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domingo, 1 de novembro de 2026

Com Bono afirmando que 'Carnaval De Luz' do U2 é definitivamente uma despedida, The Edge diz que irão terminar essa celebração encerrando a turnê na Irlanda


Em entrevista com Zane Lowe, da Apple Music, em um espisódio chamado 'U2: From The Halls Of Mount Temple/ Zane Lowe Interview'; os integrantes do U2 estiveram na Mount Temple, em Dublin.
Lowe sugere que o retorno da banda à sua antiga escola, que em breve será demolida e reconstruída, equivale a um "olá" e um "adeus" simultâneos.
Ele descreve isso como "simbólico... porque sinto que 'Carnaval De Luz' é quase um adeus e um 'olá' de novo", e então pergunta: "Faz sentido para você?".
Bono responde: "Hum-hum. 'Carnaval De Luz' é definitivamente mais um adeus. Com certeza".
Há uma breve pausa antes de Bono mudar de assunto sem dar mais detalhes.
O comentário gerou debate entre os fãs online, que se dividiram.
Larry Mullen Jr. passou por uma cirurgia de alto risco no pescoço após anos sofrendo com dores crônicas, perdeu os 40 shows da banda Sphere e sugeriu em entrevista que não sabe se conseguirá tocar por duas horas e meia ou tocar por apenas uma hora por noite na nova turnê. 
Adam Clayton afirmou que ainda pensa sobre idade e limitações. "Sinto que fui abençoado com uma saúde extraordinária", diz ele. "Mas basta ver a morte recente de Dolly Parton aos 80 anos — e quando este ciclo terminar, provavelmente terei 70. Esse período de boa saúde é valioso. É provavelmente o período mais valioso da vida".
Não é a primeira vez que Bono faz um comentário desse tipo, e pode estar simplesmente falando sobre os temas do próximo álbum, embora ele reconheça que o U2 têm um prazo de validade.
A banda anunciou a sua turnê mundial 'The Greatest Show On Earth', com shows em estádios para a primeira etapa na América Latina, com início no começo da primavera de 2027, além de shows na Europa durante o verão.
Mais shows serão anunciados, incluindo outra etapa na Europa, mas, independentemente do que aconteça, a banda prometeu encerrar a turnê na Irlanda.
Um comunicado da banda informou que, com planos "já em andamento para 2028, a banda está ansiosa pelo seu importantíssimo retorno para casa, na Irlanda".
The Edge disse: "Não podemos falar muito sobre a próxima etapa da 'The Greatest Show On Earth' – ainda estamos definindo os detalhes – mas o que podemos dizer é que vamos encerrar a turnê na Irlanda. Não há outro lugar onde gostaríamos de estar para essa festa".
Em outro trecho da entrevista com Lowe na Mount Temple, The Edge afirma que o U2 "não se encaixa em um gênero musical específico" e é à prova de inteligência artificial.
"Descobri isso recentemente, de forma muito clara, quando estava testando alguns desses programas de IA para composição musical", disse ele.
Ele continuou: "Eu estava tentando ver se conseguia compor uma música do U2. Não conseguiu. E percebi que é possível fazê-la compor uma música country, porque esse gênero é muito bem definido. Mas nada do que fazemos... Quer dizer, minha guitarra provavelmente seria o elemento mais característico... Acho que exploro certos caminhos sonoros. Mas nossas composições nunca seguem uma fórmula. Não sabemos como fazer isso".
Uma revelação na entrevista veio de Larry Mullen Jr., que colocou a nota no mural. Ele diz que primeiro a colocou, depois a retirou e precisou da permissão de um professor para colocá-la de volta. Ele foi incentivado a agir por seu pai, que estava cansado de ouvi-lo tocar bateria sem parar. Pensou que formar uma banda poderia tirá-lo de casa.
The Edge diz que não viu a nota no mural, e que foi um amigo que falou para ele.
Bono disse que também não viu, foi avisado também por um amigo, mas não iria comparecer: "Eu não tinha certeza se queria sair com alguém dois anos mais novo que nós", diz Bono sobre Larry. 
Na época, o amigo dele Reggie Manuel lhe disse: "Não, isso é para você. Eu sinto que isso é para você". 
"Ele me conhecia e sabia que eu estava sofrendo de alguma forma. Ele disse: 'Isso é para você', e eu disse: 'Acho que não', e ele disse: 'Eu te levo lá'."
Bono chegou na garupa da Yamaha 100 de um amigo. "Ele me conhecia melhor do que eu mesmo", conclui Bono, "e tenho certeza de que, de alguma forma nada melodramática, ele salvou minha vida".

sábado, 31 de outubro de 2026

Revista Pato Donald 1986 + Matéria U2 + Poster





A edição nº 1761 da revista Pato Donald, publicada pela Editora Abril em 25 de março de 1986, é muito procurada por colecionadores por trazer uma matéria especial e um pôster do U2 nas páginas centrais.

Detalhes da Edição

• Data de publicação: 25 de março de 1986
• Editora: Abril
• Número de páginas: Aproximadamente 84 a 86 páginas
• Destaque: Pôster e conteúdo dedicados aoU2, além de histórias clássicas Disney (como Sem Confiança, Dança Donald, Zorro, O Justiceiro Panacão e Peninha).

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Bono afirma que 'Carnaval De Luz' do U2 soa mais como uma despedida


Bono declarou em entrevista à Apple Music com Zane Lowe que o 16º álbum do U2, 'Carnaval De Luz', soa "mais como uma despedida".
A entrevista com Zane Lowe aconteceu na Mount Temple Comprehensive School em Dublin, o colégio onde a banda foi fundada em 1976.
Quando Zane Lowe sugeriu que o álbum parecia uma dinâmica de "dar adeus para depois dizer olá novamente", Bono respondeu diretamente dizendo que o projeto caminha "mais para um adeus".
The Edge complementou a linha de raciocínio, explicando que um dos temas centrais de 'Carnaval De Luz' é o reconhecimento e a aceitação de que certas coisas inevitavelmente chegam ao fim, transformando o medo do encerramento em uma oportunidade para o novo. 
The Edge acrescentou que o álbum lida com o reconhecimento de uma jornada de cinco décadas de música, amizade e reinvenção.
Bono refletiu sobre a melancolia e e olhar para o U2 sabendo que eles já ocuparam o posto de "maior espetáculo da Terra", descrevendo o conceito de algumas canções como uma espécie de luto ou recapitulação.

Steve Lillywhite fala sobre sua contribuição para a carreira de meio século do U2, os primeiros anos de gravação da banda, o próximo álbum


Marios Mantzos

Uma conversa exclusiva com Steve Lillywhite, seis vezes vencedor do Grammy, sobre sua contribuição para a carreira de meio século do U2, os primeiros anos de gravação da banda, o próximo álbum e muito mais.

