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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Como Anton Corbijn conseguiu criar um clima bom em uma sessão de fotos com o U2 que começou terrivelmente mal


Anton Corbijn é um mestre do clima melancólico, reverenciado por suas fotografias em preto e branco do U2, Depeche Mode e Joy Division, e por 'Control', o filme (também em preto e branco) que dirigiu sobre esta última banda. 
Ele admite ter sido "um cara sério da NME" quando começou no final dos anos 70 como fotógrafo do semanário musical, na época um reduto de descolados arrogantes. Mas Corbijn também tem um lado divertido. 
Ele se lembra de uma sessão de fotos com o U2 em uma rua de Amsterdã que começou terrivelmente mal. "Eu não conseguia criar o clima de jeito nenhum, então baixei as calças", diz ele. "Aí eles caíram na gargalhada e continuamos".
Se o Joy Division era a combinação perfeita para o jovem e sincero Corbijn, suas colaborações mais duradouras — com o U2 e o Depeche Mode — levaram mais tempo para acontecer. Com o Depeche, ele diz: "Eu me segurei por anos. Eu não era fã da música deles na época — muito pop para o meu gosto. Eu também não tinha interesse no U2, mas a sessão de fotos tinha que ser feita em Nova Orleans. Então eu disse: 'OK, eu topo', porque eu nunca tinha estado em Nova Orleans".

quinta-feira, 11 de junho de 2026

A canção "Bad" do U2 seria sobre duas pessoas diferentes, com histórias diferentes


Um novo documentário, 'Bad: The Song That Saved My Life', será exibido na RTÉ One, explorando a vida de Andy 'Guck' Rowen, o dublinense que inspirou três músicas do U2, incluindo "Bad".
"Criado em um lar religioso rigoroso e traumatizado aos 11 anos de idade por testemunhar os atentados a bomba em Dublin em 1974, a vida de Andy mergulhou no vício em meio à vibrante cena punk de Dublin dos anos 80", diz a descrição do documentário. "Foi crescendo na zona norte de Dublin que ele conheceu amigos e contemporâneos, incluindo futuros membros do U2 e do Virgin Prunes. O desmoronamento de Andy após uma overdose quase fatal inspirou a composição de "Bad", música que fez parte do álbum 'The Unforgettable Fire', da banda, lançado em 1984".
A descrição continua revelando que "Andy estava sem-teto e passando por dificuldades quando lhe foi oferecida uma última chance de recuperação: uma vaga em uma clínica de reabilitação nos Estados Unidos".
"Bad" é uma canção sobre vício em heroína.
A recessão do início dos anos 80 levou a um grande número de viciados em heroína no centro de Dublin. É por isso que Bono frequentemente apresentava a música como uma canção sobre Dublin quando a tocavam ao vivo.
Durante um show em Pittsburgh, em 26 de julho de 2011, Bono acrescentou mais detalhes. Ele disse que a música foi escrita para "um homem muito especial, que está aqui na sua cidade, que cresceu na Cedarwood Road. Escrevemos esta música sobre ele e a tocamos para ele esta noite".
Ele se referia a Andy Rowen, que estava presente no show. Rowen é irmão de Guggi, amigo de infância de Bono, e de Peter Rowen, que aparece na capa dos álbuns 'Boy' e 'War' da banda.
Existem outras versões da história contadas pelo próprio Bono. Seu relato de um show em Chicago, em 1987, indica que "Bad" é sobre um amigo seu que morreu de overdose de heroína e também sobre as condições que tornam esses eventos propensos a se repetirem. 
Em outro show no Reino Unido, Bono fez um discurso inflamado sobre pessoas deitadas em sarjetas com "agulhas penduradas em seus braços enquanto os ricos vivem indiferentes ao sofrimento dos menos afortunados". 
Em Eriksberg, Gotemburgo, na Suécia, em 1987, ele disse: "Escrevi a letra sobre um amigo meu; o nome dele era Gareth Spaulding. No seu aniversário de 21 anos, ele e seus amigos decidiram se dar de presente: heroína suficiente em suas veias para matá-lo. Essa música se chama "Bad"."
Em 2015, o show em Dublin da turnê iNNOCENCE + eXPERIENCE aconteceu na 3Arena. O convidado super especial da noite foi Andrew Rowen, que foi vítima de um dos atentados à bomba em 1974, que inspirou a canção "Raised By Wolves" de 'Songs Of Innocence'. A canção foi escrita do ponto de vista de Andy.
Sua condição ao longo dos anos devido ao trauma daquele dia, inspirou Bono à escrever "Bad". Assim, o U2 incluiu as duas canções no setlist da noite, dedicadas à Andy.
Bono disse que já ouviram a história dele diversas vezes.
Bono falou ao público que ele foi uma inspiração, e disse que depois de Andy se perder pelo caminho após aquele dia da bomba, ele se encontrou novamente.
Bono ainda contou sobre o fato de Andy ainda ter com ele uma parte de um carro explodido pela bomba. Bono disse que foi "porque levou uma parte de mim, eu levei uma parte disso".

quarta-feira, 10 de junho de 2026

"Ele é tão constrangedor"


Durante uma entrevista com Savannah Guthrie, do programa TODAY, a atriz Eve Hewson revelou que seu pai, Bono, a deixou um tanto quanto espantada durante um jantar com um convidado famoso.
A dupla estava jantando com Emily Blunt, que contracena com Eve no próximo filme de ficção científica de Steven Spielberg, 'Dia D'.
"Seu pai é o Bono, e eu ouvi dizer que ele estava tentando conversar em 'língua alienígena' com a Emily Blunt", disse Guthrie.
"Ah, ele é um pai tão constrangedor", respondeu Hewson. Ela explicou que, assim que Blunt chegou para o jantar, Bono começou a imitar a interpretação da atriz de sua personagem em 'Dia D'.
"Nós convidamos a Emily para jantar, e no minuto em que ela entrou, ele começou a falar a língua alienígena que ela fala no trailer, e eu fiquei tipo, 'Por favor, pare, por favorzinho'".
"Ele é tão constrangedor", brincou Guthrie.
Eve já havia se referido à Bono como o "Kris Jenner dos pais", comparando-o a um pai que acompanha a carreira de seus filhos. Jenner, conhecida como "momager", é a empresária de seus filhos famosos.
"Ele me manda mensagens com opiniões sobre as coisas, ele é muito participativo", disse Eve.

Documentário sobre Andy 'Guck' Rowen, que inspirou "Bad" e outras músicas do U2, será exibido na RTÉ


Um novo documentário, 'Bad: The Song That Saved My Life', será exibido na RTÉ One em 15 de junho, explorando a vida de Andy 'Guck' Rowen, o dublinense que inspirou três músicas do U2, incluindo "Bad".
"Criado em um lar religioso rigoroso e traumatizado aos 11 anos de idade por testemunhar os atentados a bomba em Dublin em 1974, a vida de Andy mergulhou no vício em meio à vibrante cena punk de Dublin dos anos 80", diz a descrição do documentário. "Foi crescendo na zona norte de Dublin que ele conheceu amigos e contemporâneos, incluindo futuros membros do U2 e do Virgin Prunes. O desmoronamento de Andy após uma overdose quase fatal inspirou a composição de "Bad", música que fez parte do álbum 'The Unforgettable Fire', da banda, lançado em 1984".
A descrição continua revelando que "Andy estava sem-teto e passando por dificuldades quando lhe foi oferecida uma última chance de recuperação: uma vaga em uma clínica de reabilitação nos Estados Unidos. Uma série de encontros extraordinários, incluindo um momento revelador com a letra manuscrita de "Bad" e uma homenagem inesperada de Bono diante de 55 mil fãs, o ajudaram a trilhar o caminho da sobriedade e da reconciliação".
No documentário, Rowen diz: "A única coisa que eu queria ser quando era pequeno era bom. Infelizmente, descobri que não conseguia".
O documentário 'Bad: The Song That Saved My Life' é narrado pelo próprio Andy, além de seus familiares e de Bono.
"Ele provavelmente tinha o QI mais alto de todas as crianças da nossa rua, e às vezes parecia que ele tinha memorizado a Enciclopédia Britânica", diz Bono. "Ele se lembrava de ter completado dois anos. Ele se lembrava de muitas coisas que gostaria de ter esquecido".

