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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Morreu o irlandês Ingmar Kiang, que trabalhou em "Alex Descends Into Hell For A Bottle Of Milk/Korova 1" do U2


O produtor, engenheiro de som e músico irlandês Ingmar Kiang faleceu repentinamente em 14 de julho – notícia que foi confirmada por sua banda, Skanger.
Produtor e engenheiro prolífico, Ingmar trabalhou com Chris Blackwell e Stephen Street na Island Records. Ao longo de sua carreira, conquistou diversos discos de ouro internacionais, com créditos em faixas de Bob Marley, U2, Damien Dempsey, Power Of Dreams e muitos outros – além de demos para Suede e Pulp.
O pai de Ingmar era o Professor Tao Kiang, um proeminente astrônomo irlandês de origem chinesa. De acordo com o site de história e cultura de Dublin, Come Here To Me!, Ingmar "era estudante do Trinity College quando cofundou a 'primeira discoteca punk rock móvel de Dublin' no início de 1978". Mais tarde, ele ganhou destaque na cidade como vocalista da banda The New Versions, que lançou o single "Like Gordon Of Khartoum", produzido por Donal Lunny, pela gravadora Mulligan Records em 1981.
Mais recentemente, foi baixista e produtor da banda irlandesa Skanger, ao lado de Mark Healy (vocal e guitarra) e Terry Hackett (bateria).
O editor da Hot Press, Niall Stokes, escreveu: "Estamos muito tristes, aqui na Hot Press, com a notícia da morte de Ingmar Kiang. Lembro-me de sua primeira banda, Sordid Details – quem poderia esquecer o nome? – mas Ingmar era mais conhecido como vocalista do New Versions, uma das bandas mais brilhantes da new wave na Irlanda no final da década de 1970, com uma energia impressionante, musicalidade genuína e um grande senso de humor.
Eles participaram, ao lado de U2, Teen Commandments, The Atrix e outros luminares, da coletânea Just For Kicks, lançada pela gravadora Scoff em 1979. Eles ajudaram a quebrar o domínio das bandas exclusivamente masculinas aqui na Irlanda, com Regine Moylett nos teclados, numa época em que havia pouquíssimas mulheres tocando em bandas de rock 'n' roll na Irlanda.
Era óbvio que Ingmar era muito talentoso e que faria da música a sua vida, e fez, tornando-se um engenheiro e produtor muito respeitado, que trabalhou com grandes estrelas durante uma temporada na Island Records em Londres e novamente na Irlanda. Músicos como Ingmar, que trabalham nos bastidores dos estúdios de gravação, muitas vezes contribuem muito mais do que é amplamente reconhecido, ajudando a moldar canções, definir o som de um artista ou banda e, de modo geral, aplicando seu talento e sabedoria onde e quando necessário.
Quando vi que Ingmar estava em atividade novamente nos últimos anos com a banda Skanger, pensei: brilhante. Infelizmente, essa aventura chegou ao fim para ele. Nossos pensamentos estão com a família e os amigos de Ingmar, seus colegas músicos do Skanger e todas as pessoas que o conheceram e amaram na música e na vida. Ele fará muita falta".
Após o final da turnê Lovetown em 1990, Bono e Edge se lançaram imediatamente em outra tarefa, compondo música para a adaptação para o teatro de 'A Clockwork Orange' (Laranja Mecânica), representada pela Royal Shakespeare Company RSC, em Londres.
Eles já tinham recebido o convite na primavera de 1989.
Paul Barrett, o produtor que estava trabalhando com o U2 na época, foi o responsável pela mixagens de algumas faixas.
A única canção trabalhada para a peça que foi lançada oficialmente foi "Alex Descends Into Hell For A Bottle Of Milk/Korova 1", que foi mixada por Ingmar Kiang e utilizada no lado b do single do U2 "The Fly".
Ingmar Kiang foi quem revelou que nestas sessões de gravações nos estúdios da Island, em janeiro de 1990, Bono realizou uma gravação em um take apenas, de uma versão de "Fascist Groove Thang", do Heaven 17.
Ingmar Kiang disse que Bono e The Edge chegaram nos estúdios da Island Records em janeiro de 1990 para completar as faixas para a produção da peça da Royal Shakespeare Company. Eles estavam muito atrasados, com o espetáculo já nos ensaios finais e as faixas da trilha sonora ainda em vários estados de para reparos. Isso custou várias horas e noites seguidas de trabalho.
Adam Clayton, à pedido dos parceiros de banda, tocou baixo nas gravações.
Foi uma sessão interessante em estúdio: The Edge fez o que ele chamou de "trabalho à chave de fenda". Bono corria para dentro e para fora, colocando várias idéias, sugerindo mudanças, cheio de energia.
Uma faixa finalizada, originalmente intitulada "Alex Descends Into Hell For A Bottle of Milk", surgiu no single do U2 um ano após ser registrada nestas sessões na Island.
Exausto e com muita pressa, Ingmar Kiang se cortou, mas teve que fazer a edição final da fita logo depois das 18h00 em uma sexta-feira dia 26, com o show previsto para começar às 19h30 no Barbican Centre, sede da Royal Shakespeare Company.
A viagem de alta velocidade através de Londres foi gasta para amaldiçoar e limpar o sangue presente na caixa dos tapes, antes de chegarem às 19h15 e entregarem a fita para a equipe. Ingmar Kiang então ocupou seu assento para o espetáculo, e adormeceu.

sábado, 8 de agosto de 2026

65 Anos de The Edge - Parte II


The Edge completa 65 anos de idade. A Hot Press republica uma entrevista retrospectiva com o guitarrista, do 30º aniversário da revista, em 2007.

Nas turnês 'Elevation' e 'Vertigo', vocês revisitaram músicas do Boy: "An Cat Dubh", "The Electric Co", "Out Of Control", "I Will Follow". O jovem U2 tinha algo a ensinar ao U2 mais experiente?

Bem, fiquei impressionado com a sofisticação musical de algumas partes daquele primeiro disco. Claro que, naquela época, compúnhamos de uma forma muito orgânica, geralmente primeiro a música, depois as melodias e, por último, as letras. Mas instintivamente, buscávamos elementos que sentíamos que a música precisava, mudanças de tom e modulações estranhas que nós mesmos não entenderíamos. Mas agora, olhando para trás, a quantidade de ideias inovadoras naquele disco é impressionante. Ficamos realmente surpresos quando o revisitamos. Algumas músicas resistiram melhor ao tempo do que outras; não sei se gostaríamos de incluir um setlist inteiro do 'Boy' em nossos shows, mas há uma vitalidade e uma energia incríveis nessas canções, e isso conta muito.

Uma coisa que o álbum conseguiu foi capturar a essência da banda como uma adolescente intensa e desajeitada. Mesmo que algumas partes sejam um pouco atrapalhadas e desengonçadas, talvez essa seja a intenção.

É, acho que foi o Village Voice que disse: "Depois desse disco, essa banda deveria se separar, porque eles nunca mais vão fazer nada tão interessante quanto isso". E por todos os motivos, tudo nele era meio que uma busca, e errava o alvo, de forma espetacular em alguns momentos, mas tudo isso, de certa forma, contribuía para contar uma história, e a contava de forma muito eloquente.

Você deve ter assistido com certo espanto nos últimos anos a bandas como Interpol, Bloc Party e Arcade Fire explorando aquele som europeu invernal do início dos anos 80.

Sim, foi incrível perceber, há uns dois ou três anos, que aquele momento específico em que estávamos surgindo tinha se tornado repentinamente o novo espírito da época para o rock alternativo underground. Isso me fez voltar a ouvir Siouxsie & The Banshees, Joy Division e The Associates, e agora entendo o apelo. O blues estava tão saturado e desgastado como gênero, e esses eram acordes, progressões e ideias melódicas completamente livres dessa influência. De certa forma, se você fosse definir o que era aquele movimento, diria que era como rock 'n' roll sem o blues, sem a influência americana. Acho que a cena alemã provavelmente nos influenciou muito indiretamente, porque ouvíamos Eno, Magazine e bandas que ouviam Can e Neu.

A localização sempre foi crucial para os discos do U2. Vocês estiveram em Fez por algumas semanas recentemente.

Sim, acabamos de voltar.

