday Bloody Sunday
U2 – Bad (Live In Birmingham, December 11, 1984 – From Wide Awake In America EP)
U2 – With Or Without You
U2 – Bullet The Blue Sky
U2 – Who's Gonna Ride Your Wild Horses
U2 – Pride (In The Name Of Love)
U2 / Pearl Jam – Rockin’ In The Free World (Live From Melbourne 2006)
U2 – October
U2 – I Will Follow
U2 – Electrical Storm
U2 – All I Want Is You
U2 – Wild Honey
U2 – Sometimes You Can’t Make It On Your Own
U2 – American Obituary

A participação de McCready na U2 X-Radio é mais uma prova do respeito e da admiração mútuos que unem Pearl Jam e U2 há décadas, duas bandas cujo impacto no rock moderno continua a reverberar pelo mundo.

domingo, 14 de junho de 2026

Bruce Springsteen recusou ceder música para Bono usar em comercial de TV


Bono lamentou com Bruce Springsteen por ele se recusar a licenciar sua música "Girls In Their Summer Clothes" para um comercial da marca de roupas Gap, em parceria com a fundação de Bono para a luta contra a AIDS (RED).
Ao entregar o prêmio Harry Belafonte Voices For Social Justice a Springsteen no Festival de Tribeca, Bono começou a elogiar a capacidade do Boss de trazer uma sensibilidade à la Woody Guthrie para a rádio pop. Isso o fez lembrar de sua tentativa frustrada de convencer Springsteen a usar essa mesma sensibilidade em um comercial de TV.
Bono estava em parceria com a Gap para uma linha de roupas em apoio à sua organização sem fins lucrativos e relembrou: "Tentei te convencer a ceder... Eu disse: 'Bruce, essa música "Girls In Their Summer Clothes" é uma das melhores músicas pop de todos os tempos... Você pensaria em usá-la em um comercial para a (RED) e a Gap?' E você disse: 'Não'".
"Foi um grande erro", disse Springsteen, arrancando risos da plateia. "Eu deveria ter aceitado". Ele chamou a música de 2008 de uma de suas "favoritas pessoais", da qual "o público não liga muito".
"Era uma música que eu simplesmente adorava", acrescentou Springsteen. "Droga, eu ainda penso: 'O Bono te pediu para colocar essa música num comercial de televisão'. Eu devia ter aceitado! As pessoas iam ouvir como um sucesso, sabe? Então, eu tenho que me desculpar".
No início do evento, os fundadores do Festival de Tribeca, Robert De Niro e Jane Rosenthal, apresentaram Bono, que então proferiu palavras emocionadas de elogio à Springsteen. "Bruce Springsteen é a América", disse Bono. "Bruce transformou as vozes do povo em poesia e musicou essa poesia. Nós o homenageamos esta noite como músico, poeta, ativista e patriota".
Em uma breve conversa, os dois falaram sobre levar a resistência para a estrada durante a turnê americana 'Land Of Hope And Dreams' de Springsteen, na qual ele criticou duramente o presidente Donald Trump e cantou sua recente canção de protesto contra o ICE, "Streets Of Minneapolis".
Para encerrar o evento, Patti Smith (acompanhada por Tony Shanahan) cantou sua música de 1988, "People Have The Power", em homenagem a Springsteen. Em seguida, ele e Bono se juntaram a ela para uma reprise, cantando alegremente os vocais de apoio no refrão.
Embora fosse um colega e um autoproclamado "fã disfarçado de amigo", Bono fez perguntas ponderadas e até mesmo incisivas a Springsteen durante a conversa.
Ao falar sobre a capacidade (ou incapacidade) de uma estrela do rock se conectar com a classe trabalhadora, da qual Bono e Springsteen faziam parte, o vocalista do U2 disse: "Temo que às vezes nós, da esquerda, tenhamos perdido um pouco disso e que as acusações de elitismo que existem contra pessoas como eu não sejam infundadas"
"Isso te custou caro?", perguntou Bono a Springsteen. "Você sente algum remorso ao pensar que há pessoas nesta cidade que costumavam vir aos seus shows e agora não vão mais? Ou você já se conformou com isso?"
"Não sei ao certo", respondeu Springsteen, com franqueza. "Você precisa fazer duas coisas. Há aquela clássica canção folk, "Which Side Are You On?": você precisa se posicionar e seguir suas crenças, e precisa ter fé de que elas serão explicáveis e compreensíveis para seus concidadãos. E você precisa acreditar que a América é um debate sagrado e um compromisso".