terça-feira, 9 de junho de 2026

Kevin Godley fala sobre como foi trabalhar fazendo vídeos para o U2 no palco


Depois de "Even Better Than The Real Thing", Kevin Godley trabalhou com o U2 na turnê Zoo TV, que transformou a experiência do concerto em um espetáculo multimídia deslumbrante.
Ele também dirigiu os vídeos do U2 para "Numb", "Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me", "Sweetest Thing" e "Stuck In A Moment You Can't Get Out Of". Ele também dirigiu o vídeo de "Theme From Mission: Impossible" para Adam Clayton e Larry Mullen e o vídeo do dueto de Bono com Frank Sinatra em "I've Got You Under My Skin". 
Kevin Godley ganhou reputação por conduzir as maiores estrelas pelo processo, muitas vezes tedioso, de produção de videoclipes, mas com Sinatra ele não conseguiu ficar no set: quando uma falha técnica causou um atraso na produção, o cantor saiu furioso, deixando Godley para improvisar um vídeo com poucas imagens de Sinatra e Bono juntos.
Kevin Godley falou sobre como foi trabalhar fazendo vídeos para o U2 no palco: "Algo que aprendi ao longo dos anos fazendo curtas-metragens musicais é que, em um nível, é um exercício artístico, mas, em outro, você recebe uma missão para criar algo com uma utilidade específica. Então, você não pode simplesmente ter uma ideia bonita. Tem que ser bonita com um propósito, e tem que ser forte e impactante com um propósito. E esse propósito, em um show, independentemente da banda, é enfatizar e amplificar a experiência da performance de uma música específica. Então, esse é o trabalho.
Isso pode funcionar de várias maneiras diferentes. O U2 é uma proposta diferente, porque há muito mais acontecendo no palco do U2. O U2, a banda, é muito dinâmica. Bono é um artista excepcional que domina o palco, então isso precisa ser levado em consideração. Onde ou quando as coisas aparecem nas telas precisa ser integrado ao contexto geral da experiência — você não está apenas fazendo um filme para as pessoas assistirem.
Essa é essencialmente a diferença. Trata-se de aplicar um processo de pensamento específico a um conjunto específico de circunstâncias. Às vezes você acerta mais do que outras, e quando funciona, é mágico.
O U2 absorveu a arte do vídeo de alguma forma, ou melhor, a arte do visual perfeito para aprimorar uma performance ao vivo é algo que eles vêm desenvolvendo há muito, muito tempo – desde o surgimento da MTV, que foi revolucionária. Os primeiros shows na América foram impressionantes. Todo o conceito da MTV era impressionante. O uso do cenário e como ele funcionava com a banda e o que era capaz de proporcionar... é quase como assistir a um show normal e depois assistir a algo em realidade virtual. Foi um salto desse tipo, naquela época.
E eles são artistas consumados, pois estão abertos a desenvolver sua relação com a tecnologia a tal ponto que podem se deixar levar por ela ou permitir que ela os domine, dependendo do que desejam enfatizar em uma determinada música. Eles a utilizam muito bem e estão abertos a isso. Tornaram-se adeptos da arte da performance, do uso da tecnologia e dos recursos visuais. Eles são provavelmente uma das únicas bandas, se não a única, daquela época - talvez Peter Gabriel seja outra pessoa que também ache muito, muito empolgante misturar os dois estilos - mas eles fazem isso muito bem e se esforçam bastante para que tudo fique perfeito".

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Adam Clayton reflete sobre suas experiências em internatos



Irish Times

Personalidades conhecidas que frequentaram internatos refletem sobre suas experiências e falam abertamente sobre se considerariam ou não enviar seus próprios filhos para um internato.

Adam Clayton tinha cinco anos quando seus pais se mudaram da África para a Irlanda e, depois de alguns anos em uma escola primária local perto de Howth, foi enviado para Castle Park, um internato preparatório particular para meninos em Dalkey, no condado de Dublin.
"Meus pais acharam que o sistema de internato seria uma boa ideia, sem entender o tipo de criança que eu era. Muitos dos outros meninos lá eram filhos de médicos, fazendeiros e membros do clero – a elite irlandesa da época – e eu me sentia muito isolado aos oito anos de idade", diz Adam.
Ele se lembra de ficar infeliz ao voltar para a escola depois de um dia em casa aos domingos: "Eu não entendia por que estava confinado naquele lugar antiquado, sem acesso a telefones, a menos de uma hora de casa".
Em 1973, aos 13 anos, Adam tornou-se interno no St. Columba's College, em Rathfarnham, sul de Dublin. "Tive alguns desentendimentos com as autoridades – não por mau comportamento grave, mas por violar as regras da escola sobre vestuário", conta. Ele relata um incidente em que lhe foi negada a permissão para ir à cidade porque estava usando calças jeans com bordados, uma camisa de musselina bordada e um lenço árabe. "Troquei de roupa e me deixaram ir, mas quando virei a esquina, troquei de roupa de novo. Um professor me viu na cidade e fui suspenso", diz. 
Na foto abaixo, Adam aparece no alto à esquerda com colegas de classe ajudando a limpar uma área nos terrenos do St Columba's College em 1975 para um futuro complexo de artes e ofícios.


Seus pais, então, decidiram – ao analisarem seu desempenho acadêmico – que ele não se tornaria advogado nem médico, portanto não precisavam mais pagar por sua educação.
"Chegou a hora de eu entrar no sistema público de ensino", diz Adam, que então se transferiu para a Mount Temple Comprehensive School em Dublin 3, onde conheceu os outros membros do U2.
Adam afirma que a atitude mais progressista da Mount Temple combinava muito mais com ele. "Não havia uniforme escolar. Éramos incentivados a sermos indivíduos. E nos era permitido ensaiar nas dependências da escola às quartas e sábados", diz ele.
Quando perguntado se consideraria enviar seus filhos para um internato, ele hesita. "Eu diria categoricamente que não enviaria crianças para um internato antes dos 12 ou 13 anos", afirma. "Acredito firmemente que as crianças não têm idade suficiente para serem separadas dos pais tão cedo. Ser separado dos pais aos oito anos foi o início de um trauma para mim. Você é jogado em uma situação em que não sabe quem são seus aliados".
Embora prefira a educação pública, Adam acredita que o internato pode ser útil para filhos de pais que passam muito tempo longe de casa. "O internato pode dar estabilidade a crianças cujos pais se mudam com frequência. Tenho receio do elitismo que acompanha os internatos, mas é uma oportunidade incrível e, agora, eles oferecem controle sobre o uso do celular e o tempo gasto em frente às telas". Ele afirma que isso é uma grande vantagem.
"Acho que muitas crianças, incluindo meus próprios filhos, preferem ficar no celular a praticar música ou esportes".
Passar tempo na natureza foi algo que Adam aprendeu durante seus anos no internato. "Eu encontrava consolo para minha alma ferida na natureza, entre as árvores nas vastas florestas", diz. E depois que o U2 alugou a Danesmoate House – ao lado do St. Columba's College – para gravar o álbum 'The Joshua Tree' na década de 1980, Adam comprou a mansão georgiana ao lado de sua antiga escola.
"Percebi que conhecia a região melhor do que Malahide e, desde então, retomei o contato com a escola e conheci professores que eram alunos lá na minha época", conta.
Adam afirma que o St. Columba's College é "um lugar radicalmente diferente" agora. "Os departamentos de arte e música são extraordinariamente bem equipados e o atual diretor leva alunos da escola para visitar os alunos do internato para crianças negras carentes na África do Sul, onde ele foi diretor anteriormente".

sábado, 6 de junho de 2026

Diretor Kevin Godley fala sobre seu videoclipe de "Even Better Than The Real Thing" para o U2


Os visuais para shows são uma especialidade de Kevin Godley. Depois de dirigir o videoclipe de "Even Better Than The Real Thing", ele trabalhou com o U2 na turnê Zoo TV, que transformou a experiência do show em um espetáculo multimídia deslumbrante. 
Ele contou: "Se acredito na minha ideia, sigo-a até a sua conclusão lógica. Uma das mais empolgantes, que funcionou extremamente bem, foi um vídeo que fiz para o U2 chamado "Even Better Than The Real Thing". Parece que a câmera está realmente se movendo ao redor da performance, 360 graus, por cima, por cima e por baixo deles, porque era assim que eu sentia a música.
Então, eu meio que descobri uma maneira de fazer isso acontecer, mas não completamente, já que não sou engenheiro. Depois, trabalhei com uma empresa chamada Artem, que é uma espécie de empresa de efeitos físicos, que levou essa ideia à sua conclusão com vários testes, e então simplesmente filmamos. Desta vez fizemos um teste, felizmente, e foi impressionante – funcionou melhor do que eu imaginava. Foi extraordinário, e o mais extraordinário foi a reação da banda àquela configuração. Eles entenderam instintivamente do que a câmera era capaz e a operaram de uma maneira que nos daria os melhores resultados. Foi uma combinação perfeita de uma ideia ainda em formação se tornando uma ideia completa, e no dia da filmagem, os artistas reagiram tão bem que o potencial da câmera dobrou.
Então, eu não diria que foi um acidente, eu diria que foi um instinto que se transformou em algo tangível. Naquela época, não havia espaço para acidentes, porque os orçamentos estavam aumentando e havia muita coisa em jogo, então eu já tinha aprendido a garantir que tudo funcionasse corretamente. E funcionou.
Depois, fiz um filme para a ZOOTV, que foi ótima".

