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sábado, 2 de maio de 2026

U2 50 Anos: BB King sobre tocar com o U2


"O U2 apareceu em um dos meus shows quando eu estava na Irlanda", relembra Riley "Blues Boy" King, uma lenda nascida no Mississippi. "Perguntei ao Bono se ele escreveria uma música para mim e ele disse que sim. Cerca de um ano depois, a banda estava em turnê pelos EUA e me perguntaram se eu gostaria de abrir o show, e eu aceitei com prazer. Bono disse: 'Tenho uma música para você'. Ele a trouxe e eu achei que era uma música muito profunda para ele, sendo tão jovem. Mas eu gostei muito".
Bono afirmou mais tarde que a letra de "When Love Comes To Town" foi escrita uma hora antes do encontro.
BB King e o U2 fizeram uma turnê juntos novamente em 1989, e The Edge concedeu ao padrinho do blues um MOBO de Conjunto da Obra em 1998. "Edge é um cara ótimo, ele é uma seção rítmica por si só", disse BB King. "Sou grato a eles porque eles realmente me deram visibilidade. Comecei a ver muitas pessoas diferentes que nunca tinham ouvido falar de BB King antes disso. Pessoas mais jovens também, fãs do U2, tiveram a oportunidade de me conhecer por meio deles. O U2 tem sido muito amigo meu".
Somente irlandeses brancos podem tocar blues, BB? "O blues não tem preconceito. Você pode ser de qualquer cor para tocar blues. A maioria das pessoas diz que é uma música simples, e eu não vou discutir isso. Eu digo que qualquer um pode tocar, mas isso não significa que todos vão gostar. Acho que o U2 fez um ótimo trabalho. Eu achei ótimo e continuo achando".

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Entendendo "Wildpeace"


O U2 lançou no EP 'Days Of Ash' a faixa "Wildpeace", uma recitação do poema homônimo do aclamado poeta israelense Yehuda Amichai. 
A canção é uma adaptação do poema de Amichai, focada em uma "paz selvagem" (wild peace), que não é apenas o cessar-fogo oficial, mas uma paz interna e profunda.
"Wildpeace" foi escrito por Amichai (1924-2000), um dos poetas israelenses mais renomados, conhecido por sua poesia da vida cotidiana, amor e morte, escrita em hebraico moderno.
O uso do poema reflete o interesse do U2 em temas de paz e justiça. O poema original clama por uma paz "leve, flutuante, como uma espuma branca e preguiçosa". 
A música instrumental do produtor Jacknife Lee, com leitura da artista nigeriana Adeola Fayehun, evoca uma paz sincera e cotidiana em contraste com a violência.
O EP 'Days Of Ash' tem forte temática lírica sobre conflitos atuais e apresenta mais duas faixas que fazem referência ou alusão a Israel. 
"The Tears Of Things" imagina uma conversa entre Michelangelo e sua escultura de "David", que pretende refletir "o conflito em curso" em Gaza. 
Embora não pareça haver uma referência explícita à guerra em Gaza, há uma menção ao Holocausto na letra: "Seis milhões de vozes silenciadas em apenas quatro anos, a canção silenciosa da cristandade, tão alta que todos ouvem". 
"One Life At A Time", faz referência ao documentário 'No Other Land', sobre as demolições realizadas por Israel na aldeia de Masafer Yatta, na Cisjordânia, e ao ativista palestino assassinado, Awdah Hathaleen. 
O Lyric Video mostra imagens da barreira de segurança da Cisjordânia e do Domo da Rocha.

Do site blog.nli.org.il

Dois anos antes de sua morte, o poeta Yehuda Amichai foi entrevistado no que ainda era conhecido como Canal 1 em Israel.
O homem que dedicou sua vida à busca pela paz tentou descrever o que a paz significava para ele.
"Acredito tão profundamente na necessidade da paz que quero rebaixá-la — baixar o padrão", disse Amichai ao entrevistador Ram Evron. "A expectativa deve ser a de adiar a próxima guerra. Paz e amor virão depois, mas antes de tudo — adiar a próxima guerra".
Além disso, a paz de Amichai era completamente alheia a cerimônias e acordos formais. "Porque se você fizer muitas apresentações, elogios, celebrações e abraços em nome da paz", explicou ele na entrevista, "as pessoas perderão a paciência e uma nova guerra começará. Adiar a próxima guerra — isso é o mais importante. As coisas mais nobres virão depois, por si só".
E aqui reside a mensagem que o poeta transmite em "Wildpeace". Essa "paz selvagem" é um tipo diferente de paz — uma paz "natural", uma paz desprovida de cerimônias e sem alarde. Uma paz "leve".
Na sexta-feira, 7 de agosto de 1970, a Guerra de Atrito chegou oficialmente ao fim. Foi um conflito que se estendeu por três anos entre Israel e os países vizinhos, frequentemente em baixa intensidade, mas que ainda assim ceifou milhares de vidas.
Não houve paz de verdade.
Foi apenas uma pausa nos combates — uma pausa que duraria apenas até a próxima campanha, em outubro de 1973: a Guerra do Yom Kippur.
E então, menos de dois meses depois, Yehuda Amichai publicou a primeira versão de "Wildpeace" no Haaretz.

Wildpeace

Não a paz de um cessar-fogo,
nem mesmo a visão do lobo e do cordeiro,
mas sim como no coração quando a excitação passa,
e só se consegue falar de um grande cansaço.

Eu sei que sei matar, isso me torna um adulto.

E meu filho brinca com uma arma de brinquedo que sabe
abrir e fechar os olhos e dizer Mamãe.

Em paz, sem o barulho estrondoso de espadas sendo transformadas em arados, sem palavras, sem o baque do pesado carimbo de borracha: que seja leve, flutuante, como espuma branca e preguiçosa.

Um pouco de descanso para as feridas – quem fala em cura?

(E o uivo dos órfãos é passado de geração em geração, como em uma corrida de revezamento: o bastão nunca cai.)

Que venha, como flores silvestres,
de repente, porque o campo precisa dela: paz selvagem.