Essa é a sua mais recente aventura psicogeográfica, tentando canalizar a atmosfera de um lugar para a música?

Acho que sim. Era uma daquelas ideias que não me saíam da cabeça. O Bono sugeriu isso há um bom tempo. Ele tem muitas ideias, e muitas delas não são recebidas com muito entusiasmo. Eu provavelmente seria o mais disposto a embarcar nessa, o Adam é bem tranquilo, o Larry é difícil de convencer na maioria das vezes. Nesse caso, para surpresa de todos, o Larry logo disse: "Acho que tem potencial nisso; parece uma boa ideia".
Então conversamos com o Brian Eno e o Danny Lanois sobre a possibilidade de virem compor conosco, o que é uma novidade, e também para nossa surpresa, os dois disseram: "Sim, ótimo, adoraríamos". Então partimos para Marrocos e nos instalamos em um pequeno riad, que é como um hotel construído em torno de um pátio central, e passamos algumas semanas incríveis trabalhando com Brian e Danny.
Estávamos lá durante um festival de música sacra em Fez, então vimos artistas incríveis. É tudo aquilo que nos tira da zona de conforto, e parece que prosperamos nessa situação, onde as expectativas são completamente ignoradas e estamos lá para explorar e descobrir coisas novas.

Você pode descrever um pouco da música que ouviu lá?

Porque a música do Norte da África não acabou indo para os Estados Unidos, na verdade é como uma versão diferente da música africana. A música que chegou aos Estados Unidos veio da África Ocidental, do Mali e de lugares assim. Você ainda pode ir lá e ouvir as raízes do blues e outros sons do R&B, o estilo de guitarra do Chuck Berry, que ainda está vivo e forte, originou-se de lá.
Então, quando você vai para o Marrocos, é um conjunto completamente diferente de batidas, ritmos e ideias. Quero dizer, eles poderiam realmente reivindicar a origem de todo o fenômeno da música trance. Isso acontece lá há séculos, a percussão e o groove continuam, levando todos a uma espécie de estado de transe. E para músicos como nós, cuja exposição é principalmente à música do Reino Unido e dos Estados Unidos, é incrivelmente inspirador ouvir esse conjunto totalmente novo e diferente de raízes e influências. E também existe uma enorme variedade; não é como se fosse apenas uma coisa só, há todos os tipos de músicas folclóricas diferentes, mas todas são incrivelmente rítmicas e têm seus ritmos e sons muito distintos. Então, realmente há muito para nós aí; é uma cultura muito rica.

Estar em um ambiente estranho também fortalece a mentalidade de grupo.

Como Danny diria, qualquer lugar que nos tire de casa é uma coisa boa, na opinião dele, porque as distrações de Dublin são um problema se você está tentando se concentrar em algo.

Qual a diferença de ter Brian Eno e Daniel Lanois contribuindo como músicos?

Bem, eles sempre contribuíram com a parte instrumental, então nesse sentido não é tão radical, mas acho que o fato de ser um projeto conjunto mudou um pouco o foco, e devo dizer que a química entre nós seis é extraordinária. É o quarteto, é a essência do U2, mas com um toque a mais com Brian e Danny.

Essas sessões de composição são para um álbum do U2 ou um projeto paralelo?

É um projeto do U2, e um dos luxos que nos permitimos é não ter que pensar exatamente no que será, como será finalizado ou quando será lançado. No momento, estamos curtindo tanto a ideia de fazer música por fazer música que queremos continuar assim enquanto for financeiramente possível. E claro, em algum momento teremos que sentar e dizer: "Bem, o que temos? É um disco, dois discos? Ou é um single de 12 polegadas?". E então partiremos daí.

65 Anos de The Edge - Parte I


The Edge completa 65 anos de idade. A Hot Press republica uma entrevista retrospectiva com o guitarrista, do 30º aniversário da revista, em 2007.

Quinze anos depois de gravar o videoclipe de "Mysterious Ways" em Fez, a terceira maior cidade do Marrocos, o U2 retornou à cidade para sessões de composição experimental para o novo álbum do U2, com Daniel Lanois e Brian Eno atuando como músicos colaboradores, e não como produtores.
O quarteto sempre valorizou muito a importância do local como influência crucial na gravação de sua música. 'The Unforgettable Fire' nasceu nos corredores e escadarias ecoantes do Slane Castle. 'Achtung Baby' tomou forma (ou se recusou a tomar forma) no Hansa By the Wall, em Berlim, o gélido salão de baile nazista que serviu de berço para álbuns de Iggy Pop, Bowie, Nick Cave, The Gun Club e Depeche Mode. 'POP', por outro lado, foi influenciado pela umidade tropical e pelas cores vibrantes de Miami.
The Edge ainda está eufórico com sua estadia no Marrocos, um espaço liminar que, por milhares de anos, serviu como porto e portal, um refúgio para criminosos, espiões e todo tipo de artista marginal, incluindo George Orwell, Tennessee Williams, Paul Bowles e William Burroughs.
"É África, mas parece uma parte diferente da África", diz Edge. "Esta não é uma cultura nova, tem milhares de anos. Aliás, em Fez fica a universidade mais antiga do mundo, fundada em algum momento no século VIII, o que dá uma ideia da antiguidade da cidade. E a arquitetura funciona de forma que tudo está dentro das muralhas. O souk é como o mercado, mas a Medina está cheia de ruazinhas minúsculas, mal dava para um burro com uma cesta nas costas, impossível passar um carro por lá. É uma escala e uma abordagem à construção totalmente diferentes, que se mantêm assim há mais de mil anos. Dependendo de onde estiver, pode perder-se durante semanas".

Peter Murphy: Para começar do início – você se lembra de quando a primeira edição da Hot Press foi lançada em 1977?

The Edge: Na verdade, me lembro de quando distribuíram de graça em Macroom, porque eu estava lá no show do Rory Gallagher e eles estavam com a revista por lá. Acho que o Rory estava na capa, então a princípio eu pensei: "O que é isso? É algum tipo de material promocional?". E aí eu me dei conta: "Nossa, é uma revista nova, que legal!". Gostaria de ter guardado meu primeiro exemplar, mas acho que ele se perdeu no caminho para casa.

A maioria dos influentes jornalistas musicais da época, como Nick Kent, Charles Shaar Murray e Lester Bangs, estavam a quilômetros de distância, em Londres e Nova York. Será que fez muita diferença ter um fórum local para que os jornalistas documentassem o que estava acontecendo na Irlanda?

Acho que fez uma enorme diferença, pois legitimou a cena local. Ver algo impresso é a prova de que você realmente existe fora da sua própria cabeça, de que há algo de que você faz parte, algo acontecendo, por mais subcultural que seja. Era real. A revista Hot Press foi muito importante para tornar isso real, não só para nós, mas para muitas bandas que surgiram naquela época, procurando shows e oportunidades de abrir para bandas visitantes, ocupadas em salas de ensaio por toda a cidade, trabalhando em músicas, discutindo se era legal usar uma gravata fina ou qual o comprimento ideal do cabelo. Não sei se foi coincidência, mas a Hot Press chegou bem a tempo de ser a voz, a narradora, digamos assim, da cena enquanto ela se consolidava.

As pessoas pensam em 1977 como uma espécie de Ano Zero do punk, mas ainda havia uma proliferação real de bandas de country rock ao estilo californiano e cowboys da cocaína.

Acho que víamos as coisas em termos bastante rígidos e monocromáticos. Ainda tínhamos bastante carinho por algumas bandas da geração anterior, mas isso era o maoísmo, a revolução cultural. Qualquer coisa que tivesse influências do período anterior a 1977 operava em um mundo completamente diferente do nosso. Não me desfiz dos meus discos do Rory Gallagher ou do Horslips, de forma alguma, eu ainda os ouvia e adorava, mas estávamos bebendo de uma fonte de água totalmente diferente.
As bandas com as quais provavelmente competíamos, ou com as quais compartilhávamos a mesma cena, eram DC Nien, The Prunes, The Atrix e Revolver. E eu suponho que The Radiators foram a primeira banda punk local, e suas influências eram até mais interessantes do que as de muitas bandas punk inglesas, de certa forma, porque eles se inspiravam em Can, Iggy Pop, The Stooges e MC5. Jornalistas se referem a esses artistas, mas acho que muitas bandas do Reino Unido estavam tentando ser uma mistura de New York Dolls e Rolling Stones, sem realmente se darem conta da influência alemã.

