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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Quando Bono e The Edge ajudaram a carregar os equipamentos do The Alarm que estavam atrasados para a abertura do show do U2


Entre 1981 e 1987, a banda The Alarm foi responsável por abrir 33 shows do U2. Eles conviveram com Bono, Edge, Adam e Larry na estrada antes do megaestrelato, e testemunharam uma série de momentos importantes na decolagem do grupo irlandês. Dos anos de convivência, o vocalista do The Alarm, Mike Peters, reúne boas histórias.
Foi com o U2 que o The Alarm excursionou pelos EUA pela primeira vez. O show de estreia aconteceria em São Francisco e o The Alarm chegou atrasado. Mas foi por um problema no voo. Bono e The Edge os viram chegar, procurando fôlego, ao local do show, e fizeram questão de ajudar a carregar os equipamentos.
"Eu me dei bem com o Bono logo de cara. Eu estava tocando violão durante a passagem de som e ele veio puxar assunto. Eu percebi que, naquela época, ele não sabia tocar direito, então o ajudei com alguns acordes", conta Mike. "Na verdade, nenhum deles sabia tocar algo fora do repertório do U2, nem mesmo The Edge. Ele não sabia coisas básicas que professores ensinam. Mas pegava o instrumento e tocava algo que soava bem. Era assim que ele tocava e o porquê dele ser um instrumentista tão original".

The Edge conta como foi trabalhar com cinco produtores diferentes em 'Songs Of Innocence' e qual foi sua reação com a negatividade devido ao lançamento do álbum pela Apple


O disco 'Songs Of Innocence' do U2, lançado em 2014, é o primeiro da banda com cinco produtores creditados: Danger Mouse, Paul Epworth, Ryan Tedder, Declan Gaffney e Flood. 
Edge conta como foi trabalhar com tantas pessoas diferentes: "Todos eles trouxeram contribuições muito importantes. Nunca tivemos todos na sala ao mesmo tempo. 
Brian Burton [Danger Mouse] esteve lá quando Flood estava trabalhando conosco, brevemente. Além disso, todos trabalharam conosco separadamente. 
Terminamos o álbum por conta própria, em Malibu. O último mês foi com Dec [Declan Gaffney]. E, claro, quando digo que todos os produtores não se encontraram, o único denominador comum para o álbum foi Declan Gaffney, que foi nosso incrivelmente paciente engenheiro-chefe e co-produtor. Dec esteve lá com todo mundo e ele finalizou o álbum conosco".
Edge ficou surpreso com a reação adversa devido ao lançamento da Apple? "Isso me pegou um pouco de surpresa. Eu tinha certas reservas sobre a ideia toda, mas não era nessa base. Minha preocupação geral era: isso iria desviar a atenção da qualidade das próprias canções? A negatividade foi inesperada. Porque eu pensei: 'Esta é uma proposta extremamente generosa em nosso nome, em nome de nossa gravadora e em nome da Apple', e é uma recompensa para as pessoas que acho que podemos dizer com segurança que estão pagando pela música, porque têm uma conta no iTunes. Eu pensei nisso como uma coisa muito legal de se fazer. Acho que, olhando para trás, isso meio que vem com o território. Somos, neste momento, uma das maiores bandas do mundo. Já estamos há muito tempo por aí. As pessoas vão atirar em alguém e é mais do que provável que seremos nós, então acho que não deveria ter ficado tão surpreso.
A ideia de que nós recebemos 100 milhões de dólares para isso... só precisa parar e pensar por um segundo para entender o quanto ridícula é a ideia.
O problema agora é que a percepção é realidade. Com todo o devido respeito à maravilhosa instituição do jornalismo, agora muitos jornalistas são mal pagos, estão sobrecarregados de trabalho e ninguém mais verifica os fatos. Eles apenas atiram e uma vez que está lá fora..."

terça-feira, 27 de outubro de 2020

U2 relança "Stuck In A Moment You Can't Get Out Of" (Eze Version) remasterizado em HD


O relançamento do canal oficial do U2 no YouTube terá lançamentos semanais dos videoclipes mais icônicos da banda e conteúdo nunca antes visto no YouTube, todos remasterizados na mais alta qualidade. 
A primeira fase comemora o 20º aniversário de 'All That You Can't Leave Behind', e a banda relançou "Stuck In A Moment You Can't Get Out Of" (Eze Version).
As filmagens da banda trabalhando com Anton Corbijn em sessões de fotos em Eze, França, são intercaladas com a gravação de "Stuck In A Moment You Can't Get Out Of" no estúdio em Hanover Quay em Dublin.