O sol brilhava sobre Bali. Em Atenas, na Grécia, a situação não era diferente. Eu tomava meu café da manhã depois de uma longa noite de preparação, quando uma chamada de WhatsApp quebrou o silêncio no meu escritório em casa.
"Curiosamente, pouco antes da nossa ligação, eu estava falando com o Adam", disse o homem do outro lado da linha.
"A banda está ensaiando agora e está indo muito bem".
Steve Lillywhite, o lendário produtor e um dos colaboradores mais antigos e confiáveis do U2, acabara de se sentar para conversar comigo. E o Adam com quem ele estava falando era, de fato, o baixista da banda, Adam Clayton.
Steve foi nomeado Comandante da Ordem do Império Britânico (CBE) em 2012 por suas significativas contribuições para a música e também é seis vezes vencedor do Grammy, algo sobre o qual ele adora brincar.
"Na verdade, estou olhando para cinco deles agora, porque o sexto quebrou e eu ainda não me dei ao trabalho de consertá-lo. Mas eu não ligo muito para as coisas físicas. Tenho muito orgulho de ter os Grammys, mas não preciso realmente possuí-los. Nem sequer possuo nenhum dos discos que já produzi. Eu poderia ser muito mais rico se tivesse guardado as letras manuscritas que pedi para o Bono escrever antes de ele cantar. Mas eu as jogava fora no final da sessão. Parabéns para mim, mas eu simplesmente não sou de guardar coisas".
O U2 está pronto para pegar a estrada pela primeira vez desde 2019 com a turnê 'The Greatest Show On Earth', planejada para promover o décimo sexto álbum de estúdio da banda, 'Carnaval De Luz', com lançamento previsto para 13 de novembro.
Steve Lillywhite, mais uma vez, participou de um álbum do U2, sendo chamado durante os estágios finais do processo de gravação para mixar algumas músicas inéditas.
Steve mixou a versão que entrou para o álbum de "The Greatest Show On Earth".
"Lembro-me de quando ouvi pela primeira vez e pensei: 'Ok, tem algo especial aqui'. É um vocal incrível, o Bono canta muito bem. Sim, é um pouco longa, tentamos fazer uma edição, mas não conseguimos. É uma música que cresce ao longo da execução. Também mixei "Silencio", que é uma ótima música de rock de dois minutos e meio".
Pessoalmente, achei que o segundo single, "Silencio", soou muito melhor ao vivo na Mount Temple durante a comemoração do 50º aniversário da banda. Isso faz sentido quando consideramos que o U2 é uma das bandas ao vivo mais completas de todos os tempos.
"Em um disco do U2, isso sempre foi assim. No primeiro álbum, 'Boy', eles tocaram essas músicas na estrada antes de gravá-las. Do segundo álbum em diante, eles nunca tocaram nada ao vivo antes de gravar. E sempre foi assim: quando eles saem em turnê, as músicas crescem e evoluem. Lembro-me de ter dito a eles muitas vezes: 'Vocês podem tentar tocar uma música ao vivo, fazer com que fique boa no palco e depois gravá-la para o álbum?'. Mas eles geralmente não fazem isso. Eles trabalham com o que têm, fazem bem feito e repetem o processo".
É difícil imaginar como teria sido a carreira do U2 sem Steve Lillywhite. Ele ajudou a banda a lançar as bases para sua ascensão ao estrelato, produzindo seus três primeiros álbuns: 'Boy', 'October' e 'War' (uma grande conquista, não é?).
Mas, antes de conhecer a banda pela primeira vez em 1979, quando eles tocaram para um grupo de crianças em Galway, na Irlanda, Steve já havia se consolidado na indústria musical, tendo trabalhado com diversas bandas e artistas, incluindo Siouxsie And The Banshees, Ultravox, The Psychedelic Furs e Peter Gabriel.
"Eu tinha 23 anos na época e eles 18. Nessa idade, provavelmente me viam como bem mais velho. Um tio. E eu estava no estúdio desde os 17 anos e já tinha feito minhas 10.000 horas, como diz Malcolm Gladwell. Então, eu estava mostrando a eles como o estúdio funcionava, porque eles não faziam ideia. Diziam coisas como 'Parece Jornada nas Estrelas'. Sabe, naquela época, não dava para gravar discos, não existiam computadores nem nada parecido. Então, eu os ajudei bastante naqueles primeiros tempos", relembra Steve sobre a época de "I Will Follow".
Após 1983, seu papel no U2 evoluiu ao longo dos anos. "Acho que sou a única pessoa que trabalhou em dez álbuns deles, então me sinto muito orgulhoso disso", ele conta.
Há alguns anos, Bono declarou à revista Record Collector que "se você estiver em apuros, Steve é o cara certo para chamar". E a história comprova isso. É por isso que ele é constantemente chamado pelos quatro irlandeses para dar seu toque de Midas a muitas de suas gravações, transformando-as em canções de verdade e grandes sucessos.
"Where The Streets Have No Name", "With Or Without You" e "Beautiful Day" – músicas que certamente vão agitar os céus do México, da América do Sul e da Europa no próximo ano – são algumas das melhores faixas que Lillywhite moldou por meio da edição e mixagem.
"Normalmente, eles me chamam quando o trabalho está quase terminando, como aconteceu com 'The Joshua Tree' e 'Achtung Baby'. Então, eu entro e ajudo. É como correr o último trecho de uma corrida de revezamento. Por exemplo, "With Or Without You" e "Where The Streets Have No Name" não eram músicas finalizadas e precisavam de um novo impulso. Então, eu fiz isso. O mesmo aconteceu com 'Carnaval de Luz'. Era basicamente mixagem e só me chamaram na última semana. Normalmente, eles me dão um mês para entrar e ajudá-los. Acho que eles pensaram que conseguiriam fazer tudo sozinhos. E aí é tipo 'Bom, vamos chamar o Steve'. Teria sido bom de qualquer jeito. Mas eles meio que me veem como uma garantia, sabe, porque estive presente no final de praticamente todos os grandes álbuns deles".
O U2 começou sua carreira no lado norte de Dublin em 1976, como quatro garotos irlandeses que queriam tocar música e pediram 500 libras cada aos pais para conseguirem seu primeiro contrato com uma gravadora.
Ao longo das cinco décadas seguintes, eles se tornaram muito mais famosos, muito mais ricos, entraram para o mundo das estrelas e celebridades e foram incluídos no Hall da Fama do Rock and Roll. Perguntei a Steve Lillywhite se esse sucesso havia mudado a maneira como eles trabalham e se comportam.
"O que realmente mudou foi que eles adquiriram muito mais conhecimento sobre estúdios de gravação, como todos os artistas. O Edge, por exemplo, tinha apenas uma guitarra em seu delay. Agora ele tem várias. Em 1979, ninguém sabia como eram os estúdios de gravação e qualquer pessoa com experiência em estúdio era como ouro. Então, eu tinha uma certa vantagem no começo. Eles mudaram nesse sentido. Mas a essência deles não mudou. Eles ainda se acham a pior banda do mundo. Então, eles precisam se esforçar muito. Não houve muitas vezes em que os vi complacentes com o trabalho. Às vezes, parece que estão complacentes, porque um disco não é tão brilhante quanto os anteriores, mas eles realmente se esforçam ao máximo".
Muitas vezes me perguntei o que exatamente torna um álbum de música realmente bom. Existem discos amados por alguns fãs, odiados por outros e ignorados pelo resto. Por exemplo, o álbum 'No Line On The Horizon'.
Com o U2, no entanto, as coisas são diferentes. A banda parece ter praticamente abandonado as músicas do álbum, parando de tocá-las ao vivo desde o fim da turnê 360° em 2011. Até mesmo a referência de Bono ao álbum em sua autobiografia de 564 páginas, 'Surrender', é bastante superficial.
Perguntei a Steve, que – claro – trabalhou neste álbum, para esclarecer a situação.
"Para o U2, trata-se de compreender o panorama geral. O tema de 'The Joshua Tree' era o deserto. Para 'Achtung Baby', era uma espécie de estética germânica. Em 'All That You Can't Leave Behind', a ideia era a retrospectiva e olhar para trás na própria vida. As ideias eram boas, eles as entenderam bem e funcionaram muito bem. Acho que a grande ideia por trás de 'No Line On The Horizon' era ser o Norte da África, porque eles foram para lá e gravaram por um longo tempo. Voltaram com muitos instrumentos interessantes de músicos locais. Mas não funcionou porque eles nunca conseguiram definir qual era o panorama geral".
Desta vez, ele acredita que 'Carnaval De Luz' é, sim, um bom álbum:
"Quando o ouvimos novamente, pensei: 'É, este é realmente muito bom'. Eles ainda estão fazendo isso nesta fase da carreira. É um retorno à boa forma. Não sei dizer exatamente como a grande ideia – por definição, o carnaval – funciona neste álbum, mas deixarei que Bono explique isso para vocês".
Durante nossa conversa, Steve Lillywhite pareceu momentaneamente surpreso com a rapidez com que o tempo voa, ao perceber que "Vertigo", o primeiro single do álbum 'How To Dismantle An Atomic Bomb' – também produzido por ele –, foi lançado há 22 anos.
Naquela época, o rock já estava perdendo espaço no mainstream, sem jamais recuperar seu antigo status de força musical dominante. Essa situação torna cada vez mais difícil para as bandas de rock alcançarem novos públicos e atraírem ouvintes mais jovens.
Há algumas semanas, Bono disse ao The New York Times que sente inveja quando o U2 fica de fora das paradas pop. Achei um pouco estranho para uma banda que se considerava de rock.
Steve Lillywhite, no entanto, entende o ponto de vista de Bono.
"Sinceramente, acho que o vocalista tem muita responsabilidade. É ele quem tem que ficar na frente do palco e cantar a música para o público. Se o público não canta junto, ele não se sente bem. E para o público cantar junto, a música precisa tocar no rádio. E que tipo de música toca nas rádios convencionais? Músicas pop. O U2 sempre teve a voz do Bono. Ele canta melodias pop. Como eu disse, eles são como Frank Sinatra com guitarras elétricas. Então, eu entendo por que ele disse isso. Porque ele tem que fazer todo o trabalho pesado. Ele não pode se esconder atrás de nada. Mick Jagger é igual. Os vocalistas sentem que querem ter um hit para outras pessoas mais do que qualquer outro membro da banda. Então, o que você precisa é encontrar o equilíbrio certo. E é aí que o U2 está no seu melhor: quando o equilíbrio entre ser uma ótima música e ser um hit funciona. Porque existem muitos hits que ninguém nunca ouve um ano depois".
Ele também reconhece que a indústria musical moderna representa um desafio para as bandas de rock que dominavam o cenário mainstream no passado:
"É difícil para qualquer banda mais antiga, mesmo que elas sempre consigam atrair público para seus shows. Veja o Coldplay. Eles lotam estádios, mas provavelmente 90% dos fãs nem sabem que eles lançaram um álbum no ano passado. Existem poucos artistas cujos novos álbuns são realmente aguardados com grande expectativa mundial. Adele e Taylor Swift são dois exemplos. Por outro lado, Paul McCartney lançou tantos álbuns que ninguém realmente... se importa muito. É um mundo diferente em que vivemos".
Antes de me despedir, perguntei a Steve se ele participaria da próxima turnê do U2. Ele admitiu:
"Não sei. Participei da produção do Sphere, mas foi porque eles estavam um pouco preocupados com o sistema de som, que era bem incomum. Eles queriam alguém que conhecesse tão bem o som deles para estar lá com eles. Mas acho que não precisarei estar lá desta vez".
Ele não descartou, no entanto, uma visita a Atenas, caso a banda esteja guardando algo para uma surpresa grega em 2027 ou 2028:
"Vou assistir a alguns shows. Faço parte da equipe, então sempre tem ingresso para mim. Bem, talvez eu faça uma viagem e vá para lá, porque nunca fui à Grécia. Acho que só fui uma vez, quando era adolescente. Então, eu deveria ir".