Os Radiators também tinham uma sensibilidade literária, com canções como "Kitty Rickets" e "Faithful Departed" que remetiam a Joyce e Behan.

Sim, com certeza. Havia coisas sofisticadas acontecendo. E como acontece com muita música dita provinciana, muitas vezes havia muito mais por trás disso do que a música que ganhava as manchetes em Londres.

A relação do U2 com jornalistas da Hot Press, como Bill Graham e Neil McCormick, parecia bastante próxima e informal.

Naquela época, em particular, a gente meio que fazia amizade com todos os jornalistas que cobriam a banda, e muitas vezes a gente se encontrava com eles para tomar um café. Bill e Neil eram amigos nesse sentido, assim como alguns dos jornalistas britânicos, os primeiros que cobriam os shows ao vivo. O mesmo acontecia com os nossos fãs. Como eram poucos, a gente acabava conhecendo-os pessoalmente e, em muitas ocasiões, eles dormiam no chão dos nossos quartos quando estavam em turnê com a gente. Outros tempos.

Até que ponto vocês usaram Bill Graham como uma espécie de conselheiro?

Bill foi muito importante para nós desde o início. É bem conhecida a história de que ele nos recomendou conversar com um tal de Paul McGuinness, que era amigo do Bill. Nós nos encontrávamos com ele de vez em quando e mostrávamos algumas coisas para ele, e de uma forma muito tocante, ele nos orientava, nos dava discos para ouvir que ele achava importantes para nós, coisas que talvez não tivéssemos conhecido antes. E eu acho que ele desempenhou um papel quase de irmão mais velho para a banda, e nós certamente apreciamos todos os seus conselhos e consideração.

Muitos dos seus escritos sobre a banda adotavam uma postura bastante contrária. Quando você estava criticando duramente o álbum 'Rattle And Hum', ele ainda insistia nas possibilidades do U2 e do blues. Por outro lado, quando todos aclamavam 'Achtung Baby' como uma reinvenção radical, ele não estava nem um pouco convencido.

Sim, Bill certamente se considerava muito exigente em todos os aspectos musicais. Ele não se impressionava necessariamente com o que considerava pose, ou com a maneira como a música era às vezes apresentada. Aliás, me lembro do Dark Space, o show de punk rock de 24 horas no The Project, não me lembro o nome da banda principal, eles eram do Reino Unido, mas Bill estava assistindo à apresentação comigo e simplesmente se virou e disse: "Isso é só moda londrina. Não tem nada de especial nisso. É só um senso de pose mais refinado, essa é a única diferença entre isso e o que está rolando em Dublin".
E ele estava certo, não tinha muito o que dizer, na verdade. Quero dizer, naquela época, a postura era importante, mas Bill sempre quis ir além disso, ver o que realmente estava acontecendo. Acho que 'Achtung Baby' é um ótimo disco, então talvez ele não tenha dado o devido valor na época, mas acho que ele sempre foi um pouco cauteloso com qualquer coisa que viesse até ele com uma grande história por trás. Ele só queria saber o que estava por baixo da superfície, não se importava muito com a aparência, a forma.

Por mais estranho que pareça, ele pareceu muito mais entusiasmado com o conceito da Zoo TV.

As pessoas podem achar que foi uma aberração – eu acho que provavelmente foi algo necessário, mas provavelmente representou o limite daquela oscilação específica. Essa era a questão na época: "Há alguma maneira de voltar atrás depois da Zoo TV e do 'Achtung Baby'?" É o álbum favorito do U2 de muita gente. Talvez seja o meu também. Mas podemos dizer que meio que voltamos daquela beira do abismo e criamos uma espécie de meio-termo em termos de assunto e tema. Mas isso também nos dá a liberdade de voltar a explorar esse território se quisermos.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Morre o produtor William Orbit, que produziu uma das versões de "Electrical Storm" do U2


William Orbit, produtor britânico, morreu no dia 23 de julho, aos 69 anos. A informação foi confirmada nas redes sociais do músico nesta sexta.
"Sentiremos imensamente a sua falta, assim como tantas pessoas cujas vidas ele tocou com sua música, amizade e bondade", escreveu a família no comunicado.
William Orbit produziu álbuns de grandes artistas, trabalhando com o Blur, Britney Spears, Beck, Queen, U2. Entre os seus trabalhos mais conhecidos, está o disco 'Ray Of Light', de Madonna, que venceu três Grammys em 1999 e é considerado um dos melhores trabalhos da cantora.
William Orbit produziu uma das versões de "Electrical Storm" para a coletânea 'The Best Of 1990-2000' do U2, e a canção levou o nome William Orbit Mix: "Foi um processo tão longo, a produção, tornou-se aquela coisa em que você não consegue ouvir apenas como música mais, tendo se tornado mais uma espécie de log de eventos cronossônicos para ouvir do que uma peça de música, devido à extensão e o ardor do processo. Foram semanas e semanas. Trabalhamos no antigo estúdio do U2, no rio Liffey, perto da fábrica de cimento, na villa de Bono na praia em Èze-sur-Mer, no sul da França, e no hotel onde eu estava morando na época, o Leonard, bem ao lado do Selfridges em Londres.
Por que diz 'remix' é um mistério para mim. Se eu alguma vez fiz uma produção, essa foi a verdadeira definição, e foi acordado com o Bono desde o início. Cada som que você ouve foi definitivamente produzido por mim. Ele ficou muito feliz com isso, e especialmente com seu vocal, um vocal incrível e um dos melhores que eu já gravei, mas o Edge teve problemas com o fato de ser um espectro sonoro mais amplo do que a demo original de rock básico, e verificar os créditos provavelmente seria sua responsabilidade. Então, confira essa versão cover! Eu posso expandir mais sobre este tópico mais adiante, já que tantas coisas aconteceram durante aquele período".
William Orbit se hospedou no The Leonard Hotel perto de Hyde Park, onde gravou os vocais de Bono para a música. "Eu tinha muito dinheiro e comprei uma casa enorme em Connaught Square porque podia - mas não suportaria mudar para lá", diz ele. "Então, o hotel que eu particularmente gostava, acabei me mudando para lá. Era assim: esta é a minha vida. É como o hotel Chelsea [em Nova York], mas em Londres". 
As notas de "Electrical Storm" dizem: "Recorded at HQ, Dublin, The Leonard Hotel, London and Eze, France".
William Orbit trabalhou também na canção que o U2 gravou para a trilha sonora de 'Gangues De Nova York', "The Hands That Built America", lançada junto com "Electrical Storm" na coletânea 'The Best Of 1990-2000'.
Orbit disse: "Foi gravada para a trilha sonora do filme 'Gangues De Nova York', não para um álbum de carreira do U2 e, portanto, pode ter sido negligenciada".

