1992. Stuart Bailie para a NME Magazine conversou com Adam Clayton sobre o lado sombrio da experiência de 'Achtung Baby', sobre as letras tristes e as formas intrincadas e claustrofóbicas.
Adam contou sobre alguns dos títulos provisórios do disco: 'Fear Of Women', 'Adam' e até 'Man'. Mas todos foram rejeitados porque as pessoas diriam que era mais uma grande declaração do U2.
"Havia muita infelicidade por vários motivos", ele pondera. "Um deles, eu acho, era que tínhamos passado pelos nossos 20 e poucos anos em um turbilhão, e era o primeiro período em que realmente passávamos um tempo em casa, sendo, digamos, os chefes de nossas respectivas famílias. Além disso, uma espécie de revolução musical tinha acontecido, e estávamos empolgados com isso. Tentar conciliar o fato de que tínhamos responsabilidades e depois ir para Berlim e tentar fazer um ótimo disco de rock 'n' roll — alguma coisa tinha que ceder em algum momento. Algumas pessoas sofreram mais pressão do que outras, então houve um pouco de lamentação e ranger de dentes. Espero que nunca mais seja tão ruim, mas se for, não ficaria nada surpreso, e tenho certeza de que superaríamos isso".
Larry Mullen Jr. falou sobre os velhos tempos e, embora todos estivessem muito otimistas com a nova era, havia uma tendência a desconsiderar o passado, dizendo que tudo se tornou redundante. "Não gosto da ideia de ignorar o passado e dizer que não foi importante, porque foi importante sim — foi lá que aprendemos".
Eles mencionaram Nine Inch Nails, Jesus And Mary Chain, Happy Mondays e Curve como bandas que ouviram como prelúdio para a gravação de 'Achtung Baby', o que incluiu visitas a Londres para comprar discos raros e conhecer algumas casas noturnas da zona oeste da cidade. Adam passou muito tempo em Nova York no verão de 1990, aproveitando o anonimato. "Percebi que o U2 não era necessariamente a maior coisa do mundo".
