"Se este não for o nosso melhor álbum", disse Bono sobre o lançamento em 2009 de 'No Line On The Horizon' do U2, "então somos irrelevantes".
No ano de 2011, o produtor do disco, Brian Eno, foi entrevistado por Christopher Dallach.
Christoph Gallach: Com o último álbum do U2, 'No Line On The Horizon', que você produziu, Bono reclamou de estar decepcionado com as baixas vendas. Qual a importância do sucesso comercial?
Brian Eno: O mercado musical mudou. Posso falar apenas por mim: não dependo financeiramente das vendas dos meus discos. Mas se ninguém gastasse dinheiro com a minha música, eu teria que repensar minha carreira. Além disso, não se trata apenas de dinheiro, mas também de reconhecimento do próprio trabalho.
Christoph Gallach: Os CDs ainda são importantes? Apesar de todas as reclamações, o U2 acabou de concluir uma turnê de enorme sucesso financeiro.
Brian Eno: Antigamente, as turnês eram feitas para promover um disco, porque o lucro com as vendas era muito maior. Hoje, é o contrário. Mas isso é apenas um pequeno aspecto de um quadro maior. A ideia de repetir músicas constantemente, como acontece em um álbum, simplesmente não é mais empolgante. O conceito de álbum neste milênio já não é tão relevante como era há cinquenta anos.
Christoph Gallach: Qual era a coisa mais emocionante em gravar um disco?
Brian Eno: A possibilidade de criar, de acordo com o próprio gosto, qualquer tipo de música complexa e única. Inicialmente, esse meio produziu muita música extraordinária. Antes dos anos 40, os discos eram usados apenas como cópias de apresentações ao vivo. Nos anos 50, a ideia de um disco mudou. Músicos como Les Paul, Mary Ford e Frank Sinatra impulsionaram o uso de discos como uma expressão artística e expandiram as possibilidades. Naquela época, ninguém pensava em vender música em larga escala exclusivamente por meio de gravações. Foi uma época emocionante, comparável ao advento do cinema colorido. As pessoas ouviam um disco e diziam: 'Uau, que emocionante!' Essa sensação durou muito tempo, mas agora acabou.
Christoph Gallach: Por quê?
Brian Eno: Porque estamos saturados. Saturados de música, música tocando em todos os lugares.