Será que a proximidade temporal entre o fim daquela guerra e a publicação deste poema é mera coincidência? Teria essa trégua, após anos de guerra, finalmente oferecido "descanso para as feridas"? A palavra "cessar-fogo" no primeiro verso se refere ao cessar-fogo que pôs fim à Guerra de Atrito? 
Alguns meses depois, em 1971, Amichai republicou o poema em seu livro Mas Não Para Lembrar. Esta versão final incluía o verso: "E meu filho brinca com uma arma de brinquedo que sabe abrir e fechar os olhos e dizer: Mamãe".
Os anos passam. Na verdade, vinte e três anos se passam antes que o poema volte às manchetes.
Yehuda Amichai recebeu um convite especial do primeiro-ministro Yitzhak Rabin — um convite para acompanhá-lo na cerimônia do Prêmio Nobel da Paz, realizada em 10 de dezembro de 1994. Amichai, um homem identificado com o movimento pacifista, aceitou o convite. Ele participou da cerimônia e leu trechos de seus poemas para a plateia, incluindo "Wildpeace".
E talvez houvesse algo um tanto dissonante nisso. Pois, embora Amichai fale no poema sobre a paz "sem o baque do pesado carimbo de borracha" usado em tratados oficiais, na realidade ele participava de uma cerimônia de premiação que homenageava líderes que haviam assinado exatamente esse tipo de acordo com precisamente esse tipo de carimbo.
Mas Amichai também deu uma resposta para isso.
Quando questionado sobre sua escolha do poema "Wildpeace", ele respondeu:
"Escrevi este poema há mais de vinte anos, antes do primeiro tratado de paz com o Egito. Naquela época, a paz era apenas uma visão. A história nos ensinou que a vida é curta demais para esperarmos pela paz natural. A natureza precisa ser ajudada e protegida como as flores silvestres. É isso que os líderes das duas nações estão fazendo agora com grande coragem".
Passam-se mais trinta e dois anos, e o poema volta às manchetes. Desta vez, diante de uma audiência de bilhões, quando o próprio Papa o cita em seu sermão de Natal no Vaticano. Leão XIV não mencionou Amichai pelo nome.
Dois meses depois, o poema transitou do âmbito da liturgia católica para o mundo do rock and roll, quando o U2 o incluiu em seu recente EP, 'Days Of Ash'.
"Para mim", diz Hanna Amichai, viúva de Yehuda, ""Wildpeace" é uma paz que cresce naturalmente, por si só — como uma flor. Não é algo plantado, cultivado ou planejado".
"Em minha vida, já não espero que a 'paz selvagem' se concretize", admite Hanna. "Mas talvez ainda valha a pena acreditar. Quem sabe?"

quinta-feira, 30 de abril de 2026

U2 50 Anos: A Segunda Esposa


Os longos compromissos de gravação e shows ao vivo do U2, admitiu Bono durante 'The Joshua Tree', começaram a afetar seu casamento. 
"Vivo com uma pessoa muito forte, e ela me expulsa de casa ocasionalmente", confessou ele à Rolling Stone. "Quase não vi minha esposa, Ali, durante um ano. 1986 foi um ano incrivelmente ruim para mim. É quase impossível ser casado e estar em uma banda na estrada". 
O Daily Star abordou esse tema em abril de 1987. "Temos um relacionamento muito tempestuoso", disse Bono. "Ali não será usada como um broche, ela é uma mulher independente. Minha vida é uma bagunça. Não tenho conseguido conciliar meu casamento com as gravações e as turnês".
Por volta dessa época, começaram a circular fofocas nos tabloides ligando Bono a várias mulheres, incluindo Máire Brennan, do Clannad, e a ex-vocalista do Lone Justice, Maria McKee. Ambas dividiram o palco e fizeram duetos com o vocalista, e Bono chegou a chamar McKee, em tom de brincadeira, de "minha segunda esposa". Mas ele negou veementemente que seu casamento estivesse em crise.
"Vocês dizem à imprensa que Ali é uma pessoa independente, muito inteligente e não uma bonequinha, e que ela não leva desaforo meu", protestou ele à Rolling Stone, "e eles interpretam isso como um colapso conjugal. E eu penso: 'Bem, com que tipo de mulher eles são casados?'"

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Fonte Vaillancourt pichada por Bono, na Praça Embarcadero, em São Francisco, começa a ser desmontada


Equipes começaram os trabalhos para remover a controversa Fonte Vaillancourt, na Praça Embarcadero, em São Francisco.
Tamara Barak Aparton, porta-voz do Departamento de Recreação e Parques de São Francisco, afirmou que a fonte está sendo removida devido aos significativos riscos à segurança pública causados pela deterioração. Ela está estruturalmente instável e corroída.


