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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Bono relembra David Bowie: "O céu é muito mais escuro sem o Starman"


A Rolling Stone está lançado uma nova edição em memória à David Bowie, que estará disponível lá fora em 29 de Janeiro, e vários artistas prestam homenagem ao falecido cantor, compositor e inovador da música pop. Nesta memória exclusiva, Bono reflete sobre a maneira de que Bowie ajudou-o à encontrar "portas em... outros mundos."

"Eu brincava de ser uma estrela do rock & roll, mas eu realmente não sou uma. David Bowie é o meu conceito de uma estrela do rock. Neste momento, eu estou em Myanmar, um pouco afastado da reação à morte de David, mas garanto que o céu é muito mais escuro aqui sem o Starman.

A primeira vez que o vi tocar foi no Top of the Pops em 1972, cantando "Starman". Ele era tão vívido. Tão luminoso. Tão fluorescente. Nós tivemos uma das primeiras TVs coloridas em nossa rua, e David Bowie foi o motivo de se ter uma televisão a cores. Eu já disse que ele era o nosso Elvis Presley. Há tantas semelhanças: a dualidade masculino-feminino, o domínio físico de estar em um palco. Eles criaram as silhuetas originais, formas agora vistas como óbvias, que não existia antes.
Ambos tinham aquela coisa de se viver em outro mundo. Com Bowie, você tinha essa suspeita de que se ficasse perto dele, você poderia encontrar algumas portas para os outros mundos. Em minha mente adolescente, "Life on Mars?" foi muito mais sobre: há vida na terra? Estamos realmente vivos? Isto é realmente tudo o que há?
E algumas das portas que Bowie abriu levaram a outros artistas. Ele abriu as portas para mim com Bertolt Brecht e William Burroughs — e, a propósito, Bruce Springsteen, que ele apoiou quando este estava começando. E para mim, ele abriu a porta mais importante, única, com Brian Eno por trás dela.

Eu gostaria de me considerar um amigo de David, mas eu sou mais um fã. Ele veio e visitou-nos quando nós estávamos mixando 'Achtung Baby' — e, claro, ele tinha nos apresentado à Berlim e ao Hansa Studios. Tivemos uma espécie de brincadeira lúdica — ele realmente ia lá para conversarmos, e nós mesmos ocasionalmente feriamos os sentimentos um do outro. Ele levou sua filha em uma matinê para ver 'SpiderMan: Turn Off The Dark' e ele me enviou os motivos pelos quais ele não gostou. E tudo o que ele disse foi realmente útil, porque foi nos primeiros dias da peça.
Eu tenho conversado com Brian Eno, porque David enviou para Brian um bilhete de adeus, e ele me contou o conteúdo. É tão incrível, e é tão engraçado. É muito surreal, uma desafiante tipo de carta de despedida, um beijo de despedida. E eu disse ao Brian que David tinha estado em nossas mentes. No Natal, minha filha mais velha Jordan e eu estávamos ouvindo muito o 'Blackstar'. David a conheceu quando ela tinha dois anos. Ele chamou ela de "Pixie", e ela tem sido uma fã de Bowie a vida toda.

Eu gosto de Bowie quando ele é colocado no sentido entre ser uma estrela POP e Picasso, onde ele está bem no meio. Isso geralmente é o meu favorito, quando a composição é disciplinada, mas a gravação não é. Adoro quando ele é colocado igualmente nas direções de arte e populismo. 'Blackstar' é muito mais arte, então eu não devia gostar tanto quanto eu gosto. Mas eu realmente amei, assim como minha filha Jordan também.
Mandei uma foto minha com a Jordan, brindando-lhe em seu aniversário este ano. Enviei-lhe um longo e-mail, e enviei-lhe um belo poema de Michael Leunig chamado "Love and Fear" — uma linha é: "existem apenas dois sentimentos/amor e medo". Ele não me respondeu, mas eu sei que ele recebeu.

Em última análise, como compositor e como intérprete, suas moedas são pensamentos e sentimentos. Algumas pessoas podem ter pensamentos originais, mas a paisagem musical não é tão original. A paisagem musical de David Bowie afeta você de uma forma que é completamente diferente de todas as outras músicas ao redor. Você tem que fechar os olhos, imagine que você não fala inglês e apenas sente as canções e diz: "que parte de mim está sendo tocada por essas notas?" ou "Quem mais consegue fazer isso?"
E no caso dele, a resposta é ninguém. Essa parte de mim é tocada apenas por David Bowie. Então agora esta parte em mim é um vazio — eu tenho que encontrar outras maneiras para acordá-la. Mas ele me acordou quando eu tinha 14 anos....."
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