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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Detalhes da gravação de "Bang A Gong (Get It On)" do U2 com Hal Willner como produtor


"Song For Hal" do EP 'Easter Lily' do U2 é um lamento sobre o confinamento da COVID-19, com The Edge nos vocais principais, escrito para o amigo da banda, o músico Hal Willner, que teria completado 70 anos na segunda-feira de Páscoa e faleceu há quase 6 anos, exatamente nesse dia.
Há algumas décadas, um jovem engenheiro deixou a Itália rumo a Nova York, buscando uma oportunidade nos estúdios de Manhattan. Hoje, Marc Urselli é um respeitado produtor, engenheiro de gravação e técnico de som ao vivo. Ele trabalha no EastSide Sound, em Nova York, como Engenheiro Chefe de Estúdio e já realizou gravações com artistas tão diversos quanto U2, Esperanza Spalding, John Zorn, Laurie Anderson, Lou Reed e Foo Fighters, além de ter trabalhado extensivamente com Hal Willner antes de seu falecimento
Ele conta:

"Hal era muito amigo dos caras do U2. Já fazia um bom tempo. Hal considerava o álbum 'Angelheaded Hipster: The Songs Of Marc Bolan And T. Rex Tribute' como seu 'White Album', então, quando ele e eu começamos a trabalhar nesse álbum, naturalmente Hal perguntou ao U2 se eles gostariam de gravar uma música. Bono mandou para Hal um vídeo gravado com o iPhone dele cantando "Bang A Gong (Get It On)", então isso significava que eles topavam. Daquele ponto até a agenda do U2 ficar livre para a gravação, passou-se mais um ano. Eles tinham nos avisado que seria em cima da hora durante a turnê de aniversário de 'The Joshua Tree', e um dia recebemos uma ligação dizendo que teriam uma tarde livre para nós dali a dois dias, durante um dia de folga em Nova Orleans. Tínhamos menos de 48 horas para reservar voos, hotéis, um estúdio e músicos. Hal queria adicionar uma seção de metais, já que estávamos gravando em Nova Orleans, então também precisávamos de um arranjador para escrever as partituras para metais. Hal havia produzido o álbum 'Horses And High Heels' de Marianne Faithfull no Piety Street Recording anos antes, e eu também conhecia aquele estúdio, mas ele havia sido vendido para um proprietário particular. Eu tive que convencer o novo dono a nos deixar ocupar o estúdio por um dia. Cheguei às 9:00 para avaliar a situação. A sala de gravação era basicamente uma sala de estar com vários sofás e muitos equipamentos estavam faltando na sala de controle. O console SSL ainda estava lá, mas eu trouxe muitos dos meus próprios microfones de Nova York e conseguimos alguns aqui na região. Eles ainda tinham os conversores BURL, mas só tinham 24 entradas, o que se mostrou um desafio, mas eu tinha que dar um jeito. Comecei a esvaziar a sala de gravação de todos os sofás e a braço direito/empresária de Hal, Rachel Fox, cuidou de tudo que era necessário para a chegada do U2 (segurança, catering, gerentes, assistentes etc.). Dois técnicos do U2 trouxeram a bateria e os amplificadores e os montaram na sala de gravação ao vivo. Eu microfonei tudo e coloquei os metais na cabine de bateria do estúdio. Gravei os sons de bateria, baixo e guitarra com os técnicos. Estávamos prontos às 16:00, então ensaiei a seção de metais com a gravação original do T. Rex. O U2 chegou por volta das 18:00 e fizemos alguns takes, todos ao vivo, tocando juntos com os metais e com o The Edge tocando na sala de controle ao lado. Bono tinha dito a Hal que queria gravar com dois microfones, e eu tinha ouvido um boato de que Bono gosta de gravar com um Shure SM58 na sala de controle. Montei um SM58 perto do sofá e um Neumann, um Shure SM7 e meu JZ Black Hole BH2 em uma cabine vocal ao lado da sala de controle. Como eu só tinha 24 entradas, preparei um patch para usar com dois dos quatro microfones, para economizar canais. Hal ficou muito orgulhoso por eu ter conseguido colocar o Bono na cabine vocal. Ele sempre dizia: "Marc conseguiu colocar o Bono numa cabine. O Bono nunca faz isso". A seção de metais estava incrível; o Trombone Shorty apareceu e fez um solo – provavelmente a primeira vez que o U2 teve um solo de trombone em alguma música deles. Ainda sob o efeito da euforia de um dia longo e ótimo, no hotel naquela mesma noite – a pedido de Hal – fiz uma mixagem digital para enviar ao Bono, e eles gostaram. Depois, voamos para a França para gravar o Elton John tocando piano e improvisando na mesma faixa, o que foi uma experiência surreal. Estar na mesma sala com Hal, o U2 e o Elton foi definitivamente inspirador e emocionante. Todos eram muito simpáticos e tranquilos, e todos se admiravam muito. As histórias do almoço naquele dia foram incríveis! Toda a experiência foi surreal, e dirigir pelo sul da França com Hal ainda é uma das minhas melhores lembranças".
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