Os elogios e críticas da imprensa para "Lemon" do U2


"Lemon" é a quarta faixa do oitavo álbum do U2, 'Zooropa'. Lançada como seu segundo single em 8 de novembro de 1993 e inspirada em antigas filmagens da falecida mãe de Bono, a letra descreve uma tentativa de preservar a memória através de um filme. 
Mais do que qualquer outra canção anterior do U2, "Lemon" destaca a extensão vocal em falsete de Bono, auxiliado pelos vocais de apoio atmosféricos de The Edge e Brian Eno. Com quase sete minutos, está entre as canções mais longas da banda.
"Lemon" foi escrita no final das sessões de gravação do álbum, entre março e maio de 1993, durante o intervalo da banda na turnê Zoo TV. The Edge disse que a música surgiu de algo que ele "criou com uma bateria eletrônica e baixo, bem rítmico". Ele explicou que teve dificuldade em compor uma parte de guitarra para a música até utilizar um "efeito de guitarra com gate incomum que funcionou com o ritmo".
Stephen Thomas Erlewine, do AllMusic, considerou a música um momento maravilhoso do álbum, descrevendo-a como "disco alemão da era espacial". Larry Flick, da revista Billboard, escreveu: "Um momento vibrante e dançante da deliciosa coleção 'Zooropa' é mais um passo para longe do padrão do U2. Desta vez, Bono se aventura no pop/soul ensolarado, envolvendo um falsete delicioso em torno de um refrão contagiante e uma base rítmica reforçada pelo funk. Em sua forma original, a faixa será uma alegria para os programadores do Top 40. Remixes inspirados de Robbie Adams e David Morales abrirão portas nas rádios crossover e nas casas noturnas".
Troy J. Augusto, da Cash Box, nomeou "Lemon" como a Escolha da Semana, afirmando que aqui, a banda "continua a expandir os limites, adicionando mais uma reviravolta estilística ao seu catálogo". Ele acrescentou: "Uma faixa animada e bastante dançante, que sucede o single dessensibilizante "Numb", começa com uma batida funky e se intensifica com vocais poderosos e divertidos de Bono e um dos refrões mais fortes que a banda lançou em muito tempo".
Peter Paphides, da Melody Maker, escreveu: "Semelhante em sentimento a "Mysterious Ways", mas tão transcendental quanto o U2 jamais ousou ser, "Lemon" soa como se tivesse sido gravada em uma cela acolchoada, saturando os sentidos como um filme de estrada europeu abstrato. Quando Bono canta "Meia-noite é onde o dia começa", sobre uma batida eletrônica funk groove, você é atingido por imagens de uma Europa semimítica, de viagens em alta velocidade por paisagens iluminadas a neon em Autobahns desertas".
Alan Jones, da Music Week, observou que a faixa mostra Bono "adotando um falsete à la Jagger sobre uma faixa animada, porém esparsa, que poderia se prestar a um remix para dança".
Stephen Dalton, da NME escreveu que o falsete de Bono na "elegante faixa disco" desliza "da paródia de Bowie para a melancolia discreta do New Order".
Parry Gettelman, do Orlando Sentinel, considerou-a uma "música rápida" e "estritamente para o público polido da Eurodisco".
David Cavanagh, da Select, escreveu: "De jeito nenhum isso é U2. Poderia ser o Tom Tom Club, com Mick Jagger da era "Miss You" cantando por cima. De qualquer forma, é vigorosa e vibrante, e o ritmo é notável". 
Max Bell, da Vox, descreveu "Lemon" como "duas músicas em uma; um dub e um Lovers' Rock, depois uma reflexão estilo Eno sobre o excesso de realização niilista — onde 'um homem derrete a areia para poder ver o mundo lá fora', lembrando o trabalho do produtor com o Talking Heads.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Em 1998, Bono limitou suas escolhas de dez melhores à bandas e avisou que sua lista estava “longe de ser definitiva”


Bono - 1998 The Los Angeles Times

TOP 10

1. O álbum de punk rock: (Os Sex Pistols tinham os melhores singles, mas eu escolho) "Leave Home", dos Ramones.
"Edge e Larry tinham 14 anos, Adam e eu tínhamos 16, quando, depois de uma discussão sobre o arranjo de nossas próprias músicas, enganamos um produtor de TV irlandês dizendo que tínhamos escrito "Glad To See You" e "I Remember You" [daquele álbum]... Conseguimos o programa de TV, trocamos as músicas por nossas próprias... Fama e boa sorte logo vieram... Vida longa aos Ramones".

2. O álbum de hip-hop: 'Fear Of A Black Planet', do Public Enemy.
"O hip-hop é o movimento mais importante na música desde os Beatles... O Public Enemy participou como convidado em Los Angeles".

3. Categoria "Só Brancos Fazem Isso": 'Check Your Head', dos Beastie Boys
"O 'White Album' do rap branco'.

4. Ótimo Álbum com Letras Incríveis: 'Horses', do Patti Smith Group, e 'This Is The Sea', do The Waterboys
"No rock, a palavra 'poeta' é usada com muita frequência. Não aqui... Sinto o mesmo em relação a 'redenção'."

5. Categoria "Cortes de Cabelo Tão Ruins Que Foram Ignorados por Anos": 'Best Of The Bee Gees', dos Bee Gees
"Músicas e mais músicas. Deve ter doído saber que você era tão bom e, ainda assim, não ser levado tão a sério quanto, digamos... o rock progressivo!"

6. Categoria "Álbum Seminal": 'Doolittle', dos Pixies
"Poderia ter sido 'The Velvet Underground' ou 'Another Music In A Different Kitchen', dos Buzzcocks." ...Vou escolher 'Doolittle', uma grande influência para o Nirvana... Os Pixies inventaram a mudança dramática entre refrão e verso que foi uma marca registrada do grunge. Frank Black tem um grito capaz de acordar os mortos... músicas cortantes, mas não o pulso... paranoia sem autopiedade".

7. Garotas em Grupos: The Pretenders e 'Live Through This' do Hole
"The Pretenders: mente forte, coração terno. "Brass In Pocket" foi o single do ano. Hole: sons de guitarra avançados, um senso de pop à altura do seu marido, mas um álbum melhor que 'In Utero', no mesmo nível de 'Nevermind'." Ambas as mulheres dão uma aula de como segurar uma guitarra elétrica".

8. O álbum que evoca uma localização: 'Pet Sounds' dos Beach Boys e 'Automatic For The People' do R.E.M.
"Beach Boys: Se eu fechar os olhos, consigo ver a caixa de areia do Brian Wilson, a Costa Oeste, o pai, as drogas, o gênio. A alegria é a coisa mais difícil de se alcançar... na vida, na arte, nos filmes (Steven Spielberg), na música (Sly & The Family Stone). Os Beach Boys superaram o obstáculo dos acordes maiores soarem banais. 
R.E.M.: Normalmente, você consegue ver o sol brilhando em suas músicas. Nunca estive em Athens, Geórgia, mas aqui está chovendo. Essa melancolia difusa apresenta o maior cantor country que nunca gravou um disco country. Aqui, o R.E.M. é uma cooperativa, uma mesa de quatro pernas, uma banda de verdade, onde a voz de todos é ouvida (isso é mais difícil do que você imagina). O R.E.M. conseguiu o impossível, um grupo gigante que não parece tão grande... Músicas excepcionais".

9. O cenário "Uma Pessoa Compõe a Música, Mas Não Seria a Mesma Coisa Sem a Banda": 'Live At Leeds' do The Who, 'Mellon Collie And The Infinite Sadness' do Smashing Pumpkins e '(What's The Story) Morning Glory?' do Oasis

10. A categoria Melhor Grupo Pop do Mundo: o 'White Album' dos Beatles.
"Esta categoria se opõe à categoria Melhor Grupo de Rock, que teria que ser o 'Give 'Em Enough Rope' do The Clash (é a única banda que o U2 não tocaria depois...) ou a obra-prima dos Rolling Stones, 'Exile On Main Street'. Os Stones têm as músicas e eram muito melhores ao vivo, mas em estúdio... o 'White Album' é o melhor. Eu sei que é uma mistura de tudo... É um modelo para nós aqui na sede do U2... pop experimental, metal, soul, blues. Está tudo lá, mas não significaria nada se você não se importasse com o grupo, e acho que eu ainda me importo".

(P.S.: Se existisse uma categoria de "Black Album", eu escolheria 'Pretty Hate Machine' do Nine Inch Nails. Sei que o drama é facilmente alcançado quando se usa preto, e o gótico é a calça boca de sino dos anos 90, mas algo muito mais extraordinário está acontecendo aqui.)

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Bono e The Edge apresentam uma versão falada de "Beautiful Day" do U2 no funeral de Glen Hansard, reorganizando versos da composição original em formato de poema


O funeral de Glen Hansard, realizado na Catedral de São Patrício, em Dublin, teve um de seus momentos mais emocionantes quando Bono subiu ao púlpito para prestar uma homenagem ao amigo e compartilhar uma mensagem enviada por Patti Smith, sua primeira reação ao saber da notícia da morte de Glen.
Bono preferiu falar sobre a personalidade de Glen Hansard antes da música.

Bono disse que o cantor tinha uma rara capacidade de fazer qualquer pessoa sentir que era seu melhor amigo. Segundo ele, essa era uma característica compartilhada por fãs, músicos e até pessoas que o conheceram apenas brevemente.
"Como se faz isso?", perguntou Bono. "As pessoas no gramado lá fora, melhores amigos. As pessoas assistindo à transmissão, melhores amigos. Até mesmo pessoas que não o conheceram, melhores amigos. Todos que o conheceram, simplesmente se lembram do dia em que o conheceram".
Patti Smith não pôde comparecer à cerimônia, mas gravou uma mensagem de voz especialmente para a família de Hansard. Bono reproduziu o áudio diretamente de seu celular para os presentes e para quem acompanhava a transmissão ao vivo.
Na gravação, Patti Smith interpreta uma delicada canção de ninar dedicada ao músico, com versos que fazem referência à poesia, à música e à luz do sol, em uma despedida carregada de simbolismo.
Após a mensagem, Bono apresentou uma versão falada de "Beautiful Day" do U2, reorganizando versos da composição original em formato de poema. 