sábado, 13 de junho de 2026

O sussurro de Larry Mullen Jr. no ouvido de Bono no final da gravação de 'POP'


Bono em 2001 falando sobre a turnê 'Elevation' e  'All That You Can't Leave Behind' do U2:

"Se você vai tocar ao ar livre, vai ser mais caro, especialmente se quiser fazer algo mais inovador. Nós fizemos o shows do Slane e isso nos fez pensar: "Nossa, talvez seja possível tocar ao ar livre sem ser uma cópia do Pink Floyd". Afinal, fizemos isso na turnê do 'The Joshua Tree'. 
A estrada exige muito de mim e do Larry em termos de esforço físico. Mas o Larry não foi o responsável pela volta às arenas. Uma coisa pela qual o Larry foi responsável foi sussurrar no meu ouvido, no final do 'POP' — talvez tenha sido o último dia de gravação — "Por que não fazemos um disco pop de verdade da próxima vez?" E, de fato, fizemos, essencialmente. É muito bem estruturado de acordo com as ideias da música pop. 
Mas se você toca em locais fechados, precisa tocar mais vezes por semana, com menos chances de ver sua família. Se você toca ao ar livre, toca três vezes por semana, então sua família pode realmente ir na estrada e te ver, e não se sentir como um peso morto. É uma questão de prós e contras. 
A operação da turnê desta vez foi muito, muito bem organizada. Pessoas como Steve Iredale e Joe O'Herlihy brilharam, e a equipe de apoio e a Principle Management estavam no seu melhor. Fizemos uma festa de encerramento da turnê em Atlanta. Foi muito emocionante. Os caminhoneiros, os montadores de estruturas metálicas, vinham até mim e diziam: "Esta é a melhor turnê em que já estive". Havia um espírito especial no ar".

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Como Anton Corbijn conseguiu criar um clima bom em uma sessão de fotos com o U2 que começou terrivelmente mal


Anton Corbijn é um mestre do clima melancólico, reverenciado por suas fotografias em preto e branco do U2, Depeche Mode e Joy Division, e por 'Control', o filme (também em preto e branco) que dirigiu sobre esta última banda. 
Ele admite ter sido "um cara sério da NME" quando começou no final dos anos 70 como fotógrafo do semanário musical, na época um reduto de descolados arrogantes. Mas Corbijn também tem um lado divertido. 
Ele se lembra de uma sessão de fotos com o U2 em uma rua de Amsterdã que começou terrivelmente mal. "Eu não conseguia criar o clima de jeito nenhum, então baixei as calças", diz ele. "Aí eles caíram na gargalhada e continuamos".
Se o Joy Division era a combinação perfeita para o jovem e sincero Corbijn, suas colaborações mais duradouras — com o U2 e o Depeche Mode — levaram mais tempo para acontecer. Com o Depeche, ele diz: "Eu me segurei por anos. Eu não era fã da música deles na época — muito pop para o meu gosto. Eu também não tinha interesse no U2, mas a sessão de fotos tinha que ser feita em Nova Orleans. Então eu disse: 'OK, eu topo', porque eu nunca tinha estado em Nova Orleans".

quinta-feira, 11 de junho de 2026

A canção "Bad" do U2 seria sobre duas pessoas diferentes, com histórias diferentes


