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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Os casos de pedofilia na Igreja Católica Irlandesa, que levaram à letra de “Sleep Like a Baby Tonight”

No encarte do novo disco do U2, 'Songs Of Innocence', Bono diz: "Os sonhos nem sempre são lugares seguros, nem são lugares considerados seguros. Alguns podem viver com a crueldade e o abuso. Alguns conseguem ... quando os filhos de qualquer Igreja não são servidos, mas em vez disso são escravizados por um abuso de poder, extraordinários atos de expiação são necessários para pôr as coisas em conjunto ...
A honestidade é apenas o ponto de partida ... segredos podem fazer você ficar doente. A Irlanda na década de 70 foi uma das piores."
“Sleep Like a Baby Tonight” do novo disco, é sobre um padre pedófilo (que na canção acorda pela manhã e tranquilamente faz sua refeição), e reflete a realidade brutal da Irlanda que a banda conheceu quando garotos.
Larry Mullen aprendeu a tocar bateria como parte de uma banda de música tradicional e recorda o fracasso dos adultos ao perguntar por que um dos outros garotos músicos, uma vítima de abuso sexual, havia se tornado tão traumatizado ao falar disso.
Na capa do álbum, Larry aparece abraçado ao seu filho Aaron. A cruz no pescoço do filho de Larry tem um destaque muito deliberado na foto. É uma homenagem à fundação cristã do U2 e inclinações religiosas, mas é também uma representação iconográfica de uma religião que está sob ataque, especialmente dentro dela, com ilícitos e terríveis atos de pedofilia e a intolerância cometidos pelos líderes da igreja.
E a Igreja tenta bancar a inocente, apesar de não só saber, mas encobrir esses atos. Uma leitura "inocente" permite que a cruz simbolize a fundação cristã para este relacionamento amoroso entre um adolescente emergente e seu pai que tenta guiá-lo espiritualmente e protegê-lo. Mas a Cruz também poderia ser vista pairando sobre a cena com o tom sinistro e o tema explorado em “Sleep Like a Baby Tonight”.
No dia que o álbum foi lançado, a Rolling Stone publicou um faixa a faixa do disco em seu site, e disse que a canção era sobre um homem infeliz, possivelmente Bob Hewson, pai de Bono. Mas a revista não tinha conhecimento ali sobre do que realmente era a letra.

A dimensão dos abusos reconhecidos por diferentes inquéritos é tão grande no país que houve quem os descrevesse como “o holocausto da Irlanda” – estimativas independentes apontam para mais de dez mil crianças violentadas ao longo de 70 anos.
As primeiras denúncias surgiram na década de 1990, mas foi preciso esperar pelo estalar do escândalo nos EUA e por várias investigações jornalísticas para que a Irlanda – país que tem o catolicismo inscrito na sua Constituição – finalmente acordasse para o terror vivido durante décadas por milhares de crianças. O terror de violações cometidas por padres que a sociedade via como guardiões da moral, mas também da violência a que foram sujeitas as crianças entregues pelo Estado à guarda de instituições católicas.
Em 2009, um relatório encomendado pelo Governo concluiu que os menores eram tratados “mais como prisioneiros e escravos” do que seres humanos, a quem eram impostos castigos rotineiros que podiam passar por espancamentos, abusos sexuais e outras formas de humilhação.
Meses depois, um outro inquérito revelou que durante quatro décadas a Diocese de Dublin ignorou todas as denúncias de pedofilia no seio do clero, protegeu os padres mudando-os de paróquia e impôs o silêncio às vítimas.
Já em 2010, o arcebispo Sean Brady, principal dirigente da Igreja Católica na Irlanda, foi acusado de, décadas antes, ter participado no silenciamento das suspeitas que recaíam sobre um padre pedófilo, o que lhe permitiu continuar os abusos. O escândalo levou o Papa Bento XVI a escrever uma carta aos católicos irlandeses pedindo perdão pelos abusos.

Agradecimento: www.publico.pt - www.bethandbono.com
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