Segundo o vocalista do The Fall, se Jesus tivesse assistido ao U2 teria ficado bravo e jogado garrafas


Mark E. Smith foi um cantor britânico, único integrante que constou em todas as formações da banda The Fall, ícone do punk rock da cidade de Manchester.
The Fall foi uma das mais importantes e prolíficas banda do pós-punk (foram 32 álbuns de estúdio em 40 anos de carreira).
Mark E Smith morreu aos 60 anos em 2018.
The Fall foi banda de abertura do U2 em Leeds em 1987. Mark E Smith afirmou em entrevista que os fãs do U2 jogaram bíblias para eles no palco. 
Ele disse algumas coisas bastante desagradáveis sobre Bono ao longo dos anos, e teceu críticas ao Live Aid.
Gavin Friday, amigo de infância de Bono, comentou: "O que Bono e Mark E. têm em comum ... bem, os dois são o que eu chamaria de 'Juiz e Júri'. Não há muita coisa que atrapalhe as visões desses homens. Fora isso, nada em comum. Eu nunca ouvi isso sobre as bíblias no palco, mas teria adorado ter visto".
Mark E Smith deu a declaração na NME em 1993: "Se Jesus tivesse visto o U2 teria ficado muito bravo mesmo, Jesus jogaria garrafas no U2. Nós fomos banda de apoio do U2 uma vez, em Elland Road, e as pessoas gritavam 'Satanistas! Satanistas!', jogando bíblias e cruzes em nós". 
Smith disse em 1983 que, por meio de seu trabalho, ele estava "procurando a palavra ou frase certa que causaria um arrepio na espinha". Esse desejo foi traduzido em realidade muitas vezes ao longo do repertório da banda, que muitas vezes conjurou fantasmas e ghouls e onde bruxaria e possessão demoníaca eram temas recorrentes - desde o início de sua carreira em 'Live At The Witch Trials', incluindo faixas como "Lucifer Over Lancashire", que indiscutivelmente acena com os julgamentos de bruxas de Pendle do século 17.

Adam Clayton: "Sinto falta daquele mundo simples que eu tinha nos meus 20 e 30 anos"


Adam Clayton foi entrevistado após o lançamento de 'Songs Of Innocence' em 2014. Adam Clayton lia uma biografia de Gore Vidal. "Eu estava na parte em que ele estava pensando em se mudar para a Irlanda para fins fiscais", riu.
O baixista de cabelos brancos é um indivíduo encantadoramente amigável, carinhosamente tímido e vagamente aristocrático. Sua grande aliança é do casamento com a modelo brasileira Mariana de Carvalho.
"O surpreendente é que, de muitas maneiras, isso não mudou minha vida. É apenas algo muito mais resolvido. A Mariana é muito independente e ela segue com as coisas dela. Ela está muito ocupada, ela viaja muito. Realmente não parece que estou casado, mas é bom".
Sobre o método de trabalho do U2, ele contou: "Cara ... são 37 anos. É muito tempo! Eu não acho que mudaram muito. Ainda seguimos a liderança da música, continuamos perseguindo a música, ainda improvisamos a música ... e então, eventualmente, quando tivermos a música resolvida para que as emoções ou a ideia estejam certas, então a letra completa isso. Infelizmente, por causa do jeito que somos, pode haver cinco, seis, sete rascunhos das letras antes de você chegar às coisas boas. Rock 'n' roll é uma banda muito estreita, na verdade. Você tem que se preocupar e se identificar. Não se trata de poesia. É sobre uma conexão visceral. Às vezes é difícil chegar a essas coisas".
Sexo, drogas, bebida, rock 'n' roll? "Todos esses clichês existem. A única coisa que quase aconteceu comigo é: você pode morrer jovem. É um meio muito jovem e muito se concentra nestas atividades jovens. É difícil crescer nele, mas as pessoas crescem. As pessoas o estendem como uma forma de arte. Lou Reed fez e Leonard Cohen ... então é meio válido se você puder permanecer verdadeiro consigo mesmo e falar sobre onde está, e acho que conseguimos fazer isso. Sinto falta daquele mundo simples que eu tinha nos meus 20 e 30 anos, quando você ia de show em show e de festa em festa e tudo era um pouco engraçado. Mas tudo muda e você não pode fazer isso na casa dos 50".
Adam Clayton foi um dos membros mais proativos da banda nos primeiros dias. Certa vez, ele ligou para Phil Lynott às 07:30 da manhã para pedir conselhos. "Cara! Nossa! É um pouco diferente agora. Conhecemos tantos artistas por aí, então é muito confortável ir a qualquer lugar. Fazer Jools Holland outro dia foi tão confortável. Temos uma longa estrada com Jools e eles nos deram muitos shows no início. Há muita água debaixo da ponte".
Nervosismo antes dos shows? "Eu definitivamente fico nervoso. Demora um pouco, preciso de alguns shows antes de perder isso. O que exige uma mudança é aprender a se perder totalmente nisso. Depois de fazer trezentos ou quatrocentos shows, você entra nele instantaneamente. Mas eu tenho vivido a vida de um cara de 50 anos nos últimos quatro anos!"