"Além disso, como muitas estruturas antigas, contém amianto e chumbo, e se tornou uma espécie de atração perigosa, então mantê-la armazenada será significativamente mais seguro do que deixá-la em uma praça pública", disse Barak Aparton.
A fonte, criada pelo escultor Armand Vaillancourt, tem sido alvo de controvérsia, com um grupo de preservacionistas tentando mantê-la no local.
A fonte, composta por 710 toneladas de material, foi concluída em 1971.
A prefeitura informou que todo o processo de remoção levará vários meses. A remoção e o armazenamento da fonte custarão US$ 4 milhões.
O morador de São Francisco, Alec Bash, está feliz em ver a fonte desaparecer, dizendo que ela havia se tornado uma aberração.
"Era uma instalação de arte maravilhosa, feita especificamente para o local", disse Bash. "Agora está meio deslocada, fora de contexto, fora de época".
Os empresários Mike Stephens e Nigel Kennedy têm sentimentos contraditórios sobre a remoção.
"Lembro-me de andar de skate aqui nos anos 90, nesta praça toda", disse Stephens, dono da barbearia Mike's Barbershop em São Francisco. "Para mim, aquela fonte é meio feia, mas tem um significado especial".
"Fico um pouco triste em vê-la partir", disse Kennedy, da barbearia Pro Style, em São Francisco. "Acho que eles estão se esforçando para que tudo isso aconteça. Mas também estou aberto a novas oportunidades. Sou dono de um negócio aqui, então isso pode trazer novos clientes para mim".
O U2 deu um show improvisado em 11 de novembro de 1987 no Justin Herman Plaza no Embarcadero Center, e Bono escalou a escultura na Fonte Vaillancourt para pintar com spray: "Rock And Roll Stops The Traffic" (Rock And Roll Pára O Tráfego).
A atitude chocou a prefeita de São Francisco, Sra. Diane Feinstein, que lutou por vários anos para que os jovens não escrevessem ou pichassem mais nas paredes e monumentos da cidade. A prefeita condenou as ações de Bono. Ela afirmou: "Lamento que uma estrela do rock que é suposto ser um modelo para os jovens, escolheu vandalizar o trabalho de outro artista".
A polícia de São Francisco tinha em mãos uma acusação contra Bono de contravenção de ações maliciosas. Bono disse que sua ação foi uma expressão artística e nada mais. Em público, ele pediu desculpas e pagou a conta para ter a estátua limpa novamente. A organização do U2 tentou convencer as autoridades de que não foi um ato deliberado de vandalismo.
Uma semana mais tarde, todas as acusações foram descartadas quando a polícia percebeu que a coisa toda explodiu em enorme proporção.

terça-feira, 28 de abril de 2026

"Scars" foi desenvolvida inicialmente em 2019 por Martin Garrix e sua equipe, e sua primeira versão estilo EDM pode ser lançada


The Edge na revista Propaganda revelou: "A primeira versão de "Scars" era uma música que Bono e eu estávamos ajudando Martin Garrix e sua equipe a compor. É bem diferente; mais no estilo EDM, e talvez seja lançada futuramente".
"Scars" foi desenvolvida inicialmente por Martin Garrix e sua equipe em 2019 em Amsterdã, incluindo John Martin Lindstrom e Michel Zitron, antes de Bono e The Edge se envolverem no projeto. A música tem raízes no estilo EDM (Electronic Dance Music) e foi adaptada pelo U2 para o seu próprio som, com letra de Bono e Simon Carmody.
"Scars", lançada no EP 'Easter Lily' do U2, é uma canção de encorajamento e aceitação; cicatrizes e tudo mais, com uma reviravolta. Cicatrizes são úteis, erros são úteis — se forem reconhecidos. Essa é a chave. Quando são escondidos ou negados, é um mau sinal. Essa é a raiz do narcisismo, não o amor próprio, mas a falsa perfeição.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Brian Eno em 1995 falando sobre 'Original Soundtracks 1' e U2


Brian Eno em 1995 falando sobre 'Original Soundtracks 1' e U2:

"A ligação importante é que, se você ouve música e imagina que ela está conectada a alguma contraparte visual, você começa a imaginar essa contraparte visual. 
Assim que você faz isso, automaticamente adiciona outra parte do cérebro à experiência, e é por isso que acho que a música de cinema funciona tão bem, porque mesmo que você nunca tenha visto o filme ao qual ela pertence, ela ativa, faz você se perguntar: de onde é isso? O que está acontecendo? Todas essas coisas. Assim que você começa a imaginar tudo isso, você tem uma experiência enriquecida.
Provavelmente, a mudança mais importante, na minha opinião, é a percepção que o U2 têm da dimensão do cenário em que atuam. Minha impressão é que ele se expandiu enormemente e agora eles se veem como participantes de toda a cultura, e não apenas da cena musical. Isso é muito interessante porque faz uma grande diferença no que você fará musicalmente – se você pensa que seu público é composto por todos os tipos de pessoas, muitas das quais nunca ouvem música, isso liberta, abre e foca o uso que você faz da música, e acho que eles se tornaram muito mais conscientes de si mesmos como alavancas culturais de algum tipo. Em parte porque sabem que têm um grande impacto. Se você faz isso, ou se torna responsável por isso ou finge que não está acontecendo. Eles meio que se tornaram responsáveis por isso.
Há muito tempo os considero um grupo corajoso, mas acho que agora isso é ainda mais verdade do que antes. Outro aspecto que acho que vale a pena mencionar é a própria atitude deles em relação à crença ou sinceridade, que mudou bastante. Uma forma de acreditar nas coisas diz que, se não acreditarmos em tudo, o mundo nunca estará certo. Outra forma de acreditar diz: "Eu acredito nisso e realmente acredito. Você acredita em outra coisa e também realmente acredita". As duas coisas não precisam ser reconciliadas. Podemos continuar desenvolvendo projetos juntos. Não precisamos reconciliar nossos universos particulares. Acho que eles passaram da primeira posição, que eu chamaria de posição absolutista, para a segunda, uma posição relativista. Não acho que todos tenham se movido igualmente, mas acho que todos seguiram nessa direção. Se alguém contribuiu para isso, foi o Bono".

domingo, 26 de abril de 2026

Com o nome artístico Jordan Joy, filha de Bono lança seu primeiro single


A filha mais velha de Bono, usando o nome artístico Jordan Joy, lançou seu primeiro single, aclamado por Michael Stipe, do REM, que o chamou de "a música do verão".
"Don't Kill The Vibe" foi lançado na sexta-feira e recebeu grande apoio das principais plataformas de streaming, Apple Music e Spotify. A música foi coproduzida por Catherine Marks (Wolf Alice) e Jackson Phillips (Day Wave).
Entre as outras celebridades que apoiaram a estreia segura da agora cantora de indie pop estavam as supermodelos Helena Christensen e Christy Turlington, o filho mais velho do Beatle John Lennon, Julian, e a lenda de Hollywood Jessica Alba, que compartilhou a música online com seus 22 milhões de seguidores.
Jordan, de 36 anos, que faz aniversário no mesmo dia que seu pai em 10 de maio, é o quarta Hewson a lançar música, seguindo seu pai, seu irmão Elijah (que canta e toca guitarra com o Inhaler) e sua irmã, a atriz de Hollywood Eve, que interpretou várias canções para o filme musical 'Flora And Son', de 2023.
Jordan disse estar "animada para compartilhar essa música", que ela queria que evocasse a "Nova York indie", e prometeu que "haveria mais por vir".