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Eu Sei Que Isso Não É Um Adeus: Bono detalha os últimos momentos de seu pai, Bob Hewson


Bono em 2001 falando sobre os últimos momentos de seu pai, Bob Hewson:

"Estávamos em turnê no Reino Unido e eu pegava um pequeno avião depois de cada show — direto do palco, direto para Dublin, para o lado da cama dele, e para o seu silêncio, com a multidão ainda ecoando nos meus ouvidos. Foram tempos realmente difíceis para ele e eu queria estar lá. 
Meu irmão Norman me cobriu incrivelmente, e isso me lembrou que ele era realmente meu irmão mais velho. Ele estava no controle, sabia o que fazer, e eu era o passageiro dele. Mas eu fazia os plantões noturnos. E também alguns dos irmãos do meu pai e uma família chamada Lloyds, com quem ele meio que morava. 
Era muito estranho. Eu estava decepcionado, de certa forma, por não poder ter as conversas que gostaria com ele. Ele estava muito doente. Ele tinha doença de Parkinson, então ele sussurrava muito. 
De vez em quando, com a voz cristalina, ele conseguia falar. Lembro-me das enfermeiras dizendo: "Ótimo, Bob. Visitas, Bob". Ele dizia: "É, ótimo, ótimo quando eles vão embora". Toda a sua energia era direcionada para o humor. Era assim que ele mantinha a dignidade. 
Minha única oração era para que ele mantivesse a dignidade. Ele era um homem muito digno, um homem encantador. Mas minha oração não foi atendida. Porque o câncer é um processo cruel e lento que, no fim, acaba com toda a dignidade, nos estágios finais, apesar dos avanços da medicina e dos cuidados paliativos. Foi uma pequena epifania. 
Sabe, o parto também é uma experiência complicada, para a mãe e o bebê, e comecei a me perguntar se talvez a dignidade não seja tão importante assim. Talvez seja uma construção humana — as pessoas a colocam ao lado de coisas como retidão e coragem, mas eu não acho que seja. Acho que a humildade pode ser muito mais importante para encarar o Criador, e a dignidade pode ser vizinha do orgulho, ou pior, da vaidade.
Ele ficou irritado em certo momento. Suas últimas palavras foram "Vocês estão todos loucos?", o que é inacreditável. Ele me acordou no meio da noite. Fui até ele e ele estava sussurrando. Chamei a enfermeira. Nós duas estávamos com os ouvidos colados na boca dele. E então, tão claro quanto um sino, ele disse: "Vocês estão todos loucos?". Eu dei um pulo. Eu estava procurando um sorriso, mas ele não sorriu. Ele disse: "Olha, isso aqui é uma prisão. Eu quero ir para casa". E ele foi.
Eu o desenhei. Tenho muitos desenhos, o que me deixa feliz. Fiz todo tipo de coisa que ele não me deixava fazer quando estava na defensiva. Li para ele Shakespeare, Shelley, esta nova tradução da Bíblia que tenho, a de Eugene Peterson. Ele me expulsaria da sala por isso. Ele próprio era autodidata e, ainda jovem, aos 20 e poucos anos, já tinha lido todos os clássicos, era um grande tenor, um grande músico, e a ópera preenchia nossa casa. Na Irlanda, os jornais publicaram uma matéria dizendo que eu estava muito bravo com ele por não ter me incentivado a fazer as coisas que ele próprio lamentava profundamente não ter feito. A raiva a que me referi no artigo era a raiva que eu sentia como músico, por ter que comprometer as melodias com as quais acordava. Com estruturas de acordes que eu acho que poderiam ser muito melhores, apesar de eu ter tido uma formação musical. Sinto uma certa frustração e raiva dentro de mim, mas não é direcionada a ele, e sim a mim mesma, por não ter conseguido superar isso".

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Daniel Lanois conta que sucesso do U2 de 1987 surgiu de uma ideia descartada


Daniel Lanois, o produtor que trabalhou com o U2, explicou em entrevista para a Guitar Player como constrói música a partir de fragmentos, reaproveita ideias descartadas e trata o próprio estúdio como um instrumento.
Ele descreve um processo baseado na alteração e recontextualização, no qual fragmentos de material gravado são remodelados em novos eventos sonoros.
"Eu pego um pequeno sample de uma faixa já existente na multitrack — digamos, do piano", explica ele. "Extraio esse trecho da música, coloco no sampler e processo externamente com vários processadores de delay ou o que tiver à mão. Quando consigo algo interessante, reproduzo a faixa e insiro o trecho nos momentos relevantes da harmonia. É uma forma de pegar um elemento já existente e expandi-lo".
Essa filosofia pode ser ouvida em algumas de suas produções mais conhecidas. A gravação da faixa "I Still Haven't Found What I'm Looking For", do álbum 'The Joshua Tree' do U2, de 1987, por exemplo, surgiu de uma ideia descartada.
"Essa música basicamente começou com a batida de bateria do Larry", ele relembra. "Era parte de uma jam session que não deu em nada. Ficou meio que esquecida, por assim dizer. Mas eu sempre adorei a bateria, e como os elementos estavam isolados, consegui construir uma nova música em cima deles".
Quando se trata de capturar sons e processar timbres de guitarra, Lanois afirma que é crucial dedicar tempo para ajustar o timbre que a sessão exige.
"Dedicamos muito tempo a encontrar o amplificador certo, a guitarra certa e o microfone certo até encontrarmos o ponto ideal", explica ele. "E então, partimos para a ação!"
Quando se trata de moldar essas descobertas em tempo real, seu conjunto de ferramentas permanece deliberadamente prático. Ele prioriza o som na fonte, evitando correções na pós-produção em favor de decisões de performance assertivas.
"Não uso plugins", afirma. 
Entre suas ferramentas de longa data está o delay digital Korg SDD-3000, famoso por ser associado ao som de guitarra de The Edge.
"Esse ainda é um dos meus favoritos", diz Lanois. "Mas eu não recomendaria comprar um porque eles ficam piscando. É um equipamento excelente porque aceita nível de guitarra na entrada e a saída tem vários estágios. Gosto dele por causa dos pontos de acesso e também porque possui um oscilador controlado por tensão incrível".

quarta-feira, 3 de junho de 2026

CD U2 POP Japonês (Com Música Bônus + OBI + Livreto Extra)





A referência PHCR 1835 indica a 1° edição japonesa em CD do álbum 'POP' do U2, lançada em 1997 pela gravadora Island Records.
Esta edição é altamente colecionável. Além do repertório padrão de 12 faixas, a versão inclui a música bônus "Holy Joe (Guilty Mix)" e vem acompanhada de dois livretos (um em inglês com uma página adicional com a letra de "Holy Joe", e outro com letras e biografia em japonês).
Acompanha OBI e caixa especial de acrílico "Fat" para acondicionar os dois livretos.

Bono: "Em relação ao U2, gostaria de pensar que inspirou algumas pessoas a se organizarem, a se tornarem mais ativas em suas vidas políticas"


Bono - 2001

"Uma das coisas que o 11 de Setembro fez foi subverter o conceito de celebridade e a noção do que é importante. Então, algumas das questões de 'All That You Can't Leave Behind' se tornaram muito importantes, mas os cantores e suas vicissitudes, nem tanto. 
Eu gosto disso. Acho que devemos nos lembrar disso. A banda tem essas coisas em uma boa perspectiva. Eles sabem que a aberração do século XXI, onde você ganha muito dinheiro por coisas que na Idade Média lhe renderiam apenas o jantar, é preocupante. 
Eu venho dizendo há muitos anos que enfermeiros, bombeiros e médicos são as pessoas que precisamos cuidar, não nós, estrelas pop mimadas. Nós contribuímos com algo. Não é uma questão de vida ou morte, mas talvez seja inspiração para viver e um refúgio quando a vida não dá certo. Pelo menos, foi isso que a música me proporcionou.
Em relação ao U2, há uma alegria na música que nos permite abordar grandes questões e analisá-las. Há um senso de admiração na música, um senso de fé e de possibilidades, e acho que... gostaria de pensar que inspirou algumas pessoas a se organizarem, a se tornarem mais ativas em suas vidas políticas. 
Mas mesmo que seja apenas momentaneamente, se for uma melodia que levanta a cabeça de alguém por um minuto em um canteiro de obras, para mim já vale a pena. Música e política não deveriam ser inimigas, especialmente na Irlanda; certamente isso é um sinal de uma sociedade evoluída, onde há diálogo entre cultura e governo?
Por estar envolvido com política, acabei perdendo o que está acontecendo musicalmente na Irlanda. Sempre faço questão de dizer a qualquer talento irlandês que esteja surgindo: se houver algo que eu possa fazer por vocês, farei".

