
O cenário de “360º”, da turnê mundial que o U2 abriu no estádio Camp Nou, em Barcelona, na noite de 30 de Junho e que se seguiu em um segundo show na noite de 02 de Julho, é mesmo impressionante, além de inédito. Abaixo das já famosas quatro “patas” de 50 metros de altura, cobertas por um tecido verde e enormes botões laranja e do telão de alta definição, um palco em forma de picareta é a base do quarteto irlandês. E é do interior deste mesmo palco que os músicos surgem, para ao longo do evento se deslocarem, em diferentes momentos e com ajuda de duas pontes móveis, por uma passarela circular que delimita a área VIP do público. A bateria de Larry Mullen Jr. gira sobre seu próprio eixo para que ele e seus companheiros mudem de lado e toquem algumas canções de frente para as arquibancadas de trás (daí o conceito dos 360 graus).O conjunto da obra lembra mesmo uma nave espacial, como vinham destacando relatos prévios à estréia (os mesmo que apontam custos estratosféricos de US$ 100 milhões para a turnê). Um cartão de visita de impacto que a tradição de megaconcertos iniciada por Bono e companhia há duas décadas, quando se tornaram um dos maiores nomes do planeta pop, não poderia deixar de garantir aos seus seguidores. No entanto, justamente pelo fato da banda já ter posto em prática quase todo tipo de ideia para suas performances, as grandes surpresas param por aí. Para o mal ou para o bem, fica difícil para os astros de Dublin escapar dos próprios clichês que criaram. O roteiro do show, que incluiu 22 canções, é apenas uma atualização do que a banda faz desde que, com a célebre “Zoo TV”, realizada entre 1992 e 1993, mergulhou de cabeça no uso de recursos tecnológicos do showbiz e entrou definitivamente para o ramo das megaturnês multimilionárias – a expectativa é de que esta supere a anterior, “Vertigo”, de 2005 e 2006, rentável em quase US$ 400 milhões.