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sábado, 11 de abril de 2026

O livro do qual o U2 pegou o título emprestado para canção de 'Days Of Ash'


The Tears Of Things (As Lágrimas Das Coisas) - Sabedoria Profética Para Uma Era De Indignação


Em sua primeira grande obra desde O Cristo Universal, o autor best-seller do New York Times, Richard Rohr, oferece um modelo sincero e cheio de esperança para o mundo atual, fundamentado na sabedoria atemporal dos profetas hebreus.
Como viver com compaixão em tempos de violência e desespero? O que podemos fazer com nossas decepções pessoais e com a raiva que sentimos em um mundo tão injusto? Em seu livro mais pessoal até o momento, Richard Rohr recorre aos escritos dos profetas judeus, revelando como alguns dos livros menos lidos da Bíblia nos oferecem um caminho crucial para o futuro. Baseando-se em um século de estudos bíblicos, 'As Lágrimas Das Coisas' revitaliza a sabedoria ancestral, abrindo um caminho de iluminação para todos que buscam uma forma de viver com compaixão em um mundo ferido.

O U2 incorporou os ensinamentos do frade franciscano e autor Richard Rohr sobre espiritualidade contemplativa, misticismo e profetismo no EP 'Days Of Ash', onde refletem nas letras sobre viver com compaixão e superar a raiva em tempos de violência e desespero.
A faixa "The Tears Of Things" empresta seu título do livro.
Bono descreve Rohr como um "místico" e "pensador profundo", cujos escritos ajudaram a banda a superar a raiva diante das injustiças, focando em uma sabedoria profética que transforma a indignação em lágrimas de compaixão.
O livro de Rohr, citado pela banda, explora como os profetas judeus lidavam com a dor do mundo, sugerindo que a maturidade espiritual requer superar o ego e a polarização.
Bono e Rohr realizaram um especial de rádio juntos na SiriusXM para a Páscoa, discutindo reflexão religiosa e esperança. Um dos tópicos da conversa foi sobre ouvir o sussurro de Deus, relacionando-o à letra de Paul Simon, "o som do silêncio".
O trabalho de Rohr é central para a visão de mundo da banda neste projeto recente, focado em "sentir mais, reagir menos".
A letra de "The Tears Of Things" explora temas de dor, arte e compaixão através de uma conversa imaginária entre a estátua de Davi e seu criador, Michelangelo. 
A letra clama por libertação de seu "bloco único" de mármore: "Michelangelo release me / From a single block" ("Michelangelo, me liberte / De um único bloco").
A estátua, símbolo de permanência e arte, expressa sofrimento e carrega as "cicatrizes" da história e da violência, sugerindo que a arte nasce da dor humana.
A música imagina o jovem Davi, prestes a enfrentar Golias, com "olhos em formato de coração" (uma metáfora para compaixão) e recusando a necessidade de se tornar um monstro para vencer o gigante.
Bono explicou que o título é inspirado no conceito latino lacrimae rerum ("as lágrimas das coisas"), popularizado pelo livro de Richard Rohr.
A letra também traz um diálogo com o divino, onde o narrador se vê como um instrumento sendo formado ("Let my fingers form you / Be fashioned by my touch") "Deixe que meus dedos te moldem / Seja moldada pelo meu toque". 
A música é descrita como uma obra profunda e emocional, com os "olhos de coração" de Davi servindo como um enigma que intriga visitantes na Galeria da Academia em Florença, onde a estátua original está localizada.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

U2 comenta as canções de 'Easter Lily'


U2

"Song For Hal" é um lamento sobre o confinamento da COVID-19, com The Edge nos vocais principais, escrito para o amigo da banda, o músico Hal Willner, que teria completado 70 anos na segunda-feira de Páscoa e faleceu há quase 6 anos, exatamente nesse dia.

"In A Life" é uma canção sobre amizade e, embora reconheçamos o quão absurdo é falar sobre fé e amizade em tempos tão niilistas, não nos arrependemos... isso é emocionalmente direto, o que para alguns pode parecer deselegante.
Mas esse é o objetivo... confrontar e desafiar a frieza que se infiltra nos relacionamentos.

"Scars" é uma canção de encorajamento e aceitação; cicatrizes e tudo mais, com uma reviravolta. Cicatrizes são úteis, erros são úteis — se forem reconhecidos. Essa é a chave. Quando são escondidos ou negados, é um mau sinal. Essa é a raiz do narcisismo, não o amor próprio, mas a falsa perfeição.

"Resurrection Song" liricamente, é uma música de viagem. Há um toque de ironia. Fundamentalmente, é uma afronta contra o cinismo, o cinismo com a religião que pode ser compreensível.
Como disse Carl Sagan, "O Cosmos está dentro de nós. Somos feitos de matéria estelar. Somos uma maneira do Universo conhecer a si mesmo". Já é meio ridículo que existamos. O desafio para qualquer um de nós é: 'podemos nos superar?'

"Easter Parade" é uma canção devocional, uma celebração da nova vida, do renascimento e da ressurreição. A fé precisa envolver dúvidas. Para nós, moldados pela tradição cristã, tudo está intrinsecamente ligado à Páscoa, ao mistério da morte e da ressurreição. Ponto final. Já exploramos essas ideias antes — antigamente, com "40" ou com "Yahweh". É uma rica tradição que alguns de nossos artistas favoritos exploraram — Johnny Cash, Bob Marley, Patti Smith —, mas ainda assim, ao falar sobre a natureza espiritual de canções como essa, é fácil cair em clichês.

"COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times?)" é uma canção de ninar para pais de crianças envolvidas na guerra, com uma paisagem sonora de Brian Eno.
Coexistir é a ideia central desta letra. Que a religião tenha se tornado um motivo para ir à guerra é algo insano para nós. É fácil cair no desespero - há tanto para temer, principalmente porque, ao sucumbirmos à guerra, não estamos fazendo o suficiente para combater ameaças verdadeiramente existenciais, como a emergência climática.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

EP de Páscoa do U2... cruz, ressurreição e Salmos como resistência ao mundo... e talvez a libertação da maldição do comercial


Steve Stockman, autor do livro 'Walk On: A Jornada Espiritual Do U2', escreveu em seu blog Soul Surmise:

Uma análise faixa por faixa do EP de Páscoa do U2... cruz, ressurreição e Salmos como resistência ao mundo... e talvez eles também tenham se libertado da maldição do comercial!

Há alguns anos, declarei uma fraqueza no U2. Eles eram uma banda, pontifiquei, tão interessada em ser a melhor e a mais vendida do mundo que sua arte acabava comprometida. Sugeri que eles precisavam se afastar da tentação de serem os mais vendidos e começar a ser guiados simplesmente pela arte. Lançar músicas com menos conteúdo.
Durante a Quaresma de 2026, o U2 deixou de lado as estatísticas de vendas da indústria e priorizou a arte. A liberdade de lançar o EP 'Days Of Ash' e, apenas quarenta e quatro dias depois, 'Easter Lily', é uma notícia maravilhosa para os fãs do U2, intrigados por muito mais do que um álbum número 1.
Vinte e cinco anos atrás, escrevi um livro sobre o U2 - Walk On: A Jornada Espiritual do U2. Escrevi-o porque alguém visitou meu primeiro site e condenou a banda como descrentes ou, na melhor das hipóteses, crentes imaturos. Não há sinal de fé em seu trabalho, continuou ele, em profundo erro.
Eu estava irritado com a pouca atenção dada às músicas do U2, então esbocei a ideia de um livro e disse à minha esposa, Janice, que alguém precisava escrevê-lo. O U2 certamente era reservado quanto à sua fé, então uma apologia a essa fé por meio da música, dos shows e das entrevistas seria uma boa ideia.
Acredite ou não, naquele mesmo fim de semana, do nada, a Relevant Books me perguntou se eu tinha alguma ideia sobre escrever um livro. Então, sugeri o U2. "Nós também estávamos pensando nisso", responderam. E assim foi feito.
Vendeu muito por vários motivos, mas não seria necessário hoje em dia. Uma banda que lança um álbum na Quarta-feira de Cinzas chamado 'Days Of Ash' e outro na Sexta-feira Santa chamado 'Easter Lily', com títulos como "Scars", "Resurrection Song", "Easter Parade" e "COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times)", me leva a crer que nenhuma apologia é mais necessária. Nada de reservado nesses lançamentos. Eles marcam o início e o fim dos dias da Quaresma cristã.
'Easter Lily' foi descrito como mais pessoal do que a crítica aos eventos mundiais presente em 'Days Of Ash'. Isso é certamente verdade. Para mim, foi menos imediata, mas mais rica após algumas apresentações. É como um retiro religioso onde se aprende mais quanto mais tempo se passa lá.
Musicalmente, é tudo U2 do início dos anos 2000. As guitarras brilham sob as complexidades líricas de 'All That You Can't Leave Behind' e 'How To Dismantle An Atomic Bomb'. Edge se exibe à sua maneira tímida, enquanto Larry Mullen Jr. apresenta ritmos inventivos e Adam Clayton cria grooves de baixo robustos. Bono? Bem, ele está em sua habitual mistura de versos e rimas, declarando ousadamente:

"Se o amor está no ar, vamos respirar fundo"

"Se eu soar ridículo, ainda não terminei"

A homenagem inicial ao seu colaborador criativo, o produtor Hal Willner, toca em luto e esperança, e eu adoro suas sugestões poéticas do paraíso:

"E mergulhe num sonho que te leva para o outro lado

Das músicas na sua cabeça

Atordoado como um musical

Músicas bobas que você não consegue esquecer

Além de bonito, além de belo

Onde quer que o estranho esteja desfilando

Onde quer que a música seja feita

Você estará lá"