Ex funcionário da MTV Brasil relembra o dia em que trabalhou na transmissão do show do U2 da Popmart Tour


Paulo Marchetti travalhou na MTV Brasil por sete anos, onde começou com direção artística e criação de programas. Teleguiado, Fúria, Free Jazz, Ultrasom, Monsters Of Rock, Supernova, Central foram alguns dos programas dos quais trabalhou durante seus anos na emissora.
Ele conta

"O tão sonhado show do U2 no Brasil finalmente iria acontecer, e para a alegria do departamento de produção da MTV Brasil, iríamos trabalhar ao vivo no Morumbi entrando com flashes ao vivo durante a programação o dia inteiro até o início do show. Além, é claro, de transmiti-lo.
Era sempre uma turma muito grande que trabalhava nessas transmissões e mesmo concentrados em nossas funções, nos divertíamos pacas. Esses trabalhos sempre nos consumiam 12, 15 e até 24 horas! Mas era puro prazer. Infelizmente não recordo quem mais estava envolvido nessa transmissão, mas fato é que eu e a Soninha ficamos na pista, em um lugar cercado e protegido. No meio da pista e em frente ao palco. Chorei. 
Como sempre fazia, levei o que pude de material sobre a banda, pois seriam muitas entradas, do início da tarde até mais ou menos 21h30. Numa transmissão assim você não deve achar que terá assunto para todas as entradas. Então VTs e textos são preparados para qualquer emergência.
Lembro que não houve qualquer erro técnico ou humano durante os flashes, tanto Soninha, quanto outros VJs mandaram bem. Deu tudo certo e foi tudo conforme o previsto.
O show aconteceu em 31 de janeiro de 1998, exatamente 11 anos depois do primeiro show do Ramones aqui no Brasil (no Palace). Um dia de muuuuito sol, céu aberto e sem nuvens. O portão para o público entrar deve ter sido aberto lá pelas 14h e quem não levou chapéu ou boné se deu muito mal. A equipe que estava comigo e Soninha, tinha um operador de câmera, um assistente, um operador de áudio, uma produtora e seguranças. Tínhamos um toldo para nós, um isopor com água e refrigerante, e lanche tipo sanduíche frio. Era um oásis no meio do deserto.
Os flashes que fazíamos eram notícias do show, serviços, curiosidades biográficas da banda, algumas pequenas entrevistas. De vez em quando chamávamos alguma matéria de arquivo, clipe, mas era basicamente flashes normais que costumamos ver nesse tipo de transmissão.
Gosto muito de Gabriel O Pensador, mas foi péssima a idéia de colocá-lo para abrir o U2. O show não foi bom, e o público também não gostou. Mesmo nos hits não houve empolgação. Além do som estar meia bomba (é sempre assim), o sol de rachar o coco não aliviava pra ninguém, e não ajudou nem um pouco na hora do show – até a banda estava com sol na cabeça. Na minha humilde opinião, shows muito esperados pelo público não deveriam ter artistas de abertura.
Alivio geral quando o sol saiu fora.
Apesar de ter sido cansativo, foi um privilégio que tivemos estar na pista, perto do palco, em frente a ele e em uma área livre e cercada. Era uma mini área vip para umas 10 pessoas. O show foi impecável. O palco uma monstruosidade, ainda mais visto de tão perto. O mais legal era que, apesar de ser tudo épico, eram apenas quatro caras tocando um roque do bão.
Lembro que pra ir embora a van levou quase uma hora para andar poucos metros, para sair de perto do Morumbi".

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

The Edge sobre blogs: "Acho que podem ser ótimos, mas a maioria é totalmente lixo"