"See those eyes flashing landing light blue 
Seven towers holding up the sky for you 
Arrivals and departures, this is what we do 
You write your life 'til the story becomes true 
Ginger cake smile, a movie star too 
If the street be your stage how come there’s thousands in the queue 
McDaid’s feels like a stadium but there’s only me and you 
You left a hangover from hell, of this there is no doubt 
But as you wake up in heaven, all the angels will shout"

"Veja aqueles olhos brilhando, pousando em um azul claro
Sete torres sustentando o céu para você
Chegadas e partidas, é isso que fazemos
Você escreve sua vida até que a história se torne realidade
Sorriso de bolo de gengibre, uma estrela de cinema também
Se a rua é o seu palco, por que há milhares na fila?
O McDonald's parece um estádio, mas só tem eu e você
Você saiu com uma ressaca infernal, disso não há dúvida
Mas quando você acordar no céu, todos os anjos gritarão"

Nos versos finais, Bono chamou The Edge para a homenagem, criando outro dos instantes mais marcantes da cerimônia, com a igreja cantando junto o refrão da música.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Fãs iam atrás do single de "Discothèque" do U2 nas lojas, e saiam irritados


The Associated Press - Janeiro de 1997

O som eletrônico e vibrante da tão aguardada nova música do U2, "Discothèque", tem dominado as ondas do rádio e dos canais de vídeo desde sua estreia, há três semanas.
Mas os fãs que querem comprar o single estão sem sorte — até 11 de fevereiro.
É uma técnica de marketing peculiar — imagine anunciar uma bebida refrescante, mas não tê-la nas prateleiras das lojas em um dia quente de verão — mas não incomum no mundo da música pop, tão movido a hype.
"O objetivo é criar uma grande expectativa, tentar gerar uma espécie de evento", diz Stephen Dessau, presidente da Track Marketing Partners, uma empresa de marketing musical.
Na loja de discos HMV, no centro de Manhattan, porém, o gerente Mohamed Fazel não está muito animado. Ele estima que cerca de 150 clientes perguntaram sobre o single e ele teve que dizer que não tinha nenhum à venda.
Alguns clientes saem irritados e outros não acreditam nele, conta.
"Eu gostaria de ter tido", diz Fazel, "Seria um grande impulso para as vendas. U2 vende discos".
A Island Records, e a indústria como um todo, espera que isso seja verdade. Depois que as vendas de música permaneceram praticamente estagnadas em 1996, a indústria deposita suas esperanças na popular banda de rock irlandesa para ajudar a tirar o mercado da crise.
O U2 não é apenas uma das poucas megaestrelas com um público fiel, mas o próximo álbum, 'POP', promete experimentar alguns dos sons dançantes e hipnóticos que alguns na indústria acreditam que podem ser o próximo grande gênero popular.
'POP' tem lançamento previsto para 4 de março.
O período de quatro semanas de antecedência para "Discothèque" se deve em parte à logística. É necessário tempo para garantir que o disco esteja disponível em lojas do mundo todo. A Island queria evitar vazamentos e não queria que algumas estações de rádio começassem a tocar a música antes de outras, irritando seus concorrentes, diz Hooman Majd, vice-presidente executivo da Island.
Mas a Island também quer criar expectativa, para que, quando o disco finalmente for lançado, se esgote rapidamente — e faça uma estreia estrondosa no topo das paradas.
O efeito manada, então, pode gerar ainda mais vendas.
"Se estiverem tocando, preferimos ter o disco em mãos", diz John Wheat, chefe de marketing da Virgin Megastore em Manhattan. "Mas isso cria expectativa, então ele esgota rapidinho quando chega às lojas".
A Mercury Records tentou a mesma coisa com 'Key West Intermezzo (I Saw You First)', de John Mellencamp, no outono passado. E Fazel lembra de ter recebido reclamações sobre o último single de George Michael ter tocado no rádio antes de chegar às lojas.
As prévias podem funcionar para artistas consagrados com fãs fiéis, mas não para músicos jovens. As gravadoras não querem correr o risco de afastar clientes interessados quando se trata de um artista novo tentando construir um público.
O prazo de lançamento do U2 parece um pouco maior do que o normal, especialmente porque a maioria dos fãs provavelmente vai querer o álbum, e não um single, disse Dessau.
Mas tem havido muita conversa sobre 'POP' e algum atraso: a Island Records inicialmente queria que o álbum estivesse nas lojas a tempo para as festas de fim de ano.
Majd afirma que a Island Records não recebeu nenhuma reclamação sobre a indisponibilidade de "Discothèque". Muitos varejistas aceitam isso como parte do negócio, diz John Sullivan, porta-voz da rede Trans World, com 482 lojas, que também desconhece reclamações.
"Os fãs mais dedicados costumam saber com bastante antecedência a data de lançamento", diz Majd.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Daniel Lanois fala de suas gravações com o U2 e sobre sua participação no novo disco da banda


Daniel Lanois - Rolling Stone Music Now

Sobre as muitas das músicas mais calmas que tiveram que ser cortadas de 'No Line On The Horizon', porque eles estavam procurando por material que pudesse ser apresentado no palco:

"Já tive essa conversa com muitos artistas com quem trabalhei. "Estamos sendo responsáveis com o palco?" Porque, obviamente, em um show, se você é uma big band, não vai tocar um monte de material calmo, porque as pessoas querem se soltar e se animar. Então, sempre existe essa responsabilidade de: o que vamos levar para o estádio? Mas eu sou um produtor musical, sabe? Eu não penso tanto no palco. Eu penso em como vamos transportar nossos ouvintes e o que pode haver nisso que realmente toque alguém e faça com que essa pessoa pense um pouco diferente ou se assuste em sua própria casa. Não precisa ser no estádio".

Sobre se apresentar com o U2 no Sphere:

"Tocar no Sphere foi muito especial para mim porque foi o último show que eles fizeram. Sugeri ao Edge que, se ele precisasse de um parceiro para tocar guitarra, eu me juntaria a ele em "One". E ele disse: "Bem, Danny, deixe-me ver isso", porque eles estavam filmando na época, e acrescentou: "Precisaremos de alguma consistência noite após noite". Mas, no fim das contas, o Edge me convidou para participar. Há uma linha, um mantra, que se repete ao longo da música. Ele foi tocado na guitarra com o Eno no sintetizador. Então, essa linha foi o que decidi tocar com o Edge. A sensação foi a mesma que tive no estúdio. Eu estava perto dos meus amigos. E o Bono disse: "Só preste atenção em mim e podemos cantar "One" juntos", e foi o que fizemos. Então, o que posso dizer? Um grande momento de celebração por uma ótima música e alguns ótimos amigos".

Sobre trabalhar com o U2 em novas gravações:

"Tive um pequeno envolvimento com o novo trabalho deles. Mas ainda não ouvi o álbum. Acabei de ver que lançaram um vídeo com a faixa principal. Mas também trabalhei em outras coisas, então vamos ver se consegui terminar a tempo. Tanto eu quanto o Eno demos nossa contribuição em algum lugar ali. Umas duas ou três músicas. O Jacknife Lee produziu o álbum, ele é um músico incrível. Talvez eu e o Eno façamos participações especiais em alguma faixa".

Sobre "Where The Streets Have No Name" falada em seu livro, com ele regendo a banda com acordes escritos em um quadro-negro:

"As pessoas se empolgam com a performance e podem ainda estar aprendendo a música, então não é ruim ser como um professor de ciências com uma caneta apontadora. É só apontar para o quadro-negro e depois apontar para o próximo acorde, assim elas só precisam olhar e não precisam pensar em seguir uma cifra. 
O Edge fez uma introdução sinfônica muito bonita para essa música. Mesmo BPM, mas uma fórmula de compasso diferente. Acho que era 5/4. E veja bem, nós usamos a gravação caseira dele e transferimos para a multitrack, e basicamente a banda fez overdubs no que o Edge tinha preparado em casa. Nós apenas nos certificamos de criar um componente rítmico de transição para Larry seguir. E assim, com um pouco de tecnologia, conseguimos criar uma gravação multitrack para a banda fazer overdubs. E em certo ponto, a música passou de 5/4 para 4/4".