Um novo documentário, 'Bad: The Song That Saved My Life', será exibido na RTÉ One, explorando a vida de Andy 'Guck' Rowen, o dublinense que inspirou três músicas do U2, incluindo "Bad".
"Criado em um lar religioso rigoroso e traumatizado aos 11 anos de idade por testemunhar os atentados a bomba em Dublin em 1974, a vida de Andy mergulhou no vício em meio à vibrante cena punk de Dublin dos anos 80", diz a descrição do documentário. "Foi crescendo na zona norte de Dublin que ele conheceu amigos e contemporâneos, incluindo futuros membros do U2 e do Virgin Prunes. O desmoronamento de Andy após uma overdose quase fatal inspirou a composição de "Bad", música que fez parte do álbum 'The Unforgettable Fire', da banda, lançado em 1984".
A descrição continua revelando que "Andy estava sem-teto e passando por dificuldades quando lhe foi oferecida uma última chance de recuperação: uma vaga em uma clínica de reabilitação nos Estados Unidos".
"Bad" é uma canção sobre vício em heroína.
A recessão do início dos anos 80 levou a um grande número de viciados em heroína no centro de Dublin. É por isso que Bono frequentemente apresentava a música como uma canção sobre Dublin quando a tocavam ao vivo.
Durante um show em Pittsburgh, em 26 de julho de 2011, Bono acrescentou mais detalhes. Ele disse que a música foi escrita para "um homem muito especial, que está aqui na sua cidade, que cresceu na Cedarwood Road. Escrevemos esta música sobre ele e a tocamos para ele esta noite".
Ele se referia a Andy Rowen, que estava presente no show. Rowen é irmão de Guggi, amigo de infância de Bono, e de Peter Rowen, que aparece na capa dos álbuns 'Boy' e 'War' da banda.
Existem outras versões da história contadas pelo próprio Bono. Seu relato de um show em Chicago, em 1987, indica que "Bad" é sobre um amigo seu que morreu de overdose de heroína e também sobre as condições que tornam esses eventos propensos a se repetirem. 
Em outro show no Reino Unido, Bono fez um discurso inflamado sobre pessoas deitadas em sarjetas com "agulhas penduradas em seus braços enquanto os ricos vivem indiferentes ao sofrimento dos menos afortunados". 
Em Eriksberg, Gotemburgo, na Suécia, em 1987, ele disse: "Escrevi a letra sobre um amigo meu; o nome dele era Gareth Spaulding. No seu aniversário de 21 anos, ele e seus amigos decidiram se dar de presente: heroína suficiente em suas veias para matá-lo. Essa música se chama "Bad"."
Em 2015, o show em Dublin da turnê iNNOCENCE + eXPERIENCE aconteceu na 3Arena. O convidado super especial da noite foi Andrew Rowen, que foi vítima de um dos atentados à bomba em 1974, que inspirou a canção "Raised By Wolves" de 'Songs Of Innocence'. A canção foi escrita do ponto de vista de Andy.
Sua condição ao longo dos anos devido ao trauma daquele dia, inspirou Bono à escrever "Bad". Assim, o U2 incluiu as duas canções no setlist da noite, dedicadas à Andy.
Bono disse que já ouviram a história dele diversas vezes.
Bono falou ao público que ele foi uma inspiração, e disse que depois de Andy se perder pelo caminho após aquele dia da bomba, ele se encontrou novamente.
Bono ainda contou sobre o fato de Andy ainda ter com ele uma parte de um carro explodido pela bomba. Bono disse que foi "porque levou uma parte de mim, eu levei uma parte disso".

quarta-feira, 10 de junho de 2026

"Ele é tão constrangedor"