terça-feira, 2 de junho de 2026

Metallica quebra recorde de 17 anos do U2


O Metallica quebrou um recorde de público no último fim de semana, reunindo mais de 94 mil fãs no Olympiastadion, em Berlim, para o maior show da história do estádio.
A banda compartilhou a notícia no Instagram após a apresentação, escrevendo: "Noite após noite, cidade após cidade, a #MetallicaFamily está arrasando! Ontem, mais de 94 mil de vocês ajudaram a quebrar o recorde de maior show de TODOS OS TEMPOS no Olympiastadion. Obrigado!"
O estádio de Berlim foi originalmente construído para os Jogos Olímpicos de 1936 e já sediou alguns eventos grandiosos ao longo dos anos. Após reformas em 2004, sua capacidade permanente ficou em pouco menos de 75.000 lugares.
O Metallica chegou à cidade com seu gigantesco palco circular M72. Como o palco fica no meio do estádio, ele libera assentos que normalmente ficariam bloqueados atrás de um palco de show tradicional.
O recorde anterior de público pertencia ao U2, que reuniu 90.000 fãs em 2009 no Olympiastadion, na turnê também de palco circular, 360°.
Em 2023, o Metallica superou Taylor Swift no SoFi Stadium de Los Angeles durante a turnê M72, atraindo cerca de 78.000 fãs em cada um de seus dois shows com ingressos esgotados.
Isso também acontece menos de um mês depois de o Metallica ter quebrado outro recorde de público em um estádio em Atenas, na Grécia, onde mais de 90.000 fãs compareceram e, segundo relatos, geraram movimentos suficientes para que cientistas monitorassem os "terremotos do show".
O Metallica está atualmente em turnê pela Europa com a M72 World Tour, antes de retornar aos Estados Unidos ainda este ano para sua residência no Sphere Las Vegas.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

A canção do U2 que é uma despedida de Bob para Bono


Em agosto de 2001, o U2 estava fazendo shows pela Elevation Tour, e na apresentação do dia 18 no Earls Court em Londres, Bono disse ao público:

"Essa é para o meu pai, parece que ele escreveu essa música ... ele está muito doente no momento e de repente percebi que ele poderia ter escrito essa música. É melhor me apressar - para Bob Hewson, "Kite"..."
E Bono cantou para a "última das estrelas da ópera".

No dia 19 aconteceu o segundo show no Earls Court. A terceira noite aconteceu no dia 21, e o diretor Willie Williams escreveu:

"O pai de Bono morreu esta manhã. Tem sido um longo caminho para todos eles e, finalmente, pacificamente ele faleceu nas primeiras horas. Logo se soube que Bono não queria cancelar o show de hoje à noite e que tudo seguiria como planejado".
Neste e nos shows seguintes, Bono dedicou "Kite" ao pai todas as noites, fazendo um tributo à Bob Hewson:

"Quero agradecer ao meu pai, meu pai, por me dar essa voz que tenho. Ele era um bom tenor e me disse que se eu tivesse a voz dele, pense no que poderia ter acontecido .. Muita atitude, mas ele ficou muito doente na semana passada e não está mais doente, porque está livre de tudo isso agora, meu velho deixou o planeta, como Elvis ou algo assim ... Essa é uma música que eu pensei ter escrito a letra para os meus filhos, mas acho que meu velho escreveu para mim, essa é "Kite"...."

Bono contou em entrevista : "Tem uma história curiosa. Eu tenho um verso sobre levar as crianças para o alto da colina de Killiney com uma pipa. Aí eu me dei conta, voltei no tempo e me lembrei de uma vez em Rush ou Skerries, um incidente em que aconteceu exatamente a mesma coisa. A gente tinha um trailer, e eu senti que a despedida na música não era de mim para ele, mas dele para mim. É assim que funciona com compor músicas: a gente é o último a saber do que está falando".

sábado, 30 de maio de 2026

Diretor David Mushegain contou sobre as filmagens para o vídeo de "Love Is Bigger Than Anything In It's Way" e sua experiência trabalhando com o U2


No ano de 2018, o U2 lançou um vídeo para a canção "Love Is Bigger Than Anything In It's Way", do álbum 'Songs Of Experience'. Filmado em Dublin e com a participação de figuras da jovem comunidade LGBTQ+, o diretor David Mushegain contou sobre as filmagens e sua experiência trabalhando com o U2.
"Eu estava em Roma com o Red Hot Chili Peppers. Viajo com eles frequentemente, documentando a banda. Anthony é um amigo muito próximo e já fizemos vários projetos juntos, incluindo um livro chamado 'Fandemonium', no qual documentamos os fãs deles ao redor do mundo. Enquanto estava em Roma, Guy Oseary, empresário do U2 e meu querido amigo, me convidou para ir ao show naquela noite, já que eles também estavam em Roma. Fui e acabei conversando com Guy e The Edge sobre músicas e ideias para vídeos. A ideia de fazermos algo em Dublin já estava no ar, pois eu havia mostrado a eles alguns retratos que fiz da juventude da cidade. Venho documentando a cultura e o estilo dos jovens em Dublin há cerca de oito anos. Quando ouvi "Love Is Bigger", tudo fez sentido. Simplesmente valia a pena unir letras inspiradoras com jovens almas criativas e inspiradoras, que têm muito estilo e um espírito incrível.
Na verdade, eu não cheguei a elaborar um roteiro, mas tive a ideia de correlacionar retratos com a música. Só quando comecei a filmar é que pensei que seria legal fazer algo bem estático e intimista e depois combinar com dança. Uma espécie de momento para olhar nos olhos de alguém e depois um momento para celebrar e dançar com essa pessoa. Geralmente gosto de me envolver com o assunto que estou documentando e deixar as coisas fluírem. Nunca fui de fazer mood boards ou roteiros, e tenho muita sorte de o U2 ter confiado em mim para contar a história sem precisar me explicar para ninguém.
Gravei o vídeo em outubro/novembro do ano passado. Estava bastante frio em Dublin, mas os jovens incríveis do vídeo não se importaram. Filmamos ao ar livre, debaixo de chuva, o dia todo, sem problemas. Normalmente, trabalho apenas com amigos. Meu amigo Nathan Hughes e Donal Talbot, que também estão no vídeo, me ajudaram a selecionar um grupo de amigos. Donal é um fotógrafo jovem e incrível, e somos amigos há uns sete anos. Já o fotografei várias vezes. Fotografei Nathan e Donald com Stella Maxwell e Barbara Palvin em Dublin para a Vogue Japão, alguns anos atrás. Foi muito divertido.
Dublin sempre me fascinou em termos de moda e estilo. É uma mistura de observar os estilos ao redor do mundo e o que está disponível atualmente na Irlanda. Os jovens misturam e combinam o que têm à mão, o que realmente resulta nas combinações mais criativas.
Adoro trabalhar com o U2 por vários motivos. Em primeiro lugar, é uma honra, obviamente, trabalhar com uma banda tão icônica e com artistas que ajudaram a moldar a cultura moderna. Mas também porque a equipe deles é formada por pessoas gentis, atenciosas e criativas. Trabalhar com a família U2 não é uma luta. Eles pedem que um projeto seja feito, mas depois te dão a liberdade de realizá-lo. Faz sentido? Em outras palavras, eles deixam você contar sua história, fazendo sugestões, mas essas sugestões não se sobrepõem à narrativa do projeto, então você tem a liberdade de expressar sua visão e contar uma história.
Eles também são muito sensíveis com quem quer que estejamos trabalhando. Não é uma batalha. Eles são artistas, são profissionais e têm muita experiência, e acho que isso traz uma certa compaixão e compreensão que só a experiência pode cultivar. Estou finalizando as imagens para a turnê do U2, que está prestes a começar".

sexta-feira, 29 de maio de 2026

U2 no Slane Castle em 2001: "Um casamento e um velório"


Uma das apresentações mais extraordinárias no Slane Castle na Irlanda foi aquela que o U2 tocou em 2001, poucos dias depois da morte do pai de Bono.
Bon recorda: "Seja lá o que tenha sido, não foi um show. Foi uma espécie de evento sociológico, uma espécie de encontro da tribo. Mas, do nosso ponto de vista, foi como um grande casamento, com tios e tias, brigas nos cantos, lágrimas a cada instante, bebida em excesso, e depois disso virou um velório. Um casamento e um velório. Eu estava me agarrando à vida com todas as minhas forças.
Eu me apeguei àquelas músicas porque elas me ajudavam a superar tudo, e cantá-las me mantinha firme. Toda a lamentação e o lamento que você possa precisar estão em algumas daquelas músicas do U2. Eu estava me livrando de muita angústia e desespero, noite após noite. Eu certamente estava fazendo a coisa certa para mim. Não sei se estava fazendo a coisa certa para todos os outros. Provavelmente somos uma banda de rock 'n' roll melhor do que aquela que tocou no Slane, especialmente na primeira noite, porque aquilo era diferente. Era mais ópera, e eu fiquei com uma incrível sensação de ter sido carregado pela multidão. Sinto que foi um dia muito especial para todos que estavam lá, principalmente para a banda. Mas não se tratava apenas de música".