Sobre 'The Joshua Tree':

"Depois de terminar 'The Unforgettable Fire' com os rapazes, eu disse ao Edge que achava que ainda tínhamos algo a dizer juntos. Não me estendi muito sobre isso. Não estava pedindo trabalho. Disse isso porque os amo e queria que a música deles fosse a melhor possível. E eu falei sério.
Padrões são estabelecidos, e isso é o que é ótimo na produção de discos. Mas o mais significativo é que, conforme o processo avança, algo se torna a sonoridade do disco. E é por isso que os álbuns têm uma certa atmosfera. Quando começamos a trabalhar em 'The Joshua Tree', logo no início encontramos algo. Encontramos uma sonoridade para aquele disco e ela se tornou o nosso guia. Então, isso não é algo que você possa controlar antecipadamente por meio de planilhas, listas de músicas ou qualquer coisa do tipo. É quando você entra no meio do processo que descobre com o que está lidando.
E depois de 'The Joshua Tree', obviamente, aquele foi um disco de muito sucesso, mas tínhamos uma equipe incrível e decidimos continuar".

Sobre 'Achtung Baby':

"Foi ideia do Bono que fizéssemos um disco de rock europeu, e por que não ir para o Hansa, em Berlim, para isso? O muro tinha acabado de cair. Eno havia trabalhado lá com Bowie e Iggy Pop antigamente, então havia a ideia de que era longe o suficiente de casa, mas ainda assim na Europa. Foi isso que nos levou até lá.
Mantivemos a equipe unida. O Flood gentilmente assumiu todas as funções de engenharia, o que me liberou para ficar na sala de ensaio com o Eno. Agora, em relação à criatividade, vamos lá. Tínhamos o Eno, eu, o Flood, e tudo o que nos importava era alma e originalidade. O que poderíamos fazer que nunca tivesse sido ouvido antes? E então o Edge, claro, é um mestre da guitarra, e eu fiquei muito feliz em trabalhar de perto com ele. Nós experimentamos alguns acordes para a música "One". Tentamos este arranjo, aquele, e o invertemos. E, felizmente, tínhamos o Bono, e se ele ouvia algo que o inspirava, ele pegava o microfone e mandava um verso, e assim partíamos para o que interessava. Uma época muito criativa na Alemanha".

Sobre "Ultraviolet (Light My Way)":

"Que título fantástico, "Ultraviolet". Uma música realmente empolgante, se bem me lembro. O início é... eu adoro começos assim porque geralmente são construídos a partir de pequenos improvisos espontâneos antes da música, e as pessoas vão criando sons, e é emocionante, e as coisas vão se desenrolando. E então Bono entra com uma tonalidade marcante e, de repente, quase decolamos. Tive uma sensação de voo com essa música. Levitação. É puro rock and roll. Pertencia àquela época. Feita por aquelas pessoas naquela sala. O que dizer? Uau".

Sobre "Beautiful Day":

"É uma música na qual trabalhamos por alguns dias, e significava muito para a banda. E naquela época, Eno e eu chegávamos ao estúdio um pouco mais cedo do que todos os outros pela manhã, só para começar a trabalhar em algo. E foi ideia do Eno dar um toque mais eletrônico à música, e nos afastarmos da sonoridade tradicional da banda. E ele criou uma batida. Tipo uma batida de rock and roll antiga. E então eu criei uma linha sobre a linha do Edge. O Bernard Herrmann para o Edge, digamos assim. E Eno e eu construímos essa pequena faixa, essa pequena introdução para a banda. É na guitarra. Eu a toquei na guitarra, e o Edge está tocando a melodia. Eu me esqueci de qual foi o processamento, mas a guitarra é a base. Quero dizer, tudo o que o Edge faz é processado. Você deveria ver o rack dele".

Sobre o riff de abertura de "Mysterious Ways":

"Um acorde de Si com pestana básico nas mãos de um dos maiores guitarristas rítmicos do planeta chamado Edge, vamos lá. Qualquer coisa que você adicione a isso será um elogio. "Mysterious Ways". Dá uma olhada na parte do breakdown disso. É de altíssimo nível. Poderia muito bem ser James Brown. Obrigado, Edge".

sábado, 1 de agosto de 2026

"Percebi que o U2 não era necessariamente a maior coisa do mundo"


1992. Stuart Bailie para a NME Magazine conversou com Adam Clayton sobre o lado sombrio da experiência de 'Achtung Baby', sobre as letras tristes e as formas intrincadas e claustrofóbicas. 
Adam contou sobre alguns dos títulos provisórios do disco: 'Fear Of Women', 'Adam' e até 'Man'. Mas todos foram rejeitados porque as pessoas diriam que era mais uma grande declaração do U2.
"Havia muita infelicidade por vários motivos", ele pondera. "Um deles, eu acho, era que tínhamos passado pelos nossos 20 e poucos anos em um turbilhão, e era o primeiro período em que realmente passávamos um tempo em casa, sendo, digamos, os chefes de nossas respectivas famílias. Além disso, uma espécie de revolução musical tinha acontecido, e estávamos empolgados com isso. Tentar conciliar o fato de que tínhamos responsabilidades e depois ir para Berlim e tentar fazer um ótimo disco de rock 'n' roll — alguma coisa tinha que ceder em algum momento. Algumas pessoas sofreram mais pressão do que outras, então houve um pouco de lamentação e ranger de dentes. Espero que nunca mais seja tão ruim, mas se for, não ficaria nada surpreso, e tenho certeza de que superaríamos isso".
Larry Mullen Jr. falou sobre os velhos tempos e, embora todos estivessem muito otimistas com a nova era, havia uma tendência a desconsiderar o passado, dizendo que tudo se tornou redundante. "Não gosto da ideia de ignorar o passado e dizer que não foi importante, porque foi importante sim — foi lá que aprendemos".
Eles mencionaram Nine Inch Nails, Jesus And Mary Chain, Happy Mondays e Curve como bandas que ouviram como prelúdio para a gravação de 'Achtung Baby', o que incluiu visitas a Londres para comprar discos raros e conhecer algumas casas noturnas da zona oeste da cidade. Adam passou muito tempo em Nova York no verão de 1990, aproveitando o anonimato. "Percebi que o U2 não era necessariamente a maior coisa do mundo".

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Acidente de moto que vitimou Glen Hansard aos 56 anos em julho de 2026, aconteceu 40 anos depois da morte de Greg Carroll aos 26 anos também em Dublin, e também em um acidente de moto, em julho de 1986


O músico irlandês Glen Hansard, vencedor do Oscar de Melhor Canção Original em 2008 pelo filme independente 'Once' e vocalista da banda de rock The Frames, morreu em um acidente de moto aos 56 anos de idade.
A polícia da Irlanda informou que Hansard morreu após um acidente envolvendo apenas uma motocicleta no oeste de Dublin. Os serviços de emergência foram acionados, e a vítima foi declarada morta pouco depois de receber atendimento no local.
Bono prestou homenagem a Glen Hansard nas redes sociais do U2.