Durante uma entrevista com Savannah Guthrie, do programa TODAY, a atriz Eve Hewson revelou que seu pai, Bono, a deixou um tanto quanto espantada durante um jantar com um convidado famoso.
A dupla estava jantando com Emily Blunt, que contracena com Eve no próximo filme de ficção científica de Steven Spielberg, 'Dia D'.
"Seu pai é o Bono, e eu ouvi dizer que ele estava tentando conversar em 'língua alienígena' com a Emily Blunt", disse Guthrie.
"Ah, ele é um pai tão constrangedor", respondeu Hewson. Ela explicou que, assim que Blunt chegou para o jantar, Bono começou a imitar a interpretação da atriz de sua personagem em 'Dia D'.
"Nós convidamos a Emily para jantar, e no minuto em que ela entrou, ele começou a falar a língua alienígena que ela fala no trailer, e eu fiquei tipo, 'Por favor, pare, por favorzinho'".
"Ele é tão constrangedor", brincou Guthrie.
Eve já havia se referido à Bono como o "Kris Jenner dos pais", comparando-o a um pai que acompanha a carreira de seus filhos. Jenner, conhecida como "momager", é a empresária de seus filhos famosos.
"Ele me manda mensagens com opiniões sobre as coisas, ele é muito participativo", disse Eve.

Documentário sobre Andy 'Guck' Rowen, que inspirou "Bad" e outras músicas do U2, será exibido na RTÉ


Um novo documentário, 'Bad: The Song That Saved My Life', será exibido na RTÉ One em 15 de junho, explorando a vida de Andy 'Guck' Rowen, o dublinense que inspirou três músicas do U2, incluindo "Bad".
"Criado em um lar religioso rigoroso e traumatizado aos 11 anos de idade por testemunhar os atentados a bomba em Dublin em 1974, a vida de Andy mergulhou no vício em meio à vibrante cena punk de Dublin dos anos 80", diz a descrição do documentário. "Foi crescendo na zona norte de Dublin que ele conheceu amigos e contemporâneos, incluindo futuros membros do U2 e do Virgin Prunes. O desmoronamento de Andy após uma overdose quase fatal inspirou a composição de "Bad", música que fez parte do álbum 'The Unforgettable Fire', da banda, lançado em 1984".
A descrição continua revelando que "Andy estava sem-teto e passando por dificuldades quando lhe foi oferecida uma última chance de recuperação: uma vaga em uma clínica de reabilitação nos Estados Unidos. Uma série de encontros extraordinários, incluindo um momento revelador com a letra manuscrita de "Bad" e uma homenagem inesperada de Bono diante de 55 mil fãs, o ajudaram a trilhar o caminho da sobriedade e da reconciliação".
No documentário, Rowen diz: "A única coisa que eu queria ser quando era pequeno era bom. Infelizmente, descobri que não conseguia".
O documentário 'Bad: The Song That Saved My Life' é narrado pelo próprio Andy, além de seus familiares e de Bono.
"Ele provavelmente tinha o QI mais alto de todas as crianças da nossa rua, e às vezes parecia que ele tinha memorizado a Enciclopédia Britânica", diz Bono. "Ele se lembrava de ter completado dois anos. Ele se lembrava de muitas coisas que gostaria de ter esquecido".