O papo com Zane Lowe na Apple Music: o retorno de Larry Mullen Jr. aos palcos, a colaboração com Dolly Parton em uma de suas últimas gravações, o processo de criação de 'Carnaval De Luz' e o orgulho de Adam Clayton com o disco


Enquanto o U2 se prepara para inaugurar um novo capítulo com seu 16º álbum de estúdio, 'Carnaval De Luz', Zane Lowe se junta à banda para um retorno profundamente pessoal à Mount Temple Comprehensive School em Dublin, o lugar onde tudo começou há 50 anos. 
Logo após uma apresentação especial que comemorou a formação da banda, Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. refazem seus primeiros passos pelos corredores, salas de aula, espaços de ensaio e pátio da escola onde se conheceram, formaram uma banda e forjaram amizades para a vida toda. 
Ao longo do caminho, eles refletem sobre os professores que os incentivaram, o famoso mural que deu início a tudo e os momentos improváveis que colocaram o U2 no caminho para se tornar uma das bandas mais influentes do mundo.
Intercalada com imagens exclusivas da apresentação na Mount Temple, a conversa explora a jornada pessoal e criativa por trás de 'Carnaval De Luz'. Eles discutem o retorno de Larry Mullen Jr. ao estúdio e aos palcos, a colaboração com Dolly Parton em uma de suas últimas gravações, a composição de uma música inspirada em Rosalía e por que essa coleção de canções soa ao mesmo tempo ousada e inconfundivelmente U2. Relembrando cinco décadas de música, amizade e reinvenção, a banda celebra o lugar que os uniu enquanto vislumbra o futuro.
Larry Mullen Jr. fala à Apple Music sobre seu retorno aos palcos com o U2 pela primeira vez desde 2019.
"Houve momentos de reflexão", compartilha Larry. "Como baterista, seu trabalho é tentar manter o ritmo, então são duas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Eu tive uma sensação, sabe, tocando para os estudantes, que foi incrível. Há algo entre nós. Há algo que compartilhamos que não entendemos muito bem, sabe? Eles estão aqui para ver esses caras que estiveram aqui muitos anos atrás, e estamos revivendo um momento que talvez seus pais tenham visto, mas eles estão envolvidos nessa relação que é meio inexplicável. Então, foi isso, e com certeza estará entre os meus 10 melhores shows, o que fizemos aqui".
The Edge conta à Apple Music sobre o processo de criação de 'Carnaval De Luz'.
"Temos sorte porque cada um de nós tem uma personalidade tão peculiar que, quando tocamos a mesma música, sempre somos nós mesmos", afirma Edge. "E isso nos dá muita liberdade para começar uma música a partir de algo muito estranho e incomum, sabendo que, à medida que ela for desenvolvida, arranjada e executada, acabará soando como nós. Então, o processo é fascinante. Tínhamos muito material para esta gravação porque eu e Bono estávamos experimentando compondo para outros projetos, talvez até para outros projetos especulativos. Eu estava trabalhando em muita coisa só para gerar música durante o lockdown da COVID. Então, tínhamos todo esse material, digamos, inacabado, quase pronto. Mas o processo de realmente dar vida a tudo isso foi muito divertido. E todos tiveram a chance de brilhar, eu acho, na forma como este disco se concretizou, e você realmente ouve o que somos como músicos e compositores neste álbum".
Adam Clayton conta à Apple Music do que mais se orgulha em relação ao novo álbum.
"Acho que o que mais gosto é que conseguimos fazer este disco da mesma forma que alguns dos meus discos favoritos, ou seja, com os quatro instrumentos e ótimas partes que se encaixam perfeitamente. E há algo... a ilusão de que é rápido. Seria ótimo se fosse rápido. Mas nunca é tão rápido quanto gostaríamos", comenta Adam. "E sabe, é disso que me orgulho. É isso que eu gosto: conseguimos trazer o que desenvolvemos ao longo de 50 anos tocando juntos. Seja lá o que for, e não dá para pensar muito nisso, mas nos dá a confiança para finalizar o material em vez de ficar mexendo nele o tempo todo".
Bono conversou com a Apple Music sobre sua colaboração com Dolly Parton em sua última música.
"Tínhamos algumas ideias para um projeto diferente, algo mais voltado para o folk celta irlandês, que estávamos explorando, como um projeto baseado em músicos tradicionais irlandeses e algumas experimentações com Brian Eno. E já tínhamos trabalhado com Johnny McDaid, Ed Sheeran, e foi assim que ele acabou no pub conosco. Então entrei em contato com ela e estávamos discutindo algumas músicas, só nós dois, por telefone. Uma das músicas se chamava "Lifelong". Acho que era uma espécie de música de casamento, tipo uma canção para uma cerimônia. E ela disse: 'Essa é um pouco irlandesa demais para mim, se você não se importar'", conta Bono.
Ele continua: "E eu disse: 'Vocês são dos Apalaches, não são todos escoceses-irlandeses?' Ela disse: 'Sim, mas estou falando da minha voz'. E ela disse: 'Comecei uma música chamada "Torn". Agora você pode levar isso para outro lugar, e eu gostaria de ver para onde você poderia levar ou algo assim'. E a música chegou, era bem tradicional, e nós realmente a levamos para outro lugar. Fiquei realmente surpreso que ela tenha se empolgado com ela. Isso porque não se tratava apenas de famílias americanas, mas também de discussões à mesa da cozinha e dois irmãos que não se falavam. Sabe, havia um certo atrito típico da época nela".
Ele acrescenta: "Voz incrível. E ela estava doente na época. Não sabíamos o quão doente, é claro. E ela saiu da cama para cantar essa música. E isso significou muito para nós na época, só de saber que ela estava doente, que ela sequer consideraria fazer algo conosco".
O Record Store Day realizará festas de audição do álbum em lojas de discos independentes do mundo todo durante o fim de semana de lançamento, de 12 a 15 de novembro. As lojas participantes tocarão o álbum na íntegra e distribuirão brindes especiais, incluindo um pôster dupla face, certificado do evento, sacola, bottons, marcador de livros e impressão em tela do álbum, enquanto durarem os estoques. Algumas lojas nos EUA também oferecerão uma versão em vinil rosa.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Basílica de Covadonga localizada na Espanha aparece no Lyric Video de "The Greatest Show On Earth" do U2


Do site elcomercio.es

O U2 escolheu a Basílica de Covadonga para seu mais recente single. A igreja asturiana, localizada no município de Cangas de Onís, aparece por alguns segundos no Lyric Video da música "The Greatest Show On Earth", o terceiro single do álbum "Carnaval de Luz".


