"American Obituary" relata o chocante evento que o mundo testemunhou em Minneapolis, Minnesota, em 7 de janeiro de 2026, quando Renée Nicole Macklin Good, uma manifestante pacífica, foi baleada e morta à queima-roupa por agentes do ICE, um braço do próprio governo. Essa mãe desarmada de três filhos foi então descrita como uma "terrorista doméstica" por uma administração que se recusa a retirar essa classificação, mesmo sabendo que não é verdadeira, ou a realizar uma investigação adequada sobre o ocorrido, em benefício de todos os envolvidos.
A primeira faixa do EP, foi a última trabalhada pelo U2. Bono começou a escrever a letra um dia após a morte de Renée.
Bono falou sobre o significado da música, chamando-a de "uma canção de fúria… mas, mais do que isso, uma canção de luto. Não apenas por Renee, mas pela morte de uma América que, no mínimo, deveria ter investigado seu assassinato… por sua família, bem como pela credibilidade das forças policiais e o papel crucial que desempenham na manutenção da paz e na segurança dos cidadãos. O U2 vem falando sobre a América durante a maior parte de nossa trajetória artística… este é um país que amamos e que nos amou de volta. Incrivelmente… os americanos, em sua maioria, deram permissão para que o U2 e eu, em particular, falássemos o que pensávamos… E sobre esse assunto, acho que as pessoas sabem que tenho sido um incômodo tanto para a esquerda quanto para a direita".
O escritório de advocacia Romanucci & Blandin, que representa a família e o parceiro de Renée, divulgou uma declaração conjunta, via The Hill.
"Renee não apenas acreditava na bondade; ela a vivia, plena e intensamente. Ela ficaria profundamente comovida com esta homenagem do U2 e esperaria que ela fizesse a diferença no mundo; É uma honra incrível ter o talento e o impacto do U2 espalhando uma mensagem de paz em nome de Renee", disse o comunicado.
A música "The Tears Of Things" empresta seu título de um livro do frade franciscano Richard Rohr, que examina, através dos escritos dos profetas judeus, como se pode viver com compaixão em tempos de violência e desespero. A canção imagina uma conversa entre o Davi de Michelangelo e seu criador… onde o jovem com a funda e as cinco pedras lisas rejeita a ideia de que precisa se tornar Golias para derrotá-lo… e também é revelado que ele tinha pupilas em formato de coração meio milênio antes do emoji de coração, o que intriga os visitantes da Galleria dell'Accademia em Florença, Itália, até hoje.
"Song Of The Future" homenageia o levante estudantil no Irã e a vida de Sarina Esmailzadeh, de 16 anos, uma das milhares de estudantes iranianas que foram às ruas como parte do movimento "Mulher, Vida, Liberdade" em 2022.
Esses protestos foram desencadeados pela morte de Jina Mahsa Amini, uma jovem curda-iraniana que faleceu em Teerã em 16 de setembro daquele ano, em decorrência dos ferimentos sofridos após ser presa pela chamada "polícia da moralidade" por não usar o hijab, conforme exigido pelo governo.
Sete dias depois, Sarina foi espancada pelas forças de segurança iranianas e morreu em decorrência dos ferimentos; o regime alegou que ela havia cometido suicídio. A canção busca capturar o espírito livre de Sarina, a promessa e a esperança de sua curta vida.
Bono: "A sequência acústica de "Wildpeace", de Yehuda Amacai, é um nervo comprimido que me atravessa, enquanto a leitura dolorosamente bela de Adeola parece ampliar a perspectiva do poema para outros conflitos ao sul de Sahel".
"One Life At A Time" foi escrita para Awdah Hathaleen, um palestino, pai de três filhos, ativista da não violência e professor de inglês, que foi morto a tiros em sua aldeia na Cisjordânia pelo colono israelense Yinon Levi em 28 de julho de 2025.
Awdah foi consultor do documentário vencedor do Oscar 'No Other Land', produzido por palestinos e israelenses.
Na época de sua morte, um dos diretores, Basel Adra, falou sobre o assassinato de seu amigo e a experiência de palestinos sendo apagados "uma vida de cada vez". O U2 pegou essa frase e a reinventou para sugerir que uma resolução pacífica será alcançada, uma vida de cada vez.
"Yours Eternally" conta com a participação vocal de Bono e The Edge, do músico ucraniano e ex-soldado Taras Topolia, além de Ed Sheeran.
Na primavera de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, Bono e The Edge viajaram para Kiev para tocar em uma estação de metrô a convite do presidente Zelensky. Alguns dias antes, Ed apresentou Taras Topolia, e por extensão sua banda Antytila / Антитіла, a Bono.
Bono, Taras e The Edge se conheceram naquela plataforma de metrô e são amigos desde então.
Taras é a inspiração para "Yours Eternally", uma música escrita em forma de carta de um soldado em serviço ativo com um espírito ousado e travesso que combina com o da Ucrânia.
No 4º aniversário da invasão russa da Ucrânia, será lançado um filme de 4 minutos e meio que documenta a vida dos soldados ucranianos na linha de frente e usa "Yours Eternally" como trilha sonora.