Ela já lançou anteriormente várias músicas sob o nome de Tenderhooks.
O lançamento acontece apenas algumas semanas depois do U2 ter lançado suas primeiras coletâneas de músicas inéditas em oito anos. 
Jordan, graduada pela Universidade Columbia, lançou sua própria empresa de tecnologia, a Speakable, em 2016. A empresa promove o ativismo social e foi destaque na lista de Empreendedores Sociais da Forbes na Europa.
Na época, ela disse: "Começar um negócio é como correr uma maratona, só que a maratona também é um labirinto. E tem fantasmas. E não tem David Bowie".

O site U2 Songs detalha que três singles foram lançados sob o nome Tenderhooks: "Enemy" (2023), "Anything You Felt" (2024) e "Summer Driving Fast" / "Summer Driving Fast (Sunrise Remix)" (2024). Uma entrevista com Jordan, feita por Zane Lowe, está disponível no Apple Music sob o nome Tenderhooks. "Enemy" e "Anything You Felt" foram compostas com Andy Barlow. Barlow gravou com o Lamb e produziu faixas do álbum 'Songs Of Experience', do U2.
As faixas do Tenderhooks foram produzidas por Brandon Bost, Oli Bayston e Duncan Stewart. Bost trabalhou no videoclipe de "You're the Best Thing About Me", do U2, e em diversos projetos com Lady Gaga. Oli Bayston grava sob o nome Boxed In. Duncan Stewart grava sob o nome Dunx e já produziu e mixou diversos projetos do U2. Stewart também é primo de Jordan. O remix de "Summer Driving Fast" foi produzido por Melle Stomp (também conhecido como Mesto), um colaborador frequente de Martin Garrix.

sábado, 25 de abril de 2026

O Lírio da Paz do U2


7 Margens (setemargens.com)

A Quaresma cumpriu-se ao som do U2. Não é heresia: depois dos irlandeses nos surpreenderem, na Quarta-Feira de Cinzas, com 'Days Of Ash', um EP engatilhado no rock e a disparar sobre estes tempos com fúria e fogo, a Sexta-Feira Santa cumpriu-se com a edição de 'Easter Lily', outro EP revelado de surpresa com seis novos temas, entre a fé, a esperança e o amor.
O Lírio da Paz (ou da Páscoa, Lilium Longiflorum) que dá nome ao disco de originais – e está representado na capa numa belíssima fotografia de um lírio (trumpet lily) do colaborador de longa data, Anton Corbijn – aponta para uma dimensão interior, de cada um consigo, mais do que a olhar para fora. No entanto, este Lile na Cásca, como se escreve em irlandês, é também um símbolo usado na Páscoa pelos republicanos irlandeses como homenagem aos seus companheiros combatentes que morreram durante a Revolta da Páscoa de 1916 ou em conflitos posteriores que conduziram à independência da Irlanda. A flor é usada durante a Páscoa como símbolo de memória e da pureza de Cristo.

Louis le Brocquy, Riverrun. Procession with Lilies (1984)


Este pintor irlandês criou uma série de pinturas com o título Procession with Lilies — a partir de uma fotografia que viu num jornal irlandês da Páscoa de 1939, quando vivia na França, onde se veem crianças numa procissão com lírios.
Segundo Adam Clayton, que escreve um texto sobre o autor e o quadro na revista Propaganda (que acompanha o disco), "a pintura reflete aspectos da vida rural irlandesa e rituais religiosos, particularmente das procissões católicas. Le Brocquy transforma a cena em algo atemporal e simbólico". E descreve: "As suas figuras são alongadas e estilizadas, não têm características faciais detalhadas e estão agrupadas, fundindo-se umas com as outras. Os lírios brancos destacam-se contra os tons suaves da pintura". 
Adam Clayton destaca ainda que "a pintura também retrata uma dualidade de celebração e luto". E continua: "Assim, reflete sobre um sentido de comunidade sobre a individualidade e a ideia de uma experiência humana compartilhada. É por essas razões que, quando Bono estava exlorando os temas do EP 'Easter Lily', esta obra desempenhou um papel significativo na inspiração da expressão de que o que precisamos é procurar a comunidade enquanto enfrentamos um mundo incerto. Em última análise, a forma como reagimos depende de nós. Podemos escolher ficar sobrecarregados pelo caos ou escolher celebrar em comunidade a liberdade que possuímos, embora limitada em alguns casos".

sexta-feira, 24 de abril de 2026

The Edge citou Siouxsie And The Banshees como uma inspiração musical para canção de 'Easter Lily' do U2


The Edge: ""Scars" é uma canção de encorajamento e aceitação; cicatrizes e tudo mais, com uma reviravolta. Cicatrizes são úteis, erros são úteis — se forem reconhecidos. Essa é a chave. Quando são escondidos ou negados, é um mau sinal. Essa é a raiz do narcisismo, não o amor próprio, mas a falsa perfeição. 
Bono leva essa ideia para outro patamar com uma referência às feridas de Cristo, lembrando-nos de que foram infligidas pelo Estado em conjunto com a autoridade religiosa. Igreja e Estado é uma combinação perigosa"
The Edge citou Siouxsie And The Banshees como uma inspiração musical. "Não queríamos que "Scars" fosse de forma alguma sentimental, por isso, o arranjo é bastante difícil, lembrando a música que achamos inspiradora pela primeira vez no início dos anos 1980: a era pós-punk".
"É por isso que adoro estar numa banda. Nunca teria imaginado esta maneira de tocar a música", confessa Edge.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Brian Eno fala de "COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times?)" com o U2


"COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times?)" é uma canção de ninar para pais de crianças envolvidas na guerra, com uma paisagem sonora de Brian Eno.
O U2 escreveu: "Coexistir é a ideia central desta letra. Que a religião tenha se tornado um motivo para ir à guerra é algo insano para nós. É fácil cair no desespero - há tanto para temer, principalmente porque, ao sucumbirmos à guerra, não estamos fazendo o suficiente para combater ameaças verdadeiramente existenciais, como a emergência climática".
Brian Eno disse que Coexist "teve um efeito poderoso" nele, quando Bono lhe enviou a "versão completa desta música", quando estava lendo uma evidência "abominável" do "avanço global do fascismo", "desta vez em Israel". 
"Eu estava com raiva e chateado com as notícias, mas emocionado com esta música de gratidão, que me lembrou que o foco no que está certo é tão essencial como o oposto – as duas maneiras de mudar o mundo são: acabe com algo mau ou comece algo bom. A música lembrou-me que elas andam de mãos dadas. E embora eu não agradeça ao 'Senhor', senti que estava agradecendo por esta vida e por existir", conclui.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

A história da ida de Bono à cadeia para visitar Guggi


Guggi nasceu Derek Rowen no Hospital Rotunda em 13 de maio de 1959. Ele se lembra de desenhar um navio pirata com uma corda enrolada quando tinha quatro anos.
Foi nessa idade que conheceu seu vizinho do número 10 da Rua Cedarwood, em Ballymun, Paul Hewson.
Outro amigo, Fionan Hanvey, morava no número 140, no final da rua.
Aos 13 anos, ele renomeou Paul para "Bono Vox" e Fionan para "Gavin Friday", enquanto Paul o batizou de "Guggi".
Aos 17 anos, ele se mudou com seu irmão mais novo, Trevor – então apelidado de Strongman – para um imóvel ocupado na New Cabra Road. Ao saírem de casa, o pai lhes disse o quão difícil seria a vida lá fora, no mundo cruel.
"Ainda estou esperando que as coisas fiquem difíceis", diz Guggi. “Não que não possam ser difíceis, mas não são nem de perto tão difíceis quanto ele as fez parecer para nós. Ele era uma pessoa difícil. Era muito mais duro do que precisava ser. Era irracional. Tinha um temperamento explosivo".
O humor do pai não melhorou quando, em 1977, Guggi, Strongman e Gavin formaram o The Virgin Prunes (com o irmão de The Edge, Dik) e começaram a usar saias e saltos altos.
"Ele não gostou disso. De certa forma, culpou o Gavin. Me culpou também por ser tão estúpido, por ter me deixado levar. O Gav me chamava quando eu estava de calça pantalona. Ele adorava esfregar isso na minha cara. Meu pai não entendia nada disso".
Robert Rowen era um cristão fundamentalista rigoroso que enviava Guggi e seus irmãos para reuniões da Irmandade Cristã em Merrion Hall desde cedo.
"Eram os evangelhos e os ensinamentos de Cristo sem todos os enfeites, altares, costumes e velas", explica ele. "Eles só queriam a mensagem, sem interrupções".
Será que o pai dele preferia que ele ficasse com Bono por ser da Igreja da Irlanda, em vez de ficar com Gavin, cujo pai era católico?
"Com certeza havia um pouco disso no meu pai, algo que eu não entendia de jeito nenhum. Eu sempre pensava: 'você aceita as pessoas como elas são'. Aliás, o pai do Bono era católico e a mãe dele era da Igreja da Irlanda. Ele foi criado na Igreja da Irlanda. Então, sei lá. Meu pai tinha todo tipo de ideias fixas, eu acho".
De qualquer forma, Guggi foi demitido da Virgin Prunes por Gavin em 1984.
Ele abriu uma loja de letreiros que também vendia frutas e verduras porque queria ganhar dinheiro. Ele também tinha outras ambições.
"Eu queria pintar em tempo integral", diz ele.
Em 1985, ele foi preso pela polícia em Finglas. Ele dirigia a 193 km/h sem pagar o imposto de circulação nem o seguro.
Quando compareceu ao tribunal, disse ao juiz que havia percebido a gravidade da infração e que imediatamente providenciou o pagamento do imposto e o seguro da motocicleta.
O juiz pareceu satisfeito e como se estivesse prestes a liberá-lo, quando foi informado de que o jovem à sua frente tinha 14 delitos anteriores desse tipo.
Guggi foi condenado a seis meses de prisão; ele recorreu e recebeu uma pena menor.
Na semana anterior à sua audiência, porém, Guggi cumprimentou um dos viciados em heroína que costumavam comprar limões dele (para ajudar a metabolizar a heroína).
Guggi continuou cumprimentando-o, até que percebeu que o homem estava com a mão na bolsa de uma senhora idosa em um ponto de ônibus no centro da cidade.
A mulher percebeu que estava sendo assaltada e chamou a polícia.
"Você está morto, cara", disse o viciado, achando que Guggi era de alguma forma responsável por sua prisão.
Temendo por sua vida, Guggi levou uma barra de ferro para sua loja no dia seguinte. O homem nunca apareceu.
Em seu primeiro dia na prisão de Mountjoy, depois de ser revistado, um guarda sugeriu que ele cortasse o cabelo. Ele recusou, dizendo: "É assim que eu sou".
Em outra ocasião, Guggi estava no pátio quando reconheceu o homem do limão caminhando em sua direção com dois homens. O primeiro parecia "completamente louco". O segundo tinha uma cicatriz que atravessava todo o rosto.
"O animal dentro de mim se libertou", lembra Guggi. Ele caminhou até o prisioneiro aflito, encostou sua testa na dele e disse: "Se você chegar perto de mim, eu vou te matar".
Nem o viciado nem seus dois amigos se aproximaram do jovem novamente.
Duas semanas depois, Guggi foi transferido para a prisão de Loughan House, no condado de Cavan.
Ele recorda: "No dia seguinte, no pátio, todos se afastaram para o prisioneiro que havia decapitado um rapaz com a lateral de uma pá porque o flagrou roubando um de seus cavalos".
O homem chamou Guggi e pediu que ele cheirasse seu perfume. Depois, perguntou se ele queria comprar. Quando Guggi respondeu que não estava interessado em perfumes, o homem puxou-o pelos cabelos, beijou-o e disse: "Se eu te vir no chuveiro, você está ferrado".
Ele não sabia se era uma ameaça ou uma brincadeira. Mas Guggi ficou aliviado na semana seguinte, quando um amigo o visitou.
"As pessoas vinham até mim e diziam: 'Ele é a cara do Bono!' Eu respondia: 'Há um motivo para ele se parecer tanto com o Bono. É o próprio Bono'.
"Eles simplesmente não acreditavam que uma pessoa assim pudesse estar em tal lugar por qualquer motivo. 'Vou te dizer uma coisa, ele poderia se dar bem agora como sósia. Poderia estar autografando livros. Poderia ganhar a vida com isso'.
"Finalmente, desisti e disse: 'Ele é muito parecido com ele, não é?'"
O vocalista do U2 tinha acabado de se apresentar para uma audiência televisiva de um bilhão de pessoas no Live Aid e tinha ido vê-lo com Gavin Friday.
"Ninguém revistou o cara. Aí me deram meia garrafa de uísque".
"Eu estava realmente arriscando muito ao voltar para a cela com aquele uísque debaixo do casaco. Lembro-me de passar pelo segundo em comando, o diretor assistente, acenar para ele com a cabeça e depois ir para o meu quarto e esconder a garrafa atrás da pia. Naquela noite, abri a garrafa com meu companheiro de cela escocês".
Na prisão, Guggi descobriu seu talento artístico. Ele ensinou o professor de arte a escrever letras e a fazer e vender caixas de joias.
"Todo mundo queria que eu fizesse essas caixas para eles. Isso me deu muito poder. Eu ganhava porções duplas dos caras da cozinha e cigarros. Eu não diria que mandava no lugar, mas ninguém o comandava mais do que eu".
Quando saiu da prisão, continuou pintando. Sua primeira exposição foi na Galeria Hendriks, em Dublin, em 1988. Era uma exposição coletiva com os próprios contrabandistas de uísque: Bono mostrou fotografias que havia tirado na Etiópia e Gavin mostrou algumas de suas pinturas a óleo sobre tela.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Gavin Friday sobre o U2: 'Sou o maior detector de besteiras deles"