No mês que o U2 iniciaria sua turnê 360° em 2009, o mundo da música sofreu a perda de Michael Jackson.
Falando de Jackson e sua morte, The Edge na Hot Press: "Eu o conheci há muito, muito tempo. Não passei muito tempo com ele, mas ele parecia um tipo de cara bem normal naquela época. 
Mas quem sabe? Pode ser que sejam problemas pessoais relacionados ao abuso de substâncias. Mas ele parecia ter muita estranheza acontecendo ali. Eu não gostaria de julgar o cara, não sei o suficiente sobre a situação dele, mas parece, como um observador casual, que ele tinha problemas enormes e sua vida pessoal estava um pouco bagunçada, o que é realmente uma pena".
Respondendo à controvérsia sobre o nível de energia que a turnê mundial do U2 iria consumir, The Edge disse: "Não há dúvida de que é substancial, e seríamos os primeiros a admitir isso. Estamos procurando maneiras de atenuar isso, mas não há como fugir do fato de que, da perspectiva do carbono, é uma coisa cara. Certas coisas não podem, em última análise, ser neutras em carbono". 
Argumentando que as turnês de rock são alvos fáceis, ele acrescentou: "Eu diria que a maior parte do carbono produzido em uma turnê são, na verdade, pessoas indo aos shows, e então você está em todos os tipos de perguntas. Cada peça de entretenimento ou cultura cria carbono porque as pessoas precisam viajar para vê-lo, então onde você traça o limite?"
Sobre as críticas ao U2 na Irlanda, ele disse: "Acho que às vezes passamos por momentos difíceis, mas não tenho certeza se diria que é irracional. Acho que às vezes é perfeitamente justo, e eu diria que provavelmente é principalmente um questão de escala ... Acho que no ano passado as pessoas estavam muito mal-humoradas na Irlanda, especialmente na mídia, mas tem havido muitas más notícias, então você realmente não precisa ser um gênio para descobrir por quê".
Questionado sobre sua opinião sobre blogs, The Edge respondeu: "Acho que podem ser ótimos, mas a maioria é totalmente lixo, e esse é o tipo de problema com o fato de que qualquer pessoa pode publicar seus pensamentos, ideias e sentimentos. Muito honestamente, a maioria das pessoas não deveriam se preocupar! Então, eu diria que existem algumas joias, existem algumas coisas boas por aí, mas é difícil de encontrar!"

Larry Mullen: "No final, suas músicas definem você. Você coloca o U2 em uma sala e nós inventamos todo tipo de merda"


Larry Mullen no lançamento de 'Songs Of Innocence' do U2:

"No final das contas, o que importa é a confiança nas músicas. Discutimos sobre o jeito que queremos fazer. Falamos bem antes sobre isso. É essencial. Se você quiser fazer isso neste nível, quando você faz as entrevistas, quando você sai em turnês promocionais e quando você faz os shows, essas coisas vão te sustentar e te definir. 
No final, suas músicas definem você. Temos uma grande experimentação. Nós conseguimos. Provavelmente somos uma das grandes bandas para experimentação. Você coloca o U2 em uma sala e nós inventamos todo tipo de merda. Quando se trata de composição, é um pouco mais complicado para nós. E quando você vai para a Alemanha, França, Bélgica, quando está falando sobre pessoas de todo o mundo, a primeira coisa que eles querem saber é ... "Como você fez isso? E quanto às músicas? E as músicas?'. Podemos tocar essa merda de cima para baixo, de trás para a frente. Esse é o nosso cartão de visita. Isso é o que é tão bom para nós.
Estou aliviado. Estou muito orgulhoso neste estágio de nossa carreira e de nossas vidas por termos decifrado parte do código e que há mais para fazermos. Isso significa algo. É significativo".

A Mensagem: Niall Stokes fala de contraste entre U2 x Donald Trump para a Hot Press


Niall Stokes, para a Hot Press:

"Queria escrever sobre o U2, não Donald Trump. Afinal, acabamos de publicar uma edição especial para marcar 40 anos desde o lançamento do álbum de estreia maravilhosamente inocente e explosivamente original da banda, 'Boy'; e 20 anos desde o lançamento de seu enorme e cintilante álbum de sucesso global All That You Can't Leave Behind. 
Eu queria mesmo escrever sobre o U2. Muito do que eles conquistaram foi feito por idealismo. Ao longo destes 40 anos desde 'Boy', eles criaram uma grande arte. Eles construíram turnês que inovaram em termos de produção. Eles criaram uma iconografia maravilhosa que acaba de ser homenageada por ser usada como base para quatro novos selos irlandeses. Eles silenciosamente contribuíram enormemente para boas causas, localmente e em todo o mundo.
Bono, em particular, tem feito campanha por uma relação diferenciada e motivada pela justiça com a África. Ele tem lutado por recursos para combater a AIDS lá. Ele enfrentou políticos e se recusou a ir embora até que extraísse deles compromissos que iriam - e ofereciam - esperança de um futuro melhor para indivíduos e comunidades em todo aquele belo continente.
Aqueles de nós que conhecem o U2 desde o início puderam testemunhar algo extraordinário. O instinto que demonstraram para dar uma contribuição, para ser uma força para o bem e para a luz, para fazer do mundo um lugar melhor para todos, até onde sua influência pudesse alcançar, estava lá desde o início. O artigo de Bill Graham, de 1980, que republicamos nesta edição da Hot Press, oferece uma visão extraordinária, mesmo para quem conhece a partitura. Você pode rastrear quase tudo o que aconteceu com o U2 em seu trabalho e em sua arte, até aquele momento em que uma banda jovem e extremamente ambiciosa começou a conquistar o mundo.
Em The Graveyard Talks Back, Arundhati Roy recentemente se perguntou: se ela fosse encarcerada, sua escrita se tornaria mais livre e menos "negociada". Sua resposta é uma repreensão poderosa àqueles que reduzem a riqueza da vida a meros slogans. "Acredito que a nossa libertação está na negociação", rebate. "A esperança está nos textos que podem acomodar e manter viva nossa complexidade e nossa densidade contra o ataque das aterrorizantes simplificações do fascismo". Isso é algo que Bono, por exemplo, já entendeu há muito tempo.
Você não poderia, eu acho, encontrar um contraste maior com a ganância egoísta e o desejo pelo poder desenfreado que Donald Trump representa, do que aqueles quatro inocentes de 20 anos pensaram, sentiram e disseram em 1980. Criaturas humanas existem em uma tensão permanente entre o impulso para a liberdade e libertação e a ideologia brutal do medo, controle e exploração. A esperança agora tem que ser que possamos renovar aquele senso de idealismo que o U2 mostrou e o compromisso com os valores de apoio mútuo, respeito e solidariedade que ele sustenta. Se Donald Trump for bem derrotado e forçado a fugir da Casa Branca para sempre - ficar nos anais como um mero ponto distorcido na história - então certamente será hora de comemorar.
Se acontecer, esperamos que seja apenas o início de um processo de renovação muito mais profundo e abrangente. Nos Estados Unidos, o que é necessário é uma reinvenção completa de como funciona a democracia. Mas isso é para outro dia. Na Irlanda, temos de enfrentar não apenas o coronavírus, mas também a tendência para um tipo diferente de autoritarismo crescente que ele possibilitou. Mas, por enquanto, amigos, vamos apenas tentar respirar. Profundamente.
Uma manhã mais clara pode amanhecer em 4 de novembro. Durma, durma esta noite. E que seus sonhos sejam realizados".