Essa última frase faz alusão às palavras de Steinbeck sobre Tom Joad em 'As Vinhas Da Ira', uma justaposição da vida que acontece no céu e na terra.
"In A Life" é um poema que fala sobre amizade, sua importância em um mundo em guerra e o quanto aprendemos em nossas interações:

"Em uma vida

Enxergamos um vislumbre de alguém

Em seus olhos

Enxerguei um vislumbre de mim mesmo"

"Scars" então toca num tema que tem estado presente no U2 ao longo dos anos. "Original Of The Species" e "Get Out Of Your Own Way" sempre falaram sobre ser você mesmo. "Scars" é um apelo semelhante:

"São as suas cicatrizes que lhe dão beleza

Você é uma beleza

Não esconda suas cicatrizes"

Mas então Bono dá uma guinada brusca e nos encontramos na cruz da Páscoa, e as cicatrizes são as de Jesus, crucificado pela perigosa combinação de igreja e Estado:

"Coloque suas mãos sobre a minha mão

Sinta os pregos do Estado

Perfurando os inocentes

Para enchê-los de ódio

Quando o Estado clama

Por alguém para culpar

Criando leis a partir de mentiras

E vestes jurídicas a partir da vergonha

Coloque sua mão ao meu lado

Sinta os contornos do controle

Os espinhos prateados da amizade

Trocados por uma alma

O toque e o gosto de mim

Doce como vinagre"

Jesus mal está na cruz e Bono já está cantando "Resurrection Song", não detalhando os eventos do Jardim do Túmulo no Domingo de Páscoa, mas oferecendo cinco bons minutos de reflexão espiritual para levar para o seu retiro no deserto. Certamente a influência de Richard Rohr está presente:

"Ame extravagantemente e sem arrependimentos

Se existe algo melhor, eu ainda não ouvi

O amor está no ar, então vamos respirar fundo

Tema amar, meu amigo, e permaneça na morte"

Como a luz em "Song For Someone", "Resurrection Song" é a esperança à qual se apegar.

Ela se funde com a música "Easter Parade", impulsionada pelo baixo de Adam.

"Algo em mim morreu

Mas eu não tinha mais medo

Desfile de Páscoa"

Há medo novamente, mas agora vencido, e a trilogia da Páscoa termina com adoração:

"Kyrie Eleison

Kyrie"

Este cântico litúrgico grego, que significa "Cristo, tende piedade", me fez lembrar do "Gloria in excelsis Deo" de 'October' de 45 anos atrás.
A sensação adorável e a forma de expressão continuam até o encerramento, uma espécie de bênção. Em um paisagem sonora de Brian Eno que nos lembra o terreno de 'The Unforgettable Fire', nos encontramos cantando o verso de abertura do Salmo 34 - "Bendirei o Senhor em todos os momentos".
Na beleza sombria da adoração, somos transportados para Gaza e outras zonas de guerra ao redor do mundo, e com o salmista, não ignoramos a tragédia que nos cerca, mas nos apegamos a Deus, à misericórdia da Sexta-feira Santa e à esperança do Domingo da Ressurreição.
O fato de o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo cantarem "Bendirei o Senhor em todos os momentos", todos unidos por Abraão como seu patriarca, talvez nos leve à interrogação no final do título da canção. Há toda uma outra camada de significado. COEXISTIR é a grande questão, em vez da destruição mútua das civilizações.
Para mim, em um EP de belas canções de desenvolvimento lento, esta é uma maravilha surpreendente, ora Leonard Cohen, ora David Bowie, melancólica, dramática, espiritual e densa em resistência salmômica.
Exatamente o que precisamos na alma neste momento. Lírio da Páscoa, de fato!

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Folha De São Paulo: 'Easter Lily', do U2, tem canções que remetem aos seus discos incríveis



4 Estrelas

Depois de surpreender a todos lançando um EP com seis faixas na Quarta-Feira de Cinzas, no dia 18 de fevereiro, o U2 quase consegue outra surpresa de mesmo impacto ao soltar mais meia dúzia de canções na Sexta-Feira Santa, no último dia 3.
'Days Of Ash', lançado há dois meses, é seguido por 'Easter Lily', ou Lírio-da-Páscoa. Muito parecido no formato, é uma continuação. Se, no primeiro, as guerras atuais deram o tom, agora é um disco de amor, de letras espirituosas, às vezes quase infantis.
É impossível dizer que não há surpresa, porque a grande novidade é ver o U2 mais ligado a baladas roqueiras e fazendo um segundo EP bem melhor do que o anterior. Duas músicas, "In A Life" e "Scars", poderiam entrar em qualquer um dos discos incríveis que a banda lançou nos anos 1980.
O disco é oferecido aos fãs em clipes no YouTube. Todos têm o formato de "lyric videos", com os versos exibidos na tela sobre imagens quase sempre estáticas. São praticamente álbuns de fotos com uma trilha sonora.
Os seguidores mais intensos da banda irlandesa devem eleger "In A Life" como o videoclipe mais atraente, porque as imagens que ficam aparecendo na tela são fotos antigas dos integrantes do grupo, sozinhos ou separados, desde a adolescência. É divertido acompanhar a evolução dos quatro, notadamente nos cabelos que crescem e encurtam seguidamente, às vezes seguindo moda, outras vezes lançando tendências.
A abertura é "Song For Hal", dedicada a Hal Willner, produtor de álbuns antológicos de rock e jazz. Ele morreu durante a pandemia de Covid, aos 64 anos. A letra, a mais poderosa da banda em muito tempo, fala da força da música na vida das pessoas. Já traz mais impacto roqueiro do que todas as músicas do EP de fevereiro.
Aí vem a dupla de canções fortes, "In A Life" e "Scars", mais interessantes do que praticamente todos os singles de rock lançados diariamente no planeta. Juntas, conseguem uma consistência musical robusta, como o U2 não mostrava desde 'Achtung Baby', em 1991.
Depois de meio EP primoroso, a banda deixa a intensidade cair nas faixas seguintes. "Resurrection Song" e "Easter Parade" trazem um resgate do U2 mais pop, que percorreu o mundo em megaturnês durante os anos 1990.
As músicas abandonam um pouco da bateria marcial de Larry Mullen Jr. e da levada épica de muitos hits da banda. Entram em cena canções mais agitadas, dançantes, com a guitarra de The Edge e o baixo de Adam Clayton mais preocupados em balançar quadris do que entorpecer consciências.
Mas são canções que servem para conectar fãs mais recentes com essa fase da banda dedicada a baladas e som eletrônico, que tende a ser obscurecida pelos discos mais antigos, de rocks políticos.
Falando em viagens no tempo, o EP encerra com uma celebração. "COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times?)" marca um reencontro do U2 com o músico e produtor Brian Eno.
Em 1984, o ex-integrante do Roxy Music produziu com Daniel Lanois o quarto álbum do U2, 'The Unforgettable Fire'. Este foi o disco que efetivamente transformou a banda em gigante do rock.
É um álbum pretensioso, quase arrogante em suas canções que falam de amor e política sobre uma intrincada malha sonora. Músicas épicas como "Pride (In The Name Of Love)", "A Sort Of Homecoming" e a faixa-título são longas, cheias de encaixes entre trechos que muitas vezes parecem canções diferentes, como suítes de música erudita. E, nessa sofisticação, são irretocáveis.
"COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times?)" segue essa cartilha em seus quase sete minutos. É uma costura musical que praticamente afronta esta época de TikTok e músicas que tentam capturar o ouvinte em menos de 30 segundos.
A faixa não chega ao sublime encontrado no álbum 'The Unforgettable Fire', mas é uma demonstração de que o U2 ainda pode reencontrar a força arrebatadora de seu rock singular.
O único álbum lançado pelo U2 nos últimos anos é 'Songs Of Surrender', uma longa releitura de músicas que a banda já gravou, entre elas hits globais. Ao lançar 'Days Of Ash', em fevereiro, Bono falou de um novo álbum ainda em 2026. Agora chegou 'Easter Lily'. Para o fã do melhor do U2, é bom que o prometido álbum siga mais este EP do que o anterior.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Brian Eno fala das gravações de 'Original Soundtracks 1' com o U2


Brian Eno em 1995 sobre 'Original Soundtracks 1':