O acidente de moto que vitimou Glen Hansard em julho de 2026, aconteceu 40 anos depois da morte de Greg Carroll também em Dublin, e também em um acidente de moto, em julho de 1986.
O U2 visitou a Austrália e a Nova Zelândia pela primeira vez em 1984 para dar início à turnê 'The Unforgettable Fire'. Após um voo de 24 horas para Auckland, Bono não conseguiu se adaptar ao fuso horário entre a Nova Zelândia e a Europa. Ele saiu do quarto do hotel durante a noite e encontrou algumas pessoas que o levaram para conhecer a cidade. Greg Carroll fazia parte desse grupo: ele havia conhecido o gerente de produção do U2, Steve Iredale, e recebeu uma oferta de emprego para ajudar a banda em seu próximo show, devido à experiência de Greg com bandas de rock locais. Eles acabaram levando Bono até One Tree Hill (Maungakiekie), um dos vulcões mais altos – e de maior significado espiritual para o povo Māori – dos maiores vulcões de Auckland. Greg trabalhou como assistente de palco, gentilmente impedindo que as pessoas subissem ao palco, e foi descrito como "um cara muito prestativo correndo por todo o lugar". O empresário do U2, Paul McGuinness, achou Carroll tão prestativo que decidiu que ele acompanhasse a banda pelo restante da turnê. O grupo o ajudou a obter um passaporte e, posteriormente, ele se juntou a eles na estrada na Austrália e nos Estados Unidos como assistente. Ele se tornou muito amigo de Bono e de sua esposa Ali Hewson e, após a conclusão da turnê, trabalhou para o U2 em Dublin.
Em 3 de julho de 1986, pouco antes do início das sessões de gravação de 'The Joshua Tree', Carroll, com 26 anos de idade, morreu em um acidente de moto. Um carro entrou na frente dele e, sem conseguir parar na chuva, Carroll bateu na lateral do carro e morreu instantaneamente. O evento chocou toda a banda. Larry Mullen Jr. disse: "Sua morte realmente nos abalou – foi a primeira vez que alguém do nosso círculo de trabalho foi morto". The Edge disse: "Greg era como um membro da família, mas o fato de ele ter se acolhido e viajado tão longe de casa para estar em Dublin trabalhando conosco tornou tudo ainda mais difícil de lidar". Adam Clayton descreveu o ocorrido como "um momento muito impactante", dizendo: "Isso nos fez perceber que existem coisas mais importantes do que o rock 'n' roll. Que sua família, seus amigos e, de fato, os outros membros da banda – você não sabe quanto tempo lhe resta com eles". Bono disse: "Foi um golpe devastador. Ele estava levando minha moto para casa." Mais tarde, ele comentou: "Isso trouxe seriedade à gravação de 'The Joshua Tree'. Tínhamos que preencher o vazio em nossos corações com algo muito, muito grande, nós o amávamos muito". Acompanhado por Bono, Ali, Larry e outros membros da organização U2, o corpo de Carroll foi levado de volta para a Nova Zelândia e enterrado de acordo com a tradição Māori em Kai-iwi Marae, perto de Whanganui, cidade natal de Carroll. Bono cantou "Let It Be" e "Knockin' On Heaven's Door" para ele no funeral.
Pouco depois de retornar a Dublin, Bono escreveu a letra de uma música sobre o funeral, que intitulou "One Tree Hill", em referência à colina que se lembrava de sua visita a Auckland em 1984.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

O desejo de Bono de renascer


Grunge

O U2 é uma banda marcada por contradições, assim como pela sua interação entre política e música. Um sucesso estrondoso como "I Still Haven't Found What I'm Looking For", de 1987 — uma canção que definiu a história do rock nos anos 80 — contém letras explicitamente cristãs e utópicas, como "Eu acredito no Reino dos Céus / Então todas as cores se fundirão em uma só". Mas as letras de Bono sempre foram suficientemente interpretáveis, e a imagem da banda é de "estrelas do rock" (especialmente em 'Achtung Baby' e 'PPO'), para que se especule sobre a origem cristã do U2 há décadas.
O desejo de Bono de renascer não precisa se limitar à religiosidade, no entanto. Crescendo na Irlanda em meio aos Conflitos na segunda metade do século XX, período que inspirou a canção "Sunday Bloody Sunday", Bono vivenciou uma época extremamente turbulenta na história recente do país. Bono viu política e religião se misturarem em sangue; isso explica praticamente tudo sobre sua visão de mundo. 
"Desejo recomeçar todos os dias. Renascer a cada dia é algo que tento fazer", disse Bono no livro 'Bono: In Conversation with Michka Assayas'.
Assayas levou dois anos para compilar a biografia de 2006, escrita como uma série de entrevistas reunidas em partes ao longo do tempo e em vários locais. Nessa época, o U2 já havia superado a fase eletrônica dos anos 90, que alguns críticos e fãs detestaram, e reconquistado a simpatia do público com "Beautiful Day", de 2000. Eles até fizeram uma apresentação bem recebida no Super Bowl em 2002, onde Bono abriu a jaqueta para revelar uma bandeira americana em solidariedade ao público traumatizado pelo 11 de setembro. É esse último ponto sobre os EUA que se conecta à citação de Bono.
A declaração de Bono surgiu ao final de uma longa conversa sobre figuras musicais como Bruce Springsteen e Bob Dylan, este último por quem Bono nutria uma admiração especial. Quando Assayas redirecionou a conversa para o próprio Bono, perguntando qual seria sua identidade central à luz de figuras musicais como Springsteen e Dylan, Bono respondeu: "A coisa mais difícil... é ser você mesmo". Bono continuou: "Essa é a grande vantagem da América. É a terra da reinvenção".
Daí a citação de Bono sobre começos e renascimento. Para o público em geral, Bono (e o U2, por extensão) sempre pareceu estar envolvido em uma crise de identidade constante. Há a fase pré 'The Joshua Tree', a explosão da fama, a decadência rumo ao estrelato pop nos anos 90, a ascensão posterior, etc., como uma narrativa contínua. Mas, em vez de indicar inconsistência, a declaração de Bono demonstra que ele simplesmente está disposto a ser honesto sobre a autoexploração, seja pessoal, religiosa, artística ou de qualquer outra forma.
A constante mudança na imagem pública de Bono ilustra precisamente o que ele quer dizer com "Desejo recomeçar todos os dias". Em outras palavras, Bono está preso em um ciclo de autoavaliação de sua vida e escolhas. Qualquer banda, incluindo o U2, leva anos para compor, gravar e promover um novo álbum. Às vezes é rápido, como a diferença entre 'Achtung Baby' e 'Zooropa' (dois anos), e às vezes é mais longo. Enquanto isso, cada pessoa forma uma visão particular do que é o U2, como uma figura estática que supostamente não muda. Mas, na realidade, o quanto muda na vida de uma pessoa ao longo dos anos? Certamente, podemos esperar que os artistas também mudem e que essa mudança se reflita em sua arte.
Há também a perspectiva religiosa, evidente na alusão bíblica na segunda parte da citação de Bono: "Renascer todos os dias é algo que tento fazer". Podemos interpretar essa alusão como indicativa de devoção religiosa, sem dúvida. Para deixar claro, Bono já abandonou o cristianismo há muito tempo, apesar de toda a confusão persistente sobre o assunto. Em uma entrevista de 2013 citada pelo Huffpost, ele esclareceu: "Oramos com todos os nossos filhos, lemos as Escrituras, oramos". Mas se Bono se refere a nascer de novo no sentido de Jesus, não podemos afirmar. Dado o contexto em que ele cresceu, em uma Irlanda dividida religiosa e politicamente, essas preocupações são, no mínimo, compreensíveis.
Quanto à aplicação disso para o resto de nós, a resposta deveria ser simples: nunca presuma que você chegou às suas conclusões definitivas. Sempre presuma que há espaço para crescer, se renovar, se aprimorar e tente ativamente fazer isso, sem ressentimento, todos os dias.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Bono escreve sobre o músico irlandês Glen Hansard, que morreu em um acidente de moto em Dublin


O músico irlandês Glen Hansard, vencedor do Oscar de Melhor Canção Original em 2008 pelo filme independente 'Once' e vocalista da banda de rock The Frames, morreu em um acidente de moto aos 56 anos, segundo informou a imprensa irlandesa.
A polícia da Irlanda informou que um homem na faixa dos 50 anos morreu após um acidente envolvendo apenas uma motocicleta no oeste de Dublin. Os serviços de emergência foram acionados, e a vítima foi declarada morta pouco depois de receber atendimento no local.
Bono escreveu nas redes sociais do U2:

"Às vezes eu me perguntava se Glen Hansard realmente existiu…

Sério, ele era uma presença angelical… não de outro mundo… na verdade, uma presença muito presente…
Um travesso sorridente, se você precisasse que ele fosse… este arcanjo musical e travesso de Ballymun… sem frescuras, cheio de graça…
É claro que Glen era a estrela brilhante da apresentação de rua na véspera de Natal… às vezes o único que nos lembrava que o Natal começou com um refugiado nascido em uma manjedoura, o que não é muito diferente de viver na rua.