Gavin Friday tem um "trabalho de meio período" como consultor criativo do U2. Ele e Bono são amigos íntimos desde a adolescência. 
A elegíaca "When The World Was Young", de seu álbum 'Ecce Homo', é dedicada ao vocalista do U2 e ao artista visual e também ex-integrante do Virgin Prunes, Guggi. 
Tendo aconselhado o U2 sobre as decisões certas por décadas ("Sou o maior detector de besteiras deles"), Friday também foi uma das mentes criativas por trás do triunfo da banda no Sphere, em Las Vegas.
"Eu não desejaria o sucesso do Bono para ninguém", diz ele. "Todos nós sentimos muita pressão ao organizar os shows em Las Vegas. Não sabíamos se daria certo, mas essa é a grandeza deles. O U2 são os maiores apostadores do mundo. Eles quebram regras para tentar algo diferente".

segunda-feira, 20 de abril de 2026

The Telegraph: Por que o The Waterboys deveriam ter sido maiores que o U2


The Telegraph

Há muitos sustos na perturbadora nova série de sucesso da Netflix, 'Algo Horrível Vai Acontecer' – mas a maior surpresa de todas é que a série de terror apresentou à Geração Z as delícias do violino da banda The Waterboys.
O vocalista da banda, Mike Scott, foi visto recentemente celebrando o legado do ícone de Hollywood Dennis Hopper no álbum conceitual de 2025, 'Life, Death And Dennis Hopper'. Agora, ele viralizou no TikTok após o uso da música "We Will Not Be Lovers", de 1988, dos Waterboys, nos créditos finais de 'Algo Horrível Vai Acontecer'. Criada pelos irmãos Duffer, os mesmos criadores de Stranger Things, a trilha sonora nostálgica da série é uma maneira inteligente de apresentar música vintage a uma geração mais jovem (como a dupla fez em 'Stranger Things' com a inclusão de músicas de Tiffany e Kate Bush).
Assim, Scott agora vê sua música como trilha sonora de milhares de vídeos de "arrume-se comigo" e colagens de fotos nostálgicas nas redes sociais, cada uma acompanhada de legendas de novos fãs adolescentes declarando que os Waterboys são "a melhor banda de todos os tempos!!". "We Will Not Be Lovers" entrou para o top 3 das músicas mais ouvidas da banda no Spotify; vídeos do TikTok com a tag "The Waterboys" foram visualizados mais de um milhão de vezes.
Há quem argumente que Scott, o roqueiro experiente nascido em Edimburgo e radicado em Dublin há décadas, está finalmente conquistando o lugar que lhe cabe entre os grandes nomes da música e que, se as coisas tivessem sido diferentes para os Waterboys, eles poderiam – e deveriam – estar no mesmo patamar que U2 e Simple Minds, como o rosto e a voz do rock de estádio dos anos 80.
Na verdade, há quem defenda que Scott se antecipou aos seus contemporâneos. Embora seja mais celebrado hoje por seu extraordinário álbum de 1988, 'Fisherman’s Blues', com influências folk – "We Will Not Be Lovers" é a segunda faixa –, seu verdadeiro sucesso veio três anos antes com 'This Is The Sea'. Esse LP representou o ápice de sua visão de canções grandiosas, maiores que montanhas e mais amplas que o pôr do sol. Ou, como ele mesmo chamava, "A Grande Música".
A expressão mais comovente dessa ideia foi "The Whole Of The Moon" – uma bela canção pop que brilhou como um meteoro em meio à paisagem pop artificial de meados dos anos 80. O álbum 'The Whole Of The Moon' teve uma enorme repercussão, com mais de 211 milhões de reproduções no Spotify e contando, embora na época do lançamento mal tenha chegado ao top 30. Mesmo em 1985, a sensação era de que, assim como o U2 estava apenas começando com a igualmente épica "Pride (In The Name Of Love)", "The Whole Of The Moon" havia colocado Scott no primeiro passo rumo ao estrelato.
Ele encarava esses comentários como um elogio e estava ciente das comparações com o U2. Sua gravadora e empresários incentivaram os Waterboys a explorar ainda mais essa direção radiofônica – assim como o U2 fez quando superou o grandioso 'The Unforgettable Fire', de 1984, com o ainda mais gigantesco 'The Joshua Tree', em 1987, fazendo parecer que conquistar a América era a coisa mais fácil do mundo.
A diferença é que Scott tinha uma teimosia peculiar que invariavelmente o levava por caminhos menos convencionais. Qual seria o oposto exato do rock de estádio contagiante de "Whole Of The Moon"? Que tal ir para Spiddal, em Galway, e gravar um álbum de folk-fusion com um coletivo de músicos tradicionais irlandeses? Ninguém poderia prever isso. E foi por isso que Scott fez.
"Fico feliz que mais pessoas estejam ouvindo os discos dos Waterboys. Nos anos 80, eu percebia que tínhamos os mesmos agentes do U2, uma empresa chamada Wasted Talent, em Londres. Eles estavam nos promovendo da mesma forma", ele disse no ano passado. "Eles achavam que seríamos a próxima grande sensação, seguindo esse caminho. Não funcionou para nós porque eu queria que a música mudasse. Eu não estava feliz fazendo a mesma música. Agora, não estou dizendo que o U2 fazia a mesma música. Mas as mudanças deles foram mais graduais. As minhas mudanças foram bruscas, mudanças de 180 graus".