"Uma forma de experimentarem em público, e, na verdade, a única experimentação que vale a pena é aquela feita em público. 
Você não sabe o que sente sobre algo até se arriscar a expô-lo a outras pessoas. Eles querem experimentar — e querem fazer isso em seus discos do U2, que não são necessariamente convencionais — mas reconhecem que existe um limite para o que se pode descrever como parte da identidade da banda antes de ultrapassar os limites da credibilidade.
Eles estão meio que dizendo: "Ok, muita gente já entendeu o que é o U2 — ótimo — vamos deixar essa identidade de lado, que, no entanto, continua mudando e se expandindo, e vamos inventar outra para fazer outros tipos de coisas". Pode ter certeza de que muitas das ideias geradas neste disco irão influenciar o próximo álbum mais convencional.
Em muitas dessas coisas, eu comecei tudo sozinho e, como era um trabalho coletivo igualitário, me senti muito mais inclinado a trabalhar nas coisas individualmente, a dizer: "Mudei a estrutura desta música e a editei desta forma". Eu não faria isso autonomamente em um disco do U2, apenas em colaboração. Neste caso, me senti livre para trabalhar nessas coisas sozinho e depois apresentar os resultados. Como ainda é um grupo de pessoas, eu não diria: "Tem que ser assim", mas pelo menos desta forma, não tenho medo de dizer: "Este é o meu trabalho". Ninguém se ofende com o fato de ser claramente o meu trabalho.
Howie B. é uma presença muito agradável no estúdio, e parte do motivo pelo qual ele é tão agradável é que ele é muito aberto à música. Ele simplesmente adora ouvir música. Isso pode soar estranho. Você pode dizer: "Quem não gosta?", mas quando você passa muito tempo em estúdios, seu entusiasmo acaba diminuindo um pouco, e é bom ter alguém que diga: "Incrível, demais!". Aliás, esses são os únicos dois adjetivos que ele usa. Então, em primeiro lugar, ele contribui muito para a atmosfera do lugar. Essa é uma contribuição imensurável, mas muito importante, e acho que eu também contribuo para isso. Eu crio uma certa atmosfera quando estou lá – não necessariamente uma atmosfera feliz como a dele, mas um nível e um ritmo em que espero trabalhar. Eu não fico enrolando.
Em segundo lugar, ele entrou no projeto bem tarde, muito tarde mesmo. Ele é muito autoconfiante e seguro de si em relação aos seus próprios sentimentos. É sempre bom ter alguém assim. Então, demos a ele as fitas em que estávamos trabalhando e ele as mixou de um jeito que nenhum de nós tinha imaginado. Muitas vezes, ele deixava de fora a maior parte do que estava na fita. Isso foi bem chocante no começo. Aliás, posso dizer honestamente que Howie B. é a primeira pessoa que me deixou genuinamente perplexo musicalmente em muito tempo.
Eu só pensava: "O que está acontecendo aqui? Será que eu não entendi nada ou ele é completamente maluco?". E concluí que as duas coisas eram verdade. Agora acho que entendi, mas ele continua completamente maluco.
Ele chegou e nos mostrou algo sob uma perspectiva completamente diferente, radicalmente diferente em alguns casos – às vezes até demais, e não aceitamos todos os resultados – mas, mesmo assim, foi um verdadeiro alívio. Uma das contribuições dele foi a criação de espaço dentro da música. Quando você está no estúdio, a tendência é adicionar coisas – é o que você automaticamente se inclina a fazer, você tende a preencher todas as lacunas. Isso geralmente não é uma boa ideia – parte da atração dessas coisas, em primeiro lugar, era que você conseguia ouvir todas, elas eram simples e claras de certa forma. Quando ele chegou, deixou de fora elementos enormes que considerávamos muito importantes. Simplesmente os deixou de fora. De repente, isso é muito revigorante. Dá para ouvir isso muito bem em uma faixa chamada "One Minute Warning". É um sanduíche, uma mixagem minha, que se mistura com uma mixagem dele e volta para uma mixagem minha. Funciona muito bem porque a minha é bem densa e agitada, e se mistura com a dele, criando esse tipo de espaço elétrico carregado, com muito pouco acontecendo, mas com muita tensão. Na verdade, se você analisar o disco como um todo, as mixagens dele são muito importantes para a sensação que o disco transmite, porque elas têm essa sensação de vazio que eu realmente aprecio muito".

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Bono e The Edge em foto com o Presidente Dos EUA


Paradise é uma série de televisão norte-americana de suspense político criada por Dan Fogelman e estrelada por Sterling K. Brown, Julianne Nicholson e James Marsden. Foi lançada no Hulu nos Estados Unidos em 26 de janeiro de 2025.
A série acompanha o agente do Serviço Secreto dos Estados Unidos, Xavier Collins, enquanto ele busca descobrir a verdade por trás do assassinato do Presidente dos Estados Unidos. À medida que Xavier se torna suspeito pela morte do Presidente Bradford, ele busca respostas sobre o que realmente aconteceu e não tem certeza em quem pode confiar, pois suas perguntas levam a muitas revelações chocantes.
No capítulo de estreia, é vista na mesa da sala do Presidente, uma foto dele com Bono e The Edge.



Single do EP 'Days Of Ash' do U2 chega ao TOP 10, ampliando recorde da banda


Forbes

O U2 lançou o EP 'Days Of Ash' em fevereiro e, embora o trabalho de estúdio tenha gerado muitas manchetes, foi apenas um sucesso de vendas momentâneo nos Estados Unidos.
Uma faixa, "Song Of The Future", foi lançada como single do EP. Nesta semana, a música subiu para o top 10 em uma parada, dando ao U2 não apenas mais um sucesso, mas um sucesso que expande seu recorde.
"Song Of The Future" subiu três posições na parada Adult Alternative Airplay, uma das várias paradas de rádio focadas em rock publicadas pela Billboard. A faixa do U2 subiu do 11º para o 8º lugar, encontrando seu caminho para o nível mais competitivo em menos de um mês de sua entrada na parada. O U2 já acumula 29 músicas no Top 10 da parada Adult Alternative Airplay ao longo dos anos. Antes de "Song Of The Future", o grupo já detinha o recorde de maior número de aparições entre os números 1 e 10, e agora ampliam essa vantagem.
Quase metade de todos os sucessos do U2 que chegaram ao Top 10 da parada Adult Alternative Airplay passaram pelo menos uma vez em 1º lugar. O grupo emplacou 14 músicas no topo da parada, superando as 13 do Coldplay. Dave Matthews – tanto o grupo quanto o próprio cantor e compositor – empata com Jack Johnson com 11 cada, o terceiro maior número de vitórias na história da parada.

Aqui está uma lista de todos os sucessos do U2 que chegaram ao 1º lugar na parada Adult Alternative Airplay da Billboard.

"All Because Of You"
"Atomic City"
"Beautiful Day"
"Electrical Storm"
"Get On Your Boots"
"In A Little While"
"Invisible"
"Sometimes You Can't Make It On Your Own"
"Staring At The Sun"
"Stuck In A Moment You Can't Get Out Of"
"The Miracle (Of Joey Ramone)"
"Vertigo"
"Window In The Skies"
"You're The Best Thing About Me"

No momento, "Song Of The Future" aparece em duas paradas da Billboard. Ela tem muito mais sucesso na parada Adult Alternative Airplay em comparação com as paradas Rock e Alternative Airplay, que têm composições semelhantes.
Na última semana, "Song Of The Future" estreou em 50º lugar, na última posição do ranking das músicas mais populares em todas as rádios que tocam rock ou música alternativa. Em sua segunda passagem pela lista, "Song Of The Future" avança apenas duas posições, chegando ao 48º lugar.
O mais recente single do U2 terá que subir mais 10 posições antes de deixar de ser o single com a pior posição alcançada pela banda. "Get Out Of Your Own Way" só chegou ao 39º lugar em 2018.

domingo, 5 de abril de 2026

Adam Clayton fala sobre sua jornada de recuperação


O EP 'Easter Lily' do U2 é acompanhado por outra edição especial digital da revista 'Propaganda'.
Intitulada 'U2 - Propaganda - Easter Lily', esta edição apresenta contribuições de todos os quatro membros da banda, com Adam Clayton falando sobre arte e a jornada de recuperação.
A página do Facebook 'U2 - Uma História Dedicada' traz a tradução do artigo com Adam:

"Nos primeiros anos, eu era visto como um rebelde na banda. Eu não estava exatamente lendo ocultismo! Eu era simplesmente inculto e indisciplinado, tentando conciliar minhas crenças com as oportunidades e os desafios de estar em uma banda, além de formar uma parceria criativa. Como fazer isso funcionar? Essa era a minha dúvida constante. Enquanto isso, eu também experimentava drogas recreativas. Eu bebia e gostava disso. E certamente conhecia garotas, então eu estava com uma mentalidade um tanto permissiva.
Agora, avançando uns 20 anos, para a década de 90, temos uma situação diferente. A vida dos outros caras mudou, seus pontos de vista se tornaram mais flexíveis, eles estão ficando fora até tarde e bebendo de um jeito que eu jamais poderia ter imaginado naquela época, mas minha vida estava começando a desmoronar rumo ao alcoolismo e possivelmente ao vício em drogas, embora eu considere o alcoolismo minha principal doença. Eu estava perdido.
Eu não tinha mais aquela convicção espiritual da qual falava. O vício rouba muitas dessas coisas. Eu ainda era capaz de orar e pedir ajuda. Nos meus momentos mais difíceis, eu buscava ajuda na oração e fazia várias promessas, mas a salvação veio quando cheguei ao ponto de perceber: 'Preciso ir para a reabilitação'.
Na primeira semana de reabilitação, em 1998, lutei e resisti ao processo. Eu não me sentia no lugar certo. Então, depois de uma semana, comecei a concordar e, a contragosto, a perceber: 'Preciso ouvir o que as pessoas dizem. Preciso me aproximar da comunidade que me oferecem'. 'Preciso aceitar que meu jeito de fazer as coisas falhou e não está funcionando de verdade'. Isso me permitiu, eventualmente, trazer Deus de volta à minha vida, seja como Deus ou como um Poder Superior.
Recebi benefícios disso. Gostei muito do apoio no início da minha sobriedade, que foi a época mais difícil. Percebi desde cedo que o vício é, principalmente, um problema mental. Embora não haja cura definitiva, existem boas práticas mentais e físicas que protegem você de ceder ao vício. As atitudes mudaram significativamente nos últimos 30 anos.
Se um problema de saúde mental for detectado precocemente, em vez de ter que esperar anos por algum tipo de tratamento psiquiátrico, existem maneiras de ajudar as pessoas que permitem que elas se recuperem mais rapidamente e reduzam o risco de recaídas. Então, é isso que tenho tentado fazer na Irlanda, trabalhando com instituições de caridade e, recentemente, com uma organização chamada A Lust For Life, que educa estudantes sobre o que realmente significa se sentir mal consigo mesmo ou ter problemas de saúde mental.
O que eu vivi me deu a linguagem e a capacidade de estar mais próximo de Bono, Edge e Larry, enquanto caminhamos lado a lado. Talvez eu não tenha formado ou desenvolvido minhas visões espirituais a partir de uma formação evangélica (protestante e católica) do tipo Shalom como eles – minha conversão, para todos os efeitos, aconteceu mais tarde e de uma maneira diferente –, mas certamente nos entendemos agora".