Bono fala sobre as preocupações no lançamento de 'Songs Of Innocence'


Bono no lançamento de 'Songs Of Innocence' em 2014:

"Nós sabíamos que estávamos agitando o ninho de vespas ao entregar a garrafa de leite à porta de 500 milhões de pessoas. Você sabe que teria alguns problemas, mas provavelmente não conhece o nível existente. 
O que você está realmente preocupado - e era preocupação de Edge - é o solipsismo, a auto-indulgência da primeira pessoa e escrever essas histórias em particular e como os outros se relacionariam com isso? Acontece que é isso que faz a ligação. 
E a imagem, a fotografia ... a gestão, todo mundo ficou tipo, 'Ooohhh ...' Mas isso é interessante. Isso faz a conexão. 
Há lições nisso que eu nem sei quais são, ainda. Algo sobre a crueza disso, ninguém dá a mínima. Todas as bobagens que vieram por causa disso ... meus filhos, eles disseram, 'Ah sim, é só besteira da Internet'. Você já viu o site de qualquer outra pessoa? É 80% de mensagens odiosas. Todos os dias. Eu não vou lá, então eu realmente não sei, mas realmente não significa nada. Mas distraiu, por um período".

domingo, 25 de outubro de 2020

U2 compartilha mensagem em três idiomas sobre a morte do professor francês Samuel Paty por um extremista islâmico


Com uma cerimônia na Sorbonne, esta semana a França homenageou o professor de ensino médio Samuel Paty, que se tornou um símbolo da liberdade de expressão no país, depois de ser decapitado no dia 16 de outubro por um extremista islâmico por ter mostrado charges do profeta Maomé a seus alunos durante uma aula sobre liberdade de expressão. Além de sua brutalidade e motivação, o crime também chocou o país por ter atingido a educação pública, que é considerada uma das bases da República francesa.
O caixão foi carregado aos ombros por efetivos da Guarda Nacional Republicana enquanto se ouvia a música "One" do U2, a pedido da família.
O U2 agora em suas redes sociais postou uma imagem tirada das publicações do Presidente da França, Emmanuel Macron, com uma frase presente na letra de "One".
Com um texto escrito em francês, árabe e inglês originalmente pelas redes sociais de Macron, o U2 compartilhou:

Não vamos desistir, nunca.

Valorizamos a liberdade; garantimos a igualdade; vivemos em fraternidade.

Nossa história é de oposição à tirania e ao fanatismo.

Nós continuaremos.

Respeitamos todas as diferenças em um espírito de paz.
Não aceitamos discurso de ódio e defendemos um debate razoável.

Nós continuaremos.

Estaremos sempre ao lado da dignidade humana e dos valores universais.

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Rien ne nous fera reculer, jamais.

La liberté, nous la chérissons ; l’égalité, nous la garantissons ; la fraternité, nous la vivons avec intensité.

Notre histoire est celle de la lutte contre les tyrannies et les fanatismes.

Nous continuerons.

Nous respectons toutes les différences dans un esprit de paix.
Nous n'acceptons pas les discours de haine et défendons le débat raisonnable.