terça-feira, 9 de junho de 2026

Kevin Godley fala sobre como foi trabalhar fazendo vídeos para o U2 no palco


Depois de "Even Better Than The Real Thing", Kevin Godley trabalhou com o U2 na turnê Zoo TV, que transformou a experiência do concerto em um espetáculo multimídia deslumbrante.
Ele também dirigiu os vídeos do U2 para "Numb", "Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me", "Sweetest Thing" e "Stuck In A Moment You Can't Get Out Of". Ele também dirigiu o vídeo de "Theme From Mission: Impossible" para Adam Clayton e Larry Mullen e o vídeo do dueto de Bono com Frank Sinatra em "I've Got You Under My Skin". 
Kevin Godley ganhou reputação por conduzir as maiores estrelas pelo processo, muitas vezes tedioso, de produção de videoclipes, mas com Sinatra ele não conseguiu ficar no set: quando uma falha técnica causou um atraso na produção, o cantor saiu furioso, deixando Godley para improvisar um vídeo com poucas imagens de Sinatra e Bono juntos.
Kevin Godley falou sobre como foi trabalhar fazendo vídeos para o U2 no palco: "Algo que aprendi ao longo dos anos fazendo curtas-metragens musicais é que, em um nível, é um exercício artístico, mas, em outro, você recebe uma missão para criar algo com uma utilidade específica. Então, você não pode simplesmente ter uma ideia bonita. Tem que ser bonita com um propósito, e tem que ser forte e impactante com um propósito. E esse propósito, em um show, independentemente da banda, é enfatizar e amplificar a experiência da performance de uma música específica. Então, esse é o trabalho.
Isso pode funcionar de várias maneiras diferentes. O U2 é uma proposta diferente, porque há muito mais acontecendo no palco do U2. O U2, a banda, é muito dinâmica. Bono é um artista excepcional que domina o palco, então isso precisa ser levado em consideração. Onde ou quando as coisas aparecem nas telas precisa ser integrado ao contexto geral da experiência — você não está apenas fazendo um filme para as pessoas assistirem.
Essa é essencialmente a diferença. Trata-se de aplicar um processo de pensamento específico a um conjunto específico de circunstâncias. Às vezes você acerta mais do que outras, e quando funciona, é mágico.
O U2 absorveu a arte do vídeo de alguma forma, ou melhor, a arte do visual perfeito para aprimorar uma performance ao vivo é algo que eles vêm desenvolvendo há muito, muito tempo – desde o surgimento da MTV, que foi revolucionária. Os primeiros shows na América foram impressionantes. Todo o conceito da MTV era impressionante. O uso do cenário e como ele funcionava com a banda e o que era capaz de proporcionar... é quase como assistir a um show normal e depois assistir a algo em realidade virtual. Foi um salto desse tipo, naquela época.
E eles são artistas consumados, pois estão abertos a desenvolver sua relação com a tecnologia a tal ponto que podem se deixar levar por ela ou permitir que ela os domine, dependendo do que desejam enfatizar em uma determinada música. Eles a utilizam muito bem e estão abertos a isso. Tornaram-se adeptos da arte da performance, do uso da tecnologia e dos recursos visuais. Eles são provavelmente uma das únicas bandas, se não a única, daquela época - talvez Peter Gabriel seja outra pessoa que também ache muito, muito empolgante misturar os dois estilos - mas eles fazem isso muito bem e se esforçam bastante para que tudo fique perfeito".

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Adam Clayton reflete sobre suas experiências em internatos



Irish Times

Personalidades conhecidas que frequentaram internatos refletem sobre suas experiências e falam abertamente sobre se considerariam ou não enviar seus próprios filhos para um internato.

Adam Clayton tinha cinco anos quando seus pais se mudaram da África para a Irlanda e, depois de alguns anos em uma escola primária local perto de Howth, foi enviado para Castle Park, um internato preparatório particular para meninos em Dalkey, no condado de Dublin.
"Meus pais acharam que o sistema de internato seria uma boa ideia, sem entender o tipo de criança que eu era. Muitos dos outros meninos lá eram filhos de médicos, fazendeiros e membros do clero – a elite irlandesa da época – e eu me sentia muito isolado aos oito anos de idade", diz Adam.
Ele se lembra de ficar infeliz ao voltar para a escola depois de um dia em casa aos domingos: "Eu não entendia por que estava confinado naquele lugar antiquado, sem acesso a telefones, a menos de uma hora de casa".
Em 1973, aos 13 anos, Adam tornou-se interno no St. Columba's College, em Rathfarnham, sul de Dublin. "Tive alguns desentendimentos com as autoridades – não por mau comportamento grave, mas por violar as regras da escola sobre vestuário", conta. Ele relata um incidente em que lhe foi negada a permissão para ir à cidade porque estava usando calças jeans com bordados, uma camisa de musselina bordada e um lenço árabe. "Troquei de roupa e me deixaram ir, mas quando virei a esquina, troquei de roupa de novo. Um professor me viu na cidade e fui suspenso", diz. 
Na foto abaixo, Adam aparece no alto à esquerda com colegas de classe ajudando a limpar uma área nos terrenos do St Columba's College em 1975 para um futuro complexo de artes e ofícios.


