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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Os significados das canções de 'Days Of Ash', o novo EP do U2 carregado de letras políticas e sociais


O site tenhomaisdiscosqueamigos escreveu sobre os significados das canções do novo EP do U2, 'Days Of Ash', que vem carregado de letras políticas e sociais.

1. "American Obituary"

Faixa de abertura do EP, a letra é uma resposta à morte de Renee Nicole Good, mãe de três filhos baleada em Minneapolis em 7 de janeiro de 2026, durante um protesto contra o ICE, departamento de imigração dos EUA que se tornou violento sob a administração de Donald Trump.
Bono critica o fato de Renee ter sido rotulada como "terrorista doméstica", questiona a "morte do significado das palavras", da verdade na democracia americana e ainda celebra a vida de Renee.

2. "The Tears Of Things"

Inspirada em um livro do frei franciscano Richard Rohr, a canção utiliza os profetas judeus como base para refletir sobre como viver com compaixão em tempos de violência.
O U2 imagina um diálogo entre o David de Michelangelo e seu criador, onde o jovem herói se recusa a se tornar um "Golias" para vencer o inimigo.
Na letra, Bono critica o fundamentalismo religioso "quando as pessoas andam por aí falando com Deus, isso sempre termina em lágrimas".

3. "Song Of The Future"

Essa canção é uma homenagem ao movimento "Woman, Life, Freedom" (Mulher, Vida, Liberdade) no Irã.
A mulher celebrada na letra é Sarina Esmailzadeh, jovem de 16 anos que foi morta a pauladas na cabeça pelas forças de segurança iranianas em 2022.
Após a morte, o governo do país tentou encobrir a ação, dizendo que ela havia se jogado de um prédio e tirado a própria vida, mas a verdade veio à tona.
Bono diz que Sarina "é a canção do futuro" tocando em sua mente, oposta à "classe sacerdotal", que faz uso político e social de textos sagrados para oprimir.

4. "Wildpeace"

Não se trata de uma canção, mas sim um interlúdio no meio do EP com palavra falada.
Trata-se de um poema do poeta israelense Yehuda Amichaei, que é lido pela cantora Adeola em cima de uma ambientação criada pelo U2 em parceria com o produtor Jacknife Lee.

5. "One Life At A Time"

Essa faixa é dedicada ao ativista e professor palestino Awdah Hathaleen, morto por um colono israelense na Cisjordânia em 2025.
A canção surgiu após Bono ver o documentário 'No Other Land', ganhador do Oscar, e ouvir que "o mundo é mudado uma vida de cada vez" a partir de Adra, sobrinho de Awdah.
O U2 descreveu essa faixa como um "bálsamo" e uma oração pela justiça não violenta.

6. "Yours Eternally"

O encerramento do novo EP do U2 tem Ed Sheeran e Taras Topolia, que faz parte da banda ucraniana Antytila e lutou na linha de frente da guerra com a Rússia.
A ideia é servir como um hino de resistência para a Ucrânia, gravado com um coro internacional que ainda tem nomes como Nadya Tolokonnikova (Pussy Riot) e Bob Geldof.

O The Guardian escreveu que "assim como o recente "Streets Of Minnesota" de Bruce Springsteen, uma tentativa de reanimar o espírito de protesto como resposta imediata do single "Ohio" de Crosby, Stills, Nash & Young, de 1970. É uma ideia que se esperaria que tivesse ocorrido a mais pessoas ultimamente. Se o Crosby, Stills, Nash & Young conseguiu emplacar "Ohio" nas paradas americanas poucas semanas após o massacre de Kent State que a música homenageava – em 1970, quando colocar um single nas paradas envolvia prensar discos, distribuí-los para lojas e atender às estações de rádio – então não parece haver razão para que os artistas não possam usar os processos mais rápidos da era do streaming dessa forma: há algo levemente deprimente no fato de que isso atualmente seja domínio de artistas ultrapassados como Springsteen e U2. Três das cinco músicas do EP – há também um breve interlúdio instrumental com poesia e ambientação – homenageiam mortes recentes em conflitos e protestos: as do ativista palestino não violento Awad Hathaleen, da manifestante iraniana de 16 anos Sarina Esmailzadeh e, mais recentemente, o assassinato de Renee Nicole Good em 7 de janeiro.
Este último tema permeia a faixa principal do EP, "American Obituary", na qual o U2 soa mais indignado do que em anos, tanto na letra, que tem um tom confrontador e incisivo raramente ouvido nos trabalhos do U2 desde a época de 'War' – "A América se levantará contra o povo da mentira... o poder do povo é muito mais forte do que o poder daqueles que estão no poder" – quanto musicalmente: uma mistura de guitarra distorcida, baixo estrondoso e elementos eletrônicos que evocam sirenes.
Nas faixas seguintes, a música muda para um modo menos agressivo – mais guitarras acústicas, menos The Edge em plena forma, uma atmosfera visivelmente mais nebulosa – e as letras assumem um tom mais familiar de consolo e otimismo: imagens bíblicas, aforismos tipicamente Bono ("o futuro, como todos sabem, é onde vamos passar o resto da vida"). Mas uma urgência genuína permanece, sem dúvida ligada à produção relativamente rápida do EP. Isso contrasta fortemente com a profusão de dúvidas, regravações e projetos abandonados que marcaram as últimas duas décadas do U2; negar a si mesmos a oportunidade de pensar demais parece ter aprimorado o U2. Há uma precisão no ataque de "The Tears Of Things" ao fascismo e ao fundamentalismo religioso que se fazia notar como ausente em partes de sua obra recente. "Quando as pessoas saem por aí falando com Deus, sempre acaba em lágrimas", canta Bono.
Nem tudo funciona. A colaboração com Ed Sheeran, "Yours Eternally", é menos dissonante do que algumas das tentativas de modernidade do catálogo do U2 no século XXI, mas o problema é que o som da voz e do violão de Sheeran se tornou imediatamente reconhecível graças à sua onipresença nos últimos 15 anos, o que significa que sua participação especial acaba por ofuscar a música.
Também seria hesitante considerar o EP como prova de uma nova abordagem, principalmente porque Bono anunciou que a música do próximo álbum não tem nada a ver com isso, sendo mais uma "vibe de carnaval". Mas o que se pode afirmar com segurança é que a fase imperial do U2 foi impulsionada por um fervor quase religioso, um forte senso de propósito e uma crença no poder da música para promover mudanças – algo que seus contemporâneos pós-punk mais descolados consideravam ridiculamente cafona – e esse fervor, propósito e crença foram resgatados aqui".
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