Sua aparição ocorre no vídeo aos 3:52. "Fazemos catedrais da nossa dor. Pessoas que desenterram seus sonhos da terra", diz a música enquanto o templo asturiano ocupa o centro das atenções no vídeo.
Essa aparição surpresa em "The Greatest Show On Earth" deixou os fãs do U2 surpresos nas Astúrias. A canção fala sobre um casal que luta para manter a fé em si mesmo, ao mesmo tempo que faz alusão a elementos religiosos como metáfora.
É ali que se ergue a Basílica de Covadonga, um dos locais mais emblemáticos do Principado, inaugurada em 1901. Em estilo neorromânico, é construída com mármore rosado extraído das montanhas de Covadonga.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

U2 fará um show exclusivo para a BBC Music


Jo Whiley anunciou em seu programa na BBC Radio 2 (segunda a quinta, das 19h às 21h) que o U2 fará um show exclusivo para a BBC Music em novembro.
A apresentação, gravada em um local fechado no centro de Londres para um público seleto de fãs na terça-feira, 3 de novembro, contará com a banda tocando músicas de toda a sua extensa discografia, além de novas faixas do próximo álbum de estúdio, 'Carnaval De Luz'.
Um número limitado de ingressos está disponível por meio de um sorteio do público da BBC, que estará aberto até a meia-noite de quinta-feira, 29 de outubro. Para se inscrever, visite o site da BBC Shows and Tours. O local da apresentação no centro de Londres será revelado aos portadores de ingressos no dia do show.
A apresentação será transmitida da seguinte forma:

Na BBC Two no final de novembro, como parte de uma noite de programação no canal dedicada ao U2.

Na BBC Radio 2 e no BBC Sounds na segunda-feira, 30 de novembro (das 19h às 21h), durante o programa de Jo Whiley, juntamente com uma nova entrevista com membros da banda.

Os programas também estarão disponíveis no BBC iPlayer e no BBC Sounds após a transmissão.
O U2 também participará do programa de Vernon Kay na Radio 2 (de segunda a sexta, das 9h30 às 12h) para o quadro 'Tracks of My Years', escolhendo dez músicas que marcaram suas vidas e carreiras. O episódio estará disponível no BBC Sounds e no BBC iPlayer a partir das 6h da manhã de domingo, 15 de novembro, e será transmitido na semana seguinte, a partir de segunda-feira, 16 de novembro, no programa de Vernon; além de ser exibido na BBC Two na mesma noite da transmissão da apresentação.
Jo Whiley diz: "Toda vez que vejo o U2 se apresentar, eles são sempre incríveis, dando 100% em cada show. Mal posso esperar para ver o que eles prepararam para nós e compartilhar o que sei que será um concerto fantástico com os ouvintes".

sábado, 24 de outubro de 2026

Louis Walsh, ex empresário do Boyzone, diz que Bono e o U2 demoraram muito para se pronunciar sobre o "genocídio" em Gaza


O Irish Independent escreve que o magnata da música Louis Walsh, ex empresário do Boyzone, afirmou que Bono e o U2 demoraram muito para se pronunciar sobre o "genocídio" em Gaza.
Ele fez os comentários em uma participação no programa The Big Interview, da Virgin Media.
O U2 foi criticado por evitar, em grande parte, falar publicamente sobre a crise humanitária em Gaza, mas divulgou um comunicado em agosto do ano passado condenando as ações do governo israelense após os ataques de 7 de outubro.
Em seu próprio comunicado, Bono disse que vinha "refletindo sobre o assunto" até então. Ele condenou o governo israelense, bem como os ataques de 7 de outubro, e acrescentou acreditar no "direito de Israel existir".
Walsh concordou que o U2 foi "muito lento" para se manifestar sobre as ações de Israel em Gaza, acrescentando que ficou "surpreso com Bono".
"Ele está em contato com todos os políticos do mundo. Isso é o mínimo que ele poderia ter feito, com certeza. Foi tarde. Foi tarde demais. Ele deveria ter sido um dos primeiros, sabe, com certeza. É genocídio e estamos todos assistindo como se nada tivesse acontecido. Eu grito com a TV todas as noites, porque assisto à Al-Jazeera, à France24 e à CNN – além da Virgin – então fico por dentro de todas as notícias, sou meio viciado em notícias".

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Sulinna Ong fala sobre gerenciar o U2 com Irving e Jeffrey Azoff e faz revelações sobre a nova era da banda