Nous continuerons.

Nous nous tiendrons toujours du côté de la dignité humaine et des valeurs universelles.

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We will not give in, ever.

We cherish liberty; we guarantee equality; we live in fraternity.

Our history is one of opposition to tyranny and fanaticism.

We will continue.

We respect all differences in a spirit of peace.
We do not accept hate speech and defend reasonable debate.

We will continue.

We will always be on the side of human dignity and universal values.

_______

ما من شيء يجعلنا نتراجع، أبداً.

نتعلق بالحرية، ونضمن المساواة، ونعيش الإخاء بزخم.

تاريخنا تاريخ النضال ضد كل أشكال الطغيان والتعصب.

وسنستمر.

نحترم كل أوجه الاختلاف بروح السلام.
لا نقبل خطاب الحقد وندافع عن النقاش العقلاني.

وسنستمر.

Revista Bizz: "U2 lança novo disco e estreia nova turnê no Brasil em 1997"


Revista Bizz 

Setembro de 1996

Pode começar a fazer festa. Segundo informações oficiais do U2 na Internet, o público brasileiro vai ser o primeiro a ver o novo show da banda. A turnê de 'Expect Nothing' - álbum que sai dia 14 de Outubro - começa em fevereiro na América do Sul, provavelmente no Brasil. Depois o grupo parte para Ásia, Europa e Estados Unidos. A exemplo dos Rolling Stones, o show que passa por aqui vem completinho, com tudo a que você tem direito. E Bono vai logo avisando: "A Zoo TV tour foi só o começo". A previsão de investimento da nova empreitada do U2 é de 250 milhões de dólares, muito mais do que os 100 milhões da última turnê. O disco, produzido por Flood (engenheiro de som do U2 desde 'Achtung Baby' e co-produtor de 'Zooropa') e Nellee Hopper (que produziu Madonna), já soltou seu primeiro single, "Discothèque", lançado mundialmente em 4 de setembro.

Outubro de 1996

Com tudo pronto para o lançamento do novo álbum em outubro, o U2 deu pra trás. A "sonoridade trip hop" previamente anunciada por Adam Clayton acabou assustando os próprios músicos do grupo. O DJ Howie foi chamado ao estúdio para ajudar os bravos irlandeses a desarmarem a sipituca sonora que eles mesmos armaram. Sussurra-se via Internet que as faixas a serem reconvertidas em rock´n´roll seriam "Super City Mania", "Holy Joe", "Gone" e "MFRR". Em meio a muita boataria, o certo é que os shows no Brasil em fevereiro estão adiados, assim como o lançamento do disco (que deve acontecer entre janeiro e fevereiro). Bono informou ao fã-clube oficial que a turnê só começa em julho e que sua imagem atual "está saindo do Elvis-fase-gorda para um visual Lênin-a-caminho-de-Cuba-para-encontrar-mulheres-que-fumam-charuto".  

Janeiro de 1997

"Estamos tentando fazer o grande disco de rock´n´roll". Assim, Bono define o tão aguardado próximo álbum do U2. "Vai se chamar POP e será lançado dia 3 de março", disse o vocalista em entrevista ao programa The Net, da Rádio 1, BBC. Bono surpreende: "POP é um disco barulhento. Nossa intenção é fazer com que qualquer outro grupo de rock da face da Terra se pareça uma bandinha folk. É pesado, mais funk, mais pop... Algo para toda a familia". As surpresas não param por aí. As imagens da nova fase do U2 que andam circulando pela Internet garantem mais alvoroço ao redor de POP. A maior parte delas mostra a banda alegre e contente em paraísos tropicais. Nas fotos se vê a banda caminhando à beira da praia e The Edge desprezando os sapatos e encarando um chinelo.

Idealista ingênuo nos anos 80, Bono transmutou-se nos anos 90 em observador irônico da política do planeta: "Os prisioneiros não foram todos libertados, os famintos continuam sem comer"


Idealista ingênuo nos anos 80, Bono transmutou-se nos anos 90 em observador irônico da política do planeta.
Robín Denselow, na Universidade de Swansea, em Gales, perguntou ao vocalista do U2: "Nos anos 80, a política estava muito mais presente nas atividades do U2. Greenpeace. Anistia Internacional, tantas grandes causas... E agora?"
Bono respondeu: "Os prisioneiros não foram todos libertados, os famintos continuam sem comer. Mas, no fim dos anos 80, nós começamos a fazer piada de nós mesmos. 
O dever de um astro do rock é não ser chato, e há que se ter cuidado para não se aproximar do terreno pseudo-religioso. É legal se preocupar com o meio ambiente e ter atitudes políticas, mas hoje é preciso ser mais esperto. A história da "Miss Sarajevo" é uma grande marca disso. Eu fiquei louco com aqueles atos dadaístas. Os dadaístas, originários da Suíça, cresceram em resposta à ascensão do nazismo usando o humor. O humor é a melhor arma.
Eu nunca fui muito religioso. Sempre me achei péssima propaganda para a fé em Deus e tento me calar sempre que este assunto vem à tona. Mas tenho fé. Eu vi uma pixação escrita num muro: "Deus está morto" Nietzsche. Embaixo, "Nietzsche está morto"." 