É preciso lembrar que a música folk irlandesa não era tão popular nos anos 80 quanto é hoje. Não era a época dos "folkies mutantes" do Lankum, indicados ao Mercury Prize, ou dos rappers em língua irlandesa Kneecap, aprovados pelo Glastonbury, tocando bodhrán no palco. Em 1982, a dupla folk irlandesa Foster And Allen foi pressionada a se vestir de duendes quando participou do programa Top Of The Pops. Esse era o status da música folk irlandesa no resto do mundo: era vista como o equivalente musical de uma tigela de cereal Lucky Charms ou um cartão-postal de um burro olhando por cima de um muro de pedra.
Mas Scott havia encontrado uma nova musa na majestade austera de Connemara – o violino do dublinense Steve Wickham. Eis outra conexão com o U2. Wickham cresceu não muito longe de The Edge, em Dublin, e certa vez o abordou em um ponto de ônibus para sugerir uma colaboração. Alguns dias depois, The Edge foi até a casa de Wickham (seu pai atendeu à porta) e o convidou para uma participação especial no que se tornaria o futuro hino do U2, "Sunday Bloody Sunday".
O violino de Wickham está presente em todo 'Fisherman's Blues', contribuindo para a atmosfera belamente melancólica do disco. Críticas entusiasmadas se seguiram. Scott, pela primeira vez, entrou na brincadeira até certo ponto, produzindo um sucessor com sonoridade semelhante, 'Room To Roam', de 1990, lembrado principalmente hoje pela balada à la Paul McCartney, "A Man Is In Love".
Qualquer ambição que ele pudesse ter tido de seguir os passos do U2 e aproveitar o sucesso foi sabotada quando a banda se desfez logo em seguida. Quando chegou a hora da turnê de 'Room To Roam', a formação com influências celtas do The Waterboys já havia se desfeito, e Scott saiu em turnê à frente de uma versão mais voltada para o blues. Seu público queria uma coisa – ele estava dando exatamente o oposto.
Scott reinventou o The Waterboys completamente com o álbum 'Dream Harder', de 1993, e o hit "Glastonbury Song" – uma pérola psicodélica que lembrava o início do Pink Floyd e que se manteve relevante em uma época em que o grunge e o REM dominavam tudo. Aliás, Scott acredita que pode se atribuir algum crédito pela metamorfose do REM em uma banda de bandolim que chegou ao topo das paradas por volta da época de "Losing My Religion". Ele se lembra de uma temporada no Olympia, em Dublin, em 1989, da qual o REM participou, e sente que eles se inspiraram em sua fusão de rock e folk.
"Acho que tivemos uma influência em outras bandas que talvez seja negligenciada ou não mencionada", disse ele à revista irlandesa de música Hot Press em 2000. "Lembro-me do REM vindo nos ver no Olympia; fizemos aquela residência de quatro noites em 89, e tivemos vários convidados subindo ao palco. E então li uma entrevista com o REM um ano ou seis meses depois, e eles estavam falando sobre: 'Ah, vamos ter bandolins e convidados no palco e vai ser muito menos formal', e eu pensei comigo mesmo: 'Os caras estiveram no nosso show no Olympia!'"
Ele continuou trilhando seu próprio caminho durante os anos 90, enquanto o Waterboys se desfazia mais uma vez e ele (com certa relutância) lançava sua carreira solo. Nessa época, o U2 era a maior banda do mundo, revitalizando o rock de estádio com a overdose de neon que foi a turnê ZooTV. Scott, por outro lado, estava sem empresário e conduzindo sua carreira sozinho.
Sentindo que precisava recarregar as energias, ele viveu quatro anos na comunidade espiritual de Findhorn, nas Terras Altas da Escócia – uma experiência que ele descreveu como "ser acompanhado por um anjo". Emergindo revigorado e ansioso para reencontrar velhos amigos, ele se reuniu com Wickham, lançou uma série de álbuns aclamados pela crítica e apresentou ao vivo o material de 'Fisherman's Blues' em sua forma folk original. Ele honrará esse legado novamente este ano com a Fisherman’s Blues "Revue" Tour, começando na Hydro Arena de Glasgow em agosto.
Em momentos de tranquilidade, será que Scott olha pela janela de sua casa em Dublin e se pergunta se ele poderia ter sido tão famoso quanto Bono, confraternizando com líderes mundiais em sua mansão imponente à beira-mar? Como demonstra a reação da Geração Z a "We Will Not Be Lovers", os Waterboys certamente tinham potencial para serem tão grandes quanto qualquer um de seus contemporâneos dos anos 80.
Mas, parafraseando o álbum 'A Rock In The Weary Land', de 2000, Scott sempre foi uma pedra solitária, determinado a trilhar seu próprio caminho, aconteça o que acontecer.

sábado, 18 de abril de 2026

Jordan Hewson gravando um álbum?