Em sua primeira entrevista desde que deixou o cargo de diretora global de conteúdo editorial do Spotify para gerenciar o U2 com Irving e Jeffrey Azoff, da Full Stop Management, a executiva de Los Angeles Sulinna Ong fala para a Music Week enquanto o U2 inicia uma grande campanha de lançamento do álbum. 
Ela revela tudo sobre a nova era da banda e – com contribuições de ambos os Azoffs – explica por que trocou o streaming pelo "assustador" mundo do gerenciamento.
No final de maio, foi anunciado que, a pedido pessoal do U2, Sulinna Ong assumiria um cargo recém-criado na equipe de gerenciamento da banda. Ela se juntou à equipe como sócia de gestão, trabalhando ao lado de Irving e Jeffrey Azoff, da Full Stop Management. 'Carnaval De Luz', o primeiro álbum da banda em nove anos, será lançado em 13 de novembro, seguido por uma turnê – e muito mais. Portanto, não é de se admirar que Ong esteja mais ocupada do que nunca.
"A banda sentiu que precisava de um terceiro sócio para complementar Irving e Jeffrey, e agora nós três trabalhamos juntos como uma unidade", explica ela. "Tenho uma trajetória e uma perspectiva criativa, que se entrelaçam com minha experiência em streaming e tecnologia, então meu papel é realmente focado em inovação e criatividade".
Ong já havia trabalhado com Jeffrey Azoff enquanto estava no Spotify e conheceu Irving durante as negociações para o novo cargo dele. Ela fala muito bem de ambos.
"O que sempre me impressionou – e ainda me impressiona – em Jeffrey é o quão calmo, ponderado e atencioso ele é", diz ela. "Ele é um pensador profundo. A maneira como ele se portava realmente me interessou; era muito diferente da maioria dos managers".
Ela descreve Azoff pai como "uma lenda".
"Irving é simplesmente incrível, de verdade", acrescenta. "Ele é muito rápido, muito ágil e engraçado, o que eu realmente aprecio. Quando você trabalha em contato próximo com pessoas diariamente, o senso de humor e a capacidade de rir das situações ajudam a superar os períodos de estresse. Já aprendi muito com os dois".
Irving Azoff não poupa elogios à sua nova colega.
"Encontrar alguém com as qualidades da Sulinna, que tenha experiência relevante e significativa em gravadoras, shows ao vivo, gerenciamento e streaming, é como encontrar um unicórnio", disse ele à Music Week. "Estou nesse ramo há bastante tempo e acho que posso afirmar com segurança que ela é rara. Quando você parte do princípio de que ela tem um gosto e instinto impecáveis, além de ser excepcionalmente inteligente, e adiciona a incrível profundidade que ela possui em diversas áreas da indústria musical, não é nenhum mistério por que ficamos tão animados em tê-la em nossa equipe".
Em Ong, ele vê um reflexo de sua própria visão sobre a arte do gerenciamento.
"Minha abordagem é muito simples e sempre foi: fazer o que é certo para os artistas", explica ele. "Proteja seus artistas, defenda-os e lute por eles sempre. Sulinna incorpora esse conceito de forma impecável. Ela tem a capacidade de falar e compreender a linguagem criativa do artista, mas também entende o mercado e o cenário atual o suficiente para ajudar a trilhar o caminho da concepção à concretização de um projeto".
Jeffrey Azoff relembra "uma ótima história" trabalhando com Ong durante seus sete anos no Spotify.
"Ela sempre se comportou com respeito, classe e, claro, bom gosto", afirma. "Sem surpresa, absolutamente nada mudou agora que ela está do outro lado. A única diferença é que conversamos o dia todo agora, o que eu adoro. Ela está constantemente me apresentando novas ideias, novas obras de arte e, o mais importante, uma nova perspectiva".
A visão singular de Ong sobre as coisas foi moldada tanto por sua origem quanto por sua carreira. Nascida no Reino Unido, filha de pai chinês e mãe persa, Ong morou no Irã e depois na Austrália, onde estudou música. Ao refletir sobre seus anos de adolescência obcecados por música, descobriu-se sua história de origem no U2.
"Descobri "Sunday Bloody Sunday" aos 12 ou 13 anos", ela relembra. "Não sabia do que se tratava, então transcrevi a letra e pesquisei. Nessa idade, eu comprava todas as revistas de música e lia todas as notas de encarte. O que me fascinava no U2 era o tom único que eles usavam para transmitir comentários sociais e políticos, sempre envoltos em inspiração e esperança, em vez de agressão ou raiva explícitas. Eles não se esquivavam da mensagem, mas ela era muito fiel ao DNA de quem eles são como pessoas".
Enquanto assistia aos vídeos em preto e branco e admirava o trabalho do diretor Anton Corbijn, a adolescente Ong não fazia ideia de que um dia seria encarregada de ajudar a moldar o futuro de uma banda que já está há cinco décadas na carreira. E, no entanto, é exatamente nessa situação que ela se encontra. Aliás, antes da conversa, ela recebeu uma ligação do próprio Bono.
"Tive a sorte de receber muitas oportunidades, mas muitas delas não me pareceram certas ou não eram do momento certo", diz ela. "Mas quando o U2 e o Irving e Jeffrey me abordaram sobre isso, realmente pareceu certo, e foi…"
Na entrevista, Ong contou sobre os próximos passos para o U2 e sua visão sobre o cenário em constante evolução da indústria.
"Se você analisar minha carreira, verá que sempre tive diferentes fases. O que me motiva é a possibilidade de desenvolver um conjunto de habilidades realmente diversificado, trabalhar em diferentes setores e estar sempre crescendo e sendo desafiado. Costumo me reinventar em ciclos de cinco a sete anos. Eu estava pensando sobre a mudança no cenário musical e sentia o desejo de estar mais próximo dos artistas quando essa oportunidade surgiu. A combinação do U2 e sua estatura, sua música, seu trabalho e a ambição que ainda têm para o futuro, além de Irving e Jeffrey... Era uma oportunidade que eu tinha que explorar e agarrar. É a dimensão do trabalho. É por isso que é assustador e por que o gerenciamento de artistas não é para os fracos de coração, digamos assim. Você é responsável por tantas coisas diferentes ao longo da carreira de um artista – especialmente com um artista como o U2, com a amplitude do catálogo que eles têm, bem como suas próprias ambições. Eles têm muita ambição para o futuro. Esta não é uma banda que está acomodada ou descansando sobre os louros. E é diversificado – não é só música. Então, foi isso que realmente me atraiu. Os empresários se empenham muito mais agora do que antes, mesmo em comparação com cinco anos atrás. Isso foi atraente para mim. Além disso, poder trabalhar neste nível específico – os Azoffs são mestres na arte – e colaborar de perto com eles e com um artista com a ambição e a história que o U2 tem é algo bastante singular.
Trata-se de honrar o legado deles e como representá-lo de maneiras inovadoras – conectando os pontos em termos de onde eles estão culturalmente agora e apresentando sua música a novos públicos de novas maneiras. O catálogo é certamente uma parte importante para um artista como o U2 e eles têm uma visão muito clara do que querem alcançar. Estamos aqui para pegar isso e inovar, e esperamos que a soma de nós resulte em algo maior. Penso em como a história do U2 é única. Eles estão comemorando 50 anos como banda, desde o dia em que Larry Mullen Jr., ainda adolescente, pregou uma nota no mural da escola dizendo: 'Baterista procura outros músicos para formar uma banda'. Não consigo pensar em outra banda que tenha permanecido junta com seus quatro membros originais por tanto tempo.
O gerenciamento de artistas é muito intenso e você trabalha em contato muito próximo. É muito importante poder conversar com seus artistas. São quatro na banda e é uma relação muito igualitária – acho que esse é um dos motivos pelos quais eles estão na ativa há 50 anos. A natureza do relacionamento é a transparência, a honestidade e a capacidade de inspirar uns aos outros, mas também de ter conversas difíceis. E saber que todos estão trabalhando para o mesmo objetivo, e também se desafiando mutuamente. Eles me desafiam o tempo todo – eu adoro isso. Isso te impulsiona a ir além do que você faria inicialmente. Eu gosto disso e acho que o contrário também é verdade. Eu pensei: 'Sim, isso é incrível!'.
O novo álbum é diversificado. Há músicas clássicas do U2 que você esperaria, mas também algumas que você não esperaria. Estou muito animada para trabalhar nisso. Há alguns nomes conhecidos em termos de colaboradores de longa data, como Jacknife Lee, Daniel Lanois, Steve Lillywhite, Brian Eno e Anton Corbijn. Uma música em particular, chamada "The Greatest Show On Earth", que é a minha favorita do álbum, é realmente poderosa e linda. Ouvi a banda dizer que a considera quase uma continuação de "With Or Without You".
O U2 se preocupa com a indústria como um todo. Frequentemente conversamos sobre novos artistas que estão surgindo, porque eles têm muito interesse e preocupação com artistas novos e em desenvolvimento. Mesmo que algo não os afete diretamente, eles se importam com o que é ser um artista iniciante hoje em dia. E há muito o que considerar – não apenas o aumento dos custos de turnê, mas o aumento do custo de vida para todos no mundo. Além disso, há a complexidade de se destacar e ser descoberto em uma época tão saturada, onde as pessoas estão isoladas em suas próprias bolhas algorítmicas personalizadas".

"Get Back To Now" é a faixa bônus de 'Carnaval De Luz' do U2 na edição iTunes do álbum


'Carnaval De Luz': iTunes Edition' do U2 na plataforma de música digital incluirá as 12 músicas do álbum original, mais uma faixa bônus chamada "Get Back To Now".
Na entrevista para a Rolling Stone, foi revelado em um trecho que "o U2 possui um acervo de músicas que está bem mais próximo da conclusão. Mesmo com todas as faixas lançadas, ainda existem sobras do álbum 'Carnaval' que eles adoravam, incluindo "Get Back To Now", com letras inspiradas no tempo que Bono passou em Hanói".

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O Lyric Video de "The Greatest Show On Earth" do U2


Oficial Lyric Video do novo single do U2, "The Greatest Show On Earth", do seu 16º álbum de estúdio, 'Carnaval De Luz', com lançamento previsto para 13 de novembro.

