Premiere Magazine - 1988
Ao final da turnê, em meados de dezembro, a perseverança de Phil Joanou havia rendido 150 horas de filmagens documentais (além do filme do show) que precisariam ser reduzidas para cerca de 30 minutos, para serem condensadas em torno das últimas doze ou treze músicas e comprimidas em um pacote de 95 a 105 minutos. Os destaques das filmagens diárias incluíam o U2 cantando com o New Voices Of Freedom, um coral gospel do Harlem; gravando no Sun Studio em Memphis; trabalhando com B.B. King; e fazendo um tour privado por Graceland.
Na segunda noite em Tempe, a paixão pertencia primeiro ao público e depois ao show. Joanou também estava com as mãos cheias — mobilizando doze câmeras, um helicóptero e uma equipe de 120 pessoas. Ele precisava de cobertura completa e imagens inspiradoras. Era a reta final, e o filme estava em jogo.
Joanou conseguia ver a ação em nove de seus dez monitores. O último se recusava a funcionar, exibindo em vez disso um episódio de 'Assassinato Por Escrito'. Mas ele ignora a tela, absorto na emoção de assistir a cada música, da gloriosa "Pride (In The Name Of Love)" ao sussurro de "Mothers Of The Disappeared". Joanou dá ordens aos berros, conduz as filmagens com um sussurro apaixonado, bate palmas e pés com alegria, e às vezes simplesmente contempla, boquiaberto, o que espera serem seus sonhos cinematográficos realizados.
"Lindo, lindo", ele exclama quando, durante "Helter Skelter", uma câmera enquadra perfeitamente Bono deitado nos trilhos do dolly. Joanou estende a mão e toca o monitor, como se pudesse se tornar um com o cinegrafista por puro desejo. "Esse cara é um gênio", diz ele sobre Bono. Seus dedos permanecem na tela por um instante, depois deslizam lentamente para baixo.
No saguão do Arizona Biltmore, antes de uma festa que durará quase até as 7 da manhã, quando o voo leva a banda de volta a Dublin, Joanou está como sempre, exuberante. Empolgado. "É uma mistura de 'Touro Indomável' com 'pocalipse Now'", ele tagarela. "A noite de hoje rivaliza com a segunda noite em Denver! A primeira noite foi como o nervosismo da final. Hoje eles entraram em campo como um leão solto!"
Depois de Tempe, Joanou retorna a Los Angeles e inicia a tarefa monumental de selecionar as músicas. Isolado diariamente em sua sala de edição na Amblin Entertainment de Spielberg, nos estúdios da Universal, ele corre contra o tempo para cumprir o próximo prazo e chegar ao lançamento em outubro (exceto nos EUA). A banda lhe disse: "Corte. Confiamos em você. Nos vemos em abril". Em fevereiro, ele já estava adiantado, com 21 músicas montadas a partir de 137.000 metros de filme de 35mm. Seu segredo: trabalhar com seis monitores simultaneamente, editando tudo em vídeo. Em março, pouco antes da cerimônia do Grammy, Joanou voa para Nova York e exibe duas horas e meia de músicas para a banda.
Depois, Bono conta: "Saí da sala e fui lá fora pensando: 'Esse cara trabalhou muito, é melhor eu não dizer nada'." Mas Joanou o seguiu e pediu sua opinião. "Então eu disse: 'Acho uma porcaria'." E Philip disse: "Ótimo, porque eu também acho que é uma porcaria aqui e ali; é isso que está te incomodando".
A queixa de Bono: algumas músicas simplesmente não soam bem. Por exemplo, "Where The Streets Have No Name". Embora o trecho seja do excelente segundo show em Tempe, Bono insiste que "falta mistério".
De volta a Los Angeles, Joanou revisa as filmagens da noite de estreia que havia descartado anteriormente e decide que as supostas falhas do show de abertura em Tempe, inesperadamente, jogam a favor da música. Ele rapidamente monta uma nova versão da canção com apenas 15 cortes, em vez dos 50 da original, aumentando o mistério. A banda aprova. "Essa é a arte de fazer filmes", diz Joanou filosoficamente. "Vá a um set de filmagem e você perceberá que tudo é fabricado. No final, o que importa é o que está dentro do frame".
No final de março, Joanou está em sua sala de edição apertada e úmida, analisando 76.225 metros de material documental em 16mm. Ele seleciona um rolo no projetor Steenbeck para exibir alguns momentos clássicos. Em uma sala de discos no porão de Graceland, a banda observa a coleção de estátuas de macacos de Elvis. "Tem uma vibe meio Michael Jackson", sussurra Bono para The Edge, seja por não saber que está sendo gravado ou por finalmente se livrar da consciência da câmera. Joanou bate na mesa e solta um uivo. "É a minha parte favorita das filmagens da turnê", diz ele. "Claro que provavelmente não entrará no filme final".
