Em 'Achtung Baby' e, particularmente, em 'Zooropa', o U2 começou a estabelecer um novo precedente para a improvisação em estúdio no cenário do rock.
Embora a banda chegasse ao estúdio com algumas músicas pré-escritas, a maior parte do material não passava de um esboço — uma tela em branco virtual na qual Brian Eno, Daniel Lanois, os co-produtores Flood e o próprio U2 podiam pintar texturas sonoras.
"Quando começamos a trabalhar em 'Zooropa', sugeri à banda que começassem a improvisar regularmente no estúdio", diz Brian Eno. "Eles tinham perdido o hábito de improvisar e, por vários motivos, não o faziam. Então eu disse: 'Deveríamos imaginar que estamos criando trilhas sonoras hipotéticas para filmes, não compondo músicas'.
Essa é sempre uma ideia muito libertadora, porque a trilha sonora de um filme não precisa ter um foco central – o próprio filme é o foco. Isso permite criar música que seja pura atmosfera, e isso realmente possibilitou que coisas boas surgissem no caso deles. Em nossa relação, Dan cuidava do aspecto funcional e eu do conceitual, e digo a vocês, um não existe sem o outro. É preciso controlar ambos".
O conceito de composição de Brian Eno para a gravação de 'Zooropa', se estendeu para o projeto seguinte. 'Original Soundtracks 1', lançado em novembro de 1995, é uma coletânea de músicas nada convencionais escritas para filmes em sua maioria, imaginários. É considerado tão experimental que decidiram lançá-lo sob o pseudônimo de Passengers.