quinta-feira, 28 de maio de 2026

U2 gravou nova canção para tributo à Shane MacGowan


A lista completa de artistas e faixas de '20th Century Paddy - The Songs Of Shane MacGowan' foi revelada – com U2, Bob Geldof, Kingfisher, David Keenan, Jimmy Artache e Tom Creagh juntando-se à lista de colaboradores já anunciada.
Antes do lançamento do álbum tributo repleto de estrelas, em 13 de novembro, pela Rubyworks, duas músicas da lista já foram lançadas como singles: a versão de Bruce Springsteen para "A Rainy Night In Soho" e a interpretação de Johnny Depp e Imelda May para "Haunted".
"É impossível expressar o quanto significa para mim e para a família de Shane ter esta extraordinária coleção de suas canções sendo interpretadas em homenagem a ele, ao seu trabalho e à música irlandesa", disse a esposa de MacGowan, Victoria Mary Clarke, que revelou oficialmente a lista completa de faixas, em parceria com a Rubyworks. "Quando conheci Shane no início dos anos 80, ele estava tomado por uma missão poderosa e apaixonada: levar a música, a história e a cultura irlandesas ao conhecimento do mundo através de suas composições. Ele se sentia o homem mais feliz do mundo ao saber que havia cumprido sua missão e que muitos outros músicos vieram depois dele, assumiram esse legado e acenderam chamas em lugares que ele jamais imaginara", continua ela. "Alguns desses artistas mais jovens participam deste álbum, e sei que Shane está radiante em ouvir suas belas e comoventes interpretações de suas canções. Também participam artistas que o precederam, que o inspiraram, artistas com quem ele trabalhou, artistas que ele amava e admirava. São tantos que é impossível mencioná-los todos pelo nome, mas cada contribuição é única, inspirada e sublime, e agradeço a essas pessoas maravilhosas do fundo da minha alma".
O U2 gravou uma faixa chamada "Yeah, Yeah, Yeah, Yeah, Yeah", original do The Pogues, lançada em 1988.
O álbum '20th Century Paddy - The Songs Of Shane MacGowan' estará disponível em serviços de streaming, bem como em três formatos físicos: vinil triplo, CD duplo e um livro de luxo em edição limitada. 
Pelo menos 50% dos direitos autorais do álbum serão doados para a Dublin Simon Community.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Sulinna Ong, diretora global de conteúdo editorial e curadoria musical do Spotify, se junta à equipe do U2 como sócia de gerenciamento, ao lado de Irving e Jeffrey Azoff


Sulinna Ong, diretora global de conteúdo editorial e curadoria musical do Spotify, está deixando a empresa para se juntar à equipe de gerenciamento do U2, confirmou a banda. Ela se junta à equipe como sócia de gerenciamento, ao lado de Irving e Jeffrey Azoff.
O U2 assinou contrato com a Full Stop Management de Irving e Jeffrey Azoff em 2022, após quase uma década com o empresário Guy Oseary.
"O que nos impressionou em Sulinna foi o talento, a sutileza e a clareza que ela traz tanto para a arte quanto para o público", disseram Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr., do U2, em um comunicado. "Ela entende o que construímos e para onde queremos levar. Estamos muito felizes em tê-la como sócia de gerenciamento ao lado de Irving e Jeffrey".
Sulinna Ong chega ao U2 após sete anos no Spotify, onde atuou como diretora global de conteúdo editorial desde 2021. Em um comunicado, Sulinna descreveu sua passagem pelo serviço de streaming como "uma parte significativa da minha carreira e deixo a equipe com enorme respeito por tudo o que construímos".
"O U2 é uma das bandas mais importantes do mundo, artística e culturalmente, e usou sua plataforma com propósito em todas as fases da sua carreira", disse Sulinna. "A oportunidade de trabalhar ao lado deles, e ao lado de Irving e Jeffrey, que moldaram o que é o gerenciamento artístico moderno, foi imperdível. Temos planos ambiciosos para o futuro e estou pronta para começar a trabalhar".
"A banda fez a escolha certa", disse Irving Azoff em um comunicado sobre a nomeação de Sulinna. "Sulinna é uma das melhores na música, com uma carreira construída sobre bom gosto, discernimento e um instinto para o presente e o futuro da cultura. Jeffrey e eu estamos orgulhosos de tê-la ao nosso lado".
No Wall Street Journal em 2025, a manchete chamou Sulinna Ong de "A Mulher Com Os Ouvidos Mais Valiosos Da Música".
Ela figurou na lista Power Players da Billboard por três anos consecutivos (2024, 2025, 2026), de acordo com o anúncio, e foi homenageada como Executiva do Billboard Women In Music por quatro anos seguidos (2023, 2024, 2025, 2026).
Ela também foi nomeada uma das 25 Mulheres Mais Influentes pela Vogue.
Sulinna Ong foi promovida a Diretora Global de Conteúdo Editorial do Spotify em outubro de 2021, tendo ingressado na empresa em abril de 2019 como Diretora de Serviços para Artistas e Gravadoras.
Antes do Spotify, ela construiu sua carreira em gravadoras, gerenciamento de artistas, música ao vivo e tecnologia – incluindo passagens pela Sony Music, Live Nation e Deezer, onde foi Vice-Presidente Global de Marketing de Artistas.

terça-feira, 26 de maio de 2026

U2 50 Anos: "A Irlanda é o único país onde somos celebridades"


Entrevista com Bono - 2001

Vocês não buscam o reconhecimento ou elogios das pessoas, mas sentem que seus esforços em relação a tudo isso são subestimados, digamos, na Irlanda?

Olha, na Irlanda, como Bill Graham sempre me lembrava, é uma questão de escala. 
O U2 é mais popular quando se mantém discreto, e é isso que tentamos fazer na maior parte do tempo. Até eu teria ficado bravo comigo mesmo na época do show no Slane. Meu Deus, o quão interessantes podem ser quatro pessoas? Alguém me disse há um tempo: "Vocês ganharam a Copa do Mundo, e depois ganharam de novo, e agora estão ganhando de novo. Amamos música, amamos futebol, vocês ganharam a Copa do Mundo". Mas não foi bem assim. 
Não é uma boa analogia, e somos escritores e músicos, e a fama é algo opressivo nos dias de hoje. A Irlanda é o único país onde somos celebridades. Passamos despercebidos em praticamente todos os outros lugares. E esse seria o nosso desejo para a Irlanda. Gostaríamos apenas de seguir com nossas vidas.

Tanto Kevin Myers quanto Vincent Browne, no Irish Times, criticaram duramente seus esforços em relação ao Drop The Debt.

Surge algo como o caso do show no Slane, você vira notícia e as pessoas querem criticar, e honestamente, eu não as culpo. É perfeitamente normal. Mas tenho certeza de que tanto Kevin Myers quanto Vincent Browne sabem que estão sendo maldosos. Basta pesquisar: mesmo uma olhada rápida na minha agenda mostra que eu não estou lá só para tirar uma foto. Dá muito trabalho; está consumindo muito do meu tempo e energia, que eu poderia dedicar à minha família, e espero que isso acabe logo. Eu gostaria de não estar nessa situação e reconheço o quão absurda ela é. Ter uma estrela pop rica nos corredores do poder falando sobre pessoas pobres... eu entendo como isso soa, e eu também não gosto. E acho que eles estão apenas fomentando a polêmica, dizendo: "Vai se foder". Vejo minha foto no jornal e às vezes me sinto da mesma forma. "Vai se foder!" Mas a bola meio que caiu nos meus pés, e o gol parecia meio aberto. Então eu só tive que correr com ela.