Seus pais, então, decidiram – ao analisarem seu desempenho acadêmico – que ele não se tornaria advogado nem médico, portanto não precisavam mais pagar por sua educação.
"Chegou a hora de eu entrar no sistema público de ensino", diz Adam, que então se transferiu para a Mount Temple Comprehensive School em Dublin 3, onde conheceu os outros membros do U2.
Adam afirma que a atitude mais progressista da Mount Temple combinava muito mais com ele. "Não havia uniforme escolar. Éramos incentivados a sermos indivíduos. E nos era permitido ensaiar nas dependências da escola às quartas e sábados", diz ele.
Quando perguntado se consideraria enviar seus filhos para um internato, ele hesita. "Eu diria categoricamente que não enviaria crianças para um internato antes dos 12 ou 13 anos", afirma. "Acredito firmemente que as crianças não têm idade suficiente para serem separadas dos pais tão cedo. Ser separado dos pais aos oito anos foi o início de um trauma para mim. Você é jogado em uma situação em que não sabe quem são seus aliados".
Embora prefira a educação pública, Adam acredita que o internato pode ser útil para filhos de pais que passam muito tempo longe de casa. "O internato pode dar estabilidade a crianças cujos pais se mudam com frequência. Tenho receio do elitismo que acompanha os internatos, mas é uma oportunidade incrível e, agora, eles oferecem controle sobre o uso do celular e o tempo gasto em frente às telas". Ele afirma que isso é uma grande vantagem.
"Acho que muitas crianças, incluindo meus próprios filhos, preferem ficar no celular a praticar música ou esportes".
Passar tempo na natureza foi algo que Adam aprendeu durante seus anos no internato. "Eu encontrava consolo para minha alma ferida na natureza, entre as árvores nas vastas florestas", diz. E depois que o U2 alugou a Danesmoate House – ao lado do St. Columba's College – para gravar o álbum 'The Joshua Tree' na década de 1980, Adam comprou a mansão georgiana ao lado de sua antiga escola.
"Percebi que conhecia a região melhor do que Malahide e, desde então, retomei o contato com a escola e conheci professores que eram alunos lá na minha época", conta.
Adam afirma que o St. Columba's College é "um lugar radicalmente diferente" agora. "Os departamentos de arte e música são extraordinariamente bem equipados e o atual diretor leva alunos da escola para visitar os alunos do internato para crianças negras carentes na África do Sul, onde ele foi diretor anteriormente".

sábado, 6 de junho de 2026

Diretor Kevin Godley fala sobre seu videoclipe de "Even Better Than The Real Thing" para o U2


Os visuais para shows são uma especialidade de Kevin Godley. Depois de dirigir o videoclipe de "Even Better Than The Real Thing", ele trabalhou com o U2 na turnê Zoo TV, que transformou a experiência do show em um espetáculo multimídia deslumbrante. 
Ele contou: "Se acredito na minha ideia, sigo-a até a sua conclusão lógica. Uma das mais empolgantes, que funcionou extremamente bem, foi um vídeo que fiz para o U2 chamado "Even Better Than The Real Thing". Parece que a câmera está realmente se movendo ao redor da performance, 360 graus, por cima, por cima e por baixo deles, porque era assim que eu sentia a música.
Então, eu meio que descobri uma maneira de fazer isso acontecer, mas não completamente, já que não sou engenheiro. Depois, trabalhei com uma empresa chamada Artem, que é uma espécie de empresa de efeitos físicos, que levou essa ideia à sua conclusão com vários testes, e então simplesmente filmamos. Desta vez fizemos um teste, felizmente, e foi impressionante – funcionou melhor do que eu imaginava. Foi extraordinário, e o mais extraordinário foi a reação da banda àquela configuração. Eles entenderam instintivamente do que a câmera era capaz e a operaram de uma maneira que nos daria os melhores resultados. Foi uma combinação perfeita de uma ideia ainda em formação se tornando uma ideia completa, e no dia da filmagem, os artistas reagiram tão bem que o potencial da câmera dobrou.
Então, eu não diria que foi um acidente, eu diria que foi um instinto que se transformou em algo tangível. Naquela época, não havia espaço para acidentes, porque os orçamentos estavam aumentando e havia muita coisa em jogo, então eu já tinha aprendido a garantir que tudo funcionasse corretamente. E funcionou.
Depois, fiz um filme para a ZOOTV, que foi ótima".