 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Bono afirma que o U2 não tem problemas em cobrar preços altos em seus shows dos chamados por ele de "fãs ricos"


Ticket News

Bono afirma que o U2 não tem problemas em cobrar preços altos em seus shows dos chamados por ele de "fãs ricos", argumentando que a banda sempre buscou equilibrar opções de ingressos caros com acesso acessível a alguns dos melhores lugares nos locais das apresentações.
Os comentários surgem no momento em que o U2 inicia a pré-venda de ingressos para sua recém-anunciada turnê mundial de 2027, com preços para os próximos shows da banda no Brasil variando de R$ 500 (aproximadamente US$ 100) para um ingresso especial para fãs a mais de R$ 7.500 (aproximadamente US$ 1.500) para os pacotes VIP mais caros, sem incluir as taxas de serviço online.
Em entrevista a David Marchese no podcast The Interview, do The New York Times, Bono discutiu a filosofia do U2 em relação aos preços dos shows e até que ponto os artistas podem influenciar o quanto seu público paga.
Questionado se a banda tem controle sobre os preços dos ingressos, Bono respondeu que os artistas têm "muito pouca" influência sobre os preços no mercado atual de entretenimento ao vivo.
No entanto, ele afirmou que o U2 sempre trabalhou para garantir o acesso a lugares privilegiados em seus shows a preços acessíveis.
"O que fazemos na nossa banda é reservar os melhores lugares", explicou Bono, descrevendo uma prática antiga de tornar certos locais próximos ao palco mais acessíveis.
Esse compromisso não impede a banda de oferecer ingressos consideravelmente mais caros para os fãs dispostos a pagar um valor adicional.
"Também não temos problema nenhum em separar os ricos do seu dinheiro", disse Bono.
Os comentários de Bono, também destacados pelo Business Insider, ilustram uma abordagem cada vez mais comum para a precificação de shows, na qual os artistas oferecem um preço "padrão" baixo para o ingresso, enquanto capturam receita adicional dos fãs dispostos a gastar mais por locais ou experiências premium, utilizando práticas de preços diferenciados, como o preço platina ou o preço dinâmico.
Bono também reconheceu que ir a um show do U2 pode representar um gasto significativo, dizendo que quer que os fãs se sintam bem com a decisão de comprar os ingressos, mesmo que tenham pago mais do que gostariam.
O ingresso integral para as apresentações do U2 nos dias 10 e 12 de março no Estádio MorumBIS começa em R$ 500 para a opção especial Fan Ticket. Os ingressos tradicionais para a arquibancada custam R$ 690 (US$ 138), enquanto os ingressos para a pista custam R$ 790 (US$ 158). O ingresso para a pista premium custa R$ 1.550 (US$ 310), e os ingressos para o Golden Circle estão listados a R$ 1.750 (US$ 350).
A banda também está oferecendo pacotes consideravelmente mais caros, incluindo uma opção (RED) Zone por R$ 3.000 (US$ 600) e um pacote Ultimate VIP Hospitality por R$ 7.547 (US$ 1.510).
O Fan Ticket de R$ 500 é particularmente relevante para a descrição de Bono sobre a abordagem do U2 em relação à entrada acessível.
Diferentemente dos ingressos tradicionais, que permitem aos compradores escolher um setor específico, o programa Fan Ticket supostamente atribui aos compradores um local que não é divulgado até o dia do show.
Os locais elegíveis podem incluir setores premium da pista, pista normal e arquibancada.
Essa estrutura potencialmente dá a alguns portadores de ingressos mais baratos acesso a locais mais desejáveis do show, embora não garanta aos compradores um lugar perto do palco. E a quantidade de ingressos disponíveis para esses lotes costuma ser mínima e se esgota rapidamente durante as vendas antecipadas.
As opções VIP mais caras oferecem benefícios adicionais além da entrada. Os pacotes de hospitalidade incluem acesso a lounges exclusivos, produtos oficiais, itens comemorativos e outras experiências, diferenciando-os dos ingressos comuns para shows.
O pacote (RED) Zone inclui acesso a uma área exclusiva para ficar em pé ao lado do palco, e as compras apoiam o trabalho da organização com o Fundo Global de Combate à AIDS.
A Ticketmaster também especifica que os ingressos do pacote VIP são intransferíveis, uma restrição que pode limitar a flexibilidade dos compradores caso não possam esperar.
A estrutura de preços divulgada demonstra como o U2 está tentando atender diferentes categorias de compradores de ingressos, com alguns fãs pagando consideravelmente mais por acesso e experiências premium, enquanto outros têm opções de entrada a preços mais acessíveis.
No entanto, não fica claro quantos dos locais mais desejados para o show estão sendo disponibilizados com preços promocionais.
Os comentários de Bono estão em consonância com a abordagem declarada pela banda durante sua residência de 2023-2024 no Sphere, em Las Vegas.
Quando essas apresentações foram anunciadas originalmente, os preços dos ingressos começavam em US$ 140, com os organizadores afirmando que aproximadamente 60% dos ingressos custariam menos de US$ 300.
Ao mesmo tempo, a residência oferecia ingressos premium com preços consideravelmente mais altos.
Como relatado pela TicketNews quando a residência no Sphere foi anunciada, a banda também restringiu a transferência de ingressos para a pista, limitando como alguns compradores poderiam posteriormente distribuir ou revender seus ingressos.
Essas decisões destacam uma distinção importante no debate sobre a acessibilidade de shows.
Oferecer alguns ingressos mais baratos em locais desejáveis não significa necessariamente que os preços gerais dos ingressos de um artista sejam baixos. Da mesma forma, vender pacotes VIP caros não torna automaticamente os ingressos mais baratos indisponíveis.
As questões mais relevantes para o consumidor dizem respeito à distribuição dos ingressos entre as diferentes faixas de preço, se os compradores entendem as diferenças entre as ofertas e quais restrições restringem suas compras.
A afirmação de Bono de que os artistas têm influência limitada sobre os preços também levanta questões sobre como essas decisões são divididas entre artistas, promotores, casas de shows e plataformas de venda de ingressos.
Embora o vocalista tenha descrito a capacidade do U2 de influenciar a disponibilidade de certos locais acessíveis, ele não explicou precisamente quais decisões mais amplas sobre preços a banda controla.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

U2 será a atração principal do show do intervalo do jogo da NFL na véspera do Dia de Ação de Graças, com transmissão ao vivo pela Netflix


Pela primeira vez na história, o futebol americano da NFL na véspera do Dia de Ação de Graças começa mais cedo na noite, e a Netflix preparou o terreno com uma apresentação histórica do U2 no intervalo em 25 de novembro.
O U2 celebrará seu 50º aniversário como banda com um show especial no intervalo do jogo, que coloca o Green Bay Packers frente a frente com o Los Angeles Rams.
"Há um motivo para o U2 ser atração principal em estádios há décadas: eles não apenas se apresentam, eles proporcionam momentos icônicos que o público lembra para sempre", disse Ted Sarandos, co-CEO da Netflix. "Estamos entusiasmados por eles trazerem essa mesma magia para o palco da NFL na Netflix. Será uma noite inesquecível para os fãs de futebol americano e assinantes da Netflix em todo o mundo".

sábado, 17 de outubro de 2026

Bono e The Edge falam ao The New York Times sobre sua longa relação de trabalho, amizade e o que o U2 ainda significa - 3° Parte


Sempre tive curiosidade em saber o que seu antigo empresário, Paul McGuinness, disse a você depois de toda aquela confusão com o iTunes, quando você colocou o então novo álbum no iTunes das pessoas sem pedir permissão. Paul deve ter dito algo sobre isso.

Bono: Ele disse praticamente a mesma coisa que Tim Cook disse quando apresentei a ideia a ele: Você passou a vida inteira fazendo as pessoas pagarem por música. Por que você iria querer dar algo de graça? Quer dizer, estávamos experimentando. Queríamos ver se conseguiríamos que a Apple ou outra empresa pagasse pela nossa música e a distribuísse. E olha, vai ser preciso muita experimentação para consertar o mercado da música. É impressionante o quanto outros músicos recebem pouco, e isso é assustador. Mas sim, a culpa foi toda minha.

Foi um erro que prejudicou sua reputação?

Bono: Eu exagerei nessa.

The Edge: A gente corre riscos. Tem que correr. Então a gente falha, a gente cai de cara no chão às vezes. Faz parte do trabalho.

Edge, você mencionou tocar ao vivo. Há planos para uma turnê no ano que vem?

The Edge: Há sim.

Suas turnês são sempre conceituais de alguma forma. Qual é o novo conceito?

Bono: Bem, o título do álbum já dá uma pista.