sábado, 4 de abril de 2026

"Song For Hal", uma canção de desafio e uma canção de esperança


Você espera 25 anos por uma nova edição da Propaganda e, de repente, duas aparecem ao mesmo tempo. Você espera 8 anos por uma nova coleção de músicas do U2… e, de repente, duas aparecem ao mesmo tempo.
O EP 'Easter Lily' é acompanhado por outra edição especial digital da Propaganda. Intitulada 'U2 - Propaganda - Easter Lily', esta revista apresenta contribuições dos quatro membros da banda, incluindo notas de capa de The Edge; Adam Clayton sobre arte e a jornada de recuperação; uma conversa entre Bono e o frade franciscano Richard Rohr; e fotografias de estúdio tiradas por Larry Mullen Jr.
Enquanto o EP 'Days Of Ash' foi uma resposta aos tempos caóticos do mundo exterior, o EP 'Easter Lily' é um conjunto de canções mais reflexivas, que emergem de um lugar mais pessoal e privado para onde alguns podem se refugiar em momentos como este – explorando temas como amizade, perda, esperança e, em última análise, renovação.
O EP começa com "Song For Hal", uma homenagem ao falecido Hal Wilner com The Edge nos vocais principais. 
The Edge oferece detalhes:

"Comecei a escrever "Song For Hal" durante os estágios iniciais do confinamento devido à pandemia, em resposta à notícia de que tínhamos perdido o nosso querido amigo Hal Willner. 
É uma espécie de lamentação. Hal era um personagem verdadeiramente único; era como um alquimista cultural e sentia um interesse profundo e apaixonado por música que não estava no radar da maioria. Amava tanto Thelonious Monk quanto as músicas dos desenhos animados da Disney; as irmãs McGarrigle e Kurt Weill.
Hal trabalhou com U2 em vários projetos e também com Gavin Friday; quando faleceu, todos sentimos que era o fim de uma era. Foi no ponto mais crítico da primeira onda da pandemia. Hal foi um dos sortudos que pôde estar com sua família, mas fiquei chocado com o tanto de pessoas que, em salas de hospitais ou em suas casas, estavam isoladas dos seus entes queridos e morrendo sozinhas. Então, esta é, na verdade, uma canção de desafio e uma canção de esperança, que resiste à ideia de que qualquer um de nós possa ficar sozinho no tempo e no espaço.
Raramente assumo o vocal principal. Quando as pessoas perguntam por quê, eu explico que, na verdade, temos um ótimo vocalista na banda. Eu sempre imaginei que Bono cantaria os vocais principais, mas ele insistiu que eu deveria cantá-los. Ele gostou de como a música soava na minha voz. Isso foi um grande elogio".

sexta-feira, 3 de abril de 2026

The Edge fala sobre as canções de 'Easter Lily', o novo EP do U2


Apenas seis semanas após o lançamento surpresa do EP 'Days Of Ash', o U2 lançou outra coletânea de seis músicas sem aviso prévio. Intitulada 'Easter Lily', já está disponível no YouTube e em todas as plataformas de streaming.
Diferentemente de 'Days Of Ash', Easter Lily não tem cunho político. As canções, em vez disso, focam em questões espirituais, amizade, perda e esperança.
O EP começa com "Song For Hal", uma homenagem ao falecido Hal Wilner com The Edge nos vocais principais. "Raramente canto como vocalista principal", diz Edge em uma entrevista para a nova edição da revista Propaganda, do U2. "Quando as pessoas perguntam por quê, eu explico que, na verdade, temos um ótimo vocalista na banda. Eu sempre imaginei que Bono cantaria os vocais principais, mas ele insistiu que eu deveria cantá-los. Ele gostou de como a música soava na minha voz. Isso foi um grande elogio".
"In A Life" é uma ode à amizade. "Embora reconheçamos o quão absurdo é falar sobre fé e amizade em tempos tão niilistas, não nos arrependemos... esta música é emocionalmente direta, o que para alguns pode parecer cafona", diz Edge. "Mas essa é a intenção, confrontar e desafiar a frieza que se infiltra nos relacionamentos. Ouvindo-a depois de "Song For Hal", lembro-me de não considerar os amigos como garantidos".
"Scars" busca inspiração musical na cena pós-punk do início dos anos 80. A letra fala sobre autoaceitação e sobre assumir as cicatrizes acumuladas ao longo dos anos. "Cicatrizes são úteis, erros são úteis — se pudermos assumi-los", diz Edge. "Essa é a chave. Quando são escondidas ou negadas, é uma má notícia. Essa é a raiz do narcisismo, não o amor-próprio, mas a falsa perfeição. Bono leva essa ideia para outro patamar com uma referência às feridas de Cristo, lembrando-nos de que foram infligidas pelo Estado em conjunto com a autoridade religiosa. Igreja e Estado é uma combinação perigosa".
As raízes de "Resurrection Song" remontam a uma década, a uma demo que Edge criou com o produtor Jacknife Lee. "Eu estava tentando criar uma música com alguma inspiração em seu DNA", diz Edge. "A banda a levou a um nível totalmente novo. Larry está tocando uma das melhores baterias que já gravou nesta faixa".
A banda também dedicou muito tempo a aprimorar "Easter Parade". Ela começou como uma "releitura de ideias antigas do U2" até que Bono e Jacknife Lee a transformaram em algo novo e original, embora a letra permanecesse muito espiritual. "Acho que a pergunta é: por que essas músicas de transcendência agora?", questiona Edge. "Nossa intuição é que nosso público está tão sedento quanto nós por algo em que se apoiar nestes tempos difíceis. Não escrevemos músicas que se esquivam de testemunhar um mundo em seu trauma, sua raiva e dor, e nessas canções mais espirituais, testemunhamos a fonte da força que encontramos para caminhar por este mundo".
Easter Lily encerra com "COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times?)", que apresenta uma "paisagem sonora" de Brian Eno. "Começamos esta com Brian Eno", diz Edge. "Era um Bono improvisando sobre esses belos acordes de Brian. Bono e Jacknife Lee revisitaram a faixa e, como um músico de jazz, Bono se entregou completamente. Totalmente desenfreado. Eu tive muito pouco a ver com esta faixa, mas é uma das minhas composições favoritas que fizemos recentemente".
As 12 músicas que aparecem em 'Days Of Ash' e 'Easter Lily' não estarão no próximo álbum do U2. E quando o trabalho no LP começou, eles não tinham planos para lançar EPs antes dele. Essas decisões foram tomadas em grande parte de última hora e exigiram muita correria. "Tenho dormido em média duas horas por noite", diz Jacknife Lee em uma entrevista separada para a Propaganda. "Sinto como se estivesse vivendo na Estação Espacial Internacional. Perdi completamente a noção do tempo. Tem sido muito intenso, mas também muito emocionante. Há muita pressão e uma ansiedade nervosa, o que é uma ótima fonte de inspiração criativa".
Depois de perder a residência do U2 no Sphere em 2023 e 2024 para se recuperar de cirurgias no pescoço e nas costas, Larry Mullen Jr. voltou à bateria. "Larry teve que aprender um novo estilo de tocar bateria por causa de lesões anteriores", diz Jacknife Lee, "mas isso realmente abriu muitas possibilidades para ele".

Faixas do novo EP 'Easter Lily' haviam sido escritas para o novo disco do U2


The Edge revelou por que o U2 sentiu a urgência de lançar de surpresa seu novo EP de seis músicas, 'Easter Lily', na Sexta-feira Santa.
As músicas de 'Easter Lily' foram descritas como "muito mais reflexivas" do que as do "desafiador" e politicamente carregado 'Days Of Ash', com essas faixas "emergindo de um lugar mais pessoal e privado, para onde alguns podem se refugiar em tempos como estes".
Em uma nova edição digital da sua consagrada fanzine Propaganda, The Edge esclareceu por que eles finalmente decidiram lançar esse conjunto de músicas como um projeto separado.
"Compusemos algumas músicas para o nosso álbum, mas elas começaram a se impor de maneiras inesperadas, exigindo atenção especial", explicou ele. "Criaram seu próprio universo devocional, sugerindo que não se encaixavam no nosso álbum".
"Então cedemos… concordamos com o cronograma delas… que era a Páscoa… 40 dias depois da Quarta-feira de Cinzas… as músicas mandam, você tem que fazer o que elas dizem ou elas te abandonam por outra pessoa".
Falando sobre os dois EPs que chegam em datas festivas cristãs importantes, ele acrescentou: "Não há dúvida de que esta coleção de músicas tem uma certa inclinação sazonal, mas eu não me deixaria levar demais pelo calendário religioso. A questão é que existem cerimônias e rituais dos quais alguns de nós sentimos falta nesta época tão materialista".
Em outras partes da revista eletrônica Propaganda, com 54 páginas, Bono compartilha uma conversa com o frade franciscano Richard Rohr, The Edge explora a inspiração por trás de cada uma das seis novas faixas, Adam Clayton discute a arte da capa do EP e sua conexão com a recuperação, e o produtor Jacknife Lee dá uma visão sobre o processo de gravação. 
Em sua entrevista, Jacknife Lee, que trabalha com o U2 desde o álbum 'How To Dismantle An Atomic Bomb' de 2004, disse que, após o lançamento de 'Days Of Ash', a banda percebeu que "o álbum não é o trabalho, por enquanto. O trabalho é sobre reagir a eventos em tempo real. O rock 'n' roll não faz isso com frequência hoje em dia".
"Então, cerca de duas semanas antes da Páscoa, a banda disse: 'Se vamos fazer um disco sobre o mundo externo no início da Quaresma, quando fazemos jejum, contemplação e tudo mais, vamos lançar um EP de Páscoa na Sexta-feira Santa que seja mais sobre a resposta interna às coisas'. Estávamos discutindo fé e esperança, então nos concentramos nisso".
A revista Propaganda está em circulação desde 1986 e foi inspirada pela "cultura de fanzines faça-você-mesmo da era punk, que abraçava atitude, ideias e diálogo".
Quanto ao próximo álbum completo, já em 2024, The Edge afirmou que não seria "um rock puro", enquanto no ano passado, Bono compartilhou que estava "pronto para o futuro" com o U2, com a banda tendo composto "25 ótimas músicas". No início deste ano, ao discutir o processo de composição, o vocalista disse que o U2 estava superando o passado para criar "o som do futuro".
Quando questionado pelo apresentador americano Jimmy Kimmel sobre o progresso das novas músicas – que serão o sucessor de 'Songs Of Experience', de 2017 – Bono respondeu: "Estivemos em estúdio e às vezes é preciso lidar com o passado para chegar ao presente, para criar o som do futuro. É isso que queremos fazer".
Ele continuou: "É o som de quatro homens que sentem que suas vidas dependem disso. Eu os lembro de que dependem mesmo. Ninguém precisa de um novo álbum do U2 a menos que seja extraordinário. Estou muito confiante quanto a isso".