A filha de Bono, Jordan Hewson, revelou aos seus seguidores que pode estar gravando um álbum.
Jordan, de 36 anos, deu a entender que está trabalhando em músicas inspiradas em "Nova York" e na "camiseta de Kim Gordon" – uma referência à camiseta "Girls invention punk rock not England" (Garotas inventaram o punk rock, não a Inglaterra) que Kim Gordon, do Sonic Youth, usou nos anos 90 e que Jordan também exibiu em seu carrossel do Instagram.
A publicação inclui vídeos silenciosos mostrando Jordan no estúdio, mas nada foi revelado. 
Formada pela Universidade Columbia, Jordan lançou sua própria empresa de tecnologia, a Speakable, em 2016, promovendo ativismo social e chegando a figurar na lista "30 Under 30" da revista Forbes, mas nunca havia se aventurado em um projeto musical antes.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

U2 compila as primeiras reações da imprensa e da crítica sobre 'Easter Lily'


U2.COM

Seis semanas após 'Days Of Ash', e surpreendendo a todos novamente, 'Easter Lily' foi lançado em 3 de abril.
Reunimos algumas reações a 'Days Of Ash' nesta matéria e aqui está um resumo dos primeiros reviews de 'Easter Lily'.

'Unidos por um fio de esperança, pelo desejo de tecer e restaurar novas perspectivas em um mundo sobrecarregado pelo presente. Mais um ato de alegria e resistência da banda de Dublin', disse o jornal italiano La Repubblica.

'A emoção assume o protagonismo', foi o veredicto da Virgin Radio France. 'A banda explora temas universais: relacionamentos humanos, fé, dúvida e a busca por significado que permeia toda a sua discografia há décadas'.

''Easter Lily' explora as paisagens internas da amizade, da recuperação e da renovação espiritual. A importância do álbum reside em sua natureza íntima'. Noise11 da Austrália

IRLANDA

Um "disco comoventemente honesto e inquisitivo sobre amizade, fé, arte, significado e, apropriadamente para a Páscoa, morte e a possibilidade de renascimento". Irish Times

"Eles realmente não têm motivos para serem tão ótimos neste momento", estampou a primeira página do Irish Independent. "O U2 atendeu às preces dos fãs". As seis faixas de 'Easter Lily' são uma "celebração da amizade" e canções "de encorajamento e aceitação... peregrinação... nova vida e ressurreição".

"O U2 é uma banda fantástica. É isso que você ouve neste EP, e isso é mais do que suficiente", acrescentou Pat Carty em outro artigo do Independent. "Cinquenta anos depois de Larry Mullen ter afixado aquele bilhete no mural da escola, eles estão lançando este material essencial. Canções de desafio. Canções de esperança".

Reino Unido

"'Easter Lily' é "a melhor coleção de músicas deles em décadas", diz a MOJO, acrescentando: "A guitarra característica e inconfundível de The Edge se une de forma emocionante em movimento perpétuo com a seção rítmica menos ostentosa, porém mais sólida, da era pós-punk".

Em termos sonoros, a NME descreveu o EP como "um som clássico de hino do rock pronto para arenas... hinos para a estrada... terno... caleidoscópico... sombrio" e "uma dose do U2 em escala digna do Sphere em Las Vegas".

"Seu tom é redentor, mas não enjoativo", disse o Financial Times sobre o EP. "Coexist (I Will Bless The Lord At All Times?)" é o destaque, uma meditação eletrônica com a participação de Brian Eno sobre crianças e guerra. A fé religiosa é a fonte da esperança testada, porém duradoura, da música. Não há sermões aqui. No mínimo, isso restaura a crença no U2 como uma força musical. Suas canções abordam temas como amizade, perda e esperança, com o dinamismo do guitarrista The Edge remetendo poderosamente à majestade de 'The Joshua Tree', de 1987… e ainda temos The Edge nos vocais principais!' Daily Mail

'Distribuindo conforto em um mundo conturbado'. (The Times)

Enquanto 'Days Of Ash' 'parecia uma série de despachos urgentes de um mundo em turbulência, 'Easter Lily' explora a força interior necessária para navegar nesse caos'. Music-News.com

'Um presente de Páscoa' Contact Music

EUA

'Essas canções nasceram para este momento, concebidas para reflexão, com temas como amizade, perdão a si mesmo e a descoberta da beleza na escuridão. É também um lembrete do que a banda faz de melhor: nos instigar a pensar enquanto nos envolve em camadas de guitarras cristalinas e a pulsação constante de um bumbo'. USA Today

O The New York Times afirmou que 'Easter Lily' é "repleto de canções que ponderam, mas que, em última análise, afirmam a fé", destacando a faixa "Easter Parade" como um exemplo perfeito das habilidades consagradas do U2: um vasto palco sonoro virtual, bateria pulsante e explosiva, linhas de baixo fundamentais, riffs de guitarra e piano cristalinos, elementos eletrônicos quase subliminares e harmonias vocais corais por trás dos vocais cruamente sinceros de Bono.

Juntos, 'Easter Lily' e 'Days Of Ash' "oferecem uma maneira poderosa de refletir sobre nossos mundos exterior e interior – da rebeldia à introspecção – anunciando um renascimento artístico para a banda em meio aos seus autoproclamados 'anos de ostracismo'". Atwood Magazine

"Bono tem uma das melhores vozes da história do rock. Sua confiança está no auge no final de 'COEXIST'. Ele canta o último trecho a capella, mostrando vulneravelmente sua voz, que envelheceu como um bom vinho". ClutchPoints.com

"Uma meditação em seis canções sobre amizade, luto, fé e a possibilidade de renovação". Spin
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