The Edge: Não podemos entrar em muitos detalhes porque os planos ainda estão se formando, mas estamos interessados nessa interseção entre xamanismo e show business. Todos os grandes artistas, em certa medida, precisam realizar um truque de mágica, o que os leva a um lugar misterioso. E funciona nos dois sentidos: os grandes políticos da atualidade, que infelizmente, em muitos casos, são extremamente perigosos, são muito xamânicos. Eles deslumbram as pessoas com uma atuação. É o lado do vendedor de óleo de cobra. E estamos vivendo em uma era pós-verdade porque, infelizmente, existem muitas oportunidades para disseminar narrativas falsas, e isso está sendo explorado. Nossos pontos fracos podem ser facilmente manipulados, principalmente quando o medo é a arma utilizada. Então, estamos explorando esses temas de uma forma positiva e negativa. A letra da música "Silencio" resume esses dois extremos. Os dois tipos de silêncio. O silêncio contemplativo, meditativo, reflexivo é algo belo. Mas o outro tipo de silêncio é aquele em que você se sente intimidado e tem medo de falar porque, se disser algo errado, será punido, poderá ir para a cadeia, será ostracizado, e isso é extremamente perigoso.

Bono: Tem um poema do Michael Leunig. "Só existem dois sentimentos, amor e medo. Só existem duas linguagens, amor e medo. Só existem duas atividades, amor e medo. Só existem dois motivos, dois procedimentos, duas estruturas, dois resultados, amor e medo. Amor e medo". Há muito amor nos nossos shows, e não é aquele amor do tipo "vamos lá, pessoal", "vamos todos nos abraçar". Acho que existe uma profundidade num show do U2 onde pessoas que normalmente não concordam politicamente umas com as outras se sentem seguras. Tenho muito orgulho disso. Se elas estão nos Estados Unidos, queremos que se sintam muito bem com a escolha de provavelmente pagar caro demais para nos ver. Mas vamos desafiá-las.

Imagino que você tenha alguma influência sobre os preços dos ingressos.

Bono: Bem, o grande problema do mercado de shows ao vivo é justamente essa: pouca influência. Mas o que fazemos na nossa banda é reservar os melhores lugares da casa e garantir que sejam, muitas vezes, os mais acessíveis. Também não temos problema nenhum em separar as pessoas ricas de seu dinheiro.

Para finalizar, gostaria de fazer uma pergunta mais abrangente. Mesmo durante esta conversa, fica claro que o U2 reflete sobre a história que todos estamos vivendo e sobre o que a banda pode oferecer a essa história. Mas vocês estão na ativa há 50 anos. Isso não dura para sempre. Eu sei em que ponto da história o U2 se encontra agora, e vocês têm alguma ideia de como gostariam que essa história terminasse?

The Edge: Ainda estamos extremamente inspirados e ativos criativamente, e há muitas músicas que ainda não foram lançadas, que ainda precisam ser finalizadas. Então, não consigo imaginar isso terminando tão cedo.

Bono: Edge, acho que ele pode se interessar pelo seu discurso para a banda outro dia, sobre o que aconteceria se você tivesse que encontrar outra banda.

The Edge: Esse é outro motivo pelo qual ainda estou no U2. Às vezes, no início, eu pensava: "Isso é muito difícil, eu realmente deveria sair desta banda", e começava o diálogo interno. "Então, o que você quer fazer da sua vida?" E eu diria: "Bem, eu sou uma pessoa criativa, e a música é meio que a minha principal atividade, então eu continuaria na música". "OK, você quer cantar?" E eu responderia: "Eu realmente não quero ser o vocalista. Estou feliz sendo guitarrista". "Então, qual é o vocalista com quem você mais gosta de trabalhar?" E eu diria: "Bem, claramente o Bono". Então, OK, eu farei um projeto solo, mas o Bono será o vocalista. Aí, "Qual é a melhor seção rítmica para vocês?" Eu diria: "São o Adam e o Larry, não é?" OK, então será uma banda solo com o Bono nos vocais, eu serei o guitarrista e o Adam e o Larry serão a seção rítmica. Basicamente, eu redesenharia o U2. Então, sim, não há dúvida. É aqui que eu pertenço.

Bono: Acho que o mais provável é que as pessoas se cansem de nós e que nós nos cansemos de viajar para encontrá-las, o que faz com que elas também se cansem de nós. Acho que se continuarmos tocando ao vivo até cairmos mortos, sempre haverá público. Mas temos um problema nesse sentido: fizemos uma promessa um ao outro quando tínhamos 18, 17, 16 anos, de que jamais subiríamos a um palco sem dar tudo de nós. E ainda não quebramos essa promessa. Já tivemos brigas no palco, nos bastidores, loucuras, mas nunca a quebramos.

The Edge: É, nunca foi apenas entretenimento para nós, nunca. Sempre foi algo com muito mais importância e significado. Alguns dos primeiros shows que vimos foram do The Clash em sua primeira turnê, Buzzcocks, The Jam e Talking Heads. Então, quando você está cercado por esse tipo de senso de urgência e aspecto ideológico, você não pode levar essas coisas na brincadeira. É muito mais do que apenas entretenimento. Bono: É o que dizem sobre o futebol: não é uma questão de vida ou morte. É algo muito mais sério do que isso.

Bono e The Edge falam ao The New York Times sobre sua longa relação de trabalho, amizade e o que o U2 ainda significa - 2° Parte


Quase se poderia pensar em 'Carnaval De Luz' como um álbum de protesto, mas é um álbum de protesto sem nomes próprios. Você não diz contra quem está protestando nem nomeia ninguém explicitamente. E estou pensando nisso no contexto de alguns dos seus pares no topo da pirâmide do rock 'n' roll. Bruce Springsteen estava em turnê este ano fazendo discursos criticando Trump, seu governo e suas políticas. Por outro lado, conversei com Mick Jagger no início deste ano e lhe fiz uma pergunta sobre a função das estrelas do rock, e ele basicamente disse: "Ei, estou aqui para ajudar vocês a se divertirem. Ninguém quer sermões". E eu me perguntei se fazer um álbum, como você fez, de música de protesto politicamente mobilizadora e desafiadoramente alegre, sem mencionar política de fato, era sua maneira de tentar trilhar um caminho intermediário.

Bono: Não. É como escolher brigar com o autor de toda essa confusão. Descobri que acreditar em Deus — ou que Deus é amor — foi excepcionalmente fácil na minha vida. Mas o conceito de mal era complicado para mim. Não era tão fácil de digerir. Então, na nova música "If The World Is At War We Better Not Be", o verso diz:

Eu quero falar com o espírito
Você pode senti-lo, mas não pode temê-lo
Sejam reis, rainhas ou imperadores do desespero
Não estamos discutindo o jogo da velha
Temos algumas palavras para o seu chefe
Estamos falando com quem fala através de você
Com o príncipe do poder do ar
Todos esses brilhos e cintilações, espelhos que devem se quebrar, todos os flashes de neon, somos gratos por parte disso
A ficção de uma nação, as histórias que não contamos
Precisamos da luz da iluminação para que você possa voltar direto para o inferno
Se o mundo está em guerra, é melhor que não estejamos.

É sobre isso que este álbum trata. Devemos ser gratos por o mal estar exposto. E em 'Days Of Ash', citamos nomes. Sabe, eu falei com a família de Renee Good.

A mulher morta pelo ICE em Minnesota.

Bono: Uma semana depois, compusemos uma música sobre isso, e tínhamos esse verso: "A América se levantará contra o povo da mentira". O Edge tinha me dado um livro há 30 anos, do M. Scott Peck, chamado 'People Of The Lie' (Pessoas Da Mentira). É sobre a natureza do mal e um estudo sobre o narcisismo maligno. Enfim, eu estava explicando para a família, antes de usarmos a letra, pedindo permissão. Eles estavam no Zoom, e quando cheguei na parte do "A América se levantará contra o povo da mentira", o pai disse: "Eu tenho o livro aqui". Eu disse: "O livro que o Edge me deu há 30 anos?". Ele respondeu: "Sim, está aqui. Há apenas um mês, peguei para explicar algumas coisas que estão acontecendo para o meu filho". Então, com essas músicas do 'Days Of Ash', nós mencionamos nomes. Mas para 'Carnaval De Luz', não quisemos. Há um verso na música "Midnight Sunshine" que diz: "Catastrofizar é glamourizar a dor do mundo. Se você não quer tornar o demônio maior, pare de repetir o nome dele". Posso continuar aqui só por um segundo?