Título do EP 'Easter Lily' do U2 é uma referência ao álbum 'Easter', de Patti Smith


O U2 está de volta com seu segundo EP de 2026, 'Easter Lily', lançado nesta Sexta Feira Santa. O álbum de seis faixas sucede 'Days Of Ash' (lançado na Quarta-feira de Cinzas) e apresenta uma nova colaboração com Brian Eno.
O título é uma referência ao álbum 'Easter', de Patti Smith, lançado em 1978, que Bono disse que lhe deu "muita esperança" quando o ouviu pela primeira vez antes de completar 18 anos.
"O álbum 'Easter', de Patti Smith, me deu tanta esperança quando foi lançado em 1978. Eu ainda não tinha 18 anos. O título é uma homenagem a ela".
'Easter' é o terceiro álbum de estúdio de Patti Smith e o segundo lançamento em que sua banda de apoio, Patti Smith Group, é creditada. 
Produzido por Jimmy Iovine, o álbum é considerado o sucesso comercial do grupo, devido ao êxito do single "Because The Night" (co-escrita com Bruce Springsteen).
Mas o álbum traz uma música que gerou muita polêmica já na época, chamada "Rock N Roll Nigger".
O termo "nigger" é considerado racista e altamente ofensivo nos Estados Unidos quando usado por uma pessoa branca para se referir a uma pessoa negra, dando tons pejorativos e que remetem à escravidão.
44 anos após o lançamento do álbum, a música foi retirada de serviços de streaming como Spotify, Apple Music, Tidal e Amazon Music, por uma decisão da própria equipe da cantora.
Na letra, Patti Smith descreve personalidades brancas e negras que considera subversivas, como ela própria, Jesus Cristo, Jimi Hendrix e o pintor Jackson Pollock, e insinua que o termo "nigger" pode se aplicar a todas elas, como se fosse uma alcunha dada para rebeldes.
Em uma entrevista na época, a cantora usou uma justificativa um tanto bizarra para explicar por que pensava dessa forma: "O sofrimento não faz de você um 'nigger'. Quer dizer, eu cresci pobre também. Você acha que os negros são melhores que os brancos? Eu fui criada ao lado de negros. Tipo, eu posso andar na rua e dizer pra uma criança: 'ei, nigger'. Eu não tenho nenhum super-respeito ou medo desse tipo de coisa".
"Rock N Roll Nigger" já foi regravada por artistas como Marilyn Manson, Courtney Love e Trent Reznor.

Entendendo 'Easter Lily', o novo EP do U2


O site U2 Songs escreve que 'Easter Lily' é o segundo EP lançado pelo U2 em 2026. O EP foi produzido por Jacknife Lee. Ele sucede 'Days Of Ash', lançado na Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro de 2026. 
Assim como 'Days Of Ash', o EP digital é acompanhado por uma nova edição da revista Propaganda, que traz informações sobre as faixas e notas explicativas. Esta é a Volume 3, Edição 2.
A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, uma contagem regressiva de 40 dias (excluindo os domingos) focada em oração e jejum, culminando na Páscoa. E, fiel ao estilo U2, esse significado teve um duplo sentido, com o lançamento de um segundo EP na Sexta-Feira Santa para celebrar a Páscoa.
O Lírio da Páscoa (The Easter Lily) tem ligações com a Irlanda e é um símbolo da Revolta da Páscoa de 1916 e dos conflitos posteriores que levaram à independência. A flor é usada durante a Páscoa como símbolo de lembrança e da pureza de Cristo.
As músicas do EP têm, de fato, ligações com a Páscoa, com títulos como "Easter Parade" e "Resurrection Song". O EP consiste em cinco músicas e uma sexta faixa descrita como uma paisagem sonora por Brian Eno, que o U2 finalizou com Jacknife Lee.
"Scars" começou como um projeto que Bono e The Edge estavam desenvolvendo com Martin Garrix, mas acabou se tornando algo diferente. Edge conta que Garrix pode lançar sua própria versão algum dia. 
"Resurrection Song" começou como parte do álbum 'Songs Of Experience' com Jacknife Lee, e a banda retomou a música. Edge comenta: "Larry está tocando uma das melhores baterias que já gravou nesta faixa. Ele está em ótima fase".
"COEXIST (I Will Bless The Lord At All Time)" vem de duas fontes. "I Will Bless The Lord At All Time" é a abertura do Salmo 34, onde Davi promete louvar a Deus continuamente, independentemente das dificuldades. Aqui, termina com uma pergunta. A campanha e o logotipo "COEXIST" buscavam a compreensão entre diferentes religiões, e os símbolos são familiares aos fãs do U2, já que Bono usou o logotipo durante a turnê 'Vertigo'. Edge considera essa música "uma das minhas favoritas que fizemos recentemente".
O EP foi lançado à meia-noite (horário do leste dos EUA) do dia 3 de abril de 2026, que é Sexta-feira Santa em todas as regiões do mundo, exceto na América do Norte Ocidental, onde foi lançado mais tarde. 
Jacknife Lee: "Eles perceberam que existe uma matéria escura que os conecta quando tocam juntos, aquela coisa estranha que só eles conseguem fazer. Fazia tempo que não faziam isso. Estão redescobrindo seu poder como grupo. É uma alegria testemunhar isso".

U2 disponibiliza Lyric Video para cada uma das faixas do novo EP 'Easter Lily'


O U2 lançou hoje, nesta Sexta Feira Santa, um novo EP independente com 6 faixas, 'Easter Lily'. Antecipando um novo álbum no final de 2026, o novo EP é uma coleção completa de seis músicas.
Enquanto o EP 'Days Of Ash' foi uma resposta aos tempos caóticos do mundo exterior, o EP 'Easter Lily' é um conjunto de canções mais reflexivas, que emergem de um lugar mais pessoal e privado para onde alguns podem se refugiar em momentos como este – explorando temas como amizade, perda, esperança e, em última análise, renovação.
A banda disponibiliza Lyric Video para cada uma das faixas: 

Na Sexta Feira Santa, U2 lança 'Easter Lily', um novo EP com 6 faixas inéditas


'Easter Lily', um novo EP independente com 6 faixas do U2, já está disponível.

Em uma mensagem aos fãs, Bono afirma que este segundo EP surpresa não atrasará o lançamento do próximo álbum da banda.

"Estamos no estúdio, ainda trabalhando em um álbum barulhento, caótico e 'extremamente colorido' para tocar AO VIVO… que é onde o U2 se sente em casa. Ainda buscamos no rock n' roll vibrante um ato de resistência contra toda essa coisa horrível em nossas telinhas. Estes são, sem dúvida, 'anos de deserto' para muitos de nós, observando o caos lá fora no mundo".

"É um momento que levou nossa banda a mergulhar mais fundo em nossas vidas para encontrar uma fonte de inspiração para canções que tentem corresponder ao momento… Com 'Easter Lily', acabamos fazendo perguntas muito pessoais como: Nossos relacionamentos estão à altura desses tempos desafiadores? O quão duro você luta pela amizade?" Será que nossa fé sobreviverá à deturpação de significado que esses algoritmos adoram recompensar? Será que toda religião é um disparate e continua nos dilacerando…? Ou será que existem respostas escondidas em suas reentrâncias? Será que existem cerimônias, rituais, danças que talvez estejamos perdendo em nossas vidas? Do rito da primavera à Páscoa e sua promessa de renascimento e renovação… O álbum 'Easter', de Patti Smith, me deu tanta esperança quando foi lançado em 1978. Eu ainda não tinha 18 anos. O título é uma homenagem a ela. Tentaremos fazer alarde e fanfarra em uma data posterior para lembrar ao resto do mundo que existimos, mas enquanto isso… isso fica entre você e nós".

Enquanto o EP 'Days Of Ash' foi uma resposta aos tempos caóticos do mundo exterior, o EP 'Easter Lily' é um conjunto de canções mais reflexivas, que emergem de um lugar mais pessoal e privado para onde alguns podem se refugiar em momentos como este – explorando temas como amizade, perda, esperança e, em última análise, renovação.

"Song For Hal" é um lamento sobre o confinamento da COVID-19, com The Edge nos vocais principais, escrito para o amigo da banda, o músico Hal Willner, que teria completado 70 anos na segunda-feira de Páscoa e faleceu há quase 6 anos, exatamente nesse dia. "In A Life" é uma canção que celebra a amizade. "Scars" é uma canção de encorajamento e aceitação; cicatrizes e tudo, com uma reviravolta. "Resurrection Song" fala sobre peregrinação, uma viagem rumo ao desconhecido com um amor ou amigo. "Easter Parade" é uma canção devocional, uma celebração da nova vida, do renascimento e da ressurreição. "COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times?)" é uma canção de ninar para pais de crianças envolvidas na guerra, com uma paisagem sonora de Brian Eno.

O EP 'Easter Lily' é acompanhado por outra edição especial digital da revista 'Propaganda'.

