Após anos de colaboração em filmes, trilhas sonoras e EPs, o diretor Jim Jarmusch e o produtor Carter Logan lançaram seu álbum de estreia em 2023 como a dupla de rock experimental SQÜRL. Eles conversaram com o site Loud And Quiet, e ao serem questionados o por que estavam entediados com o auto-tune, a dupla respondeu:
Jim Jarmusch: Não sei, simplesmente nos cansamos da tecnologia.
Carter Logan: Por mais que a repetição seja essencial em todas as formas de música, o que nos encanta são as variações nessas repetições, de modo que nada seja exatamente igual a cada vez. Não vamos simplesmente copiar e colar um refrão ou mesmo um loop; manipulamos e influenciamos o loop do começo ao fim.
Jim Jarmusch: Adoro música eletrônica e sua história, mas também adoro música gerada por computador quando é um experimento. Um amigo nosso é fotógrafo; ele trabalhou alguns anos atrás operando os telões do show do U2 e nos contou que, como tudo é sincronizado, eles tocam com um metrônomo, nunca tocando nada de uma forma diferente. Quase caí para trás – meu Deus, isso não é rock and roll! Ficamos horrorizados. Sabemos que as grandes bandas fazem esse tipo de coisa, mas vamos lá! Foi profundamente ofensivo, musicalmente.
Carter Logan: A ideia de que The Edge, que pode ser um guitarrista incrivelmente expressivo, tocasse exatamente o mesmo solo, no mesmo horário, todas as noites é bastante triste.
Jim Jarmusch: É patético!
Carter Logan: Nós preferimos a filosofia de Frank Zappa. É com esse espírito que abordamos a música. Não é algo rígido, pode crescer e se transformar como forma. Tentar replicá-la exatamente da mesma maneira, buscando a versão perfeita, usando auto-tune, por exemplo, simplesmente não nos interessa.
Jim Jarmusch: Quando mostrei as primeiras faixas de guitarra para o Randall, ele dizia: "Gostei dessa linha de guitarra, talvez devêssemos regravá-la". E eu respondia: "Meu Deus, eu não fazia ideia do que estava tocando naquela época". Então, algumas semanas depois de o Randall ter trabalhado nelas, ele me disse que não havia necessidade de regravar nada, que estavam perfeitas como estavam. Ele havia incorporado os aspectos imperfeitos das faixas à música, o que foi muito revelador como uma espécie de expressão artística – quase como um pintor que aprecia a textura e a imperfeição.
