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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Os segredos da apresentação do U2 no Glastonbury Festival 2011, pelo diário de Willie Williams - Parte I


Do diário de Willie Williams:

Glastonbury Festival - O Dia do Show

A lama era muito desafiadora.
Final do dia, o U2 chegou ao local. Edge foi o primeiro. Eles estavam em boa forma, realmente parecendo bastante tranquilos sobre o que estavam prestes a fazer.
Morrissey terminou o seu set, então eu fui dar uma última olhada ao redor do palco para se certificar de que nada estava errado e me dirigi para a minha posição no Mix. A chuva caiu intensa até o momento e chegar até minha posição foi extremamente desafiador. Eu fiz isso e assumi a minha posição, com Ethan na mesa de iluminação. Não havia nenhuma plataforma de convidados na frente (quem seria corajoso o suficiente para chegar lá?), mas apenas alguns convidados da banda se juntaram à nós, incluindo Damien Hirst que tinha vindo para ver a estréia de sua seqüência de vídeo extraordinária para "Even Better Than The Real Thing". A abertura do set do U2 para o Glastonbury foi projetada para ser da pesada em vídeo, essencialmente tendo meia hora completa revivendo a ZOOTV com os visuais originais de 1992/93, mais a nova peça de Hirst. Nós nos demos conta de que esta era a antítese do esperado "espírito de Glastonbury", onde estamos todos muito Lo-fi (um estilo de produção musical que usa técnicas de gravação de baixa fidelidade, low fidelity).
Eu tinha tido um pesadelo onde eu despertava após uma catástrofe técnica que me deixaria de pé ao lado de Damien Hirst, assistindo o U2 chegar no palco e tocando na frente de uma série de telas de vídeo sem imagem. Mal sabia eu que chegaríamos bem perto daquela visão quase se tornar realidade. Finalmente, finalmente, depois de dezoito meses, estamos todos em Glastonbury com a fita de introdução de "Space Oddity" de Bowie tocando. Isso levou para a seqüência da sirene de introdução de "Even Better Than The Real Thing" e as telas de vídeo explodindo para a vida com imagens em close up de moscas incubadas (dá-lhe Damien!) Notei, no entanto, que duas telas de vídeo do festival que deveriam estar carregando as imagens da performance da banda estavam sem imagens, e permaneceu assim enquanto a canção seguia e a multidão enlouquecia. Eu esperava que o visual de Hirst parecesse enigmático, mas vê-lo de maneira isolada sem imagens da banda no meio e este tremendo som, estava beirando a arte de performance. E foi meio que fantástico.
Eu descobri mais tarde que, quase simultaneamente, aconteceram dois eventos que ameaçaram a transmissão. No backstage, a BBC tem toda a sua transmissão ao vivo configurada e também, em um trailer em separado, Smasher (nosso diretor de vídeo da turnê) tinha todo o seu setup para alternar as câmeras de vídeo da transmissão e controlar todo o material de reprodução de vídeo. Literalmente, no momento em que Larry começou a tocar a bateria no começo de "Even Better Than The Real Thing", o gerador de energia que alimentava do caminhão de Smasher deixou de funcionar, deixando todo o seu sistema na escuridão. Mais tarde, ele me disse que ele realmente pensou que iria ter um ataque cardíaco (sem dúvida, como eu, tendo pesadelos sobre os problemas no cenário). Ele realmente pensou que U2 estava no palco tocando na frente de sete telas de vídeo que não mostravam nada, mas então ele notou que o sistema de backup com imagens que ele trouxe com ele estava funcionando e com bateria própria, estava enviando imagens para outras telas de vídeo. Ele enfiou a cabeça para fora do trailer e podia ver que havia luz estridente nas telas de vídeo e que tudo estava bem. O MacBook de Smasher estava rodando sozinho a peça de vídeo de Damien Hirst, e o dia foi salvo.
Enquanto isso, no palco, uma catástrofe de magnitude semelhante foi simultaneamente evitada. Terry, que nas turnês toca teclados e opera no computador os click-tracks no 'Underworld' abaixo do palco, desta vez foi colocado diretamente no palco. Não há 'Underworld' em Glastonbury e no início do dia eu brinquei com Terry que ele finalmente iria ver o U2 tocar ao vivo, e não através do complexo CCTV configurado que ele ficava em frente na 360°. Ele foi colocado no lado de Edge do palco, escondido atrás de uma das telas de vídeo que nós trouxemos. Entre Terry lá atrás e Edge lá na frente no palco, o DJ de Glastonbury teve seu pequeno setup montado, para entreter a multidão durante os períodos de troca de artistas e arrumação do palco. O DJ disse que tinha decidido ficar lá para assistir o U2 e, indo com o espírito do Festival, ninguém fez nenhuma oposição de deixá-lo lá. Não até que o U2 entrou com "Even Better Than The Real Thing" e aquele cara começou a dançar e pular como um lunático, derrubando o rack do computador do Terry no processo. Muitas músicas são tocadas de uma maneira que chamamos de "fora da grade", ou seja, é apenas os quatro integrantes tocando em qualquer tempo em que Larry esteja tocando sua bateria, mas as músicas que tocam com loops ou efeitos (por exemplo, "With Or Without You" ou "I’ll Go Crazy"), ou que tenham conteúdo de vídeo sincronizado, precisa ficar exatamente em sincronia e assim são tocadas através de um click track (que o público não ouve). Tudo isso vem do computador configurado de Terry, e assim fazem como um gatilho, que lançam as imagens visuais exatamente no momento certo da canção. Você pode imaginar que isso não é um setup simples, e eu tenho certeza que o pobre Terry viu tudo em câmera lenta, enquanto seu sistema nervoso central caia no chão.
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