Intitulada 'U2 - Propaganda - Easter Lily', esta edição apresenta contribuições de todos os quatro membros da banda, incluindo notas de encarte de The Edge; Adam Clayton fala sobre arte e a jornada de recuperação; uma conversa entre Bono e o frade franciscano Richard Rohr; e fotografias de estúdio tiradas por Larry Mullen Jr.

A revista eletrônica também apresenta letras de músicas, uma entrevista com o produtor da banda, Jacknife Lee, e um artigo sobre Hal Willner escrito por seu amigo Gavin Friday.

Quarenta anos atrás, em fevereiro de 1986, a primeira edição da 'Propaganda' chegou às caixas de correio dos fãs do U2 ao redor do mundo. Aspirando a competir com outras revistas de fãs da época, a 'Propaganda' nasceu da cultura punk de fanzines do tipo "faça você mesmo", que abraçava atitude, ideias e diálogo.

O EP 'U2 - Easter Lily' estará disponível para download digital, bem como em todas as plataformas digitais.

A lista de faixas do EP 'U2 - Easter Lily' é:

1. Song For Hal
2. In A Life
3. Scars
4. Resurrection Song
5. Easter Parade
6. COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times?)

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Baterista do Legião Urbana levou baterista do U2 para dançar forró na Bahia


Whiplash

O baterista do Legião Urbana, Marcelo Bonfá, está lançando a biografia em quadrinhos "Minha Banda Preferida De Todos Os Tempos". Entre as histórias retratadas, uma curiosa envolve Larry Mullen Jr., também baterista, do U2. Em 2006, o irlandês se hospedou na casa do brasileiro na Bahia e foi até mesmo dançar forró.
Bonfá, relembrou a situação durante entrevista ao jornal gaúcho Zero Hora. "Sim, ele dançou forró e tudo. Foi uma história inusitada porque uma amiga é casada com um médico que atendia ele em Nova York. Aí ela me ligou e falou: 'Sabe aquela casa na Bahia? Posso levar um amigo? Ele quer muito ir lá'. Eu disse: 'Claro, quem é?' Ela respondeu: 'Ah, não posso falar agora'. Mas depois me disse: 'É o Larry, do U2'."
O momento serviu para uma aproximação com uma influência. "O cara é simplesmente um dos bateristas de referência da minha vida, um dos que mais moldaram meu estilo. 'Boy' e 'October' saíram no momento em que a gente estava compondo também. Havia uma sintonia entre U2 e Legião Urbana naquele momento, mesmo em um mundo sem internet, sem celular. Os jovens não vão entender o que estou falando. Aquele surdo do lado esquerdo era uma coisa nova para mim. Claro, não queria ficar igual, mas gostei".
A convivência gerou lembranças que poucas pessoas teriam com um ídolo. "Tem a história dele acordar às 14:00 e a gente já ter tomado café. Tem história que eu não vou contar também, para não expor, mas a gente foi dançar na Cabana Corais (uma barraca da Praia da Concha, em Itacaré, na Bahia)".

quarta-feira, 1 de abril de 2026

U2 50 Anos: No Dia Da Mentira, Bono escorregou de uma rampa do palco e cortou o queixo com um refletor


O batismo não oficial da 'The Joshua Tree Tour' do U2 de 1987 aconteceu em 27 de março no telhado de uma loja de bebidas na esquina da 7th Street com a Main Street, no centro de Los Angeles. O show era uma gravação autorizada do videoclipe de "Where The Streets Have No Name", mas a polícia de Los Angeles tentou interrompê-la quando a enorme multidão bloqueou as ruas ao redor. O U2 também estava coletando imagens para o filme da turnê, que mais tarde se tornaria 'Rattle and Hum', e o produtor do filme, Michael Hamlyn, quase foi preso durante um impasse com a polícia. Mesmo assim, serviu como uma promoção dramática, dando ao U2 uma rara dose de credibilidade no rock rebelde.
Apenas alguns dias depois, o U2 se viu envolvido em um escândalo bem menos planejado. Ao chegarem à Universidade Estadual do Arizona, em Tempe, para seu primeiro show oficial, foram recebidos por manifestantes indignados com a decisão da banda de se apresentar no dia em que o governador Evan Mecham havia revogado o feriado estadual em homenagem a Martin Luther King Jr. Outras bandas já haviam cancelado ou transferido shows para outros estados, o que agravou ainda mais a situação para o U2, que havia escrito duas músicas sobre King e o idolatrava incessantemente em entrevistas.
O U2 agiu rapidamente para minimizar os danos, doando dinheiro para o Comitê de Vigilância Mecham, um grupo de campanha que pedia a restauração do feriado em homenagem a Martin Luther King Jr. A banda também divulgou um comunicado sobre a marca Mecham, chamando-a de "uma vergonha para o povo do Arizona", e Bono afirmou posteriormente: "Se soubéssemos com alguns meses de antecedência, acho que não teríamos tocado no Arizona. Mas não tínhamos noção da situação exata até chegarmos lá".
O Arizona estava cheio de gente barra pesada. Durante os ensaios finais no Dia da Mentira, Bono escorregou de uma rampa do palco e cortou o queixo com um refletor portátil que se tornou um elemento característico da 'The Joshua Tree Tour'. Atordoado e sangrando profusamente, o cantor foi imediatamente levado para os bastidores, onde uma ambulância o aguardava.
Na noite seguinte, Bono teve dificuldades para se apresentar no show de abertura devido a uma virose na garganta. Temendo mais problemas, o U2 decidiu adiar um show pela primeira vez, postergando a data de 3 de abril em 24 horas. Em seu dia extra de folga, a banda voou para Las Vegas, assistiu à luta entre Hagler e Leonard e deu uma passada em um show de Frank Sinatra. Quando Sinatra deu as boas-vindas aos roqueiros promissores, foi o início de uma longa e peculiar amizade entre Bono e Ol' Blue Eyes.
A primeira etapa da turnê, com duração de dois meses, seguiu em frente pelo Texas e Califórnia, depois cruzou o Meio-Oeste até a costa leste. Enormes, porém austeras, sem nenhum dos artifícios teatrais exagerados da reinvenção da banda nos anos 90, os shows foram marcados por problemas técnicos, mas bem recebidos e com ótimas críticas.
De volta a Las Vegas em meados de abril, o U2 gravou um videoclipe para "I Still Haven't Found What I'm Looking For", caminhando pelas ruas como artistas de rua. Em Los Angeles, alguns dias depois, Bob Dylan se juntou à banda no palco e começou a compor músicas com Bono que eventualmente apareceriam em 'Rattle And Hum'. E ele não foi o único visitante famoso da banda. A lista de convidados incluía Muhammad Ali, Madonna, Sean Penn, Jack Nicholson e muitos outros.

terça-feira, 31 de março de 2026

"Este não é um disco do U2"


Em 1995, Brian Eno esteve alguns dias na Itália, para um show com metade do U2 para 12.000 pessoas no concerto beneficente de Luciano Pavarotti, e também para arrecadar fundos para a War Child. 
Eles tocaram "One" e "Miss Sarajevo", uma música do álbum do Passengers. Brian Eno tocava com o U2 há anos, é claro, mas nunca com mais de quatro ou cinco pessoas na plateia e sempre em estúdio. Não era apenas a primeira vez que ele tocava ao vivo com o U2: "É a primeira vez que toco ao vivo em muitos anos".
"Foi muito engraçado", ele relembrou. "É um evento tão grandioso e uma sensação tão incrível estar no palco com uma orquestra de 80 músicos, algo fora do comum. Uma orquestra fantástica, composta principalmente por jovens, e tão entusiasmados – diferente de uma orquestra inglesa. Havia uma verdadeira sensação de que aquilo era algo maravilhoso de se fazer".
Sobre o álbum do Passengers, ele contou: "Fizemos duas semanas de improvisações em novembro de 1994, no Westside, em Londres. A ideia era fazer algo juntos e explorar novos territórios musicais que não pertencessem apenas a mim ou apenas ao U2, mas sim uma espécie de híbrido. É algo que tínhamos feito acidentalmente em alguns dos discos deles. Este foi um pouco diferente, pois eu participei da composição desde o início, e não fui apenas o produtor ou a pessoa que adiciona coisas depois que tudo já começou. Foi muito bom estar nesse papel e poder trazer coisas que eu já tinha começado em casa – sequências e outras coisas – e vê-las ganhar vida quando a banda trabalhou com elas.
'Zooropa' também foi uma espécie de disco de transição, saindo de uma certa imagem de uma forma de fazer música e caminhando em direção a outra. Acho que o progresso é mais visível neste novo álbum. Um dos problemas que frequentemente acontece com bandas de muito sucesso é que elas não têm mais permissão para errar ou experimentar. Elas se sentem limitadas pelo fato de que todos esperam um grande estrondo, um mega sucesso, quando nem sempre é isso que se quer fazer.
Você poderia dizer: "Bem, vocês ainda podem fazer essas outras coisas experimentais, mas simplesmente não as lancem". Mas lançar também faz parte da experimentação. Lançar algo é quando você entende o que sente sobre aquilo. Quando há mais música por aí, em meio a tantas outras, você começa a perceber o que é, o que representa. Então, uma das razões pelas quais criamos essa entidade Passengers foi para permitir que o U2 fosse algo além do U2, eu diria. Para permitir que eles usassem os discos para explorar a música de uma forma mais intransigente do que em seus álbuns convencionais. Parte da intenção de ter o nome Passengers é dizer: "Este não é um disco do U2".
Passengers se tornou um conceito que acho que usaremos no futuro, a ideia de uma associação informal que provavelmente terá a gente como núcleo. Não precisa ter todos nós no núcleo de cada música e pode absorver outros Passengers também. Então, por exemplo, temos Pavarotti em uma música, temos Howie B. em várias músicas, e esses são outros Passengers. Temos uma música que é só Bono, Adam e Howie B. Temos outra música que é só eu e um cantor japonês, temos uma que é só eu e o Edge.
Existem todos os tipos de combinações diferentes, mesmo entre nós cinco, e o que estamos fazendo. Parte do acordo é que não pretendemos fazer disso uma banda propriamente dita, onde todos nós temos que estar em todas as músicas e tudo tem que ser perfeito. É um recipiente. Passengers é uma espécie de marca para um coletivo de algum tipo".

