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sábado, 13 de maio de 2017

Você planta uma semente do demônio, você cria uma flor de fogo: um olhar para a noite de abertura da 'The Joshua Tree Tour 2017' do U2


A relação de amor e ódio do U2 com os Estados Unidos foi a semente do demônio que deu origem à sua flor ardente, 'The Joshua Tree', um dos melhores álbuns da década de 80. A fúria sobre a política externa dos EUA sob Ronald Reagan e a intoxicação com música de raízes americanas são o coração e a alma desse disco de 1987. 'The Joshua Tree' era uma ode e um argumento, e ele atirou a banda para a estratosfera.
30 anos depois, o tema no palco da América como vilã do cenário mundial permanece estranhamente relevante – e foi parte da narrativa no lançamento da turnê de 30° aniversário de 'The Joshua Tree' em Vancouver nesta sexta à noite.
"Envie uma mensagem do Canadá para os Estados Unidos," Bono gritou para a multidão, antes de liderá-la em um coro de "poder do povo; muito mais forte do que as pessoas no poder."
Em um ponto (na abertura de "Exit"), foi exibido trechos de um filme em preto e branco de um episódio de TV antigo de western, chamado 'Trackdown', em que um vigarista chamado Trump chega à cidade para alertar os cidadãos para se protegerem contra o fim do mundo, através da construção de um muro.

"És um mentiroso, Trump," responde o herói. (O episódio de 1958 se chama 'End Of The World').



Bono, com seu chapéu de pastor, também pregou: "Numa democracia, o governo deve temer os cidadãos, não o contrário."
E, durante uma empolgante "Pride (In the Name of Love)", o discurso de Martin Luther King 'I Have A Dream' foi reproduzido na tela atrás da banda, e Bono falou sobre a "magnífica cidade de Vancouver" e como o sonho do Dr. King "é muito vivo" aqui. "Enquanto outros fecharam suas portas, a sua está aberta!"
Com a multidão cantando o coro "oh-oh-oh-oh" junto, Bono implorou: "Dr. King, em uma época de terror, nos mantenha tolerantes. Em um momento de medo, nos mantenha fiéis."
Às vezes o comentário anti-Donald Trump foi mais sutil (se pode se usar essa palavra para descrever tudo o que Bono faz). Em homenagem às mulheres em "UltraViolet (Light My Way)", os rostos de mulheres notáveis brilhavam atrás da banda – incluindo Malala Yousafzai, Rosa Parks, mas também Oprah Winfrey e Lena Dunham, bem como as canadenses Joni Mitchell e K.D. Lang. Bono dedicou a canção para "nossas mães, nossas filhas, as mulheres na nossa equipe", mas também mulheres "que resistiram e insistiram e persistiram" – uma aparente referência a um grande inimigo de Trump, a Senadora dos EUA, Elizabeth Warren. "Vocês iluminam o caminho."
Foi fácil ler um comentário sobre os acontecimentos atuais na fúria absoluta de Bono, quando ele gritou "Estou tão cansado disto!", no deslumbrante início da noite, com "Sunday Bloody Sunday".
O set do U2 começou com uma nota alta - aquele hino anti-guerra que foi seguido de outra faixa do mesmo álbum, 'War'. Enquanto a banda rugia em "New Year's Day", Bono tirava um momento para contemplar a multidão, olhando ao redor e para cima no estádio lotado, como se fosse para se lembrar - "sim, nós ainda estamos aqui, nós ainda estamos fazendo isso, nós ainda respiramos".
"Então, aqui estamos novamente nesta cidade que amamos, Vancouver", Bono falou depois das duas primeiras canções. "Estamos tentando encontrar um pouco de magia neste templo de concreto, onde nos sentimos estranhamente em casa", ele disse (a banda ensaiou por dias no BC Place), e então tocaram "A Sort Of Homecoming".
Logo, 'The Joshua Tree'. Nunca tendo ouvido uma banda tocar seu álbum clássico do começo ao fim, você imagina que será uma experiência alucinante e fantástica, onde você é transportado de volta para seu quarto de adolescente com aquele álbum girando na vitrola – mas desta vez a banda estava lá, tocando aquele disco para você.
Foi maravilhoso – mas também você perde aquela sensação de não saber o que está por vir, aquela emoção em ouvir as notas de abertura da próxima canção enquanto você grita de aprovação no momento do reconhecimento.
"Trinta anos e eu ainda não consigo tocar gaita", Bono riu quando tocou em "Trip Through Your Wires". "Larry, ajude-me aqui".
Cada faixa foi acompanhada por um filme, mostrando as paisagens e pessoas que inspiraram o álbum e divagando sobre os temas das canções. O diretor Anton Corbijn – que havia levado a banda há tantos anos atrás para o deserto da Califórnia para uma filmagem notoriamente extenuante para 'The Joshua Tree'– criou imagens lindas e emocionantes para cada faixa. Tudo começou com uma movimentação imersiva através do deserto para "Where The Streets Have No Name". (As pessoas de aparência exausta que caminhavam ao lado da estrada chamavam a atenção para os problemas atuais da administração americana com os mexicanos).
Os filmes muitas vezes se agarram em um poema lírico ou um tema – uma lua vermelha para "One Tree Hill"; a palavra "amor" soletrada nas articulações dos dedos de alguém em "Exit"; uma mulher com um biquíni de listras com estrelas e um laço em "Trip Through Your Wires"; uma fila de mulheres segurando velas, emergindo de uma névoa azul para "Mothers Of The Disappeared".
"Obrigado por escutarem nosso novo LP", Bono brincou após a canção que fecha o disco. "Trinta anos de idade".
A banda voltou para mais hits dos anos 90. Em seguida, com uma bandeira canadense enrolada em seu stand de microfone, Bono cantou "Miss Sarajevo". Atrás dele, o filme da noite: uma garota Síria que sonha em se tornar uma advogada fala ao público, de um enorme campo de refugiados de Zaatari na Jordânia. "Miss Sarajevo" tornou-se Miss Aleppo, e foi devastadora e bonita.
O show terminou com a estreia de uma nova música.
Foi um show magnífico, como sempre é com o U2.
"Foi tudo bem?", Bono perguntou no fim da noite.

Foi.

Agradecimento: The Globe And Mail
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