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Eu Sei Que Isso Não É Um Adeus: Bono detalha os últimos momentos de seu pai, Bob Hewson


Bono em 2001 falando sobre os últimos momentos de seu pai, Bob Hewson:

"Estávamos em turnê no Reino Unido e eu pegava um pequeno avião depois de cada show — direto do palco, direto para Dublin, para o lado da cama dele, e para o seu silêncio, com a multidão ainda ecoando nos meus ouvidos. Foram tempos realmente difíceis para ele e eu queria estar lá. 
Meu irmão Norman me cobriu incrivelmente, e isso me lembrou que ele era realmente meu irmão mais velho. Ele estava no controle, sabia o que fazer, e eu era o passageiro dele. Mas eu fazia os plantões noturnos. E também alguns dos irmãos do meu pai e uma família chamada Lloyds, com quem ele meio que morava. 
Era muito estranho. Eu estava decepcionado, de certa forma, por não poder ter as conversas que gostaria com ele. Ele estava muito doente. Ele tinha doença de Parkinson, então ele sussurrava muito. 
De vez em quando, com a voz cristalina, ele conseguia falar. Lembro-me das enfermeiras dizendo: "Ótimo, Bob. Visitas, Bob". Ele dizia: "É, ótimo, ótimo quando eles vão embora". Toda a sua energia era direcionada para o humor. Era assim que ele mantinha a dignidade. 
Minha única oração era para que ele mantivesse a dignidade. Ele era um homem muito digno, um homem encantador. Mas minha oração não foi atendida. Porque o câncer é um processo cruel e lento que, no fim, acaba com toda a dignidade, nos estágios finais, apesar dos avanços da medicina e dos cuidados paliativos. Foi uma pequena epifania. 
Sabe, o parto também é uma experiência complicada, para a mãe e o bebê, e comecei a me perguntar se talvez a dignidade não seja tão importante assim. Talvez seja uma construção humana — as pessoas a colocam ao lado de coisas como retidão e coragem, mas eu não acho que seja. Acho que a humildade pode ser muito mais importante para encarar o Criador, e a dignidade pode ser vizinha do orgulho, ou pior, da vaidade.
Ele ficou irritado em certo momento. Suas últimas palavras foram "Vocês estão todos loucos?", o que é inacreditável. Ele me acordou no meio da noite. Fui até ele e ele estava sussurrando. Chamei a enfermeira. Nós duas estávamos com os ouvidos colados na boca dele. E então, tão claro quanto um sino, ele disse: "Vocês estão todos loucos?". Eu dei um pulo. Eu estava procurando um sorriso, mas ele não sorriu. Ele disse: "Olha, isso aqui é uma prisão. Eu quero ir para casa". E ele foi.
Eu o desenhei. Tenho muitos desenhos, o que me deixa feliz. Fiz todo tipo de coisa que ele não me deixava fazer quando estava na defensiva. Li para ele Shakespeare, Shelley, esta nova tradução da Bíblia que tenho, a de Eugene Peterson. Ele me expulsaria da sala por isso. Ele próprio era autodidata e, ainda jovem, aos 20 e poucos anos, já tinha lido todos os clássicos, era um grande tenor, um grande músico, e a ópera preenchia nossa casa. Na Irlanda, os jornais publicaram uma matéria dizendo que eu estava muito bravo com ele por não ter me incentivado a fazer as coisas que ele próprio lamentava profundamente não ter feito. A raiva a que me referi no artigo era a raiva que eu sentia como músico, por ter que comprometer as melodias com as quais acordava. Com estruturas de acordes que eu acho que poderiam ser muito melhores, apesar de eu ter tido uma formação musical. Sinto uma certa frustração e raiva dentro de mim, mas não é direcionada a ele, e sim a mim mesma, por não ter conseguido superar isso".
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