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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Na Estrada Com O U2: Revelações e Contos da 'The Joshua Tree Tour 2017' - Parte II


Trinta anos atrás era Thatcher / Reagan, hoje é Trump / Theresa May. Qual dupla é pior?

(Risos). O tempo vai dizer. Quero dizer, na época haviam muitas pessoas, particularmente na América Central, que eram tão contra as políticas da administração Reagan, e agora, entre uma grande seção de comentaristas políticos, aquele período é visto como um momento de ouro para o Partido Republicano, e sua administração é considerada como uma referência para o quão bom pode ser. Então, realmente o que você vê depende de onde você está posicionado, em relação à isto.
Se você perguntar às pessoas agora, 90% diriam que Ronald Reagan era o gigante político e Donald Trump é a aberração, mas vamos ver. Na época, Ronald Reagan não era visto como um personagem razoável e progressivo. Ele foi visto como muito reacionário e sua política externa causou muita dor de cabeça na América Central. Então só o tempo dirá.

À partir dos ensaios, "Miss Sarajevo" tornou-se "Miss Syria", em grande parte por causa desse vídeo muito poderoso do campo de refugiados jordaniano. Como você se sentiu quando viu o vídeo pela primeira vez e o colocou na música?

Nós trabalhamos um pouco com o artista francês Jr em coisas anteriores, ele é um amigo e um artista incrível, e seu trabalho é sempre encontrar locais de conflito ou controvérsia, e colocar a arte em algum lugar onde você nunca esperaria vê-la. Então, era perfeitamente consistente com o que ele fazia. Então, em primeiro lugar, foi ótimo encontrar uma maneira que pudéssemos colaborar com ele, então nós conversamos com ele em Nova York sobre essa ideia, e quando finalmente vimos o filme, ficamos tipo 'uau...'
Nós não sabíamos bem como ele estava fazendo para trazer isso, mas foi meio emocional. É um retrato bonito do problema essencial com todo o problema do emigrante, que realmente, são apenas pessoas como nós, mas vindo de um lugar diferente, de uma cultura diferente, mas com todas as mesmas aspirações. Acho que agora é uma mensagem muito importante de se levar.
É muito fácil ter medo, e perder esse fato, à luz do terrorismo internacional e tudo isso, e agora, parece que a narrativa foi para o outro lado. Você sabe, como a imigração equivale a uma ameaça, e eu não acho que deveria ser vista assim.

Por que não haverá um segundo show no Croke Park?

Foi mais por logística do que qualquer coisa. Os locais estavam reservados e tínhamos apenas uma janela muito curta, e é apertado para tentar chegar em todos os lugares, então... desculpem, rapazes!

Edge se despede e Guy Oseary - empresário do U2 desde 2013 (ele também gerencia Madonna e Amy Schumer) - aparece para dizer oi. Um israelita-americano impecavelmente educado, um jovem de 44 anos aperta as mãos de todos na mesa. Perguntado se ele vai estar por toda a turnê, ele responde: "Eu vou estar na maior parte. Quero dizer, eu estava na maioria deles antes mesmo de trabalhar com eles. Eu sempre amei ir aos shows da U2."
Alguns minutos depois, Adam e Bono chegam. "Como posso ajudar?", brinca o vocalista, tomando seu lugar na mesa. "Eu vim falar sobre trabalho!"

Você já encontrou Trump?

Não, nunca. Eu não gostaria de conhecê-lo, porque ele teria mais fotógrafos do que eu, e isso só abafaria as coisas.

O que está acontecendo com 'Songs Of Experience'?

Bem, se fosse por mim, eu estaria tocando ele.

Está finalizado?

Praticamente. É uma obra muito especial. Acho que pode ter se beneficiado com a pausa que fizemos. Porque eu gostaria de tê-lo lançado há um ano atrás. As coisas mudaram agora, só tinha que acontecer. Nossas canções surgem como histórias, notícias de última hora, bem como o que está acontecendo em nossas próprias vidas, o que está acontecendo na comunidade. O U2 sempre foi assim e o mundo todo mudou e você só não queria estar cantando sobre o bug do milênio!

O quão importante o show do Croke Park para você?

"É ótimo voltar lá", responde Adam. "Nós fomos lá no início da turnê 'The Unforgettable Fire'. É sempre divertido tocar para um público de casa. Tocar esse disco em particular para um público de casa será incrível.

Que tipo de memórias você tem dos shows de 1987?

"Eu não tenho muitas lembranças do anos 80", ri Adam. "Falando sobre o que eu me recordo, foi um show muito, muito cru, o show da The Joshua Tree'. Nós não tínhamos câmeras de vídeo naqueles dias, não tivemos nada do que temos agora, e nós aprendemos com isso. Anton Corbijn fez alguns filmes incríveis, que você verá, que ilustram de onde viemos - se você gosta, é um álbum em animação".

"Eu me lembro de uma briga com Paul McGuinness indo para o Croke Park", responde Bono. "Nós não conseguimos obter o som correto. E eu fui atrás dele dizendo: 'que tipo de lugar é esse, cara, você realmente espera que façamos música aqui, nesta bagunça de concreto?', e Paul virou para mim e disse: 'Mas você me pediu, você pessoalmente me pediu para tocar neste lugar'. Essa foi uma delas.
Outra coisa foi que na noite anterior nenhum de nós sentiu qualquer nostalgia. A coisa mais estranha, as músicas parecem que foram escritas para esse momento. 'Céu do deserto, sonhe sob o céu do deserto, os rios correm mas logo secarão, nós precisamos de novos sonhos esta noite'. Este é o tipo de tema da The Joshua Tree Tour. É exatamente isso, precisamos de novas idéias.
Eu sempre penso em Bob Dylan, em "Brownsville Girl", no meio da música ele canta - uma de suas maiores músicas: "Se houver uma ideia original lá fora, é agora que eu poderia usá-la". Acho que todos nós sentimos isso agora."