sábado, 24 de outubro de 2020

U2 disponibiliza vídeo de "Kite" (Live From The FleetCenter, Boston, MA, USA / 2001)


O relançamento do canal oficial do U2 no YouTube terá lançamentos semanais dos videoclipes mais icônicos da banda e conteúdo nunca antes visto no YouTube, todos remasterizados na mais alta qualidade. 
A gravação ao vivo de Kite foi remasterizada e lançada como parte de um disco bônus ao vivo: 'Elevation Live From Boston'. 
A filmagem original foi registrada durante a Elevation Tour no FleetCenter em Boston em 6 de junho de 2001, dirigida por Hamish Hamilton e produzida por Ned O'Hanlon. O vídeo da performance foi disponibilizado.
O áudio foi lançado nas plataformas de streaming.

The Edge fala com a Rolling Stone sobre o 20° aniversário de ‘All That You Can’t Leave Behind’, 'POP', Popmart e o próximo disco do U2 - Parte II


Brian e Daniel são dois tipos de personalidades muito diferentes, com abordagens diferentes de gravação. Você pode me dizer como eles trabalham juntos para tirar o melhor da banda?

Eno não é um músico consumado, então, quando se tratava de uma sessão de gravação, sua força era guiar o processo e certificar-se de que algo estava acontecendo que era realmente novo e inovador. Ele colocou isso em uma versão codificada com seus cartões de Estratégias Oblíquas. Ele nunca os usou conosco, mas os usou com muitos artistas. Eram uma espécie de cartas de tarô projetadas para levar a sessão em uma nova direção se parecesse que não estava dando certo ou se parecesse obsoleta ou previsível.
Acho que dessa experiência e realização veio uma compreensão aguda da criatividade em um estúdio e como os músicos trabalham juntos. Brian é um especialista em provocar e orientar o espírito criativo nas sessões que tivemos. Freqüentemente, isso significaria que ele poderia chegar mais cedo e começar a trabalhar em algo que apresentaria a nós como uma espécie de partida de abertura e então todos nós participaríamos. Em breve, todos estariam encontrando seu lugar em uma nova peça musical.

Você pode pensar em um exemplo em que isso o levou a uma música?

A música "New York", que adoro. Esse foi um pequeno loop de bateria que ele encontrou de Larry. Ele começou a repeti-lo e veio com essa pequena parte do teclado. Todos nós entramos no estúdio por volta das 8 da manhã e, um por um, começamos a tocar junto com esse loop e essa parte do teclado. A música cresceu a partir disso. Esse é um ótimo exemplo de como Brian cria esses cenários em que você de repente precisa sair da sua zona de conforto e mergulhar em algo novo.
Danny é alguém que sente a música de uma maneira tão profunda que inspira as pessoas, eu acho, a fazer música que tenha esse tipo de qualidade visceral. É nisso que ele prospera, não apenas como produtor, mas também como fã de música. Portanto, a antena de Danny está sintonizada de forma muito precisa com música que tem esse potencial. É onde vivemos, mas é sempre bom ter alguém como Dan por perto para destacar e aprimorar os aspectos da música ou peça musical que tem esse poder. Ele também é um ótimo músico e fica feliz em pegar uma guitarra ou um shaker ou tocar pedal steel ou fazer alguns backing vocais. Fizemos muito nesse álbum.
Isso me lembra da gravação de "Beautiful Day" com Dan. Finalmente chegamos no refrão de "Beautiful Day" para Bono. Ele praticamente teve sua ideia de melodia e sua letra no lugar. Mas quando eu estava saindo do estúdio e estava ouvindo o refrão, estava um pouco vazio. Eu peguei o microfone e comecei a cantar um vocal de apoio alto. Sendo o minimalista que sou, estava tentando encontrar o número mínimo de notas que pudesse usar para definir este refrão.
Dan ouviu algo, pegou um segundo microfone e começou a cantar algo sobre o que eu estava cantando, mas ele estava fazendo algo realmente complexo e em cascata. Então, a combinação dessas duas vozes acabou fazendo um contraponto muito bonito ao vocal principal de Bono.
Esse foi o elemento-chave final de que a música precisava. Isso é típico de nossa maneira de trabalhar com Brian e Danny. Eles realmente se tornam o quinto e o sexto membros da banda para as sessões de gravação. É uma espécie de processo orgânico que realmente trata de manter e estimular a inspiração um no outro. Esse é o resultado final, o que todos estamos tentando fazer.

