Entrevista com Adam Clayton - 2009
O álbum 'How To Dismantle An Atomic Bomb' do U2 ganhou oito Grammys. Mais que 'Thriller'...
Sério? Nunca pensei nisso dessa forma. Normalmente, passamos dois anos fazendo um disco, então é legal quando ele é reconhecido. Mas fica cada vez mais difícil. Você está competindo consigo mesmo e não quer perder. Dá trabalho. Se você achasse que já passou do auge e que é meio que uma piada... Acho que não sentiria o mesmo. Não é fácil para mim ficar em pé na frente de cinquenta mil pessoas. Não é meu habitat natural. Acho que provavelmente é fácil para o Bono. Mas eu consigo. E vou fazer se eu souber que as músicas são ótimas.
Dá muito trabalho, não é? Não seria melhor fazer como os Rolling Stones, lançar "Sunday Bloody Sunday" e "Pride (In The Name Of Love)" a cada poucos anos e embolsar o dinheiro?
Acho que isso é bem justificável. Nos Estados Unidos, isso funciona como modelo de negócios. Não dá para fazer isso na Grã-Bretanha ou na Irlanda. Os números não fecham. A Irlanda tem uma população de quatro milhões. Não dá para passar um ano na estrada porque você já tocou para todos eles... até janeiro. Nós não fazemos música pop para tocar em massa nas rádios. Fazemos algo um pouco diferente, que reúne ideias literárias, artísticas e sonoras. As ideias e os sons que estão sendo discutidos provavelmente estão nos levando para o mundo da "arte", onde o público é minoritário.
Por que o U2 é tão popular?
Sempre me surpreendo quando as pessoas dizem: "Eu fui àquele show" ou "Me apaixonei por aquele disco". Me surpreende que elas ainda se interessem. Elas devem se ver um pouco na nossa falta de jeito. Porque não somos sofisticados.
Você acha que seria fã do U2?
Não sei. Não gosto dessas bandas grandes.