O comentário do John Waters: "O U2 está velho demais e entediado um com o outro para dizer ou fazer qualquer coisa relevante hoje em dia"

Considero a mesma coisa... Eu adoro o John, mas não somos nós que perdemos o contato com a música. E acho que nunca fomos tão próximos assim como banda. Talvez ele simplesmente não tenha gostado do álbum. Com bandas, se elas lançam um álbum que você não gosta, acabou. Já se o seu diretor favorito faz um filme que você não gosta, você espera pelo próximo. É uma coisa estranha. O Sean Penn me disse uma vez, numa noite em que eu estava meio deprimido por causa do PopMart nos Estados Unidos, e estávamos sentados num quarto de hotel, e ele disse: "Sabe, eles simplesmente não gostaram do filme". E eu percebi que não é que eles não gostem de mim, eles só não gostaram desse filme!

segunda-feira, 25 de maio de 2026

U2 50 Anos: a letra modificada de "New York" após os atentados de 11 de Setembro de 2001 nos EUA


Bono - 2001

"A música muda de forma para se adequar à situação em que se encontra, muitas vezes. E a nossa não é exceção. Músicas que significavam uma coisa antes do 11 de Setembro, para a maioria das bandas, eu acho, significaram outra coisa depois do 11 de Setembro. Mas, curiosamente, nossa música significava a mesma coisa. 
Acontece que os eventos trouxeram o assunto para mais perto do foco. E muitos dos temas e atmosferas de 'All That You Can't Leave Behind' pareceram fazer mais sentido. Acho que não mudaram. 
As coisas óbvias como "New York", ou uma música sobre depressão como "Stuck In A Moment", "Kite" — músicas sobre deixar ir pessoas de quem você não quer se desapegar, tudo isso pareceu se conectar muito bem".

Após os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 nos EUA, Bono passou à cantar uma versão diferente da canção "New York", modificando sua letra nas performances ao vivo durante shows da Elevation Tour.
Perguntado se ele reescreveu a letra, ele respondeu:

"Não muito, mas ficou assim: "Em Nova York, a liberdade parece ter opções demais/Em Nova York, encontrei alguns amigos para abafar as outras vozes/Vozes no celular, vozes de casa/Você está bem, querida? Não fique sozinha/Nova York, eu amo Nova York". E depois continua: "Em Nova York, os verões são quentes/Chegam aos 37 graus, você não consegue dar uma volta no quarteirão/Sem trocar de roupa/Em setembro, muita coisa pode mudar/O amor do verão se transforma na chuva do inverno/Nova York — até Nova Jersey ama Nova York", e isso foi cantado no Madison Square Garden. E então eu continuei: "Em Nova York, você pode esquecer como ficar parado/E pode esquecer o quão forte é a vontade da cidade". E então: "Em Nova York eu tive um problema/Chame isso de crise da meia-idade/Não é bem um problema/Só muitas opções/Bati num iceberg na minha vida/Mas sabe, ainda estou flutuando/Perdi o equilíbrio/Você perdeu sua esposa/Na fila do bote salva-vidas/Você estava colocando as mulheres e as crianças em primeiro lugar/Eu só tinha uma sede insaciável por Nova York". Foi nesse momento que os bombeiros e todos os outros que estavam na plateia se empolgaram".

sábado, 23 de maio de 2026

Anton Corbijn explica como as fotos para 'The Joshua Tree' do U2 ficaram maiores do que o planejado


No ano de 1987, a arte da capa do álbum 'The Joshua Tree', do U2, havia aumentado a popularidade do fotógrafo neerlandês Anton Corbijn nos Estados Unidos e no Canadá.
Em uma entrevista naquele ano, Anton revelou: "Bem, depois que as fotos foram tiradas, elas ficaram maiores do que o planejado... simplesmente aconteceu.
É o mito U2. Eu nunca imaginei que as fotos ficariam do jeito que ficaram com 'The Joshua Tree', onde eu acho que elas parecem mais fortes, de verdade, do que as de qualquer outra banda no mundo. Acho que elas são ótimas, mas acho que sempre vou me basear em sobre deixar as coisas em aberto e vivas. Isso se aplica ao U2 - fotografar com eles cria uma fotografia que realmente se torna muito grande e fala com muita gente.
Eu não fico sentado na minha mesa pensando que tenho que criar algo que ajude a construir esse mito sobre o U2. É quase acidental. É uma combinação deles e minha. Pelo que pude perceber durante a sessão de gravação, eu vinha conversando com o Bono há mais de um ano sobre fazer algo em um deserto. Inicialmente, eles iriam para a África, mas enquanto trabalhavam neste disco, perceberam que ele era muito inspirado pelos Estados Unidos, então decidiram usar um deserto americano. Fui incumbido, acho que no final de novembro do ano passado, de encontrar algo na região de Los Angeles. Visitei vários lugares e elaborei uma espécie de roteiro que pudéssemos percorrer em quatro dias, abrangendo uma grande área.
Eles vieram de avião e partimos, mas ainda não tinham um título para o álbum. Certa noite, expliquei ao Bono sobre a Joshua Tree e como ela renderia uma boa imagem para fotografia. Ele gostou da ideia e, na manhã seguinte, veio até mim e disse: "Já sei, é o título perfeito".
Eu havia alugado uma câmera panorâmica com a qual nunca tinha trabalhado antes, e não percebi que ela era focada no infinito e que não era possível alterar o foco, e só me dei conta disso depois de revelar o filme - ainda corro muitos riscos".

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Mesma melodia de uma canção de cantor e compositor esloveno teria aparecido em uma faixa de 'How To Dismantle An Atomic Bomb' do U2


Na Eslovênia, o U2 foi notícia no ano de 2004, quando um fã esloveno percebeu que a mesma melodia de uma canção do cantor Zoran Predin aparecia em uma faixa de 'How To Dismantle An Atomic Bomb'.
A melodia era de "Okupatora", uma canção escrita pelo cantor, compositor e poeta esloveno Zoran Predin. Ela apareceu em seu álbum de 1992, 'Gate na Glavo' (literalmente "Roupa Íntima na Cabeça") - o segundo dos doze álbuns solo de Predin. Ele foi anteriormente o vocalista da popular banda de rock iugoslava Lacni Franz (Franz Faminto).
O jornal Dnevnik, de Ljubljana, divulgou a notícia e, embora os céticos esperassem um possível processo judicial, Predin mostrou-se mais lisonjeado do que indignado. Ele disse ao jornal que era um "grande elogio" ter composto a mesma melodia que o U2.
Predin na época estava tomando café da manhã em Dublin, onde coincidentemente estava prestes a assistir a um show do U2. Ele se descreveu como um grande fã da banda. Quando perguntado sobre as melodias idênticas, ele disse: "Não é nada demais, acontece o tempo todo. Estou muito feliz que tenha acontecido com uma banda da qual sou fã. Só quero dizer que é muito importante para mim saber que houve um momento em que sentimos a mesma melodia e isso é algo de que me orgulho muito. Talvez eu mande uma carta para o Bono dizendo que ainda tenho várias músicas de reserva. Só por precaução, caso ele precise de alguma coisa no futuro...". 
Predin compôs trilhas sonoras para peças de teatro, filmes, séries de TV e havia lançado novos álbuns quase todos os anos desde 1980.
Em seu site, Zoran Predin colocou uma nota escrita "U2 interpreta Okupatorka", e abaixo o texto: "O site de música WHO SAMPLED - Explorando e discutindo o DNA da música - identificou a correspondência exata entre a melodia da música "City Of Blinding Lights" do U2, de 2004, e a música "Okupatorka" de Zoran Predin, de 1992".

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Sinéad O'Connor indo à bar em Dublin para discutir letra de canção escrita por Bono, e arrumando confusão