Ouvindo o disco novamente, impressiona a escuridão de muitas das letras. O cara em "Beautiful Day" está tendo um dia muito ruim. O personagem em "Stuck In A Moment” está pensando em se matar, e o cara em "New York" está traindo sua esposa enquanto seu mundo inteiro desmorona. Isso faz com que o brilho em "Wild Honey" realmente se destaque em comparação.

Eu sei. Na época, "Wild Honey" parecia uma contradição com todo o resto. Quase não a colocamos no álbum porque soava muito luminosa, muito brilhante, muito doce. Mas o que tem é uma espécie de inocência e uma espécie de ingenuidade, o que é muito importante quando é seguida por "Peace On Earth", que é provavelmente uma das canções mais sombrias que o U2 já escreveu. Eu tenho que levar a culpa porque liricamente eu comecei ela.
Nunca tivemos problemas com álbuns que abrangem o que podem parecer posições quase contraditórias. É como se, em algum lugar entre os extremos das contradições, em algum lugar entre essas áreas, é a coisa que você está mirando. Você não pode realmente expressar isso em uma música, mas se você expressar como a tensão entre essas duas ideias opostas, é mais fácil chegar lá. Acho que é por isso que "Wild Honey" se tornou realmente importante.

O período de tempo em que você fez isso é realmente interessante. Você começou o registro nos anos noventa. Você o divulgou literalmente dias antes do início da recontagem de Bush / Gore. Então você sai em turnê e, antes da última etapa, acontece o 11 de setembro. O mundo continuou mudando sob seus pés de maneiras tão dramáticas.

Muitas dessas coisas aconteceram após o lançamento daquele álbum, mas certamente durante a turnê. Acabamos fazendo o Super Bowl após o 11 de setembro. Com nossos designers de show, tivemos a ideia de colocar os nomes daqueles que morreram em 11 de setembro. Esse se tornou um momento muito importante.
E em Nova York, tivemos esses shows realmente catárticos, onde alguns dos primeiros socorristas subiram ao palco para falar sobre seus irmãos de fardas que morreram no 11 de setembro. Foi muito, muito intensamente emocional. Lembrei-me do poder da música como uma forma de ajudar as pessoas a se expressar e se conectar com as emoções e lidar com elas e processá-las. Senti-me muito humilde e motivado a servir dessa forma.
Certamente foi uma viagem de montanha-russa para nós. O trabalho resistiu àquele teste de pressão, o que foi uma sensação agradável. Você escreve uma música, como fazíamos com seis caras na sala frequentemente, e então a leva para o mundo. Depois de lançado, ele ganha vida própria. Você nunca sabe como uma música será usada, que valor ela terá quando for lançada. É impressionante ver como algumas dessas músicas se tornaram tão populares e como elas se conectaram com as pessoas de uma maneira tão poderosa.

O 25º aniversário de 'POP' está a apenas dois anos de distância. Alguma chance de um box set de 'POP'?

Boa pergunta. Hum ... Estamos gostando deste momento de reavaliar alguns dos álbuns mais antigos. Eu não descartaria isso. Não ouvi falar de um plano para fazer isso, mas este processo tem sido muito divertido e o resultado tem sido um sucesso. Podemos fazer mais disso. Veremos.
Eu acho que este álbum em particular foi um marco criativo para nós por causa do que aconteceu antes de entrarmos em estúdio. Alguns dos outtakes de 'All That You Can’t Leave Behind', estou tão impressionado com eles. Você tende a esquecer essas músicas. Elas não estão em seu set ao vivo. Elas não são tocadas no rádio. Mas voltando e ouvindo algumas delas você percebe, "Uau, isso quase fez parte do álbum. Talvez isso devesse ter feito parte do álbum!"
É bom abordar alguns dos trabalhos como um fã, porque quase esqueci como algumas das peças foram escritas e qual foi o nosso ponto de partida. Estou indo até eles com uma mente completamente aberta. Isso é divertido, quem sabe?

Pergunta final: qual é o status do próximo disco?

Como você sabe, estou sempre trabalhando em ideias para músicas do U2. Eu tenho bastante ideias. Algumas delas estão muito desenvolvidas. Algumas estão meio acabadas. Não temos planos agora, mas agora estou apenas gostando de escrever, só porque é um ótimo momento para voltar às coisas criativas quando não há muito mais que você possa fazer.
É como uma tela em branco e adoro esta fase em que você realmente não precisa se preocupar muito com o destino. Você realmente vai com a imaginação. Então, muitas ótimas ideias estão acontecendo, mas não tenho certeza do que vai se tornar ou quando pode começar a assumir sua própria identidade como um álbum.
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