segunda-feira, 30 de março de 2026

U2 queria alguém para documentar a produção do álbum 'The Unforgettable Fire', mas não queriam ser constantemente interrompidos por uma equipe de filmagem


Barry Devlin é o diretor do documentário das gravações do álbum 'The Unforgettable Fire' do U2, de 1984.
'The Making Of The Unforgettable Fire' foi originalmente exibido algumas vezes na MTV e posteriormente lançado comercialmente em VHS, que, embora contenha muito mais momentos de pausa do que um bom documentário de rock deveria, ainda consegue deixar transparecer a personalidade autêntica dos integrantes (incluindo Brian Eno e Daniel Lanois).
Devlin revela: "Eles queriam alguém para documentar a produção do álbum, mas não tinham pensado nas consequências: serem constantemente interrompidos por uma equipe de filmagem. 
Eles foram implacáveis. Ficavam colando avisos nas janelas e portas dizendo "Entrada Proibida". É por isso que o filme tem essa estética artística — reflexos, vistas impressionistas de guitarras em degraus — porque era o mais perto que eu conseguia chegar daqueles cretinos".

sábado, 28 de março de 2026

"Meu maior problema era que o U2 continuava fazendo sucesso"


Uma citação de Adam Clayton: 

"Por muito tempo, acreditei na mitologia do rock and roll de adquirir experiência sem responsabilidade. Escolhi lidar com a minha presença na banda de uma forma muito focada e desenvolvi um estilo de vida que, na minha opinião, definia quem eu era. Não quero voltar para lá. Eu opero em um nível com o qual me sinto confortável".

Então ele próprio comenta: "É. Eu era muito confuso. Achava que tinha que ser tantas coisas diferentes. Tenho muita sorte de, por causa da banda em que estou, as pessoas me darem espaço para errar. 
Agora, mais do que nunca, fico impressionado com a liberdade que as pessoas me deram para errar. Eu devia ser um desastre completo. Provavelmente um desastre bem simpático. Mas, sabe, as pessoas me apoiaram quando errei, e aos poucos fui me encontrando. Demorou muito. Eu aprendi muito devagar. Mas no fim, você identifica o que é importante. E a vida fica mais fácil. Tenho que dizer que sou muito fã de onde estou agora – estou curtindo muito o momento.
Meu maior problema era que o U2 continuava fazendo sucesso. Então eu sempre pensava: "Ah, estamos fazendo sucesso. Por que estou achando tão difícil lidar com isso?". E, claro, não havia motivo. A não ser o que se passava na minha cabeça, sabe?"
Adam Clayton fala também de seus cortes de cabelo de outras épocas: "Bem, eu tive tantos cortes de cabelo diferentes quanto personalidades naquela época. Eu era muito confuso. Ainda bem que não tenho mais dezoito anos".

sexta-feira, 27 de março de 2026

O EP 'Days Of Ash' do U2 desaparece das paradas, mas seu single principal garantiu ao grupo um novo sucesso de rádio


Forbes

Há pouco mais de um mês, o U2, uma das maiores bandas do mundo, surpreendeu milhões ao anunciar um projeto surpresa, um EP intitulado 'Days Of Ash' em 18 de fevereiro. Na época do lançamento do projeto com seis faixas, foi revelado que um novo álbum completo da banda estava previsto para o final de 2026.
'Days Of Ash' não permaneceu muito tempo nas paradas da Billboard, mas mais de um mês após o EP chegar às plataformas de streaming e download, seu single principal garantiu ao grupo um novo sucesso de rádio.
"Song Of The Future" aparece pela primeira vez na parada Rock & Alternative Airplay esta semana, estreando na 50ª posição. Essa é a posição mais baixa possível na lista da Billboard, que detalha quais músicas alcançam o maior público nas rádios americanas que tocam rock e música alternativa.
Com a estreia de "Song Of The Future", o U2 conquista sua décima aparição na parada Rock & Alternative Airplay. A banda só entrou na lista há quase duas décadas, apesar de o U2 ter alcançado sucesso mundial muitos anos antes – embora a parada Rock & Alternative Airplay ainda não existisse naquela época.
O U2 alcançou seu primeiro sucesso em junho de 2009, quando "Magnificent" estreou na 33ª posição, que se tornaria sua melhor colocação até então. Menos de dois meses depois, "I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight" dobrou as posições da banda nas paradas e ajudou o grupo a alcançar um novo pico na carreira, a 27ª posição.
O maior sucesso da banda na parada Rock & Alternative Airplay, "Atomic City", também é um dos mais recentes. Esse hit é o único do U2 a entrar no Top 10, tendo estreado na 5ª posição e não subindo mais desde então.
"Song Of The Future" está na parte de baixo na programação de rádio, embora o single esteja apenas iniciando.
"Song Of The Future" chega à parada Rock & Alternative Airplay quase um mês depois de estrear na lista Adult Alternative Airplay, uma parada mais específica para rádios rock. A mais recente faixa de destaque do U2 sobe novamente e, em sua terceira passagem pela parada, quase entra no Top 10. Esta semana, "Song Of The Future" sobe do 13º para o 11º lugar, e essa trajetória ascendente pode facilmente continuar nas próximas semanas.
O U2 tem se mostrado muito mais bem-sucedido na parada Adult Alternative Airplay do que na parada Rock & Alternative Airplay. A banda já acumulou 28 hits no Top 10, e metade deles alcançou o primeiro lugar. O U2 teve mais de três vezes mais aparições na lista AAA do que na parada de rádio rock mais competitiva dos Estados Unidos.
Enquanto mais americanos descobrem "Song Of The Future", o EP 'Days Of Ash' desaparece das paradas. O álbum de estúdio, de curta duração, não chegou à Billboard 200 — a lista de álbuns mais competitiva dos Estados Unidos —, mas se tornou um sucesso de vendas. 'Days Of Ash' alcançou o 18º lugar no ranking Top Album Sales, que é compilado usando apenas dados de compras.

quinta-feira, 26 de março de 2026

O integrante que passou as últimas 5 décadas sendo a peça que não se encaixa no U2


Adam Clayton completou 66 anos de idade em 13 de março.
Desde que passou no teste para tocar baixo na cozinha dos pais de Larry Mullen Jr., em 1976, Adam passou as últimas 5 décadas sendo a peça que não se encaixa no U2. 
Nascido em Chinnor, Oxfordshire, ele foi o primeiro empresário da banda, hesitou quando os outros "se converteram" para o álbum 'October', de 1981, perdeu o controle durante a turnê de Zooropa, em 1993, tendo perdido um show por "excesso de bebida". 
Ele foi noivo de Naomi Campbell, teve aulas com o autor de "Baixo Para Leigos" e orgulha-se de estar sóbrio desde 1994.
Criado em uma família de mulheres, ele é levemente afeminado, fala em parágrafos completos e se divertiu fazendo curtas-metragens para o U2.COM nos quais mostrava como preparar chá verde ("Com folhas!") e sair dirigindo pela costa francesa - em tela dividida ("Muito anos 1960!"). 
É também o membro do U2 que ficou famoso por ter seu momento nos tabloides, claro. Em 1989, ele foi flagrado com mais do que o dobro do limite legal, multado em quinhentas libras e teve a carteira de habilitação suspensa por um ano. Em seguida, a detenção foi por porte de maconha.
"Eu tive meu momento nos tabloides, sim. E devo dizer que não gostei muito. Tudo começou quando fui pego dirigindo embriagado em Dublin. Não consegui parar o carro completamente. E consegui arrastar um policial pela rua. Isso foi publicado no jornal e a situação não melhorou muito depois disso. Teve aquela prisão por drogas.... Uma vez que você é preso por dirigir embriagado, geralmente é sinal de que ainda tem mais estupidez pela frente. Ainda tem bastante quilometragem pela frente!"