Você nunca parou antes.

Bono: Eu sei. Sinto muito por isso. Mas se pudermos separar a discussão sobre este governo da discussão sobre esquerda e direita, conservadores e liberais, então não vejo problema em prosseguirmos. Porque acho que este é o momento mais extraordinário. Quero dizer, este é o maior roubo da história do mundo: roubar a América. E não é um filme de assalto. É real e está acontecendo. Não quero afastar as pessoas boas que votam nos conservadores, que votam nos republicanos. O partido delas foi sequestrado, e é uma tomada de poder agressiva. Quero convidá-las a voltar. Quero que elas retornem. As pessoas votam nos conservadores por vários motivos válidos. Então, se pudermos conversar sobre isso sem cair nas discussões de sempre — mas este é um problema sério e eu tenho uma relação pessoal séria com isso por causa dos meus 25 anos de trabalho na área de desenvolvimento.

Esse trabalho de desenvolvimento foi dizimado pelo DOGE e, por extensão, por Elon Musk e pelo governo Trump. Você vê maldade nisso?

Bono: Para pistas gerais sobre o mal, observe o abuso infantil. Isso sempre é uma pista. Não sei quantas mortes serão atribuídas aos cortes no DOGE. Existem muitas estimativas diferentes. Se você consultar, por exemplo, a revista The Lancet, eles sugerem, creio eu, que até 2030, talvez cinco milhões de crianças menores de 5 anos. E digamos que estejam parcialmente errados. Que família cristã, que família católica, que família judaica, qualquer pessoa de fé, aliás, qualquer pessoa de consciência, permitiria a hemorragia de vidas humanas que ocorrerá como resultado desses cortes no DOGE? É inconcebível.

Bem, aqui está a questão da fé. Eu estava ouvindo "Glorify" esta manhã, e tem um verso que diz: "Você cospe no meu olho, você é uma mentira descarada, e não há nada que você possa fazer para me impedir de te amar". É a ideia de amar seus inimigos. Você ama as pessoas que fazem coisas que você considera inconcebíveis?

Bono: Sim, eu amo essas pessoas porque acredito que Deus as ama, e o cristianismo nos chama não apenas a amar o nosso próximo, mas também os nossos inimigos. Mas o que está acontecendo com o homem cujo nome não deve ser mencionado é algo muito maior do que ele. Está acontecendo no mundo todo. O maior roubo da história? São as joias da coroa. É a liberdade. É a democracia. É como o Iluminismo. Enfim, é isso. O Edge está aqui sentado me olhando.

Edge, você já teve a experiência de estar em situações como essa muitas vezes, com o Bono respondendo a perguntas do tipo que estou fazendo. Como é isso para você?

The Edge: Olha, não nos importamos de sermos profundos e sérios, mas também é importante manter um certo equilíbrio. Foi por isso que o U2 mudou tanto depois de 'The Joshua Tree' e 'Rattle And Hum' para 'Achtung Baby', porque percebemos que estávamos sendo privados de aspectos de quem éramos. Isso simplesmente não se refletia no nosso trabalho e, portanto, na compreensão e na percepção que as pessoas tinham de nós. Então, o que vocês precisam lembrar sobre nós é que, sim, podemos ser muito densos e profundos, mas na verdade nos divertimos muito, e quando estamos trabalhando juntos, rimos muito, erramos muito e ficamos felizes por nos sentirmos confortáveis com o fracasso. Então, sim, compartilho muitas das opiniões do Bono sobre esses assuntos e sentimos uma responsabilidade, eu acho, de abordar o que vemos de errado no mundo, mas não dá para fazer isso incessantemente. Então, em nosso álbum, abordamos isso de forma leve e, como você disse, não mencionamos nomes porque não queremos apontar o dedo. O que queremos é chamar a atenção para algo que seja uma espécie de antídoto, algo melhor. E acho que é assim que as pessoas funcionam. Se você diz a alguém que não deve fazer algo, será uma luta. Se você mostrar a alguém um caminho melhor, essa pessoa irá por ele.

Então, quando você está no estúdio com Adam e Larry — vocês se conhecem há 50 anos — deve haver coisas que fazem a seção rítmica olhar para os caras da linha de frente e pensar: "Isso me deixa louco!". Quais são elas?

The Edge: Bandas são coisas estranhas, sejamos honestos. Somos irmãos de armas, com certeza, mas não concordamos em tudo, de jeito nenhum. Acabamos tomando decisões por consenso porque aprendemos ao longo dos anos que, se estamos discutindo sobre alguma coisa, é porque há um problema. Quando todo mundo simplesmente diz: "Chega!", sabemos que estamos no caminho certo. Então, discutimos, sim, mas, de modo geral, é quando algo não está exatamente certo. E aí é só uma diferença de opinião, como qual caminho seguir. Então, sim, tenho certeza de que sou muito irritante às vezes.

Bono: Eu não acho que o Edge seja — e isso é irritante, aliás — porque ele é uma pessoa muito racional. Eu é que teria o gene da irritação. Mas é uma questão de artistas. O mesmo portal que você abre para acomodar um estádio inteiro talvez não seja um portal que você consiga fechar a tempo de se proteger do mundo exterior. Você pensa em egos do tamanho de estádios, como o meu, e pensa em autoengrandecimento e coisas muito piores, mas o que acontece é o oposto. É o colapso do ego. Cantar em si já é uma vulnerabilidade, se você for bom nisso.

Eu estava lendo as publicações especializadas, como sempre faço, e vi uma notícia não faz muito tempo sobre vocês terem contratado uma mulher chamada Sulinna Ong para fazer parte da equipe de gerenciamento. Ela trabalhava anteriormente no Spotify, cuidando da curadoria global. E Jeff Azoff, que gerencia o Harry Styles, também é um dos seus empresários agora. Quando o U2 começa a trabalhar com uma nova equipe de gerenciamento, presumo que essas pessoas apresentem seus argumentos sobre o valor que agregam à banda. Então, o que eles disseram que vocês já não sabiam sobre como o U2 pode encontrar novos ouvintes ou seguir em frente neste momento da carreira da banda?

Bono: Vocês devem ter nos vigiado, porque nas últimas semanas ficamos sentados ouvindo pessoas nos dizendo para fazer coisas que não tínhamos imaginado. A Sulinna disse que é quase impossível, com a forma como as pessoas vivem e ouvem música hoje em dia, cada uma em sua comunidade, fazer algo que agrade a todos. A quantidade de publicidade que teríamos que gastar, a quantidade de shows que faríamos em todas as cidades universitárias ou ao redor do mundo — as pessoas ainda poderiam não saber que lançamos um novo álbum. Então, deveríamos aparecer em lugares inesperados. E eles estavam sugerindo alguns. Algumas coisas que não teríamos considerado. E nós quatro estávamos rindo e pensando: "Ainda vamos ter que entrar nas paradas de sucesso? Nada mudou desde que éramos garotos". Estávamos sentados com o Larry, que normalmente não gosta desse tipo de coisa, e eu disse: "Estamos prontos para sair e conhecer pessoas que talvez não saibam quem somos? Estou acostumado com isso como ativista, mas e como banda?" Fiquei surpreso que nós quatro concordamos: "OK, nos deem outra sugestão". Inclusive o Larry, que disse: "Estou ouvindo. Estou desconfiado, mas estou ouvindo". Achei isso bom. Para nós, ainda é algo que precisamos provar.

Talvez pareça deselegante entrar em detalhes, mas eles estão sugerindo licenciar uma música para um show que você não tinha pensado? Estão sugerindo que você faça um show surpresa em um restaurante Raising Cane's?

The Edge: Ótima ideia! Vou anotar.

Bono: Você vai se dar muito bem na empresa. Você teve algumas ideias muito boas durante a entrevista. 

The Edge: Acho que este álbum, e os rumos que vamos tomar na turnê, oferecem oportunidades quase dadaístas para brincar com o absurdo, para fazer coisas malucas que ninguém esperava. Estou ansioso por isso. É difícil surpreender a si mesmo tanto quanto o público, depois de já ter feito isso tantas vezes.
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