Em 1993, Sinéad O'Connor era uma das musicistas mais famosas e reconhecidas do mundo. Em parte devido ao enorme sucesso global de sua versão de "Nothing Compares 2 U", de Prince — um single número um em pelo menos 20 países —, o segundo álbum da cantora irlandesa, "I Do Not Want What I Haven't Got", vendeu mais de sete milhões de cópias em todo o mundo. Mas foi sua controversa aparição em 3 de outubro de 1992 no programa de TV americano Saturday Night Live, durante a qual rasgou uma foto do Papa João Paulo II em protesto contra a Igreja Católica, que a colocou nas capas de jornais do planeta. Quem esperava um pedido de desculpas não sabia nada sobre O'Connor.
Para acompanhar sua playlist de '60 Músicas Que Salvaram Minha Vida', Bono escreveu cartas de gratidão para aqueles por trás das músicas.
Para Sinéad O'Connor, Bono escreveu: "Eu ouvi sua voz primeiro na adolescência, talvez você tivesse 15 ou 16 anos. Era uma demo de uma música chamada "TAKE MY HAND" da banda recém-formada de Steve Wickham, In Tua Nua, e eu senti que havia tropeçado em um novo terreno com sua voz apropriada e única.
Fiquei tão impressionado quanto todos os outros com todo o ótimo canto e as músicas ao longo do caminho, mas na próxima vez que fiquei comovido com isso foi em um show solo aqui em Dublin, onde você cantou "You Made Me Thief Of Your Heart" e roubou meu coração novamente.
A música foi escrita rapidamente por mim, Gavin Friday e Man Seezer para o premiado 'IN THE NAME OF THE FATHER', estrelado por Daniel Day Lewis. Jim Sheridan disse algo como "mesmo que seja EM NOME DO PAI, é tudo sobre a mãe. Um homem não pode cantar essa música. A Mãe Irlanda precisa da voz de uma mulher".
Foi gravada nos estúdios da STS em Dublin com grande sensibilidade por Tim Simenon ... você acendeu velas".
Em uma participação recente no podcast The Michael Anthony Show, Gavin Friday, ex-vocalista do The Virgin Prunes, compartilhou uma história que demonstra o caráter destemido e indomável de Sinéad O'Connor.
Seis meses após sua provocativa aparição no SNL, Sinéad O'Connor se juntou a Gavin Friday e Maurice Seezer para gravar a música "You Made Me The Thief Of Your Heart", composta por Friday, Seezer e Bono, para a trilha sonora do filme "Em Nome Do Pai" (1993). Antes da sessão de gravação em Dublin, Sinéad O'Connor perguntou a Gavin Friday se eles poderiam ir a um bar para discutir a letra da música.
"Era um sábado à noite e estávamos gravando das 18:00 à meia-noite, e fomos ao The Clarence [hotel, do qual o U2 era um dos donos], que estava lotado na época", relembra Gavin Friday. "Ela entrou com aquela capa e foi como se o Mar Vermelho se abrisse, as pessoas simplesmente exclamaram: 'Meu Deus, é o Gavin Friday e a Sinéad O'Connor!'
Quando os dois chegaram ao bar, Gavin Friday perguntou a Sinéad O'Connor o que ela queria beber, e a cantora pediu uma caneca de Guinness.
"Eu disse: 'Você não gosta de Guinness?', e ela respondeu: 'Eu quero uma caneca de Guinness'", lembrou Friday. "Então eu lhe dei uma caneca de Guinness, ela deu um gole e disse: 'Você pode me trazer outra?'. Eu disse: 'Você nem bebeu tudo!', e ela insistiu: 'Você pode me trazer outra?'. Então eu lhe dei a caneca. E então ela disse: 'Já volto, Gav'.
Sinéad O'Connor levantou-se da mesa com o segundo copo de Guinness e começou a caminhar até um canto da sala, onde Gavin Friday reconheceu um conhecido jornalista irlandês do jornal Sunday Independent tomando um drinque com amigos.
"E eu pensei: 'Meu Deus'", ele recorda. "E ela gritou: 'Nunca mais mencione minha família no seu jornaleco!' e jogou o copo de Guinness na cara dele. Depois, ela voltou e disse: 'Enfim, vamos dar uma olhada na letra, Gav'. E eu pensei: 'Nossa! Bambi virou Darth Vader em segundos...'"
Sinéad O'Connor faleceu aos 56 anos, em 26 de julho de 2023.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

The Edge diz que canção do U2 "é um pouco problemática e mostra sinais de ter sido feita no meio de uma turnê"


Steve Stockman, autor do livro 'Walk On: A Jornada Espiritual Do U2', escreveu em seu blog Soul Surmise:

Muitos conhecem a história. Em outubro de 1981, usei vales-presente de aniversário para comprar o álbum 'October' do U2. Alguém me disse que eles eram cristãos. Lembro-me de colocar a agulha no disco na primeira música, "Gloria", e… BOOM!
Quando lançaram o single de 7 polegadas "A Celebration" em março de 1982, o U2 já era a minha banda. Eu adorava a energia e a euforia do som deles, MAS além disso, eles realmente expressavam algo da minha fé cristã, que era relativamente nova. Aquela era uma banda de rock que poderia fazer isso. Minha vida espiritual tinha uma trilha sonora. Uma trilha sonora que me acompanharia pelo resto da vida. Eu tinha encontrado companheiros de jornada.
"A Celebration" pode parecer injustiçada. Ela foi, aparentemente de propósito, escondida nos anais da música. Seu primeiro lançamento em CD foi 27 anos depois, no disco bônus da edição deluxe remasterizada do álbum 'October'. Mesmo lá, ela está escondida na faixa 9. Nas notas do encarte, Edge a chama de "nossa tentativa de um single provisório". Ele continua: "É um pouco problemática e mostra sinais de ter sido feita no meio de uma turnê".
Não vou discutir a qualidade da composição ou da técnica de gravação de "A Celebration". Independentemente disso, sempre a amarei pelo que ela representou naquele momento da carreira da banda. É a ligação, musical e espiritual, entre 'October' e o terceiro álbum, 'War'.
'October' era puro êxtase espiritual pessoal, quase adoração. 'Wa'r era uma banda de jovens, três deles cristãos, tentando entender o mundo além de sua cidade natal e, de fato, de seu grupo de fé. Eles estavam começando a se importar e a confrontar sua fé com o mundo.
Em "A Celebration", eles ainda celebram a libertação de Cristo, como visto no videoclipe filmado na famosa prisão de Kilmainham, em Dublin. Eles ainda invocam oração e louvor ao transcendente, mas agora estão se conscientizando das guerras mundiais e das bombas atômicas. Sim, a letra é um pouco genérica nesta música "provisória", mas está tomando forma, mais definida do que o discurso eloquente no coração de Bono em 'October'.
O autor Philip Yancey, agora amigo da banda, certa vez descreveu o crescimento cristão a partir de um versículo de Isaías. 40, "voaremos como águias, correremos e não nos cansaremos, caminharemos…" Yancey destaca como isso parece estar ao contrário. Não deveríamos caminhar primeiro?
Yancey sugere que os primeiros dias da fé cristã são repletos de ingenuidade idealista. Acreditamos que podemos tornar o mundo perfeito da noite para o dia. Saímos decolando. No entanto, mais tarde, vemos amigos adoecerem e morrerem, assistimos ao noticiário na TV e percebemos que, apesar da nossa fé, nem tudo está bem no mundo. Aterrissamos com um baque. Ainda estamos correndo, mas depois até caminhamos, porque essa jornada de fé é difícil.
A repetição de "Eu acredito" em "A Celebration" soa como a música "God", de John Lennon, do álbum 'Plastic Ono Band', onde o Beatle canta sobre o que ele não acredita (incluindo os Beatles, na verdade!). O U2 desenvolveria ainda mais essa conversa responsiva com o falecido Lennon em "God Part II", do álbum 'Rattle And Hum'.
Não parece muito problemático, correr pela estrada e cinco anos depois ouvir… "Eu acredito no reino". "Venha... mas ainda não encontrei o que procuro".
"A Celebration" é a ponte perfeita entre o voo e a corrida na vida espiritual, e os próximos álbuns do U2, talvez toda a sua carreira, continuariam a viver o comentário de Yancey sobre Isaías 40... um versículo que o U2 usaria em "Drowning Man", uma música do álbum seguinte, 'War'.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Adam Clayton em um documentário sobre a vida de sua amiga de longa data, a renomada acordeonista irlandesa Sharon Shannon


Adam Clayton aparece em um documentário que estreou na televisão irlandesa, sobre a vida de sua amiga de longa data, a renomada acordeonista irlandesa Sharon Shannon.
'Tradfluencer: The Sharon Shannon Story', na RTÉ One, acompanha a trajetória de Shannon, uma das musicistas mais conhecidas e queridas da Irlanda, que levou a música tradicional irlandesa a lugares nunca antes explorados.
Ao longo de sua carreira, Shannon colaborou com artistas de diversos gêneros, de The Waterboys, Jackson Browne, John Prine e Steve Earle a Sinéad O'Connor, Kirsty MacColl, Liam Ó Maonlaí, Moya Brennan — e o próprio Adam.
"Ela realmente tornou o acordeão moderno e atraente — ninguém imaginaria que isso fosse possível", disse Adam.
Adam e Shannon se conheceram no lendário pub Winkles Hotel em Kinvara, Galway, no final da década de 1980.
"Eu sabia que não tinha o menor talento para o acordeão, eu soube disso imediatamente", disse Adam ao apresentador Ryan Tubridy durante uma participação no programa The Late Late Show da RTE em 2021, ao lado de Shannon. "Nas mãos de Sharon, a música ganha vida, e isso é indiscutível... e finalmente consegui subir ao palco para tocar algumas músicas no Winkles Hotel, e isso foi a realização de um sonho".
As gravações dessas sessões foram lançadas posteriormente como o álbum ao vivo 'The Winkles Tapes', com a participação de Adam na faixa "Larry O'Gaff's Set".
Em 1991, Adam tocou baixo acústico em "The Marguerita Suite", do álbum de estreia homônimo de Shannon — o álbum de música tradicional irlandesa mais vendido de todos os tempos na Irlanda.
'Tradfluencer: The Sharon Shannon Story' são dois documentários diferentes exibidos lado a lado. Em um nível, é uma celebração de Shannon como uma musicista pioneira que trouxe um fervor rock'n'roll para o acordeão de botões, um instrumento considerado fora de moda. "Ela conseguia fazê-lo chiar, gemer e rugir", diz Adam, que relembra seu espanto ao ver Shannon tocar acordeão pela primeira vez. "Era um instrumento muito agressivo com o qual ela estava lutando".

