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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A entrevista do U2 para a Rádio Comercial de Portugal - Parte 2

À serviço da Rádio Comercial de Portugal, Pedro Ribeiro se encontrou há alguns dias com o U2, nos estúdios Metropolis, em Londres, para falar sobre 'Songs Of Innocence', o novo disco da banda.

O site Cotonete disponibilizou a entrevista em duas partes, e aqui no blog você confere as melhores partes:

Cá entre nós, há alguma canção antiga que vocês desejam tocar hoje em dia?

Adam Clayton - Passamos sempre por fases em que concordamos dar um descanso a esta ou aquela canção. Reparei que "Bullet the Blue Sky" já não faz parte do nosso set há uns bons anos. Chegou a hora de mudarmos isso.

Mas há algumas que vocês não podem parar de tocar?

Adam Clayton - Sim. Estou pensando em "Where The Streets Have No Name", que desde que começamos a tocá-la regularmente, nunca mais saiu do nosso setlist. É uma daquelas canções que é muito difícil não tocar. Há algumas que deixamos de lado e que mais tarde voltamos com elas, como "I Still Haven't Found What I'm Looking For", que foi o nosso segundo grande êxito na América do Norte, e são sempre difíceis de não tocar. Por alguma razão, são grandes canções e amamos elas tanto como qualquer outra pessoa.

Costumam ouvir de tempos em tempos discos antigos da banda, como, por exemplo, 'The Unforgettable Fire' [de 1984]? O que vem em mente quando os ouvem?

The Edge - Temos ouvido de vez em quando. Fico sempre impressionado pelo quão inovadores os discos ainda são porque não soam a nada da sua fase. Às vezes ouço coisas que podiam ter sido melhoradas mas, geralmente, fico bastante satisfeito. Mesmo álbum mais difíceis como o 'POP' [de 1997] e o 'No Line On The Horizon' têm faixas que me deixam entusiasmado. Podem não ser canções clássicas e provavelmente não as tocaremos mais, mas outro dia ouvi "The Playboy Mansion" do 'POP' e achei que estava ali uma grande música. Ou "Moment of Surrender" do 'No Line On The Horizon, que grande canção!

Um ouvinte sugeriu-me esta pergunta: têm algum guilty pleasure [prazer culposo]?

The Edge - Gosto muito de eletrônico, como os M83, que são completamente club music.

Adam Clayton - Talvez o disco sound dos anos 70, que odiava quando ouvíamos punk naquela época, e que não compreendia. Mas hoje até gosto, como os Bee Gees, The Gap Band, aquelas música alegres que nos coloca para cima.

Larry Mullen Jnr. - Não há nenhum prazer que me envergonhe. Quando estava crescendo e ainda não podia comprar os meus discos, era obrigado a ouvir lá em casa a música da minha irmã. Redescobri recentemente que esses discos ainda mexem comigo. Um que eu não compreendia era o The Wild, the Innocent e the E Street Shuffle do Bruce Springsteen [álbum de 1973]. Outro disco que não compreendia quando criança era o Pretzel Logic dos Steely Dan [de 1974]. Quando ouço as canções desse disco, percebo que não têm a ver com a minha formação, mas, pô, eram grandes temas.

Bono - Na música pop, adoro os Bee Gees. Sou louco o suficiente para declarar que eles eram uns gênios. Da tragédia ao disco sound, até canções mais atrás, como Massachusetts.

Seriam capazes de tocar esses temas ao vivo? Já ouvimos vocês tocando "Dancing Queen" do ABBA.

Bono - Tenho alguns guilty pleasures na música pop. Mesmo no nosso novo disco, há trechos minúsculos de temas que nos marcaram no nosso crescimento, que podem ser descobertos, como na faixa "Iris (Hold Me Close)" que faz ligação a uma canção que eu ouvia quando eu tinha 14 anos, "Hold Me Close" do David Essex, que foi número 1 nas paradas.
Adoro essa canção mas não a teria levado para a cozinha do Larry para o nosso primeiro ensaio.

Larry Mullen Jnr. - Também não teria sido capaz de levar nenhum tema dos Steely Dan.

Fizemos um top 20 das malhores canções do U2 na Rádio Comercial. A mais votada foi "One", a segunda mais votada "With or Without You", mas a terceira não adivinha... É a faixa "Numb". Edge, quando vai voltar a cantar essa música? Será que te deixam fazer isso?

The Edge - Adoro cantar e acho que faço isso bem em algumas músicas. Mas a razão porque não canto mais é porque temos um grande cantor na banda [risos]. Às vezes estou cantando no estúdio uma música quando estou trabalhando num esboço de uma melodia, mas assim que o Bono começa a cantar, é completamente diferente. É muito difícil para mim competir com ele.

Que músico gostariam de ver fazer uma versão de uma canção do U2? E que canção seria essa?

Adam Clayton - Penso que uma versão de "Sunday Bloody Sunday" pelo Bob Marley teria sido muito interessante.

The Edge - Há tantos cantores bons. O Sam Smith, que esteve agora no programa do Jools Holland, é um cantor soul tão bom. Adoraria vê-lo a cantar uma canção do U2. Ou o John Newman, outro grande cantor de soul. "With Or Without You" seria uma boa canção para isso.

Tiveram de deixar de fora canções neste álbum?

Adam Clayton - Deixamos algumas fora, sim.

Alguma vez já reconheceram: talvez aquela canção seja boa, vamos voltar nela outra vez?

Adam Clayton - Elas vão para uma concha. E às vezes abrimos essa concha. Uma ideia que não é boa nesta semana, pode ser útil duas semanas depois.

The Edge - Um exemplo disso neste disco é "Sleep Like a Baby Tonight" que começou a ser trabalhada há alguns anos mas que nunca passou da fase da demo. Era uma demo muito promissora. Sabíamos que era uma canção em que iríamos voltar. Tocamos a demo para o Danger Mouse que disse logo: "uau, ótimo, vamos trabalhar nesta canção". E mesmo assim, em todo o processo de gravação do álbum, gastamos no máximo cinco ou seis dias com a canção e não deixa de ser uma das mais fortes do disco. Há poucas coisas à se lembrar: uma grande canção transcende sempre várias eras de novas músicas e de novos gêneros. Se for bem feita, a canção será à prova de balas. Foi com o que nos preocupamos nestes últimos anos: as canções.
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