quarta-feira, 25 de março de 2026

Um dia nas gravações de 'No Line On The Horizon' do U2


Bono entra no lounge do Olympic Studios, no sudoeste de Londres. "Acabei de escrever essa letra e quero testá-la".
No estúdio adjacente, onde Steve Lillywhite, produtor de longa data do U2, o aguarda, Bono abre seu Macbook Air e acessa um arquivo. "Acho que consegui rimar 'life' com 'life'", observa, revirando os olhos. "Já ouviram aquela sobre o letrista irlandês?"
Ele pega um microfone enquanto Lillywhite prepara a faixa, uma música meditativa e de ritmo lento chamada "Every Breaking Wave", que gradualmente cresce até um clímax repleto de paixão e intensidade. Bono começa a cantar, balançando para frente e para trás em sua cadeira de estúdio, sua voz saindo simultaneamente das caixas de som gigantes, enquanto ele executa uma performance vocal quase perfeita que usa o movimento do oceano como metáfora para a luta humana, antes de chegar ao verso comovente: "I don't know if I'm that strong". Dois takes e dez minutos depois, está pronta.
O U2 está com três estúdios diferentes no Olympic, trabalhando a todo vapor, nas duas últimas semanas de gravação para cumprir o prazo que permitirá o lançamento de seu décimo segundo álbum de estúdio, 'No Line On The Horizon', no primeiro trimestre de 2009. O sucesso de 'All That You Can't Leave Behind' (2000) e 'How To Dismantle An Atomic Bomb' (2004) estabilizou o U2 após a instabilidade do final dos anos 90. Agora, o clima na banda é de que eles podem se dar ao luxo de ousar um pouco mais. 
Lillywhite informa, alegremente, que as duas últimas semanas de produção de qualquer álbum do U2 são um "caos". Tudo está em aberto: letras ainda estão sendo escritas, algumas músicas estão sendo completamente reformuladas e outras simplesmente descartadas. Lá em cima, no Estúdio 1, os engenheiros se preparam para gravar as partes de bateria com Larry Mullen Jr. Lá embaixo, no porão, Brian Eno trabalha em uma faixa acústica evocativa com arranjos de cordas, chamada "Winter". Eno, Lillywhite e o co-produtor Daniel Lanois formam a equipe de estúdio que trabalhou em todos os álbuns principais do U2, desde 'The Unforgettable Fire', de 1984, até 'All That You Can't Leave Behind'.
Bono se acomoda em um sofá no lounge. 'No Line On The Horizon' está se configurando como uma obra expansiva, em alguns momentos remetendo à música panorâmica do U2 dos anos 80, mas com nuances da irreverência e inovação sonora características da banda nos anos 90 em outros. Sua criação envolveu uma jornada tipicamente épica para o grupo, que começou quase imediatamente após o último show da turnê 'Vertigo' em Honolulu, em setembro de 2006, com trabalhos preliminares com Rick Rubin, antes de seguir para sessões de composição experimental com Eno e Lanois em Fez, Marrocos, no verão de 2007, e períodos subsequentes em Dublin, França, Nova York e, finalmente, Londres.
Segundo o vocalista, 'No Line On The Horizon' – título inspirado na vista da janela de seu escritório na costa irlandesa em um determinado horário do dia, quando o mar parece se fundir com o céu – é dividido em duas partes: Escuro e Claro. "Na minha cabeça, tudo acontece ao longo de vinte e quatro horas", diz ele. Em vez de cantar em primeira pessoa, Bono diz que desta vez está adotando uma abordagem mais novelesca para suas letras, que são habitadas por um elenco de personagens fictícios.
Quatro dias depois. São pouco mais de 20:00 e Eno, Bono e will.i.am, do Black Eyed Peas, estão no Estúdio 1 do Olympic, compondo a parte do violoncelo para uma música chamada "Breathe", que o U2 — de forma um tanto ambiciosa — está apenas começando a gravar nestas duas últimas semanas, sem falar na mixagem. "É assim que as coisas são com a gente", observa Bono, calmamente. ""Zoo Station" só tomou forma nos últimos três dias de 'Achtung Baby'." O cantor pega um microfone e solta um vocal vibrante com direito a vendedor ambulante, uma cacatua e um refrão que começa: "Step out into the street... sing your heart out".
Ele pede ao engenheiro de som para gravar uma nova mixagem da faixa-título, que em questão de dias passou de uma balada atmosférica para um rock punk extasiante. Bono se vira para sussurrar. "Observe a cara do Brian", diz ele, maroto. "Ele não gosta de rock".
De volta à sala de estar, o cantor retorna ao sofá antes de se entregar a duas taças de vinho e "apenas um cigarro".
Levantando-se do sofá, Bono volta ao estúdio adjacente, onde Edge e Steve Lillywhite ouvem uma mixagem preliminar de "Every Breaking Wave", que agora soa gloriosamente épica e quase completa. Já se aproximam das 23:00, e eles estão pacientemente aprimorando sua música, mesmo com o prazo final se aproximando.
"Se fizermos isso direito", diz Bono, gesticulando na direção das caixas de som do estúdio, "2009 será nosso".

terça-feira, 24 de março de 2026

Integrante do U2 talvez não seria um fã do U2


Entrevista com Adam Clayton - 2009

O álbum 'How To Dismantle An Atomic Bomb' do U2 ganhou oito Grammys. Mais que 'Thriller'...

Sério? Nunca pensei nisso dessa forma. Normalmente, passamos dois anos fazendo um disco, então é legal quando ele é reconhecido. Mas fica cada vez mais difícil. Você está competindo consigo mesmo e não quer perder. Dá trabalho. Se você achasse que já passou do auge e que é meio que uma piada... Acho que não sentiria o mesmo. Não é fácil para mim ficar em pé na frente de cinquenta mil pessoas. Não é meu habitat natural. Acho que provavelmente é fácil para o Bono. Mas eu consigo. E vou fazer se eu souber que as músicas são ótimas.

Dá muito trabalho, não é? Não seria melhor fazer como os Rolling Stones, lançar "Sunday Bloody Sunday" e "Pride (In The Name Of Love)" a cada poucos anos e embolsar o dinheiro?

Acho que isso é bem justificável. Nos Estados Unidos, isso funciona como modelo de negócios. Não dá para fazer isso na Grã-Bretanha ou na Irlanda. Os números não fecham. A Irlanda tem uma população de quatro milhões. Não dá para passar um ano na estrada porque você já tocou para todos eles... até janeiro. Nós não fazemos música pop para tocar em massa nas rádios. Fazemos algo um pouco diferente, que reúne ideias literárias, artísticas e sonoras. As ideias e os sons que estão sendo discutidos provavelmente estão nos levando para o mundo da "arte", onde o público é minoritário.

Por que o U2 é tão popular?

Sempre me surpreendo quando as pessoas dizem: "Eu fui àquele show" ou "Me apaixonei por aquele disco". Me surpreende que elas ainda se interessem. Elas devem se ver um pouco na nossa falta de jeito. Porque não somos sofisticados.

Você acha que seria fã do U2?

Não sei. Não gosto dessas bandas grandes.

segunda-feira, 23 de março de 2026

U2 50 Anos: "Nem sempre gostamos um do outro, mas nos respeitamos e nos amamos"


2009

Adam Clayton: "Meu pensamento mudou ao longo dos anos, e agora acho que se você é uma entidade artística como o U2 e criou essas músicas, não existe nenhuma regra que diga que você nunca mais poderá apresentá-las em algum momento da sua vida. 
Na minha opinião, se você escreveu uma música, é válido apresentá-la quantas vezes quiser, onde quiser. E se as pessoas quiserem aparecer e pagar para vivenciar isso com você, então, sabe, isso é muito legal. Música e composição são sobre comunicação. Então é algo que você faz com outras pessoas. Vocês se comunicam. Então eu realmente não acho que exista um momento em que você deva parar de fazer isso. Quer dizer, pode ser, pode ser supostamente constrangedor para algumas pessoas verem você lá no palco cantando músicas enquanto você está babando. Mas se são as suas músicas, você tem esse direito".

The Edge: "Todos nós estamos mudando. Estamos todos crescendo e passando por tudo o que se passa quando se tem família, casa grande e cachorro, enfim. Não é como se ainda morássemos todos no mesmo apartamento. Mas acho que todos sabemos que existe algo especial na forma como nós quatro interagimos musicalmente.
Passamos por tanta coisa ao longo dos anos que poderia muito bem ter acabado com a banda, e ainda estamos aqui. Acho que isso se deve a vários fatores. Primeiro, existe uma amizade genuína e respeito pessoal entre os quatro membros da banda. Saímos juntos. Gostamos da companhia uns dos outros. Nos vemos nas pausas e também quando estamos trabalhando. Não é como se eu estivesse correndo para sair do estúdio para ver meus amigos. Estou no estúdio com meus amigos. Isso é algo único. Acho que todos nós entendemos perfeitamente o quão especial e único é ainda estarmos fazendo boa música depois de tantos anos. Não queremos estragar tudo. É precioso demais.
Quando alguém tem um dia ruim e quer sair da banda ou expulsar alguém, isso não dura muito. De vez em quando, passo por isso, uma vez a cada dez anos, em que penso: "OK, chega, não aguento mais. Acabou. É demais". E aí começo a pensar: "OK, o que vou fazer da minha vida agora?" Então começo a refletir: eu ainda quero fazer música. Sou um artista solo? Para ser sincero, não sou. Preciso encontrar colaboradores. OK, quem eu quero como baterista? Caramba, não há ninguém melhor que Larry Mullen. E o baixo? Droga, tem que ser o Adam. OK, vocalistas? Nossa, não há ninguém melhor que o Bono. Então acabo reformulando a banda, para melhor ou para pior. É meio que o ideal. Isso não quer dizer que não seja desafiador.
Só sei que faço música melhor quando trabalho com o Bono. Eu faço muita música sozinho, mas ninguém nunca ouve. Fica melhor quando trabalho com Adam, Larry, Bono, Brian e Danny. Quem sabe, em algum momento eu faça mais colaborações fora da banda ou projetos solo. Mas não tenho pressa. Gosto do que faço.

Larry Mullen Jr.: "Nem sempre gostamos um do outro, mas nos respeitamos e nos amamos. Casamentos não duram tanto tempo. Será que vai parar de funcionar em algum momento? Tenho certeza que sim. Não é para sempre. Vai chegar a hora de dizer: "Chegou a hora de ir embora", e eu gostaria que esse momento fosse no auge, quando ainda estamos conquistando coisas, em vez de estarmos em declínio. Isso seria triste para mim. Acho que será um momento mais digno para dizer: "Sabe de uma coisa? Esse período chegou ao fim" e talvez voltemos daqui a cinco anos para fazer algo juntos, só para relembrar os velhos tempos, porque sabemos que vamos querer. E acho que seria um final lindo para uma carreira longa e maravilhosa.
Não conversamos muito sobre essas coisas. Estou apenas dizendo como imagino que seria, mas não sei. Claro que não pode durar para sempre. Simplesmente não pode. E se terminasse amanhã, seria triste? Claro. Mas não seria o fim do mundo. Imagino que ajude ter uma família, ter uma vida fora da banda. Se você fosse mais jovem, teria se sentido como se fosse o fim do mundo? Acho que teria sido mais difícil. Mas minha família é obviamente importante, assim como a de todos na banda. É uma parte importante da nossa vida".
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