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Luke Vicious criou camisetas que vem sendo utilizadas pelos integrantes do U2


As camisetas marcantes e de inspiração punk usadas por The Edge durante a residência do U2 em Las Vegas eram peças personalizadas e pintadas à mão, criadas pelo designer e artista Luke Vicious.


Luke Vicious é um designer britânico radicado em Los Angeles que conquistou um público fiel nas cenas punk, gótica e streetwear por suas roupas personalizadas.
Conhecido por seus designs únicos e com estética "faça você mesmo", o artista frequentemente reaproveita roupas com cortes desgastados, água sanitária e desenhos feitos à mão.
Adam Clayton no Sphere apareceu no palco com uma camiseta com um símbolo Hiragana japonês da letra A, apresentando um símbolo gráfico pintado de cinza. A etiqueta trazia a inscrição James Perse Los Angeles, além de uma etiqueta impressa com o nome Luke Vicious. 
Este item específico de memorabilia do rock foi leiloado e a renda foi destinada à MusiCares.


Nas gravações do U2 no México recentemente para a canção "Street Of Dreams", Larry Mullen Jr. usou uma camiseta estampada com Calaveras do Dia de los Muertos pintada à mão, caveiras comuns na cultura mexicana, e na camiseta são caricaturas estilizadas de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. Foi desenhada também por Luke Vicious.

sábado, 16 de maio de 2026

Larry Mullen Jr. volta à ser o baterista do U2, e o arremessador de moedas em uma partida de futebol


"Estamos aqui na Cidade do México e adorando cada minuto", diz The Edge. "Como apoiadores do Street Child United, queríamos vir hoje para apoiar essa causa nobre, assistir a um jogo de futebol e aproveitar o ambiente. Não há cidade melhor para sediar um evento tão brilhante".
A Street Child United é um movimento global liderado por jovens que trabalha para mudar a forma como o mundo vê, trata e protege jovens em situação de rua. A Cidade do México sediou o Torneio Street Child World Cup de 2026, com 30 equipes de todo o mundo reunidas para o evento, que aconteceu de 6 a 14 de maio.
Adam, Edge, Larry e Bono se encontraram com John Wroe e Judy Reith, da Street Child United, e Larry, vestindo a camisa do torneio, estava presente para lançar a moeda antes da final no Parque Ecológico Lago de Texcoco... relembrando, com ironia, suas raízes em Dublin: "Uma vez um arremessador do lado norte, sempre um arremessador do lado norte!"



O torneio de 2026 é uma parceria com a Fútbol Más México, uma organização sem fins lucrativos que atua no México desde 2017 e utiliza o futebol como ferramenta para o desenvolvimento social, fortalecimento da resiliência e promoção do bem-estar de crianças em comunidades vulneráveis.
O U2 esteve na cidade para gravar o videoclipe de uma nova música, "Street Of Dreams", que fará parte de seu próximo álbum de estúdio, ainda sem título definido, com lançamento previsto para o final deste ano.
As filmagens na República do Brasil e na República da Bolívia atraíram uma multidão de fãs, apesar do mau tempo. Trovões e chuva inesperadamente causaram a queda de um gerador e uma família local acolheu a banda em seu apartamento para as filmagens na varanda.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

A "menina de Guadalupe" em canção de 'Easter Lily' do U2


Nossa Senhora de Guadalupe é uma das aparições mais veneradas da Virgem Maria, relatada em 1531 ao indígena Juan Diego no México, onde sua imagem milagrosa apareceu em um manto. Conhecida como padroeira das Américas e protetora das crianças, sua história simboliza fé e conversão.
Nossa Senhora apareceu no Monte Tepeyac, próximo à Cidade do México, pedindo a construção de um templo. A imagem apareceu no manto de Juan Diego, feito de fibra de cacto, que milagrosamente não se deteriorou após quase 500 anos.
Ela é representada como uma mulher mestiça, vestida com trajes que ressoaram com o povo asteca, indicando a união de culturas. É considerada padroeira do México, das Filipinas, das Américas e protetora das crianças que correm perigo de não nascer.
Em outubro de 2017, o U2 gravou o videoclipe de "Get Out On Your Own Way" no telhado de um edifício em Colonia Juárez, na Cidade do México.
Em dezembro, o U2 mostrou um teaser do videoclipe já pronto para ser lançado, dizendo que sairia em breve, mas isso nunca aconteceu, e o vídeo acabou sendo arquivado.
Aos 16 segundos do teaser, se nota que uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe é usada na correia da guitarra de Edge.
A frase "girl of Guadalupe" (menina de Guadalupe) aparece na letra da música "COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times?)", uma canção do U2 com colaboração de Brian Eno no EP 'Easter Lily'.
A estrofe diz: "The pages that enrage us / She tears them from the book / 'Save us, save us' sings the girl of Guadalupe" ("As páginas que nos enfurecem / Ela as arranca do livro / 'Salve-nos, salve-nos' canta a menina de Guadalupe").
A "menina de Guadalupe" faz referência à Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira das Américas. A música reflete sobre resiliência, fé, tolerância religiosa e esperança, usando a figura da "menina de Guadalupe" como um símbolo de renovação espiritual e salvação em meio a mudanças e conflitos. Pode ser vista como uma referência à proteção dos oprimidos e à busca por paz, conectando a mensagem da música a um desejo de renovação, especialmente considerando o contexto das Américas.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

U2 no México pode ter realizado alguma gravação para outra nova canção chamada "Silencio"


O U2 paralisou o centro histórico da Cidade do México por dois dias para gravar um vídeo de uma nova canção chamada "Street Of Dreams", o novo single do próximo álbum. A canção pode ser lançada em 12 de Junho.
Storyboards vazados da ideia para o videoclipe, mostram a banda saindo de um bar onde se apresentam com pouca reação do público, para seguir seus sonhos no ônibus. E foi dentro deste bar que a outra nova canção chamada "Silencio" foi tocada.
O site U2 Songs detalha que a banda gravou um clipe dentro do Salón Los Angeles. O colaborador de longa data Anton Corbijn acompanhou a banda nessa sessão. 
O local foi fundado em 1937 como um salão de baile. Era conhecido como o lugar para ser visto em seus primórdios, recebendo desde Frida Kahlo até Fidel Castro e Che Guevara. Continua a receber apresentações musicais até hoje.
A banda gravou "Street Of Dreams" dentro da casa de shows e, ao sair, Bono perguntou a um fã se ele tinha ouvido apenas "Street Of Dreams" ou se também tinha ouvido "Silencio". Uma segunda música, inédita.

U2 realiza o segundo dia de filmagens para "Street Of Dreams" e Bono afirma que a ideia é mesmo iniciar a próxima turnê no México


O U2 realizou o segundo dia de filmagens no México para o vídeo de "Street Of Dreams". A gravação agora foi com a banda no teto do ônibus circulando pelas ruas, enquanto a música era tocada.
O retorno do U2 à Cidade do México resultou em um convite oficial da chefe de governo da capital, Clara Brugada, para que o grupo se apresente no icônico Zócalo, a principal praça pública do país.
Brugada encontrou-se com os membros da banda e entregou um documento à eles. A carta foi recebida por Bono.
"Este é um convite para vocês tocarem na nossa maravilhosa praça, o Zócalo", disse Brugada em espanhol. "Vocês são bem-vindos, e nós adoraríamos recebê-los".
Anteriormente, Bono havia expressado a Brugada seu desejo de iniciar a próxima turnê mundial na Cidade do México, um lugar que ocupa um lugar especial no coração do grupo.
"Estamos trabalhando nisso", disse Bono. "Em nossos sonhos, poderíamos começar nossa turnê aqui. Nós amamos a cidade".
O encontro entre Brugada e o U2 aconteceu no Casino Metropolitano, no Centro Histórico da capital. Durante a reunião, o representante presenteou cada membro da banda com uma estatueta de axolote, espécie de anfíbio nativa do centro do México.
Mais tarde, Brugada compartilhou uma mensagem em suas redes sociais com fotos ao lado da banda. "Receber o U2 em nossa capital é uma celebração da música, da conexão e da empolgação que se sente em cada canto desta cidade", escreveu ela em sua publicação. "Somos uma cidade aberta ao mundo, vibrante e cheia de histórias que são compartilhadas do palco às ruas".

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