Você pode nos revelar alguns títulos de músicas do próximo álbum?

Bono: "Há uma chamada "American Soul". Aquele que Kendrick realmente gosta, ele tem parte disso (Bono diz que o álbum de Kendrick é ótimo e Adam diz que ele é a voz do Hip Hop a ser ouvida). Há "The Little Things That Give You Away". Tem uma pessoal, eu tenho que dizer ... Eamon Dunphy teve uma grande influência no nosso novo single. Ele disse, ao falar da minha mulher, que Ali era a melhor coisa sobre Bono. Então escrevemos uma música chamada "You’re The Best Thing About Me’."

Como você se sente em ainda estar subindo no palco e agitando depois de 40 anos?

"É muito surpreendente", se entusiasma Adam. "É algo onde ainda temos que beliscar a nós mesmos. Quando estávamos começando, você pode ter um ou dois singles, você pode gravar um álbum... e então parece sério. Mas nós estamos fazendo isso por um bom tempo. É incrível ficar na frente do público e fazê-los não ter aquele descrença em você. Quero dizer, se eles te vissem andando pela rua, talvez não sentissem o mesmo por você, mas é ótimo por algumas horas."

Bono: "É uma emoção e você pensa, bem, quanto tempo isso pode durar?"

Você poderia viver sem isso?

"Eu acho que provavelmente poderíamos", considera Bono. "Isso vem com o custo".

Você quer isto?

"Não temos escolha", diz Bono. "Bem, para que mais estamos qualificados? (ri) Nós não temos escolha em termos de canções, o que significa... você escreve as músicas para se sentir bem, você sabe. É um sentimento que só as canções podem responder por mim. Nós nos tornamos, e eu acho que isso é chato para algumas pessoas, mas nós nos tornamos verdadeiros estudantes de canções. É por isso que ter Noel Gallagher excursionando com nós pela Europa, você sabe... ele é o pássaro que canta. Ele é o cantor. Queremos estar perto disso. Muitas das músicas que vamos tocar, não pensamos sobre canções. Só estávamos tentando nos comunicar com música interessante. Mas como nos tornamos estudantes de uma certa maneira, isso nos mantém. Porque há algo darwinista sobre uma grande canção."

O que você quer dizer com isso?

"É melhor do que outras canções. Aprendi isso com Oasis na verdade. Eu acho que ouvi Liam Gallagher dizer a outro cantor - não foi muito legal o que ele disse, mas ele acabou dizendo, foi muito simples, ele disse: 'nossas músicas são melhores do que suas músicas'. E eu pensei que isso é tão juvenil (risos), mas então eu pensei: 'não, eu realmente sei o que ele quer dizer. Em um certo nível, havia um ponto no tempo onde todos nós diríamos: 'nós simplesmente não conseguimos'. Uma grande canção é o seu próprio argumento para si mesmo e que está nos mantendo compositores. A parte difícil é deixar suas famílias, deixando a comunidade. Fica mais difícil. Nós nos tornamos animais um tanto domesticados.
Eu não acho que foi natural para mim - eu era a pessoa que dormia no sofá de Gavin Friday. Tenho andado por aí desde que eu era adolescente. Para mim, uma banda era apenas um substituto para a família que eu não sentia que tinha. Então o desejo de viajar veio com ela, como você sabe, onde quer que vamos, onde quer que estejamos, é onde está. Só recentemente eu percebi que eu tinha um lar - e era Dublin. Eu vim para casa depois do show de Paris e eu estava andando pela casa, e muitas vezes eu ando pela casa à noite. Eu entro e vejo as crianças enquanto elas estão dormindo e eu senti: 'Eu acho que eu realmente gosto de estar em casa. Então isso torna mais difícil as minhas saídas."

"É engraçado o jeito que você fala, você sentirá falta?", diz Adam. "Não é que você se depara com as pessoas agora que te dizem que você é um maldito ego. É que você realmente se depara com pessoas que lhe dizem que você ajudou a mudar seu dia ou suas vidas e essa é uma experiência incrível - e você sentirá falta disso. Eles afetam o seu dia - é um presente que alguém que você não conhece vem até você e te dá. Isso é incrível."

"Uma das coisas humildes foi perceber que estas canções meio que não pertencem mais a nós", observa Bono. "Depois de 30 anos, eles pertencem a pessoas, o que quer que tenham passado. Eu acho que este álbum em particular... parece que, nós parecemos ser a menor parte dele.
Tudo bem em dizer isso? No final de uma noite em que terminamos de tocar 'The Joshua Tree', nós estávamos todos como: 'Uau, nós conseguimos, fizemos algo, o que quer que tenha sido isto'. E nós subimos para fazer aquela coisa de agradecimento, e nada aconteceu. Éramos a menor parte daquilo. As pessoas estavam em seus próprio momento. 'Vocês podem aplaudir agora!' (risos)."

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