Ser completamente você mesmo, demonstrando mais interesse pelos outros – uma dica para qualquer um de nós que esteja experimentando diferentes personas. Ele realmente era quem você pensava que ele era. Ele nunca conseguia passar por uma pessoa em situação de rua sem verificar se ela estava bem… e mais do que isso, ele trabalhou muito para que menos pessoas tivessem que viver nas ruas.
Quando as multidões aumentavam e, por questões de segurança, Glen teve que concordar em transferir a apresentação de rua para um palco gentilmente disponibilizado do lado de fora do Teatro Gaiety, ele dizia: "Daremos o nosso melhor, mas não é uma apresentação de rua se não estivermos na rua!"... porque era isso que ele era - um artista que se apresentava ao nível do público em qualquer situação. O palco era uma separação que ele não reconheceria. De todos os grandes e gigantescos locais onde ele e The Frames tocaram, você sentia que a rua era o seu lugar preferido para se apresentar. E as pessoas da rua, seu público favorito.

A voz das ruas. Um coro de anjos em um só homem. Nós, os demais, abençoados por estarmos ali ao lado do nosso próprio e terreno Anjo Gabriel... Todos nós somos bem-vindos ao seu coro, seja qual for a forma.

...e estou dizendo a mim mesmo esta manhã que, se ele nunca existiu, então ele nunca poderá deixar de existir. Para mim, ele sempre estará em todo lugar onde eu vir uma moeda girando dentro de um estojo de guitarra aberto.

Que você permaneça na paz que deu a tantos".

Músico irlandês Glen Hansard, que participou de 'Bono & The Edge: A Sort of Homecoming with Dave Letterman' e da canção "The Ballad Of Ronnie Drew", morre em acidente de moto em Dublin


O músico irlandês Glen Hansard, vencedor do Oscar de Melhor Canção Original em 2008 pelo filme independente 'Once' e vocalista da banda de rock The Frames, morreu em um acidente de moto aos 56 anos, segundo informou a imprensa irlandesa.
A polícia da Irlanda informou que um homem na faixa dos 50 anos morreu após um acidente envolvendo apenas uma motocicleta no oeste de Dublin. Os serviços de emergência foram acionados, e a vítima foi declarada morta pouco depois de receber atendimento no local.
Glen Hansard apareceu ao lado de Bono e The Edge no documentário especial da Disney+ 'Bono & The Edge: A Sort of Homecoming with Dave Letterman', participando de uma apresentação ao vivo intimista no Ambassador Theatre, em Dublin, e de uma sessão musical no McDaid's Pub.
Hansard é visto na performance de"Invisible" no documentário.
Hansard disse à SPIN que o convite para participar veio do próprio Bono. "Ele teve uma boa ideia de ter um pouco de música em um bar, e ele me queria lá, e alguns outros músicos que conhecemos", disse ele, referindo-se à participação dele, Irglova, Imelda May, Saint Sister, Grian Chatten do Fontaines DC, e Dermot Kennedy durante duas noites de música no minúsculo McDaid's Pub em meados de dezembro. Entre as músicas tocadas estava "Desire" do U2, com Bono e Hansard.
Depois disso, Hansard pensou que seus deveres diante das câmeras estavam completos, mas então Bono perguntou se ele falaria com David Letterman. Hansard disse a Bono que ele estava dentro, mas que na verdade nunca havia falado com Letterman antes, apesar de se apresentar em seu programa noturno da CBS em várias ocasiões.
"Temos um trem local na Irlanda chamado DART, e ele queria que eu pegasse o trem de terminal a terminal, o que leva cerca de uma hora", lembrou Hansard. "Eu nunca encontrei esse cara e de repente estou sentado no trem com ele por uma hora. Ele foi de um amor absoluto. Nós conversamos sobre o U2, mas quase toda a conversa foi sobre nossos filhos, o que foi uma maneira adorável de conhecê-lo. A primeira coisa que eu disse foi: 'Eu fiz o seu programa, mas nunca falei com você'. Ele disse: 'provavelmente lhe disseram para não olhar nos meus olhos, certo?' 'Sim' eu disse, ele disse, "sim, é assim que eu gosto". Ele foi muito, muito doce. Andamos de trem por uma hora e depois fomos a um bar. David realmente me surpreendeu. Não que eu esperasse um cara frio, mas ele era um cavalheiro absoluto".
A canção "The Ballad Of Ronnie Drew" foi gravada no Windmill Lane Studios em 14 e 15 de janeiro de 2008, em Dublin, pelo U2, The Dubliners, Kíla e A Band Of Bowsies, essa trazendo Glen Hansard.
Os vocais de Glen Hansard para a faixa foram gravados por telefone, e não pessoalmente, já que ele estava nos Estados Unidos para o 80º Oscar.
Em uma entrevista sobre o álbum 'Songs Of Innocence' do U2, Bono disse: "Há algo sobre o som do disco que é um pouco organizado demais. Isso é o que acontece quando você fica muito tempo no estúdio. Mas se chama 'Songs Of Innocence' por uma razão. Esse é o desafio com esta banda, após todos estes anos — composição — não fogos de artifício sônicos ou experimentação sonora. Podemos escrever canções que verdadeiramente resistem? Conversando com nossos amigos Damien Rice e Glen Hansard, os trovadores, eles só têm um violão, então suas canções e palavras resistem melhor. Com uma banda, você pode ocultar o fato de que as músicas não estão lá. Mas neste álbum, sinto que podemos tocar 10 delas no show. Como artistas, temos este segundo sentido de quando uma música está se expressando. Nós sabemos o que está acontecendo em um local. Se funciona ou não. Temos uma ajuda extra com este aparelho (multimídia), no departamento de contar histórias. Mas eu sei que posso cantar essas músicas em um restaurante com uma guitarra e elas funcionarão".
Uma das canções irlandesas favoritas de Bono é de Glen Hansard & Marketa Irglova: "Falling Slowly".

Mais detalhes sobre a frustração de Daniel Lanois com 'No Line On The Horizon' do U2


'No Line On The Horizon' do U2 foi lançado em 2009. A banda originalmente pretendia lançar as músicas em dois EP, mas depois combinou o material. 
A banda começou a trabalhar no álbum em 2006, com o produtor Rick Rubin, mas ignorou a maior parte do material das sessões. De maio de 2007 a dezembro de 2007, a banda colaborou com Brian Eno e Daniel Lanois, que produziu e co-escreveu muitas das novas canções. A escrita e gravação ocorreram nos Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda e Marrocos. 
Antes do lançamento, o U2 indicou que Brian Eno e Daniel Lanois estariam no envolvimento do álbum. 
O tempo da banda em Fez, Marrocos, resultou na gravação de músicas mais experimentais.
Daniel Lanois agora revelou no podcast All Access da Rolling Stone que o U2 já tinha um disco excelente gravado no sul da França antes de partirem para Fez, no Marrocos, para as sessões. No entanto, a viagem mudou os rumos criativos do álbum, e ele e Brian Eno demonstraram frustração com isso.
O produtor relatou que, durante um almoço no sul da França, sugeriu à banda finalizar dez faixas que ele havia recomendado. 
Ao irem para Fez, no Marrocos, o grupo ignorou parte daquele material prévio e focou em composições totalmente novas e experimentais. O resultado final gerou debates internos: Brian Eno e Daniel Lanois sentiram que o rumo tomado em Marrocos acabou deixando de lado as faixas mais suaves e introspectivas gravadas anteriormente.
Daniel Lanois: "Já tínhamos um ótimo álbum antes de irmos para o Marrocos. Em uma mesa de almoço no sul da França, sugeri à banda que terminássemos as dez faixas que eu recomendei, e claro, fomos para o Marrocos e não trabalhamos em nada disso e acabamos criando um monte de material novo, o que é mais divertido porque continuamos esperando que a grande faixa ainda viesse, e quem pode dizer algo de ruim sobre isso?
No Marrocos, todo mundo ficou doente, a maioria das pessoas ficou doente, então tornou esse processo de gravação muito, muito longo, e quando voltei - acho que acabamos voltando para Dublin - estava bem desgastado. Não sei o que dizer sobre isso, além de que no final, conseguimos o que conseguimos, mas havia um grande álbum antes de irmos para o Marrocos. Eu estava muito empolgado com isso na época, mas a